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quinta-feira, julho 06, 2023

CARL HART, VERONICA ROTH, TUNGA, MARÍA RAMÍREZ DELGADO, HUIZINGA & LÚDICO NA ESCOLA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Ninhal (Maritaca, 1997) e Cartas Brasileiras (2007), da flautista e compositora Léa Freire.

 

PASSADOÍDOENDAGORA – Era junho e já passou: por trinta e um dias eu fui manhã chuvensolarada pelas alegorias do Oficina de José Celso Martinez Correia. Por trinta e um dias eu parêntesis de junhoutros de nenhumoutra lembrança perdida na memória, para que eu indagasse quem aquele da foto na sala, quem aquele: os nossos filhos nos responsabilizarão pelo que perdemos da coragem de sermos deste tempo e terra. Salvou-se uma alma e Maria Luisa Bomball ao meu ouvido: É muito possível desejar morrer, quando se ama demais a vida. A morte me parece uma aventura mais acessível do que a fuga... E se de morte ou de fuga sei eu quase nada, restava-me a solidária companhia de Käthe Kollwitz: Os seres humanos estão tão confusos e precisam de ajuda... Só sei que por trinta e um dias a tarde anoiteceu e eu fiquei na escuridão de séculos, contando os dedos de nenhuma estrela, com meu peito desabotoado a expor o estigma da solidão. E se não fosse Tunga Vê-nus com as afinidades afetivas à luz de dois mundos, sabe-se lá o que poderia acontecer… Só sei que passadoídendagora arrasta a carne terra afora e até mais ver.

 

DITOS & DESDITOS

Imagem: Acervo ArtLAM.

[...] Os educadores estão cientes de que só podem atingir os jovens fazendo uso do espírito de gangue e orientando-o, não trabalhando contra ele. […]. Trecho extraído de Life and Thought in America (1972), do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945). Já na obra Homo ludens (Perspectiva, 2000) ele expressa: [...] mesmo em suas formas mais simples, ao nível animal, o jogo é mais do que um fenômeno fisiológico ou um reflexo psicológico. Ultrapassa os limites da atividade puramente física ou biológica. É uma função significante, isto é, encerra um determinado sentido. No jogo existe alguma coisa “em jogo” que transcende as necessidades imediatas da vida e confere um sentido à ação. Todo jogo significa alguma coisa. Não se explica nada chamando “instinto” ao princípio ativo que constitui a essência do jogo; chamar-lhe “espírito” ou “vontade” seria dizer demasiado. Seja qual for a maneira como o considerem, o simples fato de o jogo encerrar um sentido implica a presença de um elemento não material em sua própria essência. [...] Se verificamos que o jogo se baseia na manipulação de certas imagens, numa certa “imaginação” da realidade (ou seja, a transformação desta em imagens), nossa preocupação fundamental será, então, captar o valor e o significado dessas imagens e dessa “imaginação”. Observaremos a ação destas no próprio jogo, procurando assim compreendê-lo como fator cultural da vida. As grandes atividades arquetípicas da sociedade humana são, desde o início, inteiramente marcadas pelo jogo. Como por exemplo, no caso da linguagem, esse primeiro e supremo instrumento que o homem forjou a fim de poder comunicar, ensinar e comandar. [...] Por detrás de toda expressão abstrata se oculta uma metáfora, e toda metáfora é jogo de palavras. Assim, ao dar expressão à vida, o homem cria um outro mundo, um mundo poético, ao lado do da natureza. Um outro exemplo é o mito, que também é uma transformação ao uma “imaginação” do mundo exterior, mas implica em um processo mais elaborado do que ocorre no caso das palavras isoladas. O homem primitivo procura, através do mito, dar conta do mundo dos fenômenos atribuindo a este um fundamento divino. Em todas as caprichosas invenções da mitologia, há um espírito fantasista que joga no extremo limite entre a brincadeira e a seriedade. Se, finalmente, observarmos o fenômeno do culto, verificaremos que as sociedades primitivas celebram seus ritos sagrados, seus sacrifícios, consagrações e mistérios, destinados a assegurarem a tranquilidade do mundo, dentro de um espírito de puro jogo, tomando-se aqui o verdadeiro sentido da palavra. Ora, é no mito e no culto que têm origem as grandes forças instintivas da vida civilizada: o direito e a ordem, o comércio e o lucro, a indústria e a arte, a poesia, a sabedoria e a ciência. Todas têm suas raízes no solo primevo do jogo. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

