domingo, março 08, 2026

LAILA LALAMI, DARIJA ŽILIĆ, KATE BORNSTEIN & ARNAUD RODRIGUES

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Oíd su nombre olímpico resuena por el globo, \ Lo dice en Carabobo; triunfante su clarín; \ Y con marcial estrépito, también su nombre escucho, \ Glorioso en Ayacucho, magnífico en Junín. \ Los cánticos de gloria para él no tienen fin. \ ¡Bolívar! Dice El Ávila…

Trecho do Himno al Libertador Simón Bolívar (musical para solista, coro y orquesta, 1883), da pianista, cantoras, compositora e maestrina venezuelana Teresa Carreño (María Teresa Carreño García de Sena - 1853-1917), com letra do poeta venezuelano Felipe Tejera (1846-1924), com regência de Gonzalo Castellanos & Orquesta Sinfónica Venezuela con la Coral Filarmónica. Veja mais aquí.

 

A desconhecida da oculta rua anônima... - Naquela tarde Manuela sentiu a leveza de sua alma libertária. Era março e aniversariava revivendo o falatório festivo de seu batizado: um encômio à heroína espanhola Malasaña Oñoro. Salves e vivas. Seguia espontânea e extrovertida Monika, com suas dezessete primaveras repletas de beleza e simpatia, enquanto esperava quase Emma pelo emergente príncipe encantado que nunca dera as caras para sua redenção. As lembranças rondavam agora distantes suas passadas no crepúsculo: o cheiro de pão quentinho trazido pelo genitor padeiro e as orações maternas da costureira por mais um dia reunindo trapos. Queria era fugir da rotina e dos assédios, ignorando que na sua fuga caíra coagida na arapuca daquela Maria Kutschera, encurralada na casa dos Von Trapp, Santa Zita que a salvasse do martírio de La mujer que nunca hizo nada. Escapulia serelepe entre os jardins, sonhava Maria Teodora: o mundo todo era seu à beira dos canteiros, alheia a tudo, o universo espargia no seu coração. Era uma tarde como outra qualquer e nem se dera conta do convulsivo confronto entre prós e contras com seus tambores beligerantes. Os seus olhos no rio espelhavam o céu e o inexplicável outro lado de lá, todos os futuros na espiral dourada, ornando memórias e fantasias aos ventos: era só uma menina que adolescia no afã de amar pela primeira vez, sem a astúcia da Charlotte. Nem ouviu o disparo: abriu-lhe a fronte e uniu suas sobrancelhas, pálpebras cerradas na vertigem de tombar ao meio fio da praça. Logo um cortejo se fizera em sua alada projeção, reunindo umas às outras, desde a Juanita de Ampato, a jovem vítima celta dos Durotriges de Dorset, as dos Odinists de Delphi, as 3 mulheres de Arroio dos Ratos, as esquartejadas da casa de Florencio Varela, as de São Cristóvão de Salvador, as enterradas no jardim de Buenos Aires, as duas da casa de Vicência, as jovens de Feira de Santana, as assassinadas a tiros no Rio, a dos feminicídios em São Paulo, a procissão das que sucumbiram ao juvenicídio da necropolítica. Sentiu-se assim um vago sobrenome a mais na pele de Eloá e o retrato perdido pelo sangue que escorria pelas homicidas mãos paternas. Muito menos saberia tempos depois ali mesmo, pelas mãos enamoradas do poetescultor, a sua imagem escultural como uma respigadora Afrodite Kalipígia - La Spigolatrice di Sapri: a desconhecida duma rua anônima. Até mais ver.

 

Carolina Maria de Jesus: Quem inventou a fome são os que comem... Quando o homem decidir reformar a sua consciência, o mundo tomará outro roteiro... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Louise Gluck: A alma é silenciosa. Se ela fala, fala em sonhos... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Rhonda Byrne: Plante o máximo de bons pensamentos que puder em cada dia... Seus pensamentos causam seus sentimentos... Veja mais aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

RESPIRAÇÃO - Respire e deixe que as sombras da geada e dos tubérculos se intensifiquem. \ Quebre e abra seus jardins interiores \ E o coração, que acumulara amargura por anos, \ Deixe descansar sob o toque suave \ da mão silenciosa de alguém.

O FUTURO É PROMISSOR! - Quero dizer, de hoje para amanhã. \ Um bilhete de compra dizia: atum, \ O protetor de tela contém uma imagem. \ de uma flor na água. \ O futuro é promissor, disse. \ a famosa atleta, e então ela acrescentou— \ Viva o presente e pense apenas no agora. \ depois.

