ENCRUZILHADAS (Imagem: Dont
Lose Your Soul At The Crossroads Painting, do artista plástico estadunidense Otis L Stanley) - – Na precisão do agora
constato: caminhos, estradas, veredas. Encruzilhadas muitas. Pra lá, não sei;
pra cá, muito menos. Ali tudo é ignoto; acolá, mais ainda. Nunca temi o
insólito, até me apraz, mas já me arrepiei em muitos carreirões por nada. A descoberta
é o triunfo do aprendizado. Vou, não vou: oscilo, titubeio. E passei a vida
inteira barco sem leme ao sabor da sorte e brigando comigo mesmo. Sempre quis
ser melhor, maior e mais do que sou. Quando falhei nos meus intentos, uma
guerra de fúria e prantos. Muito agi duas três vezes sem pensar, ou pensei
demais pra escolher: deu tudo errado. Ou eu não soube avaliar a alternativa ou
não aprendi com o escolhido. Quantas vezes eu fui e não devia ter ido. Quantas vezes
fiquei quando não podia ter ficado. Sempre tive pouca paciência e mandei ver,
depois a certidão da bobagem feita no meio de toda evanescência. Pra esquerda, seguia.
Por que não pela direita? E me condenava e me castigava. Quantas bifurcações eu
encarei a todo instante. Quantas vezes lavei o peito com o choro do
desapontamento e do fracasso. Quantas vezes esmurrei os ventos e as paredes no
cúmulo dos azarados, enquanto morria pelos êxitos alheios. Quanto quis ter e na
hora de ser, não soube o que fazer. Quantas vezes passageiro à deriva dos
dissabores eu sonhava que ia dar certo. E deu, só não entendia bem tudo porque
não tinha aprendido a discernir entre o certo e o errado de verdade. Para mim
só era certo o que meu desejo egoísta impunha e perdia a chance de aprender. Quanto
tempo perdi com caprichos, expectativas, idealizações, quando, na verdade, o
coração não teve maturidade para aprender que a dúvida e as escolhas são as
formas de estarmos vivos, protagonizando a própria existência. Quanto a gente
se desgasta com o ímpeto emocional do sucesso, findando desmotivado, exaurido,
lastimável. Não sabia que cada trilha possuía um ônus, muito menos que era pra
assumir todos os riscos e oportunidades da seleção feita. Não havia aprendido a
lição daquele momento porque o desejo do umbigo estava acima de tudo. E perdia a
oportunidade de ter vivido um momento que certamente seria maravilhoso e que
assim não foi só porque não se apresentava da forma ambicionada. Não sabia do
hoje construído no ontem e que sou agora pro amanhã. Não sabia, além da
tempestade negra, o Sol brilha. E o vejo agora mesmo sob o maior toró que
desagua escurecendo tudo. Não sabia, nada é fatal ou fruto do acaso. A culpa é
só minha se hesitei, hoje me aventuro a sorrir. Devia ter seguido a fagulha
inspiradora e ter feito os ajustes às circunstâncias mutáveis. Não fiz, agora
faço. Nunca é tarde. Aprendo e reaprendo. A vida é como o corpo da mulher amada:
muitos caminhos, todas as possibilidades. Sigo a intuição e o meu pensamento é salubre
com o sorriso do Sol na vida. (Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui. DITOS & DESDITOS
A ética do
cuidado deve se manifestar como uma reflexão sobre as normas. Como estamos
sempre sujeitos às normas sociais, precisamos prestar atenção às diferentes
maneiras pelas quais somos governados por essas normas e às formas como, em
contrapartida, podemos tentar construir algo dentro de uma configuração geral
de normas. A ética do cuidado pode nos permitir compreender como as relações
com as normas são precárias, como podemos nos tornar sujeitos precários que só
podem existir se repensarmos algumas formas de cuidado social... A ética do
cuidado propõe uma nova experiência moral porque leva em consideração a
dependência, a vulnerabilidade e diferentes vivências da negatividade. No
entanto, ela deve ser entendida mais como uma ética descritiva do que como uma
ética normativa. Não precisa propor uma nova compreensão da vida humana, mas
pode ser muito útil para tornar mais claras as formas invisíveis de dominação
que se fazem presentes...
Pensamento do
filósofo e escritor francês Guilherme Le
Blanc.
