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domingo, março 15, 2026

AUŠRA KAZILIŪNAITĖ, VIRGINIA HIGA, RENATO NOGUERA & LOURIVAL BATISTA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Music from Man Of La Mancha (2018), Love Stories (2019), Mirror Mirror (2021), Quietude (2022) e Time And Again (2024), da premiada cantora, pianista, arranjadora e compositora, Eliane Elias. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


Era dezembro & La Madóna di Ursatt... - Desassombrado, Zé-Bruão não abria nem prum trem descendo desenfreado. Pro grandalhão, situação que fosse, encarava; se a civilidade não vingava, tabefes, sarrabulhada. Apelidavam-no, às escondidas, de tudo que fosse abrutalhado, bicho ruim, até de Urso: Lá vai ele, ruindade! E ele só de cara fechada, de soslaio mostrando os queixares no canto da boca. Assim enfrentou muitas e tantas: linguarudos, desenvultados, maluvidos, topetudos, moléstias e pragas. Deu cabo de jactantes, poltergeists, tomahawks, nem pestanejava, providências nos conformes, nocaute no desafeto e limpava as mãos: Resolvido. Qualquer surpresa aversiva tratava na maior naturalidade, levava no comum: favas contadas. Enfrentou outras e quantas, o invencível, famigerado. Eis que amanhecia sexta 13, bateram à porta. Quem é? Não ouviu resposta. Desaferrolhou e... teibei! Viu-se impactado: arrepiou os cabelos, do globo ocular se dilatar estarrecido, dando voltas quase saltando fora, tonteou e teve um troço. Despertou com uma venta aos bafos na sua, o peso na caixa dos peitos fazendo força para reavivá-lo. Hem? Reagiu sacudindo longe, violentamente, o despropósito. Ora, ora. Estava fora de si, vertiginoso, balançou a cabeça, cerrou os punhos esfregando-os aos olhos e não viu nada: Tô cego. De novo, o canto mais limpo: Pesadelo brabo. Ih! Que piripaque é esse? Levantou-se de um pulo, asseou-se e saiu de casa à toa. Andou, zanzou, voltou, girou e, ao dobrar a esquina, esbarrou. Virge! Teve uns tremeliques e, quando deu por si, estava jogado numa maca hospitalar. Vôte! Era o absurdo e parecia ter emergido, sem mais nem menos, do fundo duma garrafa de seu destino, ninguém estava a salvo. Será? Ergueu-se firme e zarpou derrubando males e paredes, espichou lonjuras. Aí atravessou a manhã, percorreu toda tarde e, na boquinha da noite, cadê? Vasculhou a paisagem, nada. Retornava ao domicílio e de repente: Eita! Via-se de novo em palpos de aranha. Ainda deu pra ouvir: Que moleza é essa, moço? Hem! Parecia mais um donzelão! Oxe! Só conseguia balbuciar blábláblás, cheio de vírgulas e interrogações. Lascou! Estava desvelado o seu mais secreto: o indócil era mesmo casto, ali sua vulnerabilidade. Que negócio é esse? Para quem era o emblema da crueldade, da selvageria, da brutalidade, que havia reunido em si todos os poderes dos polares, dos pardos, dos grizzlies, dos negros americanos e asiáticos, dos pandas, dos de-óculos, dos malaios e dos preguiças, agora um tabacudo que só via de bom ali o cheiro de mel. Ué! Donde vinha o eflúvio melífluo que amolecia suas reações? Cobriu-se de pressentimentos, quase vira a cara e fugia da serendipidade. De viés viu o forte modo dela, deslindou a sua topografia corporal e cismou: esbelta, onduladas ancas, seios graciosos, hummmm. E intuiu: Ó, me ferrei nessa! Então perscrutou: era dela e quem? A melífica deusa celta Artio havia descido das constelações Arcturus & Ursinho, com toda pompa ancestral dos ainus, da ilha japonesa de Hokaido, para intimá-lo. Danou-se tudo agora! Ele tombou escusas acossado pela irrupção, o tempo endoidecia escamoteando emoções. E como era dezembro, embananou tudo: tempo da festa Ainu Kamui omante. E ela: Veja! Mostrava pra ele a presença de todos os koriaks, os giliarks, tlingits, tongas e haidas, todos o aguardavam. Também os pomos, os iacutos, os soiotes, os tungúsios, os chores, os teleutes, os lapões, os tártaros de Altai e Minussink, os pueblos no kiva, todos olhavam pra ele. Acha pouco é? Ela asseverou: Tem que se lembrar e não esquecer de nada. Que coisa! Meio mundo de gente! Então, foi cientificado por ela: Trouxe o mistério Yu-o-Grande para incorporá-lo no poder dos kshatriya. Como? Você é o Avô dos algonquinos canadenses; e também riksha, a montaria da yogini Ritsamada. Tá ficando doida, é? Dance. O quê? Dance, vá! Você é o inconsciente ctônico, o seu sopro emana das cavernas para acompanhar a minha irmã, Ártemis, na hierofania lunar pelos cemitérios da Sibéria. Agora deu! Você tem que me devorar se eu for culpada. Pronto! E encantadoramente ela solfejou para a plateia toda: Tomai bastante cuidado, pobres mulheres / tomai bastante cuidado com vosso ventre / protegei vosso pequeno fruto!... Pela primeira vez na vida ele estava deveras encurralado: Tô fodido e mal pago! De que adiantava tanto poderio se, àquela hora, tudo era inútil. E deu um passo atrás, mais outro e viu-se cercado, enfim cedeu. Vamos! E seguiram por entre estatuetas em bronze de Muri, em Berna, acompanhados pelos celtas Helvetii. No culto da deusa: Vamos salvar famílias da fome. Hum? Ali mesmo ela então uniu o céu e a Terra; e recomendou com severidade: feche os olhos, respire profundamente e recolha-se dentro de si. Desça aí bem fundo, tape os ouvidos, não tenha medo, está protegido por mim. E, dominando o desajeitado, quebrou-lhe a resistência paulatinamente e acasalaram nos Alpes Réticos. Eita, tirou o cabresto! Viva! Durante a cópula nasceram-lhes na hora dois filhotes que saíram para socorrer uma mãe faminta com os seus cinco chorosos filhos. Onde? Numa aldeia alpina, a coitada genitora rezava devotadamente e enchia uma grande panela com água para ferver, fingia preparar a refeição, não havia nada. Desesperada foi ao jardim e constatou: nenhum comestível. Recolheu um punhado de pedras: que mais poderia fazer? E as escondeu sob as vestes, voltando à cozinha. A água mal esquentava e bateram à porta: quem seria? Eram os dois filhotes trazendo o milagre: estavam providos em abundância, o amor é providencial redenção. Até mais ver.

