domingo, fevereiro 21, 2016

ADÉLIA PRADO, CHARLOTTE ROCHE, NOEMI JAFFE, SATIE, LUXEMBURG, BROWNMILLER & LITERÓTICA



ERA A VEZ DELA...Não sei o teu nome, minha cúmplice da noite em todos os alcoices, bordéis e lupanares de hoje, muito menos tua cor, minha sacerdotisa egípcia no transe hipnótico da dança do vente. Pra quê saber disso, minha ilha ninfa, já que me vanglorio por ter estado em teu corpo por mais de zilhões de vezes? Os homens nominam tudo, não sabem o prazer do inominável. Minha encantada Aspásia, pra mim tudo teu, minha Semíramis do trono da babilônia, cantada apaixonadamente por Valery. Para mim nada me é mais importante, és minha índole fenícia, moça bem feita de corpo. És minha Nefertiti, deusa mulher de longa cauda a me deixar absorto. És minha Messalina da língua que me envolve todo. Minha Cleópatra dos desejos desenfreados. Minha Jesabel, prostituta linda de Tiro, minha mucama das ancas voluptuosas, minha pajem da boceta gostosa, minha gueixa trepadora, minha meretriz devassa, minha freira sedutora, minha rameira de pernas abertas, minha puta, puta minha. Deusa-rainha minha, sou teu rio a desaguar e a tomar o teu cinto de Afrodite que me faz entorpecer. Sou teu Baal, és minha Anat, concubina minha, para me saciar se jogando na noite. Vou usurpar o teu cofre com a chave exata. Enquanto um de teus olhos me desnuda, o outro me abre fendas. Uma de tuas pernas me agarra, a outra quer me botar de lado. E quando te saciar, serei teu Sansão, serás minha Dalila, a mulher do vale de Soreque. E mesmo que me envolvas os sete tendões frescos ainda secos, esporrarei nas tuas entranhas com o que há de melhor em mim. E mesmo que me aprisiones com as cordas novas que não há de ter feito obra alguma, te esfolarei por trás, égua minha, até os grunhidos máximos da dor e do prazer. E mesmo que teças as sete tranças da minha cabeça com urdidura de teia e firmá-las com pino de tear, empurrarei na tua boca o meu sêmen para engolir tudo que for meu até nada sobrar. E mesmo que me raspes as tranças, mesmo que me subjugues, me vaze os olhos e me prenda com duas cadeias de bronze e mesmo que eu vire um moinho no cárcere e te sirva de diversão, mesmo assim lamberei e chuparei teu tesouro imaculado até que desfaleças inteira ao meu lado, porque meu cabelo novamente crescerá e apalparei tuas colunas e te derrubarei e te emprenharei na sepultura entre Zorá e Estaol, no sepulcro do meu Pai Manoá e serás eternamente minha mulher, puta minha, mulher. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS

Estou cansado de sempre morrer com o coração partido... Por que atacar a Deus? Ele pode ser tão miserável quanto nós... Nunca escrevi uma nota que não tivesse a intenção de dizer...

Pensamento do compositor e pianista francês Erik Satie (Éric Alfred Leslie Satie – 1866-1925). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU

Todos os homens mantêm todas as mulheres em estado de medo... As mulheres, como classe, jamais subjugaram outro grupo; jamais marchamos para guerras de conquista em nome da pátria. Jamais estivemos envolvidas na anexação do território de um país vizinho ou na luta por mercados estrangeiros em terras distantes. Esses são jogos que os homens jogam, não nós. Não queremos ser nem opressoras nem oprimidas. A revolução das mulheres é a revolução final de todas... Somos irrevogavelmente contrários à representação do corpo feminino sendo despido, amarrado, estuprado, torturado, mutilado e assassinado em nome do entretenimento comercial e da liberdade de expressão...

Pensamento da jornalista e escritora estadunidense Susan Brownmiller, que na sua obra In Our Time: Memoir of a Revolution (The Dial Press, 1999), assinalou que: […] Se as condições forem favoráveis, se a raiva de um número suficiente de pessoas atingir o ponto de ebulição, essa paixão explosiva poderá desencadear uma transformação social. […]. Veja mais aqui.

