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sábado, julho 11, 2026

DRUMMOND, DAD SQUARISI, LENINE & STELLA MARIS REZENDE

 

Imagem: Acervo ArtLAM.


 

Interlúnio do inominado marupiara pé-frio... - Insosso não tinha nome, só sobrenome e duplo: os finados pais, Maria Combreia e Zé Caralâmpio, compuseram, às turras, o batizado: Caralâmpio Combreia; vingou-lhe o apelido desenxabido, colecionando remoques, outro Zé à toa. Isso há muito tempo, até tinha perdido as feições avoengas, desconhecia até então qualquer parentesco. Era amanhecido vistoso quando aventou, na curva da ideia, névoas oníricas, repisando pretéritos; se duvidava, segurou o espirro, escamoteava, acocorado matutando, tanto retardava coisas de sua, nem podia do dever. Cismava sozinho no mundo, ressuscitando olvidadices, o protelado na urgência da hora, irrespondível. Sentia-se viver noutras situações nunca vista, coisas estranhas que nem eram suas, de quem seria, ignorava; só que passava com ele, destá. Providenciou tirar a prova dos 9 fora e acelerou a ida. Foi a pé, mochila ao sovaco pendurada nos redondos ombros, água na moringa, toda pressa no dia arejado de um céu da rotina, pelo capinzal das ervas, a poeira do chão na areia dos pés, as alpercatas nos vestígios de passagens, as folhas e a passarada, sombreada jaboticabeira, as flores na brisa que vinha dos morros limítrofes, as moitas pelas nuvens dos arredores. Saboreava serelepe vasta fruteira farta pelas beiradas da estrada, ah, jaboticabas, chupava, se enchia. Subiu a serra, desceu o morro, esticou as orelhas: o ermo longe ia pelo demais. Deu em Catuama, o portão. Naquela instância as lápides, benzeu-se, cerrou os punhos, quanto tempo, nenhuma data, jaziam no sacrilégio do seu quase esquecimento. Deteve-se com gastura, tossiu seco, prosternado no primeiro batente, serôdio, soçobrava. Puxou do bisaco um par de velas, acendeu-as e o tempo amoitou nas escurezas de Deus, instantaneamente. Cegou paradeiro e um redemoinho medonho, danou-se! Aos giros, perdia-se, de cabeça pra baixo; de tanto rodar, foi jogado, estendido. Onde estou? Diante da Pedra Letrada: Já estive aqui? Parece. Deu fé de recorrentes anemoias: Será que só sou eu que tenho esses pantins, ou essa paranoia é geral? Cada qual sua loucura. Era seu paradoxo do ônibus: Vou ou não vou, lascou. Viu-se aos trocentos pedaços, desassossegado. Coçava a palma da mão: Sarna da moléstia, essa; será que estou com mau-olhado? Subitamente a coisa mudou de figura: o céu atroou, trovões ribombaram aos raios e o diabo pintou assombração. Estarrecido, comediu-se. O chio das coisas. Era o tempestuoso Bicho do Vau: Leia! Lufadas de tornado iminente. E agora? Leia, vá! A ameaça, o alerta. O prenúncio de um ciclone, já quase tragado e alguém o puxou pela beca. Volteava desgovernado, derreou. Pisou o chão ignorado, apaziguou-se e, ao levantar a vista, outro susto, de escorregar desajeitado em fuga afora. Peraí. De novo? Torou aço, um frio na coluna, arrepiou-se: Ave! Era gente ou bicho mesmo? Sou teriana! E fala? Vamos, aqui não é seguro. Hem? Vem logo! Foram rasgando matadentro: ela ágil rojava aos voos pelos galhos e troncos, ele amedrontado seguindo-a, aos pinotes, pés na bunda. Deram numa clareira e ela atrepada, na copa dum eucalipto gigante, gesticulava, como sinais de avisos aos apitos e guturais. Obrigou-o a esconder-se. Refugiou-se no medo e esperou arfante. Logo apareceram muitos outros seres esquisitos: Que é que é isso? Ela desceu ladina: Venha, são aliados. Aí foi tomando pé do que pra ele era maior bizarrice, uma tropa interminável de furries, kingêneros, queers, cosplays, goblincores e otherkins - fadas, goblins, elfos e duendes, mesmo? -, licantropos, vampiros, nefilins, nunca tinha visto do tanto, ora. Mais tulpamancistas, zentais, otakus, kawaiis, clowncores divertidos, pastafarianos da Igreja do Monstro do Espaguete Voador, haul girls, biohackers – Eita! Gente com antena na cabeça, smartwatches, pitocos nos dedos -, vaporwaves, neo-tribalistas, plankings, Barbies e GothLolis, tecktoniks, sílfides, ironistas – Ué, passadores radicais de roupa? -, esportistas de quadribol, skinheads, hardcore punks, metaleiros, grunges, emos, bod-mods – Vôte! Tem até com implantes de chifres, língua bífida, tatuagens e piercings! -, sneakerheads, caçadores de fantasmas, dândis, fetichistas, colecionistas estranhos – do tipo colecionador de escova de dentes usada, avalie -, sugestionados, adeptos da pneuteologia, sobreviventes afetivos, retrôs – preservacionistas do passado, pode? -, imperadores das cócegas, mergulhadores de lixeira, fashionistas, Toy Voyagers, fantasistas disfuncionais, delirantes, disforistas, paleoterios, fictórios, teriomíticos... Deu o créu! Havia quem incorporasse o Kholstomér do Tolstói, ou o urso-polar da Tawada, o polvo da Despret, a sardinha do Bill François, maior piração! Seria coisa de outro mundo que estava metido ou falseamentos, tudo perdido, modelos com figurinos excêntricos, cada qual mergulhados na sua sandice, ora! Boba da peste! Plantassem batatas, penteassem macacos, lambessem sabões nos seus folguedos exóticos, dislates, tinha de tudo! Eita, pêga! Logo um boi solene mugia Guimarães