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segunda-feira, dezembro 25, 2017

JOÃO DO RIO, ANDRÉ GIDE, BACHELARD, DEWEY, PELÓPIDAS SOARES, NINA KOZORIZ & CRONIQUETA DE NATAL

CRONIQUETA DE NATAL - Imagem da artista plástica russa Nina Kozoriz. – Respeitável público! Senhoras e senhores dêem licença, peço aqui a sua prestimosa atenção pra contar algumas poucas coisas daqui: sou do rincão em que o verão dura o ano inteiro. Não é bem assim; vez ou outra, quando em vez chega o mês de julho, das portas do céu escancarar pra chuvarada até dezembro, não antes elevar as águas de transbordarem varrendo abrigos, honras e poderes do chão, avalie. Respeite o dilúvio de levar a saparia a se atrepar na serra toda reunida, a rezar de joelhos na maior das ladainhas, pras nunvens pararem de mijar o maior aguaceiro dentro das calças de Maiakovski, pra não apagar a fogueira, nem acabar com a quadrilha do casamento matuto nos festejos juninos. A coisa é séria, arrebentando além dos oito a oitenta. Além do mais, aqui tem tudo: todo tipo de brebote e personalidade do Paraguay, trambiqueiro metido a inglês, galego-de-água-doce que nunca foi à Espanha, safados de Portugal, anão dentuço menor que o próprio tamanho da piroca grande como atração na prefeitura, piratas de Ali Babá na Câmara dos Vereadores, Et Deputado, profeta comerciante, Gengis Khan como médico, cobras como professores, cego como motorista, alcoviteira como justiça, hotel no espaço, cana escocesa, mosqueiro americano, tem até a Lapônia feita pelos duzentos quilos de banha de Joab Jabão depois de tomar uns gorós e, completamente biritado, pegar no empurrão já de saco cheio, aos soluços e sopapos, a puxar uns guenzos rua afora pra jogar moedas de antanho tapiando a garotada e os bestas, hô, hô, hô. Isso até ele parar encostado e resfolegante numa palmeira, acendendo a lamparina pra fazê-la árvore de Natal. Pois é, repito: aqui tem de tudo: se o chão tremer, não dá em nada, terremeto ou erosão, é soltar um rojão e cair no maior rastapé; tsunami, maremoto, muito menos, do Cocão do Padre a coisa é regulada: depende da ingresia religiosa – avisa pra eles que Deus não é surdo! -; e pode vir ventania, pé-de-vento, corisco, tornado ou tufão, moleza: vai dar asa pra soltar pipa ou mandar ver no catavento! Vulcão, incêndio, apocalipse, aqui é maior brinquedo! É todo dia e o dia todo o maior queima nas lojas do comércio! Quer mais? Passou nas quatro, pois é à prova de fogo, água, terra e ar – de bala, é covardia, né? Sem contar a fuxicagem, pechincha e por favor; a carteirada, calaboca e sim, senhor; finda em festa de virar o pote, quebrar botija e atiçar pra briga; e por via das dúvidas, tudo se joga nas três, até o que é dos outros: cuspe, pulha e pedra! E se alguém viu, ninguém sabe, só vale boataria pro circo pegar fogo! Conversa é só arenga, quantos ofendidos; dinheiro invisível feito mato, isso pros buchudos com deus na pança; se não for briga, a correria é o maior burburinho que só a má notícia, até pinotar ou ter um troço e bater as botas, só sabe se não morreu de morte morrida, ou de morte matada, precisa conferir quem saiu se já voltou ou vai ver se estou lá na esquina, depois junta o quebra-cabeça, tá? E pra encurtar a história toda que a coisa é muita e demais, o mundo todo é aqui! Se não é, está aqui! Mas é natal! É natal, gente! Vamos maneirar e aprumar a conversa, ora! É natal, tudo nasce, renasce e torna a nascer todo dia na aleatória pulsação das coisas: a amanhã e o Sol, a noite e as estrelas, a terra e o chão, a brisa e o vento, a areia e o seixo, a semente e o fruto, as folhas e os galhos, o zangão e as flores, as águas e as margens, a fonte e o regato, a correnteza dos rios e as ondas do mar, os caminhos e as estradas, as chegadas e as partidas, afora os bichos miúdos e os mais desproporcionados, os mansos e indomáveis, as peçonhentas e os domesticáveis, os que rastejam e as que voam, os que cantam e as que gritam, os que choram e as que riem, isso sem puxar a corda carnavalizante de gente: branco, preto, amarelo, vermelho, pardos, tudo muito misturado e quem mais vier de dentro e de fora dos planetas, das galáxias, da imensidão do universo! Afinal é natal, tudo nasce e renasce no esplendor da vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

A edição de hoje é dedicada à artista plástica russa Nina Kozoriz. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOSOs verdadeiros bem-estares têm um passado. Todo um passado vem viver, pelo sonho, numa casa nova. Mas a grande planta de pedra, que é a casa, cresceria mal se não tivesse em sua base a água dos subterrâneos. Pensamento do filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard (1884-1962). Veja mais aqui e aqui.

ALGUÉM FALOU: Tudo já foi dito uma vez, mas como ninguém escuta, é preciso dizer de novo. Pensamento do escritor francês Prêmio Nobel de Literatura de 1947, André Gide (1869-1951). Veja mais aqui e aqui.

AMEAÇAS DE ONTEM & HOJE - [...] A séria ameaça à nossa democracia não é a existência de Estados totalitários [...]. É a existência, em nossas próprias atitudes pessoais e dentro de nossas próprias instituições, das condições que deram vitória à autoridade externa, à disciplina, à uniformidade e à dependência do líder nos países estrangeiros. De acordo com isso, o campo de batalha é aqui também – dentro de nós mesmos e de nossas instituições. [...]. Trechos extraídos da obra Liberalismo, liberdade e cultura (Cia. Editora Nacional, 1970), do filósofo e pedagogo estadunidense John Dewey (1859-1952). Veja mais aqui, aqui & aqui.

