domingo, janeiro 25, 2026

GERMAINE GREER, SUHEIR HAMMAD, AHED TAMIMI & PALLY SIQUEIRA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Palavra e Som (2017), Fiz uma Viagem – Songs of Dorival Caymmi (2017),  50 (2018), Brasileiras Canções (2022) e o Mar É Mulher (2025), da cantora, compositora e instrumentista Joyce (Joyce Silveira Moreno), autora dos livros Fotografei Você na Minha Rolleiflex (1997) e Aquelas Coisas Todas (2020), das séries Cantos do Rio (1999) e No Compasso da História (2010) e do projeto Pequenos Notáveis (2012). Veja mais aqui & aqui.


 

Parlenda de Truvunca & Quelônia, Acta est fabula... – Virado da breca esse Truvunca, pense numa criatura fuçadora: apronta as suas semostradoras presepadas e, eximindo-se do revide das lapadas, abre um buraco no chão e se entoca de ninguém mais vê-lo. De tanto cavar túneis disparatados, logo viu-se enamorado pela Maria Fumaça, o que parecia ser um bom negócio pra ele, claro. Mas, não. Ela nem nem: só andava na linha e, pra encará-la, só de papel passado. Vixe! Perdeu a viagem e pinotou fora. O melhor era mesmo da loca explorando forames, caboucos, antros, covas, grotas, cavernas e grutas. E de tanto desbravar bateu no domicílio duma Branquiura, eita, saia-justa: caxangá, siri siripuã! Ela: Qual é a tua, dasipodídeo? Tava passando por perto... Tais pensando que o céu é perto? Não... Segura a carapaça senão finda leproso, visse! Vim só dá boa tarde! Ela então abriu a porta e mostrou uma tuia de aratu, caranguejo-uçá e azul, guaiamu, boca-cava-terra, grauçá, chama-maré, Maria-farinha e santola, tudo de boca aberta para tirar proveito: Vem cá, tatu, que eu quero fazer charango! Quirquincho, venha dançar fandango! Quero fazer cesto e do rabo a flauta! Quero comer aaru, meu beiju, peralta! S’esconda não, bota fumaça na toca que eu quero pegá-lo! Oba, banquete com a carne de todos os outros animais! Pulou fora, evadiu-se. Depois dessas tentativas malogradas, jurou nunca se apaixonar. E como cuspiu pra cima e debaixo não saiu, nem deu tempo de sustentar a promessa: viu-se enredado num grande amor com Araminta de Goldoni, uma beldade tracajá. Foi de peito aberto, a plenos pulmões: esmerou-se no vinco, alinhou-se no ajeitado, dançou e melou; ao resolver os documentos do casório, ela se enjicou com ele, arriando o rosário, cabum! Debulhando o miúdo da surpresa: era uma Arsínoe de Molière, uma cágada desaforada: Já enganei onça e só gosto de carniça e rabo de lagarto! Ih! Tem coragem ou vai abrir da vela? Mas, mas... Sai pra lá, banguela! E sacudiu-se toda pras bandas dum Zé-prego que apareceu vistoso, dele ficar só com as mãos balando e a ver navios. Essa doeu dele despencar de vertigens, falta de ar, perdeu a noção das coisas, claudicante, arrastou-se pela lama, findou sofrente na sarjeta: as grandes dores deixam marcas indeléveis, dele cambalear por muito tempo, até levar uma topada e pegar no tranco. Ufa! Nem se resguardara direito, lá estava ele se enrolando com Ródope de Hebbel – uma jabota sonhando Gyges und Sein Ring. Diante de tanta formosura, ele mergulhou de cabeça e caiu com toda boca na botija, chega lambuzar-se todo. Calma, meu nego, que vexame é esse, tatu eté? Vem cá, frochosa! Tatu peba de capote, com seu chapéu voador, parece mais um caçote que perdeu o seu andor! Dou-lhe tudo de meu! E foi de topete desembestado. Alto lá! Pra quê retranca? Enrole, não! Tô gamado! Então, procure outra, papa defunto! Danou-se! E quando viu: estava ela enganchada no pescoço dum carumbe. Ele deu a porra e virou das catrâmbias, encolheu-se feito bola, zonzinho da silva: sucumbira de novo aos tormentos do seu inferno particular, quase perecer de amargura. Foi difícil segurar as pontas, curto-circuito e dor-de-cotovelo: doíam os chifres e, na recaída, quase bota todos os bofes boca a fora: tatu também é gente, também morre em sofrimento! Caiu na gandaia feito um Aretino injuriado: pintou resoluto, bordou dissoluto e arretou-se determinado a se emburacar no chão e sair do outro lado do mundo! Assim fez e findou atribulado num aquífero. Eita! Quando voltou a si: Onde estou? Você quase morre afogado! Quem é você? Sou Quelônia, muito prazer. Você me salvou? Só puxei você pra praia. Quer casar comigo? Já vejo que retomou os sentidos e agora está melhor, até. Não, pelamordedeus, preciso agradecer. De nada. E ela se foi pelas ondas do mar aberto, deixando-o inconsolável. Não fosse a prestimosa intervenção dum primo distante, jamais sairia do seu embotamento. Como é que tá, parente? Tamanduá, você viu aquela? Vi, sim. Quem é ela, hem? Ah, parente, nem queira saber: a cosmófora! Que é isso? A reencarnação de Vishnu, Bodhisattva. Quem? Os 4 pilares da origem algonquina! Piorou. O escudo de Órion dos maias. Deixa de onda! Ela é o pilar que segura o céu. Tais de brincadeira! Ela é a cítara de Mercúrio, a esposa do Sol dos Vaupés! A sabedoria no Bhagavad Gita! Peraí. Uma vez ela subiu num poste. Como assim? Mistério... Oxe! Não entendeu ainda? Quero casar com ela! Não é pro seu bico! Ajuda, primo! Tire o cavalinho da chuva, meu! Preciso, vai! E no meio de disso e daquilo, lá estava ele com o aparentado remando num barco mar adentro. Lá no alto, só as águas beirando o céu, o remador foi ajeitar a direção e, sem querer, derrubou Truvunca tragado pelas ondas revoltas: Pronto, agora reze prela salvar e tudo feito! A sorte está lançada! Deu-se então um tsunami. Lascou! E aí? Um dia lá, muito tempo depois: viram-se à praia. Eita, pensei que o parente estivesse ido dessa pra melhor desde daquele tempo; mas não, tá com a anja da guarda, né? Eu e tu fomos salvos por ela, bestão! Que bom. Casamos e vamos aprender a voar. Calma, disse ela. Também sei nadar! Mas quase se empirulitou por duas vezes, não acha que já tá bom desse brincar de morrer, não? Hum? Veja só: Voar é outra coisa, cuidado com gente! Os humanos só fazem guerra! Pois é. Então, ali ela entregou pra ele um arco e duas espigas de milho: uma madura para semear, outra leitosa para grelhar. O que faço com isso? Ensinou-lhe o hino homérico a Hermes: Saúdo-te, natureza amável, és para mim de um mui feliz presságio... Levar-te-ei à minha casa... Ah, tá, Cabeçuda! Repetiu tudo e ela fez volta-no-meio do tatu-velho! Sou seu capitari, piloso primo do canastra-gigante, do tamanduá e do bicho-preguiça, que quero mais? Segure o fandango! Aí, lá pras tantas resolveram juntar os Tês seguidos por uma enfieira de têzinhos que espoucavam seguindo o rastro dos festeiros: Tartu-bola, peba, mão amarela, tartupoiú! Tartu-cascudo, peludo, rabo-de-couro, galinha do sul! Como é que pode? Ora. Acta est fabula, parlenda: Salve, tartaruga; e viva o rabo do tatu! Até mais ver.

