ELA: POSE & ENSAIO - Ela chegou Vênus de Botticelli,
abriu-me os braços e sussurrou: Vem! Nela fiz meu mundo e vivi. A cada três
horas e meia e um pouco mais, era outra. Assim, amanheceu Susan Storm de Kirby.
Antes do meio era Leda nua de Cézanne. Entardeceu voluptuosa Druuna de
Serpieiri. Anoiteceu Manoela, a filha da lavadeira de Carlos Zéfiro. Na
madrugada arranchou-se como uma daquelas amanhecidas de Boucher. E
espreguiçou-se ao meu lado como aquela mordida pela cobra de Clésınger. E
estirou-se esguia Valentina Rosselli do Guido Crepax, levantou os braços como a
Maria Erótica de Seto & Padrella, enfronhou-se como as desnudas de Ingres,
levantou-se como a Vampirella de Joe Jusko e posou como a Sculptor's Model de
Alma-Tadema. E infatigável beijou-me Katy Apache de Colin, esfregou-se em mim como
a Nuda Veritas de Klimt, arqueou-se Fanny Hill de Cleland e, femme fatale,
encarou-me como a Olympia de Manet. E deitou-se manhosa como a da leitura de Andrea
Vandoni, exaltou-se Mirza de Colonnese e espreguiçou como a Nu couché de
Modigliani. Mais se achegou feito O de Pauline Réage, seduziu-me tal qual La
Vénus de Naïs Philip e fez todo tipo de pose imitando as nuas de Egon Schiele. Exibiu-se
Red Sonja de John Buscema, ensaiou sedutora Mary de Leclercq, queria ser uma das
ladies nudes de Andy Warhol aos meus olhos. E saudei a Sally Forth de Wally
Wood, desejando-a nua deitada de Picasso, pra me servir Josie McCoy de Dan
DeCarlo, a minha Lady Godiva de Collier. E me chamou Little Annie Fanny de Kurtzman.
E implorou como se fosse das hiper-realistas de Manjarrez e suplicou-me como
uma das exuberantes de Mihály Zichy e agarrou o meu sexo como se fosse Ava Lord
de Frank Miller. E se fez felatriz como uma das esplendorosas musas de Milo
Manara e roçou minha pele como uma das angélicas de Agostini Carracci e me
cheirou como uma das guerreiras de Frazetta e me pediu para que a tratasse como
uma das Lost Girls de Alan Moore and Melinda Gebbie's. Aí deu-me as costas como
uma das resplandescentes de Leonid Afremov e me fez abraçá-la por trás como se fosse
a Maybelle de Robert Mapplethorpe e rebolou como a do The Sin de Heinrich
Lossow e tomou meus braços aos seios de Halbakt de Schad e suas costas ao meu
peito como se fosse a sensual Catwoman de Beekman e mais gemeu como a Angel
Claws de Moebius. Girou diante de mim como uma das guerreiras de Mozart Couto, chamou-me
a grande como uma das Blue Beauties de Scott Campbell e se permitiu minha
ousadia de tê-la no prazer como uma modelo da arte de Clarice Gonçalves. E sentiu-se
por mim beijada como a Wonder Woman de Grant Morrison e minhas mãos acariciaram
seu ser no Fenômeno do Êxtase de Vik Muniz e me deu seus seios de Good Girl de Bruce
Timm, trouxe-me seu ventre desnudo de femme fatales do Steranko e dançou nua em
meu corpo como uma modelo de Man Ray. Abriu-me as pernas de Paprica de Tinto
Brass e agarrou meu pênis como uma das Sexy Dreams de Olivia de Berardinis e se
permitiu penetrada longelínea Velta de Emir Ribeiro e entrou em êxtase como a
da Carne de Barganha de Mah Ferreira. E fez-se a vampira de Arantza Sestayo e
aos sacolejados da Tianinha do Laudo Ferreira, a gozar como as pin-ups de
Benício, aos orgasmos como a Barbarella de Forest pras cenas do Vadim. E
cavalgou-me como se fosse Kara Zor-L, a power girl peituda da dupla Conway &
Estrada. E jurou numa mais me largar como as domimadoras de Eric Stanton,
arreou-se transida sobre como, com as suas muitas faces de Aline Kominsky-Crumb,
a viver eternamente como todas elas nos meus olhos e a minha espera como a maja
de Goya. Veja mais abaixo & aqui.
DITOS & DESDITOS
A única coisa que tenho é minha
independência... Um jornalista que não se interessar por [figuras polêmicas e
históricas] deveria mudar de profissão...
Pensamento do jornalista, biógrafo e
escritor Fernado Morais (Fernando Gomes de Morais, autor de obras como Os
Últimos Soldados da Guerra Fria (2011), A Ilha (1976), Olga (1985),
Chatô, o rei do Brasil (1994), Corações sujos (2000), Cem quilos de ouro (2003),
Na toca dos leões (2005), Montenegro (2006), entre outros. Veja mais aqui.