 

ZONAS ÚMIDAS - [...] Tudo que é sexy — cabelo despenteado, alças que caem do ombro, um brilho suado no rosto — está um pouco torto, sim, mas palpável. [...] É uma invenção da qual me orgulho muito: o bombom de sexo memorável. [...]. Trechos extraídos da obra Feuchtgebiete (DuMont Buchverlag GmbH, 2008), da escritora inglesa Charlotte Roche (Charlotte Elisabeth Grace Roche).

 

POEMA - Deus não me dá sossego. É meu aguilhão. Morde meu calcanhar como serpente, faz-se verbo, carne, caco de vidro, pedra contra a qual sangra minha cabeça. Eu não tenho descanso neste amor. Eu não posso dormir sob a luz do seu olho que me fixa. Quero de novo o ventre de minha mãe, sua mão espalmada contra o umbigo estufado, me escondendo de Deus. Poema da poeta, professora, filósofa e escritora Adélia Prado (Adélia Luzia Prado de Freitas). Veja mais aqui.

 

O QUE OS CEGOS ESTÃO SONHANDO – [...] E assim as pessoas acreditam que o mundo existe para o ‘eu’, que, felizmente, não chega remotamente perto da verdade plena. O mundo não existe para o I. Não existe para nada. existe para continuar a existir. Mas saber isso não muda nada para todos os que eu vagueio pelo mundo. [...]. Trecho extraído do livro O que os cegos estão sonhando? - Diário de Lili Jaffe 1944-1945 (34, 2012), da escritora, professora e crítica literária Noemi Jaffe, autora dos livros Todas as coisas pequenas (Redra, 2005), Do princípio às criaturas (USP, 2008), Folha Explica Macu­naíma (Publifolha, 2001), entre outros. Veja mais aqui.

 

TEORIA DOS JOGOS – Trata-se de uma teoria que surgiu por meio de uma carta do político britânico James Waldegrave (1715-1763), propondo uma estratégia mista para duas pessoas em um jogo, aproveitada pelo matemático e economista francês Cournot (Antoine Augustin Cournot – 1801-1877), autor da obra Researches into the Mathematical Principles of the Theory of Wealth, publicada em 1838, estabelecendo os princípios dessa teoria, uma solução que era, na verdade, uma versão prévia e restrita do que se tornaria a teoria do equilíbrio, proposta pelo matemático estadunidense John Forbes Nash Jr (1928-2015). No entanto esta teoria passou mesmo a existir a partir dos estudos do físico-matemático húngaro John von Neumann (1903-1957) e doutros desenvolvidos pelo matemático francês Émile Borel (1871-1956). Mas foi com a publicação do livro The Theory of Games and Economic Behavior (1944), numa parceria de Neumann com o economista austríaco Oskar Morgenstern (1902-1977), que se delinearam as bases do método para encontrar soluções ótimas para jogos de duas pessoas de soma zero. E com o experimento denominado de Dilema do prisioneiro, em 1950, de Merri Flood e Melvin Dresher, desenvolveu-se uma estratégia ótima para jogos com diversos jogadores, envolvendo situações de jogos cooperativos e não-cooperativos, além duma série de jogos como os da forma extensiva, repetidos, do jogador fictício e o valor de Shapley, afora outros conceitos de solução do equilíbrio perfeito em sub-jogo, de informação completa, de jogos Bayesianos, estendendo-se à Biologia com a estratégia evolucionária estável, os conceitos de equilíbrio correlato e conhecimento comum, até o modelo dinâmico da teoria dos jogos evolucionários, em 2005, ampliando-se aplicação da teoria para os campos da filosofia e da ciência política, utilizando-se do Dilema do Prisioneiro, da Caçada ao Veado e do jogo da barganha de Nash. Como aspectos gerais da teoria estão as instruções que são responsáveis por definir e enquadrar o ambiente da experiência; a randomização para evitar que diferenças como personalidade, riqueza ou a altura a que o participante começa a experiência afetem sistematicamente a experiência, validando-se uma variedade de procedimentos; o anonimato que corresponde à associação aleatória de participantes para uma experiência, sem contato visual e mantidos em silêncio durante a sua aplicação, para evitar que ocorra influência da percepção não associada ao objetivo do estudo na tomada de decisão; os incentivos reduzindo a variância dos resultados, quando comparado com a sua não utilização; e a questão crucial da satisfação dos participantes para evitar a decepção, considerando-se os principais conceitos e aplicações. Ou seja: os jogadores, as estratégias e recompensas são conceitos fundamentais que definem os participantes, as escolhas e os resultados finais, a parti do Equilíbrio de Nash, do Dilema do Prisioneiro e do Olho por olho (Tit-for-Tat), com suas aplicações práticas na Economia, Biologia, Filosofia, Ciências Sociais e na vida real, por meio de jogos cooperativos e não-cooperativos, forma normal (matrizes, jogos simultâneos) e extensiva (árvores, jogos sequenciais).

