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domingo, janeiro 11, 2026

LOLA SHONEYIN, SUSANNA TAMARO, DORIS GOODWIN & FÁTIMA QUINTAS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Esteja atento à oportunidade... A oportunidade é como uma janela: de vez em quando, ela se abre só para quem está pronto. Portanto, esteja preparado, trabalhe duro e siga seus sonhos... Nada é mais importante para mim do que o amor...

Pensamento ao som do álbum Controlled Chaos (Sumerian Records, 2018), da guitarrista e instrumentista Nita Strauss.


Lágrimas de sangue, o cio de Tânatos... - O gorjeio de pássaros saúda as nuvens afogueadas do dilúculo e a promessa de uma possível pacificação reluzente na esplendida abóbada celeste. Mas, não era: logo cumulonimbus se insinuavam entre nimboestratos e era a incerteza da vida pelo horizonte azulado, com os sinais nem tão longínquos do Lamentável expediente da guerra. E era como se pudesse ver a cena de mãos batendo inexoráveis ao peito, a jactância abominável do umbigo mandão hediondo espalhando espessas mentiras repetidas e reiteradas vezes até soar como verdade absoluta, a inventada nova que precisava da discórdia para firmar parcerias excludentes e estreitar altos laços exclusivos com seus interesses escusos. Precisava mentir e jurar uma fidelidade hipócrita para cravar os dentes na primeira jugular indefesa que confrontasse, preando todos seus xerimbabados e posses, o indébito no cúmulo da extravagância. Este era o recurso frívolo da pugna e que o confronto fosse letal. Os canhões eram drones preparadores da tanatopraxia e se as bombas doessem, pouco importava, quanto mais mortes, melhor! O espetáculo e a festa era de quem e pra quem? Satisfeita a preação, abandonava-se o monturo de defuntos à sorte de pastores que reconduzissem o rebanho de famélicos, apascentando as rastejadoras feras, na tentativa de apaziguar seus infortúnios e padecimentos. Os aproveitadores invisíveis fabricavam pestes e crises, o show tinha que continuar. A própria dor tornava-se invisível e tudo era desumano, porque o bem e o bom deixam sequelas inadmissíveis e fazem a tragédia insossa da mesmice. Precisavam-se cotoveladas para abrir caminho, pernadas afugentando aos coices, chutes enxotando fulanos, cuspidas de asco nos beltranos, repulsa por sicranos e a exclusividade da posse, xô pedintes, miseráveis, retardatários. Era definitivamente o império do ódio. E com a sua síndrome de Pica aos golpes de mordidas no subsolo devorando famintos os subterrâneos de cobre, nióbio, salitre, estanho, ferro, aço, petróleo, ouro e prata, cada vez mais esfomeados com os cintrômetros das jazidas e os retropropulsores da riqueza, a malversação dos recursos e as perduráveis catástrofes, a espoliação e o livre-cambismo, a rapinagem dos despojos nas cláusulas contratuais e seus gravames nas salvaguardas estratégicas, o delírio fraudulento e malthusiano: a necessidade era maior do que se podia obter – na verdade, se obtinha muito mais além da precisão, a obesidade e a ganância, a erosão ética e o fantasma da fome. As vítimas? Ah, o consabido: a Terra sempre foi a Nau dos insensatos – a Ship of Fools de Katherine Porter -, de esborrar pelo trajeto os deformados das telas de Bacon, qualquer lugar reduzido à Balsa da Medusa migrando para o jardim das delícias de Bosch. E alhures o fim do mundo de Llosa que era o mesmo dos Sertões de Euclides. Ninguém queria morrer de tédio. Só se matava pra sair da depressão: a vida só para ganhar dinheiro. E muito, de preferência muito mesmo, e acumular além do suficiente e subjugar quem vier pela frente. A ansiedade da oniomania não precisava definir que bicho era esse que berrava hostil e fazia de panaceia a guerra. Era a vez da primavera de Ginsberg: Só quem se curvou pagou com o corpo as sevícias da fraqueza; só quem se acovardou tornou-se vítima da opressão. A guerra era e sempre foi o atestado de que fracassamos todos, a humanidade foi derrotada, a derrocada humana, a peremptória reprovação do ser humano. E a paz a partiir de então se tornou uma utópica pomba que voava numa flamejante bandeira ultrajada pelos estardalhaços da Rosa de Hiroshima. Até mais ver.

