terça-feira, dezembro 20, 2016

NADA SATISFAZ E A QUERER SEMPRE MAIS E MAIS!

A AVAREZA PERDE VALIA QUANDO A VIDA VAI PRO SACO – Imagem: arte do artista plástico Vik Muniz - Zuzezim era o irmão mais velho de Totonho, da família dos Miséria, o mais miserável de todos, cabrinha dos mais odiados de Alagoinhanduba. Dele ninguém nunca soubera de bondade que fosse, só de tratar os outros aos desaforos e pontapés: - Pra mim, gente é coisa ruim, só serve pra se lascar mesmo! Nunca tratou ninguém por consideração, sempre desprezando ou maldizendo de amizades ou parentescos. Até os familiares eram incluídos entre os malditos: - Comigo é tudo pé na goela! Quando se despedia de quem fosse, dava adeus com mão de figa: - Já vai tarde! Que o diabo o carregue, desgraça! Tudo de seu era guardado aos cadeados, só o estritamente necessário: comia com os olhos, até se empanzinar. – Tire o olho gordo do que é meu, tiborna! Quando de pança cheia, guardava pro dia seguinte. Só ia pro lixo quando estava imprestável, isso depois de conferir se ainda comestível. Fosse irmão, familiar ou quem fosse, todos, pra ele, eram desafetos e só serviam pras desfeitas. Pedidos de ajuda, dava as costas: - Sai-te, coisa ruim! Achegamentos aos cotovelos. Morava sozinho com uma empregada doméstica há mais de trinta e tantos anos, dela pintava e aprontava. Ela, coitada, já acostumada com seus maus bofes, nem aí, vivia como desse, comia quando ele descuidasse, dormia quando ele cochilasse, fazia o que lhe mandasse. Um dia lá ele teve um troço e bateu as botas. Ela ficou sem saber o que fazer. Foi quando pode, pela primeira vez, pegar nas chaves da casa. Não havia mais a presença vigilante dele espionando seus passos. Agora aquela casa era praticamente sua, explorando todos os cômodos. Descobriu uma fortuna escondida no colchão, mais tantas amarradas aos pedaços de panos nos fundos dos armários e guarda-roupa. Se ele não gastava, sabia bem guardar tudo que ajuntasse dos proventos. Pela primeira vez acendeu a luz da sala e abriu as janelas: a catinga de mofo invadiu a cidade. Aos poucos foi se livrando da chateação dos outros Misérias, tudo atrás de saber do que ele tinha deixado. Nunca que soubera de tanta parentalha, logo tratou de cobrar deles sua indenização, o que os fazia, invariavelmente, sair às carreiras do vespeiro. Trinta anos de sofrimento, agora recompensada. Recomeçar a vida, era o que tencionava, mas com cautela pra não dar na vista. Nem sabia seu nome, só de Tiborna, como era chamada pelo avarento. Também sabia que o miserável, apesar de morrido, podia dar uma de fantasma e vir atentá-la. Broca, não sabia por onde começar, mas de uma coisa estava certa: nunca mais seria reprimida e maltratada por quem, a sua vida toda, só a escravizara para nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

Curtindo o talento musical do cantor e compositor alagoano Júnior Almeida.

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DESTAQUE: A SAÚDE NO BRASIL
O sistema de saúde brasileiro está prestes a romper-se. [...] O modelo de sistema de saúde implantado no país estimula a desarticulação e até mesmo o conflito entre os agentes públicos e privado [...] Não há, de fato, acesso universal e igualitário às ações e serviços de qualidade ou mesmo a integralidade propugnada pela Constituição. [...] Não há dúvida de que o subfinanciamento é uma variável fundamental; entretanto, não reconhecer os demais fatores que tornam precária a atenção com a saúde de uma parte considerável da população brasileira é vedar intenci0nalmente os olhos diante de uma realidade flagrante. [...] na prática, a grande maioria da população está impedida de usufruir dos serviços [...] São desesperadores os efeitos da ineficiência do setor público na gestão dos serviços, quase sempre liderados pela lógica perversa dos acordos partidários ou mesmo do egoísmo das corporações que colocam seus interesses pessoais à frente das necessidades da população. O paciente e a solução dos seus problemas são relegados a um segundo plano. Os aspectos técnicos e a tão decantada e necessária gestão eficiente dos serviços perdem força em um modelo de amarras e em uma legislação customizada par privilegiar os que acobertam desempenhos pífios. [...] Na execução dos serviços, o uso competente das tecnologias cede lugar a processos medievais, o planejamento é substituído pelo improviso. Não há processo sistematizado de avaliação da qualidade assistencial, da satisfação dos clientes, das taxas de utilização de recursos humanos, com a manutenção e o uso de tecnologias amigáveis e com a comprovação efetiva de uma relação custo/beneficio. Num cenário desse tipo, a ausência dos recursos é uma mera circunstância. [...] Pessoas pioram sua condição de saúde por não serem cuidadas no momento e da forma mais adequada. Ao buscar por atenção, os cidadãos deparam-se frequentemente com serviços de emergência superlotados e tecnologicamente defasados; as unidades de saúde muitas vezes não conseguem oferecer generalistas ou especialistas em condições de dar atenção adequada; [..] e limitam as internações em função do subfinanciamento do sistema; [...] Aumentam-se os serviços de pronto-atendimento sem, porém, melhorar sua resolubilidade. É uma prática desastrosa que onera ainda mais os cofres públicos. De um lado, o governo mantem uma estrutura pública que não consegue entregar os serviços; de outro, a população vai buscá-los na rede privada que atende o SIS, onde novamente o sistema público é onerado pelo pagamento dos serviços que já deveriam ter sido prestados por suas estruturas. [...] O erro está em confundir o público com o estatal. Afinal, nem toda atividade com finalidades públicas é estatal. Uma ação ou serviço pode perfeitamente privado e ainda assim ter valor público. [...] o que a justiça requer é que ninguém viva abaixo de certo padrão, e uma sociedade que se preza a equidade prioriza a solidariedade para com aqueles cujo padrão de vida dependa de seu apoio para que possa alcançar uma condição de vida digna. [...].
Trechos extraídos da obra Sistema de Saúde 2017 (CNS/IAHCS, 2016), organizado por Cláudio José Allgayer. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico Vik Muniz.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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ASCENSO, PAULO FREIRE, REICH, ELIÉZER MIKOSZ, ZWEIG, DIONE BARRETO, EDUCAÇÃO & GINÁSIO MUNICIPAL

O QUE É DE ARTE E CULTURA QUE EU NÃO SEI – Josedácio cometia uns versos brejeiros, coisas de seu; como não tinha escola, era só tirocínio,...