 

Linda Buck: Faça algo que te apaixone, algo que você simplesmente precise entender, porque é daí que vem a alegria, e também, eu acho, é daí que vêm as grandes descobertas... Veja mais aqui.

Mairead Corrigan: Se quisermos colher os frutos da paz e da justiça no futuro, teremos que semear as sementes da não violência, aqui e agora, no presente... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Shirley Hazzard: Existe equilíbrio na vida, mas não existe justiça. Na verdade, não se ganha nada com a experiência; aprende-se apenas a prever o próximo erro. Às vezes, certamente, a verdade está mais próxima da imaginação ou da inteligência, do amor, do que dos fatos? Ser preciso não é o mesmo que estar certo... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

OF WOMAN TORN

Imagem: Acervo ArtLAM.

Filha de palestine \ fazer amor pode ser tão perigoso \ como toques de recolher quebrados \ guerrilheiros escondidos \ você se junta agora aqueles que não vão embora \ a terra assombra minha \ dormir quem observa o meu \ de volta sempre que eu colocar \ os suicídios forçados o \ mortes por dote e \ nora \ decapitado por \ seu pai sobre seu proibido \ lua de mel ele desfilou \sua cabeça através \ cairo para provar sua \ masculinidade isso é 1997 \ e eu só posso esperar \ você tinha uma canção especial a \ poema memorizado um segredo \ que te fez sorrir \ Isto é um amor \ poema cause i love \ você agora mulher \ quem viveu tentou \ amor neste mundo de \ facões e pecado \ Eu sinto o cheiro de suas cinzas \ de zaatar e amêndoas \ sob a minha pele \ Eu carrego seus ossos.

Poema da escritora e ativista político palestino-estadunidense Suheir Hammad, autora das obras Born Palestinian, Born Black (Harlem River Press, 1996), Drops of This Story (Harlem River Press, 1996), Zaatar Diva (Cypher Books, 2006) e Breaking Poems (Cypher Books, 2008).

 

