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domingo, outubro 10, 2021

TRAPIELLO, KOI-GUERA, EDISCA & DORA ANDRADE, GILDA OSWALDO CRUZ, JOSÉ LUIZ PASSOS

 

 

TRÍPTICO DQP – A vida e o que será morto... - Ao som do álbum Meus caros pianistas - O piano de Claudio Santoro (Biscoito Fino, 2001), da pianista Gilda Oswaldo Cruz. - A vida e o trâmite entre a tarde quase noite, a solidão e eu sequer me dei conta de que estava à procura de algo que não sei. Sei, no de repente, ouvi Aristófanes: O amor é uma forma de procurar por nós mesmos. E isso para quem fora antes de tudo a soberba da completude de um rotundo autossuficiente, de quádruplas pernas, braços e orelhas, dupla faces e genitálias, desassossegado agora por não saber decifrar o mito da androginia e ter sido dividido ao meio pelos deuses e atormentado pelo pavor do envenenamento – ora, onde não a peçonha da destrutividade, se me via atravessado pelos horrores e a inanição, metido nos teoremas de Kurt Gödel: condenado à falta e à busca por reencontrar o que perdi, se é que não me desconstruí de vez na vida, se não me falta a capacidade constante de me refazer a cada instante. O que sei de mesmo, só nenhuma certeza e com tudo por terra. Ainda assim, lá vou eu incompleto e errante, a testemunhar Alcestis no Banquete de Fedro: morrer por amor para salvar o outro. Na verdade, era como se autodevorasse na milenar cerimônia totêmica, a perpetuar a eucaristia, o canibalismo, sim, a angústia do lobo e a perturbação da gula, outros tantos paradoxos. Coisa estranha isso de se pensar e entender. Ali mesmo presenciei o espetáculo da Edisca (1997). Eita! Logo a bailarina Dora Andrade apontou pro Koi-Guera, o genocídio dos Jangurussu de Caucaia. Sabia tratar-se do morticínio de todas as nações indígenas do meu país, ao mesmo tempo em que sentia, noutra instância desconhecida, a ressurreição dos meus caetés que vinham soturnos a mim para que entendesse o real abraço e o que a falta dada pelo outro no equívoco do acolhimento dos dagora. Ali como hoje senti meus pedaços se esfacelarem, tornando-se objetos estéticos, e minhas entranhas eram só a decomposição sinistra para satisfazer a quem não sei, mas que eram mesmo ready-mades de Duchamp pulsantes ainda apesar do meu dilaceramento. Eles, os meus, me viam e me mostrava isso e mais eviscerava ao ser descartado pela indiferença, e mais desmembrado a me derramar ao abandono do desdém na poeira do esquecimento. Eles comigo, não estava enfim só. Ao que me restava, logo a grata surpresa de não me esvair de vez, porque surgiu do nada o escritor José Luiz Passos a me saudar no meio da tragédia: ... para mim, a principal diferença é a mediação da distância.... A distância não é apenas um dado factual da minha situação... é parte de uma temática da minha ficção, que é sobre espaços ou tempos distantes que não são meus. Assim eu sabia o que não era eu nem meu, ele também, e sequer sabia lá o que devia dizer, ao que ele me contou da sua Catende que muitas vezes fui danado para lá folgar do lazer e ócio, das moças lindas que enamorei e tive quantas noites de dias ensolarados, e me contou das Ruínas de linhas puras, d’O sonâmbulo amador e do Nosso grão mais fino, e mais do Romance com pessoas, do Marechal de costas, da Antologia fantástica da República Brasileira e d’A órbita de King Kong, e a conversa era boa de se perder os ponteiros do relógio e qualquer ponto de chegada ou saída, até sermos surpreendidos pelo escritor espanhol Andrés Trapiello que nos instou dalgo que sequer imaginávamos: Seria um crime desaparecer porque ali, todos os domingos, acontece algo muito importante: a ressurreição de uma parte da cidade representada nos seus vestígios, que são ressuscitados através de um rito secular: a barganha, que se aperfeiçoou ao longo do séculos... O que para mim era o meu lugar e a vizinhança da Mata Sul pernambucana, para ele era a Madrid dele, cada qual a sua cidade e afetos. E eu ali jamais poderia sacar se a humanidade havia perdido a capacidade de amar, enquanto eu insistia ainda em não morrer entre o lixo e o letal, portas arrombadas e sucatas aos monturos. Eles se foram e fiquei só.

 


Em outras palavras... - Imagem: a arte da artista e escritora francesa Valentine Hugo (1887–1968). – Da minha parte sabia que aquilo tudo era só por um momento, tudo passaria, todos passarão, restaria sozinho e com os pensamentos vagando caleidoscópicas lembranças. Desacompanhado é o meu exercício diário, mesmo que muita gente transite ou mesmo orbite minha loucura, há de escapar inevitavelmente. De resto, não mais Lolita, agora outra como se fosse a Mademoiselle da Fala, memória (Alfaguara, 2014), de Nabokov: Ela gastara toda a sua vida em se sentir desgraçada; essa desgraça era seu elemento natural; suas flutuações, profundidades cambiantes, só isso dava a ela impressão de movimento e vida. O que me incomoda é que a uma sensação de desgraça, e mais nada, seja insuficiente para tornar uma alma imortal. Minha enorme e amorosa Mademoiselle está muito bem na terra, mas é impossível na eternidade... E me confidenciou enquanto conferia com o olhar toda a situação ao redor: Inicialmente, eu não tinha consciência de que o tempo, tão ilimitado à primeira vista, era uma prisão. Ao examinar minha infância (que é a coisa mais próxima do prazer de examinar a própria eternidade) vi o despertar da consciência como uma série de flashes espaçados, com intervalos entre eles diminuindo aos poucos até se formarem claros blocos de percepção, fornecendo à memoria um apoio escorregadio... Ora, tudo que me dissera parecia mais ler em minha mente, inteiramente confuso com os últimos acontecimentos, seguir adiante, vez que era tudo isso que me ocorria ali e em todo momento. Ah, não, apenas a memória, assim seguia.

