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sexta-feira, março 20, 2015

SCHOLASTIQUE MUKASONGA, BELOSLAVA DIMITROVA, GÓGOL & ÂNGELA DINIZ

 


ÂNGELA, A LINDA VÍTIMA VILÃ - Ela era uma linda mineira escorpiana e chamava atenção por onde passasse. Era cobiçada por todos, a ponto de, com apenas 17 anos de idade, casar-se e ter filhos. Desquitou-se 9 anos depois, perdendo os filhos em troca de uma mansão em Belo Horizonte e uma pensão mensal. Mantinha-se livre, mantendo relacionamentos esporádicos. Sua vida começou a virar um pandemônio quando o caseiro foi assassinado com um tiro cravado na face. Ela assumiu legítima defesa, acobertando um terceiro, na verdade: circunstâncias jamais esclarecidas. Por isso afastou-se de Minas Gerais e mudou-se pro Rio de Janeiro, quando conheceu o Pantera de Minas, um colunista social afamado. Pouco tempo depois, aproximava-se o natal e foi visitar os filhos em Belo Horizonte. No seu retorno trouxe a filha sem avisar a família do ex-marido: foi acusada de sequestro e condenada a 6 meses de prisão. Os tumultos voltaram à tona quando foi surpreendida por uma denúncia anônima: foi presa sob acusação de esconder maconha na sua residência, admitindo ser viciada em drogas. Badalações, festas e muito glamour na inda para Armação dos Búzios. Findou com três tiros de Beretta no rosto e um na nuca, assassinada em sua casa na Praia dos Ossos. Morta tornou-se a vilã da história. Coisas do Brasil: mata-se em nome de ciúmes e cabeça quente. Assim a história de Ângela Diniz (Ângela Maria Fernandes Diniz – 1944-1976). Veja mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A literatura me salvou. Se eu não pudesse escrever teria enlouquecido... Não me resta nada a não ser a lancinante recriminação de estar viva em meio a todos os meus mortos.... Pensamento da escritora tutsi Scholastique Mukasonga, sobrevivente dos massacres ocorridos na década de 1990 em Ruanda. No seu livro La femme aux pieds nus (Gallimard, 2008), ela narra: [...] Eles queriam dizer a nós, mulheres tutsis: 'Não dê mais à luz porque você dá à luz ao dar à luz. Vocês não são mais portadores de vida, mas portadores de morte. [...]. No seu livro Our Lady of the Nile (Archipelago, 2014), ela expressa: [...] Então você ainda quer fazer o que disse? 'Mais do que nunca! Agora que sou uma heroína, e você também, dirão que é mais uma de nossas façanhas e, acredite, será. — Você sabe muito bem que tudo se baseia nas suas mentiras. 'Não são mentiras, é política. […]. E no seu livro Cockroaches (Archipelago, 2006), ela narra: [...] Nenhum memorial foi construído em Rebero. Nada para comemorar os caídos, exceto pedregulhos e pedras brancas e vermelho-ferrugem. Procuro sinais na colina, cavo o chão. O sol está bem alto. Esta é a hora das miragens. Afasto as pequenas pedras, arranho o chão. Encontro um pedaço de pano esfarrapado meio enterrado na terra. Tento me convencer de que vem da camisa de Antoine. Hesito, então deixo aquela falsa relíquia onde está. Pego uma pedra com uma ponta afiada. Em memória. [...].

 

ALGUÉM FALOU: Todos os dias me dou a chance de nascer de novo... Eu não fujo, prefiro deixar as coisas que não preciso. Não acredito na fuga como um ato... Tenho dentro de mim uma casa, um lugar de onde observo o mundo e onde me sinto confortável... Pensamento da poeta e jornalista búlgara Beloslava Dimitrova, autora do poema Uma pessoa: pois - \ estou a 2.130 metros acima do nível do mar, \ em outras palavras, estou sentado no fim do mundo, \tudo está coberto de vulcões e gêiseres \ expelindo vapor e água saturada de enxofre, \ lembro-me de perguntar novamente como chegamos aqui \ . rock over apontar \ você mostra a banheira cheia de bactérias \ quente e rasa o meio é idêntico \ Espero que desta vez permaneça inalterado \ sem complicações acúmulos modificações \ para finalmente fechar \ as nadadeiras do peixe \ para que eles não se transformará \ em membros \ para que os répteis não rastejem para fora \ e alguns não criem penas \ para que o milagre da evolução não aconteça \ e as pessoas não apareçam \ para que você não apareça de novo \ e muito menos eu. Dela também o poema Antidepressivos: tudo pode ser feito\ desde que você não esteja com\ as pernas cruzadas\ grudadas em mim\ o travesseiro enrolado\ como se fosse seu corpo\ abraçado com dois braços\ não penso e não sonho\ com o passado como prometi\ só recito os dos outros poesia\ cumpro todas as recomendações\ desejo opiniões comigo mesmo\ e não vou escrever\ esse poema\ para não te machucar.