ALGUÉM FALOU:
De certa forma, a vida recomeça a cada dia e a cada segundo, mas também é
verdade que continuo retornando aos mesmos lugares dentro de mim... Mas
descobri que eu já tinha tudo bem aqui, nos detalhes ao meu redor; que é
simplesmente uma questão de observar tudo com atenção, de me deixar levar e
voltar o olhar para fora — e refiro-me a um voltar-se para fora de verdade. É
aí que se encontra essa sensação de estar vivo: no olhar atento voltado para o
outro...
Pensamento da escritora e jornalista sueca Ia Genberg (Ia Gabriella
Genberg), autora dos livros Söta fredag (2012) e Enviado farväl (2013).
IMPÉRIO DA ILUSÃO – [...] Compramos a ideia de que a educação trata de treinamento
e de "sucesso" — definido em termos monetários — em vez de aprender a
pensar criticamente e a questionar. Não devemos esquecer que o verdadeiro
propósito da educação é formar mentes, não carreiras. Uma cultura que não
compreende a interação vital entre moralidade e poder, que confunde técnicas de
gestão com sabedoria e que não entende que a medida de uma civilização é a sua
compaixão — e não a sua velocidade ou capacidade de consumo — condena-se à morte. [...] Uma cultura que não compreende a interação
vital entre moralidade e poder, que confunde técnicas de gestão com sabedoria e
não entende que a medida de uma civilização é a sua compaixão — e não a sua
velocidade ou capacidade de consumo —, condena-se à morte. [...] O
sadismo domina a cultura. Ele percorre, como uma corrente elétrica, os *reality
shows* e os programas de debates agressivos, está no cerne da pornografia e
alimenta o coletivo corporativo dócil. O corporativismo consiste em esmagar a
capacidade de escolha moral e em diminuir o indivíduo para forçá-lo a integrar
um coletivo aparentemente harmonioso. Essa hipermasculinidade encontra sua
concretização lógica em Abu Ghraib, nas guerras do Iraque e do Afeganistão e na
nossa falta de compaixão pelos sem-teto, pelos pobres, pelos doentes mentais,
pelos desempregados e pelos enfermos. ... Aceitamos o sistema que nos é imposto
e buscamos encontrar um lugar confortável dentro dele. Refugiamo-nos nos guetos
estreitos e confinados criados para nós e fechamos os olhos para a
superestrutura letal do Estado corporativo. [...] O totalitarismo invertido, ao contrário do totalitarismo clássico, não gira
em torno de um demagogo ou líder carismático. Ele se manifesta no anonimato do
Estado corporativo. Aparenta prezar a democracia, o patriotismo e a
Constituição, ao mesmo tempo que manipula mecanismos internos. [...] A expressão "consentimento dos
governados" tornou-se uma frase vazia. Nossos livros didáticos de ciência
política e economia estão obsoletos. Nossa nação foi sequestrada por oligarcas,
corporações e uma elite política e econômica restrita e egoísta — um grupo
pequeno e privilegiado que governa e, muitas vezes, rouba em prol de interesses
financeiros poderosos. Essa elite, em nome do patriotismo e da democracia — em
nome de todos os valores que outrora integravam o sistema americano e definiam
a ética de trabalho protestante —, destruiu sistematicamente nosso setor
industrial, saqueou os cofres públicos, corrompeu nossa democracia e arruinou o
sistema financeiro. Durante esse saque, permanecemos passivos, hipnotizados
pelas sombras sedutoras projetadas na parede, convencidos de que nossos
bilhetes para o sucesso, a prosperidade e a felicidade nos aguardavam logo ali
adiante. [...]. Trechos extraídos
do livro Empire of Illusion: The End of Literacy and the Triumph of
Spectacle (The Journal of American Culture, 2009), do jornalista e escritor
estadunidense Chris Hedges (Christopher Lynn Hedges).
RISCOS
ESCANDALOSOS – […] A
vida é uma preciosa jornada de autodescoberta, onde a gratidão transforma dias
comuns em extraordinários. [...] O que poderia ser mais racional do que a
decisão de usar meus dons de uma forma que manifestasse com maior clareza
minhas convicções morais e intelectuais? [...]. Trechos extraídos da obra Scandalous
Risks: A Powerful Starbridge Historical Novel of Faith and Forbidden Passion
(HarperCollins, 2012), da escritora britânica Susan Howatch, que
refletiu sobre a verdade: Se você buscar a verdade o suficiente, sempre
acabará no reino dos paradoxos. Chega-se a um ponto em que a verdade aparente
se divide em duas verdades opostas e, então, é preciso tentar ir além delas
para alcançar a verdade última, a sua síntese... É autora de obras
como The High Flyer (1999), Absolute Truths (1994), Mystical
Paths (1992), Ultimate Prizes (1989), Glittering Images
(1987), The Wheel of Fortune (1984), Sins of the Fathers (1980) e
Penmarric (1971).