 

Doris Lessing: São as nossas histórias que nos recriarão quando estivermos dilacerados, feridos, até mesmo destruídos. É o contador de histórias, o criador de sonhos, o criador de mitos, que é a nossa fênix, que nos representa no nosso melhor e no nosso momento mais criativo... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Juana de Ibarbourou: O amor é fragrante como um ramo de rosas, amando se possuem todas as primaveras... Veja mais aqui.

E. L. James: Existe uma linha muito tênue entre prazer e dor. São duas faces da mesma moeda, uma não existe sem a outra... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

EXISTE UM RIO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Há mulheres tão retas quanto cordas, sempre se esforçando para serem afinadas. / Você não um encontrando único fiapo em seus restos. / Há homens de terno que sempre apertam sua mão. / Eles sorriem – mas mentemente. Dissíduo / Há um vagabundo que dormiu no ponto de ônibus de Šilo. / Há um rio por perto. Há colinas e vales. / Há cartas sem resposta e patos flutuando em água fraca. / E lá estou eu – eu / a pendurar o alaúde, em algum momento, realmente / sabia o que fazer e querer da vida. / E ali existe um rio. / Há rios em potes de vidros e em tempos de sorteio há muitos / em nossas pequenas despensas. Risos mofados. / E há núcleos, asas lindas núcleos do céu. Elas mudam. / Ali são suas mãos. / Ali está a vontade de pegar e querer sua mão. / Ali está uma cidade. / Ali estão as ruas. / Ali estão as casas. Ali estão escadarias. Ali estão degraus. / Às vezes subimos mais alto. Às vezes descemos. / Existe uma noite. Dormimos à noite. Existe o dia. / Existem cafeterias, universidades e lojas. Existem escritórios e galerias. / Categoria: Fotos existem. Categoria: Fotos do existem. Categoria: Fotos do existem. / E ali existe um rio.

Poema da filósofa e poeta lituana Aušra Kaziliūnaitė, autora dos livros The First Lithuanian Book (2007), 20% Concentration Camp (2009); The Moon Is a Pill (2014), I Am Crumbled Walls (2016) e Jūros nėra (2020).

 

O ENCANTO DO VERÃO - [...] E quão pouco alcance têm a graça ou a inteligência, em todo caso, se elas só podem ser percebidas através da linguagem. [...]. Trecho extraído da obra El hechizo del verano (Sigilo Editorial, 2023), da escritora e tradutora argentina Virginia Higa, que no seu outro livro, Os sorrentinos (Sigilo, 2018), ela expressa que: [...] Os sorrentinos eram uma massa redonda e recheada inventada por Umberto, o irmão mais velho de Chiche, e batizada em homenagem à cidade de seus pais. O sorrentino não tinha a borda de massa dos pansotti, nem o recheio de carne dos agnolotti, nem continha ricota como os cappelletti. Era uma meia esfera com algum volume, feita com uma massa secreta, macia como uma nuvem, recheada de queijo e presunto. [...].

 

IARA – [...] as habilidades de Iara são a causa de sua desgraça: A guardiã do reino das águas percebeu antes do ataque a ação dos irmãos, e para se defender flechou mortalmente todos eles. Ao tomar conhecimento do fato, o seu pai e pajé, sem buscar o motivo da ação da filha, tomado de dor, decidiu castigá-la. Iara foi obrigada a fugir. Iara escondia-se porque amava o pai e não queria confrontá-lo. Ela dormia camuflada, misturada com a floresta e seus habitantes. A moça não temia onça nem cobra; o único medo era o pai. Tomada pela culpa, passava dias sem encontrar sono. Mantinha-se a maior parte do tempo em vigília, à espreita, pronta para se defender de um ataque. Depois de sete ciclos de lua cheia, o pai encontrou Iara acampada entre árvores. Em uma manhã em que o sol chegou manso e a chuva fina da noite tinha se retirado, o dia fresco embalou o sono de Iara. Assim, o pai amarrou a própria filha, arrastou-a até o encontro voraz entre os rios Negro e Solimões. Iara acordou com a queda nas águas e desceu como uma pedra até as raízes dos rios. O espírito das águas junto ao reino dos peixes protegeu Iara e a transformou em uma mulher peixe. A partir de então, ela tem atraído homens para o fundo dos rios. Em geral, esses homens nunca retornam. Por isso, sua reputação permanece assustando quem passa pelo domínio de suas águas. [...]. Trecho extraído da obra Mulheres e deusas: Como as divindades e os mitos femininos formaram a mulher atual (Harper Collins, 2018), do filósofo, escritor, dramaturgo, roteirista e pesquisador Renato Noguera, também autor da obra O ensino de filosofia e a Lei 10.639 (Pallas, 2015).

