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sábado, agosto 15, 2026

LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.


 

Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca, sobe-desce na sua fubica incrementada, todo ancho a viandar pela rodovia Gonzagão. Ah, chega ele devaneava pelas paradisíacas escarpas íngremes neblinosas do Planalto da Borborema. Ali atravessou túneis e, pela alta Ponte Cascavel, acelerou empáfia de piloto macho, amostrando-se pra si nas cantadas de pneus pelas curvas acentuadas, quando, ao destampar numa delas deu-se o desembesto: deparou-se com uma formosa estranha, com o braço estirado prum breque: Pare! Um desmantelo. Ela estava exatamente postada no meio da faixa, obrigando-o a morder a língua desastrado, numa frenagem cabulosa, dele se estabocar todo e botar pra valer toda sua perícia ineivada: virou bruscamente o volante, botou pro lado, puxou o freio de mão de quase arrancá-lo num cavalo de pau arretado, enrolou-se todo girando às piruetas tresloucadas, pronto para se espatifar de qualquer jeito, deus o livre e guarde, tei bei. Mas, não, bastante ágil, livrou-se duma barroada na barreira e, às rodadas vexaminosas, desaprumou-se de quase ser arremessado ao precipício, valha-me! Nada. Aí, retomou habilmente o tino e o que restou de prumo, acionou alucinado a tração nas 4 rodas, as traseiras estavam no ar já fora do asfalto pra rebentação e, numa acelerada brusca, cantou os dois pneus dianteiros que restavam no solo, vupte! E salvou-se de desabar ribanceira abaixo. Ufa! Depois de muito atrapalho, às reviravoltas, levantando poeira no saçaricado, finalmente, todo desarrumado estacionou atravessado diante da beldade. Mão enxugando o suor da testa, sacudia o corpo entrevado e, com ar de superioridade, esperou a poeira baixar. No meio da fuzarca apareceu a dita cuja firme e chistosa: Essa geringonça mata sapo e espalha merda, né? Hum, gracinha. Reconheceu-a e não era um bom sinal: É você mesma ou uma das irmãs Stepfoad, uma de seus clones? Indignada, cerrou as pestanas e fez uma careta de reprovação. Não, não era. De mesmo, era a indestrutível Rainha Branca, a supervilã do Helfire Club, tão difusa ali, personalidade fria, calculista, poliândrica, arrogante e, ao mesmo tempo, sarcástica, com todos os seus atavios charmosos e a ronronar sua repugnância: Você, humano, é uma criatura inferior! Êpa, calma aí! E ao vê-lo afastar-se do veículo, ela apontou o dedo, sinistra: Vou levá-lo pra Kroaka, é melhor não resistir, se poupe. Olhou dos pés à cabeça e lá estava ela, atraente catadura, com toda sua elegância de femme fatale, seu estilo marcante, seus cabelos louros esvoaçantes no olhar penetrante, sua atitude dominante nas vestes níveas, seus lábios carnudos proeminentes, seios opulentos, as botas nas coxas voluptuosas, um mulheraço dinamitando suas ideias. Veja só: não sou Ciclope nem Toy Stark, nem o Namor, muito menos Sebastian Shaw; também não sou aliado da Casandra Nova, nem de Esmee que atirou despedaçando sua forma diamante; sou de paz, saiba logo. Não resista, você não sabe com quem está lidando. Ora, se sei. Sabe mesmo? Claro. Sou Emma Grace Frost: é pro seu bem! Sei, Hazel Kendal, muito prazer! Ela arregalou o olho ao ouvir seu codinome. Reluta? Nunca. Dissimuladamente ela começou a deslizar o zíper das vestes, desabrochando sua nudez e ele sabia: Vai ser agora! E ao se aprumar no salto pra bater os calcanhares e gritar a palavra mágica, nem deu tempo balbuciar as primeiras sílabas: Sabari... Estava desprevenido pra vilania dela e, com asco estrangulador, atingiu-o com uma rajada de raios psiônicos, vixe! Lascou-se. Nele tascou todo o seu poder ameaçador de nível ômega, acometendo-o de ilusões telepáticas: Não resista! O golpe foi quase letal e, por um instante, ao voltar a si: Ela me nocauteou! Um reles humano diante de uma heroína sobre-humana: Perdi a parada! Ela achegou-se com toda cupidez e, revestida pela pele de diamante indestrutível, jogou-lhe seus poderes inigualavelmente aterradores. O cara inchou e bufou de quase estourar-se aos cacos pra todo lado, rendido a cumprir sua pena: nova carga dela aos golpes certeiros e ele se contorcia de dores, aos gritos. Enquanto isso, ela vasculhava sua mente, inutilizando-o. Quando, de repente: Peraí! Entre as memórias dele a presença dela: Como pode? Investigou melhor e reviu cenas: o ataque do viajante temporal, em que ela entrou em coma: Não pode, quem me socorreu? Quem me levou para ser cuidada na Mansão X? Não pode ser. E aprofundou-se na averiguação: Foi ele quem me levou para ser restaurada por Jean Gray; foi ele quem me avisou que o Dr. Sublime havia roubado meus óvulos e foi quem me deixou ciente de que fui traída por Ciclope, que roubou meus poderes. A certidão inevitável: Foi ele quem me salvou quando fui presa pelos Vingadores. E ao passar tudo por seu escrutínio, suspendeu o martírio. Era tarde, o cara parecia mais que já tinha partido dessa para melhor. Foi não! Agora, só na outra! Oxe! Bem, escapou dessa. Ao despertar, ele notou o silêncio ao redor: se sentia como se estivesse num Caixão da Tortura. Suspeitava, à espreita: Estou numa prisão inexpugnável. O hostil rondava e se sentia como coagido por um tridente invisível, aprisionado numa teia inextricável. E meio que alucinado, não dizia coisa que valesse: Estou debilitado demais... Não lembrava quem era nem do que havia passado. Teve um susto violento com a chegada repentina de uma bela mulher: Quem é você? Onde estou? Você já se restabeleceu, vou recuperar sua memória. Ah, você... O que houve? E ela silenciosa, depunha sobre a mesa uma tranqueira de coisas: uma mordaça, vendas, cordas, máscaras, chibatas, algemas, velas, gelo. adereços. Alguém vai ser castigado? Ela virou-se pra ele, era um álibi: brincadeira de adulto. E esbravejou pra ele: Sou Ishtar e você meu servo, sirva-me! Ora, você, uma heroína; eu, apenas herdei a maldição da minha vó. Obedeça-me: Sou Fílis, ajoelhe-se Aristóteles, tire minhas botas. À soberba dela, humilhado, ele se prostrou. Via-se insignificante diante daquele poderio persuasivo: irresistivelmente insinuante. Foi estapeado, puxado pela coleira no pescoço, engatinhando ao mando dela. Era questão de tempo arrumar um jeito de se esquivar disso, pensava. E ao tomá-lo servil, a Disciplinadora de Bétula mudou subitamente: Dessa vez, não. E agachou-se frente a frente, beijou-o e jogou-o pra lateral, aninhando-se podólatra mandona: A dominatrix se rende, quero pirá-lo. E não aceito não como resposta, nem seja analfabeto sexual, destrave-me! Do contrário, vou esmagá-lo: sou a vingativa Mimi Bouvier do Bitter Moon. Ele espantou-se, mas logo compelido a cumprir seu papel, atreveu-se mãos e pernas, bocas e sexo. Ela sussurrava soletrando: Amarelo!... E se engalfinhavam. Ela, agora, submissão em pessoa: Quero sempre mais, assim 24/7. Ele tomou seus pulsos, a crucificá-la nua. Ela rosnava medonha: Amarre-me, possua-me, ou eu o aniquilarei - sou Vanda Jourdain como La Vénus à la fourrure. Empolgado, usou de extrema força para domá-la, a maldizer entredentes coisas dos que mandam para os que são mandados, dos que pisam para os que são pisados, dos que chafurdam na coação e o doloroso prazer do coagido, os grunhidos dela: Mate-me, ou vou exterminá-lo! Ela rugia asfixiada, Vênus das Peles; ele, performático a supliciá-la na Cadeira de Judas, sodomizando a leoa que bramia estertorante, empalando-a com sua Pera da Angústia, como se estivesse suspensa num pau-de-arara. Deu-se o ápice, o desmaio: ali dormiam com o inimigo. No dia seguinte Tó Zeca despertou cabeça ao volante, no banco do motorista, acostamento da BR 232: Nossa, foi o maior rolê, hem?... Inacreditável! Virou as chaves, o ronco do motor, seguiu o passeio. Até mais ver.