Poema da poeta, crítica literária, tradutora, ativista e editora croata Darija Žilić, autora de obras como Breasts and Strawberries (2005), To Write in Milk (2008), Muse outside Ghetto: Essays on Contemporary Literature (Prêmio Julije Benešić, 2012), Nomads and hybrids: Essays on Contemporary Literature and Film (2010), Parallel Gardens: Interviews with Theorists, Writers and Activists (2010), Tropics: Critics about Contemporary Poetry (2011), Dance, Modesty, Dance (2010), Omara (2012) e Tropics 2: critics about poetry, prose and society (2014).

 

HOTEL DOS SONHOS – [...] Ser mulher era observar a si mesma não apenas com os próprios olhos, mas também com os olhos dos outros. [...] Historiadores observam o mundo, cientistas tentam explicá-lo, mas são os engenheiros que o transformam. Passo a passo, substituíram casamenteiros de aldeia por aplicativos de namoro, arautos por redes sociais e médicos locais por ferramentas de diagnóstico. Chegou a hora de sábios, místicos e profetas cederem lugar à inteligência artificial. Assim, a história segue em frente. [...] Em todo caso, o crime é relativo — seus limites se alteram a serviço das pessoas no poder. [...] Em determinadas circunstâncias, qualquer coisa pode se transformar em algo sinistro. [...] A vida foi feita para ser vivida, para ser aproveitada ao máximo, para que toda a sua beleza e alegria sejam extraídas; ela não foi feita para ser contida e inventariada em nome da segurança. [...]. Trechos da obra The Dream Hotel: A Read with Jenna Pick (Pantheon, 2026), da escritora marroquina Laila Lalami, autora de obras como Die Anderen (2021), La Florida (2020), Conditional Citizens: On Belonging in America (2020), The Other Americans (2019) e The Moor's Account (2014).

 

A PRÓXIMA GERAÇÃO FORA DA LEI DE GÊNERO - [...] É fácil ficcionalizar uma questão quando você não está ciente das muitas maneiras pelas quais você é privilegiado por ela. [...] A primeira pergunta que costumamos fazer aos novos pais é: “É menino ou menina?”. Há uma ótima resposta para essa pergunta que circula por aí: “Não sabemos; ainda não nos disse”. Pessoalmente, acho que nenhuma pergunta que contenha “ou um ou outro” merece uma resposta séria, e isso inclui a questão do sexo do bebê. [...] Nunca transe com alguém com quem você não gostaria de transar. [...] Em vez de dizer que todo gênero é isso ou todo gênero é aquilo, vamos reconhecer que a palavra gênero carrega consigo inúmeros significados. É uma amálgama de corpos, identidades e experiências de vida, impulsos subconscientes, sensações e comportamentos, alguns dos quais se desenvolvem organicamente e outros são moldados pela linguagem e pela cultura. Em vez de dizer que gênero é uma única coisa, vamos começar a descrevê-lo como uma experiência holística. [...]. Trechos da obra Gender Outlaws: The Next Generation (Pub Group West, 2010), da escritora, atriz e ativista estadunidense Kate Bornstein, que na obra Hello Cruel World: 101 Alternatives to Suicide for Teens, Freaks & Other Outlaws (Seven Stories Press, 2006), expressou que: […] Tenho a ideia de que, sempre que descobrimos que os nomes que nos dão nos impedem de sermos livres, precisamos criar novos nomes para nós mesmos, e que os nomes que nos damos não devem mais refletir o medo de sermos rotulados como forasteiros, não devem mais nos prender a um sistema que preferiria nos ver mortos. [...] Vamos parar de "tolerar" ou "aceitar" a diferença, como se fôssemos muito melhores por não sermos diferentes. Em vez disso, vamos celebrar a diferença, porque neste mundo é preciso muita coragem para ser diferente e agir de forma diferente. [...] E lembre-se de que a pessoa que torna a vida digna de ser vivida hoje não será a mesma pessoa que tornará a vida digna de ser vivida daqui a um ano. Identidades não são feitas para serem permanentes. São como carros: nos levam de um lugar para outro. Trabalhamos, viajamos e buscamos aventuras com eles até que quebrem de vez. Nesse ponto, viver bem significa encontrar um novo modelo que se adapte melhor a nós em um novo momento. [...]. Ela também é autora de A Queer and Pleasant Danger: The True Story of a Nice Jewish Boy Who Joins the Church of Scientology and Leaves Twelve Years Later to Become the Lovely Lady She is Today (2006). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ARNAUD RODRIGUES