Rosa: O homem é um bicho esmochado, que não devia haver. Depois recitava o de Drummond quando se deparava com humanos. E lá estavam Quidim & marquês Rabicó, quem Orlando de Woolf, o furacão da Hilda, as diminutas criaturas de Lilipute de Swift, quem falasse do Magnum Opus nos portais de Tlön, do Mutus Liber, do poema celta do Graal, de Atlântida, até personagens de Arantza Sestayo. Quem? Que carnaval é esse? Agora sabia: bicho gente é um bocado de doidices arrodeado de perigo por todos os lados. Céus, em que fui me meter? À caça, aos gritos, muitos correram, alguns pouquíssimos ficaram. Tremia: Pronde foram? Caçar, já já voltam pra comilança, fica aí. Ela tinha ido com os outros, hem hem. Sozinho cismou: Com certeza era mais fácil entender a razão áurea ou a sequência de Fibonacci, do que sacar maluquice dessa. Não dava pra entender essa gente. Com o tempo foi se acostumando, quase pariceiros íntimos. Ela retornou da caça com os que foram e sorria na chegada. Aí ele virou-se do lado, ao mais próximo, puxou conversa para enturmar-se: Como é mesmo o nome dela? Sei-que-lá-de-tal! Fodeu! Ouvindo a conversa, ela soletrou: Meu nome é N-o-no-r-i-ri-e-l-a-la, Noriela Hentai, euzinha aqui, muito prazer, de novo! E o seu? Ih!... Ela riu-se do insípido, contida. É mesmo? Alcunha. E como se chama de mesmo? Uh!... Gracejou irônica: Também, com um nome desse, melhor o pseudônimo! Quem fala, ó, e o seu, hem? Acomodou-se relaxado ao lado dela e matutou consigo: Ela é coisa de bicho da muita estimação, maior xerimbabado, cheia das amorosidades. Mesmo insólita, a alma dela conjugava certinho com a sua, airosa no seu jeito peculiar, toda sacudida, dócil, os dentes de fora, recheada de franqueza e amabilidades. Diante dela todo inédito ímpeto, precipitava-se, saltava aos olhos, timidez dele apreciou, aliás e talvez, conjugou o verbo direitinho, zelava por ela, tomava conta, ela destinatária, ele insulso encurralado respeitoso, premente. Era o que podia fazer ali. Embevecia-se aos palmos dela, o traje, o quiasma: zilhões de anos-luz do seu sorriso, ô garapa boa! Cabeça sempre ocupada com chamegos de xodó, pouco importando se de segunda mão. Pronde vocês estão indo? Pra Pasárgada. Fazer o quê lá? Somos amigos do rei! Como assim? Ciclones devastadores se anunciam prenunciando um gigantesco tufão! O quê? Vem com a gente! Quando? Depois do repasto a gente vai zarpar, no certo, o mundo está ficando inabitável! O quê? Ora, você não sabe? Não. Vamos encher a pança logo, depois explicarei. Para quem desdenhava agouros, abolia crendices e conspirações extravagantes, estar ali no meio de tão tribais tão diversos, dava-lhe a impressão de já ter vivido ou sonhado com aquilo. Será? Além do mais: o que Deus num quis, não se deve dar ao diabo, né! Se revivia ou ressonhava, não sabia se por serendipidade entusiasmada ou desdita amaldiçoadora, só saberia no depois qual. A bem dizer, decerto, suspeitou do havido, encardiu-se, às pausas, comprava fiado o futuro. Um lampejo e decidiu-se: Vou virar bicho! Seria mais uma vazada das quantas jornadas, vezes quisesse até nenhum enfim. Já era tarde, oxe, ela partiu com muitos. Ih! Foi? Foi. Apartou-se, a ideia nascia do absurdo fortuitamente encadeada com movimento do impalpável e da ausência dela ali compondo silêncios ensurdecedores. Hem, hem. Néscio, afeiçoou-se dela à socapa e uma saudade arroxeava já dentro dele: Seria ingrata ao tanto da desconsideração, em paga devagar, sem socorro à vista, como se o dia de anteontem não passasse desde ontem até agora, o quanto pudesse suportar de se doer, mais condoía! Não era mais Pernambuco dali por diante, outro lugar que não sabia, era capaz de ser doutra banda desconhecida, uma confusão dentro de si. E ela já tinha ido, ficava só com os outros desapegados, afora o repuxo tristonho da ausência dela. E se ali o verão era longo, o inverno seria pior, precavia-se. Como proceder: este mundo dá medo, as leviandades, o verossímil, o abandono, as sobras, aos desperdícios, ninguém está a salvo, tudo do contra, a dor das coisas retine seu ricocheteado na gente mesmo. Aí desancou-se de todo, por enquanto, episódio custoso aquele, meios vãos, só faltava sair puxando a venta alheia a cada motejo pela feiúra. Cadê-la! Abscônditas evocações suas. Ela escapuliu furtiva, foi-se o que era doce. Devia a vida a ela, fujona, creditava. Roía-se por dentro, macambúzio, o que havia avinagrado em demasia sua existência tão pantagruelicamente. Ainda não seria daquela vez, que pena. Pesaroso: Era provável que as desventuras fosse só um brinquedo da sorte, era a vida e suas consequências. Reconhecia a exatidão da tristeza: Mas por quê? O futuro trazia respostas aos pouquinhos, o que haveria de vir? Por derradeiro a áspera, bis e tris, quantos mais à infinitude, dava baixa, até que a morte astuta viesse à tona das perpetuidades. Ficava o escrito pelo não dito: perdia o coração no mal resolvido. Não havia prazo pras descobertas, bastava o momento entroutros e pronto, se desvelando aos pouquinhos, o esmiuçado, só nas tristecências, o comum. Revivescente marupiara, quem dera. Ouviu longe: Vai ficar aí quarando com a morte da bezerra, ou vem com a gente! Hem? Até mais ver.

