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terça-feira, dezembro 22, 2015

GUIMARÃES ROSA, MARINETTI, RACINE, REXROTH, IAMAMOTO, BARDOT, ABEL, ÍSIS NEFELIBATA & MUITO MAIS!!!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? QUANDO ENTÃO, É NATAL... - É Natal, a festa da cristandade e da satisfação – como um maçarico doido com os fogos de artifício do consumo – do capitalismo. É tudo lindo nas vitrines, luzes, sinos tocando, promoções e presentes a mancheia. Os olhos chegam enchem d’água com a trilha sonora dos corais de jingle bell e afins. É a hora da felicidade, fartura, do esbanjamento das emoções mais íntimas de prazer e gozo, de chega dá um nó na garganta poder torrar o décimo terceiro naquilo que foi sempre a necessidade de realização e de afirmação. Comprar e ter aquela última novidade que será daqui mais um mês totalmente obsoleta pela barbárie eletrônica; e ter a última edição do mais estrondoso vídeo game pras horas de lazer; e fazer listas de compras para a ceia e de presentes pros mais achegados; e receitas de bolos e pratos sofisticados; e as confraternizações nos bares e hotéis; e um professor de Bioética compra uma metralhadora de brinquedo pro filho; e Papai Noel tira uma dedada numa bunduda que não consegue segurar seu filho capetinha que quer porque quer, todo pirracento, dar um murro no bucho do bom velhinho; e tudo não passa de passatempo nas voláteis e volúveis relações que depois do ano novo volta em pé de guerra para a concorrência e sobrevivência. Mas é Natal, ora. O Brasil para e só volta a funcionar depois do carnaval. Sempre foi assim – e enquanto todo mundo festeja, os sabidos grandões armam nesse período suas estratégias e colocam em prática as suas mais nefastas táticas. E isso me dá a impressão de que verdadeiramente não existe crise – ou não?! -, ou ninguém está nem aí pra quem pintou a zebra. Desde que nasci que ouço falar em crise, sempre a sua presença no dia a dia. Será que essa crise existe realmente ou é um artifício pra dar uma movimentada mais no mercado quando ele sente falta de demanda? É como se o vuque vuque do quero agora fazer feliz meu coração, fosse comparável a uma anestesia inoculando as broncas e óbices do cotidiano: uma panaceia. E isso porque é Natal, hora de fazer bem, se reconciliar, apagar os infortúnios e apostar que, a partir de agora, tudo será diferente e melhor. Em última instância, o culto do descartável, do inócuo ou do inútil reinstaurando escrúpulos anacrônicos na reprise anual, como um remédio eficaz praquilo que se possa chamar de preenchimento do vazio e da solidão de todos os meses anteriores. É Natal, ora. E em último caso, a dissolução das relações e todas as suas implicações, no fazer o bem e a fraternidade agora para resolver todas as pendências que ficaram marcadas nas culpas e decepções. É Natal e todos embriagados de felicidade – afinal, todo mundo merece ser feliz! Ou não? Ora, ora. Então, vamos nessa aprumando a conversa aqui.

PICADINHO
 Imagem: Nu, do artista plástico inglês William Etty (1787-1849), Veja mais aqui.

 Curtindo Allegro in D Minor WKO 208, do compositor alemão Carl Friedrich Abel (1723-1787), com a viola da gamba de Shirley Edith Hunt.

EPÍGRAFE – No livro Grande serão: veredas (José Olympio, 1982), do escritor, médico e diplomata João Guimarães Rosa (1908-1967): No real da vida as coisas acabam com menos formato, nem acabam. Melhor assim. Pelejar por exato dá erro contra a gente. Não se queira. Viver é muito perigoso. Veja mais aqui e aqui