Em cima daquele morro \ Passa boi, passa boiada \ Passa boiada \ Tem movimento paca! \ Em cima daquele morro \ Passa boi, passa boiada \ Passa boiada \ Tem movimento paca! \ Tem movimento paca! \ Paca, tatu, cotia, não \ Não tem na serra não \ Ah, porque nêgo mata! \ Joguei uma pedra nágua \ De pesada, foi ao fundo \ E foi ao fundo \ E ninguém disse nada! \ Tubarão, peixe, piaba \ Tubarão, peixe, piaba \ Não respondem não \ Ah, se não, nêgo mata! \ Batatinha, quando nasce \ Esparrama pelo chão \ Esparrama não! \ Ah, porque nêgo cata! \ E passarada passa o arado \ E nada vem do chão \ Ah, porque nêgo rapa! \ Mata jacu, jaó \ Paca, tatu, maracajá \ No jacá de cipó \ E taca o tiro, e taca a faca \ A faca fere a fera! \ Onde a inteligência impera \ É que se dá coisa pior \ E morre a fauna e não se ouve \ O sabiá cantando! \ E morre a flora e não se vê \ A flor desabrochando! \ E não se escuta mais o ronco \ Daquela cascata! \ É o fim da vida, é o fim da água \ Nêgo tá matando a mata!

Letra da música Em Cima Daquele Morro, do álbum O som do Paulinho (1976), do ator, cantor, compositor, roteirista, produtor e humorista Arnaud Rodrigues (Antônio Arnaud Rodrigues – 1942-2010), que estreou na extinta TV Tupi, foi parceiro de Chico Anysio, do qual foi parceiro do grupo musical Bahiano & Os Novos Caetanos, atuando como Paulinho Cabeça de Profeta, creditado como um dos precursores do rap brasileiro. No cinema ele atuou nos filmes O Doce Esporte do Sexo (1971), Uma Nega Chamada Tereza (1973), Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984) e A Filha dos Trapalhões (1984). Veja mais aqui & aqui.

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1817 – A REVOLUÇÃO ESQUECIDA

O documentário 1817 – A revolução esquecida (2017), dirigido por Ricardo Favilla & Tizuka Yamasaki, conta a história pernambucana de março de 1817, do levante civil-militar, independentista e republicano da história brasileira, envolvendo a paixão de Domingos José Martins e Maria Teodora, que viviam um amor proibido e se casam. O filme é inspirado na obra A noiva da revolução: o romance da República de 1817 (1977 – Comunigraf, 2006), do escritor e jornalista Paulo Santos de Oliveira. Veja mais aqui & aqui.

 

Paulo Diniz aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Isa Pontual aqui.

Tiago Amorim (Sebastião Wilson Ferreira de Amorim) aqui & aqui.

Kamille Carvalho aqui.

Clóvis Pereira aqui & aqui.

Lúcia dos Prazeres aqui.

Gilvan Lemos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Layza Pereira aqui.

Cícero Dias aqui, aqui, aqui & aqui.

Terezinha do Acordeon aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja o vídeo do show aqui & mais aqui & aqui.



 


domingo, março 01, 2026

PHILIPPA GREGORY, JANA ORLOVÁ, CAROLYN PORCO, LUIZ FELIPE PONDÉ & JAQUE MONTEIRO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Echolocation (1987), A Delay is Better (2004), A Secret Code (2021), Echolocation - Freedom to Spend (2021) e Simultaneous (2025), da compositora, performer e artista multimedia estadunidense Pamela Z.


 