 

DIA INTERNACIONAL DA FELICIDADE – A Organização das Nações Unidas (ONU) consagrou o dia de hoje como o Dia Internacional da Felicidade. A propósito, trago um trecho do livro Felicidade: diálogos sobre o bem-estar na civilização (Companhia das Letras, 2002), do economista, sociólogo e professor Eduardo Giannetti: [...] Discutir a felicidade significa refletir sobre o que é importante na vida. Significa ponderar os méritos relativos de diferentes caminhos e pôr em relevo a extensão do hiato que nos separa, individual e coletivamente, da melhor vida ao nosso alcance. O que havia de errado e o que permanece vivo no projeto iluminista de conquista da felicidade por meio do progresso científico e material? Até que ponto as nossas escolhas têm conduzido à criação de condições adequadas para vidas mais livres e dignas de serem vividas? Que lições tirar das conquistas e desacertos das nações que lideram o processo civilizatório? A civilização entristece o animal humano? Qual deveria ser o peso do prazer na busca da felicidade e qual deveria ser o ligar da felicidade na melhor vida? O conhecer modifica o conhecido, o viver modifica o vivido. As questões da filosofia estão sempre voltando ao ponto de partida. Elas nunca se rendem, elas jamais se esgotam; só o que acaba é o nosso fôlego e a nossa capacidade de enfrenta-las. A humanidade não se coloca apenas os problemas que é capaz de resolver. A fome não garante a existência do alimento capaz de saciá-la. Encaradas de um ponto de vista sóbrio, sob a luz fria e clinica da razão, nossas aspirações de realização e transcendência estão fadadas ao desapontamento. O tamanho da distância entre a mais alta felicidade e a mais funda infelicidade de um homem é produto da nossa fantasia. “A vida que se vive é um desentendimento fluido, uma média alegre entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver”. No fundo do coração humano, entretanto, algo surdo e obstinado resiste; algo indomado protesta a nos dizer que há alguma coisa indefinível pela qual existimos e aspiramos, algo por que vale a pena viver e sofrer. A imaginação selvagem que nos habita em segredo insinua esperanças e inspira sonhos que a razão desautoriza. Os dois lados do embate têm suas armas, têm o seu apelo, têm o seu direito. O grande equívoco é supor que um deles precise ou deva sair vitorioso. A qualidade da tensão é o essencial [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui.

DIANA/ÁRTEMIS - Imagem: Diana - marble (1776), do escultor francês Jean Antoine Houdon (1741-1828) – Gulbekian Foudation, Lisboa - Portugal. - Na mitologia romana, Diana é a deusa da lua, da caça e dos animais selvagens. Muito poderosa e forte, era considerada a deusa pura, filha de Júpiter e de Latona. A sua mais famosa aventura foi transformar o caçador Acteão em um cervo porque a viu nua durante o banho. Não quis se casar e manteve-se casta. É a triformis dea – a deusa das três formas, a Lua: Ártemis, Selene (lua) e Hécate (Trívia), ou seja, a trindade da Lua. A deusa grega Ártemis, filha de Zeus e Leto, é a divindade da caça que traz entre as mãos um arco dourado e um coldre de setas nos ombros, trajando uma túnica de tamanho curto, sendo considerada uma prostituta sagrada e uma virgem responsável pelos partos, associada, portanto, à dupla faceta feminina que, ao mesmo tempo, protege e destrói, concebe e mata. Era irmã gêmea de Apolo e seu desejo desde criança foi pedir a Zeus para circular livremente pelas matas, dispensada da obrigação de casar. As festas em sua homenagem eram dedicadas as danças sensuais em louvor da lua. Ela é o símbolo maior do feminino, da sua autonomia e liberdade. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.

