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sábado, agosto 15, 2026

LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.


 

Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca, sobe-desce na sua fubica incrementada, todo ancho a viandar pela rodovia Gonzagão. Ah, chega ele devaneava pelas paradisíacas escarpas íngremes neblinosas do Planalto da Borborema. Ali atravessou túneis e, pela alta Ponte Cascavel, acelerou empáfia de piloto macho, amostrando-se pra si nas cantadas de pneus pelas curvas acentuadas, quando, ao destampar numa delas deu-se o desembesto: deparou-se com uma formosa estranha, com o braço estirado prum breque: Pare! Um desmantelo. Ela estava exatamente postada no meio da faixa, obrigando-o a morder a língua desastrado, numa frenagem cabulosa, dele se estabocar todo e botar pra valer toda sua perícia ineivada: virou bruscamente o volante, botou pro lado, puxou o freio de mão de quase arrancá-lo num cavalo de pau arretado, enrolou-se todo girando às piruetas tresloucadas, pronto para se espatifar de qualquer jeito, deus o livre e guarde, tei bei. Mas, não, bastante ágil, livrou-se duma barroada na barreira e, às rodadas vexaminosas, desaprumou-se de quase ser arremessado ao precipício, valha-me! Nada. Aí, retomou habilmente o tino e o que restou de prumo, acionou alucinado a tração nas 4 rodas, as traseiras estavam no ar já fora do asfalto pra rebentação e, numa acelerada brusca, cantou os dois pneus dianteiros que restavam no solo, vupte! E salvou-se de desabar ribanceira abaixo. Ufa! Depois de muito atrapalho, às reviravoltas, levantando poeira no saçaricado, finalmente, todo desarrumado estacionou atravessado diante da beldade. Mão enxugando o suor da testa, sacudia o corpo entrevado e, com ar de superioridade, esperou a poeira baixar. No meio da fuzarca apareceu a dita cuja firme e chistosa: Essa geringonça mata sapo e espalha merda, né? Hum, gracinha. Reconheceu-a e não era um bom sinal: É você mesma ou uma das irmãs Stepfoad, uma de seus clones? Indignada, cerrou as pestanas e fez uma careta de reprovação. Não, não era. De mesmo, era a indestrutível Rainha Branca, a supervilã do Helfire Club, tão difusa ali, personalidade fria, calculista, poliândrica, arrogante e, ao mesmo tempo, sarcástica, com todos os seus atavios charmosos e a ronronar sua repugnância: Você, humano, é uma criatura inferior! Êpa, calma aí! E ao vê-lo afastar-se do veículo, ela apontou o dedo, sinistra: Vou levá-lo pra Kroaka, é melhor não resistir, se poupe. Olhou dos pés à cabeça e lá estava ela, atraente catadura, com toda sua elegância de femme fatale, seu estilo marcante, seus cabelos louros esvoaçantes no olhar penetrante, sua atitude dominante nas vestes níveas, seus lábios carnudos proeminentes, seios opulentos, as botas nas coxas voluptuosas, um mulheraço dinamitando suas ideias. Veja só: não sou Ciclope nem Toy Stark, nem o Namor, muito menos Sebastian Shaw; também não sou aliado da Casandra Nova, nem de Esmee que atirou despedaçando sua forma diamante; sou de paz, saiba logo. Não resista, você não sabe com quem está lidando. Ora, se sei. Sabe mesmo? Claro. Sou Emma Grace Frost: é pro seu bem! Sei, Hazel Kendal, muito prazer! Ela arregalou o olho ao ouvir seu codinome. Reluta? Nunca. Dissimuladamente ela começou a deslizar o zíper das vestes, desabrochando sua nudez e ele sabia: Vai ser agora! E ao se aprumar no salto pra bater os calcanhares e gritar a palavra mágica, nem deu tempo balbuciar as primeiras sílabas: Sabari... Estava desprevenido pra vilania dela e, com asco estrangulador, atingiu-o com uma rajada de raios psiônicos, vixe! Lascou-se. Nele tascou todo o seu poder ameaçador de nível ômega, acometendo-o de ilusões telepáticas: Não resista! O golpe foi quase letal e, por um instante, ao voltar a si: Ela me nocauteou! Um reles humano diante de uma heroína sobre-humana: Perdi a