 

LOURIVAL BATISTA, O LOURO DO PAJEÚ

Cantar comigo é um risco / quebra pedra, espalha cisco; / vem trovão, e vem corisco; / vem corisco e vem trovão; / desce água em borbotão; / as águas formando tromba / teu açude, agora, arromba / nos oito pés de quadrão!

É muito triste ser pobre; / para mim é um mal perene…/ trocando o ‘p’ pelo ‘n’, / é muito alegre ser nobre;/ sendo ‘c’, é cobre / cobre, figurado, é ouro / botando o ‘t’, fica touro / como a carne e vendo a pele / o ‘t’, sem o traço, é ‘l’ / termino só sendo Louro!

Para Dragão, estás errado, / pois Lourival já te explica: / tira letra, apaga letra, / bota letra e metrifica: / tira o ‘d’, apaga o ‘r’ / bota o ‘c’, vê como fica…

Poemas do repentista e poeta popular Lourival Batista (Lourival Batista Patriota – 1915-1992), o Louro do Pajeú, rei do trocadilho. Em sua homenagem foi publicado o livro Um certo Louro (EduFRN, 2001), pelo poeta e professor Alberto da Cunha Mélo. Veja mais aqui, aqui & aqui.

&

USINA DE ARTE FESTIVAL JAZZ & BLUES

 


Capiba aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Valéria Vicente aqui.

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Ana das Carrancas, a Dama do Barro (Ana Leopoldina dos Santos - 1923-2008) aqui & aqui

Mestre Zé do Carmo (José do Carmo Souza – 1933-2019) aqui.

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&

AS MULHERES NA REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817

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quinta-feira, setembro 23, 2021

CORDEL REPENTEANDO, LUA, UNGARETTI, BRÁULIO TAVARES & SALLIE NICHOLS

 

 

TRÍPTICO DQP – Popoesialar... - Ao som da vinheta Tataritaritatá. - Poesia Popular? Eita! Ah, era quando ia com mãe ou vó pra feira e lá dava de cara com dois repentistas com seu trabalho feito e descascando cada qual a honra e a feiúra um do outro, morria de rir, a ponto de ser arrastado pra casa, de nem poder vê-los rapar a viola. Coisa boa de ver, visse? Ou quando via aquela figura gigantesca do Ascenso cantando das suas, umas e outras, para lá e para cá, chega dava gosto! Lá em casa era pai achegado no meio das suas estantes. Ele até cometia uns sonetos bissextos, enrolado com as lições do Bilac, sapecando uns solos ao violão e a me falar noutras horas do romanceiro dos cordelistas, do cancioneiro popular. Eu que já era de ficar entretido com os trava-línguas, parlendas, pastoris e quadrinhas, ouvia dele coisas de Leandro Gomes de Barros, do Pavão Mysterioso, de Zé da Luz e doutros causos e graças das Literaturas ditas de Cordel. Era galope, martelo, oitava e mourão; era décima, ligeira, sextilha, parcela e quadrão. Era gabinete, toada, gemedeira e rojão pernambucano, quando uma dupla com bandeiro no coco da embolada, quando não outros com dez de adivinhação. Olhos grandes e todo espalhado. Se aprendia? Só Deus sabe o que eu não sei. Até que um dia, no meio da itinerância, lá fui eu noutras voltas, cheio de nó pelas costas a recitar outras Severinas do João Cabral.

 


