Ao som do álbum The
Changing Sky (2025), da violonista e premiada compositora britânica Laura Snowden.
Hestorinha da cantoria de passarinho... Não havia tempo ruim para Fulô – Florilândio de batismo e papel
passado. Foi assobiando escorreito a revelação do seu talento canoro: sacou dum
apito, despertava sua curiosa habilidade. – Simbora no arrasta-pé! Triunfou
ajeitando meticulosamente uma folha de papel enrolada jeitosamente num pente, aos
assopros de predileto repertório musical das paradas de sucesso, parampampã! -
Isso é bom, doido! Segura o trupé! Arroxa baião! De um pífano, um botão de rosa
pra paquera timorata: ganhou dela um gracioso sim, sem precisar sequer falar
namoro pra ela. Duma corneta, um ramo de lírio branco pra mãe dele: era o dia
dela, regozijada. E era sempre cedo na hora pra ele que ia ladeira acima, morro
abaixo, no embalo chistoso. - Olha o forró, gente! Tornou-se assim corneteiro,
dando as horas certas, convocando o povo pras cerimônias viandeiras, alertando
pirraças ou maracutaias, chamando atenção pra isso ou aquilo, com toda sua
alacridade. – É hora do xaxado, vambora! Das lições de Zé da Justa foi
expulso e reprovado. Procurou outro: Cadê o maestro? O canto mais limpo:
queimou as pestanas aprendendo sozinho cifras e partituras, solava desajustado.
Por onde ia o mato brotava no chão esturricado, árvores floriam, relva no meio
do asfalto, o sertão virava rio e dava pro mar: entrava de sola na vida de
músico meio-lá-pra-cá e nos arranjos florais ineivados de plantão, puxando da
flauta de Pã, Orfeu das mundividências, qual flautista de Hamelin.
Foi buscar emprego na famigerada banda de Mané de Preto, findou quase
tição eletrocutado. Levou um toque da vaca dos Assassinos do Frevo. –
Ih, fui limado! Esgueirou-se pros Bitus, ajeitou-se Sibito entre
rebitos e outros priquitos – Aí, me dei bem! Aprendeu a remexer os quadris com Dermeval,
animando o dançado dos fantasmas da biblioteca. – O galope só é bom
quando é à beira-mar! Aí, duma flauta doce, uma flor de Quipá; da gaita, uma
Estrela da terra; da ocarina, Maracujá do mato; do uruá, uma Rainha do abismo;
do berrante, uma Chanana; dum didjeridu, um molho de Erva fantasma; do
clarinete, um maço de Planta queijo; do saxofone, um feixe de Boca de leão
d’água; do fagote, um galho de Íris da praia; do trompete, um tufo de Enxerto
de passarinho; do trombone, uma braçada de Alface d'água; da trompa, um cacho
de Rabo de tatu; do oboé, um arranjo de Bredo-da-praia; da tuba, uma
Coroa-de-frade-da-praia; e assim distribuía coroas, buquês, guirlandas,
grinaldas, ramalhetes, florilégios, até um tussie-mussie de orquídeas,
de pequis, cambarás, mangabas, vincas, salsa-da-praia, paqueviras, helicônias,
parasitas, antúrios, alpínias, sorvetões e capim-agulha! Era flor na lapela,
flores nos penteados, nos decotes, penduradas nas orelhas, ornando
espalhafatosas e embecados. Assim, caía de boca desde os toques da alvorada
logo cedo e os de se recolher tarde da noite: o Sol sorria, a Lua se exaltava
enamorada, a Natureza em festa e o impossível de estrepitoso festejo abanando o
calorão, diante das caras carrancudas que carpiam suas dores e flagelos, zoando
acenos, vapores de saracoteados, cantoria de passarinho, coral da bicharada. -
Houvesse hoje e onde se sacudia ao andar -, trazia chuvada boa, juntava
separados, afáveis e enfadonhos. Desdantavante frevava e a cada batida de tom
esqueletos saracoteavam e sacudiam seus anjos-da-guarda. Ele só regência no meio da
rua, puxando o coreto. Sacudia o braço como se passasse marcha e rompia
lonjuras, atravessava funduras e o povo atrás serpenteando num ziguezague. –
Eita, que ele vai virado na peste! Era assim, tinha de existir e assim o queria
solto na buraqueira das rodagens, moita adentro, estrada fora. – Foi-se! Oxe! Parecia
ter ido pros fins da Terra, nem notícias mais, nunca mais voltou. Vôte! Onde
andará? Quem lá sabe! Ó. Pois é, foi. Até mais ver.
Elif Shafak: As vozes da nossa terra natal não param de ecoar em nossa mente. Nós as levamos conosco aonde quer que vamos... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
Camille Paglia: Precisamos aceitar nossa dor, mudar o que pudermos e
rir do resto... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui &
aqui.
Wangari Maathai: Consegui perceber que, se eu tinha uma contribuição
a dar, eu devia fazê-la, independentemente do que os outros dissessem. Que eu
estava bem do jeito que eu era. Que não havia problema nenhum em ser forte... A
geração que destrói o meio ambiente não é a geração que paga o preço. Esse é o
problema... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
MILAGRE
Imagem: Acervo ArtLAM.