 

Vladimir Maiakóvski: Antigamente, eu acreditava que os livros eram feitos assim: um poeta chegava, entreabria os lábios e o tolo inspirado irrompia em canto — vejam só! Mas parece que, antes de poderem lançar uma canção, os poetas precisam caminhar por dias com os pés calejados, enquanto o peixe lento da imaginação se debate suavemente na lama do coração. E, enquanto eles cozinham um caldo de amores e rouxinóis ao som de rimas que chilreiam, a rua muda apenas se contorce, na falta de algo para gritar ou dizer... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Espido Freire: E sempre fora assim. Ninguém dava muita atenção... Na verdade, ninguém ouvia ninguém... Escrevemos e lemos para fugir, para viajar além dos nossos meios... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Denise Stoklos: Não dá pra fazer nada pela metade ou por três quartos ou um tanto ou se proteger de entregar. A entrega tem que ser cem por cento, que grau estiver você dos seu cem por cento. Ela tem que ser os cem por cento que você tenha... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

UM BOI VÊ OS HOMENS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Tão delicados (mais que um arbusto) e correm \ e correm de um para outro lado, sempre esquecidos \ de alguma coisa. Certamente, falta-lhes \ não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres \ e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves, \ até sinistros. Coitados, dir-se-ia não escutam \ nem o canto do ar nem os segredos do feno, \ como também parecem não enxergar o que é visível \ e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes \ e no rasto da tristeza chegam à crueldade. \ Toda a expressão deles mora nos olhos — e perde-se \ a um simples baixar de cílios, a uma sombra. \ Nada nos pelos, nos extremos de inconcebível fragilidade, \ e como neles há pouca montanha, \ e que secura e que reentrâncias e que \ impossibilidade de se organizarem em formas calmas, \ permanentes e necessárias. Têm, talvez, \ certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem \ perdoar a agitação incômoda e o translúcido \ vazio interior que os torna tão pobres e carecidos \ de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme \ (que sabemos nós?), sons que se despedaçam e tombam no campo \ como pedras aflitas e queimam a erva e a água, \ e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade.

Poema do escritor Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), considerado o mais influente poeta brasileiro do século 20. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A FILHA INJUSTIÇADA, DE STELLA MARIS REZENDE

Me inspirei na história verídica de uma mocinha de 15 anos, de Dores do Indaiá, que foi internada à força no Hospital Colônia de Barbacena. Motivo: Não concordava em trabalhar escondida dos fregueses do armazém do pai machista, violento e cruel. Maria da Soledade era obrigada a trabalhar no galpão, cuidando do estoque, carregando peso, sem receber nada, enquanto os três irmãos trabalhavam na loja em frente à rua, e recebiam salário. Ela queria ser respeitada, só isso.

Depoimento da autora sobre o seu recentemente lançado e elogiado romance A filha injustiçada (Faria e Silva, 2026), da premiada escritora e atriz Stella Maris Rezende, mestre em Literatura Brasileira pela UnB, que participa de feiras literárias e ministra a oficina Letras Mágicas. Ela é detentora de 4 prêmios Jabuti, afora outras tantas premiações de sua exitosa carreira. Ela concedeu uma entrevista exclusiva pra gente, falando de sua trajetória, seus livros publicados e estudados no meio acadêmico, da Fada da Palavra, da Oficina Letras Mágicas e de suas perspectivas literárias. Confira a entrevista aqui.

 

ESCREVER É MANDAR RECADO - Redigir é técnica. Pode ser aperfeiçoada. Nem sempre a atração reside no que você diz. Mas no jeito de dizer. Uma frase particularmente elegante, capaz de veicular com clareza e simplicidade a mensagem que você quer transmitir, é conquista pessoal, exercício diário de desapego e humildade. [...] Os segredos do estilo mais eficiente podem ser resumidos em dez preceitos. UM - Seja natural: fique à vontade. Imagine que o leitor esteja à sua frente. Converse com ele. Não fale difícil. Espaceje suas frases com pausas. Confira ao texto um toque humano. Você está escrevendo para pessoas. DOIS - Vá direto ao assunto: não enrole. Comece pelo mais importante. E comece bem, com uma frase atraente, que lhe desperte o interesse e o estimule a prosseguir a leitura. No final, dê-lhe o prêmio – um fecho de ouro, como inesquecível sobremesa a coroar um lauto almoço. TRÊS - Use frases curtas: a pessoa só consegue dominar determinado número de palavras antes que os olhos peçam uma pausa. A frase muito longa dá trabalho, confunde. Por isso, use sentenças de, no máximo, uma linha e meia. Lembre-se: uma frase longa nada mais é do que duas curtas. QUATRO - Prefira palavras breves e simples: vocábulos longos e pomposos funcionam como cortina de fumaça entre você e o leitor. Seja simples. Entre duas palavras, prefira a mais curta. Entre duas curtas, a mais simples. Em vez de falecer, escreva morrer; em lugar de somente, só; de matrimônio, casamento; de féretro, caixão; de morosidade, lentidão. CINCO - Ponha as sentenças na forma positiva: diga o que é, não o que não é. Quer exemplos? “Não ser honesto” é “ser desonesto”; “não lembrar” é “esquecer”; “não dar atenção” é  “ignorar”; “não comparecer” é “faltar”; “não pagar em dia” é “atrasar o pagamento”. SEIS - Opte pela voz ativa: ela é mais direta, vigorosa e concisa que a passiva (a passiva, como o nome diz, parece sem força, desmaiada). Prefira “um raio provocou o blecaute” a “o blecaute foi provocado por um raio” SETE - Abuse de substantivos e verbos: escreva com a convicção de que no idioma só existem essas duas classes de palavras. As demais, sobretudo adjetivos e advérbios, devem ser usadas com a sovinice do Tio Patinhas. Na dúvida, deixe-os pra lá: (Normalmente) ao escrever textos (informativos), use substantivos (fortes) e verbos (expressivos). OITO - Seja conciso: não diga nem mais nem menos do que você precisa dizer. Cultivar a economia verbal sem prejuízo da completa e eficaz expressão do pensamento tem dupla vantagem. Uma: respeita a paciência do leitor. Outra: poupa tempo e espaço. NOVE - Dê clareza às citações: dificultar a compreensão do texto é colocar uma pedra no caminho do leitor. Para quê? Facilite-lhe a vida. Nas declarações longas, não o deixe ansioso. Identifique o autor imediatamente antes da citação ou depois da primeira frase. [...] Nas declarações curtas, identifique o autor no começo ou no fim da fala: “Toda questão tem dois lados”, escreveu Pitágoras. DEZ - Escolha termos específicos [...]. Trechos do artigo Dez ideias úteis para usar a palavra escrita com clareza e eficiência (FilosofiaEsotérica, 2026), da escritora e professora libanesa Dad Squarisi (Dad Abi Chahine Squarisi – 1946-2923), autora do livro Dicas da Dad: português com humor (Contexto, 2003), Mais dicas da Dad: português com humor(Contexto, 2003), Deuses e heróis - mitologia para crianças (LGE, 2004), Manual de redação e estilo para mídias convergentes (Geração, 2011), Sete pecados da língua (Contexto, 2017), entre outros.