Ouvindo Brasileirança (Kuarup, 2002) do cantor, compositor e violeiro Xangai - Eugênio Avelino. Veja mais aqui e aqui.

AMORES & A ARS AMATÓRIA – O livro Amores & arte de amar (Companhia das Letras, 2011), do poeta e autor teatral romano Publius Ovidus Nasso, conhecido como Ovídio (42aC – 17aC), faz parte das três grandes coleções de poesias eróticas. Ele é considerado o mestre do dístico elegíaco e o último dos elegistas amorosos latinos canônicos, escrevendo sobre amor, sedução, exílio e mitologia. Dessa obra destaco o poema 3 do Livro , na tradução de Carlos Ascenso André: É justo o que peço: que a moça que ainda há pouco me cativou / ou tenha amor por mim ou faça com que tenha eu amor por ela. / Ah, foi demasiado o meu desejo! Que apenas consinta em ser amada, / e já Citereia terá ouvido todas as minhas súplicas. / Aceita quem há de servir-te por longos anos, / aceita quem saberá amar com candura e lealdade. / se não tenho a abonar-me grandes nomes de velhos / avós, se quem me deu o sangue é um cavaleiro / e meus campos não são revolvidos por arados sem conta, / se têm de poupar nas despesas ambos os meus pais, / ao menos, tenho a meu lado Febo e as suas nove companheiras / e o inventor da vinha; / ao menos, tenho aquele que a ti me entrega, o Amor; / ao menos, tenho fidelidade, que a nenhuma outra há de ceder, / e um caráter sem mácula / e uma simplicidade pura e um pudor que me faz corar; / não são mil as que me agradam, não sou um saltitante do amor. / Tu, se alguma fidelidade existe, hás de ter o meu cuidado para sempre; / contigo, quantos anos me concederem os fios tecidos pelas Irmãs, / esses me caiba em sorte vivê-los, e, perante a tua dor, morrer. / Mostra que és feliz por seres assunto de meus poemas, / e meus poemas hão de surgir, dignos de quem os inspirou; / é graças à poesia que têm nome Io, apavorada com seus chifres, / e aquela que um amante enganou, em forma de ave dos rios, / e aquela que sobre os mares foi trazida por um touro a fingir / e com mãos de donzela se agarrou aos chifres recurvos. / Também eu hei de ser cantado, do mesmo modo, no mundo inteiro, / e o meu nome para sempre ficará ligado ao teu. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

Ovide and Corine, his lover from the Amores, painted by Agostino Carracci (1557 - 1602). Veja mais aqui e aqui

TARAS BULBA – O romance histórico Taras Bulba (Alianza, 2010), do escritor ucraniano Nikolai Gógol (1809-1852) conta a história de um velho cossaco e seus dois filhos na guerra contra a Polônia. Ele mata um dos seus filhos: - Eu te dei a luz, eu te matarei!”. O seu outro filho é capturado pelos polacos e é executado: - Pai, estás a me ouvir? Taras, escondido dentro da multidão responde: Sim. E foge depois. Por fim, Taras é capturado em combate e queimado vivo. A história foi transformada em filme estadunidense, em 1962, pouquíssimo baseado na obra, dirigido J. Lee Thompson. Do livro destaco este trecho: [...] Os historiadores descreveram a contento essa campanha. Sabe-se que, na terra russa, a guerra é feita em nome da fé. Uma fé terrível, sem piedade, semelhante a um rochedo inabalável no meio de um mar sempre agitado. A massa rochosa eleva-se das profundezas do oceano, e desgraçado do navio que se chocar com ela! O seu casco será reduzido a pedaços, tudo voará pelos ares e os lamentos de terror dos infelizes marinheiros encherão os ares. A história conta como fugiam as guarnições polonesas das cidades que iam sendo libertadas, como foram enforcados os desalmados arrendatários judeus, a inferioridade revelada pelo oficial da coroa polonesa, Nikolai Pototski, e seu numeroso exercito, perante a cavalgada vitoriosa dos cossacos. Esse general foi completamente batido e metade de seu exercito afogado no rio. Encurralado na região de Poloniel pelos cossacos, Pototski jurou solenemente que faria conceder aos cossacos, da parte do rei e do governo da Polonia, todas as liberdades e restituir-lhes os antigos privilégios. Os cossacos, porém, conheciam o valor dessas promessas. Potorski não teria mais oportunidade de desfilar com seu cavalo puro-sangue na frente das damas, nem poderia mais oferecer festas suntuosas aos senadores da dieta, se o clero russo de Poloniel não o tivesse salvo. Quando todos os popes, com suas casulas bordadas a ouro, com ícones e cruzes nas mãos, e levando à frente seu bispo com mitra e báculo, saíram ao encontro do exército vencedor, os cossacos descobriram e inclinaram a cabeça. Nenhum poder humano, nem mesmo o rei, teria sido capaz de submetê-los, mas inclinavam-se perante os popes. O atamã resolveu com seus coronéis deixar partir Pototski, depois de esse ter jurado que as igrejas seriam respeitadas e que o exercito cossaco tomaria posse de seus antigos direitos. Só um coronel não concordou com aquela paz: Taras Bulba. Arrancando um punhado de cabelo da cabeça, gritou: - Ei, atamã, coronéis! Não façam esses arranjos de mulheres! Não creiam nos poloneses, pois eles nos trairão! E, quando o escrivão principal leu o texto do tratado e o comandante o assinou, Bulba ergueu seu sabre de aço damasquino e o quebrou pela metade, como quem quebra uma vara e, jogando longe os pedaços, exclamou: - Adeus! Assim como os dois pedaços deste sabre não voltarão a ser uma só arma, também nós, camaradas, não voltaremos a nos ver neste mundo [...]. Veja mais aqui, aquiaqui.



