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sexta-feira, março 27, 2020

SUSAN NEIMAN, MARIE UNDER, LAURA ATHAYDE, MARIA LÚCIA PETIT & WANDECKSON WANDERLEY


A VIDA É MUITO MELHOR COM HUMOR - UMA: CONVERSA DE MULHERES – Confinadas num dos salões do Big Shit Bôbras, Xica-Doida sapecou uma de Dorothy Parker: Só exijo três coisas de um homem: que ele seja bonito, insensível e burro. Lesse isso aonde, bestona? Numa revista que eu vi lá no consultório do doutor da mamãe. Mulher, bonito vá lá que seja, tudo bem, mas insensível e burro? Sim, isso mesmo. Apoiada! Homem inteligente serve pra quê? Só para empulhar a gente. E homem delicado, sensível? Vixe! Homem tem que ter pegada, da gente chega arriar murcha, rendida. Agora tem que ser bonitão, parrudo e másculo. Não, não dá, homem tapado, dá não. Tem que dá pra gente mandar. Comigo é assim, ele arrota macheza, mas canta de galo baixinho comigo, porque quem manda sou eu e pronto, está dito e fechado. Ah, mas é muito bom um homem de opinião, com autoridade, mandão. Oxe, mulher, só falta você dizer que gosta de apanhar! Não, apanhar não; mas se ele chegar tarado e aos empurrões para me espragatar na parede, vou adorar e muito! Ah, isso não! Não deu outra, a coisa tomou conta entre prós e contra. Volange mesmo saiu em defesa da amiga, dando uma de Jayne Mansfield: Homens são criaturas com duas pernas e oito mãos! Hem? É. Isso mesmo, uns desgraçados. Aí concordaram: São tudo uns trastes. E rebateram: Homem nenhum presta, todos calçam quarenta! Êêêêê! A gente devia instituir a ginocracia! Vivaaaaaaaa! E agora mesmo, vamos à luta! E saíram para destronar o poderio machista do recinto. Apoiadas! DUAS: CHAMANDO NA GRANDE - Do outro lado e sem saber de nada do enterro voltando, o Doro estava invocado: Esse Coisonário é um desqualificado, tá descendo a ladeira e já se fodeu, nunca mais ganha nada! Cuma? O cara não tem o menor traquejo para governar, só faz merda todo dia e o governo virou o maior bumba-da-bufa! Como é que é? Ele e os ministrecos juntos, nunca vi tanta emboança de inábeis, os caras não têm cintura, tudo enrolado, o reino da burrice! Hem? Esses são da Idade da Pedra, vivem ainda na Terraplana e tudo mais de antanho milênios atrás quando ainda se cagava em pé, só sendo! Ah, eu lá: já tinha resolvido essa crise toda em dois tempos! Como? Ora, ora. Diga, vá, como? Deixa só eu ser eleito que eu digo, ora, sou lá besta de dizer antes pra eles aplicarem, tá doido, tá? Hehehe, sou pobre, mas não sou jumento! Como dizia H. L. Mencken: Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive! TRÊS PARA PARAR DE ENROLAR: VAMOS DAR UMAS GAITADAS, ENTÃO? – Seguinte: pra gente afrouxar mais um pouquinho que a coisa está séria demais nos dias de hoje, melhor a gente se divertir com as doidices das Proezas do Biritoaldo, que já foram publicadas nas revistas Ultra Portal e El Theatro. Uma zona pra maior risadagem. E, também, as maluquices da dupla Tolinho & Bestinha, pense dois caras nó-cego de armar o maior trupé. Ah, vai ser bom para dar umas gaitadas, tomara. Porque já dizia Vladimir Nabokov: Uma boa gargalhada é o melhor pesticida que existe. E vamos aprumar a conversa, gente!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O fato de o mundo não conter nem justiça, nem significado, ameaça nossa capacidade tanto de agir no mundo quanto de entendê-lo. A exigência de que o mundo seja inteligível é uma exigência da razão prática e teórica, o fundamento do pensamento que se espera que a filosofia forneça. [...]. Trecho extraído da obra O mal no pensamento moderno: uma história alternativa da filosofia (Difel, 2003), da filósofa estadunidense Susan Neiman, que com suas reflexões e publicações, expressa que: A maior tarefa da filosofia é ampliar nosso senso de possibilidade. Deveríamos ficar claros que nem impulsos religiosos nem morais genuínos serão expressos em termos que unam os dois essencialmente. Se você considera a religião necessária para a ética, reduziu-nos ao nível ético de crianças de quatro anos. Qualquer ética que precise de religião é má ética, e qualquer religião que tente fazer isso é má religião.

