terça-feira, fevereiro 23, 2016

BORGES, GALEANO, RUSHEN, RUDNER, ÉRICO VERÍSSIMO, D.H. LAWRENCE & LITERÓTICA

 


QUANDO ELA DEUSA-RAINHA & SE FAZ SÚDITA DA NOITE... – Ela emerge ignota com toda pompa celestial de deusa radiante, a ensolarar as trevas com as trombetas de sua fulgurante sedução e a levitar pronta para os júbilos de sua glória divina. Aterrissa magnânima rainha com a reverência de sua deificação exclusiva, ao súdito compungido pela comunhão de seu majestoso poderio. Desce os degraus do seu trono e a mim se encaminha como se reconhecesse meus méritos de fiel escudeiro, a lançar suas mãos sobre meus ombros, contemplado pela cerimônia apologética. Ela dispensa a coroa e todas as vestes suntuosas, exibindo-se apenas com transparente e íntima oferta das vestes reveladoras de sua nudez soberana. Faz-me ficar de pé e recebo a comenda do seu beijo afetuoso em meus lábios, para em seguida ajoelhar-se diante de mim, súdita voluntária, a fixar seu olhar como se depusesse sobre meu sexo enrijecido, a elegê-lo pro panteão de sua deidade. Fixada no meu membro que se dilatava estirando-se à sua emanação, tornou-se ali mesmo fiel monja discípula, súdita destronada a se entregar às minhas carícias e a deificar meu falo alisando-o apaixonadamente terna, como se cuidasse de bem preciosíssimo. Tomou- -o entre as mãos a apalpá-lo meticulosa, a mimá-lo com seus afagos, a beijá-lo com fervor meigo de sua boca divinamente lemniscata, a exibir sua língua às lambidas mais altissonantes. Ela fraquejava vulnerável prostrada a possuir meu sexo como se fosse o seu Deus-Todo-Poderoso e, ao se render às minhas carícias e virilidade, deitou-se puxando-me pelo pênis, ajeitando-se desamparada para que a envolvesse entre as pernas e, indefesa ofertada, dela usufruí como se fosse o seu dono e fez-se serva dolente e servil para que a despojasse por inteiro e nela pude ser contemplado com o ápice de todos os prazeres da carne e da alma. Veja mais abaixo & mais aqui.


 

DITOS & DESDITOS

A música é realmente uma coisa espiritual — uma conexão entre seu eu interior e a projeção disso em público...

Pensamento da pianista, cantora e compositora estadunidense Patrice Rushen.

 

ALGUÉM FALOU

Quando eu era criança, eu tinha dois amigos imaginários que só brincavam um com o outro...

Pensamento da escritora e comediante estadunidense Rita Rudner. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

SALAMANDRA DE BORGES – [...] um pequeno dragão que vive no fogo [...] um animal alado e quadrúpede, a Pyrausta, que habita as fornalhas das fundições de Chipre; se ela emerge no ar e voa por uma curta distância, cai morta. O mito posterior da salamandra incorporou o desse animal esquecido. [...] Os poetas também recorrem à salamandra e à fênix como recurso retórico. Assim, Quevedo, nos sonetos do quarto livro do Parnaso espanhol, que "canta feitos de amor e beleza" [...] Benvenuto Cellini relata que, aos cinco anos de idade, viu um pequeno animal, semelhante a um lagarto, brincando no fogo. Contou ao pai. O pai lhe disse que o animal era uma salamandra e lhe deu uma surra, para que aquela visão maravilhosa, tão raramente permitida aos homens, ficasse gravada em sua memória. [...]. Trechos extraídos da obra O livro dos seres imaginários (Globo, 1981), do escritor argentino Jorge Luís Borges (1899-1986). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

O TEMPO & O VENTO - [...] Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado. Era tanto o silêncio e tão leve o ar, que se alguém aguçasse o ouvido talvez pudesse até escutar o sereno na solidão. [...] Não importa quantas vezes você caiu, a vida sempre te entrega outra manhã. E é nela que mora a oportunidade de mudar tudo. [...] O melhor seria morrer num baile, com as ideias ainda claras, cair de repente sem vida no meio duma tirana ou duma chimarrita, como uma vela nova de chama brilhante que o minuano apaga com um sopro, e não como um coto que se queima até o fim, numa agonia triste. [...]. Trechos extraídos do romance O continente (Globo, 1987), da trilogia O tempo e o Vento do escritor Érico Veríssimo (1905-1975). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