O LÚDICO NA EDUCAÇÃO – Na obra Jogo, teatro & pensamento (Perspectiva, 1980), Richard Courtney expressa que: [...] as atividades lúdicas são vistas como projeções: expressões dos pensamentos, impulsos, motivações, mais íntimos da criança que expressam significados particulares: o que um indivíduo faz em uma situação projetiva pode estar expressando diretamente seu mundo privado e processos de personalidade característicos [...]. Afirmação esta que levou a considerar o exposto na obra A formação social da mente (Fontes, 1989), de Lev Vygotsky, expressando que: [...] a ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita à aprendizagem, do desenvolvimento pessoal, social e cultural e colabora para boa saúde mental e física [...]. Bem como na obra Pedagogia do Oprimido (Paz e Terra, 2008), de Paulo Freire, ele expressa que: [...] A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. A promoção das atividades lúdicas, sejam elas individuais ou grupais, oportuniza situações privilegiadas que conduzem à aprendizagem e ao desenvolvimento pessoal, social e cultural, produzindo conhecimentos e experiências que se incorporarão à vida do aluno, abrindo-lhe possibilidades de ser livre e de tomar decisões de acordo com a sua própria consciência [...]. A respeito do tema, o artigo Ludicidade (Revista PUC Educação Física, 1990), o filósofo e pedagogo francês Georges Snyders (1917-2011) expressou que: [...] O lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. Assim, na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. A criança, e mesmo o jovem opõe uma resistência à escola e ao ensino, porque acima de tudo ela não é lúdica, não é prazerosa [...]. Tais conduções levaram ao estudo Sala de aula e avaliação: caminhos e desafios (2002), da professora Regina Shudo, que observou: [...] Algumas questões são quase que determinantes no processo de desenvolvimento da mente infantil, como os ambientes estimulantes; as práticas educativas estimulantes, a exploração de diversos objetos; o encorajamento do adulto nas atividades que possibilitem à criança superar desafios, usar sua imaginação e criatividade [...]. É o que também observa o artigo Ludicidade e atividades lúdicas: uma abordagem a partir da experiência interna (Revista Entreideias, 2014), do processor Cipriano Luckesi ao mencionar que: [...] Enquanto estamos participando verdadeiramente de uma atividade lúdica, não há lugar, na nossa experiência, para qualquer outra coisa além dessa própria atividade. Não há divisão. Estamos inteiros, plenos, flexíveis, alegres, saudáveis. [...]. Tais considerações levaram ao artigo O lúdico como estratégias no Ensino Fundamental II (Revista Gestão Universitária, 2018), de Camila Franco, Luiz Fernando Godinho, Patrick do Nascimento  e Shirley Gomes, no qual encontra-se que: [...] o lúdico deve fazer parte do cotidiano dos alunos, estar presente durante as aulas, como algo mais natural possível, que quando introduzido seja visível a transformação no desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, por que o lúdico auxilia em muitos aspectos quebrando todos os paradigmas existentes, com todas as regras e normas que os conteúdos de Educação Física possui. Assim, tornará o aluno criativo para se relacionar e estar com os colegas, ou até de demonstrar qualquer situação competitiva, ou de liderança durante as atividades desenvolvidas. [....]. Veja mais aqui.

 

LUDOTERAPIA – Por consequência levou-se a pesquisa para o tema terapêutico, pelo qual encontrou-se que a Ludoterapia atualmente é destinada a todas as idades, desde crianças, jovens, adultos ou idosos e o seu uso tanto pode ser a nível da psicoterapia do indivíduo como terapia de grupo, tendo em vista que a terapia do jogo e do contexto lúdico é importante para a aprendizagem e equilíbrio dos seres humanos. É o que advoga a obra Introdução à pedagogia (Coimbra, 1962), de E. Planchard, ao mencionar que: [...] Quanto mais ativa for esta força lúdica, mais a criança, candidata a homem, é inteligente e disponível para um destino superior. É carácter de impulso para o alto e para o futuro que permite fazer do jogo, em que toda a alma está empenhada, mola da educação. [...]. É o que se apreende da leitura da obra Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem (Artmed, 2008), de Vitor da Fonseca, ao observar que: [...] a característica mais genérica que os indivíduos com Dificuldades de Aprendizagem (DA) apresentam é uma discrepância acentuada entre o seu potencial estimado (inteligência igual ou superior à média) e a sua realização escolar (abaixo da média numa ou mais áreas académicas, mas nunca em todas) [...]. O esclarecimento desta questão encontra-se no artigo A importância do lúdico no processo de ensino aprendizagem na educação infantil (Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, 2021), de Gisele Mariotti Putton, ao entender que: [,,,] A ludicidade proporciona uma diversidade de atividades prazerosas que desenvolvem a criança em seus aspectos: cognitivo, afetivo, social e motor. Por meio das atividades lúdicas a criança experimenta, descobre, cria, adquire habilidades, desenvolve a autoconfiança, criatividade, pensamento, expande o desenvolvimento da linguagem, a autonomia e a atenção. Através da dinâmica, o lúdico possibilita além de situações satisfatórias, o surgimento de condutas e assimilação de regras sociais, proporciona o desenvolvimento de seu intelecto, tornando claro seu sentimento, suas angústias, ansiedades, ajudando com o reconhecimento suas dificuldades, proporcionando assim soluções e um engrandecimento na vida interior da criança. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

AUTO-RETRATO EM AGONIA: A extinção não é um sino, uma rosa ou uma pegada subaquática, \ Tem a ver com o cabelo escuro das sombras, \ com a tempestade que para a peste e o pesadelo ainda intransponível. \ Cheira a escuridão quente. \ Afaste-se de casa. \ Gire o botão, respiração desinteressada da chave. \ Não olhe para trás.

