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domingo, abril 12, 2026

CRISTINA GARZA, STELLA NYANZI, CAROL GREIDER & ARAMIS TRINDADE

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Debussy: La fille aux cheveux de lin (2025), My European Journey (2021) e Letters from Paris (2016), da violonista britânica Alexandra Whittingham. Veja mais aqui.

 

Memória visceral, segredo intersticial... - Era maio, foi. E em plena primavera, il Prete Rosso imprimia os acordes do Allegro em fá maior, terceiro concerto Le quattro stagioni, um anúncio outonal do vindouro solstício de inverno. Fora do tempo, a vida era brisa mansa fagueira nos olhos orvalhados, criança risonha, arteira: o quintal era o paraíso e se estendia às fugidas pela beira do rio, o reino encantado de todas as coisas. Mais dias, temores e pirraças: vingava na fruteira, legumes ou verduras; aos puxões de orelha e bra bre bri bro bru, crás! Tome! Pronde ia, a pele na parede rebocada, com as travessuras: menino traquino subia muro pra saber do depois. E só quando a noite, piongo se escondia arregalado pelo papa-figo e outras abusões sinistras. Assim crescia na correnteza de Valuna e mais. Até que adolesceu ousadia estival no meio do proceloso quarto concerto em fá menor e era pra si próprio: Il cimento dell'armonia e dell'inventione. Quase rapaz na invernada, um bigodinho ralo encorajador na cabeça de vento, imberbe idiossincrasia nos incipientes pelos das axilas e púbis, o punho solitário desbossulado pelas efígies coloridas, erotomania medonha estava escrita na testa. Tudo voava sem antes, o dia no idílio e as ideias tempestuosas pelas cachoeiras de sonhos. Se houvesse lonjura passava perto do fim do mundo, nada era demais no fastio das léguas engolidas, de audaz singrador pelos avessos e às voltas com a feiúra ocrídia, daquelas de quebrar espelhos. E vieram reveses, pisado curto: dava-se prazo. De resto, tinha coragem: vozes escuras insólitas e as funduras da vida. Podia fazer melhor: se acomodar ao vulgo ou alheio, acovardar-se; mas, não, ia. A mãe vestia branco e olvidava sua angústia impulsiva: medos e culpas, pseudologia fantástica e irrecuperável mitomania narcisista. O pai distante, idolatrava. Era mais um pendurado na ponta da corda. Mesmo assim, quando adulteza outonal chegou, não era mais que uma peraltice guilhotinando a hora no primaveril equinócio do barroco primeiro concerto, em mi maior. Houvesse quentura mormaçada, lavado de suor e lágrimas, segurava o teitei na pisada larga. Mais trovejasse e o raio era o salto com afinco sobrepujando percalços, recorrentes revertérios e o podium desmoronava pelo cimento mole, adivinhando o buraco escondido sob o aguaceiro. Precauções inúteis e escorregões nas escadarias, no asfalto, pedras falsas, a queda e a cara no tolote, sossega-leão, nada poupava risadas vindouras. Havia sempre fritura em ponto de exaustão, coisa de quase fora-da-lei. Nada não. Houvesse premência, nada mais que dedos estalando para acender provisão: segundos por semanas vencidas, meses por anos devorados. Piorava com a própria disgrafia disléxica e a doença de escrever na disortografia: tudo misturado, desconexo, mal inventado, a graforréia crônica, caráter anancástico e a aritmomania, o desarrazoado e a calamidade hipotética. Teibei! Endoidou? Intuía reconciliação: escrevia como se salvasse do autoexílio, ah, as ruminações mentais, as alucinações, coisa de louco. E o cúmulo: bandeira branca a meio pau, topava, aguçava as vistas e as ouças, rasteiro, apurava: agora vale imediato, nem seguintes nem antes, da vez, onde ou longe. Avaliava sobras e privações, não batia o desconforme e destilava seus próprios venenos. O que não dava jeito, inéditas coisas, feições demudadas. Então, peraí! Era a vez do melodioso segundo concerto em Sol menor, como se revivesse os versos da primavera de Neruda, o verão no aquário de Lygia, o outono de Knausgård e o inverno de Torga. Aprendia: do abismo, os ósculos da sorte; dos dias, o ritual dos renascimentos; e das noites: o segredo das constelações invisíveis. Assim, na sua vetustez, atinou das rugas e pelancas: a vida era plena no solstício de verão. Ué! O traquejo do sonâmbulo cavanhaque grisalho, quase abstêmio, tão e quão, nada tão sério quanto um chiste pra gaitada débil: história de muito assunto, sobre o mofo das coisas emborcadas, puídas, arriadas. Passou, passaram. Amplexos ocasionais, desapegos - túmulos, desesperos, niilismo, tudo muito póstumo e embalado pela primeira sinfonia em sol menor, de Tchaikovski, aos ecos do salmo: Todos os homens são mentirosos... E uma legião de impostores rondando pesadelos: um bando de sátiros, pinóquios, titeriteiros, espantalhos, duendes, mascarados, desfilavam espectrais, talvez avistasse assombrações desarrumadas de olho aberto. Mantinha a munheca trêmula em riste - previa o rasgado, proveito dos remendos: coincidência é retrato falso, sabia, o urdido se consumia, cogitava desengancho, havia de desfiar tudo no oco da mão surrada, premido pelo que se foi e escapuliu pela culatra aos demasiados. Se desde muito estafermo, não dava noutra: se a Terra dançava, a vida seguia. E tudo ia, foi atrás. Até quando? Ora. Até mais ver.