 


Viver e a solidão, solitude... - Imagem: a arte da artista argentina Liliana Maresca (1951- 1994) – Um outro enredo a cada instante e as narrativas emergem, era eu agora solitário escriba Theodore no torpor das minhas emotivas cartas pessoais. Sempre gostei de escrever meus garranchos e eis-me agora enredado na trama de Her (2014) do Spike Jonze, curtindo as perdas e danos de quem estava de caras com o término de um devastador relacionamento amoroso. Ali eu me valia de uma desconhecida, que me encantou com as suas feições da atriz estadunidense Amy Adams: O amor é uma forma de insanidade socialmente aceitável. A vida é curta, e todos merecemos um pouco de felicidade. Longe de discordar eu assentia sabendo da cilada de Samantha que se passava pela Scarlett Johansson e sorria satírica e efusivamente com o futuro do pretérito de Fabos fanáticos do mico Coisonário, dando baixa com o extermínio dos meus vivos e mortos, e eu a me perguntar aflito quanto valia a vida na festa da escola de tiro, a pontaria de uma arma inexorável pelas queimadas pantaneiras, amazônicas, sertanejas e litorâneas, balas que cruzavam e eu doía a me desvencilhar disso tudo, quase sem escapatória e o terror era mais que real. Ela então me acolheu dentro de si, e guardou meu desamparo na sua amável deificação. Mais que grato, para ela cantei o Amor: maior a dívida do seu penhor porque o amor é mútua condecoração. E nela adormeci o prazer da vida. Até mais ver.

 

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domingo, setembro 05, 2021

LAWRENCE FERLINGHETTI, ALEX CAPRILES, ANKE FEUCHTENBERGER, LILLIAN CONSTANTINE & CAROL ITO

 

 

TRÍPTICO DQP – Entre ditos & desditos... - Ao som do Jubileu das Cordas 50 Anos de Violão (2019), do violonista e compositor Henrique Annes. - Os fantasmas brincalhões da minha convivência hibernaram num vasto e quinquenal silêncio. Para quem vive de trela com os visinvisíveis, nenhuma graça emerge na álgida noite que povoa os amanheceres desde então. É tudo tão noturno, da sombria sobrevivência, um ou outro insone abantesma aparece entre tantos trogloditas raivosos vivinhos da silva atrapalhando a conversa, de logo desaparecem neste tempo de Fecamepa do mico Coisonário. Para mim uma primavera perdida se aproxima apesar de hesitante e tão longínqua, de restar apenas uma indagação: qual independência de mesmo é a deste dia 7 de setembro, hem? Equivocações reiteradas, parece. Sim, isso mesmo. Para minha extemporânea satisfação, constato a chegada do poeta Lawrence Ferlinghetti a me dizer que O mundo é um ótimo lugar e, diante da minha anuência para lá de desconfiada, recita um verso: Piedade para a nação - óh, piedade para os homens / que permitem que os próprios direitos sejam corroídos / e suas próprias liberdades levadas embora. / Minha Pátria, lágrimas de ti / doce terra de liberdade!... Com ele, ao mesmo tempo, a sensação de júbilo pela interlocução, enquanto um coveiro à espreita interrompe e é muito difícil manter a compaixão, nada impossível. Salve-se quem puder, sou outro a cada passo.

 


Uma & outra... - Imagem: For the Love of Money (2020), da artista estadunidense Katherine Gianaclis (1924-1999), ao som de Epifanie, per voce e orchestra su testi di Proust, Machado, Joyce, Sanguineti, Simon, Brecht (1961), de Luciano Berio, na interpretação de Cathy Berberian & Orchestra della RAI di Roma, 15 Marzo 1969. - Estou atordoado e não poderia ser diferente: meu país naufraga inevitavelmente pelas intermitentes e mais terríveis tormentas desde que Pindorama se perdeu. Sou como todos os demais: vivo à deriva, agarrado a uma boia imaginária que ameaça se dissolver para minha completa exaustão. Vivo de talvez, vez em quando. E me surpreendo com a presença inesperada de Alex Capriles a decodificar este tempo muito louco, insistindo risonho que existe muito mais loucura, crimes e doenças associadas ao dinheiro do que ao sexo ou qualquer outro conteúdo mental. Sorrio amarelo, tento disfarçar, impossível: agora é um mundo complexo e arriscado. Ele então segura firme o meu braço e adverte: É utópico pensar em acabar com o dinheiro. Mas os sofisticados instrumentos financeiros estão desfigurando a noção habitual de dinheiro. Hoje, o conhecimento é mais importante que o capital. O poder, a sexualidade e a fama sempre existirão como paixões humanas. O importante é analisar o lugar que elas ocupam nas nossas vidas... Fiquei sem saber o que dizer nem fazer, olhei pros lados e ele tagarelou persistente enumerando patologias monetárias, comparando situações da potencializada avareza com os pobretões de espírito soberbamente endinheirados, da compulsão pela acumulação e as taras monetárias como graves distúrbios psicossociais. Para quem náufrago sem saída, era como se ocorresse instantaneamente a releitura de Huberman ou revisse as veias abertas de Galeano. Viu-me espantado e fitou meus olhos: Ninguém está imune à decepção. Tornou-se um flagelo e para me livrar passei a encarar semblantes passantes: cifrões ditavam sorrisos e consternações. Ele sorriu, abraçou-me e se despediu com umas palmadinhas nas costas: levou de mim a ignorância do olhar e me deixou olhos agudos de peito aberto.

