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sábado, agosto 15, 2026

LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.


 

Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca, sobe-desce na sua fubica incrementada, todo ancho a viandar pela rodovia Gonzagão. Ah, chega ele devaneava pelas paradisíacas escarpas íngremes neblinosas do Planalto da Borborema. Ali atravessou túneis e, pela alta Ponte Cascavel, acelerou empáfia de piloto macho, amostrando-se pra si nas cantadas de pneus pelas curvas acentuadas, quando, ao destampar numa delas deu-se o desembesto: deparou-se com uma formosa estranha, com o braço estirado prum breque: Pare! Um desmantelo. Ela estava exatamente postada no meio da faixa, obrigando-o a morder a língua desastrado, numa frenagem cabulosa, dele se estabocar todo e botar pra valer toda sua perícia ineivada: virou bruscamente o volante, botou pro lado, puxou o freio de mão de quase arrancá-lo num cavalo de pau arretado, enrolou-se todo girando às piruetas tresloucadas, pronto para se espatifar de qualquer jeito, deus o livre e guarde, tei bei. Mas, não, bastante ágil, livrou-se duma barroada na barreira e, às rodadas vexaminosas, desaprumou-se de quase ser arremessado ao precipício, valha-me! Nada. Aí, retomou habilmente o tino e o que restou de prumo, acionou alucinado a tração nas 4 rodas, as traseiras estavam no ar já fora do asfalto pra rebentação e, numa acelerada brusca, cantou os dois pneus dianteiros que restavam no solo, vupte! E salvou-se de desabar ribanceira abaixo. Ufa! Depois de muito atrapalho, às reviravoltas, levantando poeira no saçaricado, finalmente, todo desarrumado estacionou atravessado diante da beldade. Mão enxugando o suor da testa, sacudia o corpo entrevado e, com ar de superioridade, esperou a poeira baixar. No meio da fuzarca apareceu a dita cuja firme e chistosa: Essa geringonça mata sapo e espalha merda, né? Hum, gracinha. Reconheceu-a e não era um bom sinal: É você mesma ou uma das irmãs Stepfoad, uma de seus clones? Indignada, cerrou as pestanas e fez uma careta de reprovação. Não, não era. De mesmo, era a indestrutível Rainha Branca, a supervilã do Helfire Club, tão difusa ali, personalidade fria, calculista, poliândrica, arrogante e, ao mesmo tempo, sarcástica, com todos os seus atavios charmosos e a ronronar sua repugnância: Você, humano, é uma criatura inferior! Êpa, calma aí! E ao vê-lo afastar-se do veículo, ela apontou o dedo, sinistra: Vou levá-lo pra Kroaka, é melhor não resistir, se poupe. Olhou dos pés à cabeça e lá estava ela, atraente catadura, com toda sua elegância de femme fatale, seu estilo marcante, seus cabelos louros esvoaçantes no olhar penetrante, sua atitude dominante nas vestes níveas, seus lábios carnudos proeminentes, seios opulentos, as botas nas coxas voluptuosas, um mulheraço dinamitando suas ideias. Veja só: não sou Ciclope nem Toy Stark, nem o Namor, muito menos Sebastian Shaw; também não sou aliado da Casandra Nova, nem de Esmee que atirou despedaçando sua forma diamante; sou de paz, saiba logo. Não resista, você não sabe com quem está lidando. Ora, se sei. Sabe mesmo? Claro. Sou Emma Grace Frost: é pro seu bem! Sei, Hazel Kendal, muito prazer! Ela arregalou o olho ao ouvir seu codinome. Reluta? Nunca. Dissimuladamente ela começou a deslizar o zíper das vestes, desabrochando sua nudez e ele sabia: Vai ser agora! E ao se aprumar no salto pra bater os calcanhares e gritar a palavra mágica, nem deu tempo balbuciar as primeiras sílabas: Sabari... Estava desprevenido pra vilania dela e, com asco estrangulador, atingiu-o com uma rajada de raios psiônicos, vixe! Lascou-se. Nele tascou todo o seu poder ameaçador de nível ômega, acometendo-o de ilusões telepáticas: Não resista! O golpe foi quase letal e, por um instante, ao voltar a si: Ela me nocauteou! Um reles humano diante de uma heroína sobre-humana: Perdi a parada! Ela achegou-se com toda cupidez e, revestida pela pele de diamante indestrutível, jogou-lhe seus poderes inigualavelmente aterradores. O cara inchou e bufou de quase estourar-se aos cacos pra todo lado, rendido a cumprir sua pena: nova carga dela aos golpes certeiros e ele se contorcia de dores, aos gritos. Enquanto isso, ela vasculhava sua mente, inutilizando-o. Quando, de repente: Peraí! Entre as memórias dele a presença dela: Como pode? Investigou melhor e reviu cenas: o ataque do viajante temporal, em que ela entrou em coma: Não pode, quem me socorreu? Quem me levou para ser cuidada na Mansão X? Não pode ser. E aprofundou-se na averiguação: Foi ele quem me levou para ser restaurada por Jean Gray; foi ele quem me avisou que o Dr. Sublime havia roubado meus óvulos e foi quem me deixou ciente de que fui traída por Ciclope, que roubou meus poderes. A certidão inevitável: Foi ele quem me salvou quando fui presa pelos Vingadores. E ao passar tudo por seu escrutínio, suspendeu o martírio. Era tarde, o cara parecia mais que já tinha partido dessa para melhor. Foi não! Agora, só na outra! Oxe! Bem, escapou dessa. Ao despertar, ele notou o silêncio ao redor: se sentia como se estivesse num Caixão da Tortura. Suspeitava, à espreita: Estou numa prisão inexpugnável. O hostil rondava e se sentia como coagido por um tridente invisível, aprisionado numa teia inextricável. E meio que alucinado, não dizia coisa que valesse: Estou debilitado demais... Não lembrava quem era nem do que havia passado. Teve um susto violento com a chegada repentina de uma bela mulher: Quem é você? Onde estou? Você já se restabeleceu, vou recuperar sua memória. Ah, você... O que houve? E ela silenciosa, depunha sobre a mesa uma tranqueira de coisas: uma mordaça, vendas, cordas, máscaras, chibatas, algemas, velas, gelo. adereços. Alguém vai ser castigado? Ela virou-se pra ele, era um álibi: brincadeira de adulto. E esbravejou pra ele: Sou Ishtar e você meu servo, sirva-me! Ora, você, uma heroína; eu, apenas herdei a maldição da minha vó. Obedeça-me: Sou Fílis, ajoelhe-se Aristóteles, tire minhas botas. À soberba dela, humilhado, ele se prostrou. Via-se insignificante diante daquele poderio persuasivo: irresistivelmente insinuante. Foi estapeado, puxado pela coleira no pescoço, engatinhando ao mando dela. Era questão de tempo arrumar um jeito de se esquivar disso, pensava. E ao tomá-lo servil, a Disciplinadora de Bétula mudou subitamente: Dessa vez, não. E agachou-se frente a frente, beijou-o e jogou-o pra lateral, aninhando-se podólatra mandona: A dominatrix se rende, quero pirá-lo. E não aceito não como resposta, nem seja analfabeto sexual, destrave-me! Do contrário, vou esmagá-lo: sou a vingativa Mimi Bouvier do Bitter Moon. Ele espantou-se, mas logo compelido a cumprir seu papel, atreveu-se mãos e pernas, bocas e sexo. Ela sussurrava soletrando: Amarelo!... E se engalfinhavam. Ela, agora, submissão em pessoa: Quero sempre mais, assim 24/7. Ele tomou seus pulsos, a crucificá-la nua. Ela rosnava medonha: Amarre-me, possua-me, ou eu o aniquilarei - sou Vanda Jourdain como La Vénus à la fourrure. Empolgado, usou de extrema força para domá-la, a maldizer entredentes coisas dos que mandam para os que são mandados, dos que pisam para os que são pisados, dos que chafurdam na coação e o doloroso prazer do coagido, os grunhidos dela: Mate-me, ou vou exterminá-lo! Ela rugia asfixiada, Vênus das Peles; ele, performático a supliciá-la na Cadeira de Judas, sodomizando a leoa que bramia estertorante, empalando-a com sua Pera da Angústia, como se estivesse suspensa num pau-de-arara. Deu-se o ápice, o desmaio: ali dormiam com o inimigo. No dia seguinte Tó Zeca despertou cabeça ao volante, no banco do motorista, acostamento da BR 232: Nossa, foi o maior rolê, hem?... Inacreditável! Virou as chaves, o ronco do motor, seguiu o passeio. Até mais ver.