SÍMBOLO DA RESISTÊNCIA: A única luta que se perde é a que se abandona. Pensamento da professora e militante guerrilheira desaparecida Maria Lúcia Petit (1950-1972), que participou da luta armada contra a ditadura militar vigente entre 1964-1985, integrando a Guerrilha do Araguaia. Foi representante da luta contra a exclusão de mulheres na participação política. Foi assassinada e enterrada em sigilo pelos militares no cemitério de Xambioá, envolta num tecido de pára-quedas e com a cabeça coberta por um plástico. Seus restos mortais foram localizados em 1991 e identificados em 1996, sendo sepultados em Bauru-SP. Sua morte foi reconhecida por força da Lei 9140/95 que, nos anexos, constam 136 nomes. Ela e seus dois irmãos, Jaime e Lúcio, são considerados até hoje como desaparecidos.

A POESIA DE MARIE UNDER
Os pacotes de centeio estão empilhados.
Todo mundo está saindo.
O teto da carruagem está levantado.
O viajante por trás
assim como o motorista na frente
ele é pensativo, silencioso.
Ninguém fica na praia,
não é uma alma.
É melhor assim.
Somente as pedras e a água,
as únicas impressões são feitas pelos meus sapatos.
A gaivota chama.
É duro. Eu sei porque.
O vento rasga a água.
E a abelha tira da última flor,
que faz uma rede,
o mel final.
Então eu vou embora
ao longo da costa branca
até que de repente eu vejo
aos meus exploradores solitários
no oceano infinito. Eu congelo como uma pedra.
E paro, como se estivesse cara a cara com Deus.
MARIE UNDER: SOZINHO COM O MAR - Poema da poeta estoniana Marie Under (1883-1980), que, casada e com filhos, apaixonou-se pelo artista estoniano Ants Laikmaa que a convenceu de traduzir seus poemas em alemão para o estoniano. Depois separou-se do marido e casou-se com Artur Adson que compilou os primeiros volumes de sua poesia publicada. Com a invasão da Estônia pela URSS, ela refugiou-se na Suécia, onde passou a morar até sua morte. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
[...] sempre, sempre, sempre amei desenhar. Isso provavelmente veio do fato de que, desde pequena, eu amava quadrinhos. Aprendi a ler com a turma da Mônica – sim, essa é uma história bem comum entre quadrinistas brasileiros! – e adorava copiar os desenhos e criar minhas próprias histórias. Acontece que nunca vi isso como uma carreira possível; portanto, quando chegou a hora de decidir o que fazer depois da escola, fiquei dividida entre o Design Gráfico e a Advocacia. A pressão familiar venceu e acabei indo cursar Direito, o que me levou a parar de desenhar por alguns anos, apesar de jamais ter abandonado a leitura de quadrinhos. [...].
LAURA ATHAYDE - A arte da ilustradora, quadrinista, designer e advogada Laura Athayde, que começou sua carreira participando de publicações coletivas como Zine XXX e Desnamorados, fazendo ilustrações de capas de livros para editoras e seu principal trabalho é a série de HQs curtas Aconteceu Comigo - Histórias Reais de Mulheres, que apresenta relatos reais de situações discriminatórias enfrentadas diariamente por mulheres a partir de histórias recebidas por ela e por meio de um formulário anônimo. Ela lançou em 2018, a premiada HQ independente Histórias tristes e piadas ruins. Veja mais aquiaqui

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A ARTE DE WANDECKSON WANDERLEY
A arte do pintor Wandeckson Wanderley.
A literatura do escritor Pelópidas Soares (1922-2007) aqui, aqui e aqui.
A música da Orquestra Armorial aqui
Pontes imaginárias sob o céu do manguetown: influências do Mangue Beach sobre as políticas públicas no entorno do Rio Capibaribe – uma análise do circuito da Poesia e do Carnaval Multicultural, do geógrafo doutorando pela UFRJ, David Tavares Barbosa aqui.
A arte de Flaira Ferro aqui e aqui.
A poesia de Vanessa Ferreira aqui. 
A arte de Wilmison Calado, o Wil de Igarapeba aqui & aqui.
Cantochão aqui.
Canhotinho & Costa Porto aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