 


Duas ou mais de amores & violência... - Imagem: arte da quadrinista, ilustradora e jornalista Carol Ito. - Os pensamentos eram os passos dos outros povoando minha mente. Desconcertado, recorri ao banco da praça e nem me dei conta de uma bela jovem já ali aboletada. Era Lillian Constantine, disse-me seu nome e de chofre: Filmei meu próprio estupro e consegui a prisão do meu agressor. Nossa! Baixou os olhos, vi-lhe as mãos e lábios trêmulos. Virei-me para ela, uma jovem britânica na flor dos seus 21 anos, acredito. Tentei demonstrar meu apoio e, com seu jeito cabisbaixo, contou-me daquela noite numa rua escura de Ramsgate, Kent, há 5 anos atrás, lembrando dos mínimos detalhes e a sua opção: havia renunciado o direito à privacidade e filmara o ataque, relatando... Em primeiro lugar, virei a gravação do vídeo no meu telefone e acendi a luz também porque estava escuro como breu onde eu estava e pensei: 'Ok, se ele me ver' estou gravando '- e gritei para ele: Estou gravando você, estou gravando você - ele vai fugir, vai assustá-lo, não vai querer ser pego. Mas ele não se importou nem um pouco. Eu estava tão chocada. Eu estava gritando com ele, xingando, gritando por socorro. Eu pensei: este deve ser um maníaco absoluto. Foi completamente bárbaro. Percebi que ao me contar buscava forças dentro de si para superar o trauma. Enquanto isso, um caleidoscópio de imagens rondava ao nosso redor: da Aracelli de Louzeiro, da bela Inés do Goya de Milos Forman, da Lolita de Nabokov, e outras tão reais e que ocorrera por perto, como a das Sombras do Coração de Gilvanícila, de Telma & Todas as Filhas da Dor, até mesmo das oriundas da Nota Técnica nº 11 - Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde (Ipea, 2014), de Daniel Cerqueira e Danilo Santa Cruz Coelho, dando conta da dramática situação apurada pelo Ministério da Saúde, de que 15% dos estupros registrados foram cometidos por duas ou mais pessoas, e que 11,3% dos casos envolvem crianças vitimadas pelos próprios pais. Era tudo muito perturbador. Ela e eu, suspensos no tempo. Então ela deitou a cabeça desamparada ao meu ombro e, cá comigo, eu teimava, sem dizer palavra alguma, que poderia ser tudo tão diferente, não fossem os impunes Ashraf Miah que vão e voltam escondidos em suas máscaras humanas.

 


Outra a mais & o amor assim... - Imagem: a arte da artista Maria Angela Biscaia. - Naquele encontro nos demoramos e eu me vi Émile e ela transformada na estonteante doméstica, Jeanne Rozerot, como se fosse paixão à primeira vista e ao meu dispor. Na minha cabeça ela era Nana e sequer dali imaginava Germinal. Da praça à intimidade, foi como estalar os dedos e logo cenas dela nos afazeres, provocantemente varrendo a casa, lavando roupa, limpando os móveis, cuidando da casa nas férias em Royan, eu fotografando tudo dentro de casa na rue Saint-Lazare, conversando curiosamente sobre sua vida – era a filha do moleiro e órfã de mãe, castigada pela madrasta, fugiu com sua irmã para viver com a avó e tornar-se a criada ideal dos meus sonhos e desejos. Não fossem tantos acontecimentos, como o Caso Dreyfus, as ameaças de morte, o empreiteiro de fornos e os vapores do monóxido de carbono na perturbada noite com Alexandrine, poderia ter sido feliz por muito mais tempo ao lado dela.

 