BLACK WIDOW – O suspense Black Widow (O mistério da viúva negra, 1987), dirigido por Bob Rafelson, conta a história de uma rica e bela mulher, Catherine Petersen que tem sua forma elevada cada vez que se casa e mata seus maridos ricos. Após receber a herança, ela desaparece e assume nova identidade para se preparar para um novo golpe. O destaque do filme vai para a linda atriz estadunidense Theresa Russel. Veja mais aqui.

 


Veja mais sobre:
O beijo que se faz poema aqui.

E mais:
O beijo dela de sol na minha vida de lua aqui.
Itinerário do final de semana num lugar que não existe, O beijo de Théodore Géricault & Carla Carson, Cartografia Rumos, a pintura de Luis Rodolfo & James Ensor aqui.
O pensamento de György Lukács aqui e aqui.
O pensamento de Jacques Lacan aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A arte de Samuel Beckett aqui e aqui.
Georg Lukács, Jacques Lacan, Samuel Beckett, a literatura de Henry James, a música Morton Subotnick, o cinema de Jane Campion & Nicole Kidman, a pintura de Aurélio D'Alincourt, o desenho Fady Morris & a poesia de Dorothy Castro aqui.
O Cravo & a Rosa, a literatura de Antônio Torres, Clitemnestra & Oréstia, A música de Elis Regina, Antônio Maria & Clara Redig, o cinema de Bernardo Bertolucci & Maria Schneider, a pintura de Antoine-Jean Gros & Pierre-Narcisse Guérin & Programa Tataritaritatá aqui.
Brincarte do Nitolino, a poesia de Stéphane Mallarmé, a literatura de John Updike, a música de Guerra-Peixe, o teatro de Ingrid Koudela, a pintura de Frank Frazetta, o cinema de Luc Besson & Scarlett Johansson aqui.
Pesquisa & Cia., O Big Bang de Marcelo Gleiser, a literatura de Fernando Sabino & Minna Canth, Juno/Hera, a música de Eliane Elias, a pintura de Alonso Cano, o cinema de Bigas Luna & Francesca Neri aqui.
A vida por uma peínha de nada, As mil e uma noites, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a crise da atualidade de Ivo Tonet, a violência de Necilda de Moura Santana, a pintura de Vincent van Gogh & Umberto Boccioni, o teatro de Caryl Churchill, a música de Eveline Hecker, a coreografia de Angelin Preljocaj, a escultura de Kaleb Martyn, o cinema de Christine Jeffs, Luciah Lopez & Sonho real amanhecido aqui.
Dia de São Nunca: tem dia pra tudo, até pro que eu não sei, A mulher fenícia & os fenícios, Uso e abuso histórico de Moses Finley, A era do globalismo de Octavio Ianni, A grande transformação de Karl Polanyi, a literatura de Antonio Tabuchi, o teatro de Sarah Kane, Béjart Ballet Lausanne, o cinema de Eliane Caffé, a música de Clara Sandroni, a entrevista de Mano Melo, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a arte de Sueli Finoto, a pintura de Shahla Rosa & Arthur Hunter-Blair aqui.
De perto ninguém é mesmo normal, O coração do homem de Erich Fromm, A civilização asteca de Jean Marcilly, a literatura de Edgar Allan Poe & Euclides da Cunha, a música de Maya Beiser, a escultura de Auguste Clésinger, o teatro de José Celso Martinez Corrêa, o cinema de Peter Greenaway & Federico Fellini, a entrevista de Geraldo Carneiro, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a pintura de Jean-Paul Riopelle & Beatriz Milhazes, a dança de Martha Graham, a fotografia de Luiz Garrido, a arte de Paul-Albert Besnard & As mil faces do disfarce aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tetaritaritatá
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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sexta-feira, novembro 11, 2011