SOBRE O ESTUPRO – [...] Se um homem lhe der um soco no olho, não se espera que você tenha implorado para que ele não o fizesse para que o crime seja considerado agressão. Se você estiver sentada no caixa e alguém exigir o dinheiro, você não será acusada de consentimento se simplesmente entregar o dinheiro. Somente em casos de estupro é que a prova de resistência se torna relevante. [...] Assim como não é o pênis que comete estupro, nem a testosterona que o motiva, nem mesmo um desejo sexual avassalador, a castração, seja cirúrgica ou química, não eliminará o ódio dos homens pelas mulheres. [...]. Trechos extraídos da obra On Rape (Bloomsbury Publishing, 2018), da escritora e jornalista australiana Germaine Greer. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ME CHAMARAM DE LEOA: A LUTA DE UMA MENINA PALESTINA PELA LIBERDADE – [...] O riso transmite uma mensagem poderosa: ainda estamos vivos, ainda estamos rindo e amamos a vida. [...] Não somos cidadãos de Israel; tampouco temos voz ou direitos políticos no Estado que controla todos os aspectos de nossas vidas. Estamos presos à incapacidade de planejar nosso futuro, de viajar livremente ou mesmo de nos deslocarmos pelo nosso território de cidade em cidade sem ter que cruzar postos de controle militar. Precisamos de permissão para construir nossas casas, para viajar, para trabalhar — todos os direitos e liberdades básicos que você poderia considerar garantidos vivendo em uma sociedade civil simplesmente não existem quando se vive sob ocupação militar. Não é uma vida fácil, e ainda assim, é a única que conheço. [...] Peço também que se lembrem da sua humanidade, porque é ela que vai determinar o que farão quando virarem estas últimas páginas e fecharem este livro. Vão se solidarizar com a causa palestina e ajudar da forma que puderem — seja conscientizando outras pessoas, pressionando o governo ou se informando mais sobre o que está acontecendo? Ou vão ignorar o que aprenderam, largar este livro e seguir com a vida como sempre? A escolha é sua. [...] Os palestinos representam 20% da população de Israel e, apesar de viverem em sua própria pátria, Israel os relega a um status de cidadãos de segunda ou até terceira classe. Um dos meus colegas descobriu que mais de cinquenta leis discriminam os cidadãos palestinos de Israel com base unicamente em sua etnia. Outro comentou como os recursos governamentais são desproporcionalmente direcionados aos judeus, deixando os palestinos com os piores padrões de vida na sociedade israelense, com as escolas para crianças palestinas recebendo apenas uma fração do investimento governamental destinado às escolas judaicas. Eles também falaram sobre a dificuldade que os palestinos enfrentam para obter terras para moradia, negócios ou agricultura, porque mais de 90% das terras em Israel pertencem ao Estado ou a agências paraestatais (como o Fundo Nacional Judaico) que discriminam os palestinos. E lamentaram o fato de que, se eles ou algum parente se casassem com um palestino da Cisjordânia ou da Faixa de Gaza, não poderiam transmitir a cidadania israelense ao cônjuge, devido à Lei de Cidadania e Entrada em Israel. O cônjuge sequer conseguiria obter o status de residente para morar com eles em Israel. Isso significaria que seriam forçados a deixar Israel e se separar de suas famílias para viver com o cônjuge. […]. Trechos extraídos da obra They Called Me a Lioness: A Palestinian Girl’s Fight for Freedom (One World, 2022), da ativista palestina Ahed Tamimi.

 

A ARTE DE PALLY SIQUEIRA

Queremos, sim, mais produções lideradas por mulheres, protagonizadas por mulheres e com questões pertinentes a nós. Somos a maioria da população e já estamos fartas de ocupar o segundo plano... As pessoas em sua maioria se sentem perdidas, cheias de dúvidas, eu me enquadro muito nessa porcentagem. Mas o que me assusta tem sido ver a onda fascista que tem se levantado, eles agem de uma forma muito organizada e bélica. Quando perdemos a capacidade da empatia algo está errado...

Trechos da entrevista concedida ao jornalista Vinícius Nader (Correio Brasiliense, 2018), pela atriz, autora e artista plástica Pally Siqueira. Veja mais aqui & aqui.

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Ascenso Ferreira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Selma do Coco aqui.

Antônio Nóbrega aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Micheliny Verunschk aqui, aqui & aqui.

Luiz Marinho aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Katia Mesel aqui, aqui & aqui.

Henrique Annes aqui & aqui.

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Solano Trindade aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

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domingo, janeiro 18, 2026

ELISA LONCÓN, LENA YAU, CASEY MCQUISTON & GERALDO AZEVEDO


 Imagem: acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Occam Ocean (2021), Chry-ptus — Geelriandre (2021), Œuvres électroniques (2018), Naldjorlak (2014), Opus 17 (2013), Feedback Works (2012), Triptych (2009), Jetsun Mila (2007), Adnos (2002), Trilogie De La Mort (1994) e Songs of Milarepa (1983), da compositora francesa Éliane Radigue.