 

Cora Coralina: O tempo muito me ensinou: ensinou a amar a vida, não desistir de lutar, renascer na derrota, renunciar às palavras e pensamentos negativos, acreditar nos valores humanos, e a ser otimista. Aprendi que mais vale tentar do que recuar… Antes acreditar do que duvidar, que o que vale na vida, não é o ponto de partida e sim a nossa caminhada... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Paulo Leminski: o tempo entre o sopro e o apagar da vela... Só uma nuvem te separa das estrelas... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Idea Vilariño: Tudo é muito simples muito mais simples e ainda. Ainda há momentos em que é demais para mim onde eu não entendo e não sei se rio em voz alta ou se chorar com medo ou estar aqui sem chorar sem risos em silêncio assumindo a minha vida meu trânsito meu tempo... Veja mais aqui & aqui.

 

VÊNUS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Papai \ Aqui, aqui \ Babá \ Vovó \ Peitos. \ Tela os maiores mundo do peito, \ o mais cabelo comprido da cidade e uma penta enorme do esquerdo esquerdo. \ Quase um oleiro de terceiro, e mesmo assim, ela era míope. \ Um Nós chamsinós de Dada, não sei porça. \ Bem, Sim. \ Sim, claro: porque rosto o dela \ era sem \ graça, semona estética. \ Um dia, eu minha e irmã a maquiamos — com \ a cara maquiagem da mamãe. Mamãe ficou furiosa. \ Plebeu não tem um Dior. \ Eu adormecimentos muito da minha Dada com peitões. \ Com ela, a favor, assistência pela vez. \ Bebemos Coca-Cola, rimos, dissemos "Oh!". \ Na verdade, o nome dela era Zohra, \ assim o planeta \ Vênus. \ Minha Dada, com seios grandes, \ que não é mais aqui, aqui. \ Não, não.

Poema da escritora e artista visual marroquina Rim Battal, cuja obra poética e literária aborda com visceralidade a vivência do corpo feminino e as complexidades de crescer entre a tradição e a modernidade.

 

NOITE DA ESPERA - [...] Talvez seja isto o exílio: uma longa insônia em que fantasmas reaparecem com a língua materna, adquirem vida na linguagem, sobrevivem nas palavras... [...] O que o medo destrói e pode ensinar. Há momentos de medo. Há momentos de coragem... A melancolia é sentimento difuso, pois não se realiza. [...] Trechos extraídos da obra A Noite da Espera (Cia. das Letras, 2017), primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio, do escritor, tradutor e professor Milton Hatoum (Milton Assi Hatoum). O segundo volume da trilogia é Pontos de Fuga (Cia. das Letras, 2019), que acompanha a formação sentimental, cultural e política do jovem Martim durante a ditadura militar brasileira, no qual o protagonista deixa Brasília e retorna a São Paulo, sua cidade, onde ingressa na faculdade de arquitetura da USP e passa a morar numa república de estudantes no bairro da Vila Madalena — um grupo que lhe trará novas vivências e grandes companheiros para a vida. Agora distante do pai opressor e dos amigos de Brasília, e sobretudo afastado de Dinah, a atriz militante com quem sua relação ficou estremecida, ele acompanha o endurecimento do regime autoritário no país, ao mesmo tempo que experimenta as agruras e adversidades da vida adulta, sempre assombrado pela incógnita do desaparecimento de sua mãe. Na obra ele expressa: [...] Não sei onde fiquei preso; fui proibido de telefonar, escutei barulho de motor de avião e com o zíper da calça marcava na parede cada dia que passava até desistir. Não quero falar dos interrogatórios. Melhor calar sobre o que se quer esquecer, mas é impossível esquecer [...] Não me machucaram quando fui detido em março de 68. Mas os pesadelos, a violência, e tudo que vem acontecendo na vida de muitas pessoas dão a Brasília um sentimento de destruição e morte que nem sequer os palácios, a Catedral, as cúpulas do Congresso e todas as curvas desta arquitetura conseguem dissipar.[...] Os convidados são deputados federais, menos Galindo, um gaúcho de uns cinquenta anos, cuja voz exaltada fala de brasileiros desaparecidos, tortura, insurgências populares [...] Só a Baronesa discorda do gaúcho, ela afirma que não tem tortura no Brasil, que os militares só matam os terroristas [...]. O terceiro volume da trilogia é Dança de Enganos (Cia. das Letras, 2025), em que o autor expressa: [...] É preciso dar tempo ao passado [...] depois da cantoria na igreja, meu pai me contou a história de um rei negro escravizado no Congo pelos portugueses. Foi vendido pro dono de uma mina em Ouro Preto e conseguiu comprar a alforria dele e de muita gente [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

