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sábado, agosto 08, 2026

HILDA HILST, HANNAH CRITCHLOW, DANIELLE STEEL & ONILDO ALMEIDA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

 


Fábula hodierna... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascínio por Pandora que se assanhava toda por Epimeteu que paquerava Io que sonhava com o primeiro. O vértice do quarteto oscilava circulante, quem o alvo virava e o outro alheio girava a roda viva vagava e demorou pra dar certo a dança do amor. Não foi bem assim, mais ou menos, o resumo da ópera. Os irmãos eram ferreiros empregados na oficina do poderoso tirano Barão. E pelo façanhoso labor, eles conquistaram tanto a estima do déspota, como da população sempre agraciada por ações levadas e tidas por heroicas. As irmãs órfãs de mães diferentes carregavam o materno luto de terem sido ceifadas misteriosamente, suspeitando-se remoção de óbices diante das ameaças que representavam para o próprio desumano Barão. Nem se conheciam direito: uma fugiu quando a outra ainda crescia. Por conta da situação de abandono das meninas, elas foram providentemente apadrinhadas pelo influente, deixando-as no convívio da distinta Baronesa Puxencolhe, um álibi, afastava qualquer suspeita. Até aí, tudo bem. A mais velha, Io, ao debutar ganhou uma festa dionisíaca, Beltane – um carnaval fora de época e sem data fixa em Alagoinhanduba, realizada conforme a veneta do autocrata, no qual premiava homenageados, anunciava decisões e benfeitorias, condenava desafetos (quem caísse na antipatia de suas raivosas psicoses era introduzido num manequim de vime, o famoso crematório e saudava queimadas), às brasas escaldantes, aos ruídos atroadores do corifeu aeropagita dos horríveis rituais dos Bitus com todos os Sibitos, Rebitos & outros Priquitos animando a função estrambólica, entoando solfejos regados a urros, espasmos, tosses, esturros, estaladas de língua, peidos, arrotos, sovacadas, toc toc, marcação de pés nas pisadas e fricção dos instrumentos inusitados e fumegantes: Vamos tocar fogo! Foda-se! O evento infernal era colorido com a dança das parcas, das fúrias, das ninfas e das harpias. As erínias atiçavam os esponsais levados pelas eumênides, as moiras conduziam a maratona das lampadofórias, as górgonas abriam as narrativas de Hesíodo, os espetáculos de Ésquilo encenando a titanomaquia e o confronto olímpico, os louvores do centauro Quirão, os plangentes e denunciadores ditirambos de Frínico, e o povo ouriçado com as atrações de suas ordálias, Panem et circenses, tudo presidido pelo convidado juiz, o eminente famigerado doutor Teje-preso, gestor das pendengas. Era o maior regabofe e os dois acoloiados combinavam: Qual o crime deste? Não fui com a cara. Sacrifiquem! Em polvorosa, a multidão embriagava-se com o festival de horrores. Posso sacrificar todos? Deve! E enquanto o juiz sentenciava, o Barão dava uma escapulida, livrando-se da vigilância ciumenta da consorte e, às escondidas, encontrava Io na penumbra, prometendo-lhe presente desejado, pelo qual ela se viu ultrajada, maculada pelo asqueroso abuso, condenada a ser perseguida e tão marcada de jamais esquecer em toda sua vida de fugitiva eterna. A mais nova, Pandora, também de mãe apedrejada por suposta ordem do próprio Barão, tornara-se a queridinha da madrinha. Ao debutar, os olhos do usurpador caíram sobre sua graça, malogrando a cada investida. E ao flagrá-la receptiva com um sujeito desconhecido, logo interviu: Ah, minha afilhada preferida! Ô padrinho. Quem é esse? Sou, Epimeteu, seu servil, majestade. Ah, tenho que lhe premiar pelos bons serviços; por isso, você terá a mão dessa minha protegida e a cerimônia será amanhã na abertura dos festejos de Beltane, meus presentes de núpcias! Epimeteu não cabia em si e logo correu para dar as boas novas ao irmão, Prometeu: Cuidado, nunca aceite presentes do Barão, são de grego, todos. Está com ciúmes, você tem uma caidinha pela Pandora! Não é isso. Quase se estranharam às ofensas, mas deixaram pra lá, porque logo amanheceria e era o dia da festa. Feliz Epimeteu dava tudo que tinha até ficar de mãos vazias, o coração inchado de amor. No final da tarde, ele lá, os esponsais foram convocados ao tablado nobre, o juiz os declarou marido e mulher por força da sua lei, e o Barão os presenteou: para ele, uma salamandra de fogo – Que coisa mais bonitinha! E, pra ela: um jarro hermético para sacralizar o matrimônio eterno e que nunca deveria ser aberto. Quando os dois felicitaram os presentes aos beijos, o Barão cobrou: A jus primae noctis. Hum? Desconsolados, depois dessa noite o casal perdeu paz. Foi durante o cerimonial que o Barão já refeito de sua arrogância flagrou a aproximação de Prometeu e Io e partiu para desavença. Estava furioso porque Prometeu desconfiava do seu fatum e tinha caído nas graças de todos dando com a língua nos dentes, a ponto de ser mais bem quisto que o próprio absolutista, o que seria um desagravo funesto, e, ainda por cima, Io era desertora: Aquela vaca me paga! E veio o traiçoeiro golpe: Hefesto aprisionou Prometeu no rochedo do Cáucaso, lá no monte Etna na inóspita Cítia, estraçalhando aos poucos seu fígado de herói decaído, enquanto Argos Panoptes vigiava com seus 100 olhos, e assumia a paternidade da prisioneira sacerdotisa Io, martirizando-a num cativeiro com o ataque de insetos picantes. Foi preciso a intervenção de Heracles na agonia dos vitimados e fuga dos casais pelo Bósforo, Ilíria, Trácia, Micenas, Eubeia, Síria afora até sumirem para lugar incerto e não sabido e serem esquecidos pela fúria do ditador. Anos se passaram e no apogeu doutra festa, fez-se escuridão: Pandora abriu o jarro. Curiosa: será o fim do mundo? O diabo veio cobrar a conta. A praga e a revolta da pilombeta, a escuridão contaminava, atormentados pelo beijo homicida do amor letal. O tempo passa rápido e o esquecimento, a vida muda muito, as histórias ficam. Até mais ver.