 

Cora Coralina: O tempo muito me ensinou: ensinou a amar a vida, não desistir de lutar, renascer na derrota, renunciar às palavras e pensamentos negativos, acreditar nos valores humanos, e a ser otimista. Aprendi que mais vale tentar do que recuar… Antes acreditar do que duvidar, que o que vale na vida, não é o ponto de partida e sim a nossa caminhada... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Paulo Leminski: o tempo entre o sopro e o apagar da vela... Só uma nuvem te separa das estrelas... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Idea Vilariño: Tudo é muito simples muito mais simples e ainda. Ainda há momentos em que é demais para mim onde eu não entendo e não sei se rio em voz alta ou se chorar com medo ou estar aqui sem chorar sem risos em silêncio assumindo a minha vida meu trânsito meu tempo... Veja mais aqui & aqui.

 

VÊNUS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Papai \ Aqui, aqui \ Babá \ Vovó \ Peitos. \ Tela os maiores mundo do peito, \ o mais cabelo comprido da cidade e uma penta enorme do esquerdo esquerdo. \ Quase um oleiro de terceiro, e mesmo assim, ela era míope. \ Um Nós chamsinós de Dada, não sei porça. \ Bem, Sim. \ Sim, claro: porque rosto o dela \ era sem \ graça, semona estética. \ Um dia, eu minha e irmã a maquiamos — com \ a cara maquiagem da mamãe. Mamãe ficou furiosa. \ Plebeu não tem um Dior. \ Eu adormecimentos muito da minha Dada com peitões. \ Com ela, a favor, assistência pela vez. \ Bebemos Coca-Cola, rimos, dissemos "Oh!". \ Na verdade, o nome dela era Zohra, \ assim o planeta \ Vênus. \ Minha Dada, com seios grandes, \ que não é mais aqui, aqui. \ Não, não.

Poema da escritora e artista visual marroquina Rim Battal, cuja obra poética e literária aborda com visceralidade a vivência do corpo feminino e as complexidades de crescer entre a tradição e a modernidade.

 

NOITE DA ESPERA - [...] Talvez seja isto o exílio: uma longa insônia em que fantasmas reaparecem com a língua materna, adquirem vida na linguagem, sobrevivem nas palavras... [...] O que o medo destrói e pode ensinar. Há momentos de medo. Há momentos de coragem... A melancolia é sentimento difuso, pois não se realiza. [...] Trechos extraídos da obra A Noite da Espera (Cia. das Letras, 2017), primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio, do escritor, tradutor e professor Milton Hatoum (Milton Assi Hatoum). O segundo volume da trilogia é Pontos de Fuga (Cia. das Letras, 2019), que acompanha a formação sentimental, cultural e política do jovem Martim durante a ditadura militar brasileira, no qual o protagonista deixa Brasília e retorna a São Paulo, sua cidade, onde ingressa na faculdade de arquitetura da USP e passa a morar numa república de estudantes no bairro da Vila Madalena — um grupo que lhe trará novas vivências e grandes companheiros para a vida. Agora distante do pai opressor e dos amigos de Brasília, e sobretudo afastado de Dinah, a atriz militante com quem sua relação ficou estremecida, ele acompanha o endurecimento do regime autoritário no país, ao mesmo tempo que experimenta as agruras e adversidades da vida adulta, sempre assombrado pela incógnita do desaparecimento de sua mãe. Na obra ele expressa: [...] Não sei onde fiquei preso; fui proibido de telefonar, escutei barulho de motor de avião e com o zíper da calça marcava na parede cada dia que passava até desistir. Não quero falar dos interrogatórios. Melhor calar sobre o que se quer esquecer, mas é impossível esquecer [...] Não me machucaram quando fui detido em março de 68. Mas os pesadelos, a violência, e tudo que vem acontecendo na vida de muitas pessoas dão a Brasília um sentimento de destruição e morte que nem sequer os palácios, a Catedral, as cúpulas do Congresso e todas as curvas desta arquitetura conseguem dissipar.[...] Os convidados são deputados federais, menos Galindo, um gaúcho de uns cinquenta anos, cuja voz exaltada fala de brasileiros desaparecidos, tortura, insurgências populares [...] Só a Baronesa discorda do gaúcho, ela afirma que não tem tortura no Brasil, que os militares só matam os terroristas [...]. O terceiro volume da trilogia é Dança de Enganos (Cia. das Letras, 2025), em que o autor expressa: [...] É preciso dar tempo ao passado [...] depois da cantoria na igreja, meu pai me contou a história de um rei negro escravizado no Congo pelos portugueses. Foi vendido pro dono de uma mina em Ouro Preto e conseguiu comprar a alforria dele e de muita gente [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

O UNIVERSO LITERÁRIO DE LYGIA FAGUNDES TELLES (Imagem: Quino – 1932-2020) - As personagens são como vampiros, cravam os caninos na nossa jugular e quando amanhece, voltam aos seus sepulcros até que anoiteça de novo. O fim do livro seria a pedra que ponho sobre esses visitantes. Definitivamente? Não. Um dia, de repente, com outro nome e outras feições e em outro tempo volta mascarada a mesma personagem, elas gostam da vida. Como nós... Ô literatura! Por que as coisas nos parecem sempre belas quando protegidas pela distância?... Pensamento da escritora Lygia Fagundes Telles (Lygia Fagundes da Silva Telles – 1918-2022), considerada a dama da literatura e a maior escritora brasileira, com suas obras que retratavam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo, a loucura e a fantasia. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