Lunário perpétuo... – Ao som de Abusão. - De primeira foi assim: inadvertidamente dei de cara com um livrão, sabia lá o que era o Non plus ultra do lunário e prognostico perpetuo, geral e particular para todos os reinos e províncias. Vôte! Nunca tinha visto, apareceu assim do nada sobre a mesa. Estava lá, misterioso. Cá comigo: Que droga é nove? Não era só um livro. Bastou abri-lo assim do nada, logo dele, isso mesmo, das páginas dele uma coisa assim que meio evaporou e fez volume esfumaçado no ar. Só depois de muito tempo é que pude ver que era Vivagina – explico: era como se fosse aquela cabeluda de Bráulio Tavares e a da porteira de Courbet, entende? Pois é. Não demorou muito e a coisa foi ficando mais perturbadora. Logo ouvi a voz de Sallie Nichols: Todas as noites, a Senhora Lua reúne todas as lembranças jogadas fora e todos os sonhos esquecidos da humanidade, guardando-os em sua taça de prata até o despontar da aurora. A seguir, aos primeiros albores, continua a história, todos os sonhos esquecidos e todas as lembranças desprezadas são devolvidas à Terra como seiva da Lua ou orvalho. Misturado às lacrimae lunae, o orvalho nutre e retempera toda a vida sobre a Terra. Graças ao desvelo compassivo da deusa, nada de valor se perde para o homem. Além de precavido, estava cada vez mais curioso. Foi, então, que uma voz de um vulto que emergia do ventre, agigantando-se. E começou a falar de Plutarco: É a morada dos homens bons de sua morte. Levam aí uma vida que não é nem divina, nem feliz, mas, contudo, isenta de preocupação, até a sua segunda morte. Porque o homem deve morrer duas vezes. Danou-se! Procurava entender quando ouvi um poema de Giuseppe Ungaretti: Que estás fazendo, Terra, no / céu? / Diz-me, que estás fazendo, silenciosa / Terra? Entendia patavina! Pensei comigo: melhor fugir. Não deu, algo me trancava naquilo e ouvi do poeta árabe Ibn al-Mottaz (861-908): Olha a beleza do crescente que, acabando de aparecer, rasga as trevas com seus raios de luz. Como uma foice de prata que, entre as flores brilhando na obscuridade, colhe narcisos. A primeira lembrança que ocorre, quando se deseja descrever algo excessivamente belo e mostrar sua extrema perfeição, é dizer: uma face semelhante à Lua. Quanta doidice duma vez só! Era como se a imagem me dissesse tudo isso lido das páginas daquele volume misterioso. De repente a imagem foi ficando mais nítida, a ponto de identificar duas torres, um lago azul e nada mais que conseguisse distinguir no meio da névoa onírica que imperava no ambiente. E era Tales mencionando o corpo sem luz própria que apenas refletia a luz solar. Era Demócrito dizendo que ali era um mundo de montanhas e vales. Era Aristóteles falando das fases lunares. Eram Arisparco de Alexandria e Hiparco medindo a distância entre a Terra e a Lua. Era Newton descobrindo a relação gravitacional. Era Galileu com seu Siderius Nuncius, confirmando Demócrito. E tudo me assustava, nada entendia, impedido de retroceder. Cada vez mais visíveis as duas torres de ouro sedutoras, havia um caminho escuro, não sei se antes alguém já havia passado por isso, acho que sim. O caminho dava numa encruzilhada e eu precisei domar a besta fera que havia em mim – um lobo uivador, nada encoleirado -, e percebia que de um lado estava o dia claro e, do outro, o umbral das horas feiticeiras da noite. Uma imagem de mulher se insinuou mais nítida: em silêncio ela me contemplava – não alcancei suas fases, mas quando a vi, parecia ser a deusa da Lua na Noite Terrível, a me dar sonhos de mistérios ocultos. Só podia ser. Duma feita, ela era Ixchel, a deusa com seus quatrocentos coelhos astecas, a filha de Tialoc. Doutra, uma desconhecida irreconhecível que me mostrava a festa de Heng-Ugo, enquanto me falava que a noite era uma rocha que escondia a história patética dos ritmos da vida e que eu havia de descobrir a iluminação das profundezas, no Mapa da Jornada. Foi neste exato momento que me apareceram os tártaros de Altay, para me contar que ali se escondia um velho canibal que foi raptado da Terra pelos deuses, para poupar a humanidade: eu estaria na boca do lobo. Onde estou? Nem se deram ao trabalho de me responder. Um deles disse: O vir-a-ser - as águas, a chuva, a fertilidade, a vegetação, a fecundidade, os destinos humanos sob a lei da variação periódica. No meio disso, emergiu a raposa Yurugu dos dogons, que me trouxe a primeira palavra divina num sonho iniciático. Foi quando de uma das torres apareceu Ártemis, envolvida por um colar de arco-íris a me apontar o escaravelho e era como se ela dissesse que ele iria me devorar para regeneração moral. Na verdade, pelo que pude adivinhar, ela queria mesmo era me castigar com sua virgindade, a me fazer Hipólito destemido diante de seus cães devoradores, para depois me supliciar. Pensei no seu intento e me surpreendeu ao se tornar Selênia: mostrou-se ciumenta e dominadora, e que eu tinha que pagar pelo que fiz à rainha Artemisa. Eu? Ela tão pálida e fria quanto inconstante, com todo recato virginal, vingava-se sem que eu sentisse por alguma coisa que não sei nem jamais saberia. E ao perceber meu amedrontamento, tomou bruscamente a minha mão e voamos numa revolução elíptica por vinte e sete dias. E me contou da rotação de Domenico Casini, da órbita kepleriana, da carta de Riccioli, da selenografia de Ibn Al-Haytham e Leonardo da Vinci, até a alunissagem, quando me levou pela face oculta até me mostrar os onze mares dali. E me apontou para a outra torre que resplandecia. Sim, eu vi, estava cada vez mais viva e brilhante. Ao me voltar para ela, desaparecia como se morresse na passagem da vida pra noite e vice-versa. O que me esperava, sequer imaginava. Da outra torre, veio-me Hécate: era a Noite Negra da Alma – a Jornada Noturna do Mar. A deusa poderosa sobre o céu e a terra, pareceu-me mais amigável. Não era, engano meu: uma tocha em cada mão e acompanhada de fantasmas e sortilégios, o inferno vivo. Quando olhei pros lados buscando saída, ela mais se agitou e me sequestrou por vinte e oito dias e, ao final, me deu o Nirvana, para que os brâmanes me levassem pelos vinte e oito estados paradisíacos. Ao retornar, ela me abraçou, beijou-me e nos possuímos longa e demoradamente: ela estava insaciável. No horizonte a claridade dava sinal de que eu não havia morrido, prestes ao próximo dia. Foi quando ela me concedeu a propriedade material, o dom da eloquência, e a vitória no jogo e nas batalhas. Presenteou-me com tudo isso, um beijo demorado e voou. Vi-me sozinho, fechei o livro. Tudo desapareceu. Sabia lá que aquilo estava entre Los libros malditos (Edaf Antilhas, 2005), da historiadora Mar Rey Bueno, que, aproveitou o ensejo, e me mostrou o Malleus Maleficarum, o Necronomicon de Abdul Alhazred por Lovecraft de Cthulhu, o Código de Voynich da Lei de Zipf que ninguém conseguiu ler, e eu lá queria saber, dissimulando feliz pela exposição daquelas publicações. Ofereceu-me todos e mais outros volumes que nem tive tempo de sacar quais eram e se foi com um adeus para sempre.