 

A ARTE DE LENINE

(Imagem: Alexandre Loureiro/Getty Images)

[...] Não tenho a mínima ideia nem ouso descrever quem é o ser humano contemporâneo. Agora, diante da contemporaneidade em que estou inserido, existe uma constatação para mim que é clara, cristalina: é uma desconstrução da realidade. Isso me causa espanto, porque, não por acaso, a primeira música do disco "Eita" vai nesse tema, da confiança. Nós perdemos a confiança. E isso é um problema, eu acho. Na minha formação, fui educado a confiar na pessoa. Se não conheço alguém, eu confio nela, até que me provem o contrário. Hoje é completamente o oposto. Hoje a gente vive numa época de dissimulação. As pessoas não têm o mínimo escrúpulo, não têm a mínima educação. Falam uma coisa, pregam essa coisa, mas agem de forma oposta, completamente oposta. É muito dissimulado, é muito mentiroso o que a gente está vivendo hoje em dia. É como se a gente tivesse voltado a uma certa Idade Média, desacreditar das coisas que a gente já tinha conquistado. Não sei quem é esse ser humano contemporâneo. Torço para que ele tenha uma tomada de consciência e volte a escolher um caminho do bem comum. [...].

Trecho da entrevista Eita! Uma conversa com Lenine sobre o espanto, o tempo e o futuro (Fast Company Brasil, 2026), concedida pelo premiadíssimo cantor, compositor, arranjador, multi-instrumentista, letrista, ator, escritor, produtor musical, engenheiro químico e ecologista, Lenine (Oswaldo Lenine Macedo Pimentel), autor de mais de 500 canções, 9 álbuns de estúdios e 4 álbuns ao vivo e em vídeo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


 

MÚSICA: CRIANÇA - O Brincarte do Nitolino conta e canta hestórias para o público infantil e infanto-juvenil, ofertando, ainda, conteúdos de Literatura, Psicologia, Educação, Direito, Teatro, Música, contação de histórias, brincadeiras, artes dos estudantes e uma agenda de recreações, oficinas e palestras para a área. Confira a música & letra Criança & muito mais aqui.

 


TEATRO: HISTÓRIA & AUTORES / DE PALMARES (PERNAMBUCO) PRO MUNDO – No Música, Teatro & Cia um estudo sobre o que é o teatro, abordando a história desta arte milenar, desde os primórdios até a contemporaneidade, destacando autores e peças teatrais, bem como uma abordagem sobre os movimentos no decorrer dos séculos, destacando, sobretudo, a arte no Brasil, em Pernambuco e Palmares, com extensa indicação bibliográfica. Confira clicando aqui.

 


PESQUISA & CIA – No Pesquisa & Cia reflexões de célebres personalidades por meio de suas obras, pensamentos e feitos sobre temas que vão desde das Neurociências, passando por ativismo, injustiça, crise climática, sustentabilidade, violência, ecofeminismo, simbiossexualidade, entre tantos outros, que constituem o debate contemporâneo. Confira aqui.

 


REUNIÃO SETIGONAL – Levado pela provocação dos criadores Admmauro Gommes, José Durán y Durán e Cícero Felipe, cometi alguns setígonos. Gostei. E quando vi uma penca de gente da melhor cepa cultuando e dando pitaco acerca dessa novidade poética, não me fiz rogado e soltei o verbo. Quer saber como é que o setígono? Ora, confira aqui.

  

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domingo, julho 04, 2021

JACQUES ROUBAUD, DANIEL FARRELL, MICHEL DEGUY, AMELIA PELAEZ & MARÍLIA PARENTE

 

 

TRÍPTICO DQP –- Poesia etcétera... - Ao som da Sinfonia nº 1 - Fiat Lux op. 21 (2017), do compositor, arranjador e maestro estadunidense Daniel Farrell, witch Jacksonville University Orchestra, conductor Marguerite Richardson. - A hora era aquela que eu não sabia, nem razão, triunfos ou fracasso. Era a minha íntima solitude e entre as linhas das minhas mãos se formaram imagens do Olho de Hórus, ampliadas e reproduzidas na parede em frente, como se o Udyat se tornasse o Olho-que-a-tudo-. Tive a sensação de ali se desvelarem registros acásicos, entre imagens caleidoscópicas. Identifiquei o I-Chin que logo deu lugar a imagens cabalísticas e superpostas do Sefer Yatzirah. Uma espiral diminuta foi crescendo e no centro dela a Ars magna de Lull, como se a mim fosse dada a oportunidade da sua experiência lucificadora. Uma voz invisível começou a ditar a doutrina Hokhmath ha-Tseruf de Abulafia, e logo se imprimia de forma crescente o Zairjat al’alam, que se iluminava com trigramas recombinados e formavam hexagramas alternados como boustrophedon e eu a discernir o que havia estudado da linguística filosófica de Derrida. Logo vi-me imerso em ambiguidades, anagramas recombinados como Temurah e acrósticos feito Notarikon. Como eu sabia da palavra perdida esperava Schechina. De repente tudo escureceu e ouvi os versos finais de um poema de Jacques Roubaud: ...Sob os ângulos. Quase uma poeira: / Imagem sem espessura / voz sem espessura / A terra / que te esfrega / O mundo / do qual nada mais te separa / Sob a lâmpada. Na noite. Cercado de preto. Contra a porta. Em meu peito entendia o que tudo ali se mostrava, abri os olhos e era a vida.