parada! Ela achegou-se com toda cupidez e, revestida pela pele de diamante indestrutível, jogou-lhe seus poderes inigualavelmente aterradores. O cara inchou e bufou de quase estourar-se aos cacos pra todo lado, rendido a cumprir sua pena: nova carga dela aos golpes certeiros e ele se contorcia de dores, aos gritos. Enquanto isso, ela vasculhava sua mente, inutilizando-o. Quando, de repente: Peraí! Entre as memórias dele a presença dela: Como pode? Investigou melhor e reviu cenas: o ataque do viajante temporal, em que ela entrou em coma: Não pode, quem me socorreu? Quem me levou para ser cuidada na Mansão X? Não pode ser. E aprofundou-se na averiguação: Foi ele quem me levou para ser restaurada por Jean Gray; foi ele quem me avisou que o Dr. Sublime havia roubado meus óvulos e foi quem me deixou ciente de que fui traída por Ciclope, que roubou meus poderes. A certidão inevitável: Foi ele quem me salvou quando fui presa pelos Vingadores. E ao passar tudo por seu escrutínio, suspendeu o martírio. Era tarde, o cara parecia mais que já tinha partido dessa para melhor. Foi não! Agora, só na outra! Oxe! Bem, escapou dessa. Ao despertar, ele notou o silêncio ao redor: se sentia como se estivesse num Caixão da Tortura. Suspeitava, à espreita: Estou numa prisão inexpugnável. O hostil rondava e se sentia como coagido por um tridente invisível, aprisionado numa teia inextricável. E meio que alucinado, não dizia coisa que valesse: Estou debilitado demais... Não lembrava quem era nem do que havia passado. Teve um susto violento com a chegada repentina de uma bela mulher: Quem é você? Onde estou? Você já se restabeleceu, vou recuperar sua memória. Ah, você... O que houve? E ela silenciosa, depunha sobre a mesa uma tranqueira de coisas: uma mordaça, vendas, cordas, máscaras, chibatas, algemas, velas, gelo. adereços. Alguém vai ser castigado? Ela virou-se pra ele, era um álibi: brincadeira de adulto. E esbravejou pra ele: Sou Ishtar e você meu servo, sirva-me! Ora, você, uma heroína; eu, apenas herdei a maldição da minha vó. Obedeça-me: Sou Fílis, ajoelhe-se Aristóteles, tire minhas botas. À soberba dela, humilhado, ele se prostrou. Via-se insignificante diante daquele poderio persuasivo: irresistivelmente insinuante. Foi estapeado, puxado pela coleira no pescoço, engatinhando ao mando dela. Era questão de tempo arrumar um jeito de se esquivar disso, pensava. E ao tomá-lo servil, a Disciplinadora de Bétula mudou subitamente: Dessa vez, não. E agachou-se frente a frente, beijou-o e jogou-o pra lateral, aninhando-se podólatra mandona: A dominatrix se rende, quero pirá-lo. E não aceito não como resposta, nem seja analfabeto sexual, destrave-me! Do contrário, vou esmagá-lo: sou a vingativa Mimi Bouvier do Bitter Moon. Ele espantou-se, mas logo compelido a cumprir seu papel, atreveu-se mãos e pernas, bocas e sexo. Ela sussurrava soletrando: Amarelo!... E se engalfinhavam. Ela, agora, submissão em pessoa: Quero sempre mais, assim 24/7. Ele tomou seus pulsos, a crucificá-la nua. Ela rosnava medonha: Amarre-me, possua-me, ou eu o aniquilarei - sou Vanda Jourdain como La Vénus à la fourrure. Empolgado, usou de extrema força para domá-la, a maldizer entredentes coisas dos que mandam para os que são mandados, dos que pisam para os que são pisados, dos que chafurdam na coação e o doloroso prazer do coagido, os grunhidos dela: Mate-me, ou vou exterminá-lo! Ela rugia asfixiada, Vênus das Peles; ele, performático a supliciá-la na Cadeira de Judas, sodomizando a leoa que bramia estertorante, empalando-a com sua Pera da Angústia, como se estivesse suspensa num pau-de-arara. Deu-se o ápice, o desmaio: ali dormiam com o inimigo. No dia seguinte Tó Zeca despertou cabeça ao volante, no banco do motorista, acostamento da BR 232: Nossa, foi o maior rolê, hem?... Inacreditável! Virou as chaves, o ronco do motor, seguiu o passeio. Até mais ver.