 


Repenteando... – Ao som do cordel Tataritaritatá - Foi aí que tomei pé da situação, depois das muitas e tantas leituras e revivescências, me danei a afinar a viola sem saber direito se cebolinha, cebolão, quatro pontos ou oitavado, qual? Dei aperto na canotilha, ajustei a toeira, dei um grau na turina, já comparando com a requinta, para chegar na prima e me ajeitar pro melhor dedilhado. E fui logo de Manuel Bandeira: Como qualquer violeiro / bom cantador do sertão, / a todos os quais, humilde, / mando minha saudação. E saí repenteando até com um olho só! Isso no embalo da vida, embolando solto, mandando ver na enrolação. Pudesse vir quem quisesse e de qualquer jeito sapecando mote preu glosar de leixa-prem: Não sei se fico ou se corro. Se corro ou se fico. Não sei se fico aqui ou se corro prali. Assim começava, recomeçava e nada de findar. Tudo só para ganhar a simpatia de Iaravi, com coisas impossíveis de Sol e de Lua, presenteando um repente da mulher. Só queria era ver o sorrido dela, coisa mais linda! Afinal, o que é um peido para quem está cagado, hem? Por isso, vou de repente qualquer jeito para ver como é que fica. E feito xexéu: no ano passado eu morri, mas este ano eu não morro. Solto na buraqueira, Cantador no desnorteio & tatataritaritatá! Aí vou contando desde menino que tomou água de chocalho na beira do rio, do que viu da Mãe da Lua e do Urutau, do Lunário Perpétuo e da sua autoria, do que vi e não vi, do que fiz e não fiz, só de uma coisa eu sei: só a poesia torna a vida suportável. Até mais ver.

 

Neste sábado, dia 25, às 16hs, estarei no Ciclo de Poesia Brasileira do Bacellartes, comandado pela Renata Barcellos, contando ainda com a presença da professora e poeta Marcia Ruth Kanitz, do Severino Honorato da Caravana Tin Tin Alves, da pesquisadora Arusha Kelly Carvalho e da doutora Lia Testa.

 

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Vem aí o Programa Tataritaritatá. Enquanto isso, veja mais aqui.

 


sexta-feira, março 20, 2015

SCHOLASTIQUE MUKASONGA, BELOSLAVA DIMITROVA, GÓGOL & ÂNGELA DINIZ

 


ÂNGELA, A LINDA VÍTIMA VILÃ - Ela era uma linda mineira escorpiana e chamava atenção por onde passasse. Era cobiçada por todos, a ponto de, com apenas 17 anos de idade, casar-se e ter filhos. Desquitou-se 9 anos depois, perdendo os filhos em troca de uma mansão em Belo Horizonte e uma pensão mensal. Mantinha-se livre, mantendo relacionamentos esporádicos. Sua vida começou a virar um pandemônio quando o caseiro foi assassinado com um tiro cravado na face. Ela assumiu legítima defesa, acobertando um terceiro, na verdade: circunstâncias jamais esclarecidas. Por isso afastou-se de Minas Gerais e mudou-se pro Rio de Janeiro, quando conheceu o Pantera de Minas, um colunista social afamado. Pouco tempo depois, aproximava-se o natal e foi visitar os filhos em Belo Horizonte. No seu retorno trouxe a filha sem avisar a família do ex-marido: foi acusada de sequestro e condenada a 6 meses de prisão. Os tumultos voltaram à tona quando foi surpreendida por uma denúncia anônima: foi presa sob acusação de esconder maconha na sua residência, admitindo ser viciada em drogas. Badalações, festas e muito glamour na inda para Armação dos Búzios. Findou com três tiros de Beretta no rosto e um na nuca, assassinada em sua casa na Praia dos Ossos. Morta tornou-se a vilã da história. Coisas do Brasil: mata-se em nome de ciúmes e cabeça quente. Assim a história de Ângela Diniz (Ângela Maria Fernandes Diniz – 1944-1976). Veja mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A literatura me salvou. Se eu não pudesse escrever teria enlouquecido... Não me resta nada a não ser a lancinante recriminação de estar viva em meio a todos os meus mortos.... Pensamento da escritora tutsi Scholastique Mukasonga, sobrevivente dos massacres ocorridos na década de 1990 em Ruanda. No seu livro La femme aux pieds nus (Gallimard, 2008), ela narra: [...] Eles queriam dizer a nós, mulheres tutsis: 'Não dê mais à luz porque você dá à luz ao dar à luz. Vocês não são mais portadores de vida, mas portadores de morte. [...]. No seu livro Our Lady of the Nile (Archipelago, 2014), ela expressa: [...] Então você ainda quer fazer o que disse? 'Mais do que nunca! Agora que sou uma heroína, e você também, dirão que é mais uma de nossas façanhas e, acredite, será. — Você sabe muito bem que tudo se baseia nas suas mentiras. 'Não são mentiras, é política. […]. E no seu livro Cockroaches (Archipelago, 2006), ela narra: [...] Nenhum memorial foi construído em Rebero. Nada para comemorar os caídos, exceto pedregulhos e pedras brancas e vermelho-ferrugem. Procuro sinais na colina, cavo o chão. O sol está bem alto. Esta é a hora das miragens. Afasto as pequenas pedras, arranho o chão. Encontro um pedaço de pano esfarrapado meio enterrado na terra. Tento me convencer de que vem da camisa de Antoine. Hesito, então deixo aquela falsa relíquia onde está. Pego uma pedra com uma ponta afiada. Em memória. [...].