VELHOS COCHEIROSOutro dia, ao saltar de um tílburi no antigo Largo do Paço, vi na boléia de um vis-à-vis pré-histórico a ventripotência colossal de um velho cocheiro. As duas mãos gorduchas à altura do peito como quem vai rezar, enfiado numa roupa esverdinhada, o automedonte roncava. Seria uma recordação literária ou a memória de uma fisionomia de infância? Seria o cocheiro da Safo, o irmão mais velho de Simeon, ou simplesmente um velho cocheiro que eu tivesse visto na doce idade em que todas as emoções são novas? Era difícil adivinhar. Para os cérebros cheios de literatura, a verdade obumbra-se tanto que é sempre preciso perguntar por ela como o fez Poncius Pilatos diante de Deus. Fui para perto do vis-à-vis, bati na perna do velho. Estava feio. O ventre, um ventre fabuloso, parecia uma talha que lhe tivessem entalhado ao tronco; as pernas, sem movimento, pendiam como traves; os braços, extremamente desenvolvidos, eram quase maiores que as pernas; e a caraça vermelha, com tons violáceos, lembrava os carões alegres do Carnaval. Abriu, entretanto, uma das pálpebras com mau humor e resmungou: – Pronto! – Então você não me conhece mais? – Eu não, senhor. – Pois eu conheço a você desde menino. Ele abriu de todo as pálpebras pesadas, um sorriso de alegre bondade passou-lhe pelo lábio. – Saiba vossa senhoria que bem pode ser! Toda essa gente importante de hoje eu conheci meninos de colégio! Não sei por que estava meio emocionado. – E já fez ponto na Estrada de Ferro? – Há vinte anos, eu e o Bamba. Encostei-me à boléia do antigo vis-à-vis. Havia vinte anos sim, havia vinte anos que no passar pela estação de carros os meus olhos de criança se fixaram curiosamente na fisionomia jocunda de um velho, que já naquele tempo era velho e já naquele tempo gravemente roncava na boléia de um carro! Havia vinte anos. É como lhe digo, afirmava ele. Conhece a filha do barão de Cotegipe? Eu vi aquela santa criatura menina. Conhece o filho do grande ministro João Alfredo? É meu amigo, dá-me dinheiro sempre que vem ao Rio. Olhe, há de conhecer o Dr. Fernando Mendes de Almeida e mais o irmão Dr. Cândido. Pois quando eu servia o pai, eles eram meninos de colégio. Há meses eu disse ao Dr. Fernando tudo isso e ele foi dar um passeio no meu carro e deu-me doces, vinho do Porto, dinheiro. Estava admirado e ria... – Como se chama você? – Braga, eu sou o Braga. Pobre velho cocheiro a quem se dá como às crianças doces de confeitaria! Eu continuava encostado ao vis-à-vis, imensamente triste e com a mesma curiosidade de criança. – Trabalho neste ofício desde 1870. Tinha vinte anos, quando comecei. Toda a minha mocidade foi acabada aqui. – E não estás rico?! – Rico? Soltou uma gargalhada sonora que lhe balançou o ventre e envermelheceu mais. Os seus olhos pequenos olhavam-me da boléia com superioridade compassiva. É difícil encontrar um cocheiro de carro que tenha feito fortuna. Enriquecem os de carroça, os de caminhões. De carro, se citam dois ou três em trinta anos. O ofício, longe de tornar ágeis os corpos, faz lesões cardíacas, atrofia as pernas, hipertrofia os braços, de modo que quinze anos de boléia, de visão elevada do mundo, ao sol e à chuva, estragam e usam um homem como a ferrugem estraga o aço mais fino. O Braga era um velho trapo encharcado. Tanto ádipo dava-me a impressão de que o pobre velho devia ter água nos tecidos. Eu continuava a ouvi-lo. Naquela boléia falava um cultor do quietismo, um renanista que tivesse compreendido o nirvana. Nem uma ambição, nem um ódio: apenas um sorriso de quem não se rala com a vida e vem para a rua almejando não encontrar fregueses, para dormir mais à vontade. – Ah! este carro! murmurei. Quanta história podia você contar. Quantas cenas de amor, quantos beijos, quantas angústias e quantos crimes! – Este carro não; outros, ou antes, eu. Fui de cocheira, fui de casa particular e trabalhei por minha conta. Quando caiu o ministério João Alfredo fui eu quem o levou ao Paço. Agora essas coisas de beijos – noutro tempo era nas berlindas. – Tinha vontade de saber a sua opinião. Ele arregalou muito os olhos. – A respeito de beijos? Sei lá! – Não, a respeito da Monarquia e da República. Ele sorriu, pensou. – A Monarquia tinha as suas vantagens. Era mais bonito, era mais solene. Não vá talvez pensar que eu sou inimigo da República. Mas recorde por exemplo um dia de audiência pública do imperador. Que bonito! Até era um garbo levar os fregueses lá. Ó Braga, onde estiveste? Fui à Boa Vista! Hoje todo o mundo entra no palácio do Catete. Não tem importância... É verdade que o Obá entrava no Paço. Mas era príncipe. E então para conhecer homens importantes! Não precisava saber-lhes o nome. Os ministros tinham uma farda bonita, o imperador saía de papo de tucano. Bom tempo aquele! Hoje a gente tem de suar para conhecer um ministro. Parecem-se todos com os outros homens. – Talvez não sejam, Braga. – Quanto às capacidades não digo nada...Mas veja. Por estar perto da secretaria é que conheço o Müller, um magro, que reforma a cidade. E de todo o ministério só ele. Se isso era possível em 1880! Depois, quer saber? A República trouxe a Bolsa, uma porção de cocheiros estrangeiros, uns gringos e ingleses de cara raspada, com uns carros que até nem eu lhes sabia o nome! Despegou as mãos de sobre o peito. – E vão morrendo todas as pessoas notáveis, já não há mais ninguém notável. Só restam o sr. visconde de Barbacena, o sr. marquês de Paranaguá e mais dois outros. Houve uma longa pausa. Como este cocheiro estava do outro lado da vida! Quinze anos apenas tinham levado o seu mundo e o seu carro para a velha poeira da história! Ele falava como um eco, e estava ali, olhando o boulevard reformado, pensando nos bons tempos das missas na catedral e das moradas reais, hoje ocupadas pela burocracia republicana. . . – O Braga é o mais velho cocheiro do Rio? – Não senhor; é o Bamba, que começou em 1864. Neste momento, outros cocheiros moços, limpos, de grandes calças abombachadas foram aproximando os carros, com vontade de saber o que retinha um cavalheiro tanto tempo a prosar com o velho. Logo se fez um barulho de rodas e de vozes. – Ó Braga, ó velho, despacha o freguês! tem aqui um carro bom, vossa senhoria! O Braga, posso servir? Braga cruzou outra vez as mãos no peito, com um sereno olhar indiferente. Que dor o havia de trespassar! Murmurei com pena: – Bom, adeus, meu Braga. E onde pára o Bamba? – Na Estrada, pára na Estrada. Às ordens do menino, respondeu ele do alto. Já agora era impossível deixar de ver o outro, de conhecer o mais antigo cocheiro do Rio! Tomei um bonde da Central. A tarde morria em lento e vermelho crepúsculo. No céu brilhava a primeira estrela trêmula e luminosa, e os combustores acendiam a sua luz azul quando saltei na Praça da Aclamação. E foi um grande trabalho. Eu ia de carro em carro. – Pode informar onde pára o Bamba? Uns diziam que o Bamba caíra e fora para o hospital, outros, os moços, riam de que se fosse procurar um cocheiro inútil como o Bamba, outros asseguravam que o velho não trabalhava mais. Afinal, quase defronte da porta do Quartel, encontrei um landau empoeirado, desses que parecem arcas e acomodam à vontade seis pessoas. Da boléia um mulato velho falava para um gordo ancião, muito gordo, muito estragado... – Sabe você dizer quem é e onde está o Bamba? O mulato riu. – É este, patrão... O gorduchão abriu a boca, onde faltavam os dentes. – Já não trabalho de noite: tenho 70 anos. Não vejo. Desde 1864 que estou no serviço. Outro dia quase morro; caí da boléia. Tenho as pernas duras. – Bamba, meu velho... – Sou o primeiro cocheiro, o mais velho, não há nenhum mais velho... Eu voltei-me para o mulato, interroguei-o quase em segredo: – Mas que diabo vem ele fazer aqui, assim? O mulato sorriu com tristeza. – Sei lá! É o cheiro, vossa senhoria, é o cheiro! Quando a gente começa nesta vida, não pode viver sem ela... É o cheiro. A praça vibrava numa estrepitosa animação, os combustores reverberavam em iluminações fantásticas, e, só, no céu calmo, como uma hóstia de tristeza, a velha lua esticava a triste foice do seu crescente. Conto extraído da obra A alma encantadora das ruas (Companhia das Letras, 2008), do jornalista, escritor, tradutor e teatrólogo João do Rio (1881-1921). Veja mais aqui e aqui.