Cômpito das emoções, desvelo da consanguinidade... - Depois de haver realizado os 12 trabalhos de Hércules e a jornada do herói de Campbell, o andejo Uiruuetê viu-se escolhido sem nem mesmo saber pra quê, errante por um sentido pra sua existência. Afinal, a seu ver, ninguém valia mais que a sua própria morte. E já que era filho da poderosa Uiraçu – a que desde os tempos em que o céu quase esmagou a terra dos Ikolen, salvando-os do desastre e totemizada em símbolo da conexão entre o céu e a terra -, vinha ele de lá degustando paisagens do Paraná, diuturnidades pelo Mato Grosso, alumbramentos pelo Rio de Janeiro, pouso emergencial em Campo Grande, já que repentinamente estava sob escolta e acontecências inexplicáveis. Matutava a querela de ter sido confundido com acauã – ah, por conta do agouro de morte e chamado sinistro da seca, lobrigou -, sendo por isso jogado num ninho de gaviões hostis. Pelava-se de medo, havia no ar a ameaça de ser devorado. Para quem fora abandonado pelo irmão e familiares, era mais uma provação. Uma velha tartaruga veio não se sabe de onde, só cuspir-lhe às faces, punindo-lhe o passado. Insultado ao limite, atacou com vingança até apropriar-se de todas as cores da quelônia. E sua revolta o fez inchar-se peremptório, a ponto de grasnar trovejante e, com toda ferocidade, agitou o brasão do Panamá e nasceu-lhe um penacho na cabeça, a coroa da sua monarquia; seu corpo encheu-se de penas, seus braços eram agora asas possantes e viu-se bípede nas patas com unhas aduncas. Desfez-se o mal entendido e logo foi incorporado à dança dos gaviões do povo Awá-Guajá e, rodopiando entre os Karawara, os espíritos da floresta, tornou-se imediatamente parente dos urubus-buzzards, milhafres-milhanos-queimados, harriers-tartaranhão, buteos e águias. Já estreitado, ele soube da inundação que emergiria dos confins do mundo e teria de partir visando salvar a parentela que deixara longe dali. Chegando lá, a surpresa: foi tratado como a vergonha da família, um pervertido demônio e enxotado aos apupos dos insensatos desafetos. Lamentou-se exilado no meio da tempestade que despencara pro dilúvio dos Tocantins. Sem razão pra viver deu o mergulho fatal e se deixou levar pela correnteza. Sentiu-se envolvido por uma harpia com seus ventos tempestuosos, resfolegou apavorado e, quase afogando-se, usou de sua rapidez, perspicácia e instinto de caça, até desvencilhar-se da morte a cantarolar uma modinha: Voa, voa, voa gavião \ Vai caçar noutro chão \ Vai se embora e volta não... Por um instante respirava aliviado, quando viu lá longe, no topo da montanha, um vulto de mulher. E pra lá se esgueirou apressado: Quem será? Aproximando-se reconheceu Moema, aquela de cujo ventre nasceu o bastardo Brasil, de Adriana Varejão. A nativa Tupinambá havia ressuscitado depois de afogar-se de paixão por seu amado Caramuru, que partiu sem dizer adeus. Tempos depois, um jovem Sioux por ela enamorou-se e, pela segunda vez, desabou em prantos. Estava ali provando da infelicidade: onde sua mãe virou águia para trazer a água e acabar com a seca que assolava. Ledo engano. Por sua incansável faina envelhecera e viera praqui depondo o seu próprio bico, penas e garras, para morrer e ressuscitar. Ainda a viu bicando pedras, mas ela ao avistá-la, logo voou senhora dos ares, rainha do céu, a mãe das aves, para nunca mais. O que fazer então? Assim, noites e dias. Ele, um gavião errante; ela, uma águia enlutada. E a lua era cúmplice das líricas confissões, o Sol esquentava nas veias o teor de arrebatadora paixão. Ali, solidários, o movimento das águas, a dança das estrelas, o mormaço dos corpos, a brisa da paixão. As águas baixavam e o alarme ecoou do monstro Voçoroca, uma ameaça destrutiva e precisavam agir sem demora. Antes, porém, completamente apaixonado, ele ousou indagar: Quem era sua mãe? Uiraçu. Como? Já iminente hora e voaram para cumprir cada qual sua missão. Até mais ver.

 

Wislawa Szymborska: Todo começo nada mais é do que uma sequência, e o livro dos acontecimentos está sempre aberto no meio... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Svetlana Alexievich: Um tempo cheio de esperança foi substituído por um tempo de medo. A era deu uma volta e retrocedeu no tempo. O tempo em que vivemos agora é de segunda mão... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Juliette Binoche: Vivo sempre o presente. Aceito esse risco. Não nego o passado, mas é uma página que preciso virar... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

I - Você se senta diante da morte. \ Está quente e nas alturas \ Você vai arrancar a sua própria pele. \ para atender a uma marca.

II - Tudo é temporário. \ certamente até mesmo que você seja o denominador \ de todos os meus pensamentos \ Em termos de sentimento, há algo \ infantil, e ainda \ É melhor ser um herege do que um santo.

Poemas da poeta, curadora e teórica de arte checa Jana Orlová, autora de obras como: Čichat oheň (2012), Újedě (2017), Падло й інші вірші (2019), Mă fuţi din milă (2019), Choice of Lipstick (2020), Nie uciekniesz (2021), Neutečeš (2022) e Pus (2022).

 

TERRAS MARÉS – […] Ela havia encontrado, incrustada em seu coração, como um poste de campo submerso em um barranco de lama, uma grande determinação para viver. […] Ela permaneceu em silêncio em meio aos sons tranquilos da noite, e a certeza a invadiu. [...] Eram pessoas simples: quando alguém lhes dizia que não tinham nada a temer, sabiam que estavam em apuros. [...]. Trechos extraídos da obra Tidelands (Thorndike Pr, 2019), da escritora e acadêmica anglo-queniana Philippa Gregory, que também se expressa: Acredito em mim, na minha visão de mundo. Acredito na minha responsabilidade pelo meu próprio destino, na culpa pelos meus próprios pecados, no mérito pelas minhas próprias boas ações, na determinação da minha própria vida. Não acredito em milagres, acredito no trabalho árduo... Você precisa escolher o melhor, todos os dias, sem concessões... guiado por sua própria virtude e mais elevada ambição... Veja mais aqui & aqui.