 

Lygia Fagundes Telles: Quando na realidade o amor é uma coisa tão simples... Veja-o como uma flor que nasce e morre em seguida por que tem que morrer. Nada de querer guardar a flor dentro de um livro, não existe nada mais triste no mundo do que fingir que há vida onde a vida acabou... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Cressida Cowell: Lembre-se: não há nada de errado em ter um senso saudável de autoestima... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Claire Wineland: A morte é inevitável. Viver uma vida da qual possamos nos orgulhar é algo que podemos controlar... Veja mais aqui & aqui.

 

É PRECISO ENLOUQUECER PRIMEIRO?

Imagem: Acervo ArtLAM.

Neste país abandonado por Deus \ as bocas dos homens estão caladas. \ O medo paralisa-os. \ A coragem das mulheres, esmorecida. \ Os seus filhos, mortos ou presos. \ Dizem que sou louca \ por dizer publicamente verdades \ que os anjos não ousam sussurrar. \ Dizem que sou perturbada \ por combater assassinos armados \ com posts no Facebook e poemas. \ Eles olham-me e abanam as cabeças. \ Perguntam-se quem me terá enfeitiçado. \ Olho-os de volta e suspiro. \ Fomos todos reduzidos a isto? \ Será preciso enlouquecer primeiro \ para dizer a verdade ao poder \ neste país abandonado por Deus?

Poema da poeta, antropóloga, médica e feminista ugandense, Stella Nyanzi. Ela é ativista, defensora dos direitos humanos, dos direitos queer e da sexualidade, do planejamento familiar e saúde pública. Veja mais aqui.

 

O INVENCÍVEL VERÃO DE LILIANA – [...] Viver em duelo é isso: nunca estar sozinho. Invisível, mas patente de muitas formas, a presença dos mortos nos acompanha nos minúsculos interstícios dos dias. Por sobre o homem, a um lado da voz, no eco de cada passo. Arriba das janelas, no fio do horizonte, entre as sombras das árvores. Sempre está lá. e sempre estás aqui, con y adentro de nós, e afuera, envolvendo-nos com sua calidez, protegendo-nos da intempérie. Este é o trabalho do duelo: reconheça sua presença, decirle que sim a sua presença Sempre há outros olhos vendo o que vejo e imagina esse outro ângulo, imagina o que uns. sentidos que não meus filhos poderiam apreciar através dos meus sentidos, bem mirado, uma definição pontual de amor. O duelo é o fim da solidão. [...]. A liberdade não é o problema. Os homens são o problema — homens violentos, arrogantes e assassinos. [...]. Trechos extraídos da obra Liliana's Invincible Summer (Hogarth, 2023),da premiada escritora, ensaísta e poeta mexicana, Cristina Rivera Garza. Veja mais aqui & aqui.

 

DISLEXIA - Quando criança, eu me achava burra porque precisava de reforço escolar. Só muito mais tarde descobri que era disléxica e que minha dificuldade com ortografia e pronúncia não significava que eu era burra, mas essas primeiras impressões ficaram comigo e influenciaram meu mundo por um tempo... No ensino fundamental, descobri que podia me sair bem na escola. Lembro-me de gostar da liberdade de escolher as disciplinas e do prazer de aprender e ter um bom desempenho. Minha perseverança e meu amor pela leitura, de alguma forma, me permitiram superar muitas das desvantagens da dislexia, e eu lia muitos livros por prazer... São necessários anos para perceber os múltiplos benefícios da ciência; sem financiamento adequado e contínuo para a pesquisa, a carreira de muitos jovens cientistas brilhantes pode ser interrompida abruptamente... A ciência pode promover a compreensão entre as pessoas em um nível realmente fundamental... Pensamento da bióloga molecular estadunidense Carol Greider, que descobriu a telomerase em 1984. Suas pesquisas relacionadas à proteção dos cromossomos através do telómero, juntamente com Elizabeth Blackburn Jack Szostak renderam-lhe o Nobel de Medicina/Fisiologia de 2009.

