Imagem: Acervo ArtLAM.
Ao
som dos álbuns Debussy: La fille
aux cheveux de lin (2025), My European Journey (2021) e Letters from Paris (2016), da violonista britânica Alexandra Whittingham.
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Memória visceral, segredo intersticial... - Era maio, foi. E em plena primavera, il Prete Rosso imprimia os acordes do Allegro em fá maior, terceiro concerto Le quattro stagioni, um anúncio outonal do vindouro solstício de inverno. Fora do tempo, a
vida era brisa mansa fagueira nos olhos orvalhados, criança risonha, arteira: o
quintal era o paraíso e se estendia às fugidas pela beira do rio, o reino encantado de todas as coisas. Mais dias, temores e pirraças: vingava na
fruteira, legumes ou verduras; aos puxões de orelha e bra bre bri bro bru,
crás! Tome! Pronde ia, a pele na parede rebocada, com as travessuras: menino
traquino subia muro pra saber do depois. E só quando a noite, piongo se
escondia arregalado pelo papa-figo e outras abusões sinistras. Assim crescia na
correnteza de Valuna e mais. Até que adolesceu ousadia estival no meio
do proceloso quarto concerto em fá menor e era pra si próprio: Il cimento
dell'armonia e dell'inventione. Quase rapaz na invernada, um bigodinho ralo
encorajador na cabeça de vento, imberbe idiossincrasia nos incipientes pelos
das axilas e púbis, o punho solitário desbossulado pelas efígies coloridas,
erotomania medonha estava escrita na testa. Tudo voava sem antes, o dia no
idílio e as ideias tempestuosas pelas cachoeiras de sonhos. Se houvesse lonjura
passava perto do fim do mundo, nada era demais no fastio das léguas engolidas,
de audaz singrador pelos avessos e às voltas com a feiúra ocrídia, daquelas de
quebrar espelhos. E vieram reveses, pisado curto: dava-se prazo. De resto,
tinha coragem: vozes escuras insólitas e as funduras da vida. Podia fazer
melhor: se acomodar ao vulgo ou alheio, acovardar-se; mas, não, ia. A mãe vestia branco e
olvidava sua angústia impulsiva: medos e culpas, pseudologia fantástica e
irrecuperável mitomania narcisista. O pai distante, idolatrava. Era mais um
pendurado na ponta da corda. Mesmo assim, quando adulteza outonal chegou, não
era mais que uma peraltice guilhotinando a hora no primaveril equinócio do
barroco primeiro concerto, em mi maior. Houvesse quentura mormaçada, lavado de
suor e lágrimas, segurava o teitei na pisada larga. Mais trovejasse e o raio
era o salto com afinco sobrepujando percalços, recorrentes revertérios e o
podium desmoronava pelo cimento mole, adivinhando o buraco escondido sob o
aguaceiro. Precauções inúteis e escorregões nas escadarias, no asfalto, pedras
falsas, a queda e a cara no tolote, sossega-leão, nada poupava risadas
vindouras. Havia sempre fritura em ponto de exaustão, coisa de quase
fora-da-lei. Nada não. Houvesse premência, nada mais que dedos estalando para
acender provisão: segundos por semanas vencidas, meses por anos devorados.
Piorava com a própria disgrafia disléxica e a doença de escrever na
disortografia: tudo misturado, desconexo, mal inventado, a graforréia crônica,
caráter anancástico e a aritmomania, o desarrazoado e a calamidade hipotética.
Teibei! Endoidou? Intuía reconciliação: escrevia como se salvasse do
autoexílio, ah, as ruminações mentais, as alucinações, coisa de louco. E o
cúmulo: bandeira branca a meio pau, topava, aguçava as vistas e as ouças,
rasteiro, apurava: agora vale imediato, nem seguintes nem antes, da vez, onde
ou longe. Avaliava sobras e privações, não batia o desconforme e destilava seus
próprios venenos. O que não dava jeito, inéditas coisas, feições demudadas. Então, peraí! Era a vez do melodioso segundo
concerto em Sol menor, como se revivesse os versos da primavera de Neruda,
o verão no aquário de Lygia, o outono de Knausgård e o inverno de
Torga. Aprendia: do abismo, os ósculos da sorte; dos dias, o ritual dos
renascimentos; e das noites: o segredo das constelações invisíveis. Assim, na
sua vetustez, atinou das rugas e pelancas: a vida era plena no solstício de
verão. Ué! O traquejo do sonâmbulo cavanhaque
grisalho, quase abstêmio, tão e quão, nada tão sério quanto um chiste pra
gaitada débil: história de muito assunto, sobre o mofo das coisas
emborcadas, puídas, arriadas. Passou, passaram. Amplexos ocasionais, desapegos
- túmulos, desesperos, niilismo, tudo muito póstumo e
embalado pela primeira sinfonia em sol menor, de Tchaikovski, aos ecos
do salmo: Todos os homens são mentirosos... E uma legião de impostores rondando pesadelos: um bando de sátiros, pinóquios,
titeriteiros, espantalhos, duendes, mascarados, desfilavam espectrais, talvez avistasse assombrações desarrumadas de olho aberto. Mantinha a munheca trêmula em riste -
previa o rasgado, proveito dos remendos: coincidência é retrato falso, sabia, o
urdido se consumia, cogitava desengancho, havia de desfiar tudo no oco da mão
surrada, premido pelo que se foi e escapuliu pela culatra aos demasiados. Se
desde muito estafermo, não dava noutra: se a Terra dançava, a vida seguia. E tudo ia, foi atrás. Até quando? Ora. Até
mais ver.
