A arte do escultor russo Naum
Gabo (1890-1977).
DITOS & DESDITOS - A
felicidade nunca é triste ou alegre. É felicidade. Desculpas são rasuras.
Pensamento do dramaturgo francês Armand Salacrou
(1899-1989).
ALGUÉM FALOU: O perfil do
telespectador brasileiro é triste, a massa é desinformada, portanto, fácil de
iludir. A maior parte do público não tem ideia do que está fazendo na frente da
TV. Frase extraída de uma entrevista concedida por José Bonifácio de
Oliveira Sobrinho, o Boni da Rede Globo.
O PÂNTANO LUNAR – [...] das
fantasias exóticas, a mais notável [...] era da maldição que cairia sobre aquele que ousasse perturbar ou drenar
o imenso e avermelhado pântano. Havia segredos, diziam os camponeses, que não
deviam ser revelados, segredos que tinham ficado ocultos desde a praga que descera sobre os filhos dos
partolanos nos tempos fabulosos anteriores à História. [...]. Trecho
extraído do livro Dagon (Iluminuras, 2001)
do escritor estadunidense Howard Phillips Lovecraft (1890-1937).
BILHETE DE IDENTIDADE - Toma
nota! / Sou árabe / O número do meu bilhete de identidade: cinquenta mil / Número
de filhos: oito / E o nono… chegará depois do verão! / Será que ficas irritado?
/ Toma nota! / Sou árabe / Trabalho numa pedreira com os meus companheiros de
fadiga / E tenho oito filhos / O seu pedaço de pão / As suas roupas, os seus
cadernos / Arranco-os dos rochedos… / E não venho mendigar à tua porta / Nem me
encolho no átrio do teu palácio. / Será que ficas irritado? / Toma nota! / Sou
árabe / Sou o meu nome próprio – sem apelido / Infinitamente paciente num país
onde todos / Vivem sobre as brasas da raiva. / As minhas raízes… / Foram
lançadas antes do nascimento do tempo / Antes da efusão do que é duradouro / Antes
do cipreste e da oliveira / Antes da eclosão da erva / O meu pai… é de uma
família de lavradores / Nada tem a ver com as pessoas notáveis / O meu avô era
camponês – um ser / Sem valor – nem ascendência. / A minha casa, uma cabana de
guarda / Feita de troncos e ramos / Eis o que eu sou – Agrada-te? / Sou o meu
nome próprio – sem apelido! / Toma nota! / Sou árabe / Os meus cabelos… da cor
do carvão / Os meus olhos… da cor do café / Sinais particulares: / Na cabeça
uma kufia com o cordão bem apertado / E a palma da minha mão é dura como uma
pedra / … esfola quem a aperta / A minha morada: / Sou de uma aldeia isolada… /
Onde as ruas já não têm nomes / E todos os homens… trabalham no campo e na
pedreira. / Será que ficas irritado? / Toma nota! / Sou árabe / Tu saqueaste as
vinhas dos meus pais / E a terra que eu cultivava / Eu e os meus filhos / Levaste-nos
tudo exceto / Estas rochas / Para a sobrevivência dos meus netos / Mas o vosso
governo vai também apoderar-se delas / … ao que dizem! / … Então / Toma nota! /
Ao alto da primeira página / Eu não odeio os homens / E não ataco ninguém mas /
Se tiver fome / Comerei a carne de quem violou os meus direitos / Cuidado!
Cuidado / Com a minha fome e com a minha raiva! Poema do
poeta palestino Mahmud Darwish (1942-2008).
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AMOR - Lembre-se que no amor os mistérios tem seus vilões. E como você tem horas que é o cúmulo da indecisão, minha filha, seja sensata: use verde. Muito verde. Principalmente quando descobrir que você pode ter investido alto na pessoa errada. Nunca é tarde. Também não vá dar valor às traições, pague na mesma moeda. Dê uma de Allan Kardec: baixe a entidade e dê fora no encosto, mande pegar a fila mesmo. Depois, se passe por Zé Ramalho, Avohai e ouse no requinte toda de verde. Com isso um grande amor vai estrear logo logo nas suas paragens. Mas como você não é muito de fidelidade e adora provar coisas novas, promover mudanças, de flertar na maior, não vacile, na hora-agá faça um aquecimento: pule bem muito até cansar. Isso mesmo. Tem que fazer isso porque Mercúrio está atuando e agirá favorável se você proceder assim. Use 1 incenso de benjoim. E quando o bimbudo chegar junto, não se faça de rogada: caia nos braços sem culpa nem arrependimentos. Afinal, uma gaia não dói, principalmente quando o corno não sabe. Se souber, melhor! Menos um pra zoar. Não ceda facilmente como de costume. Faça como você sempre faz: deixe para depois. E como você não é nada romântica, então, para manter o amor é só fazer uma simpatia: pegue 1 pegador de roupa, um fio de nylon de varal, junte o resto dumas bijuterias imprestáveis, derreta tudo com fogo e muita de canjenbrina. Depois dê um banho com isso e uma essência de violeta, saia aguando o quarto e toda casa. Depois se jogue nuínha no meio do meladeiro. Pode ficar certa: você estará insaciável feito uma D. Pedro I e é bem capaz de seu príncipe encantado paudurescente surgir do nada na hora! Afinal, amor e sexo é a mesma coisa, num é? Meta bronca!