BENEDETTI, MAGGIE JACKSON, FUGUET, TESI, SIEGEL, KEEN, LITERÓTICA & CANTARAU

 

A arte da fotógrafa e artista visual italiana Alessandra Tesi.

 



TRAQUINAGENS LIBIDINOSAS NAS TARDES, NOITES E DIAS DO AMOR – Imagem: art by Kenal Louis - As provocações sedutoras de Ísis me enlouquecem pelas mais mirabolantes fantasias imperdíveis e jamais ousadas noites, tardes e dias adentro. Tudo começa do nada quando ela ousa tocar minha mão e puxar meu dedo médio para esfregar nos lábios, lambê-lo por toda extensão e depois engolí-lo calma e lentamente semicerrando os olhos quais duas andorinhas em vôos rasantes ao crepúsculo prontos para se recolherem para degustar algo do mais alto teor ao paladar. Às vezes até quando chega esbaforida, requerente, fuviando, com um beijo guloso e as mãos devastadoras para logo meu roubar o sentido e toda consciência. Logo ela se dá acocorada com todo o charme, rencostada na parede, esfregando a face na minha pica ainda encoberta pelas minhas vestes, sussurando pra si querer esse pêssego adorado, até arrancá-lo robusto de dentro das minhas vestes já pronto e armado para lhe roçar as carnes e luxúrias. Ali ela suspira agarrada para os arremates de seus lábios sensuais sofisticados com miúdos beijinhos na ponta da glande, encarando-o condescendentemente entre suas mãos quentes umedecidas e seguras diante da presença da grossura roliça que lhe é irresistível. E de praxe na sua calamidade ela beija, lambe, chupa e engole o que tanto lhe apraz, a arremedar ao seu bel prazer loas de si para si que se ela quer prazer que aguente na urgência dos seus quereres e prazeres. E com meu caralho à tona, ela ninfa felatriz mais que libertina lambe e enxagua toda tomada pelo inevitável de prender a respiração e engolir sugando tudo. Ela me dá a língua estirada, obsessiva e indócil. E eu a míngua, arrepio com ela agarrada freneticamente ao meu pau ambicionado como quem empunha uma garrafa de champanhe para se embriagar e enlouquecida, premente, abocanhando a glande, gemendo com se solfejando uma canção no microfone, com as duas mãos pra dar rumo à sua língua saliente se deliciando com a textura, a recuperar o fôlego com a genitália em fogo, feito uma Linda Lovelace que engole tudo de ver-lhe a saliência na garganta, bebendo a minha cachoeira. Quando não é ela que chega desvestindo todas as suas amarras para expor a nudez mais delirante de flagrar-lhe o cuzinho estonteantemente palpitante a me aguçar a fome e o desejo de invadir-lhe ali mesmo, enquanto apanha propositalmente nada de qualquer ninharia no chão. Ah, jamais há como resistir à tamanha sedução. Logo eu me envolvo no seu jogo sedutor, sentindo-lhe a carne que toda treme latejando com todo desespero do prazer, até sentir seu corpo todo recurvado entregue às fantasias mais safadas como se fosse o meu parque de diversão na mesa de cerejeira onde ela expõe a sua autopunição, redimindo de todos os seus pecados, virgem santa puta feita que quer lavar a culpa, dessacralizar a alma, toda escancarada para eu enfiar o meu caralho duro na sua vagina suplicante, abrindo bem suas suas pernas, separando as coxas ao máximo, para enterrar fundo e reenterrar possuindo, repossuindo e ela atravessada de gratidão me premiando toda assimetria acalorada à altura das cadeiras, pernas esticadas e o seu mundo todo ao meu dispor. Quando não ela de costas esfregando o rabo arrebitado no meu ventre recém-chegado da labuta, explorando com minhas mãos sua priquita inchada que mais crescia de tanta querência, vasculhando seus seios, ela gemendo safada aos grunhidos manhosos e abrindo o zíper da braguilha para sentir meu membro rijo flexionado entre os dedos e mexendo no rego da bunda, surtindo efeito ao tocar o seu cuzinho que mais parecia piscar de querer, fungando no seu cangote as maiores indecências com meu bafo sedento na nuca arrepiada, ela toda encostada e incontrolável, saias na cabeça, calcinha ao léu, carne nua, a me chamar seu nego, seu dengo, seu prurido que será aliviado com o supusitório que ela empunha como escolha e opção para tudo, pra sua salvação, e ajeita na beira do precipício para que eu seja a rola guardiã do seu suicídio, remédio dos seus suplícios e brinca de enfiá-lo no seu forno em brasa para lambuzá-lo e facilitar a troca de tê-lo introduzido no seu ânus do jeito que ela gosta, reboladeira, bundeira safada que depois de atravessada completamente, vira-se abruptamente, ergue a coxa, expõe a xoxota e é ali que minha pica fica acesa e rola no sisifismo do prazer, a se virar e revirar como se colhesse e recolhesse toda minha volúpia e não resistisse à tentação remexendo, eu explorando os aclives e declives dos seus seios e ela cavalgando gemedora aos pulos sobre os calcanhares, com minha pica gloriosa dentro dela, até a gente se esporrar enlouquecidamente. Não há alívio, só breve trégua quando largada sobre meu corpo no torpor do gozo, não arredando pé de estar colada ao meu caralho que é o seu déspota para violar todas as suas interdições, o inexorável em fodê-la arrancando todas as fechaduras e trancas, o verdugo priápico mais ousado de desvelar todos os seus segredos e mistérios, o mais intransigente dos ditadores pra gozar na sua boca apetitosa, o mais intrépido dos bandidos pra recolher todos os gozos na sua cheba gostosa, o mais egoísta dos mandões quando gozar no seu cuzinho palpitante, o maior de todos os ladrões para roubar como viciado canibal priapo a se apossar antropófago incorrigivel de tudo que é seu de corpo e alma. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aquiaqui.