Cada um diga o que quiser falar... - A arte da artista, professora e cartunista alemã Anke Feuchtenberger. – Nada pudera, não era abril, nem mesmo o paraíso. Quando me vi sozinho perdido no meio da minha noite interminável, ela reapareceu e era a poeta Leila Ferraz que fez outra escrita da pele para digitar na minha língua um recado de amor. Ela então bailou como se fosse a coreógrafa cubana Alicia Alonso (1920-2019) a recitar suas Lágrimas insuspeitas: Algumas mulheres de minha geração sofreram muito / com a usurpação do tempo que devia ser delas. / Não há ouvidos para meus apelos. / É como se eu tivesse enraizado meus pés em uma terra devoluta / e meus braços se agitassem unicamente com a força dos ventos em fúria. / Doem-me as feridas de um tempo que passa levando consigo / meu corpo e flagelos da alma para a cova rasa do esquecimento. / Mais do que nunca hoje eu fui embora. / Para bem longe, onde a liberdade me escolta presa à arquitetura da satisfação solitária. / Sou uma civilização perdida e isolada do mundo. / Presa em um retângulo de sacrifícios. / Meu desgosto é trágico como uma ópera de cavernas. / Só me resta pouco tempo neste corpo cativeiro de almas. E mais tivemos além da entrega mútua e viva nas mãos que soltaram pela bifurcação dos passos. Dela, o milagre da flor: a escolha de ser livre. Cada um o seu momento, o que vale é o que vai de um coração a outro. Sempre disse sim, cuidei do ouro das cicatrizes. Não ofendi minha sorte, tudo valeu a pena, até o silêncio de uma ideia perdida. Até mais ver.

 

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sexta-feira, julho 03, 2020

NIKKI GIOVANNI, CHARLOTTE GILMAN, ELKE KRYSTUFEK, MARCELO D'SALETE & ROBERTA CIRNE



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: AUTORRETRATO – ENTRE O ERMO E O QUE SOBROU DE MIM – Daquelas indagações pictóricas do Gauguin nenhuma esqueci, nada irrespondível. Sigo por elas e delas me faço existir. No meio do caminho ouvi Kafka: De um certo ponto adiante não há mais retorno. Esse é o ponto que deve ser alcançado. Da lição, a fruta ao alcance da mão, perfume na brisa, gosto do apetite. Sou eterno regresso, reaprendendo. Do que fiz aos ouvidos moucos, se era para inglês ver, já sabia: para baixo tudo ajuda. No íngreme aclive, sempre só. Panta Rhei!

DUAS: PANO DE AMOSTRA - Neste tempo de nenhuns e aloprados, um pé atrás nunca é demais ou inseguro. Mesmo aos bons ventos, escondem-se xis hostilidades. Se precaver pé aqui e ali, dá para não se perder enchendo a rua de pernas. Como tudo que vai parece que vem ou ao contrário, não sei, no banco da praça ouço os versos de Sophia deMello Breyner: Espera / O peso dos meus gestos. / E dormem mil gestos nos meus dedos. Enquanto o mundo gira e todos correm, aqui dentro o espanto é que me faz existir.

TRÊS: MAIS VALE UM TOMA QUE DOIS TE DAREI - O poema rara avis dita o que sou de mestiço com as máscaras de cafuzos e mamelucos, que confundem os incrédulos e procuradores com seus umbigos superiores. Não sou mais nem menos de todos daqui, nem comungo com racistas o tanto de injustiça que sei de cor e todos estão carecas de saber: aqui tudo é de cabeça pra baixo. Valho-me de Nabokov: Nossa existência não é mais que um curto circuito de luz entre duas eternidades de escuridão. Ao homem livre não faz falta um deus. Alter ego, sigo às arengas e mangações com meus trocentos heterônimos, como se um dia jamais fosse igual a outro, pelo menos. Até segunda. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Eu preciso dizer o que sinto e penso de alguma forma - é um alívio! Mas o esforço está ficando maior que o alívio. Morte? Por que toda essa confusão com a morte? Use sua imaginação, tente visualizar um mundo sem morte! A morte é a condição essencial para a vida, não um mal. Pensamento da escritora e humanista estadunidense Charlotte Perkins Gilman (1860-1935), que era utopista feminista radical eautora desse belíssimo poema Um obstáculo: Eu estava subindo um caminho de montanha / Com muitas coisas para fazer, / Assuntos importantes para mim, / e para outras pessoas que eu tive que assistir, / Quando me deparei com um preconceito / Que nem a paisagem permitiu ver. / Meu trabalho urgente não podia esperar, / Meu caminho claro viu, / Meu tempo e força eram limitados, / Um enorme fardo foi trazido; / E esse imenso preconceito lá / Sentando meu passo impedido. / Eu falei muito educado com ele, / Dado seu tamanho exemplar, / Eu pedi para ele se mexer um pouco / E deixe-me passar. / Ele sorriu, mas mexa-se! / Ele nem tentou. / Então eu raciocinei calmamente, / Com o bruto colossal: / Eu não tinha tempo - apenas uma maneira - / Nas montanhas faz frio de inverno. / Eu me expliquei como Salomão. / Ele está sentado lá como um bobo da corte. / Então eu fiquei com raiva, / e eu dancei e uivei e cuspi. / E eu bati e venci ele / Até que eles me machucem; / Ele estava tão bravo quanto eu, / Mas ele ainda estava sentado lá. / E então eu implorei de joelhos; / Eu ainda estaria de joelhos / Se sim, eu esperava mudar / Essa massa teimosa. / Assim como convidar o mercado para deixar La Boquería! / Sentei-me diante dele, impotente, / Enquanto a dor me invadiu. / Brumas rapidamente cobriram a montanha, / Lentamente, o sol estava se pondo. / Quando uma inspiração repentina veio, / quão repentina seria uma brisa. / Peguei meu chapéu, peguei minha bengala, / Meu pacote apertado / Eu me aproximei daquele ser odioso / com um ar distraído, / E eu passei por isso / Como se nunca tivesse existido! Entre as suas obras estão, entre outras, o autobiográfico O papel de parede amarelo (The Yellow Wallpaper, 1892), afora suas luta com a teoria da reforma darwinista e argumentos sobre as contribuições das mulheres à civilização, ao longo da história, numa cultura androcêntrica, razão pela qual publicou Women and Economics: A mulher ideal não recebeu apenas um papel social que a trancou em sua casa, mas também era esperado que ela assim gostasse e fosse alegre, sorridente e bem-humorada.