 

A ARTE DE ARAMIS TRINDADE

Nós temos uma ferramenta muito importante na educação – é o teatro. Ministra o conteúdo e facilita o aprendizado. É muito didático, através da encenação passamos muita informação...

Trecho da entrevista (Ciranda de Palavras, 2018), concedida pelo ator, produtor, diretor e humorista, Aramis Trindade (Aramis Marques de Trindade Sobrinho), conhecido por suas atuações em filmes como O baile perfumado (1997) e O auto da compadecida (2000). Ele começou sua trajetória artística aos 13 anos de idade, num circo em Fazenda Nova (PE). Daí foi pro teatro e, a partir de 1982, atuou em espetáculos como Lisbela e o prisioneiro (2000-2002) e Não vamos pagar (2016), entre outras peças teatrais. No cinema, além dos mencionados, participou de Bandeira, Bandeiras (1986), Tainá 2 - A Aventura Continua (2005), Árido Movie (2006), Zuzu Angel (2006), Gonzaga - de Pai pra Filho (2012), totalizando mais de 60 filmes. Na TV participou de séries, novelas, programas, entre outras apresentações, afora produzir curtas metragens. Veja mais aqui.

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ABRIL ÍNDIGENA

Acontecerá no dia 15 de abril, o Abril Indígena da UFPE, ocasião em que o Mata Sul Indígena tratará sobre a experiência do Museu do Povo Marikito Tapuyá, do artesanato Anuará e exibição do doc. Matapiruma, retratando o trabalho dos cortadores de cana no Engenho Matapiruma, em Escada (PE). O evento contará ainda com atividades culturais, valorização de direitos e saberes dos povos originários e o Acampamento Terra Livre (ATL), integrando-se ao cenário nacional a ações da FUNAI, com a temática "Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós".

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ESCRITORES DA MINHA TERRA

Dia 14 de abril, 14h, na Biblioteca Pública Fenelon Barreto (Palmares-PE).

 

Nelson Rodrigues aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Lívia Falcão aqui & aqui.

Naná Vasconcelos aqui, aqui, aqui & aqui.

Paula Berinson aqui.

Alberto da Cunha Melo aqui, aqui & aqui.

Janete Maria Lins de Azevedo aqui & aqui.

José Barbosa aqui & aqui.

Gio Simões aqui.

Marcelino Freire aqui, aqui & aqui.

Joana Liberal aqui.

 


segunda-feira, abril 14, 2025

HWANG BO-REUM, CYNTHIA FRANCO, CLAUDIA WERNECK, JUAREIZ & AMAURI CAMINHA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Archetypes (Cedille Records, 2021) e Window To The World (Vectordisc Records, 2022), da premiada compositora, pianista, cantora e arranjadora Clarice Assad. Veja mais aqui.

 

