QUANDO ELA
DEUSA-RAINHA & SE FAZ SÚDITA DA NOITE... – Ela emerge ignota com toda
pompa celestial de deusa radiante, a ensolarar as trevas com as trombetas de
sua fulgurante sedução e a levitar pronta para os júbilos de sua glória divina.
Aterrissa magnânima rainha com a reverência de sua deificação exclusiva, ao
súdito compungido pela comunhão de seu majestoso poderio. Desce os degraus do
seu trono e a mim se encaminha como se reconhecesse meus méritos de fiel
escudeiro, a lançar suas mãos sobre meus ombros, contemplado pela cerimônia
apologética. Ela dispensa a coroa e todas as vestes suntuosas, exibindo-se
apenas com transparente e íntima oferta das vestes reveladoras de sua nudez
soberana. Faz-me ficar de pé e recebo a comenda do seu beijo afetuoso em meus
lábios, para em seguida ajoelhar-se diante de mim, súdita voluntária, a fixar
seu olhar como se depusesse sobre meu sexo enrijecido, a elegê-lo pro panteão
de sua deidade. Fixada no meu membro que se dilatava estirando-se à sua
emanação, tornou-se ali mesmo fiel monja discípula, súdita destronada a se
entregar às minhas carícias e a deificar meu falo alisando-o apaixonadamente
terna, como se cuidasse de bem preciosíssimo. Tomou- -o entre as mãos a
apalpá-lo meticulosa, a mimá-lo com seus afagos, a beijá-lo com fervor meigo de
sua boca divinamente lemniscata, a exibir sua língua às lambidas mais altissonantes.
Ela fraquejava vulnerável prostrada a possuir meu sexo como se fosse o seu
Deus-Todo-Poderoso e, ao se render às minhas carícias e virilidade, deitou-se puxando-me
pelo pênis, ajeitando-se desamparada para que a envolvesse entre as pernas e, indefesa
ofertada, dela usufruí como se fosse o seu dono e fez-se serva dolente e servil
para que a despojasse por inteiro e nela pude ser contemplado com o ápice de
todos os prazeres da carne e da alma. Veja mais abaixo & mais aqui.
DITOS &
DESDITOS
A música é
realmente uma coisa espiritual — uma conexão entre seu eu interior e a projeção
disso em público...
Pensamento da
pianista, cantora e compositora estadunidense Patrice Rushen.
ALGUÉM FALOU
Quando eu era
criança, eu tinha dois amigos imaginários que só brincavam um com o outro...
Pensamento da
escritora e comediante estadunidense Rita Rudner. Veja mais aqui, aqui,
aqui, aqui & aqui.
SALAMANDRA
DE BORGES – [...] um
pequeno dragão que vive no fogo [...] um animal alado e quadrúpede, a
Pyrausta, que habita as fornalhas das fundições de Chipre; se ela emerge no ar
e voa por uma curta distância, cai morta. O mito posterior da salamandra
incorporou o desse animal esquecido. [...] Os poetas também recorrem à
salamandra e à fênix como recurso retórico. Assim, Quevedo, nos sonetos do
quarto livro do Parnaso espanhol, que "canta feitos de amor e beleza"
[...] Benvenuto Cellini relata que, aos cinco anos de idade, viu um pequeno
animal, semelhante a um lagarto, brincando no fogo. Contou ao pai. O pai lhe
disse que o animal era uma salamandra e lhe deu uma surra, para que aquela
visão maravilhosa, tão raramente permitida aos homens, ficasse gravada em sua
memória. [...]. Trechos extraídos da obra O livro dos seres imaginários
(Globo, 1981), do escritor argentino Jorge Luís Borges (1899-1986). Veja
mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
O TEMPO & O VENTO - [...] Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado. Era tanto o silêncio e tão leve o ar, que se alguém aguçasse o ouvido talvez pudesse até escutar o sereno na solidão. [...] Não importa quantas vezes você caiu, a vida sempre te entrega outra manhã. E é nela que mora a oportunidade de mudar tudo. [...] O melhor seria morrer num baile, com as ideias ainda claras, cair de repente sem vida no meio duma tirana ou duma chimarrita, como uma vela nova de chama brilhante que o minuano apaga com um sopro, e não como um coto que se queima até o fim, numa agonia triste. [...]. Trechos extraídos do romance O continente (Globo, 1987), da trilogia O tempo e o Vento do escritor Érico Veríssimo (1905-1975). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