 

Regina Silveira: Como não ser curioso ao ver o noticiário? Pelas causas das coisas, suas consequências e o que o futuro nos reserva... Vejo muita tristeza, vivo muitas tristezas como todo mundo, mas não fico remoendo, então não tem depressão. Vivo a minha vida compreendendo as perdas, entendo os ganhos e continuo gostando de desafios, continuo gostando de coisas difíceis. Há muitas coisas que preciso aprender, ou seja, não sou uma velhinha sentada em frente à televisão ainda... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Jill Tarter: Todos nós pertencemos a uma única tribo: a dos terráqueos... Entendemos a base científica para a interrelação da vida, mas nosso ego ainda não alcançou... Veja mais aqui & aqui.

Viviane Mosé: O alvo da vida não é ser feliz. É aprender a viver... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

CANÇÃO DE UMA AVE RIBEIRINHA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Sentei-me aqui à beira do rio, \ meus olhos fixos na grande trilha. \ Sentei-me aqui por muito tempo, \ junto aos arbustos, sobre as rochas, \ surdo ao riso silencioso do rio. \ Sou o pássaro ribeirinho, \ só faço grandes coisas com a minha boca. \ Vim à beira do rio para me desmascarar. \ Vim para falar da trilha na floresta. \ Alguns disseram que o curandeiro \ silenciará minha voz, \ pois minha língua está sobrecarregada \ de perguntas não feitas. \ Alguns disseram que o curandeiro \ tomará minha voz, \ pois vim à beira do rio para me desmascarar. \ Muitos penduraram suas penas, \ esperando por esta canção. \ Eu digo que fiquei sentado aqui por muito tempo, \ pendurado na grama, \ com os olhos fixos na grande trilha. \ Sinto o varrer das asas da águia, \ sinto o varrer dos ventos ainda adormecidos. \ A águia encontrou as florestas que lamentam, \ a águia seguiu o rastro dos ninhos. \ Este é o varrer dos ventos ainda adormecidos. \ A águia chegou, ela ouvirá grandes coisas. \ Águia dos ventos poderosos, pergunto, \ como atravessarás esta grande trilha? \ As garças passaram com seus bicos ensanguentados, \ tendo enchido seus estômagos com carrapatos dourados. \ Os morcegos passaram e a escuridão se adensou. \ Perguntamos, por quanto tempo mais este reinado da camuflagem? \ A escuridão fragilizou os filhotes em seu desabrochar. \ Os calaus estão roucos com a velha melodia oca. \ Quantos tecelões mais ouvirão \ o chamado do caçador? \ Quantos pássaros canoros mais se pendurarão \ nos galhos do espinheiro? \ Quantas corujas mais evitarão a dança da lua? \ Quantos pardais mais fugirão da escuridão destas terras? \ Quantos galos brancos mais \ se aconselharão com convidados proverbiais? \ Quantos bicos-de-fogo mais acordarão mortos em seus ninhos? \ Águia dos ventos poderosos, \ como atravessarás esta grande trilha? \ Quanto tempo mais durará esta escuridão? \ Ouça com seus ouvidos estas grandes coisas. \ Águia dos ventos poderosos, \ o que vês com teus olhos poderosos? \ Vês a floresta? \ Um pouco à direita, no horizonte? \ Vês aquela floresta com teus olhos poderosos? \ Olhe comigo para além desta escuridão. \ Olhe comigo para além deste rio. \ Você nos vê empoleirados nas pequenas árvores? \ Você ouve os cantos distantes de acasalamento dos \ bandos em êxtase desenfreado? \ Guia-nos ao lugar de verdejantes campos abençoados pelo sol, \ guia-nos às mudas de novos começos, \ guia-nos às raízes da paz eterna, \ guia-nos àquela floresta onde as canções de amor jamais cessam. \ Ouve com teus ouvidos estas grandes coisas.

Poema da escritora nigeriana Lola Shoneyin (Titilola Atinuke Alexandrah Shoneyin), autora da obra The Secret Lives of Baba Segi's Wives (2010), So All The Time I Was Sitting On An Egg (1998) e Song Of The Riverbird (2002).

 

CAMINHO DO CORAÇÃO – [...] Vivemos projetados em uma realidade virtual, manipulados por diversos veículos jornalísticos e de mídia, e não somos mais capazes de cultivar uma perspectiva original... [...] A pessoa rica é a pessoa humilde, a pessoa que observa as coisas ao seu redor com admiração, porque a admiração é o estado dos olhares — e dos corações — que se renovam a cada dia. [...]. Trechos extraídos da obra La via del cuore (Solferino, 2025), da escritora italiana Susanna Tamaro. Ela é autora de obras como La Tigre e l'Acrobata (2017), Answer Me (2001), Follow Your Heart (1994), Va' dove ti porta il cuore (1994), no qual expressa que: O coração é como a terra, metade na luz e metade na sombra...