 

NÓS & A TERRAUma poderosa sensação surge dentro de nós quando vemos nosso pequeno planeta azul oceânico nos céus de outros mundos. Num instante, percebemos o quão pequenos, frágeis e solitários realmente somos... Vamos ensinar aos nossos filhos, desde muito pequenos, a história do universo e sua incrível riqueza e beleza. É algo muito mais glorioso, impressionante e até reconfortante do que qualquer coisa que eu conheça, seja encontrada nas escrituras ou em qualquer conceito de Deus... Nós, humanos, embora problemáticos e belicosos, também somos os sonhos, os pensadores e os exploradores que habitam um planeta de beleza comovente, ansiando pelo sublime e capazes do magnífico... Pensamento da planetóloga, astrônoma e acadêmica estadunidense Carolyn C. Porco, que desenvolve o trabalho de exploração do sistema solar, tendo começado no Programa Voyager, nas missões aos planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, nos anos 1980, líder do programa de imageamento da sonda Cassini-Huygens, em órbita de Saturno e atualmente atua na divisão de imageamento da sonda New Horizons, lançada rumo a Plutão, em 2006, e atuando como especialista em anéis planetários e no satélite natural de Saturno, Encélado. Veja mais aqui.

 

LUIZ FELIPE PONDÉ

Sem hipocrisia não há civilização - e isso é a prova de que somos desgraçados: precisamos da falta de caráter como cimento da vida coletiva...

Pensamento do filósofo, escritor, ensaísta e professor Luiz Felipe Pondé (Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé), autor de obras como: O homem insuficiente: Comentários de Antropologia Pascaliana (2001), Crítica e profecia: filosofia da religião em Dostoiévski (2003), Contra um mundo melhor: Ensaios do Afeto (2010), Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (2012), A filosofia da adúltera - Ensaios Selvagens (2013), A era do ressentimento: uma agenda para o contemporâneo (2014), Guia Politicamente Incorreto do Sexo (2015), Filosofia para Corajosos (2016), entre outros. Veja mais aqui & aqui.

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VOU CONTAR ATÉ 100, JAQUE MONTEIRO

Acaba de ser lançado o livro Vou contar até 100 (Uiclap, 2026), da escritora e arte-educadora Jaque Monteiro, reunindo 100 microcontos e todos os microtextos com 100 caracteres. Ela é autora dos livros Estações de humor, do I Oficina de Catadupas do Brasil (2025) e As setigonistas ao quadrado (2026). Veja detalhes e muito mais aqui, aqui & aqui.

 

Luiz Vieira aqui

Arlete Salles aqui, aqui & aqui.

Paulo Bruscky aqui, aqui, aqui & aqui.

Tâmara Dornelas aqui.

Nhô Caboclo (Manuel Fontoura 1910–1976) aqui.

Janaína Esmeraldo aqui.

Irandhir Santos aqui.

Bruna Valença aqui.

Reynaldo Fonseca aqui.

Lourdes Nicácio aqui.

 


domingo, fevereiro 22, 2026

MARIANA ENRÍQUEZ, NILGÜN MARMARA, MARIANA MAZZUCATO & NEGRITUDE SEM IDENTIDADE

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos concertos Suíte Brasileira (2023) e Cantata Ayabás (2025), da maestra, pesquisadora, compositora e pianista Andréa Huguenin Botelho.

 