Lá vai o poeta porque a vida é uma canção de amor... - Foi Marquinhos quem trouxe um doido e a maldição da lucidez. E me levou lá na Praça da Luz – local já conhecido do saudoso casal Mestre Biu & dona Carminha. Lá estava o poeta que gozava de prestígio pela edição inaugural da antologia Poetas dos Palmares, afora outros tantos idos e acontecidos. Tinha eu lá por volta dos meus 12 anos de idade e, dias depois, conversa vai, conversa vem, ousei passar pra ele os meus rabiscos adolescentes. Ele se riu e soltou: Vamos publicar. Ora, ora. Era eu um menino da beira do rio que se jactava por conta dumas quadrinhas pra professora do primário que foram publicadas no Júnior do Diário de Pernambuco, mais uns tresloucados versos no jornal estudantil do Grêmio Castro Alves e outros estampados nos murais na Biblioteca Pública, mais nada. Ele dava corda e eu sabia: tinha topete pra isso não. A peitica dele seguia e vieram as Noites da Cultura Palmarense com Durán & a turma toda, as figurinhas trocadas sobre o poeta Raymundo e Vinicius de Moraes pros cadernos da Nova Caiana e revista Poesia. E era Zé Terra inquieto lá em casa dias e noites segurando a saia de Solange grávida de João Guarani, ao meu violão com pot-pourri de Paulo Diniz e a festa bebemorada no Poema para Léa com Vanderléa e Egberto Gismonti, afora as noitadas com Lourdes contando das muitas de Ascenso, a comemoração pelo nascimento de Mariama, da organização de Jessiva pro Voltarei ao sol da primavera com Roberto Benjamim. Muitas páginas escritas e soltas, cadernos arrumados aos monturos, volumes selecionados, capas e canetas, resmas e recortes, festejávamos diariamente na legendária Livro 7, quando não às risadagens com o pau de índio de Olinda, o mingau de cachorro de Afogados, a sopa do peixe do Pra Vocês, os cabarés da Rio Branco, as reiteradas curtidas de Bridge Over Troubled Water da dupla Simon & Garfunkel pra canção que eu fiz pro seu Ponte sobre águas turvas, a cantoria desafinada de Palmares City às gargalhadas com o nosso jogral particular em uníssono: melhor do que Palmares só Paris e à noite, porque de dia a gente levava de lambuja! E nessas idas e vindas, 10 anos se passaram: estava ali prontinho da silva o meu primeiro livro – com a coordenação dele e as gentis participações de Ângelo Meyer e Paulo Profeta. E mais vieram: os lançamentos da Pirata, as primeiras edições de A Região, a sua presença marcante na estreia das minhas peças teatrais – O prêmio, em Palmares; e a Viagem noturna do Sol, em Recife -; as conversas sobre a encenação de João sem terra do Hermilo com Paulo Cavalcanti – O caso conto como o caso foi; os brindes dos copos ao som de Junco do Seridó e as viradas de noite com Marca Ferrada. Décadas se passaram até o reencontro para a bombástica entrevista concedida pro meu Guia de Poesia lá no Rio de Janeiro e, muito tempo depois, a acertada com a tradução do Vivar pro Americanto na noite de Maceió, os 70 setembros. Foram muitas e tantas de perder a conta nos meandros da memória. Hoje meu coração entoa aquela canção para Abya Yala do Mílton: Qualquer dia a gente vai se reencontrar... Até mais ver.

 

Karen Blixen: Quando você tem uma tarefa grande e difícil, algo talvez quase impossível, se você trabalhar apenas um pouco de cada vez, um pouco a cada dia, de repente o trabalho terminará sozinho... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Catherine Belkhodja: Todos conhecem e compartilham os sofrimentos do outro, do peso do abandono, da inevitabilidade de um acontecimento que já passou. Em seus torneios, acima de tudo uma esplêndida história de amor... Veja mais aqui.

Cressida Cowell: Estamos todos arrebatando momentos preciosos das mandíbulas pacíficas do tempo... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A FRONTEIRA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Amor \ Você viu o rasgo da lama? \ Foi a imigração: espelho negro \ Quantos estão procurando seus filhos desaparecidos? \ Ali, entre as paredes \ na área norte \ deserdado: Você é a fronteira \ abrigado na rocha e nos ventos frios \ Onde estão os mortos nascidos amor onde? \ No deserto talvez? Você nasceu no crepúsculo de Frontera? \ Onde você costuma ficar? Da montanha, talvez? Você cheira a sálvia em sua nostalgia \ Quantos mares eu acalmo para unir uma só linguagem de amor? \ Quantas cruzes, quanto eu cruzo? \ Quanta fome, quanta sede de família? \ Para unir, unir, unir as fronteiras! \ O eterno retorno, sempre se retorna, mãe, mãe sempre se retorna! \ Se você migrar, eu também vou! \ Tentaram me parar na fronteira \ Tentaram me parar na fronteira \ Não há vistos para o seu tipo, não, não, não \ De onde você é, eles me perguntaram? \ De todo lugar, de lugar nenhum, da ferida eu venho \ A fronteira me deu a primeira canção, eu nasci com a cara do céu afundando \ Tão violento quanto seu amor \ Para unir o amor eu tive que odiar e não lembrar \ Dizem que os pássaros migram para o sul. \ Mas acredito que eles sempre retornam para o norte, para a raiz que cresce para baixo \ e sem terra não \ De onde o vento traz o chamado da morte eterna, a sombra eterna \ Nós somos os Ixcuinan, os do norte \ Estamos dando à luz uma poesia que nos protege, uma canção \ Virgem da aurora, dai-me clareza e tranquilidade \ Estrela da manhã, dá-me luz e dá-me paz \ ao longo das fronteiras, eu canto.

Poema da escritora mexicana Cynthia Franco.