 

ALGUÉM FALOU: Todos os dias me dou a chance de nascer de novo... Eu não fujo, prefiro deixar as coisas que não preciso. Não acredito na fuga como um ato... Tenho dentro de mim uma casa, um lugar de onde observo o mundo e onde me sinto confortável... Pensamento da poeta e jornalista búlgara Beloslava Dimitrova, autora do poema Uma pessoa: pois - \ estou a 2.130 metros acima do nível do mar, \ em outras palavras, estou sentado no fim do mundo, \tudo está coberto de vulcões e gêiseres \ expelindo vapor e água saturada de enxofre, \ lembro-me de perguntar novamente como chegamos aqui \ . rock over apontar \ você mostra a banheira cheia de bactérias \ quente e rasa o meio é idêntico \ Espero que desta vez permaneça inalterado \ sem complicações acúmulos modificações \ para finalmente fechar \ as nadadeiras do peixe \ para que eles não se transformará \ em membros \ para que os répteis não rastejem para fora \ e alguns não criem penas \ para que o milagre da evolução não aconteça \ e as pessoas não apareçam \ para que você não apareça de novo \ e muito menos eu. Dela também o poema Antidepressivos: tudo pode ser feito\ desde que você não esteja com\ as pernas cruzadas\ grudadas em mim\ o travesseiro enrolado\ como se fosse seu corpo\ abraçado com dois braços\ não penso e não sonho\ com o passado como prometi\ só recito os dos outros poesia\ cumpro todas as recomendações\ desejo opiniões comigo mesmo\ e não vou escrever\ esse poema\ para não te machucar.

 

DIA INTERNACIONAL DA FELICIDADE – A Organização das Nações Unidas (ONU) consagrou o dia de hoje como o Dia Internacional da Felicidade. A propósito, trago um trecho do livro Felicidade: diálogos sobre o bem-estar na civilização (Companhia das Letras, 2002), do economista, sociólogo e professor Eduardo Giannetti: [...] Discutir a felicidade significa refletir sobre o que é importante na vida. Significa ponderar os méritos relativos de diferentes caminhos e pôr em relevo a extensão do hiato que nos separa, individual e coletivamente, da melhor vida ao nosso alcance. O que havia de errado e o que permanece vivo no projeto iluminista de conquista da felicidade por meio do progresso científico e material? Até que ponto as nossas escolhas têm conduzido à criação de condições adequadas para vidas mais livres e dignas de serem vividas? Que lições tirar das conquistas e desacertos das nações que lideram o processo civilizatório? A civilização entristece o animal humano? Qual deveria ser o peso do prazer na busca da felicidade e qual deveria ser o ligar da felicidade na melhor vida? O conhecer modifica o conhecido, o viver modifica o vivido. As questões da filosofia estão sempre voltando ao ponto de partida. Elas nunca se rendem, elas jamais se esgotam; só o que acaba é o nosso fôlego e a nossa capacidade de enfrenta-las. A humanidade não se coloca apenas os problemas que é capaz de resolver. A fome não garante a existência do alimento capaz de saciá-la. Encaradas de um ponto de vista sóbrio, sob a luz fria e clinica da razão, nossas aspirações de realização e transcendência estão fadadas ao desapontamento. O tamanho da distância entre a mais alta felicidade e a mais funda infelicidade de um homem é produto da nossa fantasia. “A vida que se vive é um desentendimento fluido, uma média alegre entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver”. No fundo do coração humano, entretanto, algo surdo e obstinado resiste; algo indomado protesta a nos dizer que há alguma coisa indefinível pela qual existimos e aspiramos, algo por que vale a pena viver e sofrer. A imaginação selvagem que nos habita em segredo insinua esperanças e inspira sonhos que a razão desautoriza. Os dois lados do embate têm suas armas, têm o seu apelo, têm o seu direito. O grande equívoco é supor que um deles precise ou deva sair vitorioso. A qualidade da tensão é o essencial [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui.