POLÍTICA & RESPONSABILIDADE - [...] Não se deve travar lutas que você não vá vencer... [...]. Pensamento da socióloga, diplomata e política mexicana Beatriz Paredes Rangel (Beatriz Elena Paredes Rangel), que na entrevista Oficio y profesión. Una conversación con Beatriz Paredes (Nexos, 2024), ela expressou: […] Parece-me que essencialmente um político ou uma política deve ter um compromisso com os ideais. Os ideais em que ele acredita, que o ligam com as expectativas da sociedade. Nunca pensei que a política tivesse valor em si mesma. Penso que a política é instrumental. Políticos que estão interessados no poder para o próprio poder, por se sentirem poderosos, em satisfazer seu ego, por acumularem coisas, não compartilho dessa visão. Então, eu acredito que a política é um instrumento para transformar a realidade. Um político, uma política deve ter uma visão da realidade e deve lutar porque essa visão pode ser realizada. [...] Eu vou dizer algo muito estranho. O que eu gosto é de música e o que eu gosto é de arte. Política é o meu trabalho. É o cumprimento da minha responsabilidade pública. Vivo a política como uma responsabilidade, não a vivo como um prazer. Sei o que é prazer e não é política, para mim. Tem gente que gosta de poder, que bom... A política é sempre uma responsabilidade para mim. Nesse sentido, sou muito povo do Poder Legislativo, porque sou democrata. O poder legislativo é mais horizontal. Gosto do que afeta o médio e longo prazo. A lei, a boa lei, afeta o médio e longo prazo. Então eu gosto do Poder Legislativo. Penso que a legislatura mexicana deve passar por uma reforma muito profunda. Parece-me que é indispensável uma grande reforma do Estado mexicano. Mas eu tive responsabilidades muito interessantes no poder executivo. E claro, o privilégio de governar Tlaxcala, para alguém que é de sua região, pois é uma oportunidade extraordinária. [...].

 

A ARTE DE ANASTÁCIA

[...] Eu comecei minha carreira com 13 anos cantando em uma banca. E com menos de 15 anos fui descoberta por um ator pernambucana, e fiquei até os 20 anos no Recife cantando em uma rádio. Depois fui para São Paulo, onde estou até hoje, eu fui seguindo a vida e fui me alicerçando em São Paulo [...] Ultimamente tenho feito algumas coisas com Zeca Baleiro, que é um compositor maravilhoso, um artista sensacional. E o Chico César é uma pessoa muito inteligente que a gente sempre está junto. Agora estou na fase de compor com o filho de Gonzaguinha, ele vai produzir um disco de samba para mim. Essas pessoas que a gente tem afinidade, a gente se junta para fazer algum trabalho, e é uma maneira da gente juntar a força nordestina através da música [...].

Depoimento numa entrevista (G1, 2022), da cantora e compositora Anastácia (Lucinete Ferreira), a Rainha do Forró e parceira de Dominguinhos (1942–2013). Ela compôs mais de 250 canções, indicada ao Grammy por dias vezes e lançou seus álbuns a partir dos anos 1960, quando, com apenas 14 anos foi se apresentar na Rádio Jornal do Commercio, acompanhada por Hermeto Pascoal. Antes disso ela atuou no humor com Arlete Sales & Lúcio Mauro. E atuou com Dominguinhos acompanhando as turnês de Luiz Gonzaga. Entre os seus álbuns de sucesso estão Eu Sou Anastácia (DVD – 2018), Daquele Jeito (2017), 60 anos de Forró e MPB (2016), Amor Entre Quatro Paredes (2009), 50 anos de Forró (2004), Seresta (2001), Sangue Bom (2000), Coração de Mulher (1995), Coisa Querida (1994), Faz parte do Amor (1993), Saudade Matadeira (1992), Vem me Buscar (1991), Forró Bom é do Abc (1989), Tem que mexer para Adoçar (1988), Quero você pra mim (1987), Cheinho de Amor (1982), A Fulô do Forró (1981), Morrendo de Saudade (1979), Você é meu Xamêgo (1978), Vamos Xamegá (1972), Torrão de Ouro (1971), Canto do Sabiá (1970), Caminho da Roça (1969) e Anastácia no Torrado (1965), entre outros. Veja mais aqui.

 


EDUCAÇÃO NO DEBATE CONTEMPORÂNEO - A educação tem assumido o centro temático dos debates planetários, desde a década dos anos 1980, até o momento presente, refletindo-se sobre a sua importância na formação e desenvolvimento do ser humano. Diversas reflexões tem ocupado espaço no cenário educacional, dentre elas as ideias de Terry Eagleton, Jenny Odell, Ana Maria Machado, Judith Butler, Amanda Montell, Esther Pillar Grossi, Hwang Bo-reum, Elisa Loncón, Yurico Saito, Danica McKellar, Teresa Colomer, Zadie Smith, Claudia Werneck, Jason Stanley, entre outros, no sentido de nortear as conduções da relação ensino/pesquisa/extensão, do ensino & a aprendizagem, da educação linguística & estética decolonial, da inclusão, do papel da arte e da reflexão sobre o ódio, intolerância, violência & cristofascismo reinante nos dias atuais. Confira aqui.

 


O MUNDO MARAVILHOSO DO LIVRO – Desde menino bem pirrototinho, eu adorava ouvir hestórias cabeludas ou bem risíveis. Pedia pra quem chegasse que me contasse uma, a que fosse. Quando não, saía às carreiras pra onde tivesse embolada de coco ou desafio de repentista e, ficava lá aboletado, prestando atenção de nem piscar o olho, sem a noção do tempo que passava. Quando aprendi a ler, lá pelos meus 4 ou 5 anos de idade, foi por ficar impressionado com meu pai e o tanto de livros que ele lia a todo momento e todos os dias. E questionava pra ele: Qual o segredo que tem nesse livro? E invadia as estantes cheinhas de livros e pregava a vista neles. Foi aí que descobri o mundo maravilhoso dos livros. Quer saber mais? Clique aqui.