 


E o coração às voltas com a paixão... – Imagem: arte da pintora cubana Amelia Pelaez (1896 - 1968), ao som da Symphony No. 6 in B minor, Op. 74 Pathétique, de Tchaikovsky, witch Mariinsky Theatre Orchestra, conductor Valery Gergiev, from the Salle Pleyel in Paris, 2010. - O que me aconteceu antes foi tão inexplicável, na verdade supus que só saberia o significado muito tempo depois. E assim foi. Acontece que fui envolvido pelos secretos sentimentos de Piotr, aquele mesmo de Votkinsk, que perdeu a mãe por conta da peste e aos catorze anos de idade, a profunda depressão. Ao se recuperar, tornou-se escriturário, diplomado advogado e, sentindo-se rejeitado por todos, licenciou-se para se tornar tradutor e viajar. O retorno levou ao pedido de demissão e o ingresso no mundo dos seus sonhos: a música. Vieram os Sonhos de Inverno, A tempestade, uma carreira promissora que começa como professor para fracassar com o bailado de Ondine e a abertura-fantasia Romeu e Julieta. Exilou-se. E ao ouviu o jardineiro: um quarteto que até Tolstoi chorou. Então, vieram mais o Lago dos Cisnes e, entre escritos e aulas, um colapso nervoso. Era chegado o inverno, prostrado até uma carta com a surpresa: era Nadezhda, uma aristocrata e ateia confessa, independente: A distribuição de direitos e obrigações, conforme determinado pelas leis sociais, é especulativa e imoral. Era a sua redenção: ... nas minhas relações com você há sempre a desconfortável circunstância de que, toda vez que escrevemos um para o outro, o dinheiro aparece em cena. Dias de dedicação sem outras preocupações. Contudo, dissabores e atordoamento, Antonina e os outros, o casamento rompido em 15 dias, a tentativa de suicídio e o exílio. Apesar disso, algum tempo depois, estava consagrado. Retomou as atividades e uma outra carta surpreendente: O conto de fadas acabou. Treze anos de correspondência e eles nunca poderiam ter a dádiva do encontro, este o trato. Para ela, a Quarta. Depois, episódios dramáticos enredados e a inaceitável ausência, tudo estava lá, naquela partitura da Sexta e nas entrelinhas evocava uma paixão de emoções exacerbadas, levada até as últimas consequências. Ali estavam seus mais plenos sofrimentos: a autoconfiança arreada, o desespero e a desolação, a relação íntima recôndita pela intolerância, a peste e o precoce envelhecimento, a exaustão profunda e a misteriosa morte repentina. Era, enfim, a libertação. Fiquei bastante comovido com a história e logo me apareceu Bergson: Criamos e recriamos a todo momento... o progresso da atenção tem por efeito criar de novo não apenas o objeto percebido, mas os sistemas cada vez mais vastos aos quais ele pode se associar. Não entendi direito, a ponto de questionar o que havia entre uma coisa e outra. Foi quando apareceu tentando esclarecer, o escritor francês Michel Deguy: Os homens contam histórias que acontecem aos deuses (ou a Deus) e aos homens, e acontecem aos homens porque acontecem aos deuses e nas cosmogonias e antropogonias... A humanidade continua a transmitir a memória nas grandes narrativas, a se bater dentro dessas narrativas, a reinventar a história do mundo. Nisso era eu que precisava me reinventar, estranhices abundantes ao meu redor.

 


A vida nos cacos de vidros... - E no meio disso tudo, de repente uma voz feminina de longe apareceu e sou surpreendido. Uma voz da minha terra e ecoavam em minhas entranhas. Dela, primeiro: Tristeza não existe! Que bom! E me animei. Depois uma cachoeira com todas as ventanias e poeiras que envolvem meus dias e noites: Meu Céu, Meu Ar, Meu Chão & Seus Cacos de Vidro. E choveu baiões e forrós nas violadas de quem já Avoada juntou os amigos e cantou no Pé de Cachimbo, no Malunguim e em casa mesmo, e era Dia de João, Vasudeva, e A Vida no Cariri Demora, na Alvorada, e Estou Desocupado Com Outras Coisas Desimportantes, e a Viagenzinha de Verão, Eu Quero Ver o Cão Mas Não Quero Ver Você, e o Amor, Disco Voador. Quem? É ela a cantora e compositora Marília Parente: A única coisa permanente na cultura popular é sua inevitável e necessária transformação, porque ela é pulsante, viva, cotidiana. Tentar aprisioná-la a um olhar de exotismo, a essa bandeira difusa de ‘preservação do forró’, é matá-la, porque ela acaba se traduzindo em produções ‘caretas’. Exaltar nossa nordestinidade, recebendo a influência do contexto em que vivemos é uma atitude política de resistência. E com a voz dela lavei a alma. Tudo muito bom! Mas agora tenho que fazer umas ginásticas para dar umas carreiras: tempos difíceis. Preciso ir lá fora para se da pedra dá leite, porque cansei de cravar as unhas na parede à cata de moeda que seja. Já rapei o tacho e as contas estão pra chegar. Vou ali, volto daqui uns dias, tá? Tomara. Até mais ver.

 

Veja mais aqui e aqui.

 


domingo, dezembro 10, 2017

TOLSTOI, MARIA GABRIELA LLANSOL, AMBROSE BIERCE, VANESSA BEECROFT, LITERÓTICA, JULIANO PESSANHA, DIREITOS HUMANOS, ARTERÓTICA & PALHAÇO

A arte da artista performática italiana Vanessa Beecroft. Veja mais aqui.