DIANA/ÁRTEMIS - Imagem: Diana - marble (1776), do escultor francês Jean Antoine Houdon (1741-1828) – Gulbekian Foudation, Lisboa - Portugal. - Na mitologia romana, Diana é a deusa da lua, da caça e dos animais selvagens. Muito poderosa e forte, era considerada a deusa pura, filha de Júpiter e de Latona. A sua mais famosa aventura foi transformar o caçador Acteão em um cervo porque a viu nua durante o banho. Não quis se casar e manteve-se casta. É a triformis dea – a deusa das três formas, a Lua: Ártemis, Selene (lua) e Hécate (Trívia), ou seja, a trindade da Lua. A deusa grega Ártemis, filha de Zeus e Leto, é a divindade da caça que traz entre as mãos um arco dourado e um coldre de setas nos ombros, trajando uma túnica de tamanho curto, sendo considerada uma prostituta sagrada e uma virgem responsável pelos partos, associada, portanto, à dupla faceta feminina que, ao mesmo tempo, protege e destrói, concebe e mata. Era irmã gêmea de Apolo e seu desejo desde criança foi pedir a Zeus para circular livremente pelas matas, dispensada da obrigação de casar. As festas em sua homenagem eram dedicadas as danças sensuais em louvor da lua. Ela é o símbolo maior do feminino, da sua autonomia e liberdade. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.

Ouvindo Brasileirança (Kuarup, 2002) do cantor, compositor e violeiro Xangai - Eugênio Avelino. Veja mais aqui e aqui.

AMORES & A ARS AMATÓRIA – O livro Amores & arte de amar (Companhia das Letras, 2011), do poeta e autor teatral romano Publius Ovidus Nasso, conhecido como Ovídio (42aC – 17aC), faz parte das três grandes coleções de poesias eróticas. Ele é considerado o mestre do dístico elegíaco e o último dos elegistas amorosos latinos canônicos, escrevendo sobre amor, sedução, exílio e mitologia. Dessa obra destaco o poema 3 do Livro , na tradução de Carlos Ascenso André: É justo o que peço: que a moça que ainda há pouco me cativou / ou tenha amor por mim ou faça com que tenha eu amor por ela. / Ah, foi demasiado o meu desejo! Que apenas consinta em ser amada, / e já Citereia terá ouvido todas as minhas súplicas. / Aceita quem há de servir-te por longos anos, / aceita quem saberá amar com candura e lealdade. / se não tenho a abonar-me grandes nomes de velhos / avós, se quem me deu o sangue é um cavaleiro / e meus campos não são revolvidos por arados sem conta, / se têm de poupar nas despesas ambos os meus pais, / ao menos, tenho a meu lado Febo e as suas nove companheiras / e o inventor da vinha; / ao menos, tenho aquele que a ti me entrega, o Amor; / ao menos, tenho fidelidade, que a nenhuma outra há de ceder, / e um caráter sem mácula / e uma simplicidade pura e um pudor que me faz corar; / não são mil as que me agradam, não sou um saltitante do amor. / Tu, se alguma fidelidade existe, hás de ter o meu cuidado para sempre; / contigo, quantos anos me concederem os fios tecidos pelas Irmãs, / esses me caiba em sorte vivê-los, e, perante a tua dor, morrer. / Mostra que és feliz por seres assunto de meus poemas, / e meus poemas hão de surgir, dignos de quem os inspirou; / é graças à poesia que têm nome Io, apavorada com seus chifres, / e aquela que um amante enganou, em forma de ave dos rios, / e aquela que sobre os mares foi trazida por um touro a fingir / e com mãos de donzela se agarrou aos chifres recurvos. / Também eu hei de ser cantado, do mesmo modo, no mundo inteiro, / e o meu nome para sempre ficará ligado ao teu. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

Ovide and Corine, his lover from the Amores, painted by Agostino Carracci (1557 - 1602). Veja mais aqui e aqui