A paixão dos condenados... - Carambolo era um enxerido, não parava quieto. De namoricos a embromados noivados com todo tipo lagartas, serpentes, quelônias e crocodilianas, driblava-as, não se livrando de todo das ameaças mortais de injuriados familiares das vítimas por seus arroubos sentimentais de galanteador Casanova. Isso afora muitas outras e tantas peripécias incontáveis, a exemplo de ter sido parceiro do aterrorizante criptídeo Lee County Lizard Man, uma alta criatura bípede dos pântanos, com seus avermelhados olhos de fogo e mais de 2 metros de altura, escamas verdes, três dedos nos pés e garras afiadas. Assarapantavam na estrada Scape Ore, apavorando os moradores de Bishopville, atormentando caçadores e turistas. Noutra foi cúmplice do ancestral capixaba da Pedra Azul, coparticipando das estripolias de guardião do território, não antes afugentarem curiosos e sabotarem as populações circunvizinhas pelos rios de pedras e mares de areia, ficando só nessas duas para não encompridar a pinoia. Mas eis que um dia lá, passeando pela lagoa de Cerro do Jarau, avistou uma bela jovem e fez-se festa em seu coração açodado. Epa! Quem era aquela que o enfeitiçava tão repentinamente? Era uma belezura anônima que vivia incógnita pelo continente d’O Tempo e o Vento de Érico. Inquietou-se e pensou ligeiro: Quer ir ao baile comigo? Não, não tenho o que vestir! Ora, providencio tudo, você quer? Não. Faço o que você quiser! Não. Tanto insistiu que, ao cabo de lábias e promessas, ela assentiu e marcaram horário e local. No momento acertado, ele lá, ansioso, inquieto. Deu uma, duas, três horas de espera e ela nada. Ih! Foi procurá-la e não teve êxito; vasculhou toda redondeza, perguntou a um e outro, fez-se sentinela, não dormia nem se alimentava, solitário pelas demoradas noites. Mais de meses depois findou balançando a cabeça tristemente reprovativa, achando que havia sido passado para traz. Aí, ele deu um freio de arrumação na vida: teve uma epifania de convertê-lo a coroinha, propondo-se a galgar vida espiritual e se tornar definitivamente um santo, amém. Pronto, estava feito. Na sua ascese tornou-se abstêmio, jejuou, libertou-se dos desejos da carne e procedeu à eliminação do ego. Já se considerando completamente restaurado, num remoto lugar de confundós ignotos, de súbito: ela. Ah, agora não me escapará! Partiu alvoroçado e logo: Quer casar comigo? Você de novo! Como ele estava irredutível no seu propósito, ela contou sua hestória: Sou Tijubina, filha da amaldiçoada teiú Teiniágua Teiniaguá, uma princesa moura da família Terra-Cambará, que vivia na lagoa de Cerro do Jarau. Por possuir um vistoso diamante que luzia na testa - um rubi cintilante que atraía os homens fascinados, foi esconjurada pelo Anhangá-Pitã, o Diabo Vermelho, que a fez uma bruxa lagartixa. Assim teve uma vida muito difícil, mas foi salva e se casou com meu pai que morreu pouco depois, me criou sozinha e ficou velha em Quaraí até sua própria morte. Esse o meu resumo: ainda quer casar comigo? Não só quero, como vou casar com você ou eu me mato agorinha! Estava resolvido. Depois de muitos sins e nãos e ora veja, foram para a igreja e o irmão dela tratava da cerimônia, quando o Padre Quiba anunciou peremptoriamente: Deus me livre de realizar este casamento! Por que? São incompatíveis, um sacrilégio, xô! Foram enxotados dali e, desorientados, depois de muito puxa-encolhe, foram levados ao juiz pelo cartório: Não pode, isso é uma aberração! E os defenestrou porta afora. Vixe! E agora? Tudo tentaram com insucesso. Ah, um milagre: o Padre Bidião – e o lema: o amor será sempre festejado. Vamos às provas! Como? Na primeira prova Carambolo descobriu que Tijubina era do Fogo da família Borges e não apenas um pequeno dragão que vivia no fogo, como também um fabuloso anfíbio da última ressurreição da fênix e uma das 4 “raízes das coisas” fundamentais de Empédocles. Eita! Teve de escapar do maior fogaréu, de quase tostar-se todo. Ufa! A segunda prova deu-lhe a constatação de que ela tinha um irmão gigante protetor, o Proteus Anguinus, que mais parecia um dragão cego que torrava o rabo de todos que se aproximassem dela ou fizessem a desfeita de iludi-la ou se bandeassem astutos com enrolação pro lado dela. Danou-se! Astuto, ele escapou fedendo da fogueiratoda, ao dar um pito cambaleante no Proteus, mas não logrou êxito completo: um batalhão esperava-o na virada. Na frente uma invocada teiú, com um diamante luzindo na testa, balançava a cauda como um chicote e bufava esfumaçando: Vai pra onde, moço? Lascou-se! Era fogo no rabo e bafo de lâmina afiada no focinho, maior viela – aí fodeu, cul-de-sac. Na maior enrascada, não havia alternativa afora se submeter à terceira e última prova. Teibei. Pensou: fodido por um, fodido por mil, vamos lá, manda! Atinou recurso: ao saber dos segredos dela, defendeu-se revelando os seus próprios, assim: sou Carambolo, o Réptil Real, filho da Mulher que Ler, a viúva de óculos do Dulcídio das Palavras andantes de Galeano. Minha mãe me criou e vivia sentada na areia fininha, com suas 7 saias cobrindo-lhe os pés, sempre na leitura de livros. Eu adorava mamar alisando suas longas tranças. Assim nasci, cresci e vivo até hoje manso e sadio, depois que ela se foi. Aplausos gerais! No mais ou menos,  finalmente, estavam vencidas todas as etapas de sua jornada. Neste momento o pároco relevou a conferência e, em cima da bucha, convocou os padrinhos e convidados, quando Tijubina que era jeitosa e sonsa, o que tinha de formosura, esbanjava nas ciladas e vaidade, logo, na horagá, chamou a todos os seus parentes batráquios e vieram aos montes tantos sapões, como rãs cururus, salamandras, pererecas, tritões e cobras-cegas, mais uma tuia de girinos afilhados. Que é que é isso? Uma multidão em polvorosa. Até o quadrúpede alado Pyrausta veio das fornalhas das fundições de Chipre e foi quem adentrou o recinto puxando pela mão dela, toda reboculosa vestida de crinolina verde, saia rodada com aplicações de renda, cabelos castanhos, entre os quais, um brilhante faiscava ofuscante: tal e qual sua mãe, confirmava. Casaram-se engalanados num sobrado na cidade de Santa Fé. Depois da cerimônia, mais maravilhado que nunca, Carambolo, num estalo, gritou: A lera! Cadê os calanguistas? E todos se organizaram: dois cantadores armados de heptassílabos às quadras se apresentaram aos versos rimados, ao som da sanfona de 8 baixos e acompanhamento duma viola caipira, pandeiro, triângulo, reco-reco e ganzá. Para engrossar a festança, um acordeão soou de longe: Segura o refrão! O cavaquinho aumentou o tom no solo, puxou sextilha pro desafio. Vamos de calango repicado. Isso é que é calango corrido! Poeta, segura a linha da porfia! Agora pra linha do barandão! Traz a tocha de bambu que é baile de barraca! A disputa corria solta: puxa calango da bicharada! Todos bailavam e ele entrelaçado nela, com passos simples, no maior forró, aos rodopios, requebros e desengoços, assim respondiam-se mutuamente à provocação de ambos. Era quase final de festa, um alarido. Foi um corre-corre medonho. O padre escapuliu, os convidados fugiram, outros morreram, só os dois escaparam vítimas de letal pandemia, com não se sabe quantos defuntaram de muitos. Ficaram de quarentena pro resto da vida. Repetia-se com ela o que ocorreu com sua mãe: o sacristão aprisionou-a em uma guampa e foram viver numa casa de taipa na caatinga, como se fossem os condenados a viver numa furna, longe de tudo e de todos, sozinhos. Até mais ver.

