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GARAUDY, TOLSTOI, DELEUZE & GUATTARI, CLIFFORD GEERTZ, JAMES HUNTER, NEUROPSICOLOGIA, RESSOCIALIZAÇÃO & EDUCAÇÃO


O MONGE E O EXECUTIVO, DE JAMES HUNTER – Traçando uma linha articulada com o paradigma contemporâneo da administração, James C. Hunter, em seu livro “O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança”, aborda de forma clara, abalizada e envolvente uma série de conceitos e princípios reveladores para uma melhor apreensão do tema liderança na atual expressão organizacional, através da autoridade com amor, dedicação e sacrifício.
O autor, por ser um experimentado consultor de relações de trabalho e treinamento, é sempre solicitado como instrutor e palestrante, para abordar áreas atinentes à liderança funcional e organizacional. E a prova disso está na divisão dos sete capítulos, onde ele a partir de um prólogo vai se assentando metodicamente por meio de definições, avaliação do velho paradigma, análise do modelo, expressão do verbo, identificação do ambiente, até chegar na escola e na recompensa, arrematando tudo num epílogo assaz revelador. Para que isso ocorra, o autor faz uso de um personagem que se encontra num patamar do sucesso profissional, no entanto, mergulhado em conflitos, tanto profissionais, quanto familiar e em sua própria vida.
O protagonista vendo-se numa situação de certa estabilidade na vida, se vê diante de insatisfações que colocam em risco suas relações profissionais, familiares e na sua própria existência. Por essa razão, decide participar de um seminário numa instituição religiosa, onde se vê reunido com outras pessoas participantes, coordenados por um então frade que ganhara notoriedade e renome no mundo dos negócios. E tudo se passa como num retiro espiritual, onde todos são levados à reflexão para avaliar a prática de cada um mediante o formato ideal de condução da liderança na contemporaneidade.
As idéias da obra se articulam com as mudanças ocorridas no processo administrativo e organizacional, ocorridas nos últimos anos, onde a mutabilidade, a globalização, a emergência tecnológica e as necessidades de novos posicionamentos competitivos e concorrenciais, levam o complexo organizacional a assumir posturas flexíveis, orgânicas e participativas, dentro de um processo de horizontalização das relações para melhor eficiência e eficácia no atingimento de metas e objetivos empresariais.
No prólogo da obra, o autor localiza o protagonista que, apesar de se encontrar numa situação de estabilidade financeira, revela-se insatisfeito e num clima de conflito profissional e familiar, o que leva a ceder à sugestão de fazer um seminário para reciclar sua conduta perante subordinados, superiores, familiares e na própria vida.
No capítulo primeiro, evidencia-se o encontro do protagonista com demais participantes do seminário, tendo, por base, a discussão acerca da liderança por meio de avaliações acerca do poder e da autoridade sob o velho e o novo paradigma. Nesta parte, encontra-se o conceito de liderança a partir de que esta, conforme Hunter (2004, p. 25), é “(...) a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum”. Tal conceito é enfrentado ao de poder, como força coativa, ao de autoridade, como habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade, sob o uso da influência pessoal, esta última a partir do entendimento de que deve funcionar a partir da honestidade, confiabilidade, bom exemplo, cuidado, compromisso, saber ouvir, conquistar a confiança dos outros, tratar respeitosamente a todos, encorajar mantendo uma atitude positiva gostando das pessoas, traçando-se, assim, o perfil ideal do líder.
