sexta-feira, agosto 08, 2014

ANTONIO TORRES, GRAF DÜRCKHEIM, JOHN ADAMS, VESSELIN ANDREEV, RICARDO ALFAYA, DIREITO DE FAMÍLIA & ALIMENTOSS




Curtindo a ópera-oratório El Niño (Nonesuch, 2001), do compositor estadunidense John Adams, com performance de Lorraine Hunt Lieberson, Dawn Upshaw e Willard White, sob a regência de Kent Nagano.

DITOS & DESDITOSNão há caminho para a luz que faça economia da descoberta da sombra que está em nós, ou seja, é impossível ir em direção à nossa luz sem que, ao mesmo tempo, tenhamos que enfrentar a sombra que nos habita. Pensamento do psicoterapeuta e mestre zen alemão, Karlfried Graf Dürckheim (1896-1988). Veja mais aqui & aqui.


Art bt Vesselin Andreev

QUANDO O NATAL NÃO TINHA PAPAI NOEL - E era uma vez um lugar esquecido nos confins do tempo, sem rádio e sem notícias das terras civilizadas, num remoto sertão onde ninguém jamais ouvir falar de Papai Noel. Esse lugar existe. Eu nasci lá. E se lá não tinha Papai Noel, não tinha presentes, ceias, cartões de Boas Festas, propaganda, votos de um Feliz Natal. Desconhecíamos essas coisas, o que era bom. Não faziam falta. O nosso Natal era uma festa singela. Para o menino Jesus. Como era? Quando dezembro chegava, a meninada se assanhava. “Oba!” Estava na hora de reunir a turma, dormir uns nas casas dos outros, aninhados aos magotes em camas, redes e esteiras, na maior algazarra. Na verdade, ninguém queria dormir. E isso era o melhor da festa, que começava com uma espécie de desafio: vencer o sono e a noite numa animação sem fim, à espera do sol raiar, quando finalmente pegaríamos a estrada, a cominho dos pés de serra e dos tabuleiros, em busca dos ornamentos para a lapinha. E o que era a lapinha? Um, presépio. A representação da manjedoura onde nasceu o menino Jesus. Meninos, eu conto: íamos ao mato em bando, em bíblica alegra. Priminhos de mãos dadas com priminhas, que não escapavam de uns beliscões safadinhos, incentivados por animadíssimas tias. E assim íamos: cheios de prosa e dando muita risada, à cata de Jericó, uma planta prateada que seca sem morrer, e de gravatá, que vocês conhecem com o nome de bromélia, para a instalação da lapinha no melhor canto da sala de visitas. Passávamos dias e dias na montagem de um cenário que correspondesse ao imaginário do velho povo, como rezava a tradição, que vinha dos pais de nossos pais e assim para trás, desde que o mundo, aquele mundo, passou a comemorar o Natal. Depois era esperar as visitas para contemplar a nossa réplica da gruta sagrada, feita de pedras e galhos de árvores, ao fundo de uma planície de areia, repleta de boizinhos de barro, rios de cerâmica com peixinhos de verdade e os res magos em seus cavalos. E tudo sob uma tênue luz de um candeeiro, porque assim eram as nossas noites, tão simplezinhas quanto no tempo de Jesus. Um dia chegou o motor da luz no povoado. Fechamos a casa, lá na roça, com lapinha e tudo. fomos ver as novidades de perto. A igreja estava toda acesa, promovendo quermesses e anunciado a Missa do Galo. Era um novo tempo. Ali na praça iluminada, cheia de atrações nunca antes vistas ou imaginadas, éramos de casa em casa, disputando espaço em suas janelas, para apreciar os presépios, cada um mais deslumbrante do que o outro, graças aos efeitos da eletricidade. Com pó motor da luz, chegava o Serviço de Alto Falantes A Voz do Sertão. E com ele, as músicas de Natal. Começava uma outra história, um outro Natal. Era a chegada de Papai Noel. Conto extraído da obra Sobre Pessoas (Leitura, 2007), do premiadíssimo escritor, jornalista e ocupante da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, Antônio Torres. Veja mais aqui.


RICARDO ALFAYA – Um dos primeiros presentes que a Internet me deu, foi conhecer a poesia do poetamigo, advogado e jornalista Ricardo Alfaya. Participamos de debates, fóruns, trocamos figurinhas, publicamos em sites e portais, enfim, pude ser agraciado da sua generosidade e seu talento.

Certa feita, num ano lá de dois mil e tanto, recebo o volume Rios – coletânea de poemas e fortuna crítica, reunião dele com os poetamigos Tanussi Cardoso, Márcio Catunda, Elaine Pauvolid e Thereza Christina Rocque da Motta, num lançamento da Íbis Libris. Ele havia me enviado o livro e eu estava batucado de como registrar esse pessoal bom poesia. Depois de muito remoer as catracas do quengo, tive um estalo: vou entrevistá-los todos duma vez só. E assim contatei um a um e todos toparam. Uma empreitada braba, mas deu certo. Publiquei no Guia de Poesia.