Imagem: Galatea and the Argonauts, 1600, do pintor do Barroco italiano, Agostino Carracci (1557-1602). Veja mais aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOSDepois de tantas notícias, novelas e realidades, a crise financeira, o dólar, a cabeça está em outro lugar para poder descansar. A esta altura, parece difícil conseguir relaxar, mesmo que seja por alguns minutos para agradecer e dizer “nestes momentos não há nada que tenha mais valor do que dormir em paz”. Cuidado, ele trava porque entre tantas coisas é fácil perder a concentração. Algo está afetando nossa capacidade de estar atentos. Com consequências muito mais danosas do que pensamos. Viver seduzido por mundos virtuais, deslumbrado por pessoas que parecem fazer mil coisas ao mesmo tempo, a tecnologia que em tese nos conecta e uma obsessão frenética de nos sentirmos em constante movimento, são os fundamentos a partir dos quais a distração que está mudando nossos velhos hábitos da compreensão surge. Tempo e espaço para sempre. Pensamento da jornalista e escritora estadunidense Maggie Jackson, autora do livro Distracted: The Erosion of Attention and the Coming Dark Age (Prometheus, 2008), ao inquirir: Que tipo de humano queremos ser, hoje e no futuro? Sobre o livro ela diz: A ideia principal do livro é muito simples. O modo como vivemos está corroendo nossa capacidade de realmente prestar atenção aos acontecimentos da vida, que é a essência de nossa intimidade, sabedoria e progresso social. Na obra ela afirma que o ser humano não é capaz de usar as suas habilidades de pensamento de ordem superior quando está sempre distraído, mostrando que a falta de foco dos profissionais contemporâneos traz prejuízos para as empresas e para eles mesmos, bem como os níveis perigosos atingidos por esse fenômeno: Pessoas que conseguem se concentrar melhor tendem a ter menos medos, frustrações, tristezas e momentos de depressão. Isso basicamente porque aproveitam mais os detalhes da vida. Conforme a autora: as interrupções consomem 28% do dia de uma profissional durante o período de trabalho; uma trabalhadora troca de atividade a cada três minutos, incluindo o uso de celulares, e-mails e mensagens instantâneas. Uma vez distraída leva quase meia hora para reassumir o ritmo original. Aquela que executa atividades rotineiras, quando interrompida, costuma ficar mais frustrada e sofrer de estresse intenso. A pressão para cumprir prazos estimula o foco e a objetividade, permitindo que a profissional seja mais criativa do que quando está dispersa ou é interrompida. Quando assistem TV os pais interagem 20% menos com seus filhos e passam a dar respostas automáticas a qualquer coisa que digam. Como sugestão ela sugere a meditação como uma das saídas para aumentar a capacidade de atenção, como também jogar RPG, tênis ou jogos de vídeo game que incluam outras pessoas; escrever textos ou poesias; ou praticar artes marciais.