 

Virginia Woolf: Se você não disser a verdade sobre si mesmo, não poderá dizê-la sobre os outros... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Elvira Lindo: Mentir nem sempre é necessário, mas é algo a que nos habituamos e que não conseguimos evitar... Dizem que o que mais sentimos falta nos mortos são as peculiaridades que nos irritavam, e não a coerência de suas ações... Não viver é não sofrer e não saber... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Angela Davis: Não aceito mais as coisas que não posso mudar. Estou mudando as coisas que não posso aceitar... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

SEM COMPASSO

Imagem: acervo ArtLAM.

Desvariando \ regressando \ caindo \ rompendo a boca e os dentes \ fechando os olhos para evitar o punhal verde \ guardando os ouvidos da broca \ sufocando de calor \ tocando as fotos que foram relógio todos esses anos \ acariciando a terra que guarda amores fugidos \ acariciando minha língua com sabores que me fazem texto \ sendo filha recebida \ recuperando as horas de sono aconselhadas por Salerno \ resgatando uma parte de mim que foge a cada dia \ deixando de ver o berço como bruma \ como incêndio \ como ilha que se afasta do meu nado.

Poema da escritora, jornalista e pesquisadora venezuelana Lena Yau, autora de obras como Trae tu espalda para hacer mi mesa (2015); Lo que contó la mujer canalla (2016); Bienmesabes (2018); Bonnie Parker o la posibilidad de un árbol (2018); Carne de mi carne (2018); Nubes (2019); Escribir afuera (2021); Asintomática (2021); Cuentos de Venezuela (2022) e En la desnudez de la luz. Poetas venezolanas nacidas en la década del sesenta (2022). Veja mais aquí.

 

ÚLTIMA PARADA – [...] Às vezes, você só precisa sentir, porque merece ser sentido. [...] Quando se passa a vida inteira sozinho, é incrivelmente atraente mudar-se para um lugar grande o suficiente para se perder nele. Onde estar sozinho pareça uma escolha. [...] Talvez eu ainda não saiba o que preenche esse espaço, mas posso observar o ambiente ao meu redor, o que cria essa forma, e me importar com o que o compõe, se é bom, se machuca alguém, se faz as pessoas felizes, se me faz feliz. E isso pode ser o suficiente por enquanto. [...]. Trechos extraídos da obra One Last Stop (St. Martin's Griffin, 2021), da jornaista e escritora estadunidense Casey McQuiston, que na sua obra I Kissed Shara Wheeler (Pan Macmillan, 2022), ela expressou: […] Não acredito que fazer algo na frente de todos torne isso mais significativo. Pelo contrário, faz com que deixe de ser algo seu. [...] Ela se sente como a lombada de um livro prestes a se romper e derramar todas as entranhas da história de amor. [...]. Já noutra obra Red, White & Royal Blue (Macmillan, 2022), ela expressa que: […] Às vezes você simplesmente pula e espera que não seja um penhasco. [...] Devo te contar que, quando estamos separados, seu corpo volta para mim em sonhos? Que quando durmo, eu te vejo, a curva da sua cintura, a sardinha acima do seu quadril, e quando acordo de manhã, parece que estive com você ontem mesmo, o toque fantasma da sua mão na minha nuca, fresco e não imaginado? Que posso sentir sua pele contra a minha, e isso faz cada osso do meu corpo doer? Que, por alguns instantes, posso prender a respiração e estar de volta lá com você, em um sonho, em mil quartos, em lugar nenhum? [...] Mas a verdade é, também, simplesmente esta: o amor é indomável. [...].