O PIRANGIO que o rio estampa? / Irrefletido espelho / de aço perdido / e estrelas náufragas / sob a gosma parda / da calda fétida / rio sem a memória / das imagens das margens / despejo canavieiro / descendo moribundo / no seu leito de morte. Poema do escritor Pelópidas Soares (1922-2007). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!!
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quinta-feira, junho 09, 2016

COLM TÓIBÍN, VIK MUNIZ, CLÁUDIO NUCCI, MARILDA IAMAMOTO, SPENCER TUNICK, NATAL & ESDRAS REBOUÇAS & ÉTICA


SEMÁFOROS DE SEMPRE, VIDA ADIANTE – Quanta esperança nos sonhos de futuro pro presente, sou a pujança das matas devastadas no meu coração atlântico, na minha alma amazônica. Sou o fruto maduro da raiz da Terra, na cor preferida da amada e do meu canto noitedia. E a primavera é toda Iaravi que vem na manhã com o sabor de menta e ao alcance da mão como o abacate no quintal. A esmeralda dos seus olhos realça na tiara da coroa do abacaxi, encantada índia como um pássaro a levitar na grama com seu caminhar que expressa o equilíbrio de todas as balanças, a força de vontade dos que amam na oliva do corpo, o aspargo e o musgo que vêm do tesouro e Jade. Verdamarelo faz-se verão como uma pintura de van Gogh e ela é fogo, é Sol na minha vida e tal qual deusa de Vishnu, ela é tudo e nada nos áureos matizes do amanhecer ou do entardecer: frutos e flores, girassóis e luzes, cobras e sapos, o calor da prosperidade e a iluminação da felicidade, o alerta e a atenção. É nela que se faz real a espontaneidade dourada das coisas boas da China, do fogo da Índia, da sabedoria do Islã, do verão o calor, o terror dos xantófobos, a hemolinfa dos insetos, a mostarda e as vespas venenosas, as prostitutas e mães solteiras da Idade Média, os olhos da coruja do nascer ao por do sol, os ingleses que perderam a coragem e os deuses louros da antiga Grécia, o tom das colheitas e o âmbar, o açafrão e a alegria e a comunhão. Amarvermelho: o outono faz-se inverno. E o encarnado sangue férvido de Freya reluzindo nos seus escarlates lábios vem dela desnuda com transparente seda ao colorido das penas e escamas, tal deusa Afrodite, onde tudo é primaverão, tudo é outoninverno: claroscuro, bemal, noitedia, mortevida, entre as notas musicais, entre os sete céus, os sete planetas, os sete véus, os dias da semana, a transgressão e a sensualidade feminina, o violento e o apaixonante, o amoroso e a magia dos nórdicos antigos, o óxido de ferro e a fênix, a cochonilha e o urucum, as tapeçarias e as rosas, o sangue de Adônis e o carmim, a maçã e o morango, as faces dos babuínos, a granza e o salmão, a alizarina e o pau-brasil, o carmesim e a cochinilha, o solferino e a orcina, o rubro das faces e as frutas, os legumes e as estrelas-do-mar, o pimentão e a arara, a cenoura e a lula, a marciana e a beterraba, o óxido de ferro e o rubi, o cinábrio e a safira, a andradita e a gigantesca mancha de Júpiter, a pimenta malagueta e a sedução, o encorajamento e o proibido, a inquietação e o entretenimento, a provocação e as pulsões sexuais, o interdito e os instintos passionais, o irrestrito da carne e a possessividade, a entrega nos suntuosos tapetes e o fervor dos ventres, a púrpura e os axés, o cóccix e os quadris, as pernas e Madame de Pompadour, Exú e Dioniso, o yang e a luta diária, a reciclagem e o Boi Garantido, o zarcão e a obra prima de Stendhal, a quentura de tudo e a transformação, o perigo e a tentação, a destruição e a salvação. Tudo é vida, tudo é amor, quando ela é Iaravi de manhã, quando ela é Freya da noite pela madrugada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

 Imagem: a arte do artista plástico que experimenta diversas mídias e materiais, Vik Muniz.

Curtindo o álbum Ao Mestre Com Carinho (Lua Music, 2015), do cantor, compositor, músico e produtor musical Cláudio Nucci.

PESQUISA
Ética e Marketing Social: como conciliar os interesses do cliente, da empresa e da sociedade numa ação de marketing (Futura, 2002), organizado pelo professor da Georgetown University, Alam R. Andreasen, envolvendo abordagem acerca da ética e do marketing em ações nas áreas de saúde pública e em questões sociais. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA 
Amor em tempos sombrios (Arx, 2004), do premiado escritor, jornalista e critico literário irlandês Colm Tóibín, reunindo artigos sobre arte e homossexualidade, Oscar Wilde, Thomas Mann, Almodóvar e Mark Doty, entre outros.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] A mundialização não suprime as funções do Estado de reproduzir os interesses institucionalizados entre as classes e grupos sociais, mas modifica as condições de seu exercício, na medida em que aprofunda o fracionamento social e territorial. O Estado passa a presidir os grandes equilíbrios sob a vigilância estrita das instituições financeiras supracionais, consoante a sua necessária submissão aos constrangimentos econômicos, sem que desapareçam suas funções de regulação interna.
Trecho extraído do livro Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social (Cortez, 2008), da professora, pesquisadora e doutora em Ciências Sociais, Marilda Villela Iamamoto.Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
A vida é mais linda na beleza potiguar (LAM)
Morro do Careca – Natal –RN, foto de Esdras Rebouças Nobre. Veja mais aqui.

