Mostrando postagens com marcador Gina Pellón. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gina Pellón. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, março 23, 2020

STENDHAL, ETHEL SMYTH, GINA PELLÓN, NICOLE LORAUX, SYLVIA PATRÍCIA, GABRIELA NOGUÈS & ANNA PAES


VAMOS VIVER QUE O NEGÓCIO NÃO ESTÁ PARA BRINCADEIRA - UMA: DANDO MURRO NA PAREDE – Labutou a vida inteira, não saiu do canto. Tentou de tudo e todo jeito, malogros do muito. Assim e assado, caprichava na dose, sapecava temperos variados, nada de cair no agrado. Forçava a barra, recomeço a cada fracasso. Juntou décadas, notoriedade em baixa. Fez concessões sem bater o olho, aliou-se com gato e cachorro, deu pulo de todo jeito, emendou a noite pelo dia, semanas em claro, suador pegando fogo, agora sim, o êxito prometia: é agora ou nunca! Quando tudo estava se encaminhando para o pontapé da celebridade, um inimigo invisível deu as caras e entocou todo mundo. Cadê a plateia, meu? Oxe, todo mundo de quarentena preventiva, ora! E agora? Vá de Nadia Boulanguer: Vencer não é nada, se não se teve muito trabalho; fracassar não é nada se se fez o melhor possível. Guardou os muafos e ficou repassando caraminholas no quengo, ficou na mesma de antes até a tragédia passar. Amanhã será outro dia. Vamos nessa. DUAS: NÃO SE RENDA, PERSISTA! - A primeira queda, inaugura a raladura: Se ajeite, foi só um sopapo. Dias de depressão, recruta na viagem. Levanta o moral, vambora. A segunda, tombou de tirar fino para todo lado: Foi por pouco, aprume a conversa! Não desista. A terceira, desabou. Vixe! Parece mais o fim do mundo, ora! É não. Ajeita a embecada e recomeça na estaca zero, afinal o Sol nasce paratodos! Vá na ideia Moacyr Scliar: É bom ter sonhos. É bom acreditar neles. E é melhor ainda transformá-los em realidade. Aprendeu? Vamos nessa! TRÊS: PELEJAR É PRECISO! – Para quem insistiu que só e ainda não deu: vá na outra e tudo bem. Fazer o quê, zis opções pras escolhas. Tudo passa e às vezes se repete, nem sempre. Dá-se um jeito. Siga em frente, assim que se anda. Não olhe para trás, pode ser um abismo logo na frente. Fique atenta e faça direito. Ninguém está livre de escorregões e vicissitudes. Dedique-se como Modest Mussorgsky: Minha música deve ser uma reprodução artística da fala humana em todas as suas melhores tonalidades. Ou seja, os sons da fala humana, como as manifestações externas de pensamento e sentimento, sem exagero ou violência, devem tornar-se música verdadeira e precisa. Leve a sério, mas nem tão a sério, viu? Sorria que é melhor e mande ver: a vida é pra viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Um romance é como um arco de violino, a caixa que produz os sons é a alma do leitor. Pensamento do escritor francês Stendhal – pseudônimo de Marie-Henry Beyle (1783-1842), que utilizou de muitos outros pseudônimos, sendo este o de reconhecimento póstumo. Órfão desde a infância, além de soldado monarquista, ele foi jornalista e vice-cônsul. O seu nome passou a denominar uma doença psicossomática causadora de aceleração do ritmo cardíaco, vertigens, desmaios, confusões e alucinações, com a exposição de obras de arte. A síndrome de Stendhal ou de Firenze, por ter sido ele acometido por perturbação diante de obras de arte na Basílica de Santa Croce, em 1817, na Itália, durante deleite com os famosos afrescos de Giotto no teto. Assim ele se expressou: Eu caí numa espécie de êxtase, ao pensar na ideia de estar em Florença, próximo aos grandes homens cujos túmulos eu tinha visto. Absorto na contemplação da beleza sublime… Cheguei ao ponto em que uma pessoa enfrenta sensações celestiais… Tudo falava tão vividamente à minha alma… Ah, se eu tão-somente pudesse esquecer. Eu senti palpitações no coração, o que em Berlim chamam de 'nervos'. A vida foi sugada de mim. Eu caminhava com medo de cair”. Veja mais aqui.