O UNIVERSO LITERÁRIO DE LYGIA FAGUNDES TELLES (Imagem: Quino – 1932-2020) - As personagens são como vampiros, cravam os caninos na nossa jugular e quando amanhece, voltam aos seus sepulcros até que anoiteça de novo. O fim do livro seria a pedra que ponho sobre esses visitantes. Definitivamente? Não. Um dia, de repente, com outro nome e outras feições e em outro tempo volta mascarada a mesma personagem, elas gostam da vida. Como nós... Ô literatura! Por que as coisas nos parecem sempre belas quando protegidas pela distância?... Pensamento da escritora Lygia Fagundes Telles (Lygia Fagundes da Silva Telles – 1918-2022), considerada a dama da literatura e a maior escritora brasileira, com suas obras que retratavam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo, a loucura e a fantasia. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

POLÍTICA & RESPONSABILIDADE - [...] Não se deve travar lutas que você não vá vencer... [...]. Pensamento da socióloga, diplomata e política mexicana Beatriz Paredes Rangel (Beatriz Elena Paredes Rangel), que na entrevista Oficio y profesión. Una conversación con Beatriz Paredes (Nexos, 2024), ela expressou: […] Parece-me que essencialmente um político ou uma política deve ter um compromisso com os ideais. Os ideais em que ele acredita, que o ligam com as expectativas da sociedade. Nunca pensei que a política tivesse valor em si mesma. Penso que a política é instrumental. Políticos que estão interessados no poder para o próprio poder, por se sentirem poderosos, em satisfazer seu ego, por acumularem coisas, não compartilho dessa visão. Então, eu acredito que a política é um instrumento para transformar a realidade. Um político, uma política deve ter uma visão da realidade e deve lutar porque essa visão pode ser realizada. [...] Eu vou dizer algo muito estranho. O que eu gosto é de música e o que eu gosto é de arte. Política é o meu trabalho. É o cumprimento da minha responsabilidade pública. Vivo a política como uma responsabilidade, não a vivo como um prazer. Sei o que é prazer e não é política, para mim. Tem gente que gosta de poder, que bom... A política é sempre uma responsabilidade para mim. Nesse sentido, sou muito povo do Poder Legislativo, porque sou democrata. O poder legislativo é mais horizontal. Gosto do que afeta o médio e longo prazo. A lei, a boa lei, afeta o médio e longo prazo. Então eu gosto do Poder Legislativo. Penso que a legislatura mexicana deve passar por uma reforma muito profunda. Parece-me que é indispensável uma grande reforma do Estado mexicano. Mas eu tive responsabilidades muito interessantes no poder executivo. E claro, o privilégio de governar Tlaxcala, para alguém que é de sua região, pois é uma oportunidade extraordinária. [...].

 

A ARTE DE ANASTÁCIA

[...] Eu comecei minha carreira com 13 anos cantando em uma banca. E com menos de 15 anos fui descoberta por um ator pernambucana, e fiquei até os 20 anos no Recife cantando em uma rádio. Depois fui para São Paulo, onde estou até hoje, eu fui seguindo a vida e fui me alicerçando em São Paulo [...] Ultimamente tenho feito algumas coisas com Zeca Baleiro, que é um compositor maravilhoso, um artista sensacional. E o Chico César é uma pessoa muito inteligente que a gente sempre está junto. Agora estou na fase de compor com o filho de Gonzaguinha, ele vai produzir um disco de samba para mim. Essas pessoas que a gente tem afinidade, a gente se junta para fazer algum trabalho, e é uma maneira da gente juntar a força nordestina através da música [...].

Depoimento numa entrevista (G1, 2022), da cantora e compositora Anastácia (Lucinete Ferreira), a Rainha do Forró e parceira de Dominguinhos (1942–2013). Ela compôs mais de 250 canções, indicada ao Grammy por dias vezes e lançou seus álbuns a partir dos anos 1960, quando, com apenas 14 anos foi se apresentar na Rádio Jornal do Commercio, acompanhada por Hermeto Pascoal. Antes disso ela atuou no humor com Arlete Sales & Lúcio Mauro. E atuou com Dominguinhos acompanhando as turnês de Luiz Gonzaga. Entre os seus álbuns de sucesso estão Eu Sou Anastácia (DVD – 2018), Daquele Jeito (2017), 60 anos de Forró e MPB (2016), Amor Entre Quatro Paredes (2009), 50 anos de Forró (2004), Seresta (2001), Sangue Bom (2000), Coração de Mulher (1995), Coisa Querida (1994), Faz parte do Amor (1993), Saudade Matadeira (1992), Vem me Buscar (1991), Forró Bom é do Abc (1989), Tem que mexer para Adoçar (1988), Quero você pra mim (1987), Cheinho de Amor (1982), A Fulô do Forró (1981), Morrendo de Saudade (1979), Você é meu Xamêgo (1978), Vamos Xamegá (1972), Torrão de Ouro (1971), Canto do Sabiá (1970), Caminho da Roça (1969) e Anastácia no Torrado (1965), entre outros. Veja mais aqui.

 


EDUCAÇÃO NO DEBATE CONTEMPORÂNEO - A educação tem assumido o centro temático dos debates planetários, desde a década dos anos 1980, até o momento presente, refletindo-se sobre a sua importância na formação e desenvolvimento do ser humano. Diversas reflexões tem ocupado espaço no cenário educacional, dentre elas as ideias de Terry Eagleton, Jenny Odell, Ana Maria Machado, Judith Butler, Amanda Montell, Esther Pillar Grossi, Hwang Bo-reum, Elisa Loncón, Yurico Saito, Danica McKellar, Teresa Colomer, Zadie Smith, Claudia Werneck, Jason Stanley, entre outros, no sentido de nortear as conduções da relação ensino/pesquisa/extensão, do ensino & a aprendizagem, da educação linguística & estética decolonial, da inclusão, do papel da arte e da reflexão sobre o ódio, intolerância, violência & cristofascismo reinante nos dias atuais. Confira aqui.