LITERÓTICA: NAQUELA NOITE TODAS AS NOITES - Naquele dia a gente navegou por nossas fronteiras mais arraigadas e se curtiu o dia todo, era o aniversário dela. Logo de manhã eu saboreei sua delícia na cozinha: a comida da comida. De tarde, namoramos todos os mormaços. E quando a noite chegou, eu acendi todas as estrelas com o prêmio da sua língua lua na varanda. Era a festa total, como se todas as noites estivessem nesta noite na rodada de sua saia estampada, mãos na cabeça e sussurros de vontades. Ali, de nós dois, todas as posses e bens despojados varridos pela nossa dança na sala, no quarto, nuvens e céus. Foi quando ela me agarrou com seu beijo Maragogi e me afogou nas ondas do seu corpo. Foi quando ela engatinhou faminta, engolidora de espadas e devoradora de desejos incendiando o meu sexo iluminado que a fazia rodopiar, se entreter e esfomear na cena explícita de nossa explosão pornô e na minha hipofixilia agoniada de gozo. Com a minha explosão ela me deu seu sorriso que dinamitou de vez todas as minhas neuras, traumas, frustrações. Ofegantes na cama, nossos corpos vencidos. Aí eu levitei com o aperto de seu abraço Porto Calvo. O seu beijo molhado fez o mundo girar mais depressa e caímos lentamente no Passo e bailamos nus na Matriz de Camaragibe. Eu sou seu par e ela se debruça na cama e me puxa com força sobre as costas lanhadas para que eu vença seus montes e sua carne rendida. Foi aí que venci a sua Paripueira, usurpei o seu Sonho Verde, venci a sua Guaxuma até fazer no seu corpo o Riacho Doce. Coração saindo pela boca, nosso suor lavou a minha vitória. E venci urrando de gozo sobre sua carne varada e servida sobre a bandeja do meu domínio. O meu peso sobre a rendição de sua maravilha dorsal. Os meus braços no seu corpo: o banho da noite. A água iluminava a sua pele nua na minha língua que percorria a sua Cruz das Almas, o seu Mata-Garrote, Jatiuca, Ponta Verde, Pajuçara até enfiá-la na mina do seu Pontal e ela me deu a Madalena do Francês rebolando na Barra, se espremendo no Gunga, se ajeitando na praia de Jequiá, enlouquecendo no Pontal de Coruripe, até rebolar seu Piaçabuçu na curva do Penedo que assaltou a minha loucura profana e a fez chorar de satisfação. O trem do meu tesão seguia os seus trilhos. E ela tributária de tudo se valia dos nossos nervos que reagiam na luta dos quereres mais safados. Não havia como saltar fora, soltar agora toda libidinagem visceral. Foi quando ela, frango assado, escancarou todos os segredos desvelando toda sua alma perversa. Ela Amanda Peet premiando o meu apetite. E se deitando no céu como se fosse um presente de natal, como se fosse toda folia de carnaval, como se fosse maior fungado de São João, como se fosse as bênçãos de ano novo, todas as festas juntas, todas as noites nessa noite. Era aniversário dela e por isso me olhava com seu jeito azul de me beijar a virilidade, quando eu enlouquecido sugava no seu ventre como quem bebe gasolina, gerando a todo vapor a nossa putaria, pele na pele nua e eu me apoderando de sua carne com a fúria dos gritos de quem ama aquilo tudo e muito mais. E insistia alisando a sua carne tocando cada milímetro de sua feitura, como se num walkaround com toda força vital. Ah, minha vulnerável Lois Lane que quando eu um simples Clark me fazia de Superman. E foi: todas as noites nessa noite. E sobreviventes, emergimos enquanto mergulhávamos um no outro. Aí, lá e loa. Ah, coisa tão boa. A gente mandava bem sem sossegar o facho, maior repasto. Foi quando ela então vira Madonna ousada e sacana e tudo outra vez e de novo. Puxa! Todas as noites nessa noite quando eu sonho nossas entregas que fazem viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.


DITOS & DESDITOS – [...] A morte é uma dignitária que deve ser recebida com manifestações formais de respeito, quando se anuncia ainda pelos que lhe são mais familiares. [...]. Trecho do conto Uma ocorrência na ponte de Owl Creek (Ediouro, 2004), do escritor, jornalista e crítico satírico estadunidense Ambrose Bierce que, em 1913, deixou sua cidade, partindo para o México e não se soube mais do seu paradeiro. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: [...] O escritor real tem, muitas vezes, apenas uma ferida cujo nome ele desconhece, mas que lhe concede silêncio e uma palavra gaga e balbuciante. [...]. Pensamento extraído de Como fracassar em Literatura (Pausa, jun. 2013), do psicólogo, filósofo e professor Juliano Pessanha. Veja mais aqui.

GUERRA & PAZ – [...] Um passo para além daquela linha que lembra a que separa os vivos dos mortos e eis-nos no mundo desconhecido do sofrimento e da morte. E lá adiante que é que está? Lá adiante, para além deste campo e desta árvore e daquele telhado iluminado pelos raios do Sol? Ninguém sabe e ninguém o deseja saber. Toda a gente tem medo de transpor aquela linha e ao mesmo tempo há como que uma tentação de o fazer; e o certo é que todos sabem que mais tarde ou mais cedo haverá que transpô-la e que conhecer o que lá existe, do outro lado da linha, exatamente como é inevitável virmos a saber o que fica do outro lado da morte. E no entanto todos nós nos sentimos fortes, saudáveis, cheios de vida. [...] Trecho da obra Guerra e paz (Círculo do Livro, 1974), do escritor russo Liev Tolstoi (1828-1910), no qual desenvolveu uma teoria fatalista da História, onde o livre-arbítrio não teria mais que uma importância menor e todos os acontecimentos só obedecem a um determinismo histórico irrelutável. Com esta obra o autor criou um novo gênero de ficção, quebrando os códigos do romance da época. Há que se frisar que em suas obras, o autor sustenta um fundo filosófico de suas novelas, a ideia fundamenral da não resistência ao mal, o amor incondicional à verdade, o império necessário da castidade, efendendo que o mal só pode ser combatido com o bem, pois opor o mal ao mal é aumentar a quantidade mal que há no mundo. Só aumentando a quantidade de bem, até que seja dominante, asfixiará o mal que desaparecerá da alma do homem. A violência é um mal e, portanto, a injustiça não deve ser combatida com a violência. A verdade triunfará por si mesma, em idêntico sentido, pela desaparição progressiva da quantidade de mentira que sombreia o mundo, motivo por que se deverá sempre respeitá-la, em todas as circunstancias e por qualquer preço e aumenta-la assim neste mundo, não deixando que morram todas as verdades parciais que venham a ser descoberta. Veja mais aqui & aqui.