VOO - Chegou a acontecer \ que embarquei em um avião \ e
enquanto eu passava pelo homem \ no assento do corredor ele disse \ O meu nome
é Dov. Eu sabia \ você viria. \ Então Dov veio a acontecer \ e depois a próxima
coisa \ veio a acontecer que foi \ o avião, que caiu pelo ar \ para que todos
sentissem e compreendessem \ a palavra “slew”. \ Nós seguramos as mãos daqueles
\ ao nosso lado. A mão de Dov. Dov \ quem diria que eu viria. \ A mão do meu
filho, que disse \ Espere, eu vou apenas terminar de ouvir \ a esta canção. \ E
aconteceu \ que naqueles segundos de queda \ entramos na zona do dilúvio \ que
era escuro e perigoso \ e aconteceu \ que achávamos coisas \ Nós não tínhamos
pensado antes \ e entendia as coisas \ que não poderia ser dito para fora \ alto
ou mesmo em nosso sossego \ polpudo interior. \ Nós entendemos \ que as
crianças sugaram a vida \ de suas mães \ em seguida, levou-o de volta para
dentro \ de maneiras misteriosas. \ Nós entendemos \ que os homens danificaram
crianças \ em chocante indizível \ maneiras e em silêncio \ maneiras secretas e
em silêncio \ e turva. \ De alguma forma \ dente-de-leão manjerona \ cardo e
sapinho \ veio a acontecer. \ E um caixa de banco \ chamado “Neve”. \ E então
aconteceu \ que nos afastamos \ de onde estávamos indo \ porque o vento ali \ Era
muito forte \ para pousar com segurança em um motor. \ Nos afastamos \ do vento
incomodando as árvores, \ pansies esfalados, batendo limões \ um contra o
outro; \ longe de hinos antigos e \ moderno, dos buracos \ cavado no jardim
para restos de cozinha \ que se assemelham a sepultura \ preparado para uma
sucessão \ de pequenos animais. \ Para longe nós nos viramos, para trás \ para
uma pista em que esperava \ veículos de emergência \ e assim aconteceu \ que
tocamos terreno \ inteiro, sentindo-se com sorte \ e com medo. \ Estar fora de
perigo \ ele veio a acontecer \ que quebramos a cadeia de mãos \ que nos
sustentava, embora não a cadeia \ de pensamentos – que se sustentavam. \ E
segurado. E levou-nos \ para o parque bem cercado \ onde os corpos se
encontram, em decomposição, \ aterrorizante ainda natural, \ rostos arrastados
para a terra, \ e aos veados que vêm \ e delicadamente osso de sopro. Poema da
poeta neozelandesa Jenny Bornholdt (Jennifer Mary Bornholdt).
RESSURRETO DAS ENCRUZILHADAS: O MUNDO MÁGICO - Após aquela do meu padrinho, uns dias a
mais, logo cedinho, minha madrinha providenciou para que eu fosse até a
biblioteca pública e procurasse por dona Lauricélia. Ela me ensinou direitinho
onde ficava e fui até lá. Chegando, fiquei horas contemplando aquele mundo de
livros: quantas histórias e segredos não estavam guardados naquelas páginas.
Fiquei maravilhado. Passei mesmo um bom tempo imaginando o que poderia aprender
com aquilo tudo e, foi tão grande o período do meu êxtase, que só me dei conta
quando as pessoas começaram a esvaziar o local por já estar próximo o meio dia.