 

LIDERANÇA EM TEMPOS TURBULENTOS - […] Cada vez mais me parece que a melhor coisa na vida é ter um trabalho que valha a pena fazer e, então, fazê-lo bem. [...] Os hábitos de uma mente vigorosa são formados na luta contra as dificuldades. Grandes necessidades despertam grandes virtudes. [...] Estudiosos que se dedicam ao estudo do desenvolvimento de líderes situam a resiliência, a capacidade de manter a ambição diante da frustração, no cerne do potencial de crescimento da liderança. Mais importante do que o que lhes aconteceu foi como reagiram a esses reveses, como conseguiram, de diversas maneiras, se reerguer, como essas experiências marcantes, a princípio, os impediram, depois os fortaleceram e, por fim, moldaram decisivamente sua liderança. [...] O sucesso não depende de atributos únicos, mas sim de qualidades comuns elevadas a um grau extraordinário por meio de ambição e trabalho árduo. [...] Recuse-se a deixar que ressentimentos passados se agravem; transcenda as vinganças pessoais. [...] Estabeleça um propósito claro; desafie a equipe a elaborar os detalhes; ultrapasse as fronteiras departamentais convencionais; defina metas ambiciosas de curto e longo prazo; crie sucessos tangíveis para gerar crescimento acelerado e impulso. [...]. Trechos extraídos da obra Leadership: In Turbulent Times (Simon & Schuster, 2018), da escritora e historiadora estadunidense Doris Kearns Goodwin, autora de obra como: The Bully Pulpit: Theodore Roosevelt, William Howard Taft, and the Golden Age of Journalism (2013), Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln (2005), Wait Till Next Year (1997) e No ordinary time: Franklin and Eleanor Roosevelt : the home front in World War II (1994). Veja mais aqui & aqui.

 

TEMPOS PARTIDOS, DE FÁTIMA QUINTAS

A lembrança existe, e é um ponto de vista. Enxergo a verdade entre aspas. Para mim, a memória passa pela ficção e não traz um compromisso total com o realismo. Quando a gente relembra, também reinventa, atenua passagens doloridas e dá outras cores ao que viveu. É claro que partimos de um momento real, que remete a pessoas, fatos e acontecimentos que efetivamente aconteceram. Mas escrevi com a liberdade e a reinvenção exigidas pela literatura...

Pensamento expresso pela própria autora a respeito da obra Tempos Partidos (Giostri, 2021), da escritora e antropóloga Fátima Quintas. Numa entrevista concedida (DCP, 2015), ela também expressou que: A literatura me encanta pela sua capacidade de transfigurar a realidade e de exortar sentimentos que devem aflorar através da palavra... Ela é autora de obra como Sexo e Marginalidade (1987), Educação Sexual: um olhar adiante (1992), Mulheres oprimidas, mulheres vencidas (1996), De névoas e brumas (1999), A mulher e a família no final do século XX (2005), A ilustre casa dos fantasmas (2006), A civilização do açúcar (2007), entre outros livros. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

&

BLOCO DA MURIÇOCA: MOSQUITINHO DANADO

Veja mais aqui & aqui.

 

A poesia e o teatro de Joaquim Cardozo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A obra de Luzilá Gonçalves Ferreira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A obra de Josué de Castro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Marianne Peretti aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de J. Borges aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Arlete Salles aquí, aquí & aquí.

A música de Marlos Nobre aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Aurora Dickie aqui & aqui.

A arte de Corbiniano aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Luna Vitrolira aqui, aqui & aqui.

 
Veja Portfólio aqui.


quinta-feira, junho 30, 2011

FANNY KEMBLE, STANISŁAW WYSPIAŃSKI, JILL TARTER, KATY JURADO & LITERÓTICA

 


A arte da atriz mexicana Katy Jurado – pseudônimo de María Cristina Estela Marcela Jurado (1924-2002), que atuou em filmes como o drama O bruto (1953), de Luis Buñuel, o drama Seduction (1981), de Arturo Ripstein; o drama Nosotros los Pobres (1948), e o drama Un secreto de Esperanza (2002), de Leopoldo Laborde, entre muitos outros. Veja mais abaixo.