DULCÍDIO: HISTÓRIA DO LAGARTO QUE TINHA O COSTUME DE JANTAR SUAS MULHERES - [...] aquele dono de tudo não tinha herdeiro. Sua mulher rezava todos os dias mil orações, suplicando a graça de um filho, e todas as noites acendia mil velas. Deus estava cansado dos rogos daquela chata, que pedia o que Ele não tinha querido dar. E finalmente, para não ter de continuar escutando, ou por divina misericórdia, fez o milagre. E chegou a alegria do lar. O menino tinha cara de gente e corpo de lagarto. Com o tempo o menino falou, mas caminhava se arrastando sobre a barriga. Os melhores professores de Ayacucho ensinaram o menino a ler, mas seus dedos feito garras não conseguiam escrever. Aos dezoito anos, pediu mulher. Seu opulento pai conseguiu uma para ele; e com grande pompa foi celebrado o casamento, na casa do padre. Na primeira noite, o lagarto lançou-se sobre sua esposa e devorou-a. Quando o sol despontou, no leito nupcial havia apenas um viúvo dormindo, rodeado de ossinhos [...] Com a barriga acariciada pela água do rio, Dulcídio dorme a sesta. Quando abre um olho, vê a mulher. Ela está lendo. Ele nunca havia visto, na vida, uma mulher de óculos. [...] Mas quando vira a cabeça, ela não está mais ali. Arrastando-se a toda através dos juncos, procura por tudo que é canto. Nada. No domingo seguinte, ela não vai à margem do rio. E nem no outro, nem no outro. Desde que a viu, a vê. E não vê mais nada. [...] Na tarde de um domingo, Dulcídio tem um palpite. Levanta-se a duras penas e, do jeito que consegue, se arrasta até a margem do rio. E lá está ela. Banhado em lágrimas, Dulcídio declara seu amor à menina desdenhosa e esquiva, confessa que de sede estou morrendo pelo teu mel, sozinho no caminho desse mundo cruel, te esperando, te lembrando, água da minha mágoa: – Te ofereço meu anel. E chega o casamento. Todo mundo agradecido, porque fazia tempo que a aldeia não tinha festa, e ali Dulcídio é o único que se casa. [...]. Trechos extraídos da obra As palavras andantes (L&PM, 1994), do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


DIÁVOLA – No dia da sedução nada mais justo que trazer um dos poemas da jornalista e poeta gaúcha Milene Possas Sarquissiano, oriundo do seu belíssimo blog Blog da Moura - Cio & Cia. Entre os seus poemas destaco Diávola: uma mulher vestida / mostra o melhor dela / enquanto não se revela / é uma viagem só de ida / avenida de mão única / congestionando olhares / é um cachaçal de loucura / tonteando veias / destilando alucinada / todo etílico veneno / que nela existe / uma mulher vestida / bole com o imaginário / do capeta e do vigário / leva uns pro paraíso / e outros pro purgatório. Veja mais dela aqui, aqui e aqui.

DOIS POEMAS ERÓTICOS DE D. H. LAWRENCE

INDECÊNCIA PODE SER SAUDÁVEL

A indecência pode ser normal,
saudável;
na verdade, um pouco de indecência
é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.
.
E um pouco de putaria pode ser
normal, saudável.
Na verdade, um pouco de putaria é
necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.
Mesmo a sodomia pode ser
normal,saudável,
desde que haja troca de sentimento
verdadeiro.
.
Mas se alguma delas for para o
cérebro, aí se torna perniciosa;
a indecência no cérebro se torna
obscena, viciosa,
a putaria no cérebro se torna
sifilítica
a a sodomia no cérebro se torna
uma missão,
tudo, vício, missão, insanamente
mórbido.
.
Do mesmo modo, a castidade na
hora própria é normal e bonita.
Mas a castidade no cérebro é vício,
perversão.
E a rígida supressão de toda e
qualquer indecência, putaria e
relações assim
leva direto a furiosa insanidade.
E a quinta geração de puritanos, se
não for obscenamente depravada,
é idiota. Por isso, você tem de
escolher.

TOQUE

Desde que nos tornamos tão cerebrais
não suportamos tocar ou sermos tocados.
Desde que somos tão cerebrais
estamos humanamente fora de contato.
E assim temos que continuar.
Pois se, intelectualmente, nos forçarmos ao toque,
ao contato
físico e carnal,
nós nos violamos,
ficamos depravados.

D. H. LAWRENCE – O escritor e poeta ingles David Herbet Lawrence (1885-1930), é autor de uma obra aborda temas considerados controversos no início do século XX, como a sexualidade e as relações humanas por vezes com características destrutivas e estende-se a praticamente todos os géneros literários, tendo publicado novelas, contos, poemas, peças de teatro, livros de viagens, traduções, livros sobre arte, crítica literária e cartas pessoais. O seu livro "O Amante de Lady Chatterley" foi proibido na época e passou a circular clandestinamente. "O Arco Íris" foi considerado obsceno. E "Mulheres Apaixonadas" foi recusado pelos editores de Londres, só foi publicado cinco anos depois em Nova Iorque. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.


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