quinta-feira, fevereiro 20, 2020

MARIA MADALENA, MOLIERE, SARAH KANE, AURADON & GENINHA DA ROSA BORGES



NESSES TEMPOS DE FALSO-MORALISMO, SÓ APERTO O PITOCO DO FODA-SE & BABAU! – LÁ VAI UMA NA BASE DO ÓLEO DE PEROBA: Eita! Haja gente dissimulada nesses tempos líquidos! Não sei como a fábrica de óleo de peroba dá vencimento! O que há de camuflagem não dá para prever em nossa vã hipocrisia. Rolou, tá rolado. Os caras colocam a culpa na provocação: É que ela veio toda reboladeira, com quase tudo de fora, toda exibida e facilzinha, aí o juízo encurtou e a doidice lambeu os beiços! Como é? Por causa disso usam da licenciosidade e avançam no que acham que é moleza, assediam no maior chaveco e blá blá blá de derrubar avião, para sair cantando de galo: Abriu a guarda, mando ver; passo o rodo e como todas! Na horagá: a descompostura! Não é bem assim não, maloqueiro. Ela fecha a cara, a polícia bate na porta e o lero rola na defesa com ar de seriedade: Como é que é? Na caradura: assim e assado. Engaloba delegado, juiz e toda macharia engravatada (se o Coisonário insinua libidinagem com qualquer uma que lhe seja do contra, ora! Que é que se pode esperar?). Pudera, neste tempo de neopentecostal fundamentalismo as coisas quando andam vão para onde mesmo, hem? Pelo jeito, fica tudo pelo dito e não dito – só pra eles, os coisominios, né? E ainda posam de puritanos. Lembrei do Mencken: Mostre-me um puritano e eu lhe mostrarei um filho da puta! LÁ VÃO DUAS, APERTURAS: Moliére mesmo passou por maus bocados! Para ter uma ideia, os atores da época eram mal vistos pela opinião pública e excomungados pela igreja. Ele herdou do pai: tapeceiro da corte; trocou o palácio pelo teatro: foi ator toda sua vida. Tentou abrir um teatro, não deu; empepinou-se tanto que, por conta das dívidas, foi preso duas vezes. Solto, não deixou de causar e tanto e à beça, que até a sua morte virou uma lenda: morreu no palco representando o papel principal de sua última peça, Le Malade imaginaire! Melhor dizendo: encarnava ele um doente imaginário em cena, teve lá um troço e bateu as botas na ribalta, aí de verdade. Dois padres recusaram-lhe a extrema unção e um terceiro chegou quando já era tarde demais. Foi impedido de ser sepultado, porque era acusado pelo clero de representar o falso e o imoral. Graças à esposa dele, Armande, o rei Luís XIV conseguiu que ele fosse enterrado entre os nados-mortos, ou seja, os não batizados e, com um detalhe, durante a noite. Assim foi. E ele: Morre-se apenas uma vez, mas por tanto tempo! Eu prefiro viver dois dias na terra do que mil anos na história. EITA, EXPLICANDO: À BEÇA? Ah, a expressão deve-se a um teitei medonho de brabo! Seguinte: uma treta que envolvia o Tratado de Petrópolis, entre o cabeçudo Ruy Barbosa e o maior da lábia Barão do Rio Branco, fez o prosopopaico ministro demitir-se para advogar a causa do Amazonas de incorporação do Acre, apresentando, inclusive, projeto no senado. O Ruy era fodão mesmo, todo mundo sabe disso! Não perdia uma. Aliás, perdeu uma sim. Foi que um advogado sergipano virado na trepeça, Gumercindo Bessa (1859-1913), sabedor da barra mais que pesada, armou-se como pôde e apresentou argumentos esmagadores tão numerosos e abundantes em favor dos acreanos, que ganhou a causa na maior, tornando-se, por isso, figura respeitada nos meios forenses. O cara desbancou o Ruy, gente! Virou máxima: Você tem argumentos à Bessa, hem?... com o tempo, passou a ser à