Imagem: Acervo ArtLAM.
Bródio na
pareidolia do perdulário pendular... - Alagoinhanduba
estava em polvorosa com os estardalhaços causados pelo aparecimento dum visionário
taumaturgo. Outro? Ora, se! De novo? Pois é. Correria da muita aos cochichos,
de boca e ouvido nos cantadores de cordel e providenciassem acordes
pros motes e glosas, pipocando o assanhamento do povo pruma ineivada procissão.
É mesmo? Mas, tá! Cadê o curandeiro? Ah, já foi arrastado pra casa do Barão caga-raio! Foi mesmo? Rapaz, nunca se viu aquele palacete tão iluminado! Aff!
Oxe, tinha gente até de um olho só! Num diga! Dizem que pra lá foram os Rothschilds,
os Rockefeller, os Wallenberg, os Walton, os Koch, os Mars, os Brenninkmeijer, os Bardi,
Médici, Gondi, Fugger, Welser, Baring, Schröder, Goldman-Sachs, Contarini, Cornaro, Dandolo,
Giustinian, Loredan, Mocenigo e Morosini e uma ruma de gente empaletozada de
num acabar mais. Vixe, quanto nome difícil, patavina de entender quem são esses!
Num sabe? Não! Ah, são os donos do mundo todo, bestão! Ricaços? Iapois! Igi! Até
o papa estava pra chegar, mas deu um problema lá no teco-teco dele e foi representado,
de última hora, pelo padre Quiba e um o bispo lá que nem sei quem é, nem
nunca vi! Danou-se! Destá. Foi um festaço de arromba: o venerável da Maçonaria foi
encasacado com meio mundo de urubu e com os caras lá do Rotary, mais os do Lions,
da LBV, da Federação Espírita, da Assembleia de Deus e da Aliança Evangélica, até
a extinta LBA ressuscitou lá! Eita! Tinha grã-fino até umas horas, gente casacuda
como a praga! Pra quê mesmo, hem? Num tais sabendo? De quê? Do tal Doctor ZêZê Rasputin! Quem? Um danado dum peregrino klystys
que veio dum lugar longe como a droga, lá das bandas da Sibéria, e que é ele na
Terra e Deus no céu, somente! E que medonho é isso de, como é mesmo o nome?
Klystys? Sim, nunca ouvi nem falar! Sei lá, tô só repetindo o que dizem dele e decorei,
deve ser coisa boa, senão é malefício dos brabos. É mesmo. O cara é o fodão! Tais
brincando? O hômi lá é sábio, véi! Como é? Pelo boato sabe-se que ele estudou
muito, chega anda de peito inflado: Fiz num sei quê lá, desarnei num sei quê
diga, essas coisas. Arreda! Oxe, até o padre Quiba se ajoelhou
amoquecado aos gritos: Jesus voltou! Desmunhecou muito, foi? Só. E o convidado
do além? Já tão
chamando ele de xodó da Baronesa. Vixe! Tão dizendo por aí dos muitos milagres e que era só ele embeiçar uma talagada de cachaça-de-cabeça
com pimenta malagueta, aí estralava a língua e os dedos, todo arrepiado, bulindo
lá nele, uns muxoxos cheio dos pantins, caretas assombrosas e batia os
pauzinhos nas coisas do outro mundo, invocando num sei quem numa novena e,
pronto, desmanchava as ingresias lá, desenvultava e curava, tanto as câimbras
da imperatriz, como qualquer moléstia dos enfermos, da coisa resolver-se tudinho
na horinha mesmo! Valei-me, estuporado! A Madama Puxa-Encolhe mesmo saiu
alardeando com as sinhás amigas dela lá: Ele me confortou, santa cura! É coisa
escalafobética, meu! E num é! Ontem de noite mesmo armaram o palanque assim do
lado e o milagreiro apareceu lá com meio mundo de gente no arousal, ele todo
lisonjeado começou a falar mansinho num discurso, como se diz, anódino e teve até
quem visse uma aureola angélica brilhar naquela cabeça santa. Deu o créu! Deus,
mesmo! E depois, o bruxo lá ostentou na cipoada e, de repente, falava como quem
trovejava, dos olhos dele saíram relâmpagos assustadores. Tanto é que, na hora,
se eu tivesse bosta pronta, cagava de melar tudo, mas que torei aço do chicote
deixou ficar o frosquete fazendo biquinho, com as pregas rapando tudo que
viesse! Larga de ser frouxo! E num é! Ufa! O cabra é culto mesmo, né? O homem é
de sete-ciências e bote lá mais, sabe tudo! E teve uma hora que gravaram o que
ele disse, ouça, veja: Há mais de 100 anos, quando os interesses mais uma vez
se amesquinharam, potencializando rivalidades para perpetuar a miséria humana,
espoucou a mortandade e, ciclicamente, supostos heróis e vilões se digladiavam
para a catástrofe. E quem pagou o pato dessas invectivas disparatadas? Sempre o
povo miserável que é levado pelas ondas dos oportunismos, sucumbindo à gangorra
dos dissabores! Em cada século a Lenda do Grande Inquisidor se repete...