SEQUÊNCIA DO TAPETE: Um tapete perturbador mora no consultório do psicólogo. \ Como muitos outros pacientes, caminhando sobre as atrocidades, bordo-o uma vez por semana com as espirais amarelas da culpa que trago, o pescoço aberto de uma mulher nas lajes do trem. \ Determinado tenho tentado me enterrar todo nela, todas as noites, antes de dormir, tenho medo da poeira que posso sentir e que um dia ela vai embora. \ Onde colocar meus olhos então? Onde a fúria preservada entre os dedos? \ Asséptico sorriu para ela enquanto esperava a queda, só ela vê as feridas sob os sapatos, e sabe que não importam, que ninguém pode curá-las.

Poemas da escritora venezuelana María Ramírez Delgado. Veja mais aqui.

 

DIVERGENTE – [...] Acreditamos em atos comuns de bravura, na coragem que leva uma pessoa a defender outra. [...] Tornar-se destemido não é o ponto. Isso é impossível. É aprender a controlar seu medo e a se livrar dele. [...] Eu tenho uma teoria de que o altruísmo e a bravura não são tão diferentes. [...] Às vezes, chorar ou rir são as únicas opções que restam, e rir é melhor agora. [...]. Trechos extraídos da obra Divergent (Katherine Tegen, 2012), da escritora estadunidense Veronica Roth.

 

JORNADA DA AUTODESCOBERTA – […] O paradoxo da educação é precisamente este: quando alguém começa a se tornar consciente, começa a examinar a sociedade na qual está sendo educado. [...] Uma das lições mais fundamentais da ciência é que uma correlação ou ligação entre fatores não significa necessariamente que um fator seja a causa de outro. Este importante princípio, infelizmente, raramente informou a política de drogas. Na verdade, a evidência empírica é frequentemente ignorada quando a política de drogas é formulada [...] o que parecem desvantagens de uma perspectiva podem ser vantagens de outra – e as formas de saber e responder podem ser vantajosas e adaptáveis ​​em um ambiente e desvantajosas e disruptivas em outro [...] Trechos extraídos da obra High Price: A Neuroscientist’s Journey of Self-Discovery That Challenges Everything You Know About Drugs and Society (Harper Perennial, 2014), do professor de psicologia e psiquiatria estadunidense, Carl Hart.

 

LITERATURA PERNAMBUCANA

[...] A cena literária pernambucana vem, de uns anos para cá, vivendo uma verve realmente efervescente; quase nunca tivemos tantos movimentos trabalhando ao mesmo tempo. [...]

Trecho extraído da obra Literatura pernambucana: uma disciplina necessária (Audax, 2017), organizada pelo professor Roberto Queiroz. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


domingo, agosto 21, 2022

BELL HOOKS, VERA INBER, HARRY MULISCH, ELIZABETH LEE WURTZEL & MARIA JOYCE

 

 

Ao som da cantora, compositora e produtora cultural Maria Joyce.

 

TRÍPTICO DQP: A casa em que eu nasci não existe mais... - A madrugada chovia e eu dei a mão ao menino da beira do rio que sempre fui lá no quintal dos milagres. Divagação à toa, talvez. Horas a fio. Ali muitos dos meus amigos invisíveis, Ambulantes do Una, me contavam de tudo, escondidos nos troncos e galhos da minha imaginação. E me davam corda para que eu me metesse a ser o protagonista todo Gonçalo do Ramirez de Eça ou aprontando nas ilhas da Polinésia montado na Moby Dick do Melville, como se me esgueirasse explorando a Meseta do Pamir. Vivia solto na traquinagem e, vez em quando, uma menina aparecia para me contar doutras hestórias do tempo do ronca e do faz de conta, e já sabia de cor outras tantas pulando o muro para ir com ela pro brejo no monte de pó de serra, coisas da meninice mais faceira. Foi lá que Zezé apareceu e eu tinha tantas aventuras a mais que um simples pé de laranja lima. Hoje sorrio xexéu exilado a reviver perplexo o que sobrou daquela infância, assaltado pelos fantasmas madrugadores dos aprisionados pela memória da Casa dos mortos de Doistoiewski – todos foram fuzilados, apesar da comutação da pena, e zanzavam por ali como se fossem aqueles do documentário da Débora Diniz. A menina que brincava comigo naquele tempo reapareceu e era a amiga Sydia Araújo: Eu fui criança e hoje sou lembranças do passado que resiste num presente cuja ausência deixa suspensa em nuvens de algodão doce, um filme que insiste na tela de minha cinemateca. Quando ela sumia tudo ficava como se ouvisse de Stravinsky: Minha infância... foi apenas o período de espera até o momento em que pude mandar para o inferno todos e tudo que me rodeou. Sim, comigo também. É que fui pro mundo e enfrentei vicissitudes e o futuro. Hoje a casa onde nasci não existe mais...

