ERA A VEZ DELA... – Não sei o teu nome, minha cúmplice da noite
em todos os alcoices, bordéis e lupanares de hoje, muito menos tua cor, minha
sacerdotisa egípcia no transe hipnótico da dança do vente. Pra quê saber disso,
minha ilha ninfa, já que me vanglorio por ter estado em teu corpo por mais de
zilhões de vezes? Os homens nominam tudo, não sabem o prazer do inominável.
Minha encantada Aspásia, pra mim tudo teu, minha Semíramis do trono da
babilônia, cantada apaixonadamente por Valery. Para mim nada me é mais
importante, és minha índole fenícia, moça bem feita de corpo. És minha
Nefertiti, deusa mulher de longa cauda a me deixar absorto. És minha Messalina
da língua que me envolve todo. Minha Cleópatra dos desejos desenfreados. Minha
Jesabel, prostituta linda de Tiro, minha mucama das ancas voluptuosas, minha
pajem da boceta gostosa, minha gueixa trepadora, minha meretriz devassa, minha
freira sedutora, minha rameira de pernas abertas, minha puta, puta minha.
Deusa-rainha minha, sou teu rio a desaguar e a tomar o teu cinto de Afrodite
que me faz entorpecer. Sou teu Baal, és minha Anat, concubina minha, para me
saciar se jogando na noite. Vou usurpar o teu cofre com a chave exata. Enquanto
um de teus olhos me desnuda, o outro me abre fendas. Uma de tuas pernas me
agarra, a outra quer me botar de lado. E quando te saciar, serei teu Sansão, serás
minha Dalila, a mulher do vale de Soreque. E mesmo que me envolvas os sete
tendões frescos ainda secos, esporrarei nas tuas entranhas com o que há de
melhor em mim. E mesmo que me aprisiones com as cordas novas que não há de ter
feito obra alguma, te esfolarei por trás, égua minha, até os grunhidos máximos
da dor e do prazer. E mesmo que teças as sete tranças da minha cabeça com
urdidura de teia e firmá-las com pino de tear, empurrarei na tua boca o meu
sêmen para engolir tudo que for meu até nada sobrar. E mesmo que me raspes as
tranças, mesmo que me subjugues, me vaze os olhos e me prenda com duas cadeias
de bronze e mesmo que eu vire um moinho no cárcere e te sirva de diversão, mesmo
assim lamberei e chuparei teu tesouro imaculado até que desfaleças inteira ao
meu lado, porque meu cabelo novamente crescerá e apalparei tuas colunas e te
derrubarei e te emprenharei na sepultura entre Zorá e Estaol, no sepulcro do
meu Pai Manoá e serás eternamente minha mulher, puta minha, mulher. © Luiz Alberto
Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.
DITOS &
DESDITOS
Estou cansado de sempre
morrer com o coração partido... Por que atacar a Deus? Ele pode ser tão miserável
quanto nós... Nunca escrevi uma nota que não tivesse a intenção de dizer...
Pensamento do compositor e
pianista francês Erik Satie (Éric
Alfred Leslie Satie – 1866-1925). Veja mais aqui, aqui & aqui.
ALGUÉM FALOU
Todos os homens mantêm todas as mulheres em estado de medo... As
mulheres, como classe, jamais subjugaram outro grupo; jamais marchamos para
guerras de conquista em nome da pátria. Jamais estivemos envolvidas na anexação
do território de um país vizinho ou na luta por mercados estrangeiros em terras
distantes. Esses são jogos que os homens jogam, não nós. Não queremos ser nem
opressoras nem oprimidas. A revolução das mulheres é a revolução final de
todas... Somos irrevogavelmente contrários à representação do corpo feminino
sendo despido, amarrado, estuprado, torturado, mutilado e assassinado em nome
do entretenimento comercial e da liberdade de expressão...
Pensamento da jornalista e escritora estadunidense Susan Brownmiller,
que na sua obra In Our Time: Memoir of a Revolution (The
Dial Press, 1999), assinalou que: […] Se as condições forem
favoráveis, se a raiva de um número suficiente de pessoas atingir o ponto de
ebulição, essa paixão explosiva poderá desencadear uma transformação social.
[…]. Veja mais aqui.
ZONAS ÚMIDAS - [...] Tudo que é sexy — cabelo despenteado, alças que caem do ombro, um brilho
suado no rosto — está um pouco torto, sim, mas palpável. [...] É uma invenção da qual me orgulho muito: o
bombom de sexo memorável. [...]. Trechos extraídos da obra Feuchtgebiete (DuMont Buchverlag GmbH, 2008), da escritora inglesa Charlotte
Roche (Charlotte Elisabeth Grace Roche).
POEMA - Deus não me dá sossego. É meu aguilhão. Morde meu calcanhar como
serpente, faz-se verbo, carne, caco de vidro, pedra contra a qual sangra minha
cabeça. Eu não tenho descanso neste amor. Eu não posso dormir sob a luz do seu
olho que me fixa. Quero de novo o ventre de minha mãe, sua mão espalmada contra
o umbigo estufado, me escondendo de Deus. Poema da poeta, professora,
filósofa e escritora Adélia Prado (Adélia Luzia Prado de Freitas). Veja
mais aqui.