 

FÚRIA DOS INOCENTES - Reunião de dez noveletas em que conto como foi a maior Greia num Boi de Fogo, da Carta do Barbeiro, dum Fandango de quem foi e quase num volta, do santo Bode Frederiko, dum arretado Negócio Fechado, do cara que botou a Boca no Trombone, do Escândalo dum Corínha, do Estopô Calango e do diabo a quatro, tudo pra umas risadas sobre as diversas ações dos mais atiçados e recheadas de humor e situações vexatórias. Confira aqui.

 

GILVANÍCILA & AS SOMBRAS DO CORAÇÃO – Tudo começa com a felicidade do casal Suetônio & Deusdith, ampliada mais ainda com a chegada do irmão dele, Susdidido, há muitos anos no Iraque. A gravidez dela coroou o trio festivo e muito alvoroçado: nascia Gilvanícila. Porém, a felicidade do pai não previu a infelicidade de todos. Confira a historieta e o roteiro aqui.

 

PROS&VERSOS LAM – Reunião das diversas publicações autorais dimensionadas na Literatura & Teatro Infantis, Poemas, Contos, Noveletas, Literóticas & muito humor. Confira aqui.

 

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segunda-feira, julho 21, 2025

IDA VITALE, ABNOUSSE SHALMANI, JOACINE KATAR MOREIRA & ANTONIO NÓBREGA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som de Disquiet (2005), Until I Become Human (2006), Hiraeth (2015), Something for the Dark (2016), The Blue Hour (2017), Embrace (2018), Forward Into Light (2020), Eye of Mnemosyne (2023) e Drink the Wild Ayre (2024), da compositora estadunidense Sarah Kirkland Snider.

 