 


Tranche de vie... - Imagem do artista conceitual e visual estadunidense David Reed. – O voo, a mão no presente, a cabeça no futuro e o mundo girava sob meus pés. Fui aprendendo que os seres e coisas não só possuem dois lados, mas muitos no âmago dos mistérios. Com isso muitos desmoronamentos dramáticos presidiram a grandiloquência das repulsas. Amiúde, a brandura, mesmo espedaçado, indignado com a repugnante estupidez. E se de um lado ouvia Eyvind Johnson: Deve-se pensar que você é alguém que vive no futuro e que você tem que julgar – aprovar ou desaprovar – o eu que age hoje, o eu que mantém ou falha... E nisso devemos acreditar: que a esperança e a vontade podem nos aproximar do nosso objetivo final: justiça para todos, injustiça para ninguém. De outro aquela menina reaparecia moça feita como se fosse Chimamanda Ngozi Adichie: A história sozinha cria estereótipos, e o problema com estereótipos é que não é que eles não são verdadeiros, mas que eles são incompletos. Eles fazem uma história se tornar a única história... Eu constantemente cometo o erro de pensar que algo óbvio para mim é óbvio para todo mundo... Nossas histórias se agarram a nós. Somos moldados pelo lugar de onde viemos... O tempo passava e entre dúvidas eu ia singrando a vida para saber do escritor holandês Harry Mulisch (1927-2010) a me jogar na cara lisa: Mas nada existe no futuro; ele está vazio; Pode-se morrer a qualquer momento... Um começo nunca desaparece, nem mesmo com um fim. Ao desencontrar de mim no meio de tantos tropeços, aquela que tanto ia e vinha me trazia os versos de Vai Passar da Vera Inber: Inevitavelmente, os anos passarão, arquivando... / Uma longa, longa fila. / Em uma cidade de pomar, colmeia de asfalto, / Todas as cidades crescerão. / Lindas rosas plantadas em telhados de vidro também florescerão. / Mas nós – asas! — não o verá nem o ouvirá; / Não eu, não você. / Apesar de tudo isso, é fácil imaginar / Esta cidade e / Seu verde, emoldurado no brilho do sol, / Em terra de todos os homens. — / Haverá uma estátua centrada no / octógono de uma certa Praça, / Construída para que o ouro do pôr-do-sol se derrame, escorrendo / Sobre o bronze da jaqueta. / Todos os tipos de criancinhas vão lá, felizes, / sem cuidados. / Brilhantes, eles enviam seus sorrisos no rico pôr do sol / Para aquele que ali se eleva. / Uma mãe levanta seu bebê para os degraus de pedra / E vendo os raios de sol empilhados / Acima deles diz baixinho... E sequer ouvia as últimas palavras porque a buzina do trânsito me roubava a complacência. Sabia, nada é dito em vão, mesmo que se pareça um chiste. Dou meu testemunho, apenas, a minha catarse...

 


É guerra e eu da paz...- Imagem: Iconografia do artista estadunidense Robert Motherwell (1915-1991). – Como pode, hem? Aos trancos e barrancos voo, tudo é tão indefinido, graças! Do nada os olhos de Maria Joyce cantarolando inquieta e cheia de vida, ruacima tempabaixo ali e acolá apontando: viver é possível. Sim, pode ser, eu sei. Era como se fosse a jornalitescritora estadunidense Elizabeth Lee Wurtzel (1967-2020) me dizendo: Às vezes eu gostaria de poder andar por aí com uma placa MANUSEIE COM CUIDADO grudada na minha testa... Isso é tudo que eu quero na vida: que essa dor pareça ter um propósito... E das casas olhos invisíveis por onde íamos entre fotos, instrumentos, garrafas da cachaçaria, o caminho de volta sem antes nem depois. E se para todo lado há só conflito, onde a paz? Não deu outra e Käthe Kollwitz nos lembrava: Toda guerra já traz em si a guerra que a responderá. Cada guerra é respondida por uma nova guerra, até que tudo seja destruído... O pacifismo simplesmente não é uma questão de olhar calmo; é um trabalho árduo... É meu dever dar voz aos sofrimentos das pessoas, os sofrimentos que nunca terminam e são grandes como montanhas. E a cantora trouxe ânimo como se me dissesse que tudo vale a pena, agora e já. Esqueci o que era apenas passado porque o futuro era daquela que se foi sem saudade como se ganhasse o mundo perdendo-se de si mesma. Até mais ver.

 


[...] Não é possível mudá-las [as salas de aula] se os professores não estiverem dispostos a admitir que ensinar sem preconceitos exige que a maioria de nós reaprenda, que voltemos a ser estudantes [...] A integridade está presente quando há congruência ou concordância entre o que pensamos, dizemos e fazemos. [...] Imagine como é ter aulas com um professor que não acredita que você é totalmente humano. Imagine como é ter aulas com professores que acreditam pertencer a uma raça superior e sentem que não deveriam ter de se rebaixar dando aulas para estudantes que eles consideram incapazes de aprender. [...] Foram as experiências dolorosas que me incentivaram a lutar para ensinar de formas que fossem humanizadoras, que animassem o espírito de meus estudantes de maneira que eles se elevassem na direção de sua peculiar completude de pensar e de ser. [...].

Trechos extraídos da obra Ensinando pensamento crítico: sabedoria prática (Elefante, 2020), da escritora, artista professora e ativista feminista e antirracista estadunidense Bell Hooks (Gloria Jean Watkins – 1952-2021), autora de obras como E eu não sou uma mulher? Mulheres negras e feminismo (1981), Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra (1989), Olhares negros: raça e representação (1992), Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade (1994). Dela a frase: O amor é o fundamento de toda mudança social significativa. Veja mais Educação & Livroterapia aqui e aqui.