Veja mais sobre William Shakespeare, Mia Couto, Patricia Galvão – Pagu, David Scott, Carl Otto Nicolai, Robert Gilmore, Jean Iris Murdoch & Adriano Kitnai aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: Lovebugs, de Vik Muniz.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
A arte do fotografo estadunidense Spencer Tunick.
Recital Musical Tataritaritatá.
Veja aqui.

terça-feira, dezembro 22, 2015

GUIMARÃES ROSA, MARINETTI, RACINE, REXROTH, IAMAMOTO, BARDOT, ABEL, ÍSIS NEFELIBATA & MUITO MAIS!!!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? QUANDO ENTÃO, É NATAL... - É Natal, a festa da cristandade e da satisfação – como um maçarico doido com os fogos de artifício do consumo – do capitalismo. É tudo lindo nas vitrines, luzes, sinos tocando, promoções e presentes a mancheia. Os olhos chegam enchem d’água com a trilha sonora dos corais de jingle bell e afins. É a hora da felicidade, fartura, do esbanjamento das emoções mais íntimas de prazer e gozo, de chega dá um nó na garganta poder torrar o décimo terceiro naquilo que foi sempre a necessidade de realização e de afirmação. Comprar e ter aquela última novidade que será daqui mais um mês totalmente obsoleta pela barbárie eletrônica; e ter a última edição do mais estrondoso vídeo game pras horas de lazer; e fazer listas de compras para a ceia e de presentes pros mais achegados; e receitas de bolos e pratos sofisticados; e as confraternizações nos bares e hotéis; e um professor de Bioética compra uma metralhadora de brinquedo pro filho; e Papai Noel tira uma dedada numa bunduda que não consegue segurar seu filho capetinha que quer porque quer, todo pirracento, dar um murro no bucho do bom velhinho; e tudo não passa de passatempo nas voláteis e volúveis relações que depois do ano novo volta em pé de guerra para a concorrência e sobrevivência. Mas é Natal, ora. O Brasil para e só volta a funcionar depois do carnaval. Sempre foi assim – e enquanto todo mundo festeja, os sabidos grandões armam nesse período suas estratégias e colocam em prática as suas mais nefastas táticas. E isso me dá a impressão de que verdadeiramente não existe crise – ou não?! -, ou ninguém está nem aí pra quem pintou a zebra. Desde que nasci que ouço falar em crise, sempre a sua presença no dia a dia. Será que essa crise existe realmente ou é um artifício pra dar uma movimentada mais no mercado quando ele sente falta de demanda? É como se o vuque vuque do quero agora fazer feliz meu coração, fosse comparável a uma anestesia inoculando as broncas e óbices do cotidiano: uma panaceia. E isso porque é Natal, hora de fazer bem, se reconciliar, apagar os infortúnios e apostar que, a partir de agora, tudo será diferente e melhor. Em última instância, o culto do descartável, do inócuo ou do inútil reinstaurando escrúpulos anacrônicos na reprise anual, como um remédio eficaz praquilo que se possa chamar de preenchimento do vazio e da solidão de todos os meses anteriores. É Natal, ora. E em último caso, a dissolução das relações e todas as suas implicações, no fazer o bem e a fraternidade agora para resolver todas as pendências que ficaram marcadas nas culpas e decepções. É Natal e todos embriagados de felicidade – afinal, todo mundo merece ser feliz! Ou não? Ora, ora. Então, vamos nessa aprumando a conversa aqui.

PICADINHO
 Imagem: Nu, do artista plástico inglês William Etty (1787-1849), Veja mais aqui.

 Curtindo Allegro in D Minor WKO 208, do compositor alemão Carl Friedrich Abel (1723-1787), com a viola da gamba de Shirley Edith Hunt.

EPÍGRAFE – No livro Grande serão: veredas (José Olympio, 1982), do escritor, médico e diplomata João Guimarães Rosa (1908-1967): No real da vida as coisas acabam com menos formato, nem acabam. Melhor assim. Pelejar por exato dá erro contra a gente. Não se queira. Viver é muito perigoso. Veja mais aqui e aqui

UM ALERTA PRA AGORA – No livro Serviço Social em tempo de capital e fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social (Cortez, 2008), da socióloga e assistente social de renome, Marilda Villela Imamoto, encontro o trecho seguinte: [...] É, hoje, fundamental contribuir para a análise das classes na história brasileira, densa de determinações étnico-raciais, regionais e cultural, rurais e urbanas, que resguarde a efetiva reciprocidade entre o conhecimento científico e as configurações da vida social ao longo dessa era de extremos, nos termos de Hobsbawm. Em outros termos, somos desafiados a integrar pensamento teórico e as condições de existência social captadas a partir da diversidade das posições que os homens ocupam nos quadros da estrutura social, o que implica o reconhecimento das diferentes visões de mundo daí derivadas, às quais não é imune o pensamento científico. Isso envolve a afirmação das condições de totalidade e do devir histórico que norteie tanto os estudos monográficos quanto as interpretações globalizadoras, inter-relacionados e complementares. Em outras palavras, impulsionar o “ato científico como um ato de imaginação criadora”, cuja decadência encontra-se na raiz da crise do conhecimento científico com as invasões positivistas e empiristas, a-históricas, que estimulam a expansão irracional das especializações. Estas se desdobram na transformação do cientista em técnico, adstrito às tarefas que lhe são impostas com alvos não-científicos, em que os procedimentos e a teoria são reduzidos a instrumento de ações, orientadas segundo os interesses daqueles que financiam o seu labor. [...] Veja mais aqui e aqui.

MANIFESTO FUTURISTA – Oportuno trazer aqui o Manifesto futurista (Le Figaro, 1909), do escritor, editor, ideólogo, jornalista e ativista político italiano Filippo Marinetti (1876-1944), estabelecendo que: 1. Queremos cantar o amor do perigo, o hábito à energia e à temeridade. 2. A coragem, a audácia e a rebelião serão elementos essenciais da nossa poesia. 3. Até hoje a literatura tem exaltado a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono. Queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, a velocidade, o salto mortal, a bofetada e o murro. 4. Afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corrida adornado de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Samotrácia. 5. Queremos celebrar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada a toda velocidade no circuito de sua própria órbita. 6. O poeta deve prodigalizar-se com ardor, fausto e munificência, a fim de aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais. 7. Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem. 8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade omnipresente. 9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo da mulher. 10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de todo o tipo, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária. 11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos a maré multicor e polifônica das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor noturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas elétricas: as estações insaciáveis, devoradoras de serpentes fumegantes: as fábricas suspensas das nuvens pelos contorcidos fios de suas fumaças; as pontes semelhantes a ginastas gigantes que transpõem as fumaças, cintilantes ao sol com um fulgor de facas; os navios a vapor aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de amplo peito que se empertigam sobre os trilhos como enormes cavalos de aço refreados por tubos e o voo deslizante dos aviões, cujas hélices se agitam ao vento como bandeiras e parecem aplaudir como uma multidão entusiasta. Veja mais aqui e aqui.