 


O MUNDO MARAVILHOSO DO LIVRO – Desde menino bem pirrototinho, eu adorava ouvir hestórias cabeludas ou bem risíveis. Pedia pra quem chegasse que me contasse uma, a que fosse. Quando não, saía às carreiras pra onde tivesse embolada de coco ou desafio de repentista e, ficava lá aboletado, prestando atenção de nem piscar o olho, sem a noção do tempo que passava. Quando aprendi a ler, lá pelos meus 4 ou 5 anos de idade, foi por ficar impressionado com meu pai e o tanto de livros que ele lia a todo momento e todos os dias. E questionava pra ele: Qual o segredo que tem nesse livro? E invadia as estantes cheinhas de livros e pregava a vista neles. Foi aí que descobri o mundo maravilhoso dos livros. Quer saber mais? Clique aqui.

 

FÚRIA DOS INOCENTES - Reunião de dez noveletas em que conto como foi a maior Greia num Boi de Fogo, da Carta do Barbeiro, dum Fandango de quem foi e quase num volta, do santo Bode Frederiko, dum arretado Negócio Fechado, do cara que botou a Boca no Trombone, do Escândalo dum Corínha, do Estopô Calango e do diabo a quatro, tudo pra umas risadas sobre as diversas ações dos mais atiçados e recheadas de humor e situações vexatórias. Confira aqui.

 

GILVANÍCILA & AS SOMBRAS DO CORAÇÃO – Tudo começa com a felicidade do casal Suetônio & Deusdith, ampliada mais ainda com a chegada do irmão dele, Susdidido, há muitos anos no Iraque. A gravidez dela coroou o trio festivo e muito alvoroçado: nascia Gilvanícila. Porém, a felicidade do pai não previu a infelicidade de todos. Confira a historieta e o roteiro aqui.

 

PROS&VERSOS LAM – Reunião das diversas publicações autorais dimensionadas na Literatura & Teatro Infantis, Poemas, Contos, Noveletas, Literóticas & muito humor. Confira aqui.

 

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segunda-feira, junho 08, 2026

ALI COBBY ECKERMANN, MAGGIE O'FARRELL, LORRAINE DASTON & ANITA PAES BARRETO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns The Road... (Shanachie Records, 2011), Soul Quest (Shanachie Records, 2013) e Journey to the Heart (Shanachie Records, 2016), da cantora, compositora e pianista japonesa Keiko Matsui.



 

A viúva do bestiário... - Estava correndo bicho! Sabiam, medrosos cochichos, temores ao pôr-do-sol. Às horas noturnas o agouro, coisas medonhas pela madrugada: partes com o coisa ruim, só sendo. Alívio, só ao amanhecer. Isso é lá coisa que se faça? E tome zunzunzum: quanto mais se tentava esclarecer, mais dúvida se valia. Vogava era espanto, eventos vários e sucessivos, viravam tudo de pernas pro ar. Como é que pode? Fechava a boca pra não topar malefício. Não visto, não sofrido, só pelo sabido: esperar sua vez. Desesperados, quem acudiria? Findava tudo aos risos e sustos, desordens às caçoadas, motejos: a coisa pelo logro, embustes de última hora. O tinhoso cercas rondava, pelas brenhas fechadas, capoeiras, brejos, chãs, o bafo da ameaça oculta, fugiam até os espíritos dos trechos de mata devastada, nada bulia nas trilhas na vegetação, estradas de barro, estalidos pelas benditas lonjuras, êpa, às caretas, o fôlego das ventas, segurando as fivelas, premiam a volta das arreatas, as astúcias na caixa dos peitos: Venha, não! Quem viu rastro de cobra? Destá. Do que disseram que era, nem sinal! Desaforo. Feitiço, trabalho de encruzilhada. Ora, se. No amiudado, o canavial quieto. Ih, pé adiante, só se sabia no outro dia de estraçalhadas vacas, carneiros, cabras, porcos, patos, galinhas - ferrava presa às traições, dente chupa sangue, suga tudo até o ar dos bofes, só estendido no oitão. Cadê sinal de sangue? Valei-me! – Mexeram na gadaria daqueles ricaços? Nada, só dos que juntavam poucos pra sobrevivência. Ara. Vigiavam. Faziam serão, penosa tocaia, as paredes do casebre, o bafejo ruidoso, foices, facas, a face da fera na miragem, olhela! Facões afiados, o pé-de-vento, corridas a cortar mato, pé atrás, queriam o couro do bicho, esfolá-lo! A fama. Remexia a sorte: Pra donde ela pendia? Aos arredores, espreitava-se; andavam de costas pelas próprias pegadas, tarde demais, media-se, calculava-se às funduras, fio-de-prumo, mira no alvo, o extraordinário, ventania e desenredo, cercados intactos: Isto é uma tiborna! Peça licença e não olhe pra trás, não responda chamado nem assobio! Isso não tem cabimento! Era coisa de dar medo, só pavor: Os olhos em brasas vermelhas da Medusa, as feições horríveis, feiosas, o despovoado, as cascas destroçadas, sacudidas vantagens nas lonjuras, suspeitas, celeumas, triunfar embaraçoso, receios pueris. Frescura, cara! Tudo nos conformes. O sapo coaxou, ou a borboleta voou, escorpiões arrastavam, a adivinhação: Vai fazer medo a outro! Uma anomalia que se deu fé em El Yunque, passou por Varginha, parece, e foi bater lá pras bandas de Craíbas, um teratismo sui generis. Isso é pinoia! Era não. Diziam do predador de pele cinza e fedor horrível, drenando a vida dos animais – sugavam o sangue até a última gota e o seu distintivo nas cauterizadas perfurações dentárias cravadas no pescoço ou nas axilas da vitimada, hemorragias internas, sem outras marcas além da mordida e o sangue não jorrava. Ué? Ora, era uma criatura bípede de quase um metro e meio de altura, olhos grandes arregalados, espinhos nas costas e longas garras, saído do fundo dos lagos ou pantanais, em terras distantes ou dos confins das florestas; ora, outros dizquês, era sem pelos por conta da sarna sarcóptica e locomovendo nas quatro patas, aparecia às janelas aterrorizadas, não era coiote, nem guaxinim, nem cachorro selvagem. Que droga que era? Dizem do vampírico Chupacabras. Hem? Nada, deve ser a Tarya do Caribe. Que é isso? Quem sabia! Uns mustelídeos, coisa de doninhas, visons e martas-pescadoras, que também bebem o sangue de presas grandes demais para serem carregadas. Nada, é lorota. Cogita-se oriundo de experiências científicas ultrassecretas malsucedidas pelos algozes colonizadores imperialistas – ah, isso mesmo: exagero da mídia, ansiedade cultural e histeria coletiva! Danou-se, doutor! São híbridos coydogs sarnentos. Quem já viu, de mesmo? Ninguém. Tó Zeca desconfiou da leseira e como era gente de peleja foi atrás da desgraça. Quero ver a cor dessa chita, ah, se vou! Coisas de grotas longes, ladeiras sem fim, de barro batido. Seguiu as pegadas no faro e tirocínio, o rastro escondido parecia brilhar na escuridão, adivinhava. Persistia no encalço. Logo a catinga foi crescendo, tomando vulto e, de repente, desvencilhou-se dum golpe repentino. Eita! Quase me pega desprevenido. De novo, outro golpe devastador. Aí: A-rá! Peguei-te, besta fera! Agarrou o tornozelo da maligna e sustentou-la de vê-se arrastado pelas pedras, matos, rios e mar, até o fim do mundo, quando bateu dela exaurir-se no cansaço de tanto espernear. Peguei-la. Solto não, desgraça! O monstro arfava, a poeira baixou. Encolheu-se, em decúbito ventral. Oxe! Aberração ardilosa, sabia: Quer me pegar na virada, né? Precauções, vigilante, teratologia em dia. Deixou-la quieta, nem ousou soltar o calcanhar dela: Tá doido? Um facho de luz e ali uma mulher nua, indefesa, quase desmaiada. Vôte! Ouviu-a: Sou Filínia de Anfípolis, a Noiva de Corinto do Goethe e da De Mirabilibus de Flégon de Trales. Vá, converse mais, não me ganha, não. Ela fugira do Livro das Bestas para ser prisioneira de Labatut, na Chapada do Apodi – aquele desalmado dos pés redondos, mãos compridas, cabelos longos e assanhados, o olho insone na testa, os dentes de elefante, o mais sanguinário general francês, mercenário cruel, abusava de mim, comia os filhos que paria e saía à caça em noites de ventos e lua cheia. Havia enfrentado todo tipo de acusação de bruxaria e incontáveis julgamentos e censuras, até o dia da fuga quando o amazônico peixe vampiro candiru – entrou-lhe pela uretra e sugou seu sangue, parasita hospedeiro incruado lá dentro dela. Era a primeira morte. Depois a lampreia – uma enguia dentada do mar e dos rios, convívio com morcegos, sanguessugas, artrópodes e insetos – mosquitos, pulgas, carrapatos, percevejos, monstros invisíveis que vieram da febre do Nilo Ocidental, a sua hematofagia. Deram-na pela fugitiva filha do Drácula de Stocker: Marya Zaleska. Mais disse-lhe da sabença dos mistérios no fundo das coisas, o que esconde e o que aquieta, ele só esperava o bote no intervalo, deduzia o estopim, o assombro, a culpa de quem, ao que ela mencionou ser ele da linhagem do grego Carpophorus, que se tornou o venador de Sêneca e abatia feras no Amphitheatrum Flavium. Acreditou? E ela prometeu para ele a vida eterna, desde que a poupasse e vivesse com ela. Como é? Mais precaveu-se: era Lâmia e quantas mais? E só dele o poder de desencantá-la, ciente do amor e seus mistérios. Até mais ver.