 

BEM-VINDO À BIBLIOTECA - [...] Os livros não são feitos para permanecer na sua mente, mas no seu coração. Talvez eles existam na sua mente também, mas como algo mais do que memórias. Em uma encruzilhada na vida, uma frase esquecida ou uma história de anos atrás pode voltar para oferecer uma mão invisível e guiá-lo para uma decisão. Pessoalmente, sinto que os livros que li me levaram a fazer as escolhas que fiz na vida. Embora eu possa não me lembrar de todos os detalhes, as histórias continuam a exercer uma influência silenciosa sobre mim. [...] A vida é muito complicada e expansiva para ser julgada somente pela carreira que você tem. Você pode ser infeliz fazendo algo que gosta, assim como era possível fazer o que não gosta, mas obter felicidade de algo totalmente diferente. A vida é misteriosa e complexa. O trabalho desempenha um papel importante na vida, mas não é o único responsável por nossa felicidade ou miséria [...] Cada um de nós é como uma ilha; sozinho e solitário. Não é algo ruim. A solidão nos liberta, assim como a solidão traz profundidade às nossas vidas. Nos romances que eu gosto, os personagens são como ilhas isoladas. Nos romances que eu amo, os personagens costumavam ser como ilhas isoladas, até que seus destinos gradualmente se entrelaçaram; o tipo de história em que você sussurra, 'Você estava aqui?' e uma voz responde, 'Sim, sempre.' [...] Em vez de se agonizar sobre o que você deve fazer, pense em se esforçar em tudo o que você está fazendo. É mais importante tentar o seu melhor em tudo o que você faz, não importa o quão pequeno possa parecer. Todo o seu esforço vai somar em algo. [...] Um dia bem aproveitado é uma vida bem vivida. [...] Para encontrar a felicidade, faça o que você gosta. Todos vocês devem encontrar algo que gostem de fazer, algo que os deixe animados. Em vez de perseguir o que é reconhecido e valorizado pela sociedade, faça o que você gosta. Se você puder encontrar, não vacilará facilmente, não importa o que os outros pensem. Seja corajoso. [...]. Trechos extraídos da obra Welcome to the Hyunam-Dong Bookshop (Bloomsbury, 2023), da escritora sul-coreana Hwang Bo-reum.

 

INCLUSÃO DE VERDADE – [...] A inclusão é uma proposta de uma transformação política da sociedade, uma alteração estrutural, onde o mundo precisa ser preparado não para as pessoas que têm deficiência, mas para todos. [...] Estão enganados, portanto, os que acreditam que o conceito de inclusão está relacionado somente às pessoas que têm uma deficiência. Não é. Ele tem a ver com o ser humano. [...] Trata-se de uma longa trajetória de exclusão, de não-reconhecimento, de não-entendimento de que pessoas que nascem com uma síndrome genética são detentoras de direitos como o de estar na escola, no trabalho, em todos os espaços sociais. [...] Para os pais, o maior desafio é conseguir colocar o seu filho com a maior dignidade numa escola regular de qualidade, para que eles sejam reconhecidos como parte da geração a quem pertencem, que eles possam desde cedo se exercitar eticamente junto com pessoas da mesma idade e, juntos, participar deste grande exercício que é se tornar cidadão. Para a sociedade, o grande desafio é olhar para uma pessoa com síndrome de Down e não achar que ela é o exótico da natureza. Isto é um grande equívoco. Esta é uma ideia profundamente segregacionista, quase nazista. Este é, portanto, o grande desafio da sociedade, vencer seu próprio ranço na visão deturpada que ela tem de pessoas que representam a diferença. [...] A escola inclusiva nada mais é do que uma escola de qualidade para todos. [...] Hoje, dirijo o meu trabalho para a formação de guerrilheiros pró-inclusão. Adolescentes e universitários que vão saber exatamente como olhar uma pessoa com deficiência e não vê-la mais como diferente da sociedade, mas uma pessoa integrante e indispensável dela [...]. Trechos da entrevista Inclusão reflete riqueza humana (BBC Brasil, 2003), concedida pela jornalista e ativista Claudia Werneck, que é autora do livro Muito Prazer, Eu Existo: um livro sobre as pessoas com Síndrome de Down. (WWA, 1993), a fundadora idealizadora da Escola de Gente e pioneira na disseminação do conceito de sociedade inclusiva (ONU) na América Latina.

 

MOVIMENTOS DESPEDAÇADOS...

[...] Nunca poderemos perder as esperanças. Ou acreditamos ou nada acontecerá. Portanto, o nosso sonho não está acabado, vamos atrás desse sonho, possivelmente nossa geração não alcançará, mas, à geração do futuro certamente... [...]

