quinta-feira, março 19, 2020

MERLEAU-PONTY, ALDA ESPÍRITO SANTO, HERMILO & PATTIE BOYD


ORA, QUANDO NÃO VAI DUM JEITO, VAI DOUTRO - UMA: OUTRA DE FABOS & CAFOS - Entre 1988-2010, a coisa parecia que ia mesmo dessa vez no Brasil. Parecia, só. Na verdade se arrastava e empancava, ia e vinha, seguia rebocada assim meio de banda, aos empurrões, lerda e quase na má vontade. Mas, ia. Bastou virar a curva da última década, a força das verdinhas dos interesses estadunidenses mandaram ver com suas manguinhas de fora e a vaca foi pro brejo ultimamente - como naquela década 1954-64, dois anos a mais, apenas. Foi. Em nome de uma sede de “justiça”, passaram grandes empresas, corruptores e corrompidos num lava jato de num sobrar nem os farelos delas nem de mais nada do que restava de uma meio fajuta democracia. Foi pinote como a praga! É que queriam passar a limpo, mas tudo findou naquela do Fecamepa: o dia que o país resolveu ser levado a sério. Vazou o jato. Não foi dessa vez. Quase acreditei que seria, um pé lá e outro cá, claro. Muito estardalhaço pra findar na maior melecada. Havia uma catinga de golpe no ar e teve gente que se enganou e está até hoje fraudado pela cor da chita. Pois a enrolada espremeu tudo, menos uns tantos achegados saltitantes. Pois foi, era a vez da manobra: defenestraram a governante e pegaram o suposto vilão pelos colhões, pronto, tudo resolvido, agora era só inventar história. As abrobrinhas reinaram em cadeia nacional e horário nobre, de tão repetidas pareciam na vera. Teve até quem rezasse genuflexo embaixo da maior trovoada! Amém. E deu certo: Drácula ressuscitou no VladTemer que impune abocanhou o que queria com seus acoloiados vampiros, armou o circo pro Coisonário que empestou metade do país com a trupe de coisominions, e o desdobramento foi despachar a vertigem agora na guerra com o Covid-19. Nossa! Pois foi mesmo. E agora? Fico com a do Marcelo Gleiser: Há algo de muito patológico numa espécie que se diz inteligente, mas só é capaz de garantir sua sobrevivência pelo acúmulo de armas. Tá vendo? Mesmo que a gente esteja careca de saber sobre o lamentável expediente da guerra, nessa, acho, que todos nos ferramos do primeiro ao quinto, com centena e milhar. DUAS: UM DOMINGO DESSE AÍ - Ia passando uma malta aguerrida – na verdade, uns gatos pingados em marcha de Cafos -, com palavras de ordem em apoio ao Coisonario. Na calçada apreciando a paisagem, uma distinta senhora muito bem aquinhoada de gestos e modos, nem prestava atenção direito ao que ocorria. Logo, um repórter de uma dessas tevês chapa branca, aproximou-se dela, indagando o que achava do evento. Ela respondeu simplesmente: Nada. Como assim? E coisa e tal. Diante da insistência do profissional por chamar-lhe a atenção, ela dispensou à la Mae West: Ama o teu próximo – e, se ele for alto, moreno e bonitão, será muito fácil. O beijo do homem é a sua assinatura. O cara espantou-se: O que tem a ver uma coisa com outra? E ela charmosamente e sob a mesma rubrica da diva, arrematou: Quando sou boa, sou ótima. Mas, quando sou má, sou muito melhor! Viva ela! TRÊS: AH, SOBRE COPERNICANISMO AO CONTRÁRIO. DE NOVO? Falei outro dia aqui do copernicanismo ao contrário. Hem? Aliás, vez em quando menciono aqui. Como? Isso mesmo. E toda vez que faço menção, há sempre aquelas pestanas inquiridoras pra minha banda. Que droga é nove, meu? Tá, explico usando o autor da ideia, Augusto Boal: é quando os povos descobrem que são o sujeito da história, o motor da sociedade, o centro do nosso universo: não mais satélites. O que? Adiantou nada, as sobrancelhas cerradas continuam na mesma, não tem quem entenda assim de chapa, quem sabe um dia. E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] enquanto habito um “mundo físico”, em que “estímulos” constantes e situações típicas se reencontram – e não apenas o mundo histórico em que as situações nunca são comparáveis –, minha vida comporta ritmos que não têm sua razão naquilo que escolhi ser, mas sua condição no meio banal que me circunda. Assim, em torno de nossa existência pessoal aparece uma margem de existência quase impessoal, que é por assim dizer evidente, e a qual eu reporto o zelo de manter-me em vida, em torno do mundo humano que cada um de nós faz, aparece um mundo em geral ao qual é preciso pertencer em primeiro lugar para poder encerrar-se no ambiente particular de um amor ou uma ambição. [...]. Trecho extraído da obra Fenomenologia da percepção (Martins Fontes, 1999), do filósofo fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-1961). Veja mais aqui.