 

ALGUÉM FALOU: A web é melhor para os idiotas. No campo dos prós, eu salientaria as pessoas talentosas que não estão nos meios de comunicação. Elas agora têm voz e um meio para transmiti-la. Conseguem contornar as grandes vias de expressão como as redes de TV, as editoras e as gravadoras. Isso é muito bom. Do lado dos contras, a rede encoraja as pessoas a dizer o que lhes vem à cabeça, encoraja as mais baixas formas de expressão, como a crueldade, a banalidade e a mentira. Ela encoraja a autopromoção. A internet está acelerando a “comoditização” da vida privada, tornando a vida das pessoas um objeto de consumo. A grande verdade é que a internet é melhor para os provocadores e para os idiotas, infelizmente. Os blogs são como o espelho de Narciso. Na tela do pc,  as pessoas vêem o reflexo da própria perdição. Pensamento do escritor e crítico estadunidense Lee Siegel.

 

CULTO DO AMADOR – [...] À medida que a mídia convencional tradicional é substituída por uma imprensa personalizada, a internet torna-se um espelho de nós mesmos. [...] O negócio da informação está sendo transformada pela internet no puro barulho de 100 milhões de blogueiros, todos falando simultaneamente sobre si mesmos. [...] O culto ao amador tornou cada vez mais difícil determinar a diferença entre leitor e escritor, artista e relações públicas, arte e publicidade, amador e especialista. [...] O que talvez não percebamos é que o gratuito está de fato nos custando uma fortuna. [...] Hoje, numa web em que todo mundo tem a mesma voz, as palavras de um sábio não contam mais que os balbucios de um tolo. [...] Usamos a web para confirmar nossas próprias ideias partidárias e nos aliar a outros com as mesmas ideologias. [...]. Trechos extraídos da obra O Culto do Amador (Zahar, 2007), do escritor estadunidense Andrew Keen, expressando que todos estamos na era onde o amadorismo domina a produção da informação e isso, para ele, traz sérias consequências na vida, na economia e na cultura tradicional.

 

MALA ONDA – [...] Fico pesado que as pessoas esperem coisas de mim. Isso me enreda, me complica, me obriga a responder. [...] Uma boa memória foi apagada e é difícil sentir novamente o que você sentiu naquele momento. Quando a pessoa se sente muito como ovas, a dor volta fácil. É isso, não mais. [...] Estar ao seu lado (que eu acho que é exatamente onde eu quero estar) é equivalente a estar ainda mais sozinho. [...] Mas o mundo é assim, inversamente proporcional às necessidades e desejos de cada um. [...]. Trechos extraídos da obra Mala onda (Planeta, 1991), do escritor, jornalista e cineasta chileno Alberto Fuguet.

 

UM POEMA - TE QUERO: Tuas mãos são minha carícia / Meus acordes cotidianos / Te quero porque tuas mãos / Trabalham pela justiça / Se te quero é porque tu és / Meu amor, meu cúmplice e tudo / E na rua lado a lado / Somos muito mais que dois / Teus olhos são meu conjuro / Contra a má jornada / Te quero por teu olhar / Que olha e semeia futuro / Tua boca que é tua e minha / Tua boca não se equivoca / Te quero porque tua boca / Sabe gritar rebeldia / Se te quero é porque tu és / Meu amor, meu cúmplice e tudo / E na rua lado a lado / Somos muito mais que dois / E por teu rosto sincero / E teu passo vagabundo / E teu pranto pelo mundo / Porque és povo te quero / E porque o amor não é auréola / Nem cândida moral / E porque somos casal / Que sabe que não está só / Te quero em meu paraíso / E dizer que em meu país / As pessoas vivem felizes / Embora não tenham permissão / Se te quero é porque tu és / Meu amor, meu cúmplice e tudo / E na rua lado a lado / Somos muito mais que dois. Poema  do poeta uruguaio do compromisso e cronista dos sentimentos, Mario Benedetti (1920-2009). Veja mais aqui e aqui.