Trecho extraído do livro Movimentos despedaçados e outras histórias (JC, 2024), do escritor e militante político Amauri Cavalcanti Caminha.

&

JUAREIZ CORREYA NO TTTTT

Reunião de textos do poeta e editor Juareiz Correya (1951-2025) aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.




 


segunda-feira, abril 01, 2024

CECILIA VICUÑA, MELBA ESCOBAR, FREDRIC JAMESON, UMBILINA & AUTOGESTÃO DA MEMÓRIA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do álbum Pure (Decca Records, 2003), do DVD Live from New Zealand (Decca Records, 2004) e Pie Jesu – Vietnam no National Memorial Day Concert in Washington (2011), da soprano neozelandesa Hayley Westenra.

 

UMA QUASE CANÇÃO DE AUTOEXÍLIO... - Já morri duas vezes: a primeira aos 10 anos de idade; a outra, aos 23 – afora outras tantas passageiras no meu dia-a-dia. Como a morte se abestalhava, escapulia. Mas antes de anteontem ela reapareceu. Quem não desespera com a presença dela por perto? Ao contrário dos estereótipos todos, ela era fascinantemente sedutora. Achegou-se com elegância, aboletou-se ao meu lado e não perdeu tempo: E a vida, hem? Apesar dos pesares, muito bonita: É bom viver! Além de linda, sabia, era inarredavelmente poderosíssima! Ela, então, estalou os dedos e um caleidoscópio instantâneo fez-se filme com todo inventário humano: guerras, fome, injustiças, misérias. Isso é bom? Não. A quem você quer enganar? Tudo era impressionante e insistia em meus olhos não aceitar nada daquilo: uma flor desabrochava, uma criança estendia a mão, um gesto de solidariedade na esquina... Pode sonhar! Só acontece mesmo na sua cabeça de tolo. Não acredito. Quer subestimar minha inteligência? E disse-me Dorothy Eden: O perigo, claro, residia na sua curiosidade, na sua inteligência e nos seus olhos obstinadamente observadores... Sempre prestei atenção a tudo no mundo e na vida. Lendo-me os pensamentos sussurrou: Memento mori... Ao invés de mim isto deveria ser pronunciado pros que se acham donos do mundo e das coisas, surpreendendo os valentões, os ricaços de todos os mandos e os fanáticos da fé. Fitou-me grave e, novamente, os seus dedos agitaram no ar apontando para um salão que surgiu de repente e, no bico da quina do adeus, lá estava: a rainha neandertal ressuscitara mais agnotológica que antes, com suas muitas formas ageótipas de se mostrar tão bela e metida com seus bruxedos medievais - carecia de espiar direito ali os seus zis e ardilosos disfarces. Estava a dita ressurreta ali envolvida com uma romaria escatológica e um coro tóxico aos berros cantantes: A humanidade fracassou! Glória, Jesus! O além-humano morreu! Aleluia! Era uma louca Babel e tudo girava em delírio, como se o come-cu (STSS) devorasse silenciosa e mortalmente as suas entranhas. Uma cena deprimente aquela, mais uma. E o pior era a constatação de que a arte, a filosofia, as ciências, todas sucumbiram àquele ato, ali enterradas definitivamente. E logo vi todos se aprontarem para possante marcha sob os supostos auspícios do todo-poderoso deles. Oh! Era um sinal de rasga-mortalha: o mundo vai acabar! Arrodeavam o cerimonial de uma cova dantesca com enorme pedra sobre. Se era aterrorizante, o medo a favor. Muito desesperador. Enquanto presenciava tudo aquilo, a atraente parca visitante roubava a cena cochichando ao meu ouvido Cressida Cowell: As ações têm consequências e um preço deve ser pago; há coisas que não podem ser desfeitas... Era um alerta e me fez sofrer tanto de ficar com o juízo meio mole. Coisa boa aquilo não era, a insônia de Cioran. Sim, eu me sentia bipolar: uma montanha russa no escuro, cético, niilista. Tal Mark Twain diante de um urso polar, com minha amnésia infantil - cada um com a sua loucura: incompleto, finito e o inesperado esmagador. A senhora libitina percebeu o quanto tudo aquilo calou fundo dentro de mim: mais uma das minhas tantas quedas num poço sem fundo da já inexistente Alagoinhanduba. Socorreu-me remediável com a presença do Eduardo Marinho que aparecera alheio a tudo e pude levar um lero feito o emancipador conversável do Agostinho da Silva. Toda reunião desconfortável desaparecera. E a madame do exício sorriu com o meu pronto restabelecimento puxando-me a um canto secreto e beijou-me: Vá! Apressei o passo cada vez mais longe, ao deus dará! Sentia-me uma andorinha enfrentando sozinha todos os predadores algozes. Escapei fedendo, a alma quase se perdendo de desencarnar de vez pelo barro batido do caminho estreito e mais não tivesse a esperança inútil, o coração esmagado - a morte só poderia ser vida: o passado e tudo que já foi agora é dela. Ao meu ouvido sua voz ecoava Bella Akhmadulina: Quem sabe - a eternidade ou um momento \ Eu tenho que vagar pelo mundo. \ para este momento ou esta eternidade \ Agradeço também ao mundo... Sobrevivi aos seus múltiplos encantos e estou aqui, pela terceira vez, pronto pra contar hestória. Até mais ver.