No segundo capítulo, sob o título de “O velho paradigma”, observa-se de que forma há o confronto do formato tradicional com o modelo paradigmático adotado atualmente, reposicionando a conduta de foco no cliente, tendo em vista que este assume a importância máxima de toda organização. E, a partir desse reposicionamento, trata da hierarquia das necessidades humanas, propostas por Maslow, no sentido de que a observância dessas necessidades, levam a um melhor posicionamento ao atender visando a satisfação da clientela. Nessa condução, o terceiro capítulo se direciona para “O modelo”, quando se aborda a liderança a partir do conceito de autoridade, levada pelo serviço e sacrifício, amor e vontade, tudo visando uma relação harmoniosa entre o líder, os colaboradores, a direção e a clientela.
No quarto capítulo, “O verbo”, direciona a narrativa para uma abordagem acerca da liderança e autoridade, discutindo o amor e os seus sentidos adotados pela cultura grega, chegando-se a um perfil que passa pela honestidade, confiança, cuidado, comprometimento, interação, tratamento, incentivo e dedicação.
Já no quinto capítulo, entra uma abordagem acerca do “Ambiente”, trazendo a heterogeneidade de conflitos entre as relações e realizações internas da organização, considerando as posturas e modelos já abordados anteriormente, para uma atuação cônscia que seja capaz de decodificar a realidade interna com uma participação capaz de remodelar e renovação o ambiente organizacional.
No sexto capítulo, este trata “A escolha”, onde cada participante do seminário é levado a refletir sobre a realidade do universo organizacional, debatendo-se os estágios que vão desde o inconsciente sem habilidade, passando pelo consciente ainda sem habilidade, chegando ao consciente e habilidoso, até o inconsciente e habilidoso, onde fica claro que nas mudanças de comportamento, a persistência e a dedicação formam uma inconsciência que prepondera sobre os hábitos e costumes, revelando a naturalidade que se alcança na determinação de mudanças.  Isto quer dizer, que na mudança de relação do formato tradicional para a adequação contemporânea, a persistência e dedicação tornam naturais o que antes seria impossível de adoção.
No sétimo capítulo, vem “A recompensa”, onde o autor discorre da satisfação pela adoção de novas condutas na relação organizacional, profissional e familiar, considerando que a necessidade da mudança de hábito e comportamentos individuais, contribuem para a harmonização das relações e satisfação pessoal dos que se propõem a tal.
Por fim, no epílogo da obra, o autor mostra a satisfação do protagonista, bem como da dos participantes do seminário procedendo uma proposta de mudança dos comportamentos.
O que deixa de revelador em toda obra é, inicialmente, a necessidade de treinamento e capacitação das pessoas de forma contínua, qualificando cada vez mais o participante e antenando este às mudanças e emergências do presente. Uma outra reveladora proposta da obra está em rediscutir, a partir do paradigma tradicional, todas as posturas e comportamentos, para, nessa revisão, haver a possibilidade de adoção de atitudes, hábitos e comportamentos que sejam articulados com a horizontalização, com o respeito, a solidariedade, a alteridade e a satisfação individual e coletiva. O perfil traçado pelo autor traz uma articulação do indivíduo com o seu meio, na necessidade de agir cônscio de sua participação na coletividade, onde, de forma cônscia, possa criativa e inovadoramente possibilitar harmonia e compreensão num ambiente de contínuo conflito. Revelador em sua integral expressão, a obra traz em si, a grande mensagem de que o homem, a partir de si, da análise de sua própria formação, da avaliação de si e do meio em que divide sua existência, pode possibilitar harmonia e compreensão onde tudo pode parecer discórdia e conflito. Como o ambiente organizacional é turbulento por fatores externos e internos, precisa-se evidenciar a necessidade da consciência harmônica e compreensiva, para que se possa, eficiente e eficazmente, alcançar metas e objetivos.
FONTE: 
HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.