A POESIA DE NIKKI GIOVANNI
POEMA DA MULHER: sabe, minha vida inteira / está presa / à infelicidade / é meu pai preparando o café-da-manhã / e eu engordando feito uma porca / ou não ter comida / alguma e meu pai provando / sua incompetência / de novo / eu gostaria de saber como eu me sentiria / sendo livre / é ter um emprego / eles não te deixarão trabalhar / ou sem emprego algum / me castrando / (sim, isso acontece às mulheres também) / é ser um objeto sexual se você é bonita / e sem amor / ou ter amor e não sexo se você é gorda / pra trás mulher negra gorda seja uma mãe / avó coisa forte mas não mulher / mulher para diversão mulher romântica necessitada de amor / caçadora de homem comedora de pau sugadora de suor / necessitada de foda mulher necessitada de amor / é um buraco no seu sapato / e comprar um vestido para sua irmãzinha / e ela te dizer que você não deveria / quando você sabe / muito que bem que você não deveria / mas sorrisos são somente algo que damos / para assistentes sociais bem vestidas / não umas para as outras / somente sorrisos de eu sei / seu jogo irmã / o que não é realmente / um sorriso / alegria é encontrar uma barata grávida / e esmagá-la / não encontrar ninguém para se apoiar / deixa sai volta não vire / eu em você cachorro negro / como você ousa se importar / comigo / você não tem bom senso / pois eu sou nenhuma merda e você deve ser menos / que isso para se importar / é uma casa imunda / com a melancia de ontem / e as lágrimas de segunda / pois moças de verdade / não sabem como limpar / é a devastação intelectual / de todo mundo / evitar compromisso emocional / “sim querida eu teria casado com ele / mas ele não tinha diploma” / é pernas tortas e de minissaia / usar perucas pintadas de loiro cicatriz da mamãe / nascida morta meu desprezo sua puta / calcanhar rachado unhas quebradas pó / na minha cara / de quem a vida está presa / à infelicidade / pois é a única coisa / de verdade / que / eu / conheço.
MULHER: ela queria ser um pedaço / de grama no meio do campo / mas ele não concordava / em ser um dente-de-leão / ela queria ser um canário cantando / através das folhas / mas ele se recusou a ser / sua árvore / ela teceu a si própria numa rede
e procurando por um lugar de descanso / se voltou a ele / mas ele ficou parado / rejeitando ser sua quina / ela tentou ser um livro / mas ele não a lia / ela se transformou num bulbo / mas ele não a deixava crescer / ela decidiu se tornar / uma mulher / e apesar de ele ainda recusar / a ser um homem / ela decidiu que estava tudo / bem.
ESCOLHAS: se eu não posso fazer / o que eu quero fazer / então o meu trabalho é não / fazer o que eu não quero / fazer / não é a mesma coisa / mas é o melhor que eu posso / fazer / se eu não posso ter / o que eu quero então / meu trabalho é querer / o que eu já tenho / e ficar satisfeita / que pelo menos / há algo a mais para querer / já que eu não posso ir / para onde eu preciso / ir então eu devo ir / para onde os sinais apontam / mesmo sempre entendendo / que movimentos paralelos / não são laterais / quando eu não posso expressar / o que eu realmente sinto / eu pratico sentir / o que eu consigo expressar / e nada disso é igual / eu sei / mas é por isso que a humanidade / é a única entre os mamíferos / que aprende a chorar.
NIKKI GIOVANNI - Poemas da escritora, editora, educadora e ativista estadunidense Nikki Giovanni, que integrou o Black Arts Movement, tornando-se por isso a Poeta da Revolução Negra. Atualmente é professora titular no Virginia Tech e autora de obras como Black Feeling, Black Talk (1967), Black Judgement (1968), Re: Creation (1970), Black Feeling, Black Talk/ Black Judgement (1970), My House (1972), The Women and The Men (1975), Cotton Candy on a Rainy Day (1978), Woman (1978), Those Who Ride The Night Winds (1983), Knoxville, Tennessee (1994), The Selected Poems of Nikki Giovanni (1996), Love Poems (1997), Blues: For All the Changes (1999), Quilting the Black-Eyed Pea: Poems and Not Quite Poems (2002), The Prosaic Soul of Nikki Giovanni (2003), The Collected Poetry of Nikki Giovanni: 1968-1998 (2003), Acolytes (2007), Bicycles: Love Poems (2009), 100 Best African American Poems (2010), Chasing Utopia: A Hybrid (2013), entre outros. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Se eu pintar alguma imagem sangrenta, você acha que eu trabalho? Abra seus olhos, porra!
ELKE KRYSTUFEK – A arte da artista conceitual austríaca Elke Krystufek que trabalha com uma variedade de mídias, incluindo pintura, escultura, vídeo e arte performática. Veja mais aqui, aqui & aqui. E mais aqui.
&
A ARTE DE MARCELO D’SALETE
A arte do quadrinista, ilustrador e professor Marcelo D'Salete, autor das graphic novels Noite Luz (2008), Encruzilhada (2011), Cumbe (2014) e Angola Janga (2017). Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da premiada quadrinista Roberta Cirne, que é formada em Artes Plásticas, autora de diversas obras em parceria com vários artistas e editora do Sombras do Recife.
&
A música do violoncelista Antônio Meneses aqui.
Homens e caranguejos, de Paulo de Andrade aqui.
Dicionário dos sonhos e outras histórias de cordel, do poeta e xilogravurista J. Borges aqui.
Porto Solidão, de Genesio Cavalcanti aqui.
Música de rua, do poeta José Terra Correia aqui.
Lampioa & Zé Bunito aqui.
&
São Joaquim do Monte aqui & aqui.