 

Gayle Forman: Não leve a vida muito a sério. Você nunca vai sair dela viva... É melhor manter a boca fechada e deixar que as pessoas pensem que você é um tolo do que abri-la e remover toda a dúvida... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Hélène Cixous: Pensar é tentar pensar o impensável: pensar o pensável não vale o esforço... Censurar o corpo é censurar a respiração e a fala ao mesmo tempo. Escreva sobre si mesmo. Seu corpo precisa ser ouvido... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Marie NDiaye: Quando eu era adolescente, esperava que a literatura, tanto a que eu lia quanto a que eu escrevia, me salvasse de uma vida comum, da monotonia do dia a dia com um emprego assalariado, ou de um casamento, etc. A vida real me deixava ansiosa. A literatura me permitiu transformar minha profunda inadaptação ao mundo em algo socialmente aceitável e até gratificante – porque, felizmente para mim, a aposta valeu a pena, e isso poderia muito bem não ter acontecido... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

UM SONHO - Eu vi-te dançar \ aquele verão \ antes da guerra \ seu rosto pintado \ orgulhosamente celebra \ suas habilidades de caça \ mulheres em sussurro de admiração \ atrás de suas mãos \ de sua força \ e bravura \ o cocar que você usa \ reflete seu lugar de direito \ de liderança \ e sabedoria \ Isto foi antes \ o homem branco veio \ e assassinou-te.

EU TE CONTO VERDADE - Eu não posso parar de beber \ Eu te digo verdade \ Desde que eu vi minha filha perecer \ Ela queimou até a morte dentro de um carro \ Perdi o que mais prezo \ Vi os anjos segurá-la \ Enquanto eu gritava com uma esperança inútil \ Eu não posso parar de beber Eu te digo verdade \ É a única maneira que eu lido! \ Eu não posso parar de beber \ Eu te digo verdade \ Desde que encontrei a minha irmã morta \ Ela se enforcou para impedir os estupros \ Encontrei-a no barracão \ Aquele cabrão de violador ainda vive aqui \ Impune nesta cidade \ Eu não posso parar de beber \ Eu te digo verdade \ Desde que a cortei \ Eu não posso parar de beber \ Eu te digo verdade \ Desde que a minha mãe faleceu \ Encontraram-na maltratada pelo riacho \ Sinto mais a falta dela a cada dia \ A minha família culpou-me pela morte dela \ Suas palavras me tornaram selvagem \ Eu não posso parar de beber \ Eu te digo verdade \ Porque eu era apenas uma criança \ Então, se você vê alguém como eu \ Quem está bêbado e alto e xingando \ Não julgue muito ‘porque você não sabe \ Que tristezas estamos amamentando.