Sabaribadô: prodígios de audacioso mitômano... – Sabe aquela mentira cabeluda? Tó Zeca insistia que era de linhagem aristocrática. Num brinca! Batia o pé. Prova? Timóteo não-sei-de-quê! Nem ele mesmo sabia pronunciar o nome completo. Mesmo? Lá pelos 17 anos de idade, sua querida vovó chamou num canto de alerta: Chegou a hora, seja homem! E deu-lhe um livro e um cajado. O que é isso? A macróbia pacientemente soletrou o nome dele, só entendeu o Timóteo, o resto: blábláblá. Leu e releu os sobrenomes aos tropeços da língua: Brunsich vun Brunn Munchausen. Do Barão? A provecta contou que o famoso barão ao enviuvar casou-se com uma jovem 50 anos mais nova. Ela se chamava Bernardine e era Frederiike e também Louise e, no meio desse matrimônio conturbado, nasceu Maria Wilhermina, que não teve por ele o reconhecimento da paternidade. Foram brigas num litígio de décadas pelos tribunais. No meio das arengas, a filha resolveu torrar a fortuna paterna em viagens pelo mundo e, ao passar pela costa brasileira, foi sequestrada por uma tuia de corsários ingleses, usada e abusada. Coitada. Foi salva por um parrudo quilombola fugitivo, com um providente nocaute dos branquelos, amasiando-se pruma prole dumas 30 filhas – o pintudo também era faminto, deu pra ver. Ela viveu mais de 200 anos, o que lhe deu tempo de escrever um livro sobre seu aprendizado com um cajado herdado da mãe e dado a ela pelo irreconhecível pai. Na verdade, ela é a sua hexavó que, por sucessivas Bernardinas, Louises, Fredericas e Wilherminas, como eu e sua mãe, desenharam a sua árvore genealógica. E minha mãe? Morreu do parto no seu nascimento. Ave! Findava com ela a odisseia e, de agora em vante, você é o único homem detentor dessa herança. Aí ele viu-se num delírio edificante: o cajado e o livro - Sabaribadô. Vôte! Significa o quê? Leia. A partir daí começaram as suas façanhas que foram muitas e que estão registradas nas páginas dum outro secreto volume ainda inédito e recôndito em lugar incerto e não sabido até agora. Ciente de ser o escolhido, aprontou-se para receber o seu chamado. Não tardou e providenciou alistamento no exército, para compor a tropa dos 25 mil soldados da Força Expedicionária Brasileira, contra o Eixo, durante a 2ª grande guerra, na Itália. Estava lá entre os combatentes na conquista de Monte Castelo, de lá foi todo ufano por ser o único sulamericano a caminho de Castel Nuovo e na ofensiva da Linha Gótica, ostentando a insígnia da Cobra Fumando. Foi durante os bombardeios que ele se deu conta de seus poderes transcendentais, fazendo jus ao epônimo e encarou: Quem mandou? Não bula com quem está quieto! Todo mundo em pé de guerra! Bastava dizer a palavra mágica: Sabaribadô! E avançava sobre o inimigo, acabando tudo em três tempos, salvando milhares e só lamentou não ter conseguido resgatar os 500 que morreram por lá. Era o começo dos seus feitos e retornou festejado pela bravura de pracinha e valentia de grande heroísmo. Foi daí que ele começou a bater dos calcanhares e sair voando; balançava os braços, levitava, qual beija-flor; estava calor, estalava os dedos e fazia chover; era cheio das mungangas e foco de risadagens: Esse cara é doido! Todo cheio dos pantins, uma vez mergulhou no rio e, dali a pouco, só se viu ele agarrado aos murros num tubarão, que ele prendeu duas tábuas amarradas com fiapos do bigode, pra servir de motor, enquanto surfava subindo as ondas do rio Una. Vixe! Quando não era isso era contando das aventuras intrépidas com parelhas feito Malasartes, Camonge e Cancão de Fogo, engrossando os versos do cordel duns tantos cantadores na maior farra. A conversa era muita e sua notabilidade usurpou estases e êxtases indiscriminados, aos apupos. Seus prodígios passaram aos do Cancioneiro da Vaticana, notadamente pelo fato de um dia lá agarrar uma traíra gigante e, de dentro dela, tirar Calibã que estava louco, para dar-lhe uma pisa bem dada. Muitas ele contava até o dia em que teve de provar pra si e pra não sei quem mais, ao que veio. Na verdade, era lua cheia e lá ia na sua fubica Brasinha – uma Brasília 71, incrementada de quase cair em bandas, quando ele que era o piloto de todas as manobras e circuitos, o astro de todas as plateias, quem já tinha enfrentado todo tipo de fera, besta, brutamontes, enamorado zis mocreias no xodó pelos fuás, deu de cara com a mais formosa entre as mulheres na beira da pista. Danou-se! Ao vê-la quase teve uma polução instantânea, a ponto de dar um cavalo-de-pau