DOIS POEMAS – Os poemas de amor de Marichiko inseridos na obra Selected poems (1967), do poeta, tradutor e ensaísta crítico estadunidense Kenneth Rexroth (1905-1982), destaco dois traduzidos por Adrian’dos Delima: XVI - Calcinada pelo amor, a cigarra / Grita em surto. Em silêncio como o vaga-lume, / Minha carne toda incendeia do amor. LVII - Noite sem fim. Solidão. / O vento traz uma folha de bordo / Contra a porta de papel translúcido. / Eu espero, como nos velhos dias, / No nosso lugar secreto, sob a lua cheia. / Os últimos grilos-de-sininhos cantam. / Eu achei tuas antigas cartas de amor, / Repletas de poemas que nunca tornaste públicos. / E importaria a alguém? / Eles foram somente para mim. Veja mais aqui.

OS PERSONAGENS TRÁGICOS – No prefácio de peça teatral Berenice (1670), o poeta trágico, dramaturgo, matemático e historiador francês Jean Racine (1639-1699), assim se expressa: [...] A regra principal é agradar e comover; todas as outras foram feitas para servir esta. [...] Os personagens trágicos devem ser vistos noutro ângulo, diferente daquele no qual vemos, regra geral, as personagens que vemos mais próximas. Pode-se dizer que o respeito que se tem pelos heróis aumenta à medida que se afastam de nós: major e longínquo reverentia. O afastamento dos locais repara, de certa forma, a demasiada proximidade dos tempos: porque o povo não encontra diferenças entre o que está, se assim posso falar, a mil anos de distancia dele, e o que está a mil léguas. É isto que faz com que, por exemplo, os personagens turcos, por mais modernos que sejam, tenham dignidade no nosso teatro. olham-nos como se fossem antigos. Veja mais aqui e aqui.

EN EFFEUILLANT LA MARGUERITE – O filme En Effeuillant la Marguerite (Desfolhando a Margarida, 1956), do cineasta e roteirista francês Marc Allégret (1900-1973), conta a odisseia parisiense de uma jovem filha de um general que irritou o pai com a publicação do seu livro que empresta título ao filme, tudo se desenrolando com muito bom humor e destacando a graça e beleza da atriz, modelo, ativista e cantora francesa Brigitte Bardot. Veja mais  aqui.

AS PREVISÕES DO DORO PRO ANO TODO – As previsões pro ano todo do mestre Dorus está bombando na rede. Além de trazer as orientações de procedimentos quanto ao amor, saúde e dia a dia de cada signo, o cara-de-pau ainda dá de troco duas simpatias: a da virada do ano e a Tiro e Queda. Quer enriquecer da noite pro dia? Siga o mestre e aproveite para conferir e dar boas risadas aqui.

IMAGEM DO DIA
 A arte do acervo de Ísis Nefelibata. Veja aqui, aqui e aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à eterna musa do cinema Brigitte Bardot
Veja aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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domingo, dezembro 06, 2015