TARAS BULBA – O romance histórico Taras Bulba (Alianza, 2010), do escritor ucraniano Nikolai Gógol (1809-1852) conta a história de um velho cossaco e seus dois filhos na guerra contra a Polônia. Ele mata um dos seus filhos: - Eu te dei a luz, eu te matarei!”. O seu outro filho é capturado pelos polacos e é executado: - Pai, estás a me ouvir? Taras, escondido dentro da multidão responde: Sim. E foge depois. Por fim, Taras é capturado em combate e queimado vivo. A história foi transformada em filme estadunidense, em 1962, pouquíssimo baseado na obra, dirigido J. Lee Thompson. Do livro destaco este trecho: [...] Os historiadores descreveram a contento essa campanha. Sabe-se que, na terra russa, a guerra é feita em nome da fé. Uma fé terrível, sem piedade, semelhante a um rochedo inabalável no meio de um mar sempre agitado. A massa rochosa eleva-se das profundezas do oceano, e desgraçado do navio que se chocar com ela! O seu casco será reduzido a pedaços, tudo voará pelos ares e os lamentos de terror dos infelizes marinheiros encherão os ares. A história conta como fugiam as guarnições polonesas das cidades que iam sendo libertadas, como foram enforcados os desalmados arrendatários judeus, a inferioridade revelada pelo oficial da coroa polonesa, Nikolai Pototski, e seu numeroso exercito, perante a cavalgada vitoriosa dos cossacos. Esse general foi completamente batido e metade de seu exercito afogado no rio. Encurralado na região de Poloniel pelos cossacos, Pototski jurou solenemente que faria conceder aos cossacos, da parte do rei e do governo da Polonia, todas as liberdades e restituir-lhes os antigos privilégios. Os cossacos, porém, conheciam o valor dessas promessas. Potorski não teria mais oportunidade de desfilar com seu cavalo puro-sangue na frente das damas, nem poderia mais oferecer festas suntuosas aos senadores da dieta, se o clero russo de Poloniel não o tivesse salvo. Quando todos os popes, com suas casulas bordadas a ouro, com ícones e cruzes nas mãos, e levando à frente seu bispo com mitra e báculo, saíram ao encontro do exército vencedor, os cossacos descobriram e inclinaram a cabeça. Nenhum poder humano, nem mesmo o rei, teria sido capaz de submetê-los, mas inclinavam-se perante os popes. O atamã resolveu com seus coronéis deixar partir Pototski, depois de esse ter jurado que as igrejas seriam respeitadas e que o exercito cossaco tomaria posse de seus antigos direitos. Só um coronel não concordou com aquela paz: Taras Bulba. Arrancando um punhado de cabelo da cabeça, gritou: - Ei, atamã, coronéis! Não façam esses arranjos de mulheres! Não creiam nos poloneses, pois eles nos trairão! E, quando o escrivão principal leu o texto do tratado e o comandante o assinou, Bulba ergueu seu sabre de aço damasquino e o quebrou pela metade, como quem quebra uma vara e, jogando longe os pedaços, exclamou: - Adeus! Assim como os dois pedaços deste sabre não voltarão a ser uma só arma, também nós, camaradas, não voltaremos a nos ver neste mundo [...]. Veja mais aqui, aquiaqui.



BLACK WIDOW – O suspense Black Widow (O mistério da viúva negra, 1987), dirigido por Bob Rafelson, conta a história de uma rica e bela mulher, Catherine Petersen que tem sua forma elevada cada vez que se casa e mata seus maridos ricos. Após receber a herança, ela desaparece e assume nova identidade para se preparar para um novo golpe. O destaque do filme vai para a linda atriz estadunidense Theresa Russel. Veja mais aqui.

 


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Georg Lukács, Jacques Lacan, Samuel Beckett, a literatura de Henry James, a música Morton Subotnick, o cinema de Jane Campion & Nicole Kidman, a pintura de Aurélio D'Alincourt, o desenho Fady Morris & a poesia de Dorothy Castro aqui.
O Cravo & a Rosa, a literatura de Antônio Torres, Clitemnestra & Oréstia, A música de Elis Regina, Antônio Maria & Clara Redig, o cinema de Bernardo Bertolucci & Maria Schneider, a pintura de Antoine-Jean Gros & Pierre-Narcisse Guérin & Programa Tataritaritatá aqui.
Brincarte do Nitolino, a poesia de Stéphane Mallarmé, a literatura de John Updike, a música de Guerra-Peixe, o teatro de Ingrid Koudela, a pintura de Frank Frazetta, o cinema de Luc Besson & Scarlett Johansson aqui.
Pesquisa & Cia., O Big Bang de Marcelo Gleiser, a literatura de Fernando Sabino & Minna Canth, Juno/Hera, a música de Eliane Elias, a pintura de Alonso Cano, o cinema de Bigas Luna & Francesca Neri aqui.
A vida por uma peínha de nada, As mil e uma noites, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a crise da atualidade de Ivo Tonet, a violência de Necilda de Moura Santana, a pintura de Vincent van Gogh & Umberto Boccioni, o teatro de Caryl Churchill, a música de Eveline Hecker, a coreografia de Angelin Preljocaj, a escultura de Kaleb Martyn, o cinema de Christine Jeffs, Luciah Lopez & Sonho real amanhecido aqui.
Dia de São Nunca: tem dia pra tudo, até pro que eu não sei, A mulher fenícia & os fenícios, Uso e abuso histórico de Moses Finley, A era do globalismo de Octavio Ianni, A grande transformação de Karl Polanyi, a literatura de Antonio Tabuchi, o teatro de Sarah Kane, Béjart Ballet Lausanne, o cinema de Eliane Caffé, a música de Clara Sandroni, a entrevista de Mano Melo, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a arte de Sueli Finoto, a pintura de Shahla Rosa & Arthur Hunter-Blair aqui.
De perto ninguém é mesmo normal, O coração do homem de Erich Fromm, A civilização asteca de Jean Marcilly, a literatura de Edgar Allan Poe & Euclides da Cunha, a música de Maya Beiser, a escultura de Auguste Clésinger, o teatro de José Celso Martinez Corrêa, o cinema de Peter Greenaway & Federico Fellini, a entrevista de Geraldo Carneiro, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a pintura de Jean-Paul Riopelle & Beatriz Milhazes, a dança de Martha Graham, a fotografia de Luiz Garrido, a arte de Paul-Albert Besnard & As mil faces do disfarce aqui.
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NORA NADJARIAN, LAUREN WEISBERGER, CAROLINE DEAN, MAGDALE ALVES & CARMEN CAMUSO

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som do álbum The Changing Sky (2025), da violonista e premiada compositora britânica Laura Snowden .   ...