Poemas da poeta Yankunytjatjara australiana Ali Cobby Eckermann. Ela, sua mãe e sua avó foram todas roubadas, enganadas e adotadas, afastando-se de suas famílias biológicas e tornando-se parte das Gerações Roubadas, foi abusada sexualmente por um amigo da família quando tinha 7 anos e sofreu abusos e racismo contínuos durante a infância e adolescência. Aos 17 anos, saiu de casa com um homem com quem viveu por dois anos, mas de quem se separou devido à violência. Ao retornar para casa, descobriu que estava grávida e deu à luz aos 19 anos. Seu filho foi adotado. Após completar 18 anos, Eckermann começou a procurar sua mãe biológica, Audrey, mas só a encontrou aos 34 anos, depois que informações foram divulgadas com o relatório Bringing Them Home, em 1997. E 4 anos depois, ela encontrou seu filho Jonnie. Sobre sua experiência ela diz: "Aprendi a viver de duas maneiras diferentes ao longo da minha vida. Aprendi um bom exemplo de trabalho árduo e bondade crescendo com minha mãe e meu pai na minha família adotiva. E sou extremamente grata por minha família tradicional ter me acolhido de volta com tanto amor e honestidade. Ganhei uma segunda chance de viver em um mundo honesto". Ela é autora de livros como Little Bit Long Time (2009), Kami (2010), His Father's Eyes (2011), Love Dreaming & Other Poems (2012), Too Afraid to Cry (2012), Inside My Mother (2015) e She Is the Earth (2023), entre outros.

 

RETRATO DO CASAMENTO – [...] Perder a calma é perder a batalha. [...] A tristeza continua tentando amarrar pesos em seus pulsos e tornozelos, portanto ela precisa continuar se movendo, precisa ser mais rápida que ela. [...] Ela sempre teve uma predileção secreta por essa parte do bordado, o lado "avesso", repleto de nós, estrias de seda e torções de linha. Como é mais interessante, com sua exibição franca do trabalho necessário para alcançar a perfeição da peça finalizada. [...] Ela está aqui agora, fora dos muros da vila, onde a noite pintou sua própria versão do vale, em pinceladas ousadas de índigo; onde o vento anima esta misteriosa paisagem sombreada, pondo as árvores em movimento, lançando pássaros noturnos para o ar azul-escuro, espalhando manchas raivosas pela face ilegível do firmamento. [...] As palavras se imprimiam em sua memória, como a sola de um sapato na lama macia, que secava e solidificava, a pegada preservada para sempre. [...]. Trechos da obra The Marriage Portrait (Tinder Press, 2022), da escritora irlandesa Maggie O'Farrell, autora dos livros Hamnet (2020), The Hand That First Held Mine (2019), I Am, I Am, I Am (2017), This Must Be the Place (2016), The Vanishing Act of Esme Lennox (2006) e After You'd Gone (2000).

 

CONTRA A NATUREZA - [...] O artista não se destaca em nada além de si mesmo. [...] Cultivei minha histeria com alegria e terror. [...] É de mau gosto prolongar a vida artificialmente. Já fiz a minha parte, é hora de partir. Deixarei para trás o máximo de imagens possível; então, de repente, me fecharei como uma crisálida. [...] Na literatura, como em tudo, existe apenas um significado, mas esse significado pode assumir múltiplas formas. [...]. Trechos extraídos de Against Nature (The MIT Press, 2019), da historiadora estadunidense Lorraine Daston, acrescentando que: [...] Os fatos são frequentemente tênues e fugazes. São as conquistas de investigações sutis que devem estabilizar meticulosamente efeitos evanescentes ou combinar engenhosamente vários fios de evidência em um cordão forte e consistente. Acima de tudo, como sugere sua etimologia, [...] os fatos mais interessantes e úteis não são dados, mas construídos, artefatos no melhor sentido da palavra. A racionalidade é feita para um mundo de problemas bem formulados com respostas inequívocas; a razoabilidade postula um mundo menos organizado, no qual particularidades recalcitrantes muitas vezes tropeçam em universais abrangentes. A constatação de que vivemos numa era de polarização e extremismo tornou-se um lugar-comum, mas o historiador deve perguntar: por que agora, por que aqui? Convicções fervorosas podem existir em qualquer época; posições extremas de clareza cristalina sempre atraíram aqueles impacientes com compromissos incertos. Mas, no passado, a realidade complexa, mais cedo ou mais tarde, obrigou os dogmáticos de todos os matizes a baixar a voz e moderar suas afirmações. A novidade em nossa situação atual é a ilusão de que o mundo pode ser regido pelas regras mais rígidas da racionalidade: algoritmos tão inequívocos e inflexíveis que podem ser executados mecanicamente. Embora a propaganda em torno de algoritmos para tudo, desde dirigir um carro até escolher um parceiro de vida, tenha permanecido, em grande parte, apenas propaganda, a racionalidade intransigente se beneficiou às custas da flexibilidade e da razoabilidade. Mas a sociedade civil não pode sobreviver sem o diálogo atento que a razoabilidade implica – até porque, mais cedo ou mais tarde, a realidade se revoltará contra as suposições simplistas da racionalidade. [...]. Ela é autora de obras como lassical Probability and the Enlightenment (1988), Wonders and the Order of Nature, 1150 - 1750 (1998), Objectivity and the Escape from Perspective (1999), Biographies of Scientific Objects (2000), Things that Talk: Object Lessons from Art and Science (2004), Thinking with Animals: New Perspectives on Anthropomorphism (2005), entre outras.

 

A PSICOLOGIA DE ANITA PAES BARRETO

[...] eu só, não posso fazer nada. Agora, vamos nos lembrar que essas crianças que não têm nada e que estão passando pelas mãos da gente talvez não tenham oportunidade na vida. [...] Não é dar coisas, é fazer elas fazerem, fazer elas se promoverem. Porque amanhã elas podem reivindicar os seus direitos, mudar de situação porque entenderam isso. Então vocês não deixem nunca que a aula seja uma aula morta [...]

Depoimento (FGV/CPDOC, História oral, 1978), da professora e psicóloga Anita Paes Barreto, que foi presa como subversiva no golpe de 1964 e desenvolveu estudos e pesquisas sobre Educação de crianças e adolescentes. In: Movimento de cultura popular: memorial (Fundação de Cultura Cidade do Recife/Fundação Educar, 1986) e Ulisses Pernambucano, educador (Psicologia: Ciência e Profissão, 1992). Em entrevista concedida à jornalista Fernanda d’Oliveira (Diário de Pernambuco, 1982), ela expressou que: [...] acho que cada mulher que puder ocupar uma posição onde ela firma os seus princípios e que saiba ser coerente e autêntica na maneira de agir, estará fazendo um bem a todas nós. É interessante que a mulher tome parte na vida política. [...] Sou apolítica, mas tenho como educadora, o desejo da existência, no País, de uma verdadeira democracia [...]. Sobre o seu trabalho o artigo Anita Paes Barreto e o projeto de modernização da educação em Pernambuco (Revista Temas em Educação, 2025) de Alessandra Maria dos Santos e Raylane Andreza Dias Navarro Barreto. Veja mais aqui.