 

Cora Coralina: O tempo muito me ensinou: ensinou a amar a vida, não desistir de lutar, renascer na derrota, renunciar às palavras e pensamentos negativos, acreditar nos valores humanos, e a ser otimista. Aprendi que mais vale tentar do que recuar… Antes acreditar do que duvidar, que o que vale na vida, não é o ponto de partida e sim a nossa caminhada... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Paulo Leminski: o tempo entre o sopro e o apagar da vela... Só uma nuvem te separa das estrelas... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Idea Vilariño: Tudo é muito simples muito mais simples e ainda. Ainda há momentos em que é demais para mim onde eu não entendo e não sei se rio em voz alta ou se chorar com medo ou estar aqui sem chorar sem risos em silêncio assumindo a minha vida meu trânsito meu tempo... Veja mais aqui & aqui.

 

VÊNUS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Papai \ Aqui, aqui \ Babá \ Vovó \ Peitos. \ Tela os maiores mundo do peito, \ o mais cabelo comprido da cidade e uma penta enorme do esquerdo esquerdo. \ Quase um oleiro de terceiro, e mesmo assim, ela era míope. \ Um Nós chamsinós de Dada, não sei porça. \ Bem, Sim. \ Sim, claro: porque rosto o dela \ era sem \ graça, semona estética. \ Um dia, eu minha e irmã a maquiamos — com \ a cara maquiagem da mamãe. Mamãe ficou furiosa. \ Plebeu não tem um Dior. \ Eu adormecimentos muito da minha Dada com peitões. \ Com ela, a favor, assistência pela vez. \ Bebemos Coca-Cola, rimos, dissemos "Oh!". \ Na verdade, o nome dela era Zohra, \ assim o planeta \ Vênus. \ Minha Dada, com seios grandes, \ que não é mais aqui, aqui. \ Não, não.

Poema da escritora e artista visual marroquina Rim Battal, cuja obra poética e literária aborda com visceralidade a vivência do corpo feminino e as complexidades de crescer entre a tradição e a modernidade.

 

NOITE DA ESPERA - [...] Talvez seja isto o exílio: uma longa insônia em que fantasmas reaparecem com a língua materna, adquirem vida na linguagem, sobrevivem nas palavras... [...] O que o medo destrói e pode ensinar. Há momentos de medo. Há momentos de coragem... A melancolia é sentimento difuso, pois não se realiza. [...] Trechos extraídos da obra A Noite da Espera (Cia. das Letras, 2017), primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio, do escritor, tradutor e professor Milton Hatoum (Milton Assi Hatoum). O segundo volume da trilogia é Pontos de Fuga (Cia. das Letras, 2019), que acompanha a formação sentimental, cultural e política do jovem Martim durante a ditadura militar brasileira, no qual o protagonista deixa Brasília e retorna a São Paulo, sua cidade, onde ingressa na faculdade de arquitetura da USP e passa a morar numa república de estudantes no bairro da Vila Madalena — um grupo que lhe trará novas vivências e grandes companheiros para a vida. Agora distante do pai opressor e dos amigos de Brasília, e sobretudo afastado de Dinah, a atriz militante com quem sua relação ficou estremecida, ele acompanha o endurecimento do regime autoritário no país, ao mesmo tempo que experimenta as agruras e adversidades da vida adulta, sempre assombrado pela incógnita do desaparecimento de sua mãe. Na obra ele expressa: [...] Não sei onde fiquei preso; fui proibido de telefonar, escutei barulho de motor de avião e com o zíper da calça marcava na parede cada dia que passava até desistir. Não quero falar dos interrogatórios. Melhor calar sobre o que se quer esquecer, mas é impossível esquecer [...] Não me machucaram quando fui detido em março de 68. Mas os pesadelos, a violência, e tudo que vem acontecendo na vida de muitas pessoas dão a Brasília um sentimento de destruição e morte que nem sequer os palácios, a Catedral, as cúpulas do Congresso e todas as curvas desta arquitetura conseguem dissipar.[...] Os convidados são deputados federais, menos Galindo, um gaúcho de uns cinquenta anos, cuja voz exaltada fala de brasileiros desaparecidos, tortura, insurgências populares [...] Só a Baronesa discorda do gaúcho, ela afirma que não tem tortura no Brasil, que os militares só matam os terroristas [...]. O terceiro volume da trilogia é Dança de Enganos (Cia. das Letras, 2025), em que o autor expressa: [...] É preciso dar tempo ao passado [...] depois da cantoria na igreja, meu pai me contou a história de um rei negro escravizado no Congo pelos portugueses. Foi vendido pro dono de uma mina em Ouro Preto e conseguiu comprar a alforria dele e de muita gente [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

O UNIVERSO LITERÁRIO DE LYGIA FAGUNDES TELLES (Imagem: Quino – 1932-2020) - As personagens são como vampiros, cravam os caninos na nossa jugular e quando amanhece, voltam aos seus sepulcros até que anoiteça de novo. O fim do livro seria a pedra que ponho sobre esses visitantes. Definitivamente? Não. Um dia, de repente, com outro nome e outras feições e em outro tempo volta mascarada a mesma personagem, elas gostam da vida. Como nós... Ô literatura! Por que as coisas nos parecem sempre belas quando protegidas pela distância?... Pensamento da escritora Lygia Fagundes Telles (Lygia Fagundes da Silva Telles – 1918-2022), considerada a dama da literatura e a maior escritora brasileira, com suas obras que retratavam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo, a loucura e a fantasia. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