 

Martha Nussbaum: Ao contarmos histórias sobre a vida de outros, aprendemos a imaginar o que outra criatura poderia sentir em resposta a diversos acontecimentos. Ao mesmo tempo, identificamo-nos com essa outra criatura e aprendemos algo sobre nós mesmos... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Charles Bukowski: Todos nós vamos morrer, todos nós — que circo! Só isso deveria nos fazer amar uns aos outros, mas não faz. Somos aterrorizados e esmagados por trivialidades; somos consumidos pelo nada... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Fernando Arrabal: À luz da questão chamei imagens/fantasmas - o que estava vendo e me senti apaixonado pelo resultado final... Turbulência mais uma vez me cercou tanto que eu poderia ter algumas utopias... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Se te pareço noturna e imperfeita \ Olha-me de novo. Porque esta noite \ Olhei-me a mim, como se tu me olhasses. \ E era como se a água \ Desejasse \ Escapar de sua casa que é o rio \ E deslizando apenas, nem tocar a margem. \ Te olhei. E há tanto tempo \ Entendo que sou terra. Há tanto tempo \ Espero \ Que o teu corpo de água mais fraterno \ Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta \ Olha-me de novo. Com menos altivez. \ E mais atento.

Poema extraído da obra Júbilo, memória, noviciado da paixão (1974), da escritora e dramaturga Hilda Hilst (Hilda de Almeida Prado Hilst – 1930-2004), destacando em sua lírica o amado e a amada, dos quais nasce o encontro e as expectativas direcionadas um ao outro. Veja mais aqui.

