quarta-feira, novembro 14, 2007

FECAMEPA À REPÚBLICA



FECAMEPA À REPÚBLICA


Segura o pencó, gente, que o negócio é sério. Esse bregueço é a maior tronchura, viu? Tataritaritatá!
Pois é, para um país que não se sabe se foi descoberto numa cagada ou invadido pra porrada, fica a interrogação: afinal, que país é esse? Ah é o mesmo país que passou mais de 300 anos como uma colônia preada, açucarocrata e escravagista. Depois, virou de uma hora para outra um reinado surrupiado até o fundo do tacho. Num sopapo, se quebra de banda numa independência festeira e camuflada para ânimo de uns gatos pingados até ser rebocado prum império de sucatas. Ora, com um currículum desse, não pode dar outra, né? A não ser que a lorota vire pinóia manjada e dê numa republica de... de.... de quê mesmo, hem? eita! De ocrídios macunaímas? De mestiços corteses que num aprende a distância dum palmo além da venta? De miscigenados gentis que se hipnotizam com tudo? De bananas? De apaideguados feladamãe? Ouououououou? Ih....
Na verdade, trocando os miúdos e deixando de fora os desguardados, só mesmo numa republiqueta levada na espórtula e empurrada pela barriga e na marra até hoje, né não? Pois então, ora veja!
Depois da festa íntima dos promotores/beneficiários da independência, num deu nem para piscar o olho e já fervia a panela do vuque-vuque. É, a história é o princípio heraclitiano ao contrário: passa e volta, torna a se repetir constantemente.
Pois é, não podia ser diferente porque as maruagens despóticas afuleiraram mais com a dissolução da Assembléia em 1823 e, também, com a outorga da Constituição de 1824. Piada? Só se for de mau gosto, sabe por que? Bastou isso para a faísca de nadinha virar fogaréu de monturo em Pernambuco. Lá vem resistência feito enterro voltando.
O puxa-encolhe da insatisfação já dominava as províncias do Norte e Nordeste, incendiando tudo com um exaltado sentimento nativista requentado pelos ideais liberais separatistas e antilusitano.
Espia só, tudo aprontando o trupé. E vingou, era a Confederação do Equador, uma república revolucionária compreendendo os ingicados desde da Bahia até ao Grão-Pará. Era a boa nova que tanto contagiava como repelia seus correligionários, principalmente porque suspendia o tráfico negreiro. Mexeu a onça com vara curta e a coisa vai se esculhambando, como sempre. Findou maior pega-pra-capar, com pipoco de tiro, estrupício de vida e muita rezação no cemitério.
O tumulto continua, num pára por aí não. Logo vem a Guerra do Paraguai que durou de 1865 até 1870. Foi uma sacanagem braba. Dizem alguns mais ousados historiadores que para render o inimigo mais rapidamente, usou-se do ardil de jogar cólera nas nascentes dos rios contaminando todo povo paraguaio. Isso só não, tem muito mais. De resultado só trouxe fortalecimento pro o exército que era só desprestígio.
Sincronicamente, passava o zoadeiro do abolicionismo. Com isso, engrossava o caldo os pinotes dos escravos que escapuliam pra vida desde dos quilombos de antanho.
O pisoteio todo redunda no Manifesto Republicano de 1870. A coisa andava, como ainda hoje, aos trupicões. Segura a onda, meu! É a maior buraqueira do sujeito perder tudo nos catabís. Porque é aí que chega a constatação de que até 1889, a nossa brasílica terra era o único império existente na América inteira, vez que todas as demais nações vizinhas já tinham virado a casaca pro republicanismo. Pode um negócio desse? Como sempre e até hoje, esse Brasilzim anda atrasadinho que só, hem? Mas isso não é nada, vamos adiante naquilo que comumente taxamos de: seria cômico se não fosse trágico. Ou o contrário? Vamos nessa.
Chegamos na república. Na verdade, um arrumado dos militares acoloiados com um punhado miúdo de civis, implantando o Federalismo, o sistema presidencialista, a independência dos poderes e outras mais. De primeira, deram um chute na bunda do rei com banimento da família imperial pros quintos dos infernos. Depois, começa a mania de provisoriedade que tanto visita a vida do brasileiro no século seguinte, botando um marechal brabo na presidência. Era o marechal alagoano Deodoro da Fonseca. Com ele, a primeira Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 1891, começando uma descarada imitação dos gringos lá do norte, quando tem início a onda da norte-americanização daqui, com a inspiração voltada pro positivismo comteano pra seguir a ordem-progressivista e, também ainda, da corda-de-guaiamun dos interesses sempre esticando o miolo do poder como uma panelinha de mãe Joana, onde os privilegiados comem tudo e num sobra nem os farelos pro povão faminto do lado de fora.
Aí ocorre um fenômeno econômico digno de nota, quando Rui Barbosa, o então ministro da Fazenda, entre 1889 e 1892, escancarando o crédito e dando liberdade pros bancos – espia só o merdeiro que vai dar -, deixa o país às voltas com uma inflação incontrolável, dinheiro desvalorizado e festança de ricos sobre a ruína de novos pobres. Era o Encilhamento, parece até um treino para entrar em campo uma trupe que vai jogar num cenário que a gente vai ver e ter em replay de instante em instante e até slow motion a vida toda do século XX.
É quando estoura a Revolução Federalista de 1893 que dura até o ano seguinte, pela libertação do Rio Grande do Sul. Também ribomba a Revolta Armada iniciada no Rio de Janeiro até atingir o Rio Grande do Sul. E o governo passando de Deodoro para Floriano Peixoto, outro marechal alagoano.
Depois Prudente de Morais, o primeiro civil em 1894. Dois anos da posse, rasga o cenário Canudos, com o messiânico líder Antonio Conselheiro e seus jagunços declarando guerra à República pela restauração da Monarquia. Esse quiprocó dura dois anos, de 1896 até o ano seguinte, quando o sangreiro espirra até na lua.
Vem logo em seguida o paulista Campos Sales, que antes mesmo de assumir, negocia um acordo, o Funding Loan, onde suspende os pagamentos do país para contrair novo empréstimo. Entende isso? Jogadas e tramóias. Era só a bagatela de 10 milhões de libras que entravam na roda e que foram amortizadas a juros sobre juros só quitada em 1961. Pois é, e ele governa de 1898 até 1902, sob o clima do abalo do Encilhamento, da agitação política comandada pelo curral eleitoral do patriarcado coronelista com o voto de cabresto nos currais eleitorais e, mais também, do capital estrangeiro que mandava ver a partir de então por aqui.
Eita, já estamos em 1900, pleno século XX. E isso é pano para outras mangas. E vamos aprumar a conversa, ta? E tataritaritatá!

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais FECAMEPA.



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