Os vilões, na verdade, somos cada um de nós; e os traidores pagarão nas mãos do
inimigo celebrado, tenho dito! Foi aplauso do estopô calango de quase num
acabar mais! Vixe! A coisa é séria! O que achou do discurso do forasteiro? Entendi
nada, mas achei muito bonito e encorajador. Reconheceu, não? Nada. Num viu
direito! Como? Aquilo é José Zon, só – dito ZéZon! Quem? Aquele, ora! Mesmo?
Num lembra dele não? Não. Era ainda menino quando deixou de ser ajudante nas
presepadas do Doro e, bandoleiro que só, seguiu os passos nebulosos de Tó Zeca: Esse tinha mais futuro, claro, era neto daquele barão que ninguém sabia
soletrar o nome, né? Sim, sim! De anão encruado virou um varapau donzelão do
bilau grande. Tá c’a gota! E num foi? Sei disso não! Ele aprendeu com o
mentiroso e, segundo seu próprio juízo, foi muito mais além, pois, na
maioridade, ele assuntou na aprumada e foi pras bandas do Padre Bidião:
Muito melhor! Lembrou? Aaaah! Foi ele que decorou o Evangelho do reverendo,
seguiu ao pé da letra na liturgia das beatas e sacerdotisas, comungou,
tornou-se neófito e, na primeira iniciação, ousou um voo solo. Cabra sabido,
hem? Vamos tirar a limpo isso: O doutor Zé Gulu já leu algum livro desse
sabichão? Isso é um embusteiro, cagador de regra! Cuma? Tá ignorando os
diplomas do letrudo, meu? Ora, ninguém nunca viu sequer um risco que fosse num
taco de papel com o nome desse impostor! Oxe! Procure, vá! Será que é pinoia?
Nada, dizem que ele está casado com uma princesa dita Sakina, filha duma tal de
matriarca Begum
Wilayat Mahal! Ah, foi assim que ele fez fortuna e passou a ser o bicho-papão
das ciências e filosofias, então! Quem contou isso? Ele mesmo, ué? Quem já viu a
princesa? Hum? Isso é um enrolão! Quem é doido de tirar a prova dos 9? Cá pra
nós: o escroque parece que agora é conselheiro, ou coisa parecida, do Barão e
da madame dele! Pronto, lascou! De que adiantou
desmascarar? Deixa de tua apofenia, cara! Jamais vu! O povo é todo credo, paga
no mesmo tanto pela leseira, sempre. Deixa quieto! Eu, hem? Até mais ver.
Sylvia Plath: Se você não espera nada de ninguém, você nunca está desapontada... E, a propósito, tudo na vida é gravável se você tem a coragem de sair para fazê-lo, e a imaginação para improvisar. O pior inimigo da criatividade é a autodúvida... Veja mais aqui.
Ezra Pound: Guerras
são feitas para fazer dívidas... Um escravo é aquele que espera que alguém
venha libertá-lo... Ou se move ou é movido... Veja mais aqui, aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui &
aqui.
Graciliano Ramos: É
fácil se livrar das responsabilidades. Difícil é escapar das consequências por
ter se livrado delas... Tenho passado a vida a criar deuses que morrem logo,
ídolos que depois derrubo. Uma estrela no céu, algumas mulheres na terra... Se
a única coisa que o homem tem certeza é a morte; a única certeza do brasileiro
é o carnaval no próximo ano... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
EU SOU UMA MULHER
Imagem: Acervo ArtLAM.