AS MULHERES DA MINHA TERRA - Irmãs, do meu torrão pequeno / Que passais pela estrada do meu país de África / É para vós, irmãs, a minha alma toda inteira / — Há em mim uma lacuna amarga — / Eu queria falar convosco no nosso crioulo cantante / Queria levar até vós, a mensagem das nossas vidas / Na língua maternal, bebida com o leite dos nossos primeiros dias / Mas irmãs, vou buscar um idioma emprestado / Para mostrar-vos a nossa terra / O nosso grande continente, / Duma ponta a outra. / Queria descer convosco às nossas praias / Onde arrastais as gibas da beira-mar / Sentar-me, na esteira das nossas casas, / Contar convosco os dez mil réis / Do caroço vendido / Na loja mais próxima, / Do vinho de palma / Regateado pelos caminhos, / Do andim vendido à pinha, / Às primeiras horas do dia. / Queria também / Conversar com as lavadeiras dos nossos rios / Sobre a roupa de cada dia / Sobre a saúde dos nossos filhos / Roídos pela febre / Calcurreando léguas a caminho da escola. / Irmã, a nossa conversa é longa. / É longa a nossa conversa. / Através destes séculos / De servidão e miséria... / É longa a estrada do nosso penar. / Nossos pés descalços / Estão cansados de tanta labuta... / O dinheiro não chega / Para vencer a nossa fome / Dos nossos filhos / Sem trabalho / Engolindo a banana sem peixe / De muitos dias de penúria. / Não vamos mais fazer “nozados” longos / Nem lançar ao mar / Nas festas de Santos sem nome / A saúde das nossas belas crianças, / A esperança da nossa terra. / Uma conversa longa, irmãs. / Vamos juntar as nossas mãos / Calosas de partir caroço / Sujas de banana / “Fermentada” no “macucu” / Na nossa cozinha / De “vá plegá”... / A nossa terra é linda, amigas / E nós queremos / Que ela seja grande... / Ao longo dos tempos!... / Mas é preciso, Irmãs / Conquistar as Ilhas inteiras / De lés a lés. / Amigas, as nossas mãos juntas, / As nossas mãos negras / Prendendo os nossos sonhos estéreis / Varrendo com fúria / Com a fúria das nossas “palayês” / Das nossas feiras, / As coisas más da nossa vida. / Mas é preciso conversar / Ao longo dos caminhos. / Tu e eu minha irmã. / É preciso entender o nosso falar / Juntas de mãos dadas, / Vamos fazer a nossa festa...! / A festa descerá / Ao longo de todas as vilas / Agitará as palmeiras mais gigantes / E terá uma força grande / Pois estaremos juntas irmãs / Juntas na vida / Da nossa terra / Mas é preciso conhecer / A razão das nossas secretas angústias. / Procurar vencer Irmãs / A fúria do rio / Em dias de tornado / Saber a razão / Encontrar a razão de tudo... / “Os nossos filhos / O nosso filho morreu / Roído pela febre”... / Muitos pequeninos / Morrem todos os dias / Vencidos pela febre / Vencidos pela vida... / Não gritaremos mais / os nossos cânticos dolorosos / Prenhes de eterna resignação... / Outro canto se elevará Irmãs, / Por cima das nossas cabeças. / Vamos procurar a razão. / A hora das nossas razões vencidas / Se avizinha. / A hora da nossa conversa / Vai ser longa. / De roda do caroço / De roda das cartas / escritas por outrém, / Porque a fome é grande / E nós não sabemos ler. / Não sabemos ler, irmãs / Mas vamos vencer o medo. / Vamos vencer nosso medo / De sermos sós na terra imensa. / Jamais estaremos solitárias... / Porque a nossa força há-de crescer. / E então conquistaremos / para nós / para os filhos gerados no nosso ventre, / Nas nossas horas de Angústia / — Para nós — / A nossa bela terra / No dia que se avizinha / Saindo das nossas bocas, / Uma palavra bela / Bela e silenciosa / A palavra mais bela / Ciciada no nosso crioulo, / A palavra sem nome / Entoada no silêncio / Num coro gigante / Correndo ao longo das nossas cascatas, / Das cachoeiras mais distantes, / O canto do silêncio, Irmãs / Há-de soar / Quando chegar a Gravana. / E por hoje, Irmãs / Aguardemos a gravana / Ao longo das nossas conversas / No serão das nossas casas / sem nome. Poema extraído da obra É nosso o solo sagrado da terra (Ulmeiro, 1978), da poeta são-tomense Alda Espírito Santo (1926-2010).