 

A CIGANA ADORMECIDA

(Um leão cuida de seu livro de sonhos)

Imagem: Acervo ArtLAM.

La Gitana escreve há anos um trabalho secreto \ que ninguém nunca saberá, \ mas já começou \ para ser realizado na vida real. \ Enquanto ela continua a sonhar \ Seus sonhos compõem o mundo. \ O leão, porém, não posso dormir. \ Se você parar de observá-la, \ ela poderia acordar e nós desaparecemos imediatamente.

Poema da poeta e artista chilena Cecilia Vicuña. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

LA CASA DE LA BELLEZA - [...] A verdade é necessária quando há justiça. Mas a verdade sem reparação envenena a alma [...] Desde que me lembro, tivemos que cuidar de nossa segurança. Eu sou loira, olhos azuis, 1,75 de altura, algo cada vez menos exótico no interior, mas na minha infância tudo um ás na manga para ganhar o carinho das freiras e o tratamento preferencial dos meus colegas, bem como um foco de atenção que no caso do meu pai se tornou paranóia de um sequestro que felizmente nunca aconteceu na família, riqueza e traços Os anglo-saxões contribuíram para o meu isolamento. [...] Sua mãe, apenas dezesseis anos mais velha que ela, já foi a rainha do bairro, então Ela pensou que iria acabar pobre, mas acabou grávida de uma loira que falava pouco espanhol e que ele presumiu ser um marinheiro. Dessa visita furtiva de amor, a mulata que Ela compartilhou com a mãe não apenas seu sobrenome, mas também sua beleza e escassez. [...] Entre os apitos dos carros ele avançou saltando por poças de água até chegar à corrida 11, onde Ele embarcou em um ônibus em ruínas […] Um menino de cerca de onze anos entrou para vender balas. Ele disse que foi deslocado de Tolima. Ele disse que tinha quatro irmãos. Ele disse que era o “chefe da família”. Karen Ele enfiou a mão na bolsa e entregou-lhe quinhentos pesos antes de ligar para o ponto. [...] Ao cruzar a centena, ficou atordoada com as buzinas, a fumaça do escapamento, os ônibus verdes e tão antiga quanto a fome de quem pede esmola […] Algumas mulheres, quase sempre negras ou indígenas, com os filhos pendurados no peito ou nas costas, seguravam a criatura em um mão, o papelão na outra, o pote para receber moedas debaixo do braço, numa lamentável equilíbrio sempre atento à mudança de luz. Ao ficar vermelho, mendigos, deslocados, bandidos, viciados em drogas, aleijados, charlatões, desempregados, analfabetos, Abusadas, mutiladas, crianças e mulheres grávidas assaltam veículos em espetáculo diário tão repetitivo e previsível que já não surpreende ninguém. [...] Minha mãe morreu quando eu tinha onze anos. Sempre fui bastante feio. Em todo caso, nenhuma beleza. Eu sabia pouco sobre homens e relacionamentos, sabia principalmente por meio de livros. Decidi ser psiquiatra porque cresci ouvindo meu pai comentar casos e parecia o mais natural. [...] Ainda me lembro daquela vez em que ele me chamou de “mamãe”. Eu estava distraído olhando o jornal, Perguntei uma coisa para ele, se ele tinha marcado consulta no urologista, alguma coisa assim, e sem levantar O chefe do jornal me disse: “Não, mamãe”, aí ele ficou vermelho de vergonha e o que ele me disse Isso me deu um ataque de riso. [...] A verdade é que Karen Marcela Ardila, por ter nome do meio, era O sorriso permaneceu desde que ela ganhou o prêmio Colombian Girl, aos oito anos. anos. Sua persistência no gesto era tanta que quase não conseguia mais controlá-lo. Ele sorria o tempo todo momento, mesmo quando a situação era triste ou dramática, outra razão pela qual Jamais poderia apresentar algo diferente do segmento de entretenimento. [...] Karen sabia, sua mãe lhe dissera, que o maior infortúnio de sua mãe fora dar à luz uma mulher porque "os homens fazem o que querem, enquanto as mulheres "Fazemos o que temos que fazer." Karen lembra que tinha treze anos quando a ouviu dizer isso. De Então ele se perguntou, com cada mulher que conheceu, se ele realmente fazia o que queria ou o que queria. essa foi a vez dele. [...] Suas conversas com ele estavam se tornando cada vez mais um ritual dominical e ela temia que com a passagem Com o tempo ela se tornou uma daquelas mães que um dia foi trabalhar no capital, com quem aos poucos o tema da conversa se perdia nas ligações todas as vezes mais curto e mais esporádico [...] “Quando você vem, mãe?”, ele disse finalmente. Já fazia tanto tempo Eu não liguei para a mãe dela. Ao ouvir aquela palavra ele se sentiu distante. [...] Aquele cheiro de terra do mar, de água do mar [...] tirando uma soneca na cadeira de balanço e a mãe preparando bolinhas de tamarindo na varanda de casa, e dizendo “menina, não me procure”. porque você vai me encontrar", porque ninguém mais a chama de menina, ninguém mais a procura, muito menos ela. encontra, ela não se encontra mais, muito menos sabe onde está, cada vez mais perdida, cada novamente aqui e ali ao mesmo tempo e ainda em lugar nenhum ao mesmo tempo. [...]. Trechos extraídos da obra La Casa de la Belleza (Planeta, 2017), da escritora e jornalista colombiana Melba Escobar. Veja mais aqui.