UM ALERTA PRA AGORA – No livro Serviço Social em tempo de capital e fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social (Cortez, 2008), da socióloga e assistente social de renome, Marilda Villela Imamoto, encontro o trecho seguinte: [...] É, hoje, fundamental contribuir para a análise das classes na história brasileira, densa de determinações étnico-raciais, regionais e cultural, rurais e urbanas, que resguarde a efetiva reciprocidade entre o conhecimento científico e as configurações da vida social ao longo dessa era de extremos, nos termos de Hobsbawm. Em outros termos, somos desafiados a integrar pensamento teórico e as condições de existência social captadas a partir da diversidade das posições que os homens ocupam nos quadros da estrutura social, o que implica o reconhecimento das diferentes visões de mundo daí derivadas, às quais não é imune o pensamento científico. Isso envolve a afirmação das condições de totalidade e do devir histórico que norteie tanto os estudos monográficos quanto as interpretações globalizadoras, inter-relacionados e complementares. Em outras palavras, impulsionar o “ato científico como um ato de imaginação criadora”, cuja decadência encontra-se na raiz da crise do conhecimento científico com as invasões positivistas e empiristas, a-históricas, que estimulam a expansão irracional das especializações. Estas se desdobram na transformação do cientista em técnico, adstrito às tarefas que lhe são impostas com alvos não-científicos, em que os procedimentos e a teoria são reduzidos a instrumento de ações, orientadas segundo os interesses daqueles que financiam o seu labor. [...] Veja mais aqui e aqui.

MANIFESTO FUTURISTA – Oportuno trazer aqui o Manifesto futurista (Le Figaro, 1909), do escritor, editor, ideólogo, jornalista e ativista político italiano Filippo Marinetti (1876-1944), estabelecendo que: 1. Queremos cantar o amor do perigo, o hábito à energia e à temeridade. 2. A coragem, a audácia e a rebelião serão elementos essenciais da nossa poesia. 3. Até hoje a literatura tem exaltado a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono. Queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, a velocidade, o salto mortal, a bofetada e o murro. 4. Afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corrida adornado de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Samotrácia. 5. Queremos celebrar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada a toda velocidade no circuito de sua própria órbita. 6. O poeta deve prodigalizar-se com ardor, fausto e munificência, a fim de aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais. 7. Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem. 8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade omnipresente. 9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo da mulher. 10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de todo o tipo, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária. 11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos a maré multicor e polifônica das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor noturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas elétricas: as estações insaciáveis, devoradoras de serpentes fumegantes: as fábricas suspensas das nuvens pelos contorcidos fios de suas fumaças; as pontes semelhantes a ginastas gigantes que transpõem as fumaças, cintilantes ao sol com um fulgor de facas; os navios a vapor aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de amplo peito que se empertigam sobre os trilhos como enormes cavalos de aço refreados por tubos e o voo deslizante dos aviões, cujas hélices se agitam ao vento como bandeiras e parecem aplaudir como uma multidão entusiasta. Veja mais aqui e aqui.

DOIS POEMAS – Os poemas de amor de Marichiko inseridos na obra Selected poems (1967), do poeta, tradutor e ensaísta crítico estadunidense Kenneth Rexroth (1905-1982), destaco dois traduzidos por Adrian’dos Delima: XVI - Calcinada pelo amor, a cigarra / Grita em surto. Em silêncio como o vaga-lume, / Minha carne toda incendeia do amor. LVII - Noite sem fim. Solidão. / O vento traz uma folha de bordo / Contra a porta de papel translúcido. / Eu espero, como nos velhos dias, / No nosso lugar secreto, sob a lua cheia. / Os últimos grilos-de-sininhos cantam. / Eu achei tuas antigas cartas de amor, / Repletas de poemas que nunca tornaste públicos. / E importaria a alguém? / Eles foram somente para mim. Veja mais aqui.

OS PERSONAGENS TRÁGICOS – No prefácio de peça teatral Berenice (1670), o poeta trágico, dramaturgo, matemático e historiador francês Jean Racine (1639-1699), assim se expressa: [...] A regra principal é agradar e comover; todas as outras foram feitas para servir esta. [...] Os personagens trágicos devem ser vistos noutro ângulo, diferente daquele no qual vemos, regra geral, as personagens que vemos mais próximas. Pode-se dizer que o respeito que se tem pelos heróis aumenta à medida que se afastam de nós: major e longínquo reverentia. O afastamento dos locais repara, de certa forma, a demasiada proximidade dos tempos: porque o povo não encontra diferenças entre o que está, se assim posso falar, a mil anos de distancia dele, e o que está a mil léguas. É isto que faz com que, por exemplo, os personagens turcos, por mais modernos que sejam, tenham dignidade no nosso teatro. olham-nos como se fossem antigos. Veja mais aqui e aqui.

