sexta-feira, março 20, 2020

JOSEF ALBERS, TULA PILAR, MARIA LACERDA DE MOURA, MARY CAGNIN & MARCELINO FREIRE


O AMOR EM TEMPOS DE COVID-19 – UM DIA A MAIS – Um dia a mais e preciso estar longe para que possa viver. O desejo de beijá-la é imperioso, porém inexequível, só para saber a dor que a morte iminente tem de nunca mais correr risco. Estamos diante do inexplicável. Sigo por mais um dia porque não se sabe se haverá depois de amanhã e hoje não mais, só a esperança de quem não pode fazer nada além de viver o possível. Ontem ficará até esquecimento. Não acredito mais no que vejo ou ouço, mentiras demais e o que resta. Não tenho país, sou da Terra das Águas e de todos os meus semelhantes do planeta. Dei minhas mãos e nas dela sou sua flor, ela em mim. E com ela eu vou. Quando chegar a hora, estarei pronto para a viagem. Até amanhã ou nunca mais. PS: lendo em voz alta Caio Fernando Abreu: Vamos dizer adeus aos pensamentos tristes e que só restem boas lembranças. Só reste amor no peito, pois no fim o que vale a pena é ser feliz. Voo adiante. DUAS LAPADAS PARA VIVER - Aleatoriamente abri o livro numa página qualquer, era Menotti Del Pichia: Esta vida é um punhal de dois gumes fatais: não amar é sofrer; amar é sofrer mais. Refleti e não desisti, a vida insiste e eu vivo a seguir. A visita agora é de Friedrich Hölderlin, que expressou ao meu ouvido: Vamos esquecer que existe um tempo e não vamos contar os dias da vida! E seus versos oxigenaram a minha esperança: Quando eu era jovem, de manhã alegrava-me, / de noite chorava; hoje que sou mais velho, / começo duvidoso o meu dia, mas / sagrado e sereno é o seu fim. Persevero e persisto. TRÊS PRA MATAR A CHARADA – Bem-vinda a lição de Marilena Chauí: A busca da verdade está sempre ligada a uma decepção, a uma desilusão, a uma dúvida, a uma perplexidade, a uma insegurança, ou então, a um espanto e uma admiração diante de algo novo e insólito. Interrogação ambulante, o insólito me seduz e me espanto, admiração por tudo ao meu redor e mais, vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Renovar-se ou morrer. Frase da escritora, professora, anarquista e feminista Maria Lacerda de Moura (1887-1945), que em sua obra Renovação (1919 – UFC, 2015), expressa que: Os preconceitos, as tradições, a educação transmitida pelas gerações sucessivas — cegam-nos. O homem não é um ser emancipado e ao seu egoísmo não convém a emancipação feminina. É indispensável que a mulher trabalhe pela mulher. Já na sua obra Ferrer, o clero romano e a educação laica (Paulista,1934), ela diz que: A covardia mental é a mais poderosa das armas reacionárias. Por fim, na sua obra A mulher é uma degenerada? (Civilização Brasileira, 1982), ela expressa que: [...] De que vale a igualdade de direitos, jurídicos e políticos para meia dúzia de privilegiadas, tiradas da própria casta dominante, se a maioria feminina continua vegetando na miséria da escravidão milenar? É preciso sonhar mais alto ainda e abranger todo o mundo feminino no mesmo laço de igualdade social, no mesmo beijo de solidariedade humana, no mesmo anseio para a Fraternidade Universal. […] Trata-se, não da filantropia de um dia, sim da renovação social para uma sociedade de onde se excluirá a caridade humilhante — que a solidariedade entre irmãos afasta o gesto de proteção. [...] A coeducação se impõe. Que todas sejam educadas ao lado do homem. As profissões liberais ao alcance de ambos os sexos. O que é preciso é educar a mulher para o lar e ao mesmo tempo para a sociedade, isto é, para a plenitude do seu desenvolvimento, para a sua individualidade. Uma cousa não exclui a outra. [...] A mulher educada será força de resistência contra a avalanche devastadora e preparará o advento da verdadeira civilização na qual não haverá lugar para a exploração do homem pelo homem. [...]. Durante sua trajetória pioneira, ela esteve ligada ao Movimento Associativo Feminino e ao Movimento Operário, colaborando com Bertha Lutz e presidindo a Federação Internacional Feminina, fazendo conferências pacifistas que desencadeou a campanha antifacista no país. Veja mais aqui.