REFERÊNCIAS

CONWAY, J. A Gamut of Game and Theories. Mathematics Magazine, pp. 5–12, 1978.

_______. On Numbers and Games, Second Edition. A. K. Peters, Natick, 2000.

ETESSAMI, K. Algorithmic Game Theory and Aplications. Lecture Notes, School of Informatics, The University of Edinburgh, Scotland, UK, 2004.

HART, S. Games in Extensive and Strategic Forms. Capítulo 2 in: Hand-book of Game Theory, vol. 1, R. J. Aumann e S. Hart (Org), Elsevier Science Publishers, 1992.

HONIG, C. Aplicações da Topologia à análise. IMPA/CNPq, Rio de Janeiro, 1986.

SARTINI, B. et all. Uma introdução a teoria dos jogos. Bienal SBM/UFBA, 2004.

 


MARGARETHE VON TROTTA
– A atriz, diretora, roteirista, realizadora e escritora alemã Margarethe Von Trotta, na sua exitosa carreira, atuou em dois filmes que envolviam personagens da mais alta importância tanto para a história da humanidade, como para a realidade da mulher contemporânea. O primeiro deles é o premiado filme Rosa Luxemburg (1986), em que ela dirigiu contando a história da filósofa e economista marxista polaco-germana, além de ter sido uma importante mulher para a história alemã e da humanidade. O segundo que ela dirigiu foi o também premiado filme Hannah Arendt (2013), contando a biografia da filósofa alemã. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.