MANEIRAS TRÁGICAS DE MATAR UMA MULHER – [...] tomo a decisão de advertir o leitor de que, nas páginas seguintes, o ouvinte da tragédia levará vantagem sobre o espectador: tudo passa pelas palavras, porque tudo se passa nas palavras, principalmente a morte. Investigando as modalidades trágicas da morte das mulheres, nada encontrei que seja visto ou que seja primeiro visto. Tudo começou por ser dito, por ser ouvido, por ser imaginado – visão nascida das palavras e presa a elas. Assim, ao empenhar-me em um longo exercício de leitura, tentei captar, pura e simplesmente, aquilo que dava de imediato ao público antigo o gozo intenso do prazer de ouvir. Palavras lidas para substituir ou mesmo para reencontrar as palavras ouvidas, aquelas que a representação trágica oferecia à escuta ativa do público ateniense. Palavras de duplo ou múltiplo sentido. Em síntese, texto, nada mais que texto. [...] Trecho extraído da obra Maneiras trágicas de matar uma mulher: imaginário da Grécia Antiga (Jorge Zahar, 1988), da historiadora francesa Nicole Loraux, que dividido em três partes, na primeira trata sobre a Corda e o Gládio, abordando o suicídio de mulher por uma morte de homem, a morte desprovida de andreia, a incisão no corpo viril, o enforcamento ou sphagé, a esposa que se lança, o silêncio e o segredo, no thálamos: morte e casamento, a glória das mulheres. Na segunda parte, o sangue puro das virgens: sacrifícios, execuções, liberdades virginais e a glória das moças. Na terceira parte, lugares do corpo, o ponto fraco das mulheres, enumeração do corpo viril e alternativa de Polixena. Curioso o termo “aiora” que é observado pela autora, como sendo: [...] À audição da palavra aiora (ou eora) liga-se à dupla imagem de um corpo suspenso e do ligeiro movimento de balanço que lhe é impresso. Deve-se lembrar que em Atenas aiora era o nome de uma festa em que as representações do enforcamento se associavam à brincadeira do balanço; não se trata aqui, todavia, da Aiora religiosa, e sim da visão induzida pelo emprego trágico da palavra. Aiora de Jocasta, aiórema de Helena: Édipo forçou a porta que Jocasta havia fechado cuidadosamente depois de passar por ela, e todos veem agora a mulher enforcada, “presa ao nó balouçante” (plektais corais empeplegmenen); da mesma forma, para Helena, que não se enforcará, o enforcamento se resumia no termo aiórema. Nesse ponto o leitor de tragédias lembrar-se-á de haver encontrado esta palavra em outro contexto: o da morte por lançamento. Nas Suplicantes de Eurípides, Evadne se prepara para lançar-se ao fogo, junto à rocha elevada (aitheriapetra) que domina a pira fúnebre de seu marido Capaneu [...]. Veja mais aqui.