Lygia Fagundes Telles: Quando na realidade o amor é uma coisa tão simples... Veja-o como uma flor que nasce e morre em seguida por que tem que morrer. Nada de querer guardar a flor dentro de um livro, não existe nada mais triste no mundo do que fingir que há vida onde a vida acabou... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Cressida Cowell: Lembre-se: não há nada de errado
em ter um senso saudável de autoestima... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui & aqui.
Claire Wineland: A
morte é inevitável. Viver uma vida da qual possamos nos orgulhar é algo que
podemos controlar... Veja mais aqui & aqui.
É
PRECISO ENLOUQUECER PRIMEIRO?
Imagem: Acervo ArtLAM.
Neste país abandonado por Deus \ as bocas dos homens
estão caladas. \ O medo paralisa-os. \ A coragem das mulheres, esmorecida. \ Os
seus filhos, mortos ou presos. \ Dizem que sou louca \ por dizer publicamente
verdades \ que os anjos não ousam sussurrar. \ Dizem que sou perturbada \ por
combater assassinos armados \ com posts no Facebook e poemas. \ Eles olham-me e
abanam as cabeças. \ Perguntam-se quem me terá enfeitiçado. \ Olho-os de volta
e suspiro. \ Fomos todos reduzidos a isto? \ Será preciso enlouquecer primeiro \
para dizer a verdade ao poder \ neste país abandonado por Deus?
Poema da poeta, antropóloga, médica e feminista ugandense, Stella Nyanzi.
Ela é ativista, defensora dos direitos
humanos, dos direitos queer e da sexualidade, do planejamento familiar e saúde
pública. Veja mais aqui.
O
INVENCÍVEL VERÃO DE LILIANA – [...] Viver em duelo é isso: nunca estar sozinho.
Invisível, mas patente de muitas formas, a presença dos mortos nos acompanha
nos minúsculos interstícios dos dias. Por sobre o homem, a um lado da voz, no
eco de cada passo. Arriba das janelas, no fio do horizonte, entre as sombras
das árvores. Sempre está lá. e sempre estás aqui, con y adentro de nós, e
afuera, envolvendo-nos com sua calidez, protegendo-nos da intempérie. Este é o
trabalho do duelo: reconheça sua presença, decirle que sim a sua presença
Sempre há outros olhos vendo o que vejo e imagina esse outro ângulo, imagina o
que uns. sentidos que não meus filhos poderiam apreciar através dos meus
sentidos, bem mirado, uma definição pontual de amor. O duelo é o fim da solidão.
[...]. A liberdade não é o problema. Os homens são o problema — homens
violentos, arrogantes e assassinos. [...]. Trechos extraídos da obra Liliana's Invincible Summer (Hogarth,
2023),da premiada escritora, ensaísta e poeta mexicana, Cristina Rivera
Garza. Veja mais aqui & aqui.
DISLEXIA - Quando criança, eu me achava burra porque precisava de reforço escolar. Só muito mais tarde descobri que era disléxica e que minha dificuldade com ortografia e pronúncia não significava que eu era burra, mas essas primeiras impressões ficaram comigo e influenciaram meu mundo por um tempo... No ensino fundamental, descobri que podia me sair bem na escola. Lembro-me de gostar da liberdade de escolher as disciplinas e do prazer de aprender e ter um bom desempenho. Minha perseverança e meu amor pela leitura, de alguma forma, me permitiram superar muitas das desvantagens da dislexia, e eu lia muitos livros por prazer... São necessários anos para perceber os múltiplos benefícios da ciência; sem financiamento adequado e contínuo para a pesquisa, a carreira de muitos jovens cientistas brilhantes pode ser interrompida abruptamente... A ciência pode promover a compreensão entre as pessoas em um nível realmente fundamental... Pensamento da bióloga molecular estadunidense Carol Greider, que descobriu a telomerase em 1984. Suas pesquisas relacionadas à proteção dos cromossomos através do telómero, juntamente com Elizabeth Blackburn e Jack Szostak renderam-lhe o Nobel de Medicina/Fisiologia de 2009.
A ARTE DE ARAMIS
TRINDADE
Trecho da
entrevista (Ciranda de Palavras, 2018), concedida pelo ator, produtor, diretor
e humorista, Aramis Trindade (Aramis Marques de Trindade Sobrinho), conhecido por suas atuações em
filmes como O baile perfumado (1997) e O auto da compadecida
(2000). Ele começou sua trajetória artística aos 13 anos de idade, num circo em
Fazenda Nova (PE). Daí foi pro teatro e, a partir de 1982, atuou em espetáculos
como Lisbela e o
prisioneiro (2000-2002) e Não
vamos pagar (2016), entre outras peças teatrais. No cinema, além dos
mencionados, participou de Bandeira, Bandeiras (1986), Tainá 2 - A
Aventura Continua (2005), Árido Movie (2006), Zuzu Angel
(2006), Gonzaga - de Pai pra Filho (2012), totalizando mais de 60 filmes.
Na TV participou de séries, novelas, programas, entre outras apresentações,
afora produzir curtas metragens. Veja mais aqui.
&
ABRIL ÍNDIGENA
&
ESCRITORES DA
MINHA TERRA
Dia 14 de abril,
14h, na Biblioteca Pública Fenelon Barreto (Palmares-PE).
Nelson Rodrigues aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Naná Vasconcelos aqui, aqui, aqui & aqui.
Paula Berinson
aqui.
Alberto da Cunha Melo aqui, aqui & aqui.
Janete Maria Lins
de Azevedo aqui & aqui.
Gio Simões aqui.
Marcelino Freire aqui, aqui & aqui.
Joana Liberal
aqui.







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