quarta-feira, abril 22, 2020

MADAME DE STAËL, RITA LEVI-MONTALCINI, ELIS COSTA, COLETIVO LUGAR COMUM & MANGANGÁ


SALVE O PLANETA TERRA! É AQUI QUE VIVEMOS! - UMA: TODO DIA É DIA DA TERRA! – O planeta é a nossa morada, está muito estragado com a intervenção humana. Tenho para mim que a Terra sou eu e todos nós, o abrigo, assim que eu sinto: ela dispõe para que possamos viver e cumprir a nossa missão. Em troco, testamos bombas nos mares e desertos, poluímos tudo, destruímos os ecossistemas e insanamente proliferamos nossa destrutiva insanidade. Além disso, ainda escravizamos e abusamos uns dos outros como se entre nós pudesse haver alguém melhor ou privilegiado pela força, riqueza ou poder. Uma lição da Rita Levi-Montalcini: Não há raças, o cérebro dos homens é o mesmo. Existem racistas. Nós devemos superá-los com as armas da sabedoria. Para que eu viva em paz e em harmonia com tudo e todos, dela sigo: Melhor acrescentar vida aos dias do que dias à vida. Assim sou e voo. DUAS: DO QUE SATISFAZ E NÃO! - A vida em primeiro lugar. Não é possível que se promova a exposição humana diante de uma situação tão devastadora e letal. É impossível que se pense em vendas e lucros acima da condição humana, sobretudo numa situação emergencial. Recolho de Immanuel Kant a fala mais que apropriada neste e em qualquer momento desastroso: Eu não aceito que a ética do mercado, que é profundamente malvada, perversa, a ética da venda, do lucro, seja a que satisfaz ao ser humano. Só um louco pode desejar guerras. A guerra destrói a própria lógica da existência humana. E dele o sentimento que me faz consternado: A inumanidade que se causa a um outro destrói a humanidade em mim. TRÊS: INVENTO VIVER! - Piso o chão e sou em direção ao Sol se não houver caminhos aos ventos propícios. Persevero a cada passo e voo pelo que inexiste nas aparências, essencialmente a seguir sem ter que mensurar de tempo ou espaço. Ouço Vladimir Nabokov na minha caminhada: Invente o mundo! Invente a realidade! E assim persigo a minha trajetória, no que ele ecoa no coração: Nossa existência não é mais que um curto circuito de luz entre duas eternidades de escuridão. A vida é um grande nascer do sol. Não vejo por que a morte não deve ser uma coisa ainda maior. E renasço a cada dia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Que magia a linguagem do amor toma à poesia e às belas artes! Como é belo amar pelo coração e pelo pensamento! Deixar-te penetrar pelas obras-primas da imaginação, que dependem, todas, do amor; encontrar nas maravilhas da natureza e do gênio algumas expressões a mais para revelar nosso próprio coração. Expressão da romancista e ensaísta francesa, Anne-Louise Germaine Necker, baronesa de Staël-Holstein e mais conhecida como Madame de Staël (1766-1817). Veja mais aqui.

MANGANGÁ & DICIONÁRIO HUMORÍSTICO
Não tenho medo de homem / nem do ronco que ele tem / o mangangá também ronca; vai-se ver, não é ninguém.
MANGANGÁ - Provérbio popular no Nordeste, recolhido do Dicionário humorístico (Leia, 1958), de Folco Masucci. O mangangá é um besouro muito ruidoso, que às vezes assusta, pelo barulho que faz, mas é inofensivo. Assim são certas pessoas, que fazem ameaças em altas vozes, mas se acovardam quando encontram pela frente adversários destemidos. O provérbio serve de advertência a pessoas de tal espécie. Veja mais aqui.