e parar rodando bem ao lado dela na janela do passageiro: Pronde a madame deseja ir? Ela apoiou os cotovelos cruzados sobre o vidro lateral, os peitões no decote à mostra, lambeu os beiços, piscou um olho e bafejou: Estava só esperando você chegar, bonitão! Oxe! Ele puxou bruto da maçaneta, abriu a porta emperrada, desceu, arrodeou o carro para agir como um cavalheiro de responsa: Madame dessa tem que ser tratada como rainha! Ela então pegou na beca dele e tascou-lhe um beijo afetado. Ih! Nem deu tempo de abrir a porta do automóvel, logo sacou na má fé da frochosa, ao oferecer-lhe uma maçã supostamente saborosa. Desconfiou, aguçou as ventas e atinou que estava embebida com atropina para zumbificá-lo e roubar sua memória. Deu ré de um salto e caiu em si: era Diabolina, a súcubos que destronou o capeta e era da pior qualidade: Al duwayce - com lâminas afiadas nos lábios vaginais, sabia?! Quer me capar, é? Viu-lhe a insígnia pendurada no bico de um dos seios dela: a orquídea cabeça do diabo. Deu outro passo tonto atrás, bateu as mãos para acessar as armas de Catarina de Bolonha e a armadura de Efésios, nada adiantou. Cascavilhou a salvação de Papini para abolir de vez aquele inferno e erradicar a diabologia de vez da face da Terra, não deu. Tentou exorcizar-se, nada. Então, ela armou-se pro bote com todas as pragas e flagelos multitudinários, aquela catinga de tiocetona subindo na poeirada, e ele no meio daquela fantosmia, chega a sua própria sombra acovardou-se e se escafedeu. Valha-me! Foi tomado por todos os temores pueris, mas segurou a bosta na tripa gaiteira, perscrutou, fungou, a vista turvou, titubeou, peidou-se todo, perdeu-se de si com aquele fedor nauseante: Será que virei aquele Inexistente Cavaleiro de Calvino: Cadê eu?!? Nem em sonho jamais vira tão infligido por tais circunstâncias. Buscou fôlego, tomou impulso, tombou no caqueado, buscou ideia e na hora deu peleja glosando motes prum desafio no martelo agalopado. Ela só lá, balançando o pé. Pegou versos no balaio do quengo e virou-se cabra macho feito o Riachão do Leandro Gomes de Barros, não arredou e chamou pra quebra-de-braço. Ela no bocejo. Foi quando deu fé que estava numa encruzilhada: Lasquei-me! Ô desconforto, logo numa hora dessas! E ela desatou-se em risadas estarrecedoras, rindo-se por mofa e invectivas. Teve de enfrentar as torpezas, o fogo dos vaticínios, os esgares, de deixá-lo cego, surdo, mudo, paralisado de tão perdido no meio duma comédia de Goldoni. Tôfu! Ficou entupido de raiva ao ser qualificado pícaro: Essa não! Ela sentou-se no capô do carro, abriu as pernas: Venha! Uma ventania puxou-lo de quase não se segurar em pé. E agora? Ele atinou: Vou pegar a camisinha! Ela deu uma estrondosa gargalhada. Aí ele provocou: Num vai dar nem uma chupadinha? E ela: Com todo prazeeeeeer! E abriu a bocarra traiçoeira. Foi aí que se deu ao veloz e danou o cajado na boca da danada: Sabaribadô! Aí ousou na sua pseudologia fantástica, deu-se um pipoco de quando a poeira baixou o canto mais limpo. A coisa sumiu de restar só uma bengalinha envergada quase sem préstimo. Hem, hem. Aí bateu nos peitos: a astuta foi engalobada pela esperteza do mancebo. Mas foi treta! Pense num trupé, dele chega ver o outro lado das coisas. Endoideceu? Para quem ganhava a vida entretendo o povo, tornou-se figura lendária – até se gabava: O que faz um batuta não é o que se diz dele, mas os seus feitos! Vivia sem perder de vista um pouco disso, outro daquilo, cobrando contas prometidas, nenhuma promessa cumprida, só às lorotas, libido e aporias. Vai lá que não tinha nada do Gatsby de Fitzgerald, nem do Iago de Otelo e discordava frontalmente do Littlefinger: o caos não era uma escada, mas um labirinto. Era tudo no verossímil, propendia neosofista e se identificava com Pinóquio embalado pela infância, às gaitadas! Estava mais para Próspero da Tempestade e, diante de sua avó quase morta pela terceira vez, mencionou: “Não fiz nada além de cuidar de você”. Quebrou o que restou do cajado e enterrou junto com o livro pra nunca mais. E aí? Com a definitiva morte de sua avó já contando o vigésimo velório dela ou por aí, danou-se pelas quebradas do mundo. Dizem que foi pras bandas Bodenwender, Rinteli, coisa assim pros lados da Alemanha, pra ver se ainda restava alguma vultosa herança. Afinal, uma cabra cabriolé comeu-lhe todos os documentos, não deixando a menor prova de que tenha existido. Taí. E qual é o fim da hestória? Ora, ora. Até mais ver.