ESPETÁCULOS POPULARES DO NORDESTE
[...] fornecer aos leigos um resumo fiel dos espetáculos do povo do Nordeste; [...] preservar a arte popular e fornecer elementos aos artistas eruditos que descubram o verdadeiro caminho do teatro brasileiro.
ESPETÁCULOS POPULARES DO NORDESTE - A obra Espetáculos populares do Nordeste (Massangana, 2007), do advogado, escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e tradutor Hermilo Borba Filho (1917-1976), trata sobre o bumba-meu-boi, fandango, mamulengo e pastoril, com uma bibliografia e cronologia. Veja mais aqui & aqui.

A ARTE DE PATTIE BOYD
Não posso reescrever a história. Sempre estará ligada a Beatles, George e Eric.
PATTIE BOYD – A arte da fotógrafa, atriz e ex-modelo britânica Pattie Boyd, que foi musa e casada com George Harrison e Eric Clapton. Foi modelo de sucesso internacional durante as décadas de 1960-70, tornando-se fotógrafa profissional com exposições em galerias ao redor do mundo. Ela escreveu um livro de memórias, Wonderful tonight: George Harrison, Eric Clapton and me. Veja mais aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
CONVERSA DE CAMARIM
A obra Conversa de camarim: o teatro no Recife na década de 1960 (SC/FCCR, 2007), do dramaturgo, filósofo, jornalista, professor, poeta, diretor, encenador e crítico de teatro, Benjamim Santos, aqui.
A obra do poeta, contista, cronista, dicionarista e jornalista, Artur Griz aqui & aqui.
Cais Companhia de Dança & Dielson Pessoa aqui.
Célia Labanca & Das coisas da minha terra aqui.
Asas do tempo, do escritor Fernando Nascimento Barreto aqui.
A música do poeta e multiartista Fábio de Carbalho aqui, aquiaqui.
A arte de Mabelle Batista aqui.
O mamulengo de Glória do Goitá aqui.
A fúria dos inocentes aqui.
O município de Bezerros aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

MÓNICA OJEDA, BORA CHUNG, AZA NJERI & DÉBORA LAÍS FERRAZ

  Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos concertos Nights from the Alhambra (2007), A Mediterranean Odyssey (2010), Troubadours On The Rhine...