As viúvas do sobrado... - Adélia se sentia uma das Little Women de Alcott – a caçula entre as 4, antes 5, meninas órfãs do sobrado de Hermilo, a viver oniricamente vestida de flores, mansidão de pássaros, delicada juventude. E crescia viçosa, aformoseando-se a tal ponto de cair nas graças dum mulato estranho, logo apresentado como banqueiro Benedito. Desde então passou a suspirar pelos cantos e a ter sonhos com todo tipo de bicharada. Era vigiada pela centenária Viscondessa e a sua inseparável ama Bernarda, ocupando muito mais a matriarca que vivia tal Penélope de Ulisses – o marido combatente no Paraguai nunca mais voltou. Não demorou muito e logo o casal se estreitou de papel passado em ruidosa cerimônia e, a partir de então, o festivo foco das atenções naquela família de enlutadas. Com o matrimônio, o que mais a envaidecia era se tornar duas vezes Silva ao seu extensíssimo sobrenome aristocrático – ela reunia a extensa linhagem dos germânicos Guimarães, dos florentinos Cavalcantes, dos lusitanos Alves e agora senhora Silva dos ibéricos e mais um Silva acrescido: o do Biu banqueiro. Pouco mais de um mês depois da lua de mel, a tragédia: a matrona consolava a viuvez de todas as suas irmãs – escapou apenas Amélia, que faleceu antes de contrair núpcias. Lá estavam chorosas Amália, Anália e Adália abraçadas com Adélia, arrimadas pela genearca. As primeiras solidárias a chegarem para engrossar o plangente momento foram as amigas próximas da progenitora e lá estavam ao vivo e em cores no recinto, segurando os lencinhos e vestes escuras: a Catarina de Lencastre, Ana Plácido, a da Luz, a de Arcozelo e a de Cavalcanti. Logo providenciaram o velório ajudadas por inúmeras serviçais. Fraquejava ali Adélia sentindo na pele a árdua tribulação da Pelágeya de Gorki. E passou mal, logo a Bernarda chamou outra empregada: Pegaí o picão-do-padre! Foi um Deus nos acuda! Oxe! Trouxeram o chá calmante de cravo-de-defunto e as pálpebras destilavam prantos por seu saudoso marido. Mantinham os preparativos pro funeral e um entre e sai de gente, cochichos, horas de espera. De repente o alvoroço, a pompa fúnebre transformou o salão da casa numa câmara-ardente, repleta de flores e velas acesas, numa decoração religiosa. O corpo estava desfigurado e foi preciso quase dois dias para recompô-lo e, de tão remendado, teve de ser exposto num caixão lacrado – Ora, por que? Respeitava-se a dignidade do falecido, os presentes e, sobretudo, a garantia de segurança sanitária: ninguém sabia do que ele tinha morrido até então. E era pra enterrar logo, no mesmo dia; mas a Viscondessa determinou que só sepultaria no dia seguinte: Vai que ele ressuscita, hem? Mas já havia passado mais de 48 horas, exigência inútil, ela bateu o pé e assim foi. Adélia debruçou-se ao esquife, enquanto as madames iniciavam as exéquias como salvaguarda dum lugar especial no céu pro cadáver putrefato. Começava a vigília das orações, com mortificadas novenas, penitências, as excelenças ao pé do morto para que ele recebesse o perdão dos pecados e sua alma recomendada ao melhor lugar do paraíso: Uma incelença preste que se foi, duas pra onde irá... As cantadeiras imploravam clemência: Já é uma hora e ele vai, ele vai, vai ganhar a salvação... Duas horas e ele vai, vai, vai salvo pela extrema-unção...  Três horas... Era tudo muito enfadonho, as ladainhas, os pêsames para lá, choramingados para cá e lá pras tantas decidiram todas fazerem quarto ao defunto, de sentinela com tudo pronto para renderem as últimas homenagens, que, inclusive, logo foram suspensas com a invasão de autoridades que exigiam a necrópsia policial no IML, o boletim de ocorrência, o protocolo e todas as medidas de praxe, incluindo um furioso legista que queria abrir a fim da força o caixão para confirmar o corpo: era que o FBI, com agentes engravatados ali presentes, suspeitava de atentado comunista. Como pode? Ele foi encontrado quase-morto, de morrer no hospital. Não e pronto! Um impasse resolvido na marra, quando um agente grandalhão da CIA passou às mãos da anciã madrinha, o volumoso calhamaço capa dura com as inscrições: Ex Libris – Private/Top Secret. E foi chegando gente e uma situação bizarra foi tomando conta porque ali dava as caras o execrável vampiro golpista Miguelilulia – mais conhecido como o marido da Marcela, que logo topou com o Barão de Drummond e, com ele, a corriola toda  capitaneada pelo Pedro II, os Marechais das Alagoas, os generais da Velha e Nova Repúblicas, todas as patentes das Forças Armadas, Ministros das Supremas Cortes, coronéis de fitas e de mandos, desembargadores, deputados, senadores, chefes de Executivo, cardeais e arcebispos do Vaticano, integrantes disfarçados da Ndrangheta, Cosa Nostra, Yacuza, Los Zetas, Camorra e todos os COT, desde os albaneses, do cartel de Sinaloa, da tríade chinesa, da Bratva russa, mais os encapuzados da Klu Klux Klan, comandos da capital e vermelho, magnatas do Epsteim, das  Americanas e do Banco Master, até o Barão de Alagoinhanduba – que a Viscondessa detestava -, de abraços com o juiz Teje-Preso, que foram saudados pelo prefeito Zé Peiúdo, dedicando a eles sua vitória na eleição e, no meio do discurso, não só foi esnobado como barrado do velório. Como é que pode? Enxotaram-no. Tinha muita gente mais um tanto. Adélia asfixiada com o aglomerado de embecados no salão, recolheu-se sozinha e ficou debruçada na janela dos fundos, olhando pro nada, quase adormecendo e, num cochilo, sentiu-se grávida, barriga pela boca, prestes a dar a luz. Repentinamente ouviu um choro de criança e despertou, quando, subitamente, testemunhou a chegada de verdadeira fauna invadindo o quintal, todos, cada um, com os olhos fixados nela. Arregalou-se. Conferia ali desde potoquinhas invertebradas quase imperceptíveis aos estrondosos vertebrados de darem susto e medo em qualquer um, reunindo tudo que existisse de eucariontes, multicelulares e heterotróficos, ali espremidos naquele imenso horto. O que era de quadrúpedes, bípedes, avoantes, rastejadores, peludos e pelados, não estava no gibi. Destemida, ela foi ver mais de perto e conferiu todo tipo de selvagens e mansos, quando se deparou com um bebê entre eles. Tomou-o pela mão, agarrou-se com ele e foi depressa pra dentro de casa, deu-lhe banho, perfumou e com a melhor veste se fez regozijada: era seu filho e o menino se chamaria Pavel; não, melhor não. E mais pensava: agora teria de definitivamente protagonizar o seu destino. Precisava providenciar, tão logo ocorresse o sepultamento, o batizado do neném e foi pras irmãs e a Viscondessa para acertarem os detalhes anunciando a boa nova. O infante de braço em abraços e a mãe viu-se na obrigação de seguir sua vida como os cem anos de solidão de Úrsula Iguarán: estava resolvida, resignada. Aí anunciou que o filho se chamaria como o pai: Benedito. Nessa hora, a Viscondessa ciosa logo insinuou as secretas práticas escusas do morto e, evitando anátema, Benedito que seja, Pavel não, mas preferiu chamar o bruguelo por Zeca e assim ficou Zeca Biu. Ocorria no salão a liturgia das horas, com o ofício de defuntos, terços e rosários no rito da última encomendação e despedida, contritos na maior taciturnidade e, ao presenciarem a chegada dela com o garotinho no braço, o padre Quiba logo proclamou salves e vivas, propondo canonizar Benedito como o Benfeitor que patrocinaria muita Festa no Céu – e o epíteto foi incorporado na hora ao sobrenome da viúva e do filho: os Silva e Silva Benfeitor. Era a hora da bênção da sepultura e seguiram todos para o cemitério local, acompanhados por diversas agremiações futebolísticas e carnavalescas puxando a multidão com um samba-frevo composto especialmente pro evento. Chegando lá, a maior comoção popular pro cerimonial sob a marcha fúnebre de Chopin. E entre salves, tiros e vivas, sacudiram o ataúde na cova mortuária e meteram cimento pra cima e pra baixo. Mal fechavam a catacumba, Uiraçu pousou no topo do mausoléu como um agouro, grasnando pela chegada das Harpias que levariam a alma do de cujus pras Fúrias Ctônicas da vingança. Arrepiou geral e foi pernas-pra-que-te-quero pra todo lado. Ninguém se atreveu por mais tempo homenagear aquele suposto benfeitor santificado de última hora, que foi esquecido lá para sempre. E não era só uma vez... Até mais ver.