 

CRUZADA LINGUISTICA – [...] uma cruzada pela educação linguística. Quando eu era mais jovem, coletei muitas histórias de vida porque precisávamos reconstruir a memória para recuperar a terra. [...] Do ponto de vista cultural, isso permite falar de uma visão de mundo onde os seres humanos estão intrinsecamente ligados à natureza. Estamos ligados às montanhas. Nossos nomes estão conectados aos animais, aos pássaros: essa é a nossa identidade. [...] O que aconteceu é que a reforma educacional não leva em consideração as línguas ou os povos indígenas. Os projetos de aperfeiçoamento docente também não os mencionam. A lei de inclusão fala sobre diversidade, mas não se refere às línguas ou aos direitos dos povos indígenas.  [...]. Trechos da entrevista Elisa Loncon: A descolonização da linguagem (Revista Universitária PUC-Chule, 2016), concedida pela linguista, professora e ativista chilena Elisa Loncón, defendendo a decolonização linquística, a identidade, diretos culturais e linguístico do povo mapuche e dos povos originários do Chile. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE DE GERALDO AZEVEDO

[...] Na verdade, eu comecei na década de 60, como músico. Na década de 70, eu já virei um compositor, já tinha um trabalho, já estava criando um trabalho mais. [...] eu acho que eu tomei muito consciência foi na segunda prisão, quando eu fiquei preso. Primeiro morreu uma pessoa do meu lado sendo torturada. Foi muito torturado. E aí. Foi aí que eu comecei a fazer uma reflexão sobre a minha vida. [...] Desde a década de 90 que eu venho falando da água. Isso antes de todo mundo, de ter essas secas assim. Porque eu nasci no rio São Francisco e quando foi na década de 90 que comecei a fazer shows pelo Nordeste, de volta e passei por algumas cidades do rio São Francisco eu fiquei chocado. Na década de 90. O rio São Francisco... Cheguei em Penedo, as pessoas atravessavam o rio andando em lugares em que passavam embarcações... [...] O Brasil é um país que tem que orgulhar quem nasce no Brasil. Mas o fato é que é um país que se rende demais, que se viciou no colonialismo. [...] O que me inspira mesmo no trabalho, o que me liga ao trabalho, a primeira coisa é o amor. O amor, a relação da vida com a vida. Mas a natureza de um modo geral. Eu fui criado... eu conheci a natureza de pé no chão, tomando banho de rio, sem luz elétrica, sem motor. A minha relação com a natureza foi muito viva. [...].

Trechos da entrevista O Brasil se viciou no colonialismo: Entrevista com o cantor Geraldo Azevedo (Revista Interdisciplinar em Cultura e Sociedade – RICS-UFMA, 2016), recolhida por João de Deus Barros, com o cantor e compositor Geraldo Azevedo (Geraldo Azevedo de Amorim). Veja mais aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

&

Luiz Gonzaga aquí, aquí, aquí, aquí, aquí & aquí.

Patrícia França aqui & aqui.

Antônio Maria aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Joana Lira aqui.

Jurandir Freire Costa aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Clarice Falcão aqui, aqui & aqui.

Gilberto Freyre aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Maria Goretti Rocha de Oliveira aqui & aqui.

Francisco Augusto Pereira da Costa aqui, aqui, aqui & aqui.

Guita Charifker aqui & aqui.

 
Veja Portfólio aqui.

 

domingo, janeiro 11, 2026

LOLA SHONEYIN, SUSANNA TAMARO, DORIS GOODWIN & FÁTIMA QUINTAS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Esteja atento à oportunidade... A oportunidade é como uma janela: de vez em quando, ela se abre só para quem está pronto. Portanto, esteja preparado, trabalhe duro e siga seus sonhos... Nada é mais importante para mim do que o amor...

Pensamento ao som do álbum Controlled Chaos (Sumerian Records, 2018), da guitarrista e instrumentista Nita Strauss.