beça, demasiado, abundante, demasiado. E boco-moco, pacas! Serviu para encher linguiça & vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O apego à matéria gera uma paixão contra a natureza. É então que nasce a perturbação em todo o corpo; é por isso que eu vos digo: Estejais em harmonia… Se sois desregrados, inspirai-vos em representações de vossa verdadeira natureza. Que aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça. Após ter dito aquilo, o Bem-aventurado saudou-os a todos dizendo: Paz a vós – que minha Paz seja gerada e se complete em vós! Velai para que ninguém vos engane dizendo: Ei-lo aqui. Ei-lo lá. Porque é em vosso interior que está o Filho do Homem; ide a Ele: aquele que o procuram o encontram. Em marcha! Anunciai o Evangelho do Reino. [...]. Trecho extraído da obra O evangelho de Maria Madalena (EME, 2018), de José Lázaro Boberg, reunindo o texto gnóstico encontrado no Codex Akhmin e adquirido por Carl Rheinhardt, em 1896. Este evangelho foi publicado em 1955, após o aparecimento da Biblioteca de Nag Hammadi. Trata-se do evangelho de Madalena ou Maria de Madgala, um texto encontrado no Egito do século IV, confrontando com o que sobreviveu em dois fragmentos gregos do século IIII e numa tradução mais longa para o copta do século V, por ser ela a figura feminina mais citada no Novo Testamento. Madalena era um dos apóstolos que narra episódio de Jesus, e que se comunicava com ele por meio de visões depois da ressurreição. Nesta obra, destaca-se ainda o trecho: [...] Maria Madalena se calou, pois até aqui o Salvador lhe tinha falado. Mas André respondeu e disse aos irmãos:"Dizei o que tendes para dizer sobre o que ela falou. Eu, de minha parte, não acredito que o Salvador tenha dito isso. Pois esses ensinamentos carregam ideias estranhas". Pedro respondeu e falou sobre as mesmas coisas. Ele os inquiriu sobre o Salvador:" Será que ele realmente conversou em particular com uma mulher e não abertamente conosco? Devemos mudar de opinião e ouvirmos ela? Ele a preferiu a nós?" Então Maria Madalena se lamentou e disse a Pedro: "Pedro, meu irmão, o que estás pensando? Achas que inventei tudo isso no mau coração ou que estou mentindo sobre o Salvador?" Levi respondeu a Pedro: "Pedro, sempre fostes exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como adversário. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador a conhece bem. Daí a ter amado mais do que a nós. É antes, o caso de nos envergonharmos e assumirmos o homem perfeito e nos separaremos, como Ele nos mandou, e pregarmos o Evangelho, não criando nenhuma regra ou lei, além das que o Salvador nos legou." Depois que Levi disse essas palavras, eles começaram a sair para anunciar e pregar. [...]. Há uma outra obra Maria Madalena - da Bíblia ao Código Da Vinci: companheira de Jesus, deusa, prostituta e ícone feminista (Zahar, 2018), de Michael Haag, analisando a forma como ela tem sido reinterpretada a cada época, desde a sua exaltação como esposa e principal apóstolo de Jesus, tornando-se no Renascimento a deusa da beleza e do amor, e na modernidade uma mulher forte e independente que se transformou em ícone feminista. Por fim, a obra Maria Madalena - O Evangelho Segundo Maria (Geração, 2018), de Armando Avena, um romance em que ela é tratada por Jesus como sua discípula amada e que se nega a casar com ele para salvá-lo da cruz. Imagem do pintor francês Jules Joseph Lefebvre (1834-1912). Veja mais aqui e aqui.