POEMANão há mais sublime sedução do que saber esperar alguém. / Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles / A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar / Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia. / Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta. / Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder / Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num / Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar / Num livro uma página estrategicamente aberta. / Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza / Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra / Que te quer. Soprá-la para dentro de ti / até que a dor alegre recomece. Poema recolhido da obra o começo de um livro é precioso (Assírio & Alvim, 2003), da escritora e tradutora portuguesa Maria Gabriela Llansol (1931-2008).


COLECIONAR ARTE CONTEMPORÂNEO – A obra Colecionar arte contemporâneo (Collecting Contemporary Art - Taschen, 2006), do autor, colunista, colecionador e autoridade em arte e design contemporâneos, Adam Lindemann, trata sobre os sete protagonistas do mercado de arte, o artista, o crítico de arte, o marchante, o assessor artístico, o colecionista, el experto de casas de subastas, o profissional de museu, com um glossário parcial dos termos e um índice para localização dos artistas publicados, tudo sobre mercado de arte contemporânea.


A arte da artista performática italiana Vanessa Beecroft. Veja mais aqui.

DIREITOS HUMANOS

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, setembro 02, 2014

JON FOSSE, ALICE TOKLAS, LUPINO & LITERÓTICA.

INCÊNDIO DAS PAIXÕES – Ela deu-me o seu corpo em brasa para incendiar os meus desejos indômitos. Ela deu-me a sua alma em chamas para incinerar minhas loucuras concupiscentes. Ela assim me veio como quem entrega a sua vida ao carrasco. E pronta para ser usada, seviciada, ultrajada, vilipendiada, até ver-se exaurida de todas as satisfações, ainda deu-me a boca sedenta de todas as sedes seculares. E ainda deu-me o ventre faminto de todo o cio acumulado. E ainda deu-me o gozo de todas as vontades satisfeitas. E assim viramos um do outro em si para sempre acasalados no incêndio das paixões. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aquiaqui.

 


DITOS & DESDITOS - Poucos entre nós são sábios o suficiente para saber o quão pouco sabemos. A ignorância das limitações é esperada de todo aquele que não vê além de si mesmo. O homem sábio, por outro lado, alcança uma medida de autotranscendência: ele vê além de si mesmo, até mesmo além do seu ambiente. Sabendo muito mais do que todos nós, ele compara seu conhecimento com o que poderia ser conhecido e confessa não saber quase nada. Um indivíduo tão raro pesa seu conhecimento finito na balança da verdade infinita, e sua consciência de suas limitações lhe diz para nunca dominar os outros. Tal pessoa renunciaria a qualquer posição de governo autoritário que lhe pudesse ser oferecida ou, se acidentalmente se encontrasse em tal posição, abdicaria – imediatamente!... Pensamento do economista estadunidense Leonard Read (1898-1983), ao se referir sobre um fato anedótico ocorrido nos primeiros anos da década de 1940, logo depois que Mises veio da Europa para a América. Ele estava jantando com Leonard Read e alguns outros defensores do livre mercado quando um deles lhe perguntou, quando a noite estava chegando ao fim, o que ele faria se fosse nomeado ditador dos EUA, num tempo que estava repleto de ditadores como Hitler e Stalin. A sua resposta imediata foi dizer “Eu abdicaria!” As razões pelas quais ele fez isto são interessantes porque, à primeira vista, pode parecer que um ditador como ele poderia de fato fazer algum bem antes de ser levado pela polícia por interferir no esforço de guerra. Não poderia ele emitir decreto após decreto desregulamentando a economia, perdoando os comerciantes do mercado negro da prisão, usando o seu escritório para transmitir conversas na rádio sobre os benefícios do mercado livre, e assim por diante. Talvez ele tenha percebido que, dado o estado de pensamento do país naquela época sobre a necessidade e a justiça das regulamentações econômicas, qualquer coisa que fizesse no cargo seria uma perda de tempo. Mises percebeu que seria preciso primeiro vencer a batalha de ideias antes de poder colocar em prática uma reforma econômica duradoura. Outra ideia deve ter sido a de que o poder político dos interesses instalados que beneficiavam de regulamentações, contratos e subsídios governamentais era tão grande que poderiam travar um contra-ataque muito potente a quaisquer reformas que ele pudesse introduzir enquanto ditador. No entanto, há também o argumento moral que deve ter passado pela sua mente, de que ser um ditador de qualquer tipo era em si uma violação dos direitos de outras pessoas. Assim, Mises não apenas abdicaria de altos cargos políticos, mas também da própria ideia de governo de uma pessoa sobre outra. Esta história sobre Mises deve ser lida juntamente com uma história semelhante que Frédéric Bastiat escreveu 100 anos antes, em 1847, “O Utópico”. Bastiat imagina-se como o ditador econômico de França e descreve todas as reformas radicais que planeia introduzir antes de recuar ao perceber que o povo francês não partilhava as suas opiniões sobre o mercado livre e nunca o apoiaria. Então ele renunciou imediatamente. O economista crioou a Foundation for Economic Education (FEE) e escreveu, entre outros tantos livros, o conhecido “Eu, lápis”. É a ele atribuídas frases como: Sempre que impomos decisões de uma fonte única para guiar milhões de decisões tomadas de forma individual temos caos.