Lágrimas de sangue, o cio de Tânatos... - O gorjeio de pássaros saúda as nuvens afogueadas do dilúculo e a promessa de uma possível pacificação reluzente na esplendida abóbada celeste. Mas, não era: logo cumulonimbus se insinuavam entre nimboestratos e era a incerteza da vida pelo horizonte azulado, com os sinais nem tão longínquos do Lamentável expediente da guerra. E era como se pudesse ver a cena de mãos batendo inexoráveis ao peito, a jactância abominável do umbigo mandão hediondo espalhando espessas mentiras repetidas e reiteradas vezes até soar como verdade absoluta, a inventada nova que precisava da discórdia para firmar parcerias excludentes e estreitar altos laços exclusivos com seus interesses escusos. Precisava mentir e jurar uma fidelidade hipócrita para cravar os dentes na primeira jugular indefesa que confrontasse, preando todos seus xerimbabados e posses, o indébito no cúmulo da extravagância. Este era o recurso frívolo da pugna e que o confronto fosse letal. Os canhões eram drones preparadores da tanatopraxia e se as bombas doessem, pouco importava, quanto mais mortes, melhor! O espetáculo e a festa era de quem e pra quem? Satisfeita a preação, abandonava-se o monturo de defuntos à sorte de pastores que reconduzissem o rebanho de famélicos, apascentando as rastejadoras feras, na tentativa de apaziguar seus infortúnios e padecimentos. Os aproveitadores invisíveis fabricavam pestes e crises, o show tinha que continuar. A própria dor tornava-se invisível e tudo era desumano, porque o bem e o bom deixam sequelas inadmissíveis e fazem a tragédia insossa da mesmice. Precisavam-se cotoveladas para abrir caminho, pernadas afugentando aos coices, chutes enxotando fulanos, cuspidas de asco nos beltranos, repulsa por sicranos e a exclusividade da posse, xô pedintes, miseráveis, retardatários. Era definitivamente o império do ódio. E com a sua síndrome de Pica aos golpes de mordidas no subsolo devorando famintos os subterrâneos de cobre, nióbio, salitre, estanho, ferro, aço, petróleo, ouro e prata, cada vez mais esfomeados com os cintrômetros das jazidas e os retropropulsores da riqueza, a malversação dos recursos e as perduráveis catástrofes, a espoliação e o livre-cambismo, a rapinagem dos despojos nas cláusulas contratuais e seus gravames nas salvaguardas estratégicas, o delírio fraudulento e malthusiano: a necessidade era maior do que se podia obter – na verdade, se obtinha muito mais além da precisão, a obesidade e a ganância, a erosão ética e o fantasma da fome. As vítimas? Ah, o consabido: a Terra sempre foi a Nau dos insensatos – a Ship of Fools de Katherine Porter -, de esborrar pelo trajeto os deformados das telas de Bacon, qualquer lugar reduzido à Balsa da Medusa migrando para o jardim das delícias de Bosch. E alhures o fim do mundo de Llosa que era o mesmo dos Sertões de Euclides. Ninguém queria morrer de tédio. Só se matava pra sair da depressão: a vida só para ganhar dinheiro. E muito, de preferência muito mesmo, e acumular além do suficiente e subjugar quem vier pela frente. A ansiedade da oniomania não precisava definir que bicho era esse que berrava hostil e fazia de panaceia a guerra. Era a vez da primavera de Ginsberg: Só quem se curvou pagou com o corpo as sevícias da fraqueza; só quem se acovardou tornou-se vítima da opressão. A guerra era e sempre foi o atestado de que fracassamos todos, a humanidade foi derrotada, a derrocada humana, a peremptória reprovação do ser humano. E a paz a partiir de então se tornou uma utópica pomba que voava numa flamejante bandeira ultrajada pelos estardalhaços da Rosa de Hiroshima. Até mais ver.

 

Regina Silveira: Como não ser curioso ao ver o noticiário? Pelas causas das coisas, suas consequências e o que o futuro nos reserva... Vejo muita tristeza, vivo muitas tristezas como todo mundo, mas não fico remoendo, então não tem depressão. Vivo a minha vida compreendendo as perdas, entendo os ganhos e continuo gostando de desafios, continuo gostando de coisas difíceis. Há muitas coisas que preciso aprender, ou seja, não sou uma velhinha sentada em frente à televisão ainda... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Jill Tarter: Todos nós pertencemos a uma única tribo: a dos terráqueos... Entendemos a base científica para a interrelação da vida, mas nosso ego ainda não alcançou... Veja mais aqui & aqui.

Viviane Mosé: O alvo da vida não é ser feliz. É aprender a viver... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

CANÇÃO DE UMA AVE RIBEIRINHA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Sentei-me aqui à beira do rio, \ meus olhos fixos na grande trilha. \ Sentei-me aqui por muito tempo, \ junto aos arbustos, sobre as rochas, \ surdo ao riso silencioso do rio. \ Sou o pássaro ribeirinho, \ só faço grandes coisas com a minha boca. \ Vim à beira do rio para me desmascarar. \ Vim para falar da trilha na floresta. \ Alguns disseram que o curandeiro \ silenciará minha voz, \ pois minha língua está sobrecarregada \ de perguntas não feitas. \ Alguns disseram que o curandeiro \ tomará minha voz, \ pois vim à beira do rio para me desmascarar. \ Muitos penduraram suas penas, \ esperando por esta canção. \ Eu digo que fiquei sentado aqui por muito tempo, \ pendurado na grama, \ com os olhos fixos na grande trilha. \ Sinto o varrer das asas da águia, \ sinto o varrer dos ventos ainda adormecidos. \ A águia encontrou as florestas que lamentam, \ a águia seguiu o rastro dos ninhos. \ Este é o varrer dos ventos ainda adormecidos. \ A águia chegou, ela ouvirá grandes coisas. \ Águia dos ventos poderosos, pergunto, \ como atravessarás esta grande trilha? \ As garças passaram com seus bicos ensanguentados, \ tendo enchido seus estômagos com carrapatos dourados. \ Os morcegos passaram e a escuridão se adensou. \ Perguntamos, por quanto tempo mais este reinado da camuflagem? \ A escuridão fragilizou os filhotes em seu desabrochar. \ Os calaus estão roucos com a velha melodia oca. \ Quantos tecelões mais ouvirão \ o chamado do caçador? \ Quantos pássaros canoros mais se pendurarão \ nos galhos do espinheiro? \ Quantas corujas mais evitarão a dança da lua? \ Quantos pardais mais fugirão da escuridão destas terras? \ Quantos galos brancos mais \ se aconselharão com convidados proverbiais? \ Quantos bicos-de-fogo mais acordarão mortos em seus ninhos? \ Águia dos ventos poderosos, \ como atravessarás esta grande trilha? \ Quanto tempo mais durará esta escuridão? \ Ouça com seus ouvidos estas grandes coisas. \ Águia dos ventos poderosos, \ o que vês com teus olhos poderosos? \ Vês a floresta? \ Um pouco à direita, no horizonte? \ Vês aquela floresta com teus olhos poderosos? \ Olhe comigo para além desta escuridão. \ Olhe comigo para além deste rio. \ Você nos vê empoleirados nas pequenas árvores? \ Você ouve os cantos distantes de acasalamento dos \ bandos em êxtase desenfreado? \ Guia-nos ao lugar de verdejantes campos abençoados pelo sol, \ guia-nos às mudas de novos começos, \ guia-nos às raízes da paz eterna, \ guia-nos àquela floresta onde as canções de amor jamais cessam. \ Ouve com teus ouvidos estas grandes coisas.