COLETIVO LUGAR COMUM
No Brasil, a dança sempre se organizou no sentido de companhias, com um diretor que gerenciava tudo. Só nos anos 2000 em diante é começaram a surgir os coletivos. Tentamos manter a individualidade e a força criativa de cada um, mas cientes de que estamos tentando criar juntos um algo em comum.
COLETIVO LUGAR COMUM - Ao iniciar suas atividades a partir de agosto de 2007, o grupo de dança Coletivo Lugar Comum reuniu artistas das mais diferentes linguagens, como dança, teatro, música, artes visuais, performance e literatura, tornando-se em um espaço para troca de saberes diversos na busca de propostas que tenham a potência de transformar(nos), esteticamente, politicamente, culturalmente e artisticamente. É formado por Lorena Cronemberger, Cyro Morais, Luciana Raposo, Maria Agrelli, Paloma Granjeiro, Priscilla Figueiroa, Silvia Goes, Maria Clara e Vi Laraia, agregando 14 artistas que se revezam dando aulas uns para os outros, colaborando nas criações, na produção de projetos, na discussão de textos e ideias, na realização de eventos e oficinas, entre outras atividades artístico-culturais. Em 2019, lançou a publicação Comum Singular: 10/12 anos de Coletivo Lugar Comum, organizada por Roberta Ramos, Liana Gesteira e Conrado Falbo, e construída a partir das memórias individuais de cada um, tornando-se uma retrospectiva dos anos de atuação do grupo. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Foram muitos mesmo os obstáculo quando resolvi fazer da dança a minha procissão. Mas nenhum deles se remeteu a minha condição de mulher. Sim, talvez um resquício de uma tradição antiga fizesse com que algumas pessoas, diante da minha dedicação ao trabalho e minha seriedade, estranhassem que sou bailarina. Talvez esperasse de uma bailarina alguém vulgar, rasa. Como disse, um resquício de um tempo que minha profissão era um eufemismo para puta – associação que é outra generalização. Mas quase nunca senti isso. Sempre o estranhamento foi mais direcionado ao entendimento – ou falta dele – de Dança no senso comum.
A arte da bailarina, professora, intérprete e pesquisadora Elis Costa que é licenciada em História pela UPE, Arte-Educadora pela UFPE e Universidade de Coimbra/Portugal, especializanda em Estudos Cinematográficos pela UNICAP, dedicando-se, ainda ao teatro e atuando como integrante do Meu Coletivo de Teatro e da Compassos Cia. de Danças.
A arte do artista plástico e professor Murilo La Greca (1899-1985) aqui, aqui & aqui.
A música da Orquestra Armorial e do Quinteto Armorial aqui.
A poesia de Lourdes Sarmento aqui.
O cordel de Otacilio Batista aqui, aqui & aqui.
As proezas do Biritoaldo aqui.
Cortês aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, março 27, 2020

SUSAN NEIMAN, MARIE UNDER, LAURA ATHAYDE, MARIA LÚCIA PETIT & WANDECKSON WANDERLEY


A VIDA É MUITO MELHOR COM HUMOR - UMA: CONVERSA DE MULHERES – Confinadas num dos salões do Big Shit Bôbras, Xica-Doida sapecou uma de Dorothy Parker: Só exijo três coisas de um homem: que ele seja bonito, insensível e burro. Lesse isso aonde, bestona? Numa revista que eu vi lá no consultório do doutor da mamãe. Mulher, bonito vá lá que seja, tudo bem, mas insensível e burro? Sim, isso mesmo. Apoiada! Homem inteligente serve pra quê? Só para empulhar a gente. E homem delicado, sensível? Vixe! Homem tem que ter pegada, da gente chega arriar murcha, rendida. Agora tem que ser bonitão, parrudo e másculo. Não, não dá, homem tapado, dá não. Tem que dá pra gente mandar. Comigo é assim, ele arrota macheza, mas canta de galo baixinho comigo, porque quem manda sou eu e pronto, está dito e fechado. Ah, mas é muito bom um homem de opinião, com autoridade, mandão. Oxe, mulher, só falta você dizer que gosta de apanhar! Não, apanhar não; mas se ele chegar tarado e aos empurrões para me espragatar na parede, vou adorar e muito! Ah, isso não! Não deu outra, a coisa tomou conta entre prós e contra. Volange mesmo saiu em defesa da amiga, dando uma de Jayne Mansfield: Homens são criaturas com duas pernas e oito mãos! Hem? É. Isso mesmo, uns desgraçados. Aí concordaram: São tudo uns trastes. E rebateram: Homem nenhum presta, todos calçam quarenta! Êêêêê! A gente devia instituir a ginocracia! Vivaaaaaaaa! E agora mesmo, vamos à luta! E saíram para destronar o poderio machista do recinto. Apoiadas! DUAS: CHAMANDO NA GRANDE - Do outro lado e sem saber de nada do enterro voltando, o Doro estava invocado: Esse Coisonário é um desqualificado, tá descendo a ladeira e já se fodeu, nunca mais ganha nada! Cuma? O cara não tem o menor traquejo para governar, só faz merda todo dia e o governo virou o maior bumba-da-bufa! Como é que é? Ele e os ministrecos juntos, nunca vi tanta emboança de inábeis, os caras não têm cintura, tudo enrolado, o reino da burrice! Hem? Esses são da Idade da Pedra, vivem ainda na Terraplana e tudo mais de antanho milênios atrás quando ainda se cagava em pé, só sendo! Ah, eu lá: já tinha resolvido essa crise toda em dois tempos! Como? Ora, ora. Diga, vá, como? Deixa só eu ser eleito que eu digo, ora, sou lá besta de dizer antes pra eles aplicarem, tá doido, tá? Hehehe, sou pobre, mas não sou jumento! Como dizia H. L. Mencken: Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive! TRÊS PARA PARAR DE ENROLAR: VAMOS DAR UMAS GAITADAS, ENTÃO? – Seguinte: pra gente afrouxar mais um pouquinho que a coisa está séria demais nos dias de hoje, melhor a gente se divertir com as doidices das Proezas do Biritoaldo, que já foram publicadas nas revistas Ultra Portal e El Theatro. Uma zona pra maior risadagem. E, também, as maluquices da dupla Tolinho & Bestinha, pense dois caras nó-cego de armar o maior trupé. Ah, vai ser bom para dar umas gaitadas, tomara. Porque já dizia Vladimir Nabokov: Uma boa gargalhada é o melhor pesticida que existe. E vamos aprumar a conversa, gente!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O fato de o mundo não conter nem justiça, nem significado, ameaça nossa capacidade tanto de agir no mundo quanto de entendê-lo. A exigência de que o mundo seja inteligível é uma exigência da razão prática e teórica, o fundamento do pensamento que se espera que a filosofia forneça. [...]. Trecho extraído da obra O mal no pensamento moderno: uma história alternativa da filosofia (Difel, 2003), da filósofa estadunidense Susan Neiman, que com suas reflexões e publicações, expressa que: A maior tarefa da filosofia é ampliar nosso senso de possibilidade. Deveríamos ficar claros que nem impulsos religiosos nem morais genuínos serão expressos em termos que unam os dois essencialmente. Se você considera a religião necessária para a ética, reduziu-nos ao nível ético de crianças de quatro anos. Qualquer ética que precise de religião é má ética, e qualquer religião que tente fazer isso é má religião.