O QUE OS CEGOS ESTÃO SONHANDO – [...] E assim as pessoas acreditam que o mundo existe para o ‘eu’, que,
felizmente, não chega remotamente perto da verdade plena. O mundo não existe
para o I. Não existe para nada. existe para continuar a existir. Mas saber isso
não muda nada para todos os que eu vagueio pelo mundo. [...]. Trecho extraído do livro O que os cegos estão sonhando? - Diário
de Lili Jaffe 1944-1945 (34, 2012), da escritora, professora e
crítica literária Noemi Jaffe, autora dos livros Todas
as coisas pequenas (Redra, 2005), Do princípio às
criaturas (USP, 2008), Folha Explica Macunaíma (Publifolha, 2001),
entre outros. Veja mais aqui.
TEORIA DOS JOGOS –
Trata-se de uma teoria que surgiu por meio de uma carta do político britânico James Waldegrave (1715-1763), propondo uma
estratégia mista para duas pessoas em um jogo, aproveitada pelo matemático e
economista francês Cournot (Antoine Augustin Cournot – 1801-1877), autor
da obra Researches into the Mathematical Principles of the Theory of
Wealth, publicada em 1838, estabelecendo os princípios dessa teoria, uma
solução que era, na verdade, uma versão prévia e restrita do que se tornaria a
teoria do equilíbrio, proposta pelo matemático estadunidense John Forbes
Nash Jr (1928-2015). No entanto esta teoria passou mesmo a existir a partir
dos estudos do físico-matemático húngaro John von Neumann (1903-1957) e
doutros desenvolvidos pelo matemático francês Émile Borel (1871-1956).
Mas foi com a publicação do livro The Theory of Games and Economic Behavior
(1944), numa parceria de Neumann com o economista austríaco Oskar
Morgenstern (1902-1977), que se delinearam as bases do método para
encontrar soluções ótimas para jogos de duas pessoas de soma zero. E com o
experimento denominado de Dilema do prisioneiro, em 1950, de Merri Flood e
Melvin Dresher, desenvolveu-se uma estratégia ótima para jogos com diversos
jogadores, envolvendo situações de jogos cooperativos e não-cooperativos, além
duma série de jogos como os da forma extensiva, repetidos, do jogador fictício
e o valor de Shapley, afora outros conceitos de solução do equilíbrio perfeito
em sub-jogo, de informação completa, de jogos Bayesianos, estendendo-se à
Biologia com a estratégia evolucionária estável, os conceitos de equilíbrio
correlato e conhecimento comum, até o modelo dinâmico da teoria dos jogos
evolucionários, em 2005, ampliando-se aplicação da teoria para os campos da
filosofia e da ciência política, utilizando-se do Dilema do Prisioneiro, da
Caçada ao Veado e do jogo da barganha de Nash. Como aspectos gerais da teoria
estão as instruções que são responsáveis por definir e enquadrar o ambiente da
experiência; a randomização para evitar que diferenças como personalidade,
riqueza ou a altura a que o participante começa a experiência afetem sistematicamente
a experiência, validando-se uma variedade de procedimentos; o anonimato que corresponde
à associação aleatória de participantes para uma experiência, sem contato
visual e mantidos em silêncio durante a sua aplicação, para evitar que ocorra influência
da percepção não associada ao objetivo do estudo na tomada de decisão; os
incentivos reduzindo a variância dos resultados, quando comparado com a sua não
utilização; e a questão crucial da satisfação dos participantes para evitar a
decepção, considerando-se os principais conceitos e aplicações. Ou seja: os
jogadores, as estratégias e recompensas são conceitos fundamentais que definem
os participantes, as escolhas e os resultados finais, a parti do Equilíbrio de
Nash, do Dilema do Prisioneiro e do Olho por olho (Tit-for-Tat), com suas
aplicações práticas na Economia, Biologia, Filosofia, Ciências Sociais e na
vida real, por meio de jogos cooperativos e não-cooperativos, forma normal
(matrizes, jogos simultâneos) e extensiva (árvores, jogos sequenciais).
REFERÊNCIAS
CONWAY, J. A Gamut of Game and Theories.
Mathematics Magazine, pp. 5–12, 1978.
_______. On Numbers and Games, Second Edition.
A. K. Peters, Natick, 2000.
ETESSAMI, K. Algorithmic Game Theory and
Aplications. Lecture Notes, School of Informatics, The University of Edinburgh,
Scotland, UK, 2004.
HART, S. Games in Extensive and Strategic Forms.
Capítulo 2 in: Hand-book of Game Theory, vol. 1, R. J. Aumann e S. Hart (Org),
Elsevier Science Publishers, 1992.
HONIG, C. Aplicações da Topologia à
análise. IMPA/CNPq, Rio de Janeiro, 1986.
SARTINI, B. et all. Uma introdução
a teoria dos jogos. Bienal SBM/UFBA, 2004.