 

ANTINOMIAS DO REALISMO - [...] Observei um desenvolvimento curioso que sempre parece definir quando tentamos manter o fenômeno do realismo firmemente em o olho da nossa mente. É como se o objeto da nossa meditação começasse a oscilar, e a atenção para ele se afastar insensivelmente em dois direções opostas, de modo que finalmente descobrimos que estamos pensando, não sobre o realismo, mas sobre o seu surgimento; não sobre a coisa em si, mas sobre sua dissolução. [...] Também perde o grande jogo do narrador onisciente, que é conhecer segredos que nenhum dos personagens envolvidos jamais aprenderá, ironicamente levando para o túmulo sua infeliz ignorância. [...] Esta sinédoque, em que a escaramuça representa a batalha, como recomendou Balzac, é um ataque muito mais directo e enérgico ao problema impossível da representação colectiva do que qualquer coisa na Esquerda, que é reduzida a manifestações e marchas, e cujos dilemas são vividamente dramatizado pelo facto de terem participado nas filmagens de Outubro de Eisenstein mais actores e figurantes do que o número de participantes reais na própria revolução bolchevique. [...] Provavelmente todo o modernismo desperta isso não necessariamente impulso admirável que muitas vezes assimilamos à Interpretação como tal; mas aqui, pelo menos, podemos nos perguntar se o interesse está no conteúdo de tais temas simbólicos e interconexões ou no sentido ontológico primeiro plano do próprio processo. [...]. Trechos extraídos da obra The Antinomies of Realism (Verso, 2013), do crítico literário estadunidense Fredric Jameson, no qual trata a respeito das tinomeias do realismo, das fontes gêmeas e impulso narrativo, do afeto ou o presente do corpo; Zola, ou a Codificação do Afeto; Tolstoi, ou, Distração; Pérez Galdós, ou, o declínio da protagonicidade; George Eliot e Mauvaise Foi; a dissolução do gênero, a Terceira Pessoa Inchada, ou Realismo após Realismo, Coda: Kluge, ou Realismo após Afeto, a lógica do material, as experiências do Tempo: Providência e Realismo, Guerra e Representação, Vou ser o romance histórico hoje, ou ainda é possível, entre outros assuntois. Em seus estudos ainda expressou: Alguém disse uma vez que é mais fácil imaginar o fim do mundo do que imaginar o fim do capitalismo. Podemos agora rever isso e testemunhar a tentativa de imaginar o capitalismo através da imaginação do fim do mundo. Se tudo fosse transparente, não existiriam ideologias... Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

UMBILINA...

[...] todos os seres da terra são instrumentos de um mistério: tudo começa porque tem que acabar [...] concluiu que nada vale a pena – nem sofrer, nem ser feliz. Viver não é uma coisa nem outra, viver é cíclico. [...].

Trechos extraídos da obra Umbilina e sua grande rival (Autor, 2013), do escritor, dramaturgo e jornalista Cícero Belmar.

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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...