Ninguém consegue adivinhar \ o que
digo quando me calo, \ quem vejo quando fecho os olhos, \ como me deixo levar
quando me deixo levar, \ o que procuro quando estendo as mãos. \ Ninguém,
ninguém sabe \ quando tenho fome, quando parto, \ quando caminho e quando estou
perdida. \ E ninguém sabe \ que minha partida é um retorno \ e meu retorno é
uma abstinência, \ que minha fraqueza é uma máscara \ e minha força é uma
máscara, \ e que o que está por vir é uma tempestade. \ Eles pensam que sabem, \
então eu os deixo, \ e eu aconteço. \ Eles me colocam em uma gaiola para que \ minha
liberdade seja um presente deles, \ e eu tenha que agradecê-los e obedecer. \ Mas
sou livre diante deles, depois deles, \ com eles, sem eles. \ Sou livre em
minha opressão, em minha derrota \ e minha prisão é o que eu quero. \ A chave
da prisão pode ser a língua deles. \ Mas a língua deles está enrolada nos dedos
do meu desejo, \ e meu desejo eles jamais poderão controlar. \ Sou uma mulher. \
Eles pensam que são donos da minha liberdade. \ Então eu os deixo, \ e eu
aconteço.
Poema da escritora, jornalista e
ativista cultural libanesa Joumana Haddad.
PEQUENO CONFORTO - [...] Eu queria escrever um livro sobre dinheiro e
considerei diferentes maneiras de abordar o assunto. No fim, escrevi várias
histórias que giravam em torno do dinheiro. Para este livro, pesquisei muito
mais — li livros e conversei com pessoas. Por exemplo, tentei entender o que o
dinheiro realmente é, infelizmente sem sucesso. Não acho que o valor, quando se trata de dinheiro, e o valor, quando se
trata de pessoas, sejam a mesma coisa, exceto em um sentido puramente semântico. Mas é interessante como nossa
linguagem é invadida por termos econômicos — como falamos sobre investir em um
relacionamento ou ter "credibilidade" em certas situações. Também é
estranho que meçamos o tempo em termos de dinheiro e deixemos essas duas
unidades circularem juntas, mesmo que nosso tempo seja muito limitado e o
dinheiro seja algo essencialmente fictício. [...]. Trecho da entrevista From fever dreams to
fiction: the unscripted world of Ia Genberg (Al Majalla – Culture &
Social Affairs, 2026), concedida pela escritora e jornalista sueca Ia
Genberg (Ia Gabriella Genberg), sobre o seu livro de contos Small Comfort (2026), no
qual reúne 5 contos, todos conectados com personagens recorrentes e
tematicamente, expandindo as questões atinentes ao papel do dinheiro em uma
sociedade que está passando por crises financeiras. Como resultado, ela também
examina a ética e a moral em torno das finanças, o que faz da obra algo diferente
e inovador. Os contos, a exemplo de Framgång Greger (uma entrevista com
um ex-ator mirim que virou um ladrão fracassado) é um relato sobre um
mensageiro de suborno farmacêutico desaparecido. O conto Tal vid ett bröllop
/ A Speech at a Wedding (um ator contratado para dar um discurso no
casamento de um desconhecido); o Loser's Claustrophobia (notas sobre um
experimento manipulado de Monopoly) e Klen tröst / Small Comfort
(um casal divorciado fingindo viver em harmonia conjugal por causa de uma
herança). Já no seu livro The Details (Harpervia, 2023), ela expressa que: [...] Vivemos tantas vidas
dentro de nossas vidas — vidas menores com pessoas que vêm e vão, amigos que
desaparecem, filhos que crescem — e nunca sei qual dessas vidas deve servir
como moldura. [...] É só isso que compõe o "eu" — ou o chamado
"eu": vestígios das pessoas com quem convivemos. [...] Alguns
livros permanecem em seu íntimo muito tempo depois que seus títulos e detalhes
já se apagaram da memória. [...]. Veja mais da autora aqui.