 

Silvina Ocampo: Quando você escreve, tudo é possível, até o oposto do que você é... As casas sonham que são barcos à noite... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Cassandra Clare: Escreva o que você ama - não se sinta pressionado a escrever prosa séria se o que você gosta é ser engraçado... Veja mais aqui & aqui.

Geraldine Brooks: Uma coisa que eu acredito completamente é que o coração humano continua sendo o coração humano, não importa como nossas circunstâncias materiais mudam à medida que nos movemos juntos através do tempo... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

QUADRADO DA DISTÂNCIA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Não importa se você está \ no palco do verão, \ no centro de sua provocação. \ Longe de seus incêndios, \ você caminha sozinho \ entre estátuas nevadas, \ ao longo das pedras da \ Ponte Carlos, infinita. \ Você se vê caminhando, \ observando como o gelo se coagula \ em ilhas efêmeras, \ correndo rio abaixo, \ se juntando em um ponto \ distante \ — o quê aqui? — \ entre novas praias. \ O relâmpago é indizível. \ Retorna, pois, na direção oposta, \ recupera usos e costumes, \ mar, \ areia morta, \ esta claridade, \ enquanto podes. \ Mas preserva no teu sangue, \ como um peixe, \ o doce choque da distância.

Poema da poeta, tradutora, ensaísta, professora e crítica literária uruguaia Ida Vitale. Veja mais aqui.

 

A MULHER & A REPRESSÃO - Sou apenas uma mulher que passa a impressão de racista quando teme pelo futuro de outras mulheres... A mente aberta é apenas uma forma de lavar as mãos... Cada cultura tem sua própria prisão feminina... Pensamento da jornalista e escritora iraniana-francesa Abnousse Shalmani, que numa entrevista Estamos pagando por nossa covardia diante da retórica indutora de culpa e enganosa dos islamistas (Global Watch Analysis, 2024), ela expressou: [...] Algumas pessoas, muitas demais, na minha opinião, achavam que podíamos "negociar" com os obscurantistas, que um acordo era possível. Acordo nunca funciona com radicais, nunca! [...]. Ela é autora dos livros Laïcité, j’écris ton nom (Éditions de l’Observatoire, 2024) e Khomeini, Sade et moi (World Editions, 2016).