Poema da escritora nigeriana Lola Shoneyin (Titilola Atinuke Alexandrah Shoneyin), autora da obra The Secret Lives of Baba Segi's Wives (2010), So All The Time I Was Sitting On An Egg (1998) e Song Of The Riverbird (2002).

 

CAMINHO DO CORAÇÃO – [...] Vivemos projetados em uma realidade virtual, manipulados por diversos veículos jornalísticos e de mídia, e não somos mais capazes de cultivar uma perspectiva original... [...] A pessoa rica é a pessoa humilde, a pessoa que observa as coisas ao seu redor com admiração, porque a admiração é o estado dos olhares — e dos corações — que se renovam a cada dia. [...]. Trechos extraídos da obra La via del cuore (Solferino, 2025), da escritora italiana Susanna Tamaro. Ela é autora de obras como La Tigre e l'Acrobata (2017), Answer Me (2001), Follow Your Heart (1994), Va' dove ti porta il cuore (1994), no qual expressa que: O coração é como a terra, metade na luz e metade na sombra...

 

LIDERANÇA EM TEMPOS TURBULENTOS - […] Cada vez mais me parece que a melhor coisa na vida é ter um trabalho que valha a pena fazer e, então, fazê-lo bem. [...] Os hábitos de uma mente vigorosa são formados na luta contra as dificuldades. Grandes necessidades despertam grandes virtudes. [...] Estudiosos que se dedicam ao estudo do desenvolvimento de líderes situam a resiliência, a capacidade de manter a ambição diante da frustração, no cerne do potencial de crescimento da liderança. Mais importante do que o que lhes aconteceu foi como reagiram a esses reveses, como conseguiram, de diversas maneiras, se reerguer, como essas experiências marcantes, a princípio, os impediram, depois os fortaleceram e, por fim, moldaram decisivamente sua liderança. [...] O sucesso não depende de atributos únicos, mas sim de qualidades comuns elevadas a um grau extraordinário por meio de ambição e trabalho árduo. [...] Recuse-se a deixar que ressentimentos passados se agravem; transcenda as vinganças pessoais. [...] Estabeleça um propósito claro; desafie a equipe a elaborar os detalhes; ultrapasse as fronteiras departamentais convencionais; defina metas ambiciosas de curto e longo prazo; crie sucessos tangíveis para gerar crescimento acelerado e impulso. [...]. Trechos extraídos da obra Leadership: In Turbulent Times (Simon & Schuster, 2018), da escritora e historiadora estadunidense Doris Kearns Goodwin, autora de obra como: The Bully Pulpit: Theodore Roosevelt, William Howard Taft, and the Golden Age of Journalism (2013), Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln (2005), Wait Till Next Year (1997) e No ordinary time: Franklin and Eleanor Roosevelt : the home front in World War II (1994). Veja mais aqui & aqui.

 

TEMPOS PARTIDOS, DE FÁTIMA QUINTAS

A lembrança existe, e é um ponto de vista. Enxergo a verdade entre aspas. Para mim, a memória passa pela ficção e não traz um compromisso total com o realismo. Quando a gente relembra, também reinventa, atenua passagens doloridas e dá outras cores ao que viveu. É claro que partimos de um momento real, que remete a pessoas, fatos e acontecimentos que efetivamente aconteceram. Mas escrevi com a liberdade e a reinvenção exigidas pela literatura...

Pensamento expresso pela própria autora a respeito da obra Tempos Partidos (Giostri, 2021), da escritora e antropóloga Fátima Quintas. Numa entrevista concedida (DCP, 2015), ela também expressou que: A literatura me encanta pela sua capacidade de transfigurar a realidade e de exortar sentimentos que devem aflorar através da palavra... Ela é autora de obra como Sexo e Marginalidade (1987), Educação Sexual: um olhar adiante (1992), Mulheres oprimidas, mulheres vencidas (1996), De névoas e brumas (1999), A mulher e a família no final do século XX (2005), A ilustre casa dos fantasmas (2006), A civilização do açúcar (2007), entre outros livros. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

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BLOCO DA MURIÇOCA: MOSQUITINHO DANADO

Veja mais aqui & aqui.

 

A poesia e o teatro de Joaquim Cardozo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A obra de Luzilá Gonçalves Ferreira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A obra de Josué de Castro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Marianne Peretti aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de J. Borges aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Arlete Salles aquí, aquí & aquí.

A música de Marlos Nobre aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Aurora Dickie aqui & aqui.

A arte de Corbiniano aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Luna Vitrolira aqui, aqui & aqui.

 
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GERMAINE GREER, SUHEIR HAMMAD, AHED TAMIMI & PALLY SIQUEIRA

  Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos álbuns Palavra e Som (2017), Fiz uma Viagem – Songs of Dorival Caymmi (2017),   50 (2018), Brasile...