 


quarta-feira, julho 08, 2020

LA FONTAINE, KÄTHE KOLLWITZ, MÔNICA BURITY & MÁRIO SOUTO MAIOR



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: LHEGUELHÉ DESENTURMADO - Nunca consegui me situar direito nas coisas, sempre um tanto deslocado. Melhor dizendo: bastante por fora, mesmo. Quando não passo batido, a oportunidade é adiada e cai no esquecimento. Foi. Com os da minha idade, uma ou outra interlocução bem precária. Os mais velhos, uma barra para superar a distância. Os mais novos, assim, meio que desencontrados. Com as mulheres, ah sim, com elas tantas interações, só elas. Nem sempre. É que sou daquele que atira no que vê e acerta no que nem está, péssima pontaria, pior jogador. Só passei a me equilibrar melhor quando ouvi Fritz Perls: O primeiro e último problema do indivíduo é integrar-se internamente e ainda assim, ser aceito pela sociedade. Não é à toa que me sinta sempre peixe fora do aquário, hehehehe. Vou.

DOIS: CARTA FORA DO BARALHO OU SEI LÁ O QUÊ – Nos meus deslocamentos, tanto fiz que nem sei se um deu certo, eu estava errado, isso sim; ou seja, se acertei, não era nada. Quando errei, parece que aprumou no êxito, coisa assim, nem lá nem cá, ia e pronto. Se não havia como, arrumava um jeito de proceder de qualquer forma. Ia mesmo. Foi aí que Edgar Morin chegou: Compreender não só aos outros como a si mesmo, a necessidade de se autoexaminar, de analisar a autojustificação, pois o mundo está cada vez mais devastado pela incompreensão, que é o câncer do relacionamento entre seres humanos. Muito para aprender no meio de conflitos e desenquadradas, vou assim mesmo.

TRÊS: QUANDO NÃO PISAVA NA BOLA, DAVA UM BRANCO GÉLIDO – Mesmo assim eu perseverava: escorregando ali, topadas acolá, ia e vinha, isso quando fazia a melada de ficar ou com a cara no chão, ou me fazendo que não havia nada, de tão deslocado. Aprendi com Moraes Moreira: As horas em que mais errei foram as que mais me ensinaram. Mas não tinha jeito, errava toda hora, reincidente, sucumbente. Até que Patativa do Assaré poetou: É melhor escrever errado a coisa certa do que escrever certo a coisa errada... Tinha jeito nada, nunca me levei a sério, nem posso. Na linha, só o trem; quando eu, qualquer coisa. Vou. Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A mulher da classe trabalhadora me mostra muito mais do que as mulheres que são totalmente limitadas pelo comportamento convencional. A mulher da classe trabalhadora mostra-me as mãos, os pés e os cabelos. Ela me permite ver a forma e o corpo de suas roupas. Ela se apresenta e a expressão de seus sentimentos abertamente, sem disfarces. Senti que não tenho o direito de me retirar da responsabilidade de ser uma advogada. É meu dever expressar os sofrimentos das pessoas, os sofrimentos que nunca terminam e são tão grandes quanto as montanhas. Estou gradualmente me aproximando do período da minha vida em que o trabalho vem primeiro. Para o trabalho, é preciso ser duro e empurrar para fora de si o que você viveu. Força é tomar a vida como ela é, sem se deixar quebrantar, e, sem queixas ou excessivo choro, para fazer o próprio trabalho com vigor. Passei por uma revolução e estou convencida de que não sou revolucionária. Eu pensei que era uma revolucionária e era apenas uma evolucionária. Pensamento da escritora, gravurista, escultora, desenhista e pintora alemã Käthe Kollwitz (1867-1945).

AS FÁBULAS DE LA FONTAINE
Ao longo da tua vida tem cuidado para não julgares as pessoas pelas aparências. Aprendei que todo o adulador vive à custa de quem o escuta. Nada há de mais perigoso do que um amigo ignorante; mais vale um sábio inimigo. Não falar para o seu século é falar com surdos. O símbolo dos ingratos não é a Serpente, é o Homem.
LA FONTAINE – As fábulas do poeta e fabulista francês Jean de La Fontaine (1621-1695), foram escritas em três partes, seguindo o estilo do grego Esopo, tendo para o significado de que: É uma pintura em que podemos encontrar nosso próprio retrato. Por esta razão tornou-se o responsável pelo desenvolvimento da fábula moderna e integrando o inventário humano através dos séculos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada bailarina, intérprete, criadora e professora Mônica Burity, que é graduada em Dança pela UniverCidade, integra a Focus Cia. de Dança e atuou em espetáculos como Eles Assistem e Eu Danço – Estudo para Mônica Burity (2005), Samba Variationen (2002), Fauno (2018) e Malditos (2019), entre outros. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Quem nasce no interior vivencia situações e conhece tipos que, dificilmente, fariam parte da vida de alguém da cidade grande. O dinheiro até que tem dado para tomar água de coco, mas preciso publicar e espalhar meus livrinhos nas escolas públicas. Eu sou o tipo do cara realizado, por vários motivos. Pela família, pelos amigos, pela saúde. Tenho 80 anos e todas as minhas taxas estão normais.
A arte do folclorista e etnólogo Mário Souto Maior (1920-2001), que escreveu e publicou mais de 70 livros, tornando-se um dos mais destacados pesquisadores do folclore nordestino. Veja mais dele aqui, aqui & aqui.
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A história de amor de Fernando e Isaura, do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014) aqui.
Fisionomia e espírito do mamulengo, do escritor, dramaturgo e advogado Hermilo Borba Filho (1917-1976) aqui.
A poesia de do poeta, jornalista, professor e crítico literário Cesar Leal (1924-2013) aqui.
Jutaí menino, do escritor Gilvan Lemos (1928-2015) aqui.
Contribuição à história do Ginásio Municipal dos Palmares, do Professor Brivaldo Leão de Almeida aqui.
Rio Una, a música de Jorge de Altinho aqui.
A arte de Paulo Profeta, IbaValeUna & Pintando na Praça aqui.
&
Porque era sábado no Una aqui & aqui.