 

GAGUEJA AO FALAR, FIRME AO PENSAR... - Sou mulher, sou negra, venho de uma família com dificuldades econômicas e, como se não bastasse, ainda gaguejo impecavelmente... Trecho extraído da entrevista Eu gaguejo. Isso não me impede de rigorosamente nada (Diário de Notícias, 2019), da historiadora e ativista luso-guineense Joacine Katar Moreira (Joacine Elysees Katar Tavares Moreira), que foi eleita deputada ao parlamento português e, em 2020, passou à condição de deputada não-inscrita. Na entrevista citada ela ainda expressa que: [...] Quando eu nasci, os meus pais tinham 18/19 anos. A minha mãe estudava mas o meu pai já dava aulas, porque o Estado guineense exigia que os alunos que acabassem um determinado nível de ensino dessem aulas aos mais novos. A minha avó era uma mulher absolutamente feminista, embora ela não faça ideia disso. Era uma mulher independente, uma enfermeira respeitada, divorciada, que, mesmo sem ter altos recursos financeiros, educou os filhos dela, os filhos dos irmãos, os filhos dos filhos. Era muito organizada, obcecada com a higiene e muito amorosa. A minha avó nunca levantou a mão para dar uma palmada a ninguém, mas o olhar dela - nem era de austeridade, era um olhar de desilusão - era suficiente para nos dizer tudo. [...] Quando entrei para a universidade nem sabia que eram precisos 25 euros para fazer a inscrição. Cheguei ao ISCTE e não tinha o dinheiro, tive de telefonar a tios e amigos. Se eu nem sequer tinha 25 euros para a inscrição, como é que iria fazer para tirar o curso? Tinha de trabalhar. Eu autossustentava-me, nunca pedi nada aos meus pais. Pelo contrário. Sempre foi minha opção ajudar os meus pais e com os meus ordenados comprava bicicletas para os meus irmãos, levava-os a passear, a ver um filme, a ir almoçar fora - porque na minha infância eu nunca tinha ido almoçar num restaurante e achava que essa experiência era importante para eles, para não sentirem as ansiedades e as inseguranças provocadas pela segregação social, urbana, económica, arquitetónica. A ansiedade provocada por entrar num edifício enorme, moderno, espelhado, como se nós não estivéssemos no nosso espaço. Há uns anos isto inibia-me de entrar em determinados espaços. É a maneira como nos olham, mas também a maneira como nós nos sentimos, o nosso olhar sobre nós mesmos, a incorporação da discriminação. Não se fala muito disto, mas os centros comerciais foram importantes porque contribuíram para democratizar determinados espaços. E eu achava que os meus irmãos não tinham de atravessar aquele deserto enorme que eu atravessei. No último ano da universidade economizei dinheiro e fui para a Guiné, visitar a minha avó. Foi a primeira viagem que fiz. [...] A Europa debate-se com um problema enorme com os migrantes - que são refugiados, mas não são chamados assim porque isso iria exigir uma resposta das instituições. O que nós achamos é que a Europa só pode ser verdadeiramente democrática quando não excluir ninguém e quando quer o Parlamento Europeu quer os parlamentos nacionais forem um reflexo das nossas sociedades multiétnicas, multirreligiosas, multiculturais, com homens e mulheres, heterossexuais, homossexuais, etc. Não há homogeneidade. Para isso temos de resgatar os valores da Europa. Porque é nesses valores que vamos encontrar os instrumentos para combater as ideologias fascistas, ultraconservadoras, misóginas, sexistas, elitistas. [...] Sempre gaguejei e isso nunca me inibiu. Os meus pais e a minha avó relativizaram sempre muito a minha forma de falar, brincavam com a minha gaguez e sempre me fizeram sentir à vontade. Mesmo no colégio, eu era a apresentadora das festas de Natal e, em situações importantes, eu era a escolhida para ler em voz alta e para falar. Todos os meus castigos eram porque eu estava a falar de mais. Tudo isso alterou-se no 12.º ano com a ansiedade de entrar na universidade. Comecei a sentir nos ombros o enorme peso de ser alguém de uma família que não tinha recursos. Tomei consciência de que não estava numa posição favorável. E, além do mais, gaguejava. Sabia que tinha de enfrentar situações em que seria avaliada pelo meu aspeto, por aquilo que dizia, pela maneira como falava. Foi o início de uma inibição. Comecei a optar por ficar calada. [...]. Ela estreou como atriz no filme Mudança (2020), realizado pelo cineasta guineense Welket Bungué. Em maio de 2021, Joacine lançou o livro Matchundadi: Género, Performance e Violência Política na Guiné-Bissau (Documenta - Sistema Solar, 2020), que tem por base a sua tese de doutoramento e coloca a luz sobre a dominação dos conceitos tradicionais de masculinidade na vida política e social da Guiné-Bissau. Em 2023 ela recebeu Prémio Mulher Referência Chá de Beleza Afro (CBA), depois que foi vítima da mais violenta e mais vil campanha de ódio, racismo e xenofobia de que há memória na história da democracia portuguesa.

 

A ARTE DE ANTÔNIO NÓBREGA

Antonio Nóbrega em Paisagens (pós) Armoriais: Semeando, Fertilizando e Florescendo (Insular, 2019), livro de Luís Adriano Mendes Costa, sobre o Movimento Armorial do Nordeste, destacando o poeta, cantor, instrumentista, dançarino e multiartista Antonio Nóbrega. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.






LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca , sobe-desce na sua fubica incrementada, todo a...