POLÍTICA & RESPONSABILIDADE - [...] Não se deve travar lutas que você não vá vencer... [...]. Pensamento da socióloga, diplomata e política mexicana Beatriz Paredes Rangel (Beatriz Elena Paredes Rangel), que na entrevista Oficio y profesión. Una conversación con Beatriz Paredes (Nexos, 2024), ela expressou: […] Parece-me que essencialmente um político ou uma política deve ter um compromisso com os ideais. Os ideais em que ele acredita, que o ligam com as expectativas da sociedade. Nunca pensei que a política tivesse valor em si mesma. Penso que a política é instrumental. Políticos que estão interessados no poder para o próprio poder, por se sentirem poderosos, em satisfazer seu ego, por acumularem coisas, não compartilho dessa visão. Então, eu acredito que a política é um instrumento para transformar a realidade. Um político, uma política deve ter uma visão da realidade e deve lutar porque essa visão pode ser realizada. [...] Eu vou dizer algo muito estranho. O que eu gosto é de música e o que eu gosto é de arte. Política é o meu trabalho. É o cumprimento da minha responsabilidade pública. Vivo a política como uma responsabilidade, não a vivo como um prazer. Sei o que é prazer e não é política, para mim. Tem gente que gosta de poder, que bom... A política é sempre uma responsabilidade para mim. Nesse sentido, sou muito povo do Poder Legislativo, porque sou democrata. O poder legislativo é mais horizontal. Gosto do que afeta o médio e longo prazo. A lei, a boa lei, afeta o médio e longo prazo. Então eu gosto do Poder Legislativo. Penso que a legislatura mexicana deve passar por uma reforma muito profunda. Parece-me que é indispensável uma grande reforma do Estado mexicano. Mas eu tive responsabilidades muito interessantes no poder executivo. E claro, o privilégio de governar Tlaxcala, para alguém que é de sua região, pois é uma oportunidade extraordinária. [...].

 

A ARTE DE ANASTÁCIA

[...] Eu comecei minha carreira com 13 anos cantando em uma banca. E com menos de 15 anos fui descoberta por um ator pernambucana, e fiquei até os 20 anos no Recife cantando em uma rádio. Depois fui para São Paulo, onde estou até hoje, eu fui seguindo a vida e fui me alicerçando em São Paulo [...] Ultimamente tenho feito algumas coisas com Zeca Baleiro, que é um compositor maravilhoso, um artista sensacional. E o Chico César é uma pessoa muito inteligente que a gente sempre está junto. Agora estou na fase de compor com o filho de Gonzaguinha, ele vai produzir um disco de samba para mim. Essas pessoas que a gente tem afinidade, a gente se junta para fazer algum trabalho, e é uma maneira da gente juntar a força nordestina através da música [...].

Depoimento numa entrevista (G1, 2022), da cantora e compositora Anastácia (Lucinete Ferreira), a Rainha do Forró e parceira de Dominguinhos (1942–2013). Ela compôs mais de 250 canções, indicada ao Grammy por dias vezes e lançou seus álbuns a partir dos anos 1960, quando, com apenas 14 anos foi se apresentar na Rádio Jornal do Commercio, acompanhada por Hermeto Pascoal. Antes disso ela atuou no humor com Arlete Sales & Lúcio Mauro. E atuou com Dominguinhos acompanhando as turnês de Luiz Gonzaga. Entre os seus álbuns de sucesso estão Eu Sou Anastácia (DVD – 2018), Daquele Jeito (2017), 60 anos de Forró e MPB (2016), Amor Entre Quatro Paredes (2009), 50 anos de Forró (2004), Seresta (2001), Sangue Bom (2000), Coração de Mulher (1995), Coisa Querida (1994), Faz parte do Amor (1993), Saudade Matadeira (1992), Vem me Buscar (1991), Forró Bom é do Abc (1989), Tem que mexer para Adoçar (1988), Quero você pra mim (1987), Cheinho de Amor (1982), A Fulô do Forró (1981), Morrendo de Saudade (1979), Você é meu Xamêgo (1978), Vamos Xamegá (1972), Torrão de Ouro (1971), Canto do Sabiá (1970), Caminho da Roça (1969) e Anastácia no Torrado (1965), entre outros. Veja mais aqui.