segunda-feira, abril 27, 2020

BAUMAN, KRISTEVA, BISHOP, ETHEL SMYTH, KÄTHE KOLLWITZ, CORETTA KING, MÔNICA FEIJÓ, REGINA CARVALHO & BELL PUÃ


NÃO SEI COMO, MAS A GENTE VAI! – UMA: AB JOVE PRINCIPIUM – Aí o dedo mindinho do pé esquerdo falou pro do pé direito: Tamofu! Rapaz, que é que é isso? Abyssus abyssum invocat! Lascou, deixa de pantim, desenrola a língua, vai! Osmose de golpes dentro da cilada do espichado embuste dos ardis que quem souber morre inturido - coisa deles encasacados da gente só boiando sem ter em que se agarrar! Assim não dá. Esclarece Livia Garcia-Roza: A cada encontro, um desencontro; e continuamos a nos lançar na falta que nos rodeia. Ora, esse papo está tão qualquer coisa que parece mais Mário de Sá-Carneiro: Eu não sou eu nem sou outro, sou qualquer coisa de intermédio. Perdi-me dentro de mim, porque eu era labirinto. Tamofu! Dá para ser mais claro aí, ó meu? Morri tantas vezes, bandido de faroeste: mocinho chega, nem se dá ao trabalho de armar pontaria, atira de olho fechado e a bala me pega no toitiço, eu na lona, assim desde sempre. Ah, tenho mais que fazer do que ficar remoendo filosofias, carburando ideias, sai-te! O galo cego sempre morre de cauda vazada! Birutou, só sendo! Até, até. DUAS: DOIS BIRITADOS NA QUARENTENA – Já louvei o santo, ligaí. Duzentos. Quanto tá? Quatrocentos? Peraí, ou um ou outro, ora! Oitocentos. Que conta é essa, meu? Tá subindo. Olha direito. Dez mil e... Quanto? Cinquenta mil. Danou-se! Quanto mesmo é que está, hem? Ora, vamos tomar logo essa senão, pelo jeito, pega a gente também. Nada, isso é lá pelas capitais, pelo mundo, aqui tenho o corpo fechado. Meu irmão disse que evangélico não pega! Sei não. Num era só sexagenários? Teve fraqueza, pega até no peido, isso menino, mulher, gente, bicho que for! Eita, assim não dá! Parece que o negócio é sério mesmo. será? Vamos dormir, já estou para lá de cheio dos quequeos! Não arregue! Estou todo estropiado, trocando as pernas. Segura a onda, meu! Já dizia Torquato Tasso: O sono é o doce consolador dos homens. Dá-lhes repouso e o esquecimento de seus pesares. Qual é, meu? Vamos lá, é melhor, assim se chegar perto nem vai dá pra sentir. Estou fora! É dormindo é melhor que acordado, sofre menos. Vambora. Acorda! Que foi? O Coiso tá fazendo pronunciamento. Que nada... vamos dormir que é melhor. Vôte! TRÊS: A OBSCENIDADE DO COISO NA CAVERNA DE PLATÃO – Obscenidade, de novo? Sim, a patetada do Planalto toda reunida e engalanada (!?!): lá vem bomba! Nada, só piadas de mau gosto. Vai lá. Ora, parece mais aquela do Nelson Rodrigues: Nunca o brasileiro foi tão obsceno. Vivemos numa fase ginecológica. Como assim? Explico com Herbert Marcuse: Obscena não é a foto de uma mulher nua com seus pelos púbicos à mostra, mas a de um general fardado exibindo suas medalhas ganhas numa guerra agressora. Vixe! A casa está caindo. Nada, o que ele tá falando? Em cadeia nacional, dor de corno pela traição mútua deles mesmos, umbigo de desgoverno, empáfia do poder de imbróglios, suntuosidade sobre as ruínas da democracia. Em memória aos mortos desassistidos e os que se encontram internados e outros que esperam internação agonizando noitedia, sou poeta pela primeira vez na vida: Somos todos nós! Vou ali buscar um tantinho de paciência que a minha já foi pro beleleu! Beijabrações & até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A homofobia é como racismo, anti-semitismo e outras formas de fanatismo, na medida em que busca desumanizar um grande grupo de pessoas, negar sua humanidade, sua dignidade e personalidade. Isso prepara o terreno para mais repressão e violência que se espalham com muita facilidade para vitimar o próximo grupo minoritário. Acredito que todos que acreditam em liberdade, tolerância e direitos humanos têm a responsabilidade de se opor ao fanatismo e ao preconceito. Pensamento da escritora e ativista Coretta King (1927-2006), que atuou na defesa das mulheres e dos negros em todo mundo, viuva do ativista Martin Luther King Júnior. Ela fundou o Centro King, em 1968, para promover a igualdade racial, desempenhando proeminente papel após o assassinato do seu marido, tornando-se ativa no Movimento das Mulheres e nos direitos LGBT.