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A ARTE DE RICARDO AIDAR

Entrevista com o engenheiro civil e artista plástico Ricardo Bertacin Aidar, integrante do Gentamiga Ateliê (SP), participante da publicação Dareladas (CriaArt, 2024) e da plataforma Ubqub (SP). Veja aqui & mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

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A MENINADA DO LER BEM

Encontro do Observatório de Linguagens com os estudantes classificados no concurso Ler Bem, na Semed- Palmares (PE). Veja aqui & mais aqui & aqui.

 

Geraldo Azevedo aqui.

Pally Siqueira aqui.

Aguinaldo Silva aqui.

Bárbara Pereira de Alencar (1760-1832) aqui.

Gilvan Samico aqui.

Lucila Nogueira aqui.

Lourival Batista aqui.

Magdale Alves aqui.

Arnaud Rodrigues aqui.

Celina de Holanda aquí.


 


domingo, março 22, 2026

IRMA PINEDA, SOFI OKSANEN, PETER TURCHIN & BÁRBARA DE EXU

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do concerto Live at Philarmonie Luxembourg (2025), oriundo do álbum Sonicwonderland (2023), da pianista e compositora japonesa Hiromi Uehara, com a Philarmonie Luxembourg, no Grande-Duchesse Joséphine-Charlotte Concert Hall. Veja mais aqui & aqui.


 

Da noite pro dia, gente, malacatifas... - De repente Tlaltecuhtli engoliu o Sol e anoiteceu: fez-se a maior escuridão. Do inesperado ao regozijo, Tó Zeca, então, aguardou Jaci reluzir no horizonte. O tempo passava e, pacientemente, mantinha-se à espera. Ela não apareceu. A demora e uma interrogação: Onde fui parar? Não tinha a menor noção. Só se deu conta das chamas pálidas azuladas flutuando lá ou acolá, intermitente fogo fátuo, sabia: Ah, Boitatá. Hesitou, pois temia ter de encarar aqueles olhos flamejantes, não era um bom sinal. Bastou uma leve fagulha alhures e viu-se diante do serpentário do chão à constelação equatorial de Ofiúco. Um sobressalto: o guizo advertia, um arrepio e o sinal do sangue frio de répteis poiquilotérmicos ao redor, o espavento de ver-se de cara com aquela rastejante bocarra 180º e a dilatação corporal. Xiii... Logo viu: era a noturna suaçuboia – Ô jiboia, que é que tu tais fazendo aí, mulher? Ah, senta-espera, peidona, isso é cobra-de-veado pronta pro bote! Ôpa! Logo a escura Boiúna emergiu Mãe do Rio bem fundo: Que é que há? Ao seu lado, logo notou a presença dos olhos de mel da Sofia, a filha do boto e da índia: tremia a terra. Olha lá! Por um instante deu-se conta da movimentação e êpa: lá ia a cavadora Ubijara, a mãe-de-saúva, anfisbena, com suas duas cabeças - Vai pra lá, ibicara; sai pra lá, licranço! Num átimo, o assombro com a perigosa jararacuçu, depois a surucucu, a áglifa araramboia, a camuflada jararaca-da-mata, a boipeva cabeça-chata. Ih! E ali se enroscavam a azulamboia, a periquitamboia, a delgada parda bicuda, a muçurana, preta, pendurada no cipó; a sucuri, muçurana; as três irmãs Jararacuçu, Urutu-cruzeiro e Caiçara, cada qual com seu veneno botrópico para inchar, necrosar e sangrar; a cascavel boicininga, a maracaboia de-quatro-ventas, a coral, a peçonhenta surucucu-pico-de-jaca e outro susto: era anaconda! Alto lá! E juntas: a amarela, a verde, a malhada, a akayima e a da-bolívia, danou-se! Eita, viborões! A canibal sucuri devorava seu macho depois do coito. E Norato com a sua irmã, a cruel Maria Caninana, a arabóia, que subiu na árvore e ficou de tocaia. Se era ou não cobra mandada, não se sabia. Mas se atrevia a chupar o seio da mãe adormecida, com o rabo na boca da criança para que ambas não acordassem. Tô frito! Reunidas, iam beber e antes escondiam a peçonha para não se envenenarem. Que coisa! E rastejavam nas próprias costelas, ondulando lateralmente, com seu movimento de sanfona ou concertina, em zigue-zague, mudando de pele, quando em vez. Se não era a jararaca venenosa, era uma sucuri com seus mais de 9 metros caçando na água. Na névoa um arco-íris e apareceu a mítica Naga de 7 cabeças para o Batismo do Oceano de Leite. E com ela os pigmeus de Baka, que vinham do sul de Camarões, com o Códice de Dresden, anunciando o egípcio Atum que emergia do caos primordial com o Livro dos Sarcófagos para formar a Enéade de Heliópolis. Aí subiu a Python que havia abandonado o Oráculo de Delfos na perseguição por Leto. Logo atrás a criocéfala celta, seguida da víbora-áspide que acabara de envenenar Cleópatra, todas acompanhadas pela híbrida Erictônia, a terimórfica Tibre-cornu de Virgílio e o emplumado Quetzalcóatl. O circo estava pronto, ameaça em riste. Tentou olvidar: Sou lá ofidiófilo! Há quem ofidiófobo, até herpetólogo. Nem, nem. Viu-se em apuros, procurou saída. Deu-se então o imprevisível: Tlaltecuhtli cuspiu o Sol e Tatewari, o Avô do Fogo, acendeu o dia. E Coaraci deu vazão à prática dum pajé de 9 fôlegos: o futuro nas mãos, curava à distância, tornava o animal que quisesse, ficava invisível, aparecia aqui, ali, acolá, o que bem quisesse: Vai encarar? Nem podia, porque Asclépio ergueu-se com o caduceu de Hermes para dar conta da teoria do relojoeiro do Deus otiosus. E aí o feitiço da Naja: a deusa Wadjet era a Kundalini se enroscando 3 vezes e meia na base da coluna vertebral dele, enroscando-se em suas botas e agigantando-se diante de si. Ofertou-lhe o wixárico Tsikuri, Ojo de Dios, ornado por opúncias e peiots, o que lhe deu a coragem de proclamar: Toda cobra do caminho arreda que vou passar! E uma nuvem cintilante rasgou as trevas e tudo clareou, nítida paisagem: o ninho de Ledo Ivo e já era a cidade com a multidão alvoroçada às idas e vindas, com suas expectativas, dolos e angústias. Ali aprendia Ouroboros: tudo é um. Até mais ver.