AS MÁXIMAS DE MOLIÉRE - A virtude é o primeiro título de nobreza; eu não presto tanta atenção ao nome desta ou daquela pessoa, mas antes aos seus atos. A virtude neste mundo é sempre maltratada; os invejosos morrerão, mas a inveja é poupada. Todos os vícios, quando estão na moda, passam por virtudes. Quase nos inspiram o desejo de pecar, os mil e um cuidados para o evitar. Prefiro um vício cômodo a uma virtude que fatigue. O escândalo do mundo é o que faz a ofensa, e pecar em silêncio não é pecar totalmente. Viver sem amor significa realmente não viver. Convém em certas ocasiões ocultar o que se traz no coração. Pensamento do dramaturgo, ator e encenador francês Molière (Jean-Baptiste Poquelin – 1622-1673). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

PSICOSE 4: 48, O TEATRO DE SARAH KANE
[...] Estou triste. Sinto que não há esperança no futuro e que as coisas não podem melhorar. Estou farta e insatisfeita com tudo. Sou um fracasso completo como pessoa. Sou culpada, estou a ser castigada. Gostaria de me matar. Sabia chorar mas agora estou para além das lágrimas. Perdi o interesse nas outras pessoas. Não consigo tomar decisões. Não consigo comer. Não consigo dormir. Não consigo pensar. Não consigo ultrapassar a minha solidão, o meu medo, o meu desgosto. Sou gorda. Não consigo escrever. Não consigo amar. O meu irmão a morrer, o meu amante a morrer, estou a matá-los aos dois. Invisto na direção da minha morte. Estou aterrorizada com a medicação. Não consigo fazer amor. Não consigo foder. Não consigo estar sozinha. Não consigo estar com os outros. As minhas ancas são grandes de mais. Não gosto dos meus órgãos genitais. Às 4:48, quando o desespero me visitar, enforco-me, ao som da respiração do meu amante. [...]
SARAH KANE - Trecho da peça teatral Psicose 4:48 – Teatro completo (Campo das Letras, 2001), da dramaturga inglesa Sarah Kane (1971-1999). Trata-se da última peça da autora que marca sua investigação da forma e nela as convenções usuais do teatro são fragilizadas, pois faz referência ao horário do dia em que “a vontade de se matar é mais intensa”, em que a relação entre corpo e mente é rompida entre espaçamentos, a falta de pontuação, a não-definição de onde falam as vozes e até mesmo a não-identificação de determinados trechos da peça. Em sua curta existência, escreveu apenas cinco peças de teatro, das quais a mais conhecida é, sem dúvida, Psicose 4.48, a derradeira delas, visto que, pouco tempo depois de finalizá-la, ela acabou se matando, enforcando-se no banheiro de um hospital de Londres, onde estava internada por causa de problemas psiquiátricos. Dela, alguns pensamentos recolhidos: Sou um plágio emocional, roubando a dor de outras pessoas, incorporando-a à minha, até não me lembrar mais de quem é. O que às vezes confundo com êxtase é simplesmente a ausência de pesar. Depois de perceber que a vida é muito cruel, a única resposta é viver com o máximo de humanidade, humor e liberdade possível. Abrace belas mentiras - a insanidade crônica dos sãos. Eu sou a fera no fim da corda. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo francês Jean-Marie Auradon (1887-1958). Veja mais aquiaqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte da atriz Geninha da Rosa Borges que participou de 63 peças teatrais, 10 gilmes e dirigiu 21 espetáculos aqui.
Fome: um tema proibido (CEPE, 1996), do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973) aqui.
O cordel de Leandro Gomes de Barros (1865-1918) aqui e aqui.
A poesia de Rita Isadora Pessoa aqui.
A arte de Flaira Ferro aqui
Retratos de chumbo aqui
O Pastoril do Rabeca aqui
O município de Jucati aqui & aqui
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


sexta-feira, outubro 31, 2008

GONZAGUINHA, BALANDIER, ELIZABETH EISENSTEIN, MENCKEN, PLUTARCO, GIMNOSOFISTA, MULHERADA & PEIDO


 
ETERNO GONZAGUINHA – Conheci a obra de Luiz Gonzaga Júnior (1945-1991), com o lançamento do seu primeiro álbum, de 1973 (EMI-Odeon), só no seu nome: gostei de cara das canções A felicidade bate a sua porta, Moleque e Sempre eu teu coração. Logo comprei o segundo, o de 1974 (EMI-Odeon), que emplacou os inesquecíveis Pois é, seu Zé, Rabiscos na areia e Galope que era tema de uma novela. O seguinte, Plano de voo (EMI-Odeon, 1975), com a inesquecível Mundo novo, vida nova; e a hilária Geraldinos e Arquibaldos. Depois o de 1976, Começaria tudo outra vez (EMI-Odeon, 1976), com a primeira na levada do jazz, Eu nem ligo; a canção Espere por mim, morena; e a abolerada faixa título. O álbum Moleque Gonzaguinha (EMI-Odeon, 1977), da primeira à última, fechando com Festa/Moleque, todo inesquecível. Veio Recado, de 1978, de chapa com a faixa título na maior, a participação de Milton Nascimento em O que foi feito devera, e Pessoa, com participação de Toninho Horta. Era a vez de Gonzaguinha da vida (EMI-Odeon, 1979), com hits proeminentes: Diga lá, meu coração; Não dá mais pra segurar (Explode coração); o samba Desenredo em parceria com Ivan Lins, contando uma versão hilária do descobrimento do Brasil e fechando, um pout pourri de Luiz Gonzaga. Em 1980, De volta ao começo, um álbum com grandes canções e participações: Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Frenéticas, Marília Medalha e MPB-4, afora os sucessos Ponto de interrogação, Grito de alerta e Sangrando. Em 1981, Coisa mais maior de grande – pessoa, com destaque para as canções Eu queria apenas que você soubesse e Redescobrir. Em 1982, Caminhos dos coração, destacando-se O que é, o que é, Maravida & Caminhos do coração. Em 1983, Alô, alô, Brasil, com canções como Feliz & Um homem também chora (Guerreiro menino). Em 1984, Grávido: com Lindo lago de amor abrindo um álbum fantástico. Em 1985, Olho de lince – trabalho de parto, destacando a canção Mamão com mel. Em 1987, Geral; em 1988, Corações marginais, com a esfuziante É; em 1990, Luizinho de Gonzagão Gonzaga Gonzaguinha; e em 1993, Cavaleiro solitário, reunindo seus sucessos num show ao vivo, isso afora outros discos ao vivo, como o Juntos (1991), com Gonzagão. Veja mais aqui, aqui & aqui.


