

A POESIA DE TULA PILAR
DELÍRIO: Delírio dos corpos que se movem na penumbra da noite / Peles que se
roçam na escuridão / Silhuetas dançantes ao clarão do luar / Que invadem as
frestas do canto reservado para o acontecer / Fumaças e cheiros… / Um liquido
licoroso na taça, adoçará ainda mais o delírio que se pretende sentir
entorpecendo a razão / Bíceps Troncudo circunda o pescoço um do outro / Protegem
alternados movimentos frenéticos no chão de estampas / De ladrilhos recém
cobertos por colcha de retalhos escrito palavras ousadas / Caçada incontida,
sorriso para seduzir, prazer infinito… / A noite já se faz dia / Sentimentos
romperam a aurora / Vidraças fechadas, sol querendo entrar / Figuras desnudas
adormecidas / Sobre a colcha de retalhos escrito palavras ousadas.
SOU UMA CAROLINA: Sou uma Carolina / Trabalhei desde menina / Na
infância lavei, passei, engraxei… / Filhos dos outros embalei / Sou negra
escritora que virou notícias nos jornais / Foi do Quarto de Despejo aos
programas de TV / Sou uma Carolina / Escrevo desde menina / Meus textos foram
rasgados, amassados, pisoteados / Foram tantos beliscões / Pelas bandas lá de
Minas / Eu sou de Minas Gerais / Fugi da casa da patroa / Vassoura não quero
ver mais / A caneta é meu troféu / Borda as palavras no papel / É tudo o que
quero dizer / Sou uma Carolina / Feminino e poesia / A negra escritora que foi
do Quarto de Despejo / aos programas na TV / Hoje uso salto alto / Vestido
decotado, meio curto e com babados / Estou na sala de estar / No meu sofá
aveludado / Porque… / Sou uma Carolina / Feminino e poesia / Pobreza não quero
mais / A caneta é meu troféu / Borda as palavras no papel / É tudo o que quero
dizer…
TULA PILAR – Poemas da poeta Tula Pilar (1970- 2019)fez parte do Grupo Raizarte, um coletivo de
música, dança e poesia atuante a partir de 2004 em Taboão da Serra e em muitos
outros espaços culturais de São Paulo e outros estados. Participa de saraus,
mesas e debates com foco nas mulheres menos favorecidas socialmente, na mulher
negra e nos artistas e escritores da periferia. Encenou a performance
(monólogo) “Eu sou uma Carolina”, na qual fazia um paralelo entre sua própria
história e a de Carolina Maria de Jesus. Seus poemas foram publicados em antologias
de coletivos de saraus e na Revista Ocas. Veja
mais aqui.
A ARTE DE JOSEF ALBERS
Um pintor trabalha para formular com ou em cores...
Minhas pinturas seguem a segunda opção. A ansiedade está morta. Quero que cor e
forma tenham funções contraditórias.
JOSEF ALBERS – A arte do educador e artista
alemão Josef Albers (1888-1976), que representa a transição
entre a arte europeia tradicional e a nova arte estadunidense, incorporando uma
forma de arte influenciada pelos Construtivistas e o movimento Bauhaus.
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A ARTE DE MARY CAGNIN
Às vezes a gente faz coisas sem pensar muito no porque delas ou nos seus
sentidos mais profundos, e durante a pesquisa pro TCC eu percebi coisas sobre o
Vidas que não tinha sequer imaginado. Nas relações entre os personagens e
principalmente no impacto que esta história como um todo teve tanto na minha
vida profissional/acadêmica quanto na minha vida pessoal. Comecei o Vidas
quando ainda era adolescente, e quando terminei já tinha passado pra vida
adulta. E a minha história era sobre isso: amadurecimento. Eu não podia
imaginar que tanta coisa mudaria nesse tempo, mas meus personagens cresceram
comigo (ou seria o contrário?) talvez seja por isso que esta história é tão
especial pra mim, e eu sou muito grata pela oportunidade de escrever um TCC
sobre um trabalho tão pessoal e fazer meus 4 anos da faculdade serem tão
significativos.
MARY CAGNIN - A arte da premiada artista visual, ilustradora e quadrinista Mariana Cagnin, mais conhecida como Mary Cagnin, que é formada em Artes
Visuais pela Unesp, tendo ilustrado diversos livros e revistas para várias
editoras. Ela é autora dos premiados quadrinhos Vidas Imperfeitas, do spin-off Suzana,
da ficção científica Black Silence e
da webcomic Bittersweet, além de ministrar
cursos e atuaro com sua arte em muitos espaços. Veja mais aqui.
PERNAMBUCO ART&CULTURAS
MARCELINO FREIRE
Escrever bonito é uma merda. Não queira esse elogio de ninguém. Loa tipo
essa: você escreve tão bem. Você nos toca. Ave nossa! Fuja dessa mentira. Dessa
falácia! Não procure palavras gloriosas. Maquiagens pesadas. Botox nas frases.
Bom é verbo velho. Enrugado. O peso exato de cada parágrafo. Nem mais nem
menos. Fique longe, sempre digo, de qualquer sentimento. Releia, agorinha, aquele
seu conto. Ponto por ponto. Se, aqui e ali, você parar a leitura para suspirar.
Jogue fora o suspiro. Tudo que for adjetivo elevado. Enganoso. Xô, ao lixo! Não
presta para a poesia o que é cerimonioso. Solene. Também não invente termos
acadêmicos. Gregos pensamentos. Arrodeios na língua. Lembre-se: todo livro
nasce falido. Raquítico. Você critica tanto o discurso político. E faz o mesmo
na hora de escrever. Usa gravata para parecer ser. E não fica sendo, nem um
tiquinho, parecido com você. Esta pobre imagem que avistaremos no espelho.
Antes de morrer. Nosso! Faz tempo que eu não falava assim tão bonito. Que merda!
Pode crer.
Texto Não escreva bonito, do escritor Marcelino Freire. Veja mais aqui.
A arte
de Susanna Motta aqui.
Cinema
Pernambucano aqui.
O Pastoril
do Rabeca aqui.
A revista
Ragú aqui,
Mapa
Cultural de Pernambuco aqui.
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OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020