 

MOMENTO CERTO - […] A beleza da escrita é que você compete consigo mesmo, não com outra pessoa. [...] A inveja é algo muito feio e muito perigoso. Você precisa se proteger dela todos os dias. [...] Ele queria todos os prêmios e elogios para si, mas não queria trabalhar para conquistá-los. Ela se perguntava quantas pessoas como ele existiam no mundo, invejando os outros pelo que tinham e não podiam... […] A angústia é algo maravilhoso para os escritores e levará você a escrever seus melhores livros. Mas a felicidade o deixará preguiçoso e acomodado. Você se esquecerá de suas prioridades e ficará aí parado, sem fazer nada... [...]. Trechos extraídos da obra The Right Time (Palgrave Macmillan, 2017), da escritora estadunidense Danielle Steel (Danielle Fernandes Dominique Schuelein-Steel), autora de obras tais como: The Duchess (2017), Against All Odds (2017), Steel, Friends Forever (2012), Happy Birthday (2011), The Wedding (1997), The Gift (1994), No Greater Love (1991) e Wanderlust (1986), entre outros.

 

A CIÊNCIA DO TRABALHO COLETIVO - [...] Nossos cérebros produzem 20 watts de potência a qualquer momento. Em todo o mundo, isso representa mais de 155 bilhões de watts de capacidade humana para resolução de problemas, conexão e inovação. Imagine o que poderíamos alcançar se pudéssemos acessar esse poder coletivo? Imagine os projetos que poderíamos realizar, as criações que poderíamos conceber, os problemas que poderíamos resolver, como poderíamos transformar nossos mundos para melhor? Como espécie, nunca nos deparamos com problemas tão complexos ou difíceis quanto os que enfrentamos agora. Recorrendo à neurociência, podemos identificar estratégias que nos permitam reunir nossa capacidade cerebral e desenvolver soluções à altura desses desafios – juntos. [...]. Trecho do ensaio The Science of Collective Working - The interconnected working methods of the future and how we can harness the power of collective intelligence (Selfridges Group, 2023), da neurocientista, escritora, radialista e pesquisadora britânica Hannah Critchlow, que sobre inteligência coletiva e o pensamento de "nós" expressa: […] Quando fazemos a transição do pensamento centrado no 'eu' para o centrado no 'nós', nossa visão de mundo se transforma, nossa imaginação se liberta e cada um de nós é capaz de contribuir com sua perspectiva única para o acervo de inteligência da humanidade. [....] Estamos em um momento crucial de nossa evolução. A abrangência e a complexidade dos problemas que enfrentamos... exigem o engajamento de todas as mentes. Sobre o cérebro, o destino e o livre-arbítrio: As pessoas nascem com um cérebro que molda sua percepção e aquilo que estão biologicamente programadas para considerar gratificante... Nossos cérebros apresentam falhas que levam a suposições e erros... Sobre o cérebro no século XXI e a incerteza: É fundamental encararmos a incerteza e a ambiguidade com uma mentalidade voltada para as possibilidades — em vez de medo ou pessimismo — e enxergarmos oportunidades nessas situações... Embutido em nossos cérebros, existe um mecanismo extraordinário conhecido como plasticidade sináptica.... Ela é autora das obras Consciousness: A Ladybird Expert Book (2018) e The Science of Fate: The New Science of Who We Are - And How to Shape our Best Future (2019) e sua pesquisa acadêmica tem se concentrado em neurociência celular e molecular.

A ARTE DE ONILDO ALMEIDA

[...] Eu costumo dizer que toda cidade tem feira e toda feira é igual. Mas, na verdade, não é. A de Caruaru, quando você procura uma coisa no comércio que não encontra, vai para a feira. É uma feira que tem tudo [...].

Trecho da matéria entrevista da jornalista Cibelle Tenório, Conheça Onildo Almeida, o homem que levou a Feira de Caruaru ao mundo (Agência Brasil, 2025), com o compositor, poeta, músico e radialista Onildo Almeida, que lançou os álbuns A feira de Caruaru nº 2 (1957), Casamento antigo (1957) e Zé Dantas e Vaquejada (1962), autor de mais de 530 canções escritas e gravadas por diversos artistas, com gêneros que vão desde o forró, xaxado e xote, interpretadas por Luiz Gonzaga, Marinês, Jackson do Pandeiro, Chico Buarque, Gilberto Gil, entre outros. Veja mais aqui.


 

TUNGA, TUNGANDO A VIDA – Destaque da trajetória do premiado O escultor, desenhista e artista performático Tunga (Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão – 1952-2016), um dos artistas mais emblemáticos e representativos da arte contemporânea. Trata-se de uma síntese de sua vida, principais obras, prêmios nacionais e internacionais, exposições no Brasil e no mundo. Confira aqui.