EN EFFEUILLANT LA MARGUERITE – O filme En Effeuillant la Marguerite (Desfolhando a Margarida, 1956), do cineasta e roteirista francês Marc Allégret (1900-1973), conta a odisseia parisiense de uma jovem filha de um general que irritou o pai com a publicação do seu livro que empresta título ao filme, tudo se desenrolando com muito bom humor e destacando a graça e beleza da atriz, modelo, ativista e cantora francesa Brigitte Bardot. Veja mais  aqui.

AS PREVISÕES DO DORO PRO ANO TODO – As previsões pro ano todo do mestre Dorus está bombando na rede. Além de trazer as orientações de procedimentos quanto ao amor, saúde e dia a dia de cada signo, o cara-de-pau ainda dá de troco duas simpatias: a da virada do ano e a Tiro e Queda. Quer enriquecer da noite pro dia? Siga o mestre e aproveite para conferir e dar boas risadas aqui.

IMAGEM DO DIA
 A arte do acervo de Ísis Nefelibata. Veja aqui, aqui e aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à eterna musa do cinema Brigitte Bardot
Veja aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

sexta-feira, janeiro 29, 2010

KENNETH REXROTH, LUCINDA HAWKSLEY, OPHELIA DE MILAIS, SCOTT ADAMS, SÔNIA BRAGA & APRENDER A APRENDER



A arte do pintor e ilustrador britânico John Everett Milais (1829-1896). Veja mais abaixo e aqui.


OPHELIA DE MILLAIS – Sobre Ofélia ou Ophelia eu sabia do único amor de Fernando Pessoa, a da personagem shakespereana de Hamlet – aquela da tragédia romântica, que se desequilibrou, ou melhor, que por causa de uma decepção amorosa suicidou-se -, a do poeticoperístico filme de Abiola Adams, a dos Dei Lieder op. 67 de Strauss, a de Gabriel Fauré, a do Osvaldo Lacerda, o poemeto lírico de Henrique Oswald e a composta por Willy Corrêa de Oliveira. Agora que soube da John Everett Millais, a retratada cantando antes de se afogar em um rio na Dinamarca shakespereana, Lizzie Siddal, que coincidentemente foi envolvida numa trágica história de suicídio, ao ser descoberta enquanto trabalhava numa chapelaria, para se tornar modelo de pintores como Dante Gabriel Rossetti, William Holman Hunt, Walter Howell Deverell e do próprio Millais. A bela esbelta, esguia e ruiva se encaixava nos padrões de beleza, exceto por sua magreza. Deixou o emprego para ser modelo de artistas não era lá uma profissão bem vista à época, mas ganhava mais que na chapelaria. Ela envolveu-se com Rossetti que, após muitos altos e baixos, casou-se com ela. A vida deles era bastante conturbada, a ponto dela mesma tentar a vida como pintora. Nas idas e vindas, o casal com o tempo perdeu um filho e, ao engravidar novamente, viciada em láudano, ela cometeu suicídio deixando uma carta para o marido, transformando-se num ícone gótico. A sua carta foi queimada para não atrapalhar o sepultamento juntamente com os seus poemas escritos. Registros dão conta de que o marido enlouquecera e ousadamente o agente aproveitou-se disso para desenterrá-la, constatando-se que ela estava cada vez mais bela com cabelos crescidos e uma reluzente aura que formou o mito advindo da publicação dos seus poemas. A história virou livro e tem um trecho da autora logo abaixo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo.


DITOS & DESDITOS - Em nossas vidas bagunçadas, o mais próximo que podemos chegar à verdade é através da consistência. Consistência é a base do método científico. Cientistas se aproximam da verdade através da realização de experimentos controlados, tentando observar resultados consistentes. Em nossa vida não científica, fazemos a mesma coisa, mas não de maneira tão impressionante ou confiável. Os trabalhadores mais incapazes são sistematicamente promovidos para o lugar onde possam causar menos danos: a chefia. A maioria dos sucessos brota de um obstáculo ou fracasso. Eu me tornei um desenhista porque eu falhei em minha meta de me tornar um executivo de sucesso. Não há nada mais perigoso do que um idiota inventivo. Nada mata tanto o humor como uma verdade geral sem graça. Pensamento do cartunista estadunidense Scott Adams. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Vim ao mundo para apimentar as histórias. Calcinha e sutiã me dão falta de ar. Frase da atriz Sônia Braga. Veja mais aqui.