 


EDUCAÇÃO NO DEBATE CONTEMPORÂNEO - A educação tem assumido o centro temático dos debates planetários, desde a década dos anos 1980, até o momento presente, refletindo-se sobre a sua importância na formação e desenvolvimento do ser humano. Diversas reflexões tem ocupado espaço no cenário educacional, dentre elas as ideias de Terry Eagleton, Jenny Odell, Ana Maria Machado, Judith Butler, Amanda Montell, Esther Pillar Grossi, Hwang Bo-reum, Elisa Loncón, Yurico Saito, Danica McKellar, Teresa Colomer, Zadie Smith, Claudia Werneck, Jason Stanley, entre outros, no sentido de nortear as conduções da relação ensino/pesquisa/extensão, do ensino & a aprendizagem, da educação linguística & estética decolonial, da inclusão, do papel da arte e da reflexão sobre o ódio, intolerância, violência & cristofascismo reinante nos dias atuais. Confira aqui.

 


O MUNDO MARAVILHOSO DO LIVRO – Desde menino bem pirrototinho, eu adorava ouvir hestórias cabeludas ou bem risíveis. Pedia pra quem chegasse que me contasse uma, a que fosse. Quando não, saía às carreiras pra onde tivesse embolada de coco ou desafio de repentista e, ficava lá aboletado, prestando atenção de nem piscar o olho, sem a noção do tempo que passava. Quando aprendi a ler, lá pelos meus 4 ou 5 anos de idade, foi por ficar impressionado com meu pai e o tanto de livros que ele lia a todo momento e todos os dias. E questionava pra ele: Qual o segredo que tem nesse livro? E invadia as estantes cheinhas de livros e pregava a vista neles. Foi aí que descobri o mundo maravilhoso dos livros. Quer saber mais? Clique aqui.

 

FÚRIA DOS INOCENTES - Reunião de dez noveletas em que conto como foi a maior Greia num Boi de Fogo, da Carta do Barbeiro, dum Fandango de quem foi e quase num volta, do santo Bode Frederiko, dum arretado Negócio Fechado, do cara que botou a Boca no Trombone, do Escândalo dum Corínha, do Estopô Calango e do diabo a quatro, tudo pra umas risadas sobre as diversas ações dos mais atiçados e recheadas de humor e situações vexatórias. Confira aqui.

 

GILVANÍCILA & AS SOMBRAS DO CORAÇÃO – Tudo começa com a felicidade do casal Suetônio & Deusdith, ampliada mais ainda com a chegada do irmão dele, Susdidido, há muitos anos no Iraque. A gravidez dela coroou o trio festivo e muito alvoroçado: nascia Gilvanícila. Porém, a felicidade do pai não previu a infelicidade de todos. Confira a historieta e o roteiro aqui.

 

PROS&VERSOS LAM – Reunião das diversas publicações autorais dimensionadas na Literatura & Teatro Infantis, Poemas, Contos, Noveletas, Literóticas & muito humor. Confira aqui.

 

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domingo, setembro 05, 2021

LAWRENCE FERLINGHETTI, ALEX CAPRILES, ANKE FEUCHTENBERGER, LILLIAN CONSTANTINE & CAROL ITO

 

 

TRÍPTICO DQP – Entre ditos & desditos... - Ao som do Jubileu das Cordas 50 Anos de Violão (2019), do violonista e compositor Henrique Annes. - Os fantasmas brincalhões da minha convivência hibernaram num vasto e quinquenal silêncio. Para quem vive de trela com os visinvisíveis, nenhuma graça emerge na álgida noite que povoa os amanheceres desde então. É tudo tão noturno, da sombria sobrevivência, um ou outro insone abantesma aparece entre tantos trogloditas raivosos vivinhos da silva atrapalhando a conversa, de logo desaparecem neste tempo de Fecamepa do mico Coisonário. Para mim uma primavera perdida se aproxima apesar de hesitante e tão longínqua, de restar apenas uma indagação: qual independência de mesmo é a deste dia 7 de setembro, hem? Equivocações reiteradas, parece. Sim, isso mesmo. Para minha extemporânea satisfação, constato a chegada do poeta Lawrence Ferlinghetti a me dizer que O mundo é um ótimo lugar e, diante da minha anuência para lá de desconfiada, recita um verso: Piedade para a nação - óh, piedade para os homens / que permitem que os próprios direitos sejam corroídos / e suas próprias liberdades levadas embora. / Minha Pátria, lágrimas de ti / doce terra de liberdade!... Com ele, ao mesmo tempo, a sensação de júbilo pela interlocução, enquanto um coveiro à espreita interrompe e é muito difícil manter a compaixão, nada impossível. Salve-se quem puder, sou outro a cada passo.