DULCÍDIO:
HISTÓRIA DO LAGARTO QUE TINHA O COSTUME DE JANTAR SUAS MULHERES - [...] aquele
dono de tudo não tinha herdeiro. Sua mulher rezava todos os dias mil orações,
suplicando a graça de um filho, e todas as noites acendia mil velas. Deus
estava cansado dos rogos daquela chata, que pedia o que Ele não tinha querido
dar. E finalmente, para não ter de continuar escutando, ou por divina misericórdia,
fez o milagre. E chegou a alegria do lar. O menino tinha cara de gente e corpo
de lagarto. Com o tempo o menino falou, mas caminhava se arrastando sobre a
barriga. Os melhores professores de Ayacucho ensinaram o menino a ler, mas seus
dedos feito garras não conseguiam escrever. Aos dezoito anos, pediu mulher. Seu
opulento pai conseguiu uma para ele; e com grande pompa foi celebrado o
casamento, na casa do padre. Na primeira noite, o lagarto lançou-se sobre sua esposa
e devorou-a. Quando o sol despontou, no leito nupcial havia apenas um viúvo
dormindo, rodeado de ossinhos [...] Com a barriga acariciada pela água
do rio, Dulcídio dorme a sesta. Quando abre um olho, vê a mulher. Ela está
lendo. Ele nunca havia visto, na vida, uma mulher de óculos. [...] Mas
quando vira a cabeça, ela não está mais ali. Arrastando-se a toda através dos
juncos, procura por tudo que é canto. Nada. No domingo seguinte, ela não vai à
margem do rio. E nem no outro, nem no outro. Desde que a viu, a vê. E não vê
mais nada. [...] Na tarde de um domingo, Dulcídio tem um palpite.
Levanta-se a duras penas e, do jeito que consegue, se arrasta até a margem do
rio. E lá está ela. Banhado em lágrimas, Dulcídio declara seu amor à menina
desdenhosa e esquiva, confessa que de sede estou morrendo pelo teu mel, sozinho
no caminho desse mundo cruel, te esperando, te lembrando, água da minha mágoa:
– Te ofereço meu anel. E chega o casamento. Todo mundo agradecido, porque fazia
tempo que a aldeia não tinha festa, e ali Dulcídio é o único que se casa. [...].
Trechos extraídos da obra As palavras andantes (L&PM, 1994), do escritor e
jornalista uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). Veja mais aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui & aqui.
saudável;
na verdade, um pouco de indecência
é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.
.
E um pouco de putaria pode ser
normal, saudável.
Na verdade, um pouco de putaria é
necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.
Mesmo a sodomia pode ser
normal,saudável,
desde que haja troca de sentimento
verdadeiro.
.
Mas se alguma delas for para o
cérebro, aí se torna perniciosa;
a indecência no cérebro se torna
obscena, viciosa,
a putaria no cérebro se torna
sifilítica
a a sodomia no cérebro se torna
uma missão,
tudo, vício, missão, insanamente
mórbido.
.
Do mesmo modo, a castidade na
hora própria é normal e bonita.
Mas a castidade no cérebro é vício,
perversão.
E a rígida supressão de toda e
qualquer indecência, putaria e
relações assim
leva direto a furiosa insanidade.
E a quinta geração de puritanos, se
não for obscenamente depravada,
é idiota. Por isso, você tem de
escolher.
não suportamos tocar ou sermos tocados.
Desde que somos tão cerebrais
estamos humanamente fora de contato.
E assim temos que continuar.
Pois se, intelectualmente, nos forçarmos ao toque,
ao contato
físico e carnal,
nós nos violamos,
ficamos depravados.