SÍMBOLO DA RESISTÊNCIA: A única luta que se perde é a que se abandona. Pensamento da professora e militante guerrilheira desaparecida Maria Lúcia Petit (1950-1972), que participou da luta armada contra a ditadura militar vigente entre 1964-1985, integrando a Guerrilha do Araguaia. Foi representante da luta contra a exclusão de mulheres na participação política. Foi assassinada e enterrada em sigilo pelos militares no cemitério de Xambioá, envolta num tecido de pára-quedas e com a cabeça coberta por um plástico. Seus restos mortais foram localizados em 1991 e identificados em 1996, sendo sepultados em Bauru-SP. Sua morte foi reconhecida por força da Lei 9140/95 que, nos anexos, constam 136 nomes. Ela e seus dois irmãos, Jaime e Lúcio, são considerados até hoje como desaparecidos.

A POESIA DE MARIE UNDER
Os pacotes de centeio estão empilhados.
Todo mundo está saindo.
O teto da carruagem está levantado.
O viajante por trás
assim como o motorista na frente
ele é pensativo, silencioso.
Ninguém fica na praia,
não é uma alma.
É melhor assim.
Somente as pedras e a água,
as únicas impressões são feitas pelos meus sapatos.
A gaivota chama.
É duro. Eu sei porque.
O vento rasga a água.
E a abelha tira da última flor,
que faz uma rede,
o mel final.
Então eu vou embora
ao longo da costa branca
até que de repente eu vejo
aos meus exploradores solitários
no oceano infinito. Eu congelo como uma pedra.
E paro, como se estivesse cara a cara com Deus.
MARIE UNDER: SOZINHO COM O MAR - Poema da poeta estoniana Marie Under (1883-1980), que, casada e com filhos, apaixonou-se pelo artista estoniano Ants Laikmaa que a convenceu de traduzir seus poemas em alemão para o estoniano. Depois separou-se do marido e casou-se com Artur Adson que compilou os primeiros volumes de sua poesia publicada. Com a invasão da Estônia pela URSS, ela refugiou-se na Suécia, onde passou a morar até sua morte. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
[...] sempre, sempre, sempre amei desenhar. Isso provavelmente veio do fato de que, desde pequena, eu amava quadrinhos. Aprendi a ler com a turma da Mônica – sim, essa é uma história bem comum entre quadrinistas brasileiros! – e adorava copiar os desenhos e criar minhas próprias histórias. Acontece que nunca vi isso como uma carreira possível; portanto, quando chegou a hora de decidir o que fazer depois da escola, fiquei dividida entre o Design Gráfico e a Advocacia. A pressão familiar venceu e acabei indo cursar Direito, o que me levou a parar de desenhar por alguns anos, apesar de jamais ter abandonado a leitura de quadrinhos. [...].
LAURA ATHAYDE - A arte da ilustradora, quadrinista, designer e advogada Laura Athayde, que começou sua carreira participando de publicações coletivas como Zine XXX e Desnamorados, fazendo ilustrações de capas de livros para editoras e seu principal trabalho é a série de HQs curtas Aconteceu Comigo - Histórias Reais de Mulheres, que apresenta relatos reais de situações discriminatórias enfrentadas diariamente por mulheres a partir de histórias recebidas por ela e por meio de um formulário anônimo. Ela lançou em 2018, a premiada HQ independente Histórias tristes e piadas ruins. Veja mais aquiaqui

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A ARTE DE WANDECKSON WANDERLEY
A arte do pintor Wandeckson Wanderley.
A literatura do escritor Pelópidas Soares (1922-2007) aqui, aqui e aqui.
A música da Orquestra Armorial aqui
Pontes imaginárias sob o céu do manguetown: influências do Mangue Beach sobre as políticas públicas no entorno do Rio Capibaribe – uma análise do circuito da Poesia e do Carnaval Multicultural, do geógrafo doutorando pela UFRJ, David Tavares Barbosa aqui.
A arte de Flaira Ferro aqui e aqui.
A poesia de Vanessa Ferreira aqui. 
A arte de Wilmison Calado, o Wil de Igarapeba aqui & aqui.
Cantochão aqui.
Canhotinho & Costa Porto aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...