Depois disso, em 2008, perambulando pela rede, deparei-me com vários de seus poemas publicados em vários sites e portais. Aí, não tive dúvida: reuni alguns dos seus poemas no meu blog Varejo Sortido.

Hoje é aniversário dele e como eu havia visitado seu site no Recanto das Letras, resolvi fazer-lhe essa pequena homenagem, destacando alguns dos seus mais novos poemas. Eis:

AS MANHÃS DO AMANHÃ

Os dias morrerão um a um.
Suas folhas cairão na vala comum.
Desde já, mortas as manhãs do amanhã.

DA LUZ VIESTE

A inconsistência da solidez.
O mundo que vemos não é o mundo.
Apenas a luz, refletida em cada tez.
Aquela mesma e única luz, em todos os corpos escondida.
Fogo que esfriou, claridade que condescendeu e desceu, até formar este nós.
A luz, a que em breve voltaremos, logo após todos os pós.

POESIA IN NATURA

A poesia inaugura.
A poesia in natura.
A poesia que brota do chão.
Que vai além das raízes, que extrai novas diretrizes,
que diz "sim" ao homem e, à violência, "não".
Poesia de creme, que não treme.
Que não crime, nem reprime.
Poesia de nuvem e neve.
Que se joga e se atreve.

TEATRO ENTRE QUATRO PAREDES

Entre as quatro paredes de um poema,
posso ser o rei nu,
o dedo do menino que aponta,
a ponta de uma montanha nevada,
um cisco no olho de um grão de cevada.
Posso ser o anjo da Anunciação de Maria,
o Zeus criador do entrudo,
o Príncipe Encantado, a alma apaixonada.
Com meu jeito torto de Torquato,
dá até para encarnar:
Quincas, Quixote, Quaresma, Quasímodo,
quase todo personagem que exista no mundo.
Cada poema é o palco e o ator;
a peça e o próprio teatro.
Em geral tudo acontece em sumário único ato.
O poema aplaude a rara plateia e logo volteia e se retira.
Nada é de verdade,
Nada é de mentira.

VISITA FATAL*

Lutou como um homem,
como um cão,
como um trovão.
Deu golpes com os punhos,
com pedras,
com caneta,
com facão.
Rolou na arena,
caiu da cama,
engoliu areia,
comeu grama.
Bateu, apanhou, morreu.
Mas não entregou o ouro
e nem mesmo o Outro:
Foi um touro,
resistiu.
No fim,
veio a polícia,
a cidade,
a milícia,
o Estado.
Mas foi só quando
chegou a idade,
que sucumbiu.

Daqui meus parabéns de feliz aniversário, poetamigo Alfaya.

DIREITO DE FAMÍLIA – A obra Direito civil brasileiro: direito de família, de Carlos Roberto Gonçalves, aborda temas como noções do direito de família, princípios, família e casamento, evolução histórica, natureza jurídica, finalidades, do processo de habilitação e dos impedimentos do casamento, das causas suspensivas, da oposição dos impedimentos e das causas suspensivas, da celebração e das provas do casamento, espécies de casamento válido e da inexistência e da invalidade do casamento, da eficácia jurídica do casamento, da dissolução da sociedade e do vínculo conjugal, da separação judicial por mútuo consentimento e a pedido de um dos cônjuges, divorcio, proteção da pessoa dos filhos, das relações de parentesco, da filiação, do reconhecimento dos filhos, da adoção, do direito patrimonial e do regime de bens entre os cônjuges, do usufruto e da administração dos bens de filhos menores, dos alimentos, do bem de família, da união estável e do concubinato, da tutela e da curatela, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIA: GONÇAVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: direito de família. São Paulo: Saraiva, 2014. Veja mais aqui.

ALIMENTOS NO CÓDIGO CIVIL – O livro Alimentos no código civil: aspectos civil, constitucional, processual e penal, coordenado por Francisco José Cahali e Rodrigo da Cunha Pereira, trata da teoria geral dos alimentos e dos alimentos decorrentes do parentesco, alimentos decorrentes da união estável e do concubinato, alimentos da investigação de paternidade e na guarda compartilhada, procriação, paternidade, direito do nascituro e os alimentos no Estatuto da Criança e do Adolescente, sexo e afeto, rito processual na prestação alimentar, litisconsórcio e tutela antecipada, a execução de alimentos pela via da dignidade humana, renúncia aos alimentos decorrentes do casamento e da união estável, transmissão da obrigação aos herdeiros, direito penal, abandono material, obrigação alimentar na Justiça Federal, entre outros temas. REFERÊNCIA: CAHALI, Francisco; PEREIRA, Rodrigo (Coords). Alimentos no código civil: aspectos civil, constitucional, processual e penal. São Paulo: Saraiva, 2006. Veja mais aqui.


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