 


Gayatri Spivak: Sempre de olho no futuro que já está conosco, à vontade, em algum lugar ao nosso redor... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Judith Butler: A vida precisa ser protegida. Ela é precária. Eu diria até que a vida precária é, de certa forma, um valor judaico para mim... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ann Leckie: O luxo sempre vem à custa de alguém. Uma das muitas vantagens da civilização é que, geralmente, não precisamos ver isso, se não quisermos. Somos livres para desfrutar de seus benefícios sem perturbar nossa consciência... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

SIMILE DE CALIDOSCÓPIO OTIMISTICAMENTE

Imagem: Acervo ArtLAM.

A dor do afastamento estabelecido. \ Seus próprios inimigos, sem amor ou compreensão, \ e uma frase negra acorrentada por mariscos impiedosos. \ Uma razão para um estranho? \ Uma razão para o estabelecimento? \ Uma razão para um estranho estabelecido? \ Enquanto silenciavam a linguagem do infinito, \ delineando a verdade de fora com a \ linha grossa, grande e imunda da precisão. \ Ao olhar através do caleidoscópio, \ a possibilidade de colorir as partículas \ no fundo \ nega e seca as expectativas estéreis, \ os deuses tradicionais, a realidade árida dos rebanhos \ e a obtenção de asas para viver na dispersão de cada um... \ Deslize suavemente a mão para a direita e observe \ como ela se move levemente para a direita \ (Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa). \ Agora, a distinção de cores renovada é visível. \ Dê quatro passos, gire o querido \ objeto vermelho quatro vezes (vermelho foi o primeiro e único) \ Olhe para o que você vê com paixão \ Quatro vezes diferentes, quatro efeitos diferentes... \ Abrace, toque aqueles que são como você... \ Alegria sensorial de uma qualidade desconhecida, \ semelhante à identidade de pequenas divisões coloridas, \ tão bonitas, tão organizadas, tão bagunçadas, \ mudanças tão inimagináveis nos espaços! \ Sequencie seus versos de poesia espontaneamente, por conta própria. \ Vire seu brinquedo e aproxime seu olhar. \ Não seria a sequência de fragmentos apropriada \ para palavras que surgem espontaneamente? \ Não pergunte! Oh, será que nunca há sombra, \ mas sempre uma luz para a escuridão estagnada e desordenada \ que flui da janela para o seu coração? \ Temendo a fratura de objetos translúcidos, \ a perda de partículas, à deriva no poderoso \ vento confiscador do distante, \ em direção a outras geografias. \ Afaste a possibilidade carregada de emoções sombrias com o \ poder da sua consciência, \ sem deixar que suas formas façam incisões em sua alma — \ Encontre novos caleidoscópios após a desilusão. \ Se estiver oculto de você, estabeleça a autocriação \ da sua inocência. \ Tão capaz quanto seu coração, \ crie seu simulacro. \ Seres mais poderosos e distinções autênticas \ o aguardam em seus esforços. \ Você se surpreenderá com seu coração delicado \ e com seu talento elegante. \ Não espere um instante, deixe que sua libertação venha \ de cores vibrantes e \ sonhos com migalhas de prazer na escuridão abstrata, \ encontrando paz na consciência das ruas. \ Expectativas que não podem se dar conta da infantilidade \ que se embriagou sorrateiramente e através de funis, \ pela astúcia daqueles que espalham \ a influência contra a resistência... \ Lancem sentenças de carrasco com todas as suas células! \ E depois gritem orgulhosamente para a posteridade \ com as bolinhas de gude únicas que vocês jogam!