DITOS & DESDITOS - O amor é a ilusão de que uma mulher é diferente das outras. Pensamento do jornalista, ensaista, satirista e crítico cultural estadunidense Henry Louis Mencken (1880-1956).

GIMNOSOFISTA – [...] Ele [Alexandre] capturou dez dos Gimnosofistas que tinham feito de tudo para fazer os Sabas se revoltarem causando grandes problemas para os macedônios. Estes filósofos tinham a fama de serem inteligentes e concisos ao responderem perguntas, e, portanto, Alexandre fez perguntas bastante difíceis a eles declarando que seria condenado à morte o primeiro que respondesse errôneamente a uma pergunta e assim sucessivamente; em seguida, ordenou a um deles, o mais velho de todos, para ser o juiz no concurso. A primeira pergunta era o que seria mais numeroso, os vivos ou os mortos, ao que um filósofo disse ser os vivos, já que os mortos já não existem mais. A segunda pergunta era o que produzia as maiores bestas, a terra ou os mares, ao que o segundo filósofo disse ser a terra, uma vez que os mares eram parte da terra. A terceira pergunta era qual seria o animal mais astuto, ao que o terceiro filósofo disse: "Aquele que até este momento o homem não descobriu." A quarta pergunta era por que eles induziram os Sabas a se revoltarem, ao que o quarto filósofo respondeu: "Porque eu queria que eles vivessem nobremente, ou então morressem nobremente". A quinta pergunta era o que era mais velho, o dia ou a noite, ao que o quinto filósofo respondeu: "O dia, por um dia"; e acrescentou sobre o fato do rei expressar espanto, que as questões difíceis devem ter respostas difíceis. Passando, então, para o sexto filósofo, Alexandre perguntou como um homem poderia ser mais amado; "Se", disse o filósofo, "ele é o mais poderoso e no entanto não inspira medo." Aos três restantes, a um deles foi perguntado como um homem poderia tornar-se um deus, ao que o sétimo filósofo respondeu: "Ao fazer algo que um homem não pode fazer"; aquele que foi perguntado qual era a mais forte, a vida ou a morte respondeu: "A vida, uma vez que ela suporta tantos males." E a última pergunta ao nono filósofo foi quanto tempo um homem deve viver, ao que ele respondeu: "Até que ele não considere a morte como melhor do que a vida." Assim, então, voltando-se para o décimo filósofo e juiz, Alexander ordenou-lhe dar a sua opinião. O juiz declarou que eles tinham respondido pessimamente, um pior que o outro. "Bem, então", disse Alexander, "deverás morrer primeiro por dar tal sentença." "Isso não pode ser, ó rei", disse o juiz, "a menos que tu disseste falsamente que condenaria à morte o primeiro deles quem respondesse pior. [...]. Trecho extraído da obra Alexandre e Cesar, vidas comparadas (Ediouro, 2002), do historiador, biógrafo, ensaísta e filósofo grego Plutarco de Queroneia (Lucius Mestrius Plutarchus - 45-120dC), acerca do encontro de Alexandre, o grande, com os sábios da Índia, os chamados Gimnosofistas (ou sábios nus). Estes também foram tratados por Diógenes Laércio que observou serem eles pregadores da justiça e consideravam ímpia a prática da cremação, porém achavam lícito o casamento com mãe ou filha, praticavam a adivinhação e prognosticavam o futuro, alegando que os próprios deuses lhes apareciam. Eles diziam ainda que o ar está repleto de formas que se propagam como o vapor e penetram nos olhos dos adivinhos de visão aguçada. Eles proibiam adornos pessoais e o uso de ouro, usavam roupas brancas, dormiam no chão e se alimentavam de vegetais e pão rústico; seus bastões são de junco e usavam para apanhar com sua ponta o pedaço de queijo que comiam. As suas doutrinas estavam assentadas na humildade, austeridade, desapego às riquezas e a relação com as questões metafísicas. Esses filósofos influenciaram as ideias de filósofos gregos como Pitágoras, Demócrito, Pirro e Plotino. Veja mais aqui.