 

OUTROS DITOS

Ser poeta é um dos empregos mais insalubres: não há horários regulares e muitas tentações!...

Pensamento da poeta estadunidense Elizabeth Bishop (1911-1979). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

PODERES DO HORROR, DE JULIA KRISTEVA

[...] Junto com a tontura que turva a vista, a náusea me faz hesitar diante daquele creme de leite, me separa da mãe e do pai que o oferecem. "Eu" não quero nada daquele elemento, sinal do seu desejo; "Eu" não quero ouvir, "Eu" não o assimilo. "Eu" o expulso. Mas como a comida não é um "outro" para "mim", que sou apenas no desejo deles, eu me expulso, eu me cuspo, eu me abjeto com o mesmo movimento pelo qual "eu" pretendo me estabelecer. Esse detalhe, talvez insignificante, mas que eles descobrem, enfatizam, avaliam, essa ninharia me vira do avesso, as entranhas se espalhando; é assim que eles veem o "eu" em processo de se tornar um outro às custas da minha própria morte. Durante esse curso eu sou que "eu" me torno, eu dou à luz a mim mesmo em meio à violência dos soluços, do vômito. Protesto mudo do sintoma, estilhaçando a violência de uma convulsão que, certamente, se inscreve num sistema simbólico, mas no qual, sem querer nem poder integrar-se para lhe responder, abjeta. Abjeta. [...] O fóbico não tem outro objeto senão o abjeto. Mas essa palavra, "medo" — uma névoa fluida, uma viscosidade elusiva —, mal surge, se esvai como uma miragem e permeia todas as palavras da língua com a inexistência, com um brilho alucinatório e fantasmagórico. Assim, o medo tendo sido colocado entre parênteses, o discurso só parecerá sustentável se confrontar incessantemente essa alteridade, um fardo ao mesmo tempo repulsivo e repelido, um poço profundo de memória inacessível e íntimo: o abjeto. [...] A abjeção está acima de toda ambiguidade. Porque, ao mesmo tempo em que libera um domínio, não isola radicalmente o sujeito daquilo que o ameaça — pelo contrário, a abjeção o reconhece em perigo perpétuo. [...] Quando o céu estrelado, uma vista de mar aberto ou um vitral que lança raios púrpura me fascinam, há um conjunto de significados, de cores, de palavras, de carícias; há toques leves, aromas, suspiros, cadências que surgem, me envolvem, me transportam e me arrastam para além das coisas que vejo, ouço ou penso. O objeto "sublime" se dissolve nos êxtases de uma memória sem fundo. É uma tal memória que, de ponto de parada em ponto de parada, de lembrança em lembrança, de amor em amor, transfere esse objeto para o ponto refulgente do deslumbramento em que me perco para ser. [...] O limpo e apropriado (no sentido de incorporado e incorporável) torna-se imundo, o desejado transforma-se em banido, o fascínio em vergonha. Então, o tempo esquecido surge de repente e condensa num relâmpago, uma operação que, se pensada, envolveria a aproximação dos dois termos opostos, mas que, por conta desse relâmpago, é descarregada como um trovão. O tempo da abjeção é duplo: um tempo de esquecimento e trovão, de infinito velado e o momento em que a revelação irrompe. [...].

Trechos extraídos da obra Powers of Horror: An Essay on Abjection - European Perspectives: a Series in Social Thought & Cultural Ctiticism (Columbia University Press,1982), da escritora, professora e psicanalista búlgara Julia Kristeva. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A RIQUEZA DE POUCOS BENEFICIA TODOS NÓS?

[...] o aumento da “riqueza total” caminha com um aprofundamento da desigualdade social [...] compromisso, aceitação de riscos, presteza para o autossacrifício; representa escolher um caminho incerto e não mapeado, árduo e acidentado, à espera de -e determinado a -partilhar a vida do outro. O amor pode ou não caminhar com a felicidade serena, mas quase nunca caminha com o conforto e a conveniência; ele jamais espera isso com confiança e menos ainda com certeza. [...] pode nosso desejo de desfrutar os prazeres da convivialidade, por mais “natural”, “endêmico” e “espontâneo” que ele seja, ser buscado dentro do tipo de sociedade hoje predominante, contornando-se a mediação do mercado e sem cair, consequentemente, na armadilha do utilitarismo? [...] Pessoas que são ricas estão ficando mais ricas apenas porque já são ricas. Pessoas que são pobres estão ficando mais pobres apenas porque já são pobres. Hoje a desigualdade continua a aprofundar-se pela ação de sua própria lógica e de seu momento. Ela não carece de nenhum auxílio ou estímulo a partir de fora – nenhum incentivo, pressão ou choque. A desigualdade social parece agora estar mais perto do que nunca de se transformar no primeiro moto-perpétuo da história – o qual seres humanos, depois de inumeráveis tentativas fracassadas, afinal conseguiram inventar e pôr em movimento [...].