 

Pilar Quintana: Se você tem alguma dúvida de que o racismo sistêmico existe, é só olhar para lá. A maioria da população, que é negra e indígena, está vivendo na pobreza absoluta. É uma realidade muito dolorosa... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Linda Sue Park: Um erro cometido com boas intenções continua sendo um erro, mas é um erro pelo qual você deve se perdoar... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Shirin Neshat: Todo artista, de uma forma ou de outra, é político. A política define nossas vidas... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

UM POEMA

Imagem: Acervo ArtLAM.

O tempo conquistou o amor \ Isto mistério de nós impiedosamente \ e agora o que faço com a indiferença \ com essa solidão \ que os caras me abraçam gentilmente \ e me sufoca. \ Amor \ minha barriga agora é uma árvore seca \ que onze queriam florescer estrelas para suas noites. \ Minha barriga agora é uma montanha dura \ não mais espantado com o passar do tempo \ pelos dias sem vida. \ Nós ganhamos nosso tempo amor \ misericordioso, o mistério nos tirou \ e hoje não sei o que fazer com aquele desgosto \ com essa solidão \ que às vezes me abraça suave \ e às vezes ele me sufoca. \ Amor \ A minha barriga é uma árvore seca hoje \ que um dia ele queria florescer estrelas para suas noites. \ A minha barriga é uma montanha dura hoje \ que não se admira mais com a passagem do tempo \ para os dias sem vida.

Poema da escritora, editora, tradutora e educadora mexicana Irma Pineda Santiago.

 

PARQUE PARA CÃES - […] Eu me arrastava para o trabalho apenas para retornar a um apartamento que ecoava de saudade, onde as xícaras de café estavam sempre exatamente no mesmo lugar em que eu as havia deixado de manhã e onde nunca havia cheiros de outras pessoas, nunca a bagunça de ninguém além da minha. Eu não sabia que podia sentir falta de tais coisas. [...]. Trecho extraído da obra Koirapuisto (WSOY, 2019), da escritora e dramaturga finlandesa Sofi Oksanen, que ressalta: A memória é parte crucial da humanidade, composta por histórias... Veja mais aqui & aqui.

 

FIM DOS TEMPOS – [...] Nossa análise aponta para quatro fatores estruturais de instabilidade: a miséria popular que leva ao potencial de mobilização em massa; a superprodução das elites, resultando em conflitos intraelitistas; a saúde fiscal precária e a legitimidade enfraquecida do Estado; e fatores geopolíticos. O fator mais importante é a competição e o conflito intraelitista, que se configuram como um indicador confiável da crise iminente. [...] Os livros de história nos dizem que a Guerra Civil Americana foi travada por causa da escravidão, mas essa não é toda a história. Uma maneira melhor de caracterizar esse conflito é dizer que ele foi travado por causa da "escravocracia". [...] Como a escravidão fornecia a base econômica para o domínio do Sul, um ataque político aos proprietários de escravos poderia ser fortalecido por um ataque ideológico à escravidão. [...] Quais são as características das teorias da conspiração que as distinguem das teorias científicas? Primeiro, a teoria da conspiração costuma ser vaga quanto aos motivos dos líderes nos bastidores ou lhes atribui motivações implausíveis. Segundo, pressupõe que eles sejam extremamente inteligentes e conhecedores. Terceiro, coloca o poder nas mãos de um líder forte ou de uma pequena conspiração. E, finalmente, pressupõe que planos ilegais possam ser mantidos em segredo por períodos indefinidamente longos. Uma teoria científica, como a da dominação de classe, é muito diferente. [...] Mentes coletivas são resultado de discussões e esforços coletivos para alcançar um consenso, que pode ser ouvido (ao contrário de uma mente ilegível). Chegar a um programa de ação comum geralmente deixa rastros físicos, como atas de reuniões e documentos programáticos. É claro que alguns grupos são bastante reservados quanto aos seus processos internos de tomada de decisão. É aqui que denunciantes como Julian Assange e Edward Snowden se tornam essenciais para um sociólogo do poder. [...]. Trechos extraídos da obra End Times: Elites, Counter-Elites, and the Path of Political Disintegration (Allen Lane, 2023), do antropólogo russo Peter Turchin. Veja mais aqui.

 

BÁRBARA DE EXU, INIMIGA DO REI

É Bárbara, tenho certeza \ É Bárbara, sei que é ela \ Que de dentro da fortaleza \ Por seus filhos e irmãos \ Joga gemidos, gemidos no ar \ Que sonhos tão loucos, tão loucos, tão loucos \ Tão loucos foi Bárbara sonhar...

Trecho da música Passeio público (Berro, 1976), do cantor e compositor cearense Ednardo (José Ednardo Soares Costa Sousa), em homenagem à revolucionária pernambucana Bárbara Pereira de Alencar (1760-1832), primeira presa política do Brasil e heroína da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador. Sobre ela encontram-se as obras: a biografia da coleção Terra Bárbara (Demócrito Rocha, 2017), da jornalista e escritora Ariadne Araújo; A guerreira do Brasil (Universidade de Indiana, 2001), do escritor Roberto Gaspar; A heroína do Crato (Bazar do Tempo, 2022), da socióloga e roteirista Antonia Pellegrino; e a dissertação de mestrado Relações de gênero e poder no Cariri Cearense (UECE, 2015), de Kelyane S. de Sousa. Veja mais aqui & aqui.

 

Murillo La Greca aquí, aquí, aquí & aquí.

Amanda Vieira aqui.

Robertinho de Recife aqui, aqui & aqui.

Beta Ferralc aqui.

Mestre Nuca de Tracunhaém (Manoel Borges da Silva – 1937-2014) aqui.

Teresinha Gonzaga aqui.

Vital Santos (1948-2013) aqui.

Lia Letícia aqui.

Pablo Porfirio aqui.

Marília Parente aqui.

 


DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...