O PLANETA & A QUESTÃO AMBIENTAL – Os debates atinentes à temática do planeta e a questão ambiental na contemporaneidade transitam entre as reflexões que incidem sobre crescimento econômico e a sustentabilidade socioambiental, a governança global, as mudanças climáticas e a transição energética, justiça socioambiental e a conservação, a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável, notadamente a respeito da sobrevivência humana, o equilíbrio ambiental e as projeções escatológicas de extinção diante ação predatória humana. Nesta postagem reflexões de Lorraine Daston, Alexandria Villaseñor, Tim Marshall, Carlo Rovelli, Caroline Dean, Carolyn Porco, Sophia Kianni, Jamie Margolin, Xiye Bastida, Kaka Werá, entre outros. Veja aqui.


NITOLINO NO VALUNA - Uma historieta infanto-juvenil que marca o início das aventuras do Nitolino, na companhia de Pai Lula & toda trupe Falange, Falanginha, Falangeta, pelo Valuna. O objetivo da turma é chegar na Serra do Quati, local indicado como a nascente do Rio Una. Acompanhe aqui.



 

CONSTISTÓRIA, POEMAGENS & OUTRAS VERSAGENS (Imagem: Acervo ArtLAM) – Da série Colam, uma reunião do meu trabalho autoral, unindo arte visual e musical, por meio de poemagens & versagens construídas com as obras O Livro das Janelas e da Crônica de Amor, com o tema musical Nênia de Abril. Verifique aqui.


AS TRELAS DO DORO (Imagem: arte de Rollandry Silvério) – Reunião das principais presepadas do arteiro Doro, dando conta de suas iniciativas mais extraordinárias, situações mais periclitantes e propósitos malabaristas, ocorridos desde a sua participação no Big Shit Bôbras, no Fecamepa com sua candidatura a presidente e do seu exótico cotidiano na cidade de Alagoinhanduba. Observe aqui.

 

E veja mais Pernambuco aqui & aqui.



 



domingo, março 29, 2026

NORA NADJARIAN, LAUREN WEISBERGER, CAROLINE DEAN, MAGDALE ALVES & CARMEN CAMUSO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do álbum The Changing Sky (2025), da violonista e premiada compositora britânica Laura Snowden.

 