 


Uma & outra... - Imagem: For the Love of Money (2020), da artista estadunidense Katherine Gianaclis (1924-1999), ao som de Epifanie, per voce e orchestra su testi di Proust, Machado, Joyce, Sanguineti, Simon, Brecht (1961), de Luciano Berio, na interpretação de Cathy Berberian & Orchestra della RAI di Roma, 15 Marzo 1969. - Estou atordoado e não poderia ser diferente: meu país naufraga inevitavelmente pelas intermitentes e mais terríveis tormentas desde que Pindorama se perdeu. Sou como todos os demais: vivo à deriva, agarrado a uma boia imaginária que ameaça se dissolver para minha completa exaustão. Vivo de talvez, vez em quando. E me surpreendo com a presença inesperada de Alex Capriles a decodificar este tempo muito louco, insistindo risonho que existe muito mais loucura, crimes e doenças associadas ao dinheiro do que ao sexo ou qualquer outro conteúdo mental. Sorrio amarelo, tento disfarçar, impossível: agora é um mundo complexo e arriscado. Ele então segura firme o meu braço e adverte: É utópico pensar em acabar com o dinheiro. Mas os sofisticados instrumentos financeiros estão desfigurando a noção habitual de dinheiro. Hoje, o conhecimento é mais importante que o capital. O poder, a sexualidade e a fama sempre existirão como paixões humanas. O importante é analisar o lugar que elas ocupam nas nossas vidas... Fiquei sem saber o que dizer nem fazer, olhei pros lados e ele tagarelou persistente enumerando patologias monetárias, comparando situações da potencializada avareza com os pobretões de espírito soberbamente endinheirados, da compulsão pela acumulação e as taras monetárias como graves distúrbios psicossociais. Para quem náufrago sem saída, era como se ocorresse instantaneamente a releitura de Huberman ou revisse as veias abertas de Galeano. Viu-me espantado e fitou meus olhos: Ninguém está imune à decepção. Tornou-se um flagelo e para me livrar passei a encarar semblantes passantes: cifrões ditavam sorrisos e consternações. Ele sorriu, abraçou-me e se despediu com umas palmadinhas nas costas: levou de mim a ignorância do olhar e me deixou olhos agudos de peito aberto.

 


Duas ou mais de amores & violência... - Imagem: arte da quadrinista, ilustradora e jornalista Carol Ito. - Os pensamentos eram os passos dos outros povoando minha mente. Desconcertado, recorri ao banco da praça e nem me dei conta de uma bela jovem já ali aboletada. Era Lillian Constantine, disse-me seu nome e de chofre: Filmei meu próprio estupro e consegui a prisão do meu agressor. Nossa! Baixou os olhos, vi-lhe as mãos e lábios trêmulos. Virei-me para ela, uma jovem britânica na flor dos seus 21 anos, acredito. Tentei demonstrar meu apoio e, com seu jeito cabisbaixo, contou-me daquela noite numa rua escura de Ramsgate, Kent, há 5 anos atrás, lembrando dos mínimos detalhes e a sua opção: havia renunciado o direito à privacidade e filmara o ataque, relatando... Em primeiro lugar, virei a gravação do vídeo no meu telefone e acendi a luz também porque estava escuro como breu onde eu estava e pensei: 'Ok, se ele me ver' estou gravando '- e gritei para ele: Estou gravando você, estou gravando você - ele vai fugir, vai assustá-lo, não vai querer ser pego. Mas ele não se importou nem um pouco. Eu estava tão chocada. Eu estava gritando com ele, xingando, gritando por socorro. Eu pensei: este deve ser um maníaco absoluto. Foi completamente bárbaro. Percebi que ao me contar buscava forças dentro de si para superar o trauma. Enquanto isso, um caleidoscópio de imagens rondava ao nosso redor: da Aracelli de Louzeiro, da bela Inés do Goya de Milos Forman, da Lolita de Nabokov, e outras tão reais e que ocorrera por perto, como a das Sombras do Coração de Gilvanícila, de Telma & Todas as Filhas da Dor, até mesmo das oriundas da Nota Técnica nº 11 - Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde (Ipea, 2014), de Daniel Cerqueira e Danilo Santa Cruz Coelho, dando conta da dramática situação apurada pelo Ministério da Saúde, de que 15% dos estupros registrados foram cometidos por duas ou mais pessoas, e que 11,3% dos casos envolvem crianças vitimadas pelos próprios pais. Era tudo muito perturbador. Ela e eu, suspensos no tempo. Então ela deitou a cabeça desamparada ao meu ombro e, cá comigo, eu teimava, sem dizer palavra alguma, que poderia ser tudo tão diferente, não fossem os impunes Ashraf Miah que vão e voltam escondidos em suas máscaras humanas.