 

OUTRAS DICAS

 

SETE ESTÓRIAS SEM REI – [...] Era o que estava escrito em algumas folhas de papel. No chão, o revolver, um filete de sangue e o pastor que ainda tinha nos olhos vidrados o retrato de Sara, nua, com seus cabelos longos como a madrugada, com seus olhos cheios do sol da primavera. [...]. Trecho extraído da obra Sete histórias sem rei (Grumete, 1984), do escritor, folclorista e etnólogo Mário Souto Maior (1920-2001). Veja mais aqui.

 

O PROTAGONISMO DA MULHER RURAL – A obra O protagonismo da mulher rural no contexto da dominação (Fundaj/Massangana, 2006), da economista, pesquisadora e assistente social Izaura Rufino Fischer, trata sobre a situação da mulher na sociedade, a ação política e condição de ruptura do código hegemônico de gênero, o cenário de estudo e a expressão e potencialidade da relação de gênero. Veja mais aqui.

 

PESQUISA DE MERCADO – A obra Pesquisa de mercado (Ática, 1988), de Marina Rutter e Sertório Augusto de Abreu, trata sobre os objetivos básicos da pesquisa enquanto necessidade, Modelos de briefing, contratação de uma pesquisa, definição do tipo de pesquisa, pesquisa qualitativa e quantitativa, planejamento, definição da amostra, roteiro/questionário, pré-teste, realização de campo, tabulação dos dados, análise dos resultados, relatório final, entre outros assuntos. Veja mais aqui.

 

O LUGAR DISSONANTE – [...] Do ponto de vista do ouvido, toda música é funcional. Não há música pura, há apenas usos possíveis. Do ponto de vista do sujeito, a novidade da música de hoje é que, mais do que apenas música, ela é vivida basicamente como trilha sonora, como fundo musical, como música de acompanhamento. [...]. Toda música talvez tenha como ponto de partida a questão da audição. Compor é operar com uma certa vontade de ouvir. Intensamente ouvir já é compor. A intensidade da audição tem início quando passa a funcionar simultaneamente como órgão de emissão. [...]. Trecho da apresentação Da audição: satisfação garantida ou seu silêncio de volta (Funcultura, s/d), do cineasta e fotógrafo Arthur Omar, no catálogo do 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, reunindo artistas como Fernando Velázquez, Gisele Beiguelman, Mauricio Fleury, Lourival Cuquinha, Hrömir, Paulo Nenflidio e Ricardo Carioba. Veja mais aqui.

 

CANTARAU DE AMOR POR ELA – Reunião das canções e poemas oriundos do espetáculo Crônica de amor por ela. Os poemas e canções estão reunidos aqui e aqui.



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O presente na festa do amor aqui.

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Primeiro encontro, a entrega quente no frio da noite aqui.
Primeiro encontro: o vôo da língua no universo do gozo aqui.
Ao redor da pira onde queima o amor aqui.
Por você aqui.
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Vade-mécum – enquirídio: um preâmbulo para o amor aqui.
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O flagelo: Na volta do disse-me-disse, cada um que proteja seus guardados aqui.
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É pra ela: todo dia é dia da mulher aqui.
A professora, Henrik Ibsen, Lenine, Marvin Minsky, Columbina, Jean-Jacques Beineix, Valentina Sauca, Carlos Leão, A sociedade da Mente & A lenda do mel aqui.
Educação no Brasil & Ensino Fundamental aqui.
Bolero, John Updike, Nelson Rodrigues, Trio Images, Frederico Barbosa, Roberto Calasso, Irma Álvarez, Norman Engel & Aecio Kauffmann aqui.
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Eros & Erotismo, Johnny Alf, Mário Souto Maior & o Dicionário da Cachaça, Ricardo Ramos, Max Frisch, Marcelo Piñeyro, Letícia Bretice, Frank Frazetta, Ricardo Paula, Pero Vaz Caminha, Gilmar Leite & Literatura Erótica aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Imagem: art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...