AS PAIXÕES DA ALMA, DE RENÉ DESCARTES  - [...] considero que não notamos que haja algum sujeito que atue mais imediatamente contra nossa alma do que o corpo ao qual está unida, e que, por conseguinte, devemos pensar que aquilo que nela é uma paixão é comumente nele uma ação; de modo que não existe melhor caminho para chegar ao conhecimento de nossas paixões do que examinar a diferença que há entre a alma e o corpo, a fim de saber a qual dos dois se deve atribuir cada uma das funções existen­tes em nós. [...] que tudo o que existe em nós, e que não concebemos de modo algum como passível de pertencer a um corpo, deve ser atribuído à nossa alma. [...] a morte nunca sobrevêm por culpa da alma, mas somente porque alguma das principais partes do corpo se corrompe; e julgue­mos que o corpo de um homem vivo difere do de um morto como um relógio, ou outro autômato (isto é, outra máquina que se mova por si mesma), quando está montado e tem em si o princípio corporal dos movimentos para os quais foi instituído, com tudo o que se requer para a sua ação, difere do mesmo relógio, ou outra máquina, quando está quebrado e o princípio de seu movimento pára de agir. [...] enquanto vive­ mos, há um contínuo calor em nosso coração, que é uma espécie de fogo aí mantido pelo sangue das veias, e que esse fogo é o princípio corporal de todos os movimentos de nossos membros. [...] todas as paixões consiste apenas no fato de disporem a alma a querer coisas que a natureza dita serem úteis a nós, e a persistir nessa vontade, assim como a mesma agitação dos espíritos que costuma causá-las dispõe o corpo aos movimentos que servem à execução dessas coisas. [...] E agora que as conhecemos todas, temos muito menos motivo de as temer do que tínhamos antes; pois verificamos que são todas boas por natureza e que só devemos evitar o seu mau uso ou os seus excessos, contra os quais os remédios que expliquei poderiam bastar, se cada um tivesse cuidado bastante para praticá-los. Mas, como incluí entre esses remédios a premeditação e a indústria pela qual se podem corrigir os defeitos naturais, exercitando-nos em separar em nós os movimentos do sangue e dos espíritos dos pensamentos aos quais costumam estar unidos, confesso que há poucas pessoas que se tenham suficientemente preparado dessa maneira contra todas as espécies de recontros, e que esses movimentos excitados no sangue pelos objetos das paixões seguem primeiro tão prontamente das simples impressões que se fazem no cérebro e da disposição dos órgãos, ainda que a alma não contribua para tanto, de qualquer maneira, que não há nenhuma sabedoria humana capaz de resistir-lhes quando não estamos para isso bem preparados. Assim, muitos não poderiam abster-se de rir, quando lhes fazem cócegas, embora não colham daí nenhum prazer; pois a impressão da alegria e da surpresa que outrora os fez rir pelo mesmo motivo, estando desperta em sua fantasia, faz com que seus pulmões sejam subitamente inflados, contra a vontade, pelo sangue que o coração lhes envia. Assim, os que têm, por natureza, forte pendor para as emoções da alegria e da compaixão, ou do medo, ou da cólera, não podem impedir-se de desmaiar, ou de chorar, ou de tremer, ou de ter o sangue todo agitado como se tivessem febre, quando a sua fantasia é fortemente tocada pelo objeto de alguma dessas paixões. Mas o que se pode sempre fazer em tal ocasião, e que eu julgo poder apresentar aqui como o remédio mais geral e o mais fácil de praticar contra todos os excessos das paixões, é, sempre que se sinta o sangue assim agitado, ficar advertido e lembrar-se de que tudo quanto se apresenta à imaginação tende a enganar a alma e a fazer com que as razões empregadas em persuadir o objeto de sua paixão lhe pareçam muito mais fortes do que são, e as que servem para dissuadir muito mais fracas. E quando a paixão persuade apenas de coisas cuja execução sofre alguma delonga, cumpre abster-se de pronunciar na hora qualquer julgamento e distrair-se com outros pensamentos até que o tempo e o repouso tenham apaziguado inteiramente a emoção que se acha no sangue. E, enfim, quando ela incita a ações no tocante às quais é necessário tomar uma resolução imediata, é mister que a vontade se aplique principalmente a considerar e a seguir as razões contrárias àquelas que a paixão representa, ainda que pareçam menos fortes: como quando se é inopinadamente atacado por algum inimigo e a ocasião não permite que se empregue algum tempo em deliberar. Mas o que me parece que os que estão acostumados a refletir sobre as suas ações podem sempre fazer é, quando se sentirem tomados de medo, esforçarem-se por desviar o pensamento da consideração do perigo, representando-se as razões pelas quais há muito mais segurança e mais honra na resistência do que na fuga; e, ao contrário, quando sentirem que o desejo de vingança e a cólera os incitam a correr inconsideradamente para aqueles que os atacam, lembrar-se-ão de pensar que é uma imprudência o perder-se, quando é possível sem desonra salvar-se, e que, se a partida é muito desigual, vale mais efetuar uma honesta retirada ou tomar quartel do que expor-se brutalmente a uma morte certa. AS PAIXÕES DA ALMA – O livro As paixões da alma, filósofo e matemático francês René Descartes (1596-1650), trata de temas como das paixões em relação a um sujeito como ação a qualquer respeito, o corpo e a alma, o calor e o movimento, o princípio de todas as funções, o movimento do coração, as causas da diversidade, as funções da alma, a vontade, a percepção, imaginação, a definição das paixões da alma, a sede das paixões, do número e da ordem das paixões e a explicação das leis primitivas, a admiração, a estima ou o desprezo, a generosidade e orgulho, a humildade e a baixeza, a veneração e o desdém, o amor e o ódio, o desejo, a esperança e o temor, o ciúme, a segurança e o desespero, a irresolução e a coragem, a ousadia, a emulação, a covardia e o pavor, o remorso, a alegria e a tristeza, a zombaria, a inveja e a piedade, a satisfação de si mesmo e o arrependimento, o favor e o reconhecimento, a indignação e a cólera, a gloria e a vergonha, o fastio, o pesar e a alegria, as seis paixões primitivas, o espanto, para que servem todas as paixões, afeição, amizade e devoção, do agrado e do horror, prazer físico e dor, o movimento do sangue e os espíritos, das ações dos olhos e do rosto, das mudanças de cor, dos tremores e da languidez, desmaio, riso, indignação, o choro, os gemidos e as lágrimas, suspiros, das emoções interiores da alma, das paixões particulares, da estima e do desprezo, humildade virtuosa e viciosa, o desdém, do uso da troça, o justo e injusto, compaixão, compulsão, arrependimento, do favor e da ingratidão, da cólera, da impudência, do fastio e do pesar, do júbilo e o remédio geral contra as paixões. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

REFERÊNCIAS
DESCARTES, René. As paixões da alma. São Paulo: Abril Cultural, 1979.


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