OPHELIA – [...] Na noite de 10 de fevereiro de 1862, o casal saiu para jantar com o poeta Algernon Charles Swinburne. Quando voltaram, Rossetti saiu para dar aula na Working Men's College, um centro para a educação de adultos. Antes de sair, viu Lizzie deitar e tomar sua dose costumeira de láudano. Ao retornar, deparou-se com o frasco vazio e um bilhete. Sem conseguir acordar a esposa, gritou para a proprietária do imóvel pedindo que chamasse um médico o mais rápido possível. Quatro médicos tentaram reanimá-la, sem sucesso. Lizzie Rossetti morreu nas primeiras horas do dia 11 de fevereiro de 1862. Ela estava grávida novamente. Aconselhado pelo amigo Ford Madox Brown, Rossetti queimou a carta de suicídio da esposa. Ela não poderia ter um enterro cristão se fosse considerada suicida. Sua história, entretanto, não acaba com sua morte. Eventos posteriores ao sucídio a transformaram em uma espécie de ícone gótico. Rossetti havia enterrado com a esposa as únicas cópias dos poemas que ela escrevera. Sete anos depois, mudou de ideia e decidiu recuperá-los. Secretamente, em uma noite de outono de 1869, o caixão de Lizzie Siddal foi desenterrado do cemitério de Highgate, em Londres. Rossetti, a essa altura considerado "louco" por alguns de seus conhecidos, não estava presente. Toda a operação foi planejada por seu agente, Charles Augustus Howell, conhecido por ser um extravagante contador de histórias. Nesse caso, ele não deixou de fazer jus à fama. Contou ao amigo que o corpo da esposa estava perfeitamente preservado. Ela não era um esqueleto, ele disse, mas continuava tão linda quanto havia sido em vida. O cabelo havia crescido e inundava o caixão com um brilho acobreado que reluzia como o fogo. Da história fantasiosa surgiu o mito de que a beleza da modelo havia permanecido intocada mesmo após a morte de Lizzie? o que leva algumas pessoas a acreditarem, até hoje, que ela estaria viva. A artista morreu aos 32 anos, mas seu legado permanece até hoje, inclusive através de seus poemas, imensamente aclamados quando foram publicados ? a história sobre como eles voltaram a ver a luz do dia, entretanto, foi mantida segredo por muito tempo. [...], Trecho extraído da obra Lizzie Siddal, the tragedy of a pre-raphaelite supermodelo (Andre Deutsch, 2008), da escritora Lucinda Hawksley.

NOITE EM JANEIRO – Tarde, depois de caminhar por horas na praia, / Uma tempestade chega, com vento, chuva e relâmpagos / Na minha frente, na escrivaninha / Estão máquina de escrever e papel, / E meu belo e denteado / Cristal, maior que um crânio, / E além, a janela negra, / Emoldurando o úmido e aglomerado / Pontilhado da cidade / Na noite, no vale / E se espalhando pelas montanhas ao longe / Sob a chuva, e além, pequenos riachos relampejantes / Escorrem céu abaixo, / E todo o ar que atravessa / Regado com a fecundidade / Do tempo e de promessas / Da Terra e de sua rotina / Anual e diária / Nos anos e nos dias / Imóvel; e uma vez mais minhas horas / Se movem, através do inverno / Escalando em direção ao sol. Poemas do poeta, tradutor e ensaísta crítico estadunidense Kenneth Rexroth (1905-1982). Veja mais aqui.