Poema da poeta turca Nilgün Marmara (1958-1987).

 

NOSSA PARTE DA NOITE - [...] O primeiro que se perdeu dos ausentes é a voz [...] Renunciar é fácil quando você tem muito, pensei. Ele nunca teve nada. [...] Quando não se pode pelejar, a única maneira de estar em paz é render-se. [...] Não há maior decepção do que acreditar ser o escolhido e não ser. [...]. Trechos extraídos da obra Nuestra parte de noche (Anagrama, 2020), da premiada escritora, jornalista e professora argentina Mariana Enríquez. Veja mais aqui & aqui.

 

MISSÃO ECONÔMICA – [...] Compreender melhor as estruturas organizacionais que incentivaram a resolução de problemas, a tomada de riscos e as colaborações horizontais é, portanto, fundamental para entender a onda de mudanças radicais que virá a seguir. [...] A inovação e a comercialização de ideias não acontecem porque você quer: elas acontecem no processo de resolução de problemas maiores. O programa Apollo foi um exemplo do que pode ser feito se a ambição for inspiradora e concreta. [...] Aplicar o pensamento orientado por missões em nossos tempos exige não apenas adaptação, mas também inovações institucionais que criem novos mercados e reformulem os existentes. E, principalmente, exige também a participação cidadã. [...]. Trechos extraídos da obra Mission Economy: A Moonshot Guide to Changing Capitalism (Penguin, 2023), da economista italiana Mariana Mazzucato, autora de obras como O valor de tudo: produzir e apropriar-se na economia global (2020) e O Estado empreendedor: desmistificando os mitos do setor público e privado (Porfolio/Pengoin, 2014).

 

NEGRITUDE SEM IDENTIDADE, DE ÉRICO ANDRADE

[...] A negritude não é uma condição ontológica, mas uma experiência estética de se inscrever na resistência de uma identidade colonial. É um contraponto à categoria de raça. [...] Não há maior insubmissão do que nossos corpos viverem a singularidade de nossa existência [...] A negritude não é uma linha ou um ponto, mas sobretudo uma roda. [...]

Trechos extraídos da obra Negritude sem identidade: sobre as narrativas singulares das pessoas negras (n-1, 2023), do filósofo, psicanalista e professor da UFPE, Érico Andrade, na qual o autor realiza uma análise profunda da temática da identidade, empregando ferramentas do discurso filosófico, da narrativa autobiográfica e da psicanálise, destacando o conceito de branquitude, explorando o papel crucial da filosofia na sua construção e examinando como a identidade negra foi moldada por um projeto da modernidade. Criticamente a obra aborda a tradição filosófica, não excluindo-a, mas utilizando-a para fundamentar sua posição, contribuindo para a consolidação de um parâmetro de valor vinculado às identidades, com a brancura representando a humanidade, enquanto a negritude é relegada a um lugar de exclusão. O autor é pesquisador do CNPq, possui doutorado com estudos na Sorbonne e atua no Departamento de Filosofia da UFPE. Veja mais aqui.

 

Joaquim Cardozo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Nínive Caldas aqui.

Francisco Brennand aqui & aqui.

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LAILA LALAMI, DARIJA ŽILIĆ, KATE BORNSTEIN & ARNAUD RODRIGUES

  Imagem: Acervo ArtLAM . Oíd su nombre olímpico resuena por el globo, \ Lo dice en Carabobo; triunfante su clarín; \ Y con marcial estrép...