Eu olho para o
horizonte por um trilhão, trilhões de anos. \ Vai acontecer, talvez, e eu serei
testemunha. A Terra será milagrosamente \ curar-se a si mesma. A água vai se
transformar em gelo. Hipnotizado, verei as esculturas brancas, \ lembrar o
Ártico e sua magnificência, e tremer na costa. O sol vai jogar \ truques em
minha mente, gravura no gelo branco puro a sombra de um longo talo. \ Uma única
tulipa vermelha. \ Parabéns, esta flor é para você: o único humano ainda vivo,
o único que \ ainda acredita em milagres.
Poema da
escritora cipriota Nora Nadjarian.
QUANDO A VIDA TE DÁ - [...] Como posso explicar que ter a oportunidade
de dar uma pausa no meio da vida e avaliar tudo é mais raro do que um arco-íris
duplo? [...] Neste momento, tudo está exatamente como deveria estar.
[...] Eu jamais puniria a filha pelos crimes da mãe. [...] Vaginas
feitas sob medida são as novas bolsas Birkin. [...]. Trechos
extraídos da obra When Life Gives You Lululemons (Simon & Schuster 2018), da escritora
estadunidense Lauren Weisberger, autora de obras como Revenge Wears
Prada: The Devil Returns (2013), Last Night at Chateau Marmont
(2010), Chasing Harry Winston (2008), Everyone Worth Knowing
(2005) e The Devil Wears Prada (2003). Veja mais aqui, aqui & aqui.
CIÊNCIA DAS
PLANTAS - [...] Levou muito tempo
para desvendar como o inverno estimula a floração, mas partindo de um ponto
inicial de quase nenhum conhecimento molecular, agora temos uma boa ideia do
mecanismo regulatório. [...] É tão importante que a comunidade internacional
de plantas se concentre em uma espécie como organismo de referência. Triagens
prospectivas, clonagem baseada em mapas, os extensos recursos de genótipo e
sequenciamento, além de descobertas importantes quando grupos que estudam
coisas diferentes convergem para um mecanismo – tudo isso é essencial se
realmente quisermos entender a base mecanicista de características complexas
das plantas. [...] como as plantas usam sinais sazonais para sincronizar
seu desenvolvimento. Nessa época, o fenômeno da Arabidopsis estava acontecendo
– geneticistas de plantas haviam descoberto a utilidade de se concentrar em uma
espécie como organismo modelo, e agora podíamos clonar genes importantes para
características complexas por meio de clonagem baseada em mapeamento. Então,
quando abri meu próprio laboratório, escolhi abordar a base molecular da
vernalização em Arabidopsis. [...] Sinto-me privilegiada por fazer
ciência todos os dias – é maravilhoso poder seguir uma paixão e ser pago por
isso! É flexível e absorvente. Eu recomendaria a todos [...]. Trechos da entrevista (New Phytologist,
2025), concedida pela premiada bióloga e acadêmica britânica, Caroline Dean, integrante do grupo de estudos que determinou a base
mecanística de como as plantas usam sinais sazonais de temperatura para
determinar quando vão florescer.
A ARTE DE MAGDALE ALVES
[...] polarização é uma bobagem, porque cada um tem o seu
pensamento e o respeito deve ser mútuo
[...].
Pensamento da atriz e
bailarina Magdale Alves, que estreou na dramaturgia com a peça Guarani
com Coca-cola (1980) e fez carreira tanto no teatro, como no cinema,
atuando em filmes como Quer Tapioca com Manteiga, Freguesa? (1985), Amarelo
Manga (2002), Árido Movie (2005), Baixio das bestas (2006), Deserto
feliz (2007), Gonzaga de pai pra filho (2012), entre outros. Atuou
ainda em novelas televisivas, minisséries e curtas metragens, bem como
dubladora, humorista, comediante, locutora, performer e apresentadora de TV. Veja mais aqui.
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MANTO MULHER, DE
CARMEN CAMUSO
Recebi alguns mantos da vida \ Que se incumbiram de me fazer
mulher \ Uns, enlaçados em fios de proteção \ Outros, treliçados, amarrando
minhas mãos \ Mãos desatadas no desejo revelado \ Desnudam-me lentamente \ A
pele sensível não mente \ Ao retirar cada manto \ Encontrei minha originalidade
escondida \ A espontaneidade pra vida \ Agora, embalada pelo canto \ Pássaros livres que se alimentam em meu ombro…
Poema extraído do livro de poesias Manto Mulher (2026), da poeta, psicóloga e feminista Carmen Camuso, integrante do Movimento Cultural Alvorecer. O livro reúne 48 poemas agrupados em dois capítulos: “O Manto” e “As Palhas”. O primeiro reúne poemas que expressam a relação mulher-mundo a partir das vivências da autora em seus diversos papéis sob o manto do gênero. No segundo capítulo, o que aparece é a relação mulher-outro que, sob palhas, simboliza o que dói ou cura. Veja detalhes aqui.
Marcus Accioly aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Ana Santiago
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Raimundo Carrero
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Renata Pinheiro
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Aoruaura aqui.
Walther Moreira
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Fátima Ferreira
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Daaniel Araujo
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Clenira Melo
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ARTEXPRESSÃO – TRANSVERSALIZANDO ARTE NA
ESCOLA
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