APRENDER A APRENDER - O aprender a aprender é o processo pedagógico que fomenta o aprendizado sozinho, exigindo uma autonomia moral e intelectual que possibilite a decodificação das informações durante a transmissão dos conhecimentos Nesse sentido, é de fundamental importância que a educação transmita saberes que se encontrem dentro da pratica do saber-fazer e que se encontrem adaptados e se mostrem evolutivos dentro da cognição, não bastando a acumulação dos conhecimentos, mas o enriquecimento destes na adaptação da vida e das mudanças do mundo. Para tanto é importante que o conhecimento seja desenvolvido por meio dos pilares do aprender a aprender, solidificados no aprender a conhecer, a fazer, a viver juntos e a ser. Aprender traz uma conceituação que se aproxima de viver, tomar conhecimento, se informar, ter ciência e, com isso, conduzir-se melhor na vida. A seleção de dados que são jogados pela variedade dos canais de informação e dos avanços tecnológicos de armazenamentos e transmissão, é um dos papéis fundamentais do verdadeiro aprendizado. Aprender por meio da transmissão da informação e do conhecimento, deve possibilitar a auto-educação que, por sua vez, traga a descoberta e desperta da consciência individual e, por conseqüência, robusteça a sensação da responsabilidade de cada diante dos problemas e valores essenciais da vida. A promoção de elaboração de um método de descoberta, é um dos fundamentais aspectos e objetivos no desenvolvimento de um processo próprio que deve ser explorado pela ação pedagógica, no sentido de direcionar o educando ao disciplinamento metodológico da descoberta, por meio da construção intelectual e por conta própria, da elaboração de soluções. Essa deve ser a relação da ação didática com o processo educativo na formação da identidade, promovendo o aprender a aprender, para aprender a conhecer, a fazer, a ser e a viver juntos. O aprender a conhecer objetiva a compreensão do mundo e de seus diversos aspectos estimulando o sentido critico, supondo o aprender a aprender por meio do exercício da memória, da atenção e do pensamento, treinados desde a infância para beneficio ao logo da vida. O aprender a fazer deve promover a atuação do individuo sobre o meio envolvente e está articulado com a formação profissional, na aquisição de competências, no trabalho participativo e em grupo, na qualificação, no domínio das técnicas e na autonomia do desenvolvimento de suas atividades. O aprender a viver juntos configura a aprendizagem de viver com os outros, respeitando o outro, cooperando e participando das atividades humanas. Essa é uma das missões da educação em transmitir no processo de aprendizagem o conhecimento da diversidade humana e da pluralidade cultural, conscientizando as semelhanças e diferenças por meio do diálogo. O aprender a ser diz respeito à identidade e à personalidade, no agir com autonomia, capacidade, espiritualidade, inteligência e responsabilidade pessoal.
A APRENDIZAGEM E O PROTAGONISMO - A aprendizagem merece atenção especial no processo educacional, uma vez que se deve respeitar o potencial de cada indivíduo, tendo em vista que o ser humano possui a capacidade de se adaptar e se adequar ao meio, possibilitando a sua auto-realização. Nesse sentido é de fundamental importância abordar-se acerca das idéias de Carl Rogers e de Abraham Maslow no sentido de melhor articular a prática pedagógica às necessidades de aprendizagem do educando. Nos estudos da teoria humanista de Carl Rogers ele apresenta que a aprendizagem e o conhecimento teriam um papel fundamental na maneira como a educação pode transformar e influenciar um indivíduo. Nesse sentido, as idéias do autor enfatizam a realização do potencial individual de crescimento. Essa avaliação comportamental inserida nos dezenove princípios que envolviam desenvolvimento da noção da realidade, forças que levam o individuo a agir e desenvolvimento da própria auto-imagem Para ele, o homem é perfeitamente capaz de se adaptar visando crescimento e o engrandecimento do seu ser. Esse crescimento pode entretanto ser travado ou direcionado de forma inadequada a outro sentido se a idéia que o indivíduo tem da realidade não é coerente com a realidade em si. Para o autor o ser humano é inerentemente bom por natureza e a forma como o indivíduo percebe o que é necessário para realizar-se é à base de seu comportamento. A pirâmide de Maslow estabelece o processo hierárquico das necessidades para atingir a auto-realização. Essas necessidades estão relacionadas com o aspecto piramidal empregado pelo autor, colocando em primeiro lugar, as necessidades básicas do ser humano como fisiológicas, tais como fome, sede, sono, sexo, excreção, abrigo. A necessidade de segurança é entendida como a necessidade de se sentir seguro, seja no recinto do lar, no emprego estável, no seguro de vida. As necessidades sociais são aquelas atinentes ao amor, afeto, afeição e sentimento de pertencer a uma classe ou grupo. As necessidades de estima se enquadram no reconhecimento das capacidades pessoas e dos outros frente as capacidades de adequação e adaptação. E as necessidades de auto-realização com relação aos seus anseios e desejos.