SAÚDE - A sua alegria é o seu melhor remédio. Ria sempre e muito. Mas nunca mangue dos outros: defeito nos outros não é risadagem imune, é preconceito brabo, viu? Cuidado com anemia e estresse. Nada de sedentarismo e com o desgaste físico. Muito menos dê moleza pro mau-olhado. Para resolver essa sua vulnerabilidade é preciso que você tenha em casa, embaixo da cama, uma serpente de estimação. Isso mesmo: você tem que criar uma serpente e de qualidade, com pedigree. Não é qualquer cobrinha fuleira não, tem que ser das afamadas, famigeradas. E quando tiver cuidando de sua ofídica veneração, dando trato na bichinha entre as pernas, no colinho, pelo corpo todo, ai-ui, maior carinho e ternura, vá preparando um patuá com os seguintes ingredientes e materiais: 2 alfinetes, 1 pétala de rosa vermelha, 2 agulhas, 1 lírio, 2 orquídeas, 3 folhas de macieira, algumas folhas de cânfora, 10 folhas de limoeiro, 20 páginas de papel pautado, 50 cadarços, 1 ticket de qualquer coisa, dois saquinhos plásticos, uma tampa de caneta, 1 cartucho de impressora de qualquer natureza, um bisquí, duas ligas elásticas, um marcador de livro, 1 taco de madeira, 1 fio dental, 1 clips de plástico, misture tudo, dê um banho de álcool, toque fogo enquanto vai fazendo que vire talismãs chineses no meio de magias angelicais com rituais egípcios e você com danças ciganas encarando a cobra, aí vai rezando o salmo 4 com uma vela verde, 1 incenso de verbena, 1 quartzo rosa, tudo no fogo até virar cinza e você depositar num saquinho de camurça verde que é a sua cor de sempre. Depois disso, faça todo ritual de novo toda sexta-feira para atrair mais alegrias, rezando para Nossa Senhora das Peitudas Sagradas umas 95 vezes, certo? Ao final da reza grite três vezes: Sai-te! E quando for lua cheia, de madrugada, de preferência depois da meia-noite, reúna tudo de novo e refaça todo ritual fazendo novo patuá. Quando juntar um bocado de patuá, numa sexta-feira 13, jogue tudo no mar com uma oração pro Oxumaré. Isso fará você muito mais alegre e disposta para enfrentar a vida (e a fila dos namorados, claro!).
VIDA - Para você, minha amiga, tudo devia ser perfeito, simétrico e harmonioso. Mas não é. Tem horas que tudo vira bundacanasca e fica de pernas pro ar, né? Tudo embananado. Mas como sua sensibilidade é apurada, o pior mesmo é sua credulidade insana: a justiça não é aquela entidade que a gente acha que equilibra todas as relações de poder e mando não, viu? É também jogo político e de interesses. Não se iluda e nem se desencante à toa porque a igualdade, no frigir dos ovos, é bastante desigual, viu? Também nunca seja vingativa por causa disso, afinal quem tem cu, tem medo. Mais outra coisa: não beba, nem perca o senso e a razão numa bebedeira: cu de bêbo não tem dono. Atenção! A sua carta para o ano todo é do Samhain, a da noite dos antepassados trazendo coisa sinistra tipo Alien, busuntões, sacis, zumbis e terrores pra sua pequena área. Não dê moleza, fuja! Quando ver tudo escurecendo, pé na bunda mesmo: é um enxame de abelha daquelas africanas fuderosas. Vai encarar? Pois é. Dica extra: prepare um cozinhado com aipo, urtiga, quássia, poejo, picão, 1 figa, 1 olho-de-cabra, 1 olho-de-boi, 1 pé de coelho, 1 água-marinha, 1 turmalina, 1 asa de coruja, uma cagadinha de Azulão, um taco de unha do dedão do pé esquerdo, 1 seixo, 1 lapiseira e uma raspada de dente, toque fogo em tudo com uma vela verde embebida com água-que-passarinho-não-bebe, junte tudo numa folha de papel onde você vai escrever todos – eu disse TODOS! - os seus desejos e deposite embaixo do cozinhado. Se não queimar tudo, o que será um milagre proeminente, coloque o que sobrar embaixo de uma pirâmide por 4 dias seguidos. Depois disso, jogue tudo na lata de lixo. E recomece fazendo uma oferenda pro seu protetor. Isso todo santo dia, viu? Um detalhe, ainda restam duas coisinhas de nada que você está me devendo, viu? Ta lembrada? Ô povinho pra se esquecer fácil das obrigações! É o seguinte: primeiramente, você não pode se esquecer da simpatia da virada do ano, certo? Não se esqueça, é de natureza compulsória. Segundamente, você deve se lembrar de votar em mim no próximo pleito eleitoral. Se se esquecer sabe o que acontece? 15 anos de atraso! Quer? Assinado, Doro.
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