 

ALGUÉM FALOU: Embora eu tenha enfrentado muitos obstáculos como mulher, me recuso a deixar que isso me desencoraje. Continuarei a lutar pela igualdade e representação... O mundo está cheio de histórias esperando para serem contadas. Sou apaixonado por procurar essas vozes e amplificá-las através do cinema... Pensamento da atriz e cineasta inglesa Ida Lupino (1918-1995). Veja mais aqui e aqui.

 

MEMENTO MORI - Respice post te. Hominem te esse memento. Memento mori! Ou seja: Olhe para trás. Lembre-se de que você é mortal. Lembre-se de que você deve morrer! (Veja mais aqui, aqui e aqui). O escritor Tolstoi a respeito menciona: Memento mori – lembre-se da morte! Estas são palavras importantes. Se tivéssemos em mente que em breve morreremos inevitavelmente, nossas vidas seriam completamente diferentes. Se uma pessoa sabe que morrerá em meia hora, certamente não se preocupará em fazer coisas triviais, estúpidas ou, principalmente, ruins durante essa meia hora. Talvez você ainda tenha meio século antes de morrer. O que torna isso diferente de meia hora? (Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Annie Ernoux expressa: Salvando algo do tempo em que nunca mais seremos... (Veja mais aqui, aqui e aqui). Já Emil Cioran: Cada vez que deixo de pensar na morte, tenho a impressão de estar trapaceando, de decepcionar alguém em mim...(Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui). O escritor Salman Rushdie: Com a morte vem a honestidade... (Veja mais aqui e aquiMargaret Atwwod: Não importa o quanto você tenha sido avisado, a morte sempre chega sem bater. Porque agora? É o choro. Porque tão cedo? É o choro de uma criança sendo chamada para casa ao anoitecer... (Veja mais aquiaqui, aqui e aqui) E, por fim, Yann Martel: Minha vida é como uma pintura memento mori da arte europeia: há sempre uma caveira sorridente ao meu lado para me lembrar da loucura da ambição humana... (Veja mais aqui).

 

LIVRO DE RECEITAS - [...] A experiência nunca é a preço de banana. [...] No cardápio deve haver um clímax e uma culminação. Venha com cuidado. Um será suficiente [...] A doença às vezes deixa a mente livre para vagar e supor. [...]. Trechos extraídos da obra Cookbook (Harper Perennial, 2010), da escritora estadunidense Alice B. Toklas (1877-1967). Veja mais aqui e aqui,

 

CINCO POEMAS - essas pedras \ e mais um movimento \ porém mais leve, \ não há mais nenhuma cor \ que esconda \ apenas pedras e leves movimentos \ (fecho as janelas do apartamento). II - Sob salgueiros podados crianças de cobre brincam \ e folhas brotam, trombetas soam. Cemitério sombrio \ Plumas escarlates entre as tristezas dos bordos \ Cavaleiros através dos centenários, moinhos vazios\ Ou pastores que cantam à noite e veados \ que vêm à fogueira. Velhas tristezas na floresta \ Dançarinos diante de uma parede negra \ Plumas escarlates, risos, loucura. Trombetas. III - Meus olhos azuis sumiram dos olhos \ O ouro escarlate do coração \ Oh minhas velas, como queimam taciturnas! \ Um casaco azul me envolve enquanto afundo. Você, \ sua boca encarnada que segura a noite. IV - a sombra em chamas, minha sombra em chamas, as cores \ do rosto agora claras, todas as sombras em chamas, cores afogadas de muitos rostos rostos claros, agora claros, agora\ V – EI: As horas tocam o vento \ e o coração é um anjo cansado. O céu \ parece um cachorro preto. 2 - O palhaço tem braços redondos \e com gestos sorridentes \ dança no relógio. O cachorro não abre a boca \ quando come os minutos. 3 - o coração é um anjo tonto \ com cabelo molhado na boca. Poema do escritor e dramaturgo norueguês Jon Fosse. Veja mais aqui.

 

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aqui Logo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá, com apresentação de Meimei Corrêa e com as seguintes atrações na programação: Rolando Boldrin, Vital Farias, Orquestra Armorial, Alceu Valença, Lenine, Bráulio Tavares, Xangai, Elomar, Ricardo Machado & Fernando Fiorese, Wilson Monteiro, Santanna O Cantador, Cikó Macedo & muito mais! Veja mais aqui.



SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá
Quando? Hoje, terça, 02 de setembro, a partir das 21hs
Onde? No MCLAM 
Apresentação: Meimei Corrêa


Veja mais sobre:
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

E mais:
O lamentável expediente da guerra aqui.
Jorge Amado, Gonçalves Dias, Claudionor Germano, Al-Chaer, Dany Reis & Nina Kozoriz aqui.
Ismael Nery, Tomás Antônio Gonzaga, Juliana Impaléa & Keyler Simões aqui.
Miguel Torga, Alfred Gilbert, Pat Metheny, Luciene Lemos, Antonio Cabral Filho & Programa Tataritaritatá aqui.
Michel Foucault, John Coltrane, T. S. Eliot, Edina Sikora, Wender Nascimento & Programa Tataritaritatá aqui.
Nelson Rodrigues, Gauvreau, Antonio Menezes, Luiza Silva Oliveira, Luiz Fernando Prôa & Bárbara Lia aqui.
Jorge Luis Borges, Paulo Leminski, Jean-Michel Jarre, Jeanne Mas, Donizete Galvão, Fabio Weintraub & Regiane Litzkow aqui.
A refém do amor & Programa Tataritaritatá aqui.
Fritjof Capra, Instinto & Ismael Condição Humana aqui.
Loucura repulsiva aqui.
Jards Macalé, Renata Pallottini, Silvia Lane, Hanfstaengl, Louise Von Franz, Miranda Richardson & Programa Tataritaritatá aqui.
Marilena Chauí, Marilda Villela Imamoto, Nise da Silveira, Guimar Namo de Mello & Arriete Vilela aqui.
O presente na festa do amor aqui.
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Ricardo Alfaya, Direito de Família & Alimentos aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Ela... - Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...