Aí vi que não podia perder tempo e me dirigi ao birô de uma senhora madura,
bonitona e charmosa. Era ela mesma: Minha madrinha que mandou procurá-la. Quem
é sua madrinha? Jaridiane. Ah, sim, minha amiga, como ela vai? Vai bem, está lá
com meu padrinho. Saudades dela, gente muito boa, minha amiga das antigas. É,
ela é muito boa. E o que você quer ler? Todos os livros daqui. Ela sorriu com
minha leseira. Por que ela mandou me procurar? Para que a senhora me indicasse
umas leituras e encaminhasse meus estudos. Certo. Qual a sua idade? Vou fazer dezesseis
anos, menti, ainda estava com catorze. Pois bem, venha. Segui seus passos e
pude confirmar a beldade que ela era: pernas e coxas roliças, bem aquinhoada,
perfumada, elegante em tudo, até no falar. Pegou um volume dos irmãos Grimm e
me deu: Pronto, pode se sentar e ler, faça silêncio. Peguei o livro e comecei a
ler, passei a tarde toda, esqueci até de almoçar, nem tive fome, minha precisão
era o saber e as histórias que li não me deram a menor vontade de largar o
livro. Já era de tardezinha quando ela se aproximou: Ainda lendo? Sim. Nem
almoçou, pelo visto. Nem tive fome. Acho que devia se alimentar. Vou jantar,
posso vir de noite? Pode. E amanhã posso vir de novo? Pode, claro. Boa tarde,
até amanhã. E saí pronto para jantar e voltar para aquele mundo maravilhoso.
Assim fiz e contei tudo à madrinha, dizendo que voltaria ainda de noite para
ler mais. Ela ficou empolgada com minha dedicação e vontade de ler e, antes da
ceia, me levou pro banho, preparou a melhor roupa e me vestiu adequadamente
para as leituras, não antes me cobrir de alisados, beijos e afagos. Pelo menos
quebrou o clima chato de dias em que eu pensei que seria a despedida. Depois da
janta, zarpei com um beijo e voltei para o mundo que muito me fascinava. Assim
se passaram meses, os três turnos, e toda vez a dona Lauricélia selecionando
leituras: Defoe, La Fontaine, Melville, Conrad, Cervantes, Monteiro Lobato,
Machado de Assis. Você não estuda? Sim, estou estudando cada livro que a
senhora me indica. Não vai à escola? Nunca fui, minha madrinha me ensinou
Matemática, Ciências, História, tudo que aprendi foi com ela e, agora, com o
que a senhora está me dando para ler. Que bom. Posso pedir uma coisa? Claro.
Pedi para ela me dar uns livros do povo da terra, das coisas da gente, minha
tribo. Contei para ela sobre a descendência da minha mãe e logo me trouxe uma
coleção de livros do Barbalho que devorei rapidinho. Depois trouxe o Vocabulário
de Pereira da Costa, um Dicionário do Cascudo, a poesia de Ascenso, uns livros
do Hermilo – ah, esse gostei, que cara mais esculhambado, da minha laia, gostei
e muito de cada história que li dele. Depois me deu a Enciclopédia Griz,
contando a lenda a respeito que já tinha visto num dos livros que li. Aos
poucos fui perdendo a timidez e contei pra ela que sempre tive muita vontade de
campar por literato e por isso andava sempre a cascavilhar uns termos
esquisitos, antigos, catados a dedo para encaixar na conversação. Mas findei um
escritor cassange que nunca foi a escola e, como diz o poeta popular: aprendi
sem se ensinar. Por conta duns versos maltratados, ela se ria e se afeiçoou por
mim, tornando-se responsável por todas as minhas leituras e formação. Daí
deu-se a maior interlocução: ela me falava de artes, ciências e filosofias.
Muito sábia, uma mulher e tanto. Afora, boazuda com seus quadris bojudos e
sedutores, apesar da idade. Escolhia os livros para mim. Lá no jeito dela, me
disse que a mulher foi feita para tornar um homem feliz; e ela é quem o realiza
porque é o sonho dele. E foi assim que ela me ensinou a como amar uma mulher. Foi
aí que fiquei sabendo que ela era casada com um professor que era pastor de uma
igreja evangélica e dono de um colégio: Amanhã de tarde você vai comigo na
escola. Tá certo. De manhã cedindo eu estava lá e perto das onze horas, ela me
mandou ir almoçar e que voltasse antes da uma da tarde para ir com ela pro
educandário. Assim fiz, contei pra madrinha que ficou superfeliz com isso e
fui, pela primeira vez, para a escola. Fiquei encantado com o tanto de aluno
que eu vi por ali. Ela era professora de Língua Portuguesa, Gramática e
Literatura, me levou para cada sala que ela deu aula. No final da tarde me
liberou e fui pra casa, me arrumar para ceia e voltar pra biblioteca. Minha
madrinha estava cada vez mais exultante com o meu primeiro dia de aula e me
aprontou para a noite com os livros. Voltei para a biblioteca, estava entretido
com a leitura do Steinbeck, quando dei pela presença de dona Lauricélia no
recinto. Nunca aparecia durante a noite, mas naquele dia ela estava ao meu
lado: O que achou da escola? Gostei, um mundo maravilhoso, nunca tinha estado
antes numa sala de aula. E me falou: Quero fazer umas provas com você para
saber em que grau você se encontra. Prova, o que é isso? Vou fazer umas
perguntas e você me responde. Certo, estou pronto, pode começar. Venha. Ela me
levou para uma sala fechada, mandou-me sentar e começou a fazer perguntas de
Matemática, Ciências, História, Português... Eu ia respondendo e ela anotando.