A TERRA DÁ, A TERRA QUER... – [...] O que é a cidade? É o
contrário de mata. O contrário de natureza. A cidade é um território
artificializado, humanizado. A cidade é um território arquitetado
exclusivamente para os humanos. Os humanos excluíram todas as possibilidades de
outras vidas na cidade. Qualquer outra vida que tenta existir na cidade é
destruída. Se existe, é graças à força do orgânico, não porque os humanos
queiram. [...] “O mundo é grande e tem lugar para todo mundo. O mundo é
redondo exatamente para as pessoas não se atropelarem. [...]. Trechos
extraídos do livro A terra
dá, a terra quer (Ubu, 2023), do escritor, professor,
sindicalista, ativista e líder quilombola, Nêgo Bispo (Antônio Bispo dos Santos – 1959-2023), que desenvolveu
o conceito de contracolonização por meio de seus livros Quilombos, modos e
significados (2007) e Colonização, Quilombos: modos e significados
(2015). Veja mais aqui.
TUNGA – Em 2023 realizou-se a Semana Tunga na Biblioteca Fenelon Barreto –
Palmares (PE), uma homenagem ao artista performático, escultor e desenhista Tunga
(Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão – 1952-2016). Por resultado
ocorreu durante o evento exposições, palestras, oficinas, vídeos e pocket show,
resultando na publicação do livro Tungando a vida (CriaArt, 2024). O
evento foi uma realização da Biblioteca Fenelon Barreto, Amigos da Biblioteca,
Gabinete de Arte e zineblog Tataritaritatá, contando com apoio do
Instituto Tunga, Usina de Arte & Semed-Palmares/Observatório de Leitura.
Veja detalhes aqui.
LAJEDO – Este é 9º episódio das Aventuras do Nitolino no Valuna, desta
feita no agreste meridional, em Lajedo, Pernambuco, contando da festa no
céu e o cágado que despencou de lá, caiu na pedraria da Volta do Canhoto e escorregou
pelos rios Quatis, da Chata e do Retiro, pelos riachos Bonito, Doce e do
Serrote, até o pé do lajeiro onde a onça mora. Confira aqui.
NEUROEDUCAÇÃO
& PRÁTICAS PÉDAGÓGICAS NO ENSINO-APRENDIZAGEM – Resultado do projeto acadêmico sob a temática Neuroeducação:
relação escola, professor e aluno na Educação Pública de Maceió,
apresentado no Grupo de Pesquisa Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva,
em 2015, envolvendo alunos e professores do Ensino Médio, bem como gestores de
duas escolas do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (CEPA), notadamente na
Escola Estadual Moreira e Silva, por meio da gestora Ely Quintela Lisboa
Carvalho, e na Escola Estadual Princesa Izabel, com as gestoras Sônia Suely
Araújo Ferreira e Valquíria Balbino da Silva, em Maceió – AL, destacando o
papel da neuroeducação no processo de ensino-aprendizagem e na qualidade de
vida de docentes e discentes. Confira aqui.
LITERATURA LAM – Reunião que incorpora desde a publicação da antologia
poética Primeira Reunião (Bagaço, 1992), às publicações do Nitolino
no reino encantado de todas as coisas (Nascente, 2010), O lobisomem
zonzo (Nascente, 1998-2011), Trâmite da Solidão (1992-2010), Crônica
de amor por ela (edição limitada, capa dura – 2010), Vers&prosa à
menina azul (2006), Rol da paixão (2008), Ao redor da pira onde
queima o amor (2009), As trelas do Doro, o bacharel das chapuletadas
(2006), Proezas do Biritoaldo (2009), Tolinho & Bestinha
(2009), Big Shit Bôbras (2008) e Fecamepa (2000). Confira aqui.
REENCONTRO MARCADO – Conta a hestória do menino Auquê que encontra o Senhor
da Lua para realizar seus sonhos. Transformado no adulto Anteu, passa a viver
nua paisagem onírica, em que se vê envolvido com Catxerê, Daumília, Merca e
Alcionélia, numa persistente decisão de escolhas que, ao serem tomadas,
malogram indefinidamente, numa trajetória de idas e vindas intermináveis. Trata-se
do projeto de um romance ainda inédito que, em seguida, foi transformado em
roteiro cinematográfico para curta metragem. Confira aqui, aqui, aqui, aqui
& aqui.
ISTO É PERNAMBUCO
Veja mais aqui.



.jpeg)




