
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do maestro e compositor Cláudio Santoro (1919-1989): Sinfonia nº 5, Sinfonia nº 7 & Ponteio;
da cantora estadunidense de jazz Sarah Vaughan (1924-1990): Live in the Michael Fowler Center, Berliner
Jazztage & com Duke Ellington Live at the Berlim; & muito mais nos mais
de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.
PENSAMENTO DO DIA – À
medida que a esfera do trabalho se alarga, a do riso diminui. Tornar-se homem é
aprender a trabalhar, a se mostrar sério. Mas se o trabalho humaniza a natureza, desumaniza o homem. Pensamento do escritor
e diplomata mexicano Octavio Paz (1914-1998). Veja mais aqui e aqui.
ALTERIDADE - [...] As necessidades elevam as coisas,
simplesmente dadas, ao nível de valores. Admiravelmente retas e impacientes na
sua visada, as necessidades não se concedem múltiplas possibilidades de
significação senão para escolher a via única ao ser, não ao celebrá-lo, mas ao
trabalhá-lo. [...] O Desejo do Outro, que nós vivemos na mais banal experiência social, é
o movimento fundamental, o elã puro, a orientação absoluta, o sentido [...]
O Outro que se manifesta no Rosto perpassa,
de alguma forma, sua própria essência plástica, como um ser que abrisse a
janela onde sua figura, no entanto já se desenhava. Sua presença consiste em se
despir da forma que, entrementes, já a manifestava. Sua manifestação é um
excedente (surplus) sobre a paralisia inevitável da manifestação. É
precisamente isto que nós descrevemos pela fórmula: o Rosto fala. [...]. A passividade pura que precede a liberdade é
responsabilidade. Mas a responsabilidade que não deve nada à minha liberdade é
minha responsabilidade pela liberdade dos outros. Lá onde eu teria podido
permanecer como espectador, eu sou responsável, em outros termos, tomo a
palavra [...]. Trechos extraídos da obra O humanismo do outro homem (Vozes, 2009), do
filósofo francês Emmanuel Lévinas (1906-1995). Veja mais aqui, aqui e
aqui.
PROMETEU & EPIMETEU - [...] E
Sofia estava em pé diante do irmão, na pedra extrema do penhasco, o rosto
animado pela vibração do mar, transfigurado, e os ventos brincavam com as suas
negras madeixas [...] E novamete,
após alguns instantes, não lhe bastou isso à temeridade do seu desejo, e então
ela se desinteressou do espetáculo do mar agitado e lançou o olhar para a outra
margem, que tranqüila e silenciosa, com um ar de felicidade, repousava acima de
todo aquele bulício de espumas. Verde e dourada apresentava-se ela, como uma
reminiscência numa festa de bodas, como um coração moço pinta o mundo com as
tintas de sua própria alegria, e a viração daquela margem era feita de graça,
um suave clarão ljhe aureolava a fronte, à volta de seus virgens quadris
brilhava um cinto bordado de ricas cores, saturadas de luz. E diferentes eram
estas cores das muitas que inundam o mundo inteiro com seu liquido fluxo,
escurecidas por um ar espesso, manchadas pelo uso terrestre, exauridas pelo
dilatado trajetyo, com olhos vazios de pensamento e semblante doente. Pois
estas eram esperemidas dos raios mais puros do sol, condensavam em si suco
sobre suco, luzindo com o ardor da brasa, acumulando ousadamente luz sobre luz,
zombando alegremente de todo juízo pusilânime; como quando no ar puro do sul o
papagaio se balançava na arvore pejada de flores, e como quando a borboleta
estende as asas sobre a corola de um lírio, assim em felicidade e delicia
irradiava a região magnífica, e iguais ao azul do céu ritilavam o ouro e o
verde em sua cintura. E enquanto seu corpo se banhava assim na luz e no
deleite, montanhas graves e tranqüilas erguiam-se ao céu a modo de pensamentos,
à maneira da intuição, que, do alto de uma alma sublime, contempla meditativa o
universo – e nos flancos das montanhas cresciam as florestas mudando de
aspecto, e dos cimos numerosos as rochgas se despegavam, se esmigalhavam,
rolando incessantemente como areia até às profundezas do mar convulsionado pela
tormenta [...]. Trechos extraídos da obra Prometeu & Epimeteu (Delta, 1963), do escritor suíço Carl Spitteler (1845-1924), Prêmio
Nobel de Literatura de 1919.
EL DESDICHADO – Eu
sou o tenebroso, - o viúvo, - o inconsolado / príncipe d’Aquitânia, em triste
rebeldia: / é morta a minha estrela, - e no meu constelado / ataúde há o
negror, o sol da melancolia. / Na noite tumular, em que me hás consolado, / o
pausilipo, a Itália, o mar, a onda bravia, / dá-me outra vez, - e dá-me a flor
do meu agrado / e a ramada em que a rosa ao pâmpano se alia... / Sou Byron?
Lusignan? Febo? O amor? Adivinha! / As faces me esbraseia o beijo da rainha: / cismo
e sonho na gruta em que a sereia nada... / Duas vezes o Aqueronte, - é o grande
feito meu, - / transpus a modular, nesta lira de Orfeu, / os suspiros da santa
e os clamores da fada... Poema do poeta francês Gérard de Nerval (1808-1855).
HOMENAGEM AO TEATRO
[...] Depois de ouvir sua emocionada descrição das
dificuldades de uma trupe pobre que não consegue sobreviver no Rio de Janeiro e
viaja pelo país afora, apresentando-se onde acha espaço, Laudelina, atriz
amadora convidada a integrar a companhia, comenta: “Deve ser uma vida
dolorosa!”. A resposta de Frazão é este eloqüente discurso: “Enganas-te, filha.
O teatro antigo principiou assim, com Téspis, que viveu no século VI antes de
Jesus, e o teatro moderno tem também o seu mambembeiro no divino, no imortal
Molière, que o fundou. Basta isso para amenizar na alma de um artista inteligente
quanto possa haver de doloroso nesse vagabundear constante. E, a par dos
incômodos e contrariedades, há o prazer do imprevisto, o esforço, a luta, a
vitória! Se aqui o artista é mal recebido, ali é carinhosamente acolhido. Se
aqui não sabe como tirar a mala de um hotel, empenhada para pagamento da
hospedagem, mais adiante encontra todas as portas abertas diante de si. Todos
os artistas do mambembe, ligados entre si pelas mesmas alegrias e pelo mesmo
sofrimento, acabam por formar uma só família, onde, embora às vezes não o
pareça, todos se amam uns aos outros, e vive-se, bem ou mal, mas vive-se! [...].
Trecho de
cena do Ato I, quadro 1, Cena V de O
Mambembe (M&M, 2002), do dramaturgo,
escritor e jornalista Artur Azevedo
(2855-1908). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
&
O
doce voo no sangue das andorinhas invisíveis do canavial, A cana do Brasil de Maria
Dione Carvalho de Moraes, o pensamento de Padre Antônio Vieira, a música de Silvério
Pessoa & Jacinto Silva, o balé de Ekaterina Krysanova, a
pintura de Iryna Yermolova, a arte de Arthur Brouthers & a poesia de
Vera Salbego aqui.