 


Outra a mais & o amor assim... - Imagem: a arte da artista Maria Angela Biscaia. - Naquele encontro nos demoramos e eu me vi Émile e ela transformada na estonteante doméstica, Jeanne Rozerot, como se fosse paixão à primeira vista e ao meu dispor. Na minha cabeça ela era Nana e sequer dali imaginava Germinal. Da praça à intimidade, foi como estalar os dedos e logo cenas dela nos afazeres, provocantemente varrendo a casa, lavando roupa, limpando os móveis, cuidando da casa nas férias em Royan, eu fotografando tudo dentro de casa na rue Saint-Lazare, conversando curiosamente sobre sua vida – era a filha do moleiro e órfã de mãe, castigada pela madrasta, fugiu com sua irmã para viver com a avó e tornar-se a criada ideal dos meus sonhos e desejos. Não fossem tantos acontecimentos, como o Caso Dreyfus, as ameaças de morte, o empreiteiro de fornos e os vapores do monóxido de carbono na perturbada noite com Alexandrine, poderia ter sido feliz por muito mais tempo ao lado dela.

 


Cada um diga o que quiser falar... - A arte da artista, professora e cartunista alemã Anke Feuchtenberger. – Nada pudera, não era abril, nem mesmo o paraíso. Quando me vi sozinho perdido no meio da minha noite interminável, ela reapareceu e era a poeta Leila Ferraz que fez outra escrita da pele para digitar na minha língua um recado de amor. Ela então bailou como se fosse a coreógrafa cubana Alicia Alonso (1920-2019) a recitar suas Lágrimas insuspeitas: Algumas mulheres de minha geração sofreram muito / com a usurpação do tempo que devia ser delas. / Não há ouvidos para meus apelos. / É como se eu tivesse enraizado meus pés em uma terra devoluta / e meus braços se agitassem unicamente com a força dos ventos em fúria. / Doem-me as feridas de um tempo que passa levando consigo / meu corpo e flagelos da alma para a cova rasa do esquecimento. / Mais do que nunca hoje eu fui embora. / Para bem longe, onde a liberdade me escolta presa à arquitetura da satisfação solitária. / Sou uma civilização perdida e isolada do mundo. / Presa em um retângulo de sacrifícios. / Meu desgosto é trágico como uma ópera de cavernas. / Só me resta pouco tempo neste corpo cativeiro de almas. E mais tivemos além da entrega mútua e viva nas mãos que soltaram pela bifurcação dos passos. Dela, o milagre da flor: a escolha de ser livre. Cada um o seu momento, o que vale é o que vai de um coração a outro. Sempre disse sim, cuidei do ouro das cicatrizes. Não ofendi minha sorte, tudo valeu a pena, até o silêncio de uma ideia perdida. Até mais ver.

 

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sábado, maio 15, 2021

JARAUTA, XINRAN, CAMILLE O’SULLIVAN & MANUEL EUDÓCIO


  

TRÍPTICO DQC: LIÇÕES DA VIDA, DESAFIOS DO FUTURO - Esse o tempo da gangorra, tantos paradoxos: a história de cada um entre o sonho e o desespero. Quem dera fosse outro o momento, mas não. Não tenho a mínima ideia de como será daqui pra diante, nem eu, nem você, nem ninguém, a não ser mastigar emoções se nada mais der certo, ou seja lá o que for que aconteça. Olho pros lados, não sem antes saber que apesar de partir e repartir, tudo me faltou e quase tive medo, porque respirar é sempre o melhor a ser feito, e me faltou oxigênio. Bem... Saída alguma e num lance de dados e armadilhas acompanho os giros entre o refratário e o reflexivo. Não sei o que vou fazer agora, o desafio de decidir para onde ir ou não, coisa do tipo que faço no mote de Pinto de Monteiro: Tiro de onde não tem e boto onde não cabe. É só o que resta mesmo a fazer nessa insegura passagem que se prolifera à desgraça e o que desaparece de benesse, a sempre véspera inoportuna, coisa minha, amor fati. Então Xinran me disse: Quando alguém mergulha nas próprias recordações, abre uma porta para o passado; a estrada lá dentro tem muitas ramificações e a cada vez o trajeto é diferente. Perdi o que se foi e nem acaso virá, diferente mesmo. E muito. Francisco Jarauta alertava: ... O desafio está no futuro e não no passado. O pior é que me esqueci, nenhum remorso ou sequela, ações de nenhuma escolha e fora da lógica. Só sei de algo que não cabe no dizer, só compreendê-lo, senti-lo. Vamos à luta!