Hestorinha da cantoria de passarinho... Não havia tempo ruim para Fulô – Florilândio de batismo e papel passado. Foi assobiando escorreito a revelação do seu talento canoro: sacou dum apito, despertava sua curiosa habilidade. – Simbora no arrasta-pé! Triunfou ajeitando meticulosamente uma folha de papel enrolada jeitosamente num pente, aos assopros de predileto repertório musical das paradas de sucesso, parampampã! - Isso é bom, doido! Segura o trupé! Arroxa baião! De um pífano, um botão de rosa pra paquera timorata: ganhou dela um gracioso sim, sem precisar sequer falar namoro pra ela. Duma corneta, um ramo de lírio branco pra mãe dele: era o dia dela, regozijada. E era sempre cedo na hora pra ele que ia ladeira acima, morro abaixo, no embalo chistoso. - Olha o forró, gente! Tornou-se assim corneteiro, dando as horas certas, convocando o povo pras cerimônias viandeiras, alertando pirraças ou maracutaias, chamando atenção pra isso ou aquilo, com toda sua alacridade. – É hora do xaxado, vambora! Das lições de Zé da Justa foi expulso e reprovado. Procurou outro: Cadê o maestro? O canto mais limpo: queimou as pestanas aprendendo sozinho cifras e partituras, solava desajustado. Por onde ia o mato brotava no chão esturricado, árvores floriam, relva no meio do asfalto, o sertão virava rio e dava pro mar: entrava de sola na vida de músico meio-lá-pra-cá e nos arranjos florais ineivados de plantão, puxando da flauta de Pã, Orfeu das mundividências, qual flautista de Hamelin. Foi buscar emprego na famigerada banda de Mané de Preto, findou quase tição eletrocutado. Levou um toque da vaca dos Assassinos do Frevo. – Ih, fui limado! Esgueirou-se pros Bitus, ajeitou-se Sibito entre rebitos e outros priquitos – Aí, me dei bem! Aprendeu a remexer os quadris com Dermeval, animando o dançado dos fantasmas da biblioteca. – O galope só é bom quando é à beira-mar! Aí, duma flauta doce, uma flor de Quipá; da gaita, uma Estrela da terra; da ocarina, Maracujá do mato; do uruá, uma Rainha do abismo; do berrante, uma Chanana; dum didjeridu, um molho de Erva fantasma; do clarinete, um maço de Planta queijo; do saxofone, um feixe de Boca de leão d’água; do fagote, um galho de Íris da praia; do trompete, um tufo de Enxerto de passarinho; do trombone, uma braçada de Alface d'água; da trompa, um cacho de Rabo de tatu; do oboé, um arranjo de Bredo-da-praia; da tuba, uma Coroa-de-frade-da-praia; e assim distribuía coroas, buquês, guirlandas, grinaldas, ramalhetes, florilégios, até um tussie-mussie de orquídeas, de pequis, cambarás, mangabas, vincas, salsa-da-praia, paqueviras, helicônias, parasitas, antúrios, alpínias, sorvetões e capim-agulha! Era flor na lapela, flores nos penteados, nos decotes, penduradas nas orelhas, ornando espalhafatosas e embecados. Assim, caía de boca desde os toques da alvorada logo cedo e os de se recolher tarde da noite: o Sol sorria, a Lua se exaltava enamorada, a Natureza em festa e o impossível de estrepitoso festejo abanando o calorão, diante das caras carrancudas que carpiam suas dores e flagelos, zoando acenos, vapores de saracoteados, cantoria de passarinho, coral da bicharada. - Houvesse hoje e onde se sacudia ao andar -, trazia chuvada boa, juntava separados, afáveis e enfadonhos. Desdantavante frevava e a cada batida de tom esqueletos saracoteavam e sacudiam seus anjos-da-guarda. Ele só regência no meio da rua, puxando o coreto. Sacudia o braço como se passasse marcha e rompia lonjuras, atravessava funduras e o povo atrás serpenteando num ziguezague. – Eita, que ele vai virado na peste! Era assim, tinha de existir e assim o queria solto na buraqueira das rodagens, moita adentro, estrada fora. – Foi-se! Oxe! Parecia ter ido pros fins da Terra, nem notícias mais, nunca mais voltou. Vôte!  Onde andará? Quem lá sabe! Ó. Pois é, foi. Até mais ver.

 

Elif Shafak: As vozes da nossa terra natal não param de ecoar em nossa mente. Nós as levamos conosco aonde quer que vamos... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Camille Paglia: Precisamos aceitar nossa dor, mudar o que pudermos e rir do resto... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Wangari Maathai: Consegui perceber que, se eu tinha uma contribuição a dar, eu devia fazê-la, independentemente do que os outros dissessem. Que eu estava bem do jeito que eu era. Que não havia problema nenhum em ser forte... A geração que destrói o meio ambiente não é a geração que paga o preço. Esse é o problema... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

MILAGRE

Imagem: Acervo ArtLAM.

Eu olho para o horizonte por um trilhão, trilhões de anos. \ Vai acontecer, talvez, e eu serei testemunha. A Terra será milagrosamente \ curar-se a si mesma. A água vai se transformar em gelo. Hipnotizado, verei as esculturas brancas, \ lembrar o Ártico e sua magnificência, e tremer na costa. O sol vai jogar \ truques em minha mente, gravura no gelo branco puro a sombra de um longo talo. \ Uma única tulipa vermelha. \ Parabéns, esta flor é para você: o único humano ainda vivo, o único que \ ainda acredita em milagres.

Poema da escritora cipriota Nora Nadjarian.