 

DITOS & DESDITOS – A existência de vida fora da Terra é uma preocupação humana ancestral. Com o passar dos anos, entretanto, as tentativas de compreender o lugar da humanidade no cosmos por meio da ciência muitas vezes foram sequestradas por ilusões ou contos inventados. Não sabemos como identificar inteligência em distâncias interestelares, então o que fazemos é usar a tecnologia como proxy. Pensamento da astronoma e bióloga estadunidense, Jill Tarter.

 

ALGUÉM FALOU: A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos dos nossos pensamentos. A escola da experiência é a mais educativa. Pensamento do dramaturgo, ator e encenador francês Molière (Jean-Baptiste Poquelin – 1622-1673). Veja mais aqui e aqui.

 

DA VIDA & DE SI - Eu quero fazer tudo no mundo que pode ser feito. Muitas causas tendem a tornar bons senhores e amantes tão raros quanto bons servos. As grandes e rápidas fortunas pelas quais pessoas vulgares e ignorantes se tornam possuidoras de casas esplêndidas, esplendidamente mobiliadas, não lhes dá, é claro, os sentimentos e maneiras de gente gentil, ou de qualquer forma realmente os eleva acima dos criados que empregam, que estão bem cientes desse fato, e que a posse de riqueza é literalmente a única superioridade que seus empregadores têm sobre eles. Expressão da escritora e atriz britânica Fanny Kemble (1809-1893).

 

POEMA - Que ninguém chore sobre meu túmulo / exceto minha esposa. / Suas lágrimas obstinadas / eu facilmente desisto e sua dor fingida. / Que nenhum sino soe sobre minha mortalha / nem alguém canta com um grito; / mas a chuva pode chorar no meu funeral e o vento range. / Quem quiser pode jogar punhados de terra / até eu ser sufocado pelo monte. / O sol brilhará em seu belo novo nascimento / e queime minha ferida. / E então, talvez, mais uma vez, talvez, entediado de ficar deitado, / Vou quebrar aquela casa me envolvendo e corra para o sol. / E quando você me ver no meu vôo / uma figura brilhante lá em cima, / me ligue de volta se você gosta da minha luz / na língua que eu conhecia aqui. / Talvez eu ouça lá acima, / passando pela sobrancelha de uma estrela; / e talvez eu aceite de novo, por amor, / esta tarefa que está me matando agora. Poema do poeta, pintor e dramaturgo polonês Stanisław Wyspiański (1869-1907).

 


A arte da atriz mexicana Katy Jurado – pseudônimo de María Cristina Estela Marcela Jurado (1924-2002).

 

GILBELA, É NELA QUE A BELEZA SE REVELA. - É ela a bela que no céu de flanela é cobiça pra mim. E no mar do sem fim, ela me espera pro meu naufrágio. Ágil é ela em me provocar, a se desnudar sem mais pudor. E aberta em flor, deusa cunhã, espera de manhã na beira do mar. Ela é de arrasar e vou de esperneio, exploro seus seios, o maior maná. É mais que pomar, é panacéia, ninho de colméia para me melar. E abarcá-la com jeito e com devoção, cerceá-la bem-feito, os seus peitos, a paixão. Ela é um avião, que seu pouso eu exploro. No jardim do seu colo quero me fartar. Colher seus semeios e toda profusão. Vou recolher nos seus seios sabores de montão. Pro meu condão, ela ajeita a calcinha, com toda gracinha pro meu refrão. Vou pra ação e ela menina desata seus laços, eu faço e refaço pra sua vagina ser o meu regaço. E passo adiante, galante é seu cóccix, meu alvo seu pódice que me faz um gigante. É estonteante, ela me dá toda nua, pra que eu a possua, conquistador. E com todo fervor, não deixo que ela espere, vou fera mais célere me apossar do que é dela. É pra ela, meu presente em sufrágio e seu apanágio eu faço de meu. É seu aniversário, a festa é pra ela, minha paixão vira ágio, é festa que faço nela. E depois de farto, em deságio, ela tem meu sufrágio e nela em adágio tudo eu dou de fato de meu para ela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e  aqui. 



















GILMARA JUNG - A modelo gaúcha Gilmara Jung é acadêmica de direito e já foi fotografada para as revistas Playboy e Sexy, entre outras revistas, sites e portais. Ela reúne seu trabalho no seu site e blog, e também no MySpace. Confira tudo isso e mais um poema pro aniversário dela no Crônica de amor por ela.  Confira mais Musa Tataritaritatá.


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