A IMPRENSA E A HUMANIDADE - [...] Quando a atenção se concentra nos grupos já então alfabetizados, torna-se claro que sua composição social requer maior reflexão. Terá a imprensa inicialmente servido ao clero e ao patriciado, como uma “arte divina”?, ou deveríamos antes imaginá-la como “amiga do pobre”? Ela foi descrita dos dois modos pelos contemporâneos, e provavelmente teve as duas funções. [...] Ao admitirmos que a substituição do discurso oral pela varredura silenciosa das linhas e a substituição dos contatos face a face por interações mais impessoais tiveram provavelmente conseqüências importantes, teremos de aceitar a decorrência de que precisamos pensar de modo menos metafórico e abstrato, e mais histórica e concretamente, sobre as diversas modalidades que decorreram, e sobre o modo como diferentes grupos foram afetados. [...]. Trechos extraídos da obra A revolução da cultura impressa: os primórdios da Europa Moderna (Ática, 1998), da historiadora estadunidense Elizabeth Eisenstein (1923-2016).

O PODER EM CENA – [...] A ordem das sociedades diferencia, classifica, hierarquiza e traça os limites proibidos por interditos. Contém e condiciona os papéis e os modelos de conduta. Ela pode ser ‘embaralhada’, desprezada, simbolicamente invertida, se não derrubada. A astúcia suprema é converter estas ameaças em vantagem, em meio de fortalecimento; é preciso fazer papel de fogo, reconhecendo as leis de uma termodinâmica social que exprime a função da desordem no próprio seio da ordem [...]. Trecho extraído da obra O poder em cena (EdUnB, 1982), do etnólogo, antropólogo e sociólogo francês Georges Balandier (1920-2016).

PAPO VAI, PAPO VEM, A MULHERADA...


BELEZA NÃO É FUNDAMENTAL II - PAPO DE MULHER FEIA – Gentamiga, danou-se tudo! Depois que eu postei aquele papo de BELEZA É MESMO FUNDAMENTAL?, que a cambada achou de atochar uma tuia de mail a respeito. A coisa entupiu minha caixa de mails e era só recado assim: "Deus abençoe as mulheres bonitas, e as feias se sobrar tempo”. Ou: "Mulher feia e limão, só com cachaça". Ou ainda: “Mulher feia só serve para peidar em festa”. E alguns mais desabusados: “Eu ia acabar com elas, mas aí os meninos de 14 anos iam morrer na mão... . E acrescentaram nominações para as coitadas das barangas e trubufus, confira a quantidade de nome que tem mulher feia: catira, bazuca, cadanga dos inferno, bagulháo, saco malenchido, desgraça da humanidade, erro da humanidade, hemorróida de cu-de-velho, brinquedo do cão, coisa horrenda, bruxa, micóia, cocô de monstro, javali das trevas, cão chupando manga, çxldkdfmgjgndika, cocoranga, jaburanga, nhãozão, canhão, fubanga, bozenga, catita, sobra de aborto frito, abarroamento, escracho do arregaço, tilanga, guinú, facada no boga, rascunho do capeta, bota terror, azeitona, azmodeu, filhote de cruiz-credo, sombra do capeta, chupa-cabra, forma de fazer capeta, aborto de cadela vesga, trem de dar em doido, trombada de jumento com um trem, catiroba, caticoco, demonio das taquarera, lombriga solitária, bosta de pomba, chulé nas teta, trabuco, pinóia, machorra, fubanga, fumo goiano, ratazana, cambeta, mapa do inferno, mistura de merda com bagulho, Pokemon do diabo, eita, boba torrero! Que é que é isso?