A MÚSICA ETHEL SMYTH
A arte da compositora e sufragista britânica Ethel Smyth (1858-1944), que participou da Women’s Social and Political Union. Ela foi a autora do March of the Women, tendo sido presa em seguida por partir janelas para chamar a atenção da causa sufragista feminina, sendo condenada a dois anos de cadeia. Ela também é escritora, teve muitos casos amorosos ao longo da vida e desenvolveu relações com Emmerline Pankhurst e Virginia Woolf.
&
SYLVIA PATRÍCIA
Curtindo a arte da premiada cantora, compositora e violonista Sylvia Patrícia, que é de família musical com tradição pernambucana, iniciando sua vida artística aos seis anos de idade e tendo uma discografia com oito álbuns lançados, entre eles, Andante (2010), No radio da minha cabeça (2006), Curvas e retas (1992) e Sylvia (2016), entre outros. Atualmente apresenta projeto de fusão da música brasileira com rumba catalana, junto a músicos como Daniel Cros e Rafalito Salazar, do grupo de rumba catalana Ai Ai Ai. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora cubana Gina Pellón (1926-2014). Veja mais aqui.
&
GABRIELA NOGUÈS DIAS
A arte da pintora Gabriela Noguès Dias. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
ANNA PAES D’ALTRO
A obra A Garça Mal Ferida: A história de Anna Paes d'Altro no Brasil holandês (Lê, 1995), de Luzilá Gonçalves Ferreira, conta a história daquela que viveu no século XVII, cuja vida divide-se entre o sentimento da terra e suas ligações de amor com os cavalheiros flamengos. O incêndio de Olinda e a criação de Recife, a administração de Nassau com sua grande tolerância religiosa frente a um catolicismo marcado pela inquisição são o pano de fundo ao exercício de amor da heroína, na região que é denominada como sem pecado ao sul do equador. Veja mais aqui.
A poesia de Cícero Melo aqui.
A arte de J. Borges aqui & aqui.
A música de Marquinhos Cabral aqui & aqui.
A arte de Thamy Pacheco (Gomes) aqui.
Cordel Tataritaritatá aqui.
O município de Jucati aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


terça-feira, março 27, 2018

LÉVINAS, OCTAVIO PAZ, CARL SPITTELER, GÉRARD DE NERVAL, CLÁUDIO SANTORO & SARAH VAUGHAN, GINA PELLÓN, TEATRO & ARTUR AZEVEDO, NEUROEDUCAÇÃO

DE NOTICIÁRIOS, BOATOS E, AFINAL, O QUE É QUE É, HEM? - Imagem: Passagre de le Nuit, da pintura cubana Gina Pellón (1926-2014). - O movimento do blábláblá não tem fim, oh língua ferina! A Rádio Povo ganha nas estatísticas: pior que o boca-a-boca não há. Diz o riscado: caiu na roda ou foi, ou é, ou está pra ser! Todo dia Fulano diz que foi assim, Beltrano diz que foi assado e, ainda, Sicrano diz que não foi nada disso e começa embolando o meio de campo. Que coisa! Foi, não foi, cada um, uma versão. Uns dizem disso, outros daquilo, entender, que bom, ah, ninguém é normal. Tem quem goste de beber água na orelha dos outros e vice-versa. Bisbilhotar a vida alheia é uma prática perniciosa, já costumeira. Tem gente que não dorme antes de saber das últimas da fofocagem. Pois é, tem quem se preste para cada coisa! A calúnia mesmo já virou moda, a boataria já ganhou status de plantão, e como o levantamento de falso arrombou com o Direito brasileiro, agora é só dizer o que quer e bem entender, e se preparar para ouvir o que não quer. Ôpa! Basta cruzar na rua: Quais as novidades? Saber mesmo pra quê! Diz o ditado: a curiosidade matou o gato. Ah, mas quem acumula mais informação sobre um e outro, senão todos, é sabido, fica por dentro de tudo, não corre tantos riscos, livra-se da esparrela. Tem gente que já vive de vender leva-e-traz, ora. Afora os voluntários que adoram ver o circo pegar fogo. Sabia que aquele outro dia escorregou? Foi mesmo? Ah, nem te conto: aquelazinha ali já era. É mesmo!?! Também faliu Zé dos grudes! Nossa! A mulher dele, depois de duas de quinhentos, se mandou! Num diga! Sabe da última? E ainda tem? Nem é tão atual assim. Aí é só o repeteco: deitam amiudada a queimação de filme de quem caiu em desgraça. Tintim por tintim. Você não sabia? Você está por fora meeeesmo! E eu que não sei nem a diferença da repimboca da parafuseta da tarraqueta de Itapipoca? Desliguei. Ora, ora. Não é a mesma coisa? A mesma coisa é um caminhão carregado de japonês com um guará no volante da boleia pensando que é cana-de-açúcar! Aí, sim. Vixe! Ah, por que japonês não fotografa outro? Ué, porque só sai flash! Já dizia Millôr: Deus não existe; se existisse, os japoneses já tinham fotografado. Valha-me! O que é que é? Pronto, virou adivinha. E tem quem dê um doce pra quem matar a charada. E isso estampado em revista popular, nos canais de tevês e nas redes sociais. O povo gosta é de fofoca mesmo, hem? Voyeurismo puro. Onde é que tem um buraquinho pra brechar? Bem, os incomodados mandam logo procurar o da mãe – a dele -, né não? E queimam o próprio rabo: língua falou, cu pagou! Eu, hem! Por bem ou por mal confundiram tudo: comunicação é fuxico, senão difamação, especulação, falatório. Olhe lá onde vai botar esse focinho enxerido, viu? A vida dos outros não é brincadeira! Eu que livre meu espinhaço das más línguas, ô-rô! Tiro o meu da reta e fui! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do maestro e compositor Cláudio Santoro (1919-1989): Sinfonia nº 5, Sinfonia nº 7 & Ponteio; da cantora estadunidense de jazz Sarah Vaughan (1924-1990): Live in the Michael Fowler Center, Berliner Jazztage & com Duke Ellington Live at the Berlim; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAÀ medida que a esfera do trabalho se alarga, a do riso diminui. Tornar-se homem é aprender a trabalhar, a se mostrar sério. Mas se o trabalho humaniza a natureza, desumaniza o homem. Pensamento do escritor e diplomata mexicano Octavio Paz (1914-1998). Veja mais aqui e aqui.