Trechos extraídos da obra A riqueza de poucos beneficia todos nós? (Zahar, 2015), do sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017), no qual analisa as premissas que sustentam a convicção de que a riqueza de poucos beneficia todos nós, desvendando as falácias que se ocultam por trás dela, mostrando o individualismo do mundo de consumo é a ideologia que justifica o enriquecimento sem freios dos já muito ricos, apresentando como estratégia de vida o modelo das celebridades. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A MÚSICA DE ETHEL SMYTH
A loucura é aterradora, posso assegurar-te isto, e vale a pena tê-la em conta; na sua lava encontro ainda a maior parte das coisas acerca das quais escrevo.
ETHEL SMYTH - Trecho da correspondência enviada pela escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941) para a escritora, compositora e sufragista britânica Ethel Smyth (1858-1944) que, apesar da oposição de seus pais, determinou-se em se tornar compositora frequentando o Conservatório de Leipzip. Ao longo da sua trajetória ela compôs cânticos, obras para piano, música de câmara, de orquestra e concertante, coros e óperas, dedicando-se, em seguida, à causa do sufrágio feminino. Ela é a autora da March of the Women, que se tornou no hino do movimento sufragista. Também publicou cerca de dez livros, a maioria de teor autobiográfico, teve diversos casos amorosos e, apesar do renome e talento, ela foi condenada a dois de prisão por engajar-se no movimento de emancipação feminina.
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A MÚSICA DE MÔNICA FEIJÓ
Meus trabalhos são distintos, porque canto como me sinto no momento, e sigo cantando a simplicidade e o cotidiano com minha personalidade. Eu digo que trabalho com world music, faço música do mundo, porque já visitei o eletrônico, o samba, o pop, o frevo, e não acho que essas mudanças possam me prejudicar, é a minha marca, a minha verdade.
MÔNICA FEIJÓ – A música da cantora, compositora, bailarina e atriz Mônica Feijó, que é formada em Artes Cênicas e estudou no Centro de Artes de Laranjeira (CAL), trabalhando em cinema, televisão e teatro. Reúne na sua carreira os álbuns Faces do Subúrbio (1998) Aurora 5365 (2000), Matalanamão (2001), Sambasala (2005), À vista (2011) e Frevo para ouvir deitado (2018), entre outros em que participou. Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE KÄTHE KOLLWITZ
Eu pensei que era uma revolucionária e era apenas uma evolucionária. Passei por uma revolução e estou convencida de que não sou revolucionária. O artista geralmente é filho de seu tempo, principalmente se seus anos de formação caírem no período do socialismo inicial. Está tudo bem comigo que meu trabalho serve a um propósito. Quero ter um efeito no meu tempo, no qual os seres humanos estão tão confusos e precisam de ajuda.
KÄTHE KOLLWITZ - A arte da pintora, desenhista, gravurista e escultora alemã Käthe Kollwitz (1867-1945), que reflete em sua obra a eloquente visão das condições humanas da primeira metade do século XX, com traços do Naturalismo e do Expressionista, trazendo a classe operária, a fome, a guerra e a pobreza como temas recorrentes. Veja mais aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Meus pés / E seus sapatos vermelhos / Vão em frente / Mesmo sem saída / Porque na nossa estrada / Não há volta / Só há ida.
REGINA CARVALHO - A arte da artista visual, poeta, professora e ilustradora Regina Carvalho, que é forma em Artes Plásticas pela UFPE, com especialidade em Arte Contemporânea e já participou de salões e de várias exposições individuais e coletivas. Ela foi integrante da Brigada Henfil, é autora de seis livros de poemas publicados, alguns livros de artista e um de desenho. Ela também participa do laboratório de Morfotaxonomia da UFPE e do grupo de gravura Gráfica Lenta no atelier Mau Mau. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
tua carne arde / e já sinto o sabor lunar dos atravessamentos / o tempero dos ventos de ontem / quilômetros de desejos
A arte da premiada poeta slammer Bell Puã, que é graduada e tem mestrado em História pela UFPE e é autora das obras É que dei o perdido na razão (Castanha Mecânica, 2018), Lutar é crime (Letramento, 2019), No entanto: dissonâncias (Antologia - Castanha Mecânica, 2019), do Ninguém solta a mão de ninguém - manifesto afetivo de resistência e pelas liberdades (Antologia – Claraboia, 2019) e Querem nos calar - poemas para serem lidos em voz alta (Antologia – Planeta, 2019).
A literatura de Xico Sá aqui, aqui & aqui.
A música de Nando Lauria aqui.
A arte do Mestre Vitalino aqui.
Pernambuco nos séculos XVI ao XIX aqui e aqui.
A arte de Rollandry Silvério aqui, aqui, aqui & aqui.
O lamentável expediente da guerra aqui.



TATIANA DE ROSNAY, VERONIKA KIVISILLA, NIALL FERGUSON & MARIA LAURA LOPES

  Imagem: Fluxo dos devires , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula porcina na cabeça!... -...