DITOS & DESDITOSO amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só. O homem ama, porque o amor é a essência da sua alma. Por isso não pode deixar de amar. Cada um viveu tanto, quanto amou. Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência. Na vida só há um modo de ser feliz: viver para os outros. O dinheiro representa uma nova forma de escravidão impessoal, em lugar da antiga escravidão pessoal. O mal não pode vencer o mal. Só o bem pode fazê-lo. A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira. O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo. A sabedoria com as coisas da vida não consiste, ao que me parece, em saber o que é preciso fazer, mas em saber o que é preciso fazer antes e o que fazer depois. Pensamento do escritor russo Liev Tolstoi (1828-1910). Veja mais aqui.

MIL PLATÔS – [,,,] Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo "ser", mas o rizoma tem como tecido a conjunção "e... e... e..." Há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser. Entre as coisas não designa uma correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio. [...]. Trechos extraídos da obra Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia (Vol. 1, 34, 1995), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995) e do filósofo, psicanalista e militante revolucionário francês Félix Guattari (1930-1992). Veja mais aqui.

INTERPERTRAÇÃO DAS CULTURAS – [...] Não estamos cercados (é verdade, não estamos cercados) nem por marcianos, nem por edições humanas menos favorecidas que as nossas; uma proposição que faz sentido seja qual for a“nossa” origem –a de etnógrafos, juízes marroquinos, metafísicos javaneses ou dançarinos balineses.Ver-nos como os outros nos vêem pode ser bastante esclarecedor. Acreditar que outros possuem a mesma natureza que nós possuímos é o mínimo que se espera de uma pessoa decente. A larguesa de espírito, no entanto, sem a qual a objetividade é nada mais que autocongratulação, e a tolerância apenas hipocrisia, surge através de uma conquista muito mais difícil: a de ver-nos, entre outros, como apenas mais um exemplo da forma que a vida humana adotou em um determinado lugar, um caso entre casos, um mundo entre mundos. [...]. Trecho extraído da obra A interpretação das culturas (Zahar, 1978), do antropólogo estadunidense Clifford Geertz (1926-2006).

O AMOR - O amor é a prova da existência de outos e da existência deste mundo soberanamente real: o futuro que, sozinho, dá sentido ao presente. Amar um homem ou uma mulher é descobrir uma dimensão nova da vida, um novo e imprevisível futuro. O amor, como a prece, é para ser despertado, preparado para a oferenda, como aberto ao acolhimento. Este amor total não separa o corpo e a alma, que são apenas duas abstrações, dois ângulos de tomada de vista sobre uma realidade única. O amor começa quando preferimos o outro a nós mesmo, quando aceitamos a diferença e a sua imprescritível liberdade. Ser capaz de acolher no outro aquilo mesmo que desperta o ciúme animal, que é sinal de amor próprio e não de amor. Nada é maior que essa partilha da verdadeira personalidade de cada um. Um amor que não seja essa criação continuada de um pelo outro, mesmo ao preço dos dilaceramentos trágicos, é o contrário do amor. Quem não estiver preparado para enfrentar tudo isso não é digno do amor. A poesia e o amor são, com efeito, as formas mais imediatamente apreensíveis da transcendência do ser [...]. Trecho extraído da obra Palavra de homem (Difel, 1975), do filósofo francês Roger Garaudy (1913-2012). Veja mais aqui, aqui & aqui.


NEUROPSICOLOGIA – O livro Neuropsicologia hoje (Artmed, 2004), organizado por Vivian Maria Andrade, Flávia Hekoísa dos Santos e Orlando Francisco Amodeo Bueno, trata de conceitos gerais de neuropsicologia, aspectos instrumentais e metodológicos da avaliação, bases estruturais do sistema nervoso, inteligência, atenção, neurobiologia da atenção visual, funções executivas, memória e amnésia, neuropsicologia da linguagem, neuropsicologia do desenvolvimento, memória operacional e estratégias de memória, avaliação neuropsicológica infantil, reabilitação cognitiva-pediátrica, epilepsia, avaliação neuropsicológica em traumatismo e em lesão, aspectos cognitivos da esclerose múltipla, modelo de atendimento interdisciplinar em esclore múltipla, doença de Parkinson, aspectos neuropsicológicos associados ao uso de cocaína, envelhecimento e memória, avaliação e reabilitação neuropsicológica no idoso, redução da assimetria hemisférica em adultos velhos, o modelo Harold, entre outros assuntos. Veja mais aqui e aqui.

RESSOCIALIZAÇÃO PENAL – Tratar da temática da ressocialização penal em um trabalho acadêmico, requer inicialmente uma abordagem história e fundamentação conceitual acerca das penas, suas finalidades e os sistemas prisionais. Em seguida, abordar a fundamentação conceitual acerfca da ressocialização, destacando-se o direito dos presos. Por fim, será de bom alvitre a realização de um estudo de caso que envolva instituição prisional ou núcleo ressoalizador para se buscar a realidade encontrada. Veja mais aqui e aqui.

PSICOLOGIA ESCOLAR E EDUCACIONAL – O livro Psicologia escolar e educacional: saúde e qualidade de vida (Alínea, 2008), organizado por Zilda Aparecida Pereira Del Prette, aborda temas como a teoria, a pesquisa e a pratica na interface psicologia-educação, saúde psicológica, sucesso escolar e eficácia da escola, desafios do novo milênio para a psicologia escolar, o psicólogo escolar e os impasses da educação, implicações das teorias na atuação profissional, a prática em questão, para além dos objetvos e prática tradicionais da escola, o desafio dos excluídos, entre outros assuntos. Veja mais aqui e aqui.


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