ALTERIDADE - [...] As necessidades elevam as coisas, simplesmente dadas, ao nível de valores. Admiravelmente retas e impacientes na sua visada, as necessidades não se concedem múltiplas possibilidades de significação senão para escolher a via única ao ser, não ao celebrá-lo, mas ao trabalhá-lo. [...] O Desejo do Outro, que nós vivemos na mais banal experiência social, é o movimento fundamental, o elã puro, a orientação absoluta, o sentido [...] O Outro que se manifesta no Rosto perpassa, de alguma forma, sua própria essência plástica, como um ser que abrisse a janela onde sua figura, no entanto já se desenhava. Sua presença consiste em se despir da forma que, entrementes, já a manifestava. Sua manifestação é um excedente (surplus) sobre a paralisia inevitável da manifestação. É precisamente isto que nós descrevemos pela fórmula: o Rosto fala. [...]. A passividade pura que precede a liberdade é responsabilidade. Mas a responsabilidade que não deve nada à minha liberdade é minha responsabilidade pela liberdade dos outros. Lá onde eu teria podido permanecer como espectador, eu sou responsável, em outros termos, tomo a palavra [...]. Trechos extraídos da obra O humanismo do outro homem (Vozes, 2009), do filósofo francês Emmanuel Lévinas (1906-1995). Veja mais aqui, aqui e aqui.

PROMETEU & EPIMETEU - [...] E Sofia estava em pé diante do irmão, na pedra extrema do penhasco, o rosto animado pela vibração do mar, transfigurado, e os ventos brincavam com as suas negras madeixas [...] E novamete, após alguns instantes, não lhe bastou isso à temeridade do seu desejo, e então ela se desinteressou do espetáculo do mar agitado e lançou o olhar para a outra margem, que tranqüila e silenciosa, com um ar de felicidade, repousava acima de todo aquele bulício de espumas. Verde e dourada apresentava-se ela, como uma reminiscência numa festa de bodas, como um coração moço pinta o mundo com as tintas de sua própria alegria, e a viração daquela margem era feita de graça, um suave clarão ljhe aureolava a fronte, à volta de seus virgens quadris brilhava um cinto bordado de ricas cores, saturadas de luz. E diferentes eram estas cores das muitas que inundam o mundo inteiro com seu liquido fluxo, escurecidas por um ar espesso, manchadas pelo uso terrestre, exauridas pelo dilatado trajetyo, com olhos vazios de pensamento e semblante doente. Pois estas eram esperemidas dos raios mais puros do sol, condensavam em si suco sobre suco, luzindo com o ardor da brasa, acumulando ousadamente luz sobre luz, zombando alegremente de todo juízo pusilânime; como quando no ar puro do sul o papagaio se balançava na arvore pejada de flores, e como quando a borboleta estende as asas sobre a corola de um lírio, assim em felicidade e delicia irradiava a região magnífica, e iguais ao azul do céu ritilavam o ouro e o verde em sua cintura. E enquanto seu corpo se banhava assim na luz e no deleite, montanhas graves e tranqüilas erguiam-se ao céu a modo de pensamentos, à maneira da intuição, que, do alto de uma alma sublime, contempla meditativa o universo – e nos flancos das montanhas cresciam as florestas mudando de aspecto, e dos cimos numerosos as rochgas se despegavam, se esmigalhavam, rolando incessantemente como areia até às profundezas do mar convulsionado pela tormenta [...]. Trechos extraídos da obra Prometeu & Epimeteu (Delta, 1963), do escritor suíço Carl Spitteler (1845-1924), Prêmio Nobel de Literatura de 1919.