DEMÓCRITO, COMÉDIA, BERTO, FIORESE, GÓRECKI & A PRISÃO DE PAPAI NOEL!!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? QUANDO PAPAI NOEL FOI PRESO – Desde tenra idade que Doro guardava consigo uma das mais fortes imagens de toda sua existência: os festejos natalinos. Como sempre fora desprovido de qualquer possibilidade para participar dos eventos de fim de ano, claro, o pai era um broco das costas ocas que só se ocupava em ganhar dinheiro para assar e comer; a mãe, coitada, dividida entre a fileirinha dos quinze filhos e a igreja, pudera, sobrava neres de nada mesmo para o Doro alimentar suas fantasias infantis. Mesmo assim, ainda hoje sonha com Papai Noel, banquete de natal, reunião de família às vésperas do dia da religiosidade cristã, essas baboseiras todas ditas por ele mesmo. Certo dia, porém, Doro invocou-se, resolveu ele mesmo fazer o seu próprio natal pela primeira vez na vida. Encarou a mulher, nossa, como sempre incrédula; os filhos, meia dúzia de bruguelinhos com os olhos bem abertos para a banda dele; e, ao lado, sempre broncas e broncas e mais tivesse no mundo de estrupício estaria ali, nas cercanias de sua inditosa existência. Pois foi com esse panorama que ele franziu o cenho, coçou o cavanhaque, apertou o nariz, pigarreou e uma luzinha de eureka brilhou das catracas do seu quengo. - Mulé, vou fazê o nosso natá! - Lá vem ess´ome cum invenção de novo! - Verdade, vou fazê pela premêra veizi a filicidade da gente e dum bucado de criança no mundo! - Ih! Tem coisa! E tinha mesmo. Toda razão do mundo para Marcialita que já desconfiava do salseiro que seria toda aquela invencionice do sujeito. Dinheiro que era bom, nada. E agora? Como fazer? Doro não se apertava nunca mediante qualquer que fosse a adversidade e colocava suas doidices com bastante – e bote muito além do bastante nisso, demais até – criatividade. Primeiro, passou uns dias só trancado, fazendo um cosimento nuns trapos e retalhos que recolhia por todo canto onde passasse, só na concentração dos intentos. Nem vou falar, vocês já adivinham, né? Já tratavam o desmiolado por gari de tanta coisa imprestável que arregimentava, tudo um verdadeiro lixo, mesmo. Depois se apossou dumas ferragens velhas, misturando um resto de velocípede aposentado armado em cima de uns pedaços duma bicicleta destroçada, tudo num trabalho de soldador engenhoso, resultando num bregueço lá que num tinha quem adivinhasse. Parecia mais que o cara estava fazendo um excelente trabalho de funilaria, preparando no meio das tranqueiras, alguma coisa por serventia. E parece que vai servir mesmo, ninguém sabe ainda. Imaginem mesmo o rebuliço. Quando o mondrongo do negócio estava pronto, ele começou a pintar dando uma cara multicolorida para o invento. Com a pintura pronta daquilo, se armou de cordas, barbantes e cabos de aço não se sabendo ao certo para quê, só se sabia mesmo das marteladas, suadas, enganchadas e presepadas noite adentro para concluir algo longe de se imaginar o que pudesse ser. Os vizinhos reclamavam que não podiam dormir com a barulheira dele, sendo interpelado diversas vezes pelos educados soldados da patrulha militar local. Com isso foi persuadido a respeitar o silêncio alheio, senão seria trancafiado em nome da paz pública. Assim foi mais jeitoso até quando deu por pronto, escondeu o que fazia de todo mundo e saiu recolhendo os guenzos vira-latas mais maltratados que encontrava na redondeza. Uns oito pulguentos estropiados que levou tudo para a sua residência. Um escarcéu! - Ô, homi, bota essis viralata para fora! -, reclamava Marcialita. - Calma, muié, vancê vai gostá. - Isso num é cachoro, homi, é uma fábrica de carrapato, quero isso não aqui! - Calma, muié, cum certeza vancê vai gostá. E nesse chove num molha, Marcialita matou uns três de chutes, sem contar mais uns cinco que morreram de fome, tendo Doro de arregimentar mais cachorros para o seu intento, mesmo sob os reclamos mais retumbantes da vizinhança que não aguentava mais. E, dessa vez, trouxe uns quinze, quase de matar a mulher do coração e de impaciência os irascíveis sofredores das imediações. - Prá quê tanto cachorro, hem? Num basta tu aqui im casa? - Calma, muié, calma. Marcialita abufelou-se e amarrou os filhos no cós da saia, zarpando para longe dali. Aí Doro trabalhou em paz e deixava estampada aquela cara de satisfação, só entristecida com as intervenções das autoridades policiais que agora estavam curiosas para saber no que aquilo ia dar por fim. Livre da forma como ficou, Doro apoderou-se das outras dependências da casa, principalmente a cozinha onde ele começou a fazer uns cozimentos com açúcar e outros ingredientes peguentos no maior meladeiro. Não deu outra! Uma explosão do botijão de gás! Ele coçou o quengo e constatou suas limitações com o trato de fogo e fogão naquelas horas. Ôxe, um desmantelo mesmo. Pacientemente, depois da explosão e do entra e sai de gente até de um olho só para testemunhar o sucedido, ele removeu o resto das coisas que ainda julgava por comestíveis e que estavam apregadas nos mais diversos recantos das paredes, provando do resultado o que parecia até gostoso, vez que ele mesmo saboreava com certo deleite, quando não fazia uma careta inchada depois. Uns dias mais, Doro se acorda feliz! - É hoje! Era 24 de dezembro de um ano lá pra trás. Ele começou seu expediente derrubando um pedaço do muro do quintal e escondendo tudo com uma lona plástica preta para que ninguém visse o que estava fazendo. Findada a destruição, escondeu-se dentro do quartinho e só se via o zoadeiro dele remanejando coisas daquele local pro quintal. Nem se comesse bosta de cigano da muita dava para se adivinhar o que ele se propunha a fazer. Mas tome teitei. Passou toda manhã, transcorreu toda tarde e quando anoiteceu, Doro estava todo aprontado com a cara de toda satisfação da vida. Às vinte horas em ponto, Doro arrebenta a lona do muro do quintal e sai berrando: - Jingle bell! É Natal! Hô hô hô!!!! Quando vi o estardalhaço, nossa! Fui o primeiro contemplado com a surpresa. Diga-se: a coisa mais tresloucada que já vira na vida. Um monstro! Aquilo nunca fora papai Noel, parecia mais assombração de esquálido e feioso ser dos quintos dos infernos. Eu só identifiquei o Doro pela fala e pela maneirice de seus jeitos. Imaginem uma coisa estupidamente extravagante e duplicadamente horrorosa! Imaginaram? Multipliquem por mil e ainda será pouco para dar uma ideia rala da estripulia dele. Pois bem, ele fez um ar de riso para mim, meteu a mão no saco e entregou-me um pacote dizendo que tinha um panetone dentro. Na verdade, era um cuscuz com meio mundo de coisa que nem tive coragem e muito menos atrevimento nem de cheirar quanto mais de digerir. Aos pulos e aos gritos Doro chamava as crianças do lado e danou-se a entregar um nego-bom que ele mesmo fizera para a alegria delas. Alegria, agora; depois vocês vão ver a desgraça. Quando fez as entregas ali, deu umas palavras de ordem de comandante daquela doidice e partiu com seu hô hô hô. A catrevagem toda resultou num trenó; as renas, os guenzos; a vestimenta, uma tristeza de dar dó; os presentes, nego-bom e outras guloseimas enjoativas. E o barulho, ensurdecedor. Lá vai aquela desgraça rua afora se passando por papai Noel. Resultado: dois problemas gravíssimos! Saúde e segurança públicas. Cadeia. Até então ele não havia inaugurado os serviços cinco estrelas duma delegacia. E ainda insistia que era o papai Noel. Pode? Acusação: a primeira, por causa da assombração. Todo mundo se cagou de medo, principalmente as criancinhas. Num ficou um pé de gente na rua por onde ele passou. A segunda: caganeira. Os bruguelos que comeram o nego-bom que ele distribuiu, estavam todos hospitalizados com uma diarreia braba, morre mais num morre. Uma correria dos diabos. Verdadeiro infanticídio em massa. Mediante esse rebuceteio todo, tive que intervir em seu favor. De cara o delegado ameaçou que não haveria na face da terra advogado capaz de retirar o sujeito daquelas ferrenhas grades. Deu trabalho. Não era só o delegado, a população toda duvidava quem tivesse o desplante de requisitar alvará de soltura para ser tão perigoso que se tornara o inimigo público número 1 daquele lugar. Deu trabalho, mas deu mesmo! Por sorte, as criancinhas depois de quinze dias de medicadas, se salvaram daquele troço todo. Sorte das grandes. Apenas se intoxicaram em demasia. Ainda bem. Consegui que fosse relaxada a prisão dele e quando instei sobre o ocorrido, ele com a maior cara lisa, ainda balbuciou: - Hem, hem, as criancinha nem pudero vê papai Noé direito. É mole? Tava ele já enganchado numa beldade todo libidinoso parecendo mais que nada tinha acontecido. Pode? E vamos aprumar a conversa aqui

Imagem Reclining-nude, do artista plástico francês Frédéric Bazille (1841-1870)

 Curtindo a álbum com a Symphony nº 3 - Symphony of Sorrowful Songs Op. 36 (1976), do compositor polonês Henryk Górecki, with Symphonieorchester des Südwestfunks-Baden-Baden/Ernest Bour & Stefania Woytowicz.