ALGUÉM FALOU:
Como seria de se esperar de uma forma tão intimamente
ligada às emoções primordiais, as histórias de terror são tão antigas quanto o
próprio pensamento e a linguagem humana...
Pensamento do
escritor estadunidense H.P. Lovecraft (Howard Phillips Lovecraft – 1890-1937).
Veja mais aqui, aqui &
aqui.
CIDADE DO FOGO CELESTIAL - [...] Somos
todas as peças daquilo de que nos lembramos. Guardamos em nós as esperanças e
os medos daqueles que nos amam. Enquanto houver amor e memória, não há perda
verdadeira. [...] Há memórias que o tempo não apaga... O "para
sempre" não torna a perda algo que se possa esquecer, apenas algo que se
pode suportar. [...] Temperem-nos no fogo, e nos tornaremos mais fortes.
Quando sofremos, sobrevivemos. [...]. Trechos extraídos da obra City
of Heavenly Fire (Margaret K. McElderry, 2015), da escritora estadunidense Cassandra
Clare, autora de obras como City of Fallen Angels (2011), City of Ashes (2008)
e City of Lost Souls (2014), entre outras. Veja mais aqui, aqui & aqui.
O
ESTUPRO DA IMAGINAÇÃO - [...]A
violência política e institucional atropela nossa soberania e devasta nossos
territórios, enquanto a violência simbólica ataca nossa memória e nossa
imaginação. [...]. Trecho extraído da obra L'immaginario violato (Ponte
alle Grazie, 2002), da escritora e ativista malinesa Aminata Traoré (Aminata
Dramane Traoré), que foi coordenadora do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento e atualmente é coordenadora do Forum pour l'autre Mali e
coordenadora associada da Rede Internacional para a Diversidade Cultural. É
autora do livro L'Afrique humiliée (2008) e expressa suas perspectivas: Meu
sonho para as mulheres com albinismo em todo o mundo é que elas tenham acesso a
uma educação de qualidade e que ofereça saúde. Porque o que eu vejo diariamente
é deplorável.
ROMANCE
IV - DONZELA ASSASSINADA (ROMANCEIRO DA INCONFIDENCIA) – Sacudia o meu lencinho \ para
estendê-lo a secar. \ Foi pelo mês de dezembro, \ pelo tempo do Natal. \ Tão
feliz que me sentia, \ vendo as nuvenzinhas no ar, \ vendo o sol e vendo as
flores \ nos arbustos do quintal, \ tendo ao longe, na varanda, \ um rosto para
mirar! \ Ai de mim, que suspeitaram \ que lhe estaria a acenar! \ Sacudia o meu
lencinho \ para estendê-lo a secar. \ Lencinho lavado em pranto, \ grosso de
sonho e de sal, \ de noites que não dormira, \ na minha alcova a pensar, \ -
porque o meu amor é pobre, \ de condição desigual. \ Era no mês de dezembro \ pelo
tempo do Natal. \ Tinha o amor na minha frente, \ tinha a morte por detrás: \ desceu
meu pai pela escada, \ feriu-me com seu punhal. \ Prostrou-me a seus pés, de
bruços, \ sem mais força para um ai! \ Reclinei minha cabeça \ em bacia de
coral. \ Não vi mais as nuvenzinhas \ que pasciam pelo ar. \ Ouvi minha mãe aos
gritos \ e meu pai a soluçar, \ entre escravos e vizinhos, \ e não soube nada
mais. \ Se voasse o meu lencinho, \ grosso de sonho e de sal, e pousasse na
varanda, \ e começasse a contar \ que morri por culpa do ouro \ - que era de
ouro esse punhal \ que me enterrou pelas costas \ a dura mão de meu pai - \ sabe
Deus se choraria \ quem o pudesse escutar, \ - se voasse o meu lencinho \ e se
pudesse falar, \ como fala o periquito \ e voa o pombo torcaz... \ Reclinei
minha cabeça \ em bacia de coral. \ Já me esqueci do meu nome, \ por mais que o
queira lembrar! \ Foi pelo mês de dezembro, \ pelo tempo do Natal. \ Tudo tão
longe, tão longe, \ que não se pode encontrar. \ Mas eu vagueio sozinha, \ pela
sombra do quintal, \ e penso em meu triste corpo, \ que não posso levantar, \ e
procuro o meu lencinho, \ que não sei por onde está, \ e relembro uma varanda \
que havia neste lugar... \ Ai, minas de Vila Rica, \ santa Virgem do Pilar! Dizem que eram minas de ouro... \ - para mim,
de rosalgar, \ para mim, donzela morta \ pelo orgulho de meu pai. \ (Ai, pobre
mão de loucura, \ que mataste por amar!) \ Reparai nesta ferida \ que me fez o
seu punhal: \ gume de ouro, punho de ouro, \ ninguém o pode arrancar! \ Há
tanto tempo estou morta! \ E continuo a penar. Poema da poeta, jornalista,
pintora, escritora e professora Cecilia Meireles (Cecília Benevides de
Carvalho Meireles – 1901-1964). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui aqui, & aqui.