Ela disse que me saí bem nas contas, nos acontecimentos históricos e
razoavelmente bem nos conhecimentos científicos para minha idade. Mas fui
sofrível na gramática, ao que ela se dispôs a me dar umas aulas para que eu
pudesse me matricular numa série lá do ginásio que ela me falou. Os dias foram
passando e ela ia me passando assuntos do primário nos quais passei tranquilo e
me mandou fazer o exame de admissão que estava marcado para ali mais uns oito meses.
Mandou que eu estudasse uns livros e que eu podia levá-los para casa, que
estudasse porque precisava me sair bem neste exame. Dias, semanas, meses se
passaram, estudei que só, ia todo dia à biblioteca, como de costume, e em casa,
minha madrinha me ajudava nos assuntos, fazendo uma sabatina comigo. Cada vez
que eu acertava, madrinha me dava um beijo. E cada vez um assunto concluído e
com a resposta na ponta da língua acertando tudo, ganhava além dos beijos,
carícias e uma longa noite de prazeres em seu corpo para lá de excitante. Minha
madrinha sabia como me dar prazer e me ensinava a dar-lhe o mesmo tanto de gozo
e orgasmos. Quase um ano depois, chegou o dia do exame e dona Lauricélia lá
estava me aguardando: Está pronto? Prontíssimo. Tomara que passe. Vou passar.
Alisou meus cabelos, apertou carinhosamente o ombro e me deu um beijo na face:
Vá. Fui. Nunca fiz tanta prova, quatro provas em pouco mais de três horas. Eu
terminava uma e já me davam outra, não tinha nem como respirar. Ao término, já
passava das onze horas, ela me esperava, mandou-me almoçar e que voltasse antes
das treze horas para falar com ela, não antes um ósculo que me deu às faces.
Vá. Fui para casa com o juízo embrulhado de tanto assunto que tive que
responder e respondi tudinho, não deixei nenhuma questão em aberto, tanto na
escrita como na prova oral. Fui pra casa, minha madrinha me deu banho, o meu
almoço já estava à mesa, antes porém, ela levou-me ao quarto e perguntou: Você
acha que passou? Sim. Se você passar terá uma noite inesquecível de prazeres,
vou lhe dar um presente que só você terá, mas só se passar. Tá certo. E
amolegou meu pênis, deu-lhe um beijo demoradamente apaixonado dele dar sinal de
vida na hora, lambeu, chupou e me fez gozar ali mesmo, bebendo todo meu prazer.
Ah, isso já era inesquecível demais. Ainda trêmulo, almocei e voltei correndo
pro colégio. Dona Lauricélia já me esperava à porta: Entre. Trancou-se comigo e
começou a fazer outra sabatina sobre diversos assuntos. Cada vez mais ela
complicava a pergunta e eu, mesmo enrolado, dava a resposta certa, desenrolando
o problema proposto. Foram mais de duas horas de sabatina e, pensando haver
concluído, ela mandou-me redigir um texto. Putzgrila! Sobre o quê? Qualquer
tema. Estou com a cabeça para lá de confusa, poderia me dar um tema? Hummmm....
deixe ver... O que você mais gosta? Da madrinha e da senhora. Sua mãe? Morreu
quando eu tinha quatro anos. E seu pai? No mesmo dia. Você é órfão? Só tenho
meus padrinhos. E seu padrinho? É muito calado, não fala direito comigo, nem
sei se gosta de mim, ele vive só atendendo o povo na bodega o dia todo, nunca
falou nem conversou comigo. Quer dizer que a madrinha... A madrinha é a minha
mãe, faz tudo por mim, me ensina, conversa, fica o dia todo e a noite toda
cuidando de mim... Faça o seguinte, escreva sobre o melhor momento da sua vida.