O FILÓSOFO QUE RI – O filósofo grego Demócrito de Abdera (460-370aC), tratou acerca da ética e da physis, cujo estudo caracterizava os pré-socráticos, e foi o maior expoente da teoria atômica, De acordo com essa teoria, tudo o que existe é composto por elementos indivisíveis chamados átomos (do grego, "a", negação e "tomo", divisível. Átomo= indivisível), e avançou também o conceito de um universo infinito, onde existem muitos outros mundos como o nosso. Para ele, o cosmos (o Universo e tudo o que nele existe) é formado por um turbilhão de infinitos átomos de diversos formatos que jorram ao acaso e se chocam. Com o tempo, alguns se unem por suas características (às vezes, as formas dos átomos coincidentemente se encaixam tão bem como peças de quebra-cabeça) e muitos outros se chocam sem formar nada (porque as formas não se encaixam ou se encaixam fracamente). Dessa maneira, alguns conjuntos de átomos que se aglomeram tomam consistência e formam todas as coisas que conhecemos, que depois se dissolvem no mesmo movimento turbilhonar dos átomos do qual surgiram. Da sua obra destaco: Muitas vezes ouvi dizer que não pode existir nenhum bom poeta sem entusiasmo da alma e sem um sopro como que de loucura. Tudo o que ele escreve com entusiasmo e sopro sagrado é, sem dúvida, belo. Homero, porque recebeu uma natureza divina, construiu uma estrutura ordenada de versos variados, uma vez que não seria possível sem uma natureza divina e demônica realizar versos tão sábios e belos. [...] A união sexual é uma pequena apoplexia, pois o homem sai do homem e dele se arranca apartando-se como que por um golpe. A natureza e a instrução são semelhantes, pois a instrução transforma o homem, mas, transformando-o, cria-lhe a natureza. Quem ouvir de mim estas sentenças com inteligência, realizará muitos atos dignos de um homem e não realizará muitos atos vis. Quem escolhe os bens da alma, escolhe os divinos; quem escolhe os do corpo, escolhe os humanos. É belo opor obstáculo a quem comete injustiça; senão, não de participar da injustiça dele. É preciso ou ser bom ou imitar quem o é. Não é pelo corpo, bem pela riqueza que os homens são felizes, mas pela retidão e muita sabedoria. Não por medo, mas por dever, evitai os erros. Coisa grande é, mesmo no infortúnio, pensar naquilo que é preciso. Arrependimento de atos vergonhosos é salvação da vida. Quem comete injustiça é mais infeliz que o que sofre injustiça. É magnanimidade suportar com doçura a falta de tato. Ceder à lei, ao chefe e ao mais sábio é por-se em seu lugar. À censura dos maus o homem bom não dá atenção. É duro ser governado por um inferior. Quem fosse totalmente submisso ao dinheiro jamais poderia ser justo. Para a persuasão a palavra frequentemente é mais forte que o ouro. Quem adverte aquele que pensa ser inteligente, trabalha em vão. Muitos, sem ter aprendido a razão, vivem segundo a razão. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A PRISÃO DE SÃO BENEDITO – No livro A prisão de São Benedito e outras histórias (Bagaço, 1991), do escritor Luiz Berto, destaco o conto homônimo: Numa das reuniões da Diretoria do Clube do Jaguara, acertou−se que a Coréia estava precisada de uma festa. O Jaguara funcionava num salão amplo do Alto do Lenhador, onde está  localizada a Coréia, a chamada zona do meretrício. Por via disso, o Jaguara era o clube das putas e, em consequência, o mais animado do carnaval. O seu bloco, com um jacaré imenso em cima do carro alegórico, ganhava, de longe, em beleza e alegria dos outros blocos de Palmares, quando invadia as ruas da cidade nos dias de carnaval. Era de se ver o negro ZéMaria, todo vestido de branco, a comandar o abre−alas, com seu apito e o bastão colorido nas mãos. Compondo a onda, a turma que vinha à frente do carro alegórico, se destacava a elite da Coréia, todos com camiseta listrada de encarnado−branco, calça comprida branca, sapato Conga azul e boné branco de marinheiro, além do lança−perfume na mão: Aranha, Vaca Braba, Amara Brotinho, Odete, Amara Pé−de−Pato, Maria do Sinal, Elza Macho, Zefa Chupona, Luiz Cabeção, Pentelho−de−Burro, além de Dona Maçu e os negrinhos da família Piabinha. Quando a orquestra soprava Vassourinhas, o calçamento da rua era pouco para conter o frevo sublime esparramado por tão habilidosos dançarinos. Eu acho que o mundo se acaba e a gente não torna a ver coisa mais bonita. Então, eu dizia, a Diretoria deliberou que a Coréia, além do Jaguara, devia ter também a sua festa. Os ferroviários tinham a sua Santa Luzia; o povo das Pedreiras fazia a novena de São Sebastião; Santo Amaro, na praça de mesmo nome, era venerado pela gente do Matadouro; Nossa Senhora da Conceição, padroeira e madrinha, abençoava a cidade em sua festa no Centro. Isso sem contar São Pedro, Santo Antônio e São João, ricamente festejados no meio do ano. Até Água Preta, pois sim, exaltava com uma festa das melhores o seu milagroso São José da Agonia. Dia de Reis em Catende, nem se fala. Só na Coréia não se tinha festa. Invenção de Seu Luiz, Amaro Quirino e Zé Maria, diretores do Jaguara, a festa da Coréia tomou embalo de pronto e mobilizou os homens de bem e as pessoas gradas. A Banda 15 de Novembro saiu anunciando pelas ruas e, no dia marcado, a alvorada festiva cobriu de fumaça o Alto do Lenhador com os fogos de Pimpão. De manhã as mulheres−damas, qual colegiais enxeridas, participaram com alvoroço da corrida no saco, da corrida do ovo na colher e da corrida de velocidade. Houve muito barulho no jogo de quebra−panela, e as barracas de jogos de azar começaram cedo a arrancar dinheiro dos viciados. À tarde, a sensação ficou por conta do cabo−de−guerra, disputa animadíssima envolvendo séria rivalidade entre os funcionários da Rede Ferroviária e os trabalhadores dos abatedouros de gado bovino do Matadouro. Era a Turma do Óleo contra a Turma do Sangue. Calção vermelho e camiseta branca, a Turma do Sangue se abastecia de cachaça e cerveja desde as primeiras horas da manhã, cercada e incentivada por um lote de putas assanhadas. Os homens da Turma do Óleo vestiam calção preto e camiseta branca, e também desfilavam, atletas musculosos, cercados de raparigas, prometendo até a morte para chegar à vitória. No bilhar de Paizinho, as mesas de sinuca foram recolhidas, e um barulhento fuá propiciou o grande baile da festa. A orquestra, uma sanfona, um triângulo e um tambor de borracha, tocou, de manhã à noite, com pequenos intervalos para a rodada do pires na hora da cobrança da cota aos cavalheiros. A tantas ia a festa, animada e respeitável, que pouca gente prestou atenção na capela armada ao lado do jardim. Capela modesta mas decente, montada a tala de bambu, coberta de folhas e cheia de velas acesas. Como toda festa de rua que se preza, também esta tinha seu santo. Lá estava ele de mãos postas: um São Benedito de olhos grandes, velando pela alegria da Zona. Santo pretinho e humilde como a desprezada população da Coréia. As mulheres se benziam reverentes, e os homens, antes de entornarem a aguardente goela adentro, jogavam um tiquinho "pro santo". Festa sem santo, como é de lei, não é festa. E a da Coréia tinha o seu padroeiro majestoso e entronizado, milagroso e vigilante, levando o consolo da fé àquele antro de perdição. Mas, alegria de mundiça é curta, e a nação de gente enredeira, moralista, cresce em qualquer canto. Pessoas existem que sentem raiva dos prazeres dos humildes, dos perseguidos e dos marginalizados. Tantofuxicaram, que levaram aos ouvidos do padre aquela presença invulgar na Coréia: São Benedito velando festa de zona. Vá lá que seja preto, mas não é motivo para tanto. Além do mais, não tinha sido nem benzido, conforme manda o regulamento canônico. Compraram a imagem na livraria de Manoel Pezão e ela foi direto da vitrine para a capela. Na maior calada. Além do mais, uma capela que era puro deboche: taliscas de bambu, folhas de bananeiras, ramos de laranjeira. E por aí vai. Reclamavam as beatas dos homens de família que prestigiavam a festa e subiam a ladeira para beber com as raparigas. Mau exemplo que devia ser reprimido com energia. E o despropósito chegava ao auge, fazendo a banda tocar pelas ruas de família, anunciando a festa da Zona. Pois sim, senhor, uma putaria como poucas! O padre não era de deixar serviço para depois. Velava e defendia seu rebanho como já não fazem os padres de hoje em dia. Santo e piedoso homem que tomava torrado e dava cascudos nos meninos na procissão. Entrou em contato com as autoridades competentes e arrancou do Poder Judiciário o indispensável mandado, que foi entregue ao Delegado. Tudo dentro da Lei. A autoridade policial designou a patrulha, e esta, brava e ciosa, subiu a ladeira para fazer voltar ao caminho do bom senso tão enxerido santo. –Os homens tão subindo! A multidão se inquietou, mas relaxou de pronto quando os soldados se dirigiram à capela. Ao invés de raiva, o povo se viu tomado por uma súbita vontade de rir. Uma sonora gargalhada tomou conta da Coréia, passou pelo Beco do Esconde−Negro, Rua do Limão, desceu pela Ladeira da Viração e invadiu Palmares. Riam-se do santo, preso e escoltado. Os soldados também se divertiam e a multidão esculhambava o santo. –Eita neguinho, vai dormir no xilindró. – Bem feito, já se viu santo na zona... E a procissão desceu a ladeira, os soldados com o santo à frente, até a porta da Delegacia. E o episódio, que deveria passar por discreto, tomou conta do mundo e atraiu até repórteres dos jornais do Recife. A cidade dividiu−se, e a intimidade do santo foi devassada. Contava−se das estrepolias que ele teria feito em vida, antes de ascender aos céus. Circulou uma história sobre uma rapariga que ele teria tido na Bahia, até que alguém lembrou que, apesar de preto, ele era santo estrangeiro. Os racistas se aproveitavam: −Só podia ser preto! Do episódio, restou a glosa de Abel Fraga, saudoso frequentador da Coréia, que imortalizou a prisão com o seu mote: Prenderam São Benedito / Por frequentar a Coréia. Guardo o original que ele me passou com sua caligrafia rebuscada, aprendida no começo do século: O povo ficou aflito / Por uma simples asneira / Por essa ação corriqueira / Prenderam São Benedito / Estava tudo contrito / Mas por estar na Coréia / Fizeram uma má idéia / Mas era boa a intenção / Só fizeram essa prisão / Por frequentar a Coréia. Apesar de ser bendito / E ser tão conceituado / Desceu do alto escoltado / Prenderam São Benedito / Não foi um gesto bonito / Nessa infeliz odisseia / Nem nos tempos de Pompéia / Viu−se tamanho pecado: / Um santo trancafiado / Por frequentar a Coréia. Veja mais aqui e aqui