A POESIA DE TULA PILAR
DELÍRIO: Delírio dos corpos que se movem na penumbra da noite / Peles que se roçam na escuridão / Silhuetas dançantes ao clarão do luar / Que invadem as frestas do canto reservado para o acontecer / Fumaças e cheiros… / Um liquido licoroso na taça, adoçará ainda mais o delírio que se pretende sentir entorpecendo a razão / Bíceps Troncudo circunda o pescoço um do outro / Protegem alternados movimentos frenéticos no chão de estampas / De ladrilhos recém cobertos por colcha de retalhos escrito palavras ousadas / Caçada incontida, sorriso para seduzir, prazer infinito… / A noite já se faz dia / Sentimentos romperam a aurora / Vidraças fechadas, sol querendo entrar / Figuras desnudas adormecidas / Sobre a colcha de retalhos escrito palavras ousadas.
SOU UMA CAROLINA: Sou uma Carolina / Trabalhei desde menina / Na infância lavei, passei, engraxei… / Filhos dos outros embalei / Sou negra escritora que virou notícias nos jornais / Foi do Quarto de Despejo aos programas de TV / Sou uma Carolina / Escrevo desde menina / Meus textos foram rasgados, amassados, pisoteados / Foram tantos beliscões / Pelas bandas lá de Minas / Eu sou de Minas Gerais / Fugi da casa da patroa / Vassoura não quero ver mais / A caneta é meu troféu / Borda as palavras no papel / É tudo o que quero dizer / Sou uma Carolina / Feminino e poesia / A negra escritora que foi do Quarto de Despejo / aos programas na TV / Hoje uso salto alto / Vestido decotado, meio curto e com babados / Estou na sala de estar / No meu sofá aveludado / Porque… / Sou uma Carolina / Feminino e poesia / Pobreza não quero mais / A caneta é meu troféu / Borda as palavras no papel / É tudo o que quero dizer…
TULA PILAR – Poemas da poeta Tula Pilar (1970- 2019)fez parte do Grupo Raizarte, um coletivo de música, dança e poesia atuante a partir de 2004 em Taboão da Serra e em muitos outros espaços culturais de São Paulo e outros estados. Participa de saraus, mesas e debates com foco nas mulheres menos favorecidas socialmente, na mulher negra e nos artistas e escritores da periferia. Encenou a performance (monólogo) “Eu sou uma Carolina”, na qual fazia um paralelo entre sua própria história e a de Carolina Maria de Jesus. Seus poemas foram publicados em antologias de coletivos de saraus e na Revista Ocas. Veja mais aqui.

A ARTE DE JOSEF ALBERS
Um pintor trabalha para formular com ou em cores... Minhas pinturas seguem a segunda opção. A ansiedade está morta. Quero que cor e forma tenham funções contraditórias.
JOSEF ALBERS – A arte do educador e artista alemão Josef Albers (1888-1976), que representa a transição entre a arte europeia tradicional e a nova arte estadunidense, incorporando uma forma de arte influenciada pelos Construtivistas e o movimento Bauhaus.
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A ARTE DE MARY CAGNIN
Às vezes a gente faz coisas sem pensar muito no porque delas ou nos seus sentidos mais profundos, e durante a pesquisa pro TCC eu percebi coisas sobre o Vidas que não tinha sequer imaginado. Nas relações entre os personagens e principalmente no impacto que esta história como um todo teve tanto na minha vida profissional/acadêmica quanto na minha vida pessoal. Comecei o Vidas quando ainda era adolescente, e quando terminei já tinha passado pra vida adulta. E a minha história era sobre isso: amadurecimento. Eu não podia imaginar que tanta coisa mudaria nesse tempo, mas meus personagens cresceram comigo (ou seria o contrário?) talvez seja por isso que esta história é tão especial pra mim, e eu sou muito grata pela oportunidade de escrever um TCC sobre um trabalho tão pessoal e fazer meus 4 anos da faculdade serem tão significativos.
MARY CAGNIN - A arte da premiada artista visual, ilustradora e quadrinista Mariana Cagnin, mais conhecida como Mary Cagnin, que é formada em Artes Visuais pela Unesp, tendo ilustrado diversos livros e revistas para várias editoras. Ela é autora dos premiados quadrinhos Vidas Imperfeitas, do spin-off Suzana, da ficção científica Black Silence e da webcomic Bittersweet, além de ministrar cursos e atuaro com sua arte em muitos espaços. Veja mais aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
MARCELINO FREIRE
Escrever bonito é uma merda. Não queira esse elogio de ninguém. Loa tipo essa: você escreve tão bem. Você nos toca. Ave nossa! Fuja dessa mentira. Dessa falácia! Não procure palavras gloriosas. Maquiagens pesadas. Botox nas frases. Bom é verbo velho. Enrugado. O peso exato de cada parágrafo. Nem mais nem menos. Fique longe, sempre digo, de qualquer sentimento. Releia, agorinha, aquele seu conto. Ponto por ponto. Se, aqui e ali, você parar a leitura para suspirar. Jogue fora o suspiro. Tudo que for adjetivo elevado. Enganoso. Xô, ao lixo! Não presta para a poesia o que é cerimonioso. Solene. Também não invente termos acadêmicos. Gregos pensamentos. Arrodeios na língua. Lembre-se: todo livro nasce falido. Raquítico. Você critica tanto o discurso político. E faz o mesmo na hora de escrever. Usa gravata para parecer ser. E não fica sendo, nem um tiquinho, parecido com você. Esta pobre imagem que avistaremos no espelho. Antes de morrer. Nosso! Faz tempo que eu não falava assim tão bonito. Que merda! Pode crer.
Texto Não escreva bonito, do escritor Marcelino Freire. Veja mais aqui.
A música da cantora Sônia Mello aqui, aqui, aqui & aqui.
A arte de Susanna Motta aqui.
A poesia de Adriano Sales aqui, aqui & aqui.
Cinema Pernambucano aqui.
O Pastoril do Rabeca aqui.
A revista Ragú aqui,
Mapa Cultural de Pernambuco aqui.
O município de Maraial aqui & aqui.
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OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

MÓNICA OJEDA, BORA CHUNG, AZA NJERI & DÉBORA LAÍS FERRAZ

  Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos concertos Nights from the Alhambra (2007), A Mediterranean Odyssey (2010), Troubadours On The Rhine...