O melhor momento da minha vida é este: a madrinha, a senhora e os livros, nada
mais. Ela aproximou-se, beijou-me a testa e ficou me olhando com afeto. Que
mais? A oportunidade de ler os livros que a senhora está me dando é o melhor da
minha vida, só se comparando com a infância no sítio em que nasci, o quintal da
casa da madrinha, a minha vida toda ao lado da madrinha e conhecer a senhora
que é tão generosa para me dar o mundo maravilhoso que é o mundo desses livros
todos, nunca sonhei com tanta felicidade. Pronto, já sei, faça uma redação
sobre os livros... você tem duas horas para isso, quando terminar me chame. Ela
saiu depois de alisar meus cabelos, apertar carinhosamente meu ombro e me
beijar a face novamente. Eu estava no céu, nunca vi mulher tão bonita, nada
melhor poderia acontecer de bom na minha vida. E me dar atenção como ela me dava
era o maior que o prêmio de uma loteria, acho. Tive sorte de ter a madrinha e
ela para me dar atenção, as duas pessoas mais importantes da minha vida. Foi
isso que escrevi: sobre as descobertas das leituras, falando de um livro e
outro e, ao final, fechar elogiosamente com a contribuição que minha madrinha
Jaridiane e a professora Lauricélia me deram, a ponto de se tornarem as pessoas
mais importantes da minha vida. Ao cabo de duas horas ela entrou e perguntou se
eu havia concluído. Sim, terminei. Se precisar, pode ficar um pouco mais, eu
espero. Não, já terminei, aqui estão as páginas. Eram três laudas. Ela
sentou-se e começou a ler. Eu aproveitei para olhá-la, presenciar cada gesto
seu assim de perto, sentir o seu perfume, viajar no seu encanto e passar a
adorá-la como nunca adorei mulher alguma. Fiquei ali, ela demorou muito lendo, enquanto
eu imaginava aquela candura de gente sempre do meu lado. Lá para as tantas ela
apareceu na porta, acompanhada de um senhor menor que ela, cabisbaixo, me
olhando pelo canto dos olhos com desconfiança, deu-me uma repulsa ao vê-lo na
mesma hora, coisa da gente adivinhar de alguém que trama contra a gente, esse
tinha algo para me fazer de maldoso, senti logo, não fui com a cara dele e, com
certeza, não foi com a minha, sempre de soslaio para minha banda. Ambos se
aproximaram de mim enquanto conversavam o que não conseguia entender. Ele
estendeu-me a mão e com um ar sarcástico me deu os parabéns: Você tem um futuro
promissor. Ela virou-se para mim e me mandou ir pra casa cear e me assear e que
eu estivesse às dezenove horas em ponto na biblioteca que ela queria tratar de
um assunto comigo. Aí se virou pro homem: Já demos as nossas notas, mas quero que
os outros dois professores de Português analisem e deem as notas deles até às
18 horas, não quero que a gente se torne suspeitos por encobrir algum embuste,
exijo. Tá bem, Lau, vou providenciar agora para que os professores leiam esta
redação até às dezoito horas, até lá terá as quatro notas que quer. E saiu. Ela
virou-se pra mim: Vá e esteja lá sem atraso. Fui num pé só e às dezenove horas
em ponto estava lá diante dela. Pronto: você tirou dez em tudo, está passado.
Agora o senhor terá que fazer o Madureza, é um supletivo do primeiro grau que
corresponde ao ginasial, serão quatro anos em seis meses, acha que dá conta?
Dou. Tem certeza? Dou minha palavra. Certo, confio em você, tome esses livros e
não despregue os olhos deles em nenhum momento, você fará muitas provas por
mês, não pode vacilar uma só e em seis meses estará com o ginasial concluído
para o ensino médio que corresponde ao técnico. Acha que é capaz mesmo? Não
decepcionarei a senhora, pode contar. Ela então me abraçou e beijou-me as faces
com ternura: Assim espero. Vamos? Vamos. Amanhã cedinho quero o senhor aqui
para direcionar seus estudos, tome e leve esses livros e não despregue os olhos
deles, viu? Sim, senhora. Saí com a sensação de que ela ia me beijar a boca e
eu a dela, isso veio de dentro de mim, quase que tomava a iniciativa, melhor
assim, não avancei, ela não me beijou, mas me senti beijado por ela na alma... Veja
mais aqui.
ELA & A FESTA DELA TODA PRA MIM...
Ela bela pela fresta
se achega nua afim, com toda trela e na refrega de seu manequim folgazão assim.
Em mim se atrela e me cresta com a danação de seu suor, pra que eu seja dela e
nela o meu trampolim. É só o que me resta enfim: ela é toda festa e me leva então
desta pra melhor...