CONCLUSÃO - O aprender a aprender é o resultado de uma experiência que deve ser manifestada e praticada em conjunto na escola e nos demais segmentos sociais, no sentido da necessidade continua, dialética e dinâmica de aprender a re-aprender. É papel da educação contribuir para o desenvolvimento individual da capacidade e da iniciativa da busca por si mesmo de novos conhecimentos e, por conseqüência, promover o aumento da autonomia do individuo. A partir do fato de que o aprendizado ocorre numa circunstância ininterrupta, possibilita que o individuo interfira nesse processo para aproveitar melhor e de forma vantajosa de si mesmo.
O papel da educação na promoção e valorização do ser humano se reflete nos questionamentos que submete toda a população planetária aos problemas mais agudos, como as questões da concentração de renda, da pobreza, da desigualdade social, da discriminação de gênero, da violência e de tantos outros, diante da necessidade de se implantar uma sociedade de paz, solidária, isonômica, plural e emancipada.
A violência, a pobreza, a desigualdade social, a injustiça, a discriminação de gênero, a destruição, a degradação, entre outros graves problemas que acometem a sociedade humana, são vistos como fatos que não são isolados em si, mas que se articulam e se misturam dentro da cadeia de problemas da humanidade. Em razão disso, se faz necessário que a escola atue no debate desses problemas, buscando por meio de uma abordagem histórica e contextualizada da origem, causas, conseqüências e propostas de solução, no sentido de instaurar um diálogo que se encontre articulado com as necessidades do educando e a sua realidade local. Nesse sentido, a educação precisa atuar conteúdistica e transversalmente por meio de questões como ética, multiculturalidade, meio ambiente, saúde, orientação sexual, trabalho, consumo e paz, no sentido de trazer à tona o debate entre os educandos, no sentido de possibilitar uma reflexão dialógica que leve ao processo de conscientização. É preciso articular a questão ambiental com as demais áreas transversais, uma vez que a educação ambiental torna-se uma pratica política e social na qual há a possibilidade de interferência dos indivíduos para a transformação participativa do seu meio. Essas articulações pedagógicas promovem a consciência solidária para enfrentamentos dos problemas conexos que permeiam a existência humana, possibilitam o conhecimento que valoriza a compreensão básica da presença e função da humanidade, produzindo atitudes que impulsionem a participação ativa do indivíduo na sociedade, promovem aptidões para resolução de problemas individuais e coletivos na capacidade de avaliação em função de fatores políticos, ecológicos, sociais, econômicos, educacionais e estéticos. Enfim, levam a participação do individuo no seu meio no sentido de transformá-lo dentro de uma cultura de paz, solidariedade, respeito e sustentabilidade.
CONCLUSÃO - Tendo em vista que o individuo é produtor e co-produtor mutua e democraticamente que se formam na condução da vida para se formarem, atuarem, desenvolverem-se e alcançarem seus objetivos e metas, tornando-se planejadores e executores da formação identitária que se forma por meio da promoção do protagonismo da auto-realização. A educação tem um papel relevante na promoção e valorização do ser humano por meio de ações que proporcionem conscientização individual, social, emancipatória, ambiental e sustentável, centrada nas necessidades individuais para descoberta dos anseios e desejos coletivos. Por essa razão a educação deve promover a sensibilização do educando no sentido de que seja despertada, ensinada e ativada a necessidade de participação com responsabilidade social, desvelando o sentido da realidade. Interpretando o meio e a forma de vida e problematizando as diversas e diferentes forças sociais que atuam, interferem e se tornam complexas na vida do individuo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.
REFERÊNCIAS
DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 2000.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia – saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MORETO, P. Construtivismo. Rio de Janeiro. DP&A, 2000.
SANT’ANNA, I.; MENEGOLLO, M. Didática: aprender a ensinar. São Paulo: Loyola, 1989. Veja mais aqui e aqui.



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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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