 


DOIS: VEIO & SE FOI - Giro era meio biruta, isso desde menino. Um tanto estranho: sorria para tudo, mesmo se malvadassem ou maldissessem dele. Brincava de adivinhar o dia seguinte e esquecia o que passou. Era uma graça, a gente se dava bem e às gargalhadas. E cresceu, de rapazola a homem feito, do mesmo jeito: dentes abertos no quarador para tudo e todas as coisas. E o que viesse, traçava sem cara feia, maior boa vontade. Mesmo quando aprontavam ou se aproveitassem pra cima dele, nem ligava. Boa praça, sempre de bem com a vida. Diziam até que sua chegada curava qualquer enfermo, quando não ressuscitava na hora. Ao procurá-lo depois, o canto mais limpo. Ninguém sabia onde morava ou vivia esses anos todos, só do alvoroço da passarada e outros bichos da brabeza mais furiosa, tudo comendo na mão dele, acompanhando seus passos. Aparecia do nada e sumia tal como viera: sem dar notícia nem paradeiro. Você viu o Giro? Não. Ah, meu Deus, por onde ele andará? A senhora é a mãe dele? Sou. E cadê? Nem sinal dele. Era de vê-la desolada, aos prantos confessionais: O Giro eu encontrei numa favela, enrolado numa tipoia, com placenta e tudo. Foi numa segunda-feira fatídica, tudo queimado: gente, barracos, tudo. Só ele lá no meio das cinzas, o milagre. Havia acabado de nascer, um santo. Hoje é aniversário dele. Nasceu no dia 5 de fevereiro? Sim, de 1962. Ei, peraí! O que foi? Num diga! Parecia o sismo de Pompeia de novo: o Anticristo. Como assim? O 666! É mesmo? Valha-me, gnósticos, cinco vezes! O terreno está preparado, o quarto período. Vôte! Benzodeus! Como é que é? É o que estou dizendo. Será? O Giro, essa não! Ele foi encontrado num incêndio, não subiu do mar, não tem cor de escarlate, nem jeito da besta! Ah, bestão ele é. E o que tem isso a ver com o troço? Sei não, hem? Ouvi Carol Bensimon: Temos que aceitar que não temos mais ídolos. Temos que aceitar que criticamos os tempos irônicos, mas somos irônicos de vez em quando. Temos que aceitar que nós também vamos sucumbir às tendências. E o Giro, hem? Sai pra lá, cruz-credo! Ah, ele está pelo meio mundo, de mãos dadas com a vida dele e a de todo mundo. Ah, tá.

 


TRÊS: SOMBRAS DO CORAÇÃO - Gilvanícila e as lembranças do pai, coisa boa no coração. Não entendia a mãe só aos maus tratos, ruindade injustificável com ela, só sendo, mas por que seria, queimava de interrogações. Não havia ideia alguma que lhe desse a razão de tanto desprezo por parte da mãe, nem queria vê-la. Pode? Mas desconfiou do tio que esquecera na marra, doía demais o que passou. Era como se ela fosse Camille O’Sullivan pronta para o The rape of Lucrece: a batalha na noite de Ardea, enquanto Tarquin e a lindeza dela, a entretia com os feitos historiados, o desejo dilacerando escondido nele e a invasão do quarto enquanto ela dormia. Acordou amedrontada com a mão intrusa em seu seio: ou cede ou morrerá. Isso não, me poupe; inexorável, enfim estuprada. Dela, uma carta para Collatine voltar como se fosse seu pai salvador. Não teve coragem de contar, a mãe vingativa que depôs. E uma faca suicida prestes a derramá-la com todas as culpas do mundo para o pentâmetro iâmbico de rima real e mais de mil oitocentos e cinquenta e cinco versos, duzentas e sessenta estrofes de sete versos. Era tudo muito pouco, não fosse o pai sucumbir na hora exata da delação: Ah, meu pai, por que você me abandonou? O tio era um monstro escorraçado, fez de tudo para apagá-lo do seu sofrimento, dá-lo por inexistente, nunca visto nem sabido. Só na hora da mãe às últimas no hospital, teve ciência de tudo. Guardando-se em suas sombras, disse-me usando das palavras do escritor estadunidense Lyman Frank Baum (1856-1919): Existem coisas piores no mundo do que ser um espantalho. Não há ser vivo que não tenha medo quando enfrenta o perigo. A verdadeira coragem é enfrentar o perigo quando se tem medo. Despetalada em lágrimas, recostou-se ao meu ombro solidário. Até mais ver.

 

A ARTE DE MANOEL EUDÓCIO


A arte do ceramista e escultor
Manuel Eudócio (1931-2016), Patrimônio Vivo de Pernambuco, retratando em sua arte o cotidiano popular e o folclore pernambucano. Veja mais aqui e aqui.

 



LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

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