OS
MANDAMENTOS DO PASTAFARIANISMO –
Os 8 condimentos ou Eu realmente preferiria que você não, foram recebidos pelo
pirata Mosei diretamente do Monstro do Espaguete Voador e servem como um código
moral contra o dogmatismo e a intolerância: 1 - Eu realmente preferiria que
você não agisse como uma pessoa arrogante e santarrona ao promover a minha
"nhoquice". Se alguém não acreditar em mim, não tem problema. Eu não
sou tão vaidoso. 2 -Eu realmente preferiria que você não usasse a minha
existência como um meio para oprimir, subjugar, castigar, eviscerar ou ser
cruel para com os outros. 3 - Eu realmente preferiria que você não julgasse as
pessoas pela sua aparência, por como se vestem, ou de que maneira falam. 4 -Eu
realmente preferiria que você não fizesse nada que pudesse ofender a si mesmo,
ou ao seu parceiro(a) que seja mentalmente maduro e de maior idade. 5 -Eu
realmente preferiria que você não desafiasse as ideias fanáticas e odiosas dos
outros com o estômago vazio. Coma primeiro, depois vá conversar com elas. 6 -
Eu realmente preferiria que você não construísse igrejas, templos ou mesquitas
de milhões de dólares para a minha grandiosidade, quando esse dinheiro poderia
ser melhor gasto acabando com a pobreza, curando doenças ou vivendo a vida. 7 -
Eu realmente preferiria que você não andasse por aí dizendo às pessoas que eu
falo com você. Você não é tão especial assim. 8 - Eu realmente preferiria que
você não fizesse aos outros o que gostaria que fizesse a você, caso você goste
de coisas que envolvem fetiches. Se a outra pessoa também consentir e curtir,
então aproveitem. Estes princípios estão descritos detalhadamente no Evangelho
do Montro do Espaguete Voador, durante a criação de uma religião satírica e
irreverente, em 2005 quando Bobby Henderson, um físico estadunidense, redigiu
uma carta aberta ao Conselho de Educação do Kansas, nos Estados Unidos, em
protesto à inclusão do Criacionismo no currículo escolar. Henderson propôs a “Teoria
do Monstro de Espaguete Voador” como uma alternativa igualmente válida, na
qual, um Criador sobrenatural, composto por espaguete e almôndegas, e solicitou
que o Pastafarianismo fosse incluído no ensino de ciências. Os seguidores são
conhecidos como Pastafaris e impulsionados pela sátira, humor e crítica à
inclusão de ensinamentos religiosos em aulas de ciências. Por consequência, Lukas
Novy, obteve permissão de um tribunal da República Tcheca para usar um
escorredor de macarrão na cabeça em suas fotos oficiais, considerando-o um
símbolo de sua fé Pastafari. Por sua natureza inclusiva e de
livre adesão, o grupo não possui celebridades tradicionais, mas é composto por
defensores do humor e da liberdade religiosa, destacando-se o político
austríaco e empresário Niko Alm, que em 2011 obteve o direito de estampar sua
carteira de motorista usando um escorredor de macarrão na cabeça, após uma
batalha legal de três anos baseada na liberdade religiosa; e o cidadão tcheco Lukas
Novy, que ganhou as manchetes em 2013 ao conseguir a mesma permissão para usar
o apetrecho culinário na foto do seu documento de identidade.
CRISTOFASCISMO – Trata-se de um termo que descreve a
união entre o fundamentalismo cristão e a ideologia fascista ou autoritária. A
expressão sugere a instrumentalização da fé e de símbolos cristãos para
justificar práticas autoritárias, nacionalistas e de exclusão, muitas vezes focadas
na manutenção de uma estrutura familiar tradicional, defesa de políticas
ultraliberais e desprezo por minorias e populações vulneráveis. Em 1970, a
teóloga alemã Dorothee Sölle criou o termo “cristofascismo” para se
referir às relações entre o partido nazi e as igrejas cristãs no
desenvolvimento do Terceiro Reich. Embora o neologismo seja da década de 1970,
a união de símbolos religiosos cristãos com discursos nacionalistas e
autoritários tem raízes históricas profundas. Antes da criação do termo, essa
aliança já existia. Exemplos incluem o surgimento da Guarda de Ferro na
Romênia, a organização de base católica Ustaše na Croácia e colaborações de
alas das igrejas com o Terceiro Reich. Mais recentemente, a expressão tem sido
resgatada por teólogos e cientistas sociais para descrever alianças entre
setores fundamentalistas religiosos (neopentecostais ou católicos
ultraconservadores) e movimentos políticos de extrema direita.