CORPO PORTÁTIL – No livro Corpo portátil (Escrituras, 2002), do poeta e professor Fernando Fabio Fiorese Furtado, destaco inicialmente o poema Pin-up sobre fundo vermelho: Para abolir o álibi, / as pernas refluem da sombra / ao olhar: corpo rendido / por um deus inútil. / Sur le mur mentira cette affiche: / nem descuido, nem artificio, / apenas um mito imóvel. / Nenhum pormenor esconde, / nada entre o olho e o horizonte / senão a demasia das unhas. Também O autor quando jovem: Embora a mímica aborreça / e mintam as testemunhas / e o que inquieta o objeto / o outro mal começava / nas dobras do processo. / Como um assassino suave / ainda ostenta o que vai morrer. / Se o braço esquerdo descuida, / escreve sobre o corpo / a cifra de toda ficção. Por fim, o poema O corpo e as cidades: De quantas cidades estive / (e não digo as que de passagem, / guardei apenas uma rubrica / e o rumor do jornal dormido, / nem aquelas em livro escritas / ou contrabando dos amigos, / em cartões postais e souvenirs) / pouca vestiram este corpo / camisa feita de encomenda, / sem rugas, penses, rebordos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A COMÉDIA - Na obra Teatro Vivo (Civita, 1976), organizada por Sábato Magaldi, encontro que: Originada da parte mais alegre do ditirambo – o cântico improvisado das primitivas procissões dionisíacas – a comédia encerrava os festivais atenienses mostrando aos espectadores que o teatro é uma grande brincadeira. Os gregos associavam a comédia a personagens ridículas representadas como pessoas absurdas e ofensivas. Apresentada como uma forma burlesca da tragédia que a precedera, a comedia nem por isso deixava de dirigir criticas mordazes às instituições e às pessoas notáveis. Os próprios deuses eram objeto da sua contundente jocosidade. Quando entraram em contato com os gregos, os romanos ficaram particularmente encantados com as divertidas possibilidades que os comediógrafos ofereciam para distrair patrícios e plebeus. Mas antes de adotar o gênero, tiveram o cuidado de apagar dele qualquer traço político ou religioso, encampando o que as comedias tinham de mais secular e lúdico. Assim, às contundentes ironias políticas de Aristófanes, preferiram seguir o exemplo das sátiras de Menandro (342-291aC), mais elegante e com marcada preferencia por temas individuais – problemas familiares e amorosos, aventuras de tristes crianças abandonadas e reencontros românticos. Veja mais aqui e aqui.

IN THE CUTE – O filme de suspense In the cut (Em carne viva, 2003), dirigido de forma delicada por Jane Campion, com roteiro da diretora e de Susanna Moore, também autora do livro que originou o filme, contando a história de uma professora solitária que inicia um relacionamento com um detetive que investiga um assassinato ocorrido na vizinhança, sendo que o relacionamento de ambos aos poucos toma rumos cada vez mais sombrios. Aí, uma escritora vê-se em meio a uma trama que envolve sua irmã e um psicopata que corta suas vítimas em pedaços. No filme o destaque vai para a belíssima atriz estadunidense Meg Ryan. Veja mais aqui.

 CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo estadunidense Alfred Eisenstaedt (1898-1995).
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada ao Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher


MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...