O QUE A MULHER FAZ PRA FICAR BONITA? - O Doro sempre apronta das dele. Agora ele ganhou o opróbrio buliçoso das distintas representantes femininas. Eis que ele achou por bem de cascaviar nas catracas do quengo dele, o que é que a mulher faz pra ficar bonita. Eu disse logo pra ele: to fora, meu! E ele desaforado foi enumerando:
- Premêro, mulé pra ficá bunita se empiriquita toda, muda a cor dos óio, se emperuca e pinta o cabelo, dá um trato na lata e enche a cara de brebote, lambuza os beiços de batom vivo, bota sutiã menor que o tamanho dos peito, aperta o cós da saia pra ficá bem-feita, se depila toda, pinta as unha, rebola toda reboculosa, empina a popa da bunda, anda de salto alto na pontinha dos pés, bota manha na fala, se agatinha revirando as espiada, se faz de difice, fica cheia de nove hora, se arrocha toda, se profuma toda, se ajeita toda, fica frochosa da gente amocegá sua trilha, eita, bicha tinhosa da gota! Até que quano a gente se auto-endoidece-se e leva pra casa no maior festêro, vixe que truvunca! Aí no outro dia qunano a festa é só ressaca, quela desmonta o teretetei todo, a gente s´assusta de dizê: - Vôte, minha fia, de quá qui foi a boléia do tratô qui ocê caiu, hem?
Mas deixando as presepadas do Doro de lado, falando sério: há um concurso na vera promovido pela Vila Mulher. O concurso pergunta: “O que uma MULHER é capaz de fazer para ficar BONITA?” A melhor frase ganha um NOTEBOOK da marca Dell, na cor branca! E se alguma das amigas que você indicou ganhar, você também ganhará um prêmio super legal! Aí, minha, boa sorte e participe. É só acessar: Vila Mulher e concorrer.



UMA PEIDADA BOA FAZ BEM PRA PRESSÃO (E PRA SAÚDE TAMBÉM!!!!)
Verdade gente! O gás peidante pode ajudar a tratar pressão alta, é o que diz um estudo pra lá de seríssimo. Apois veja: O sulfeto de hidrogênio é conhecido por mau cheiro. Na verdade é um gás que liberado em flatulências e em 'bombas de cheiro' pode desempenhar o papel de regular a pressão sangüínea, segundo um estudo da John Hopkins University, publicado pela revista especializada Science. Na verdade, diz o estudo que as pequenas quantidades de sulfeto de hidrogênio – um gás tóxico gerado por bactérias que vivem no intestino humano – é que são responsáveis pelo mau cheiro de flatulências, mas que fazem bem pra saúde, fazem. E eles avalizam. Apois ta. É que o estudo mostra que este gás também é produzido por uma enzima encontrada em células que revestem as artérias sanguíneas, chamada CSE, e ele teria o papel de relaxar essas artérias e baixar a pressão.As conclusões, tiradas a partir de um estudo com camundongos, podem levar a novos tratamentos para a pressão alta. Experiência: No estudo, camundongos geneticamente modificados para ter deficiência da enzima CSE apresentaram níveis de sulfeto de hidrogênio quase nulos, em comparação com camundongos normais. As cobaias com deficiência da enzima apresentavam pressão sanguínea cerca de 20% mais alta do que os normais, resultados comparáveis à pressão alta em humanos. Quando os camundongos modificados receberam um remédio para relaxar as artérias – metacolina – não houve diferença, indicando que o gás é responsável pelo relaxamento. Já se sabe que outro gás, o óxido nítrico, está envolvido no controle da pressão sanguínea. Disse o pesquisador Solomon Snyder: "Agora que sabemos que o sulfeto de hidrogênio tem um papel no controle da pressão, pode ser possível criar terapias com remédios que aumentem sua produção como alternativa para os atuais métodos de tratamento de hipertensão". Bem que eu desconfiava que pressão alta era falta de peidar frouxo. Bem que eu desconfiava mesmo. Essa foi uma dica do amigo Marcus Aranha. Afinal, Tataritaritatá também cuida da sua saúde. Então peide, perca a vergonha e viva bem!
PS: Ah, você tá sabendo daquela da tocha humana? Hehehehehehehehe! Veja mais aqui.

PIADINHA PRA DESCONTRAIR: (colaboração do amigo Chagas Lourenço).
Dois clitóris se encontram:
- Me disseram que você sofre de frigidez...
O outro rapidamente responde:
- São as más línguas... E agora um recado pras mulher feia:





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