EL DESDICHADOEu sou o tenebroso, - o viúvo, - o inconsolado / príncipe d’Aquitânia, em triste rebeldia: / é morta a minha estrela, - e no meu constelado / ataúde há o negror, o sol da melancolia. / Na noite tumular, em que me hás consolado, / o pausilipo, a Itália, o mar, a onda bravia, / dá-me outra vez, - e dá-me a flor do meu agrado / e a ramada em que a rosa ao pâmpano se alia... / Sou Byron? Lusignan? Febo? O amor? Adivinha! / As faces me esbraseia o beijo da rainha: / cismo e sonho na gruta em que a sereia nada... / Duas vezes o Aqueronte, - é o grande feito meu, - / transpus a modular, nesta lira de Orfeu, / os suspiros da santa e os clamores da fada... Poema do poeta francês Gérard de Nerval (1808-1855).

HOMENAGEM AO TEATRO
[...] Depois de ouvir sua emocionada descrição das dificuldades de uma trupe pobre que não consegue sobreviver no Rio de Janeiro e viaja pelo país afora, apresentando-se onde acha espaço, Laudelina, atriz amadora convidada a integrar a companhia, comenta: “Deve ser uma vida dolorosa!”. A resposta de Frazão é este eloqüente discurso: “Enganas-te, filha. O teatro antigo principiou assim, com Téspis, que viveu no século VI antes de Jesus, e o teatro moderno tem também o seu mambembeiro no divino, no imortal Molière, que o fundou. Basta isso para amenizar na alma de um artista inteligente quanto possa haver de doloroso nesse vagabundear constante. E, a par dos incômodos e contrariedades, há o prazer do imprevisto, o esforço, a luta, a vitória! Se aqui o artista é mal recebido, ali é carinhosamente acolhido. Se aqui não sabe como tirar a mala de um hotel, empenhada para pagamento da hospedagem, mais adiante encontra todas as portas abertas diante de si. Todos os artistas do mambembe, ligados entre si pelas mesmas alegrias e pelo mesmo sofrimento, acabam por formar uma só família, onde, embora às vezes não o pareça, todos se amam uns aos outros, e vive-se, bem ou mal, mas vive-se! [...].
Trecho de cena do Ato I, quadro 1, Cena V de O Mambembe (M&M, 2002), do dramaturgo, escritor e jornalista Artur Azevedo (2855-1908). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Palestra: Neuroeducação & práticas pedagógicas no ensino-aprendizagem & muito mais na Agenda aqui.
&
O doce voo no sangue das andorinhas invisíveis do canavial, A cana do Brasil de Maria Dione Carvalho de Moraes, o pensamento de Padre Antônio Vieira, a música de Silvério Pessoa & Jacinto Silva, o balé de Ekaterina Krysanova, a pintura de Iryna Yermolova, a arte de Arthur Brouthers & a poesia de Vera Salbego aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

NORA NADJARIAN, LAUREN WEISBERGER, CAROLINE DEAN, MAGDALE ALVES & CARMEN CAMUSO

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som do álbum The Changing Sky (2025), da violonista e premiada compositora britânica Laura Snowden .   ...