 

QUANDO A VIDA TE DÁ - [...] Como posso explicar que ter a oportunidade de dar uma pausa no meio da vida e avaliar tudo é mais raro do que um arco-íris duplo? [...] Neste momento, tudo está exatamente como deveria estar. [...] Eu jamais puniria a filha pelos crimes da mãe. [...] Vaginas feitas sob medida são as novas bolsas Birkin. [...]. Trechos extraídos da obra When Life Gives You Lululemons (Simon & Schuster 2018), da escritora estadunidense Lauren Weisberger, autora de obras como Revenge Wears Prada: The Devil Returns (2013), Last Night at Chateau Marmont (2010), Chasing Harry Winston (2008), Everyone Worth Knowing (2005) e The Devil Wears Prada (2003). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

CIÊNCIA DAS PLANTAS - [...] Levou muito tempo para desvendar como o inverno estimula a floração, mas partindo de um ponto inicial de quase nenhum conhecimento molecular, agora temos uma boa ideia do mecanismo regulatório. [...] É tão importante que a comunidade internacional de plantas se concentre em uma espécie como organismo de referência. Triagens prospectivas, clonagem baseada em mapas, os extensos recursos de genótipo e sequenciamento, além de descobertas importantes quando grupos que estudam coisas diferentes convergem para um mecanismo – tudo isso é essencial se realmente quisermos entender a base mecanicista de características complexas das plantas. [...] como as plantas usam sinais sazonais para sincronizar seu desenvolvimento. Nessa época, o fenômeno da Arabidopsis estava acontecendo – geneticistas de plantas haviam descoberto a utilidade de se concentrar em uma espécie como organismo modelo, e agora podíamos clonar genes importantes para características complexas por meio de clonagem baseada em mapeamento. Então, quando abri meu próprio laboratório, escolhi abordar a base molecular da vernalização em Arabidopsis. [...] Sinto-me privilegiada por fazer ciência todos os dias – é maravilhoso poder seguir uma paixão e ser pago por isso! É flexível e absorvente. Eu recomendaria a todos [...]. Trechos da entrevista (New Phytologist, 2025), concedida pela premiada bióloga e acadêmica britânica, Caroline Dean, integrante do grupo de estudos que determinou a base mecanística de como as plantas usam sinais sazonais de temperatura para determinar quando vão florescer.

 

A ARTE DE MAGDALE ALVES

[...] polarização é uma bobagem, porque cada um tem o seu pensamento e o respeito deve ser mútuo [...].

Pensamento da atriz e bailarina Magdale Alves, que estreou na dramaturgia com a peça Guarani com Coca-cola (1980) e fez carreira tanto no teatro, como no cinema, atuando em filmes como Quer Tapioca com Manteiga, Freguesa? (1985), Amarelo Manga (2002), Árido Movie (2005), Baixio das bestas (2006), Deserto feliz (2007), Gonzaga de pai pra filho (2012), entre outros. Atuou ainda em novelas televisivas, minisséries e curtas metragens, bem como dubladora, humorista, comediante, locutora, performer e apresentadora de TV. Veja mais aqui.

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MANTO MULHER, DE CARMEN CAMUSO

Recebi alguns mantos da vida \ Que se incumbiram de me fazer mulher \ Uns, enlaçados em fios de proteção \ Outros, treliçados, amarrando minhas mãos \ Mãos desatadas no desejo revelado \ Desnudam-me lentamente \ A pele sensível não mente \ Ao retirar cada manto \ Encontrei minha originalidade escondida \ A espontaneidade pra vida \ Agora, embalada pelo canto \ Pássaros livres que se alimentam em meu ombro

Poema extraído do livro de poesias Manto Mulher (2026), da poeta, psicóloga e feminista Carmen Camuso, integrante do Movimento Cultural Alvorecer. O livro reúne 48 poemas agrupados em dois capítulos: “O Manto” e “As Palhas”. O primeiro reúne poemas que expressam a relação mulher-mundo a partir das vivências da autora em seus diversos papéis sob o manto do gênero. No segundo capítulo, o que aparece é a relação mulher-outro que, sob palhas, simboliza o que dói ou cura. Veja detalhes aqui.

 

Marcus Accioly aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ana Santiago aqui.

Raimundo Carrero aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Renata Pinheiro aqui.

Perron Ramos aqui & aqui.

Aoruaura aqui.

Walther Moreira Santos aqui & aqui.

Fátima Ferreira aqui.

Daaniel Araujo aqui.

Clenira Melo aqui.

 

&

 

ARTEXPRESSÃO – TRANSVERSALIZANDO ARTE NA ESCOLA

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LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca , sobe-desce na sua fubica incrementada, todo a...