sexta-feira, junho 24, 2011

PAUL GREENGARD, HUGO ARGÜELLES, ARAGON, BALAGUER, ERIN GRABOSKI, LITERÓTICA & GINOFAGIA

A arte da fotógrafa estadunidense Erin Graboski.


O SABOR DA PRINCESA QUE SE FAZ SERVA NA MANHÃ -
A manhã esquentou no dia do aniversário dela. Vejo, logo, cobiço. Lá fora o sol estonteante incendeia o mundo enquanto ela imune e esguia me provocava relâmpagos de temporal. Era. Ela faceira e linda ocupada na pia manipulando a comida. No corredor da cozinha, eu, de esguelha, segurava o copo de cerveja com mirabolantes fantasias no quengo lambendo os beiços para devorá-la naquela sedução. Fiquei inquieto, dali pra sala e voltando a fitá-la sedutora em seus trajes sumários, quando ela diligentemente focada no preparo em temperar legumes, verduras e carnes, roubei-lhe a vida tascando um beijo sedento na nuca dela arrepiar-se toda. Ao meu contato ela arqueou e se debruçou sobre a bandeja de pratos, insinuando a bundinha, ajeitando as coxas com um Cupido entre as pernas, uma rendição atraente porque o corpo estava mais palpitoso, os seios insinuantes, o jeito provocante e a vida não era mais a mesma naquela hora. Estava ela cônscia que era a minha caça. E eu faminto levantando a sua saia que, obediente santa, quer ser rasgada. E ela fêmea selvagem quer que a loucura salte fora, mande ver. É por isso que remexe para cima, para baixo, de lado, trota, u-lalá! Espreguiça, estremece, o corpo vibra rosnando à porta da cozinha, os cabelos desalinhados com seu contorcionismo e eu fazendo uma devassa no meio dos seus suspiros exclamativos na promessa do gozo interminável. Ela mais rendida se faz mais solícita e estendida de bruços sobre a pia, se esfregando manhosa, dengo à flor da pele para que eu alise sua cintura, garanhando seu sexo com meus dedos firmes e ela manhando mais, sussurrando baixinho, gemendo de acordar o mundo. Era a comida e a fome. A captura. E ela indomável fazendo uma boquinha ofegante, dificultando um pouco enquanto eu achava a melhor maneira de abatê-la. E mantinha os olhos fechados, xameguenta, enquanto eu vasculhava seus sótãos e porões, seguindo a pista com meu faro obsceno, farejando suas reentrâncias. Deixa? Deixa, vai. Caçada desconcertante, ela em apuros, destronada de seu reino, eu implacável: o jogo que os dois podem jogam, o xeque-mate aprazível. Mas ela blefa, faz que não quer enquanto se esparrama no tabuleiro do meu desejo reduzida a nada com seus segredos suicidas. Via-me obrigado a cercá-la, domá-la, arremessando meu beijo sobre seus olhos, voz, gesto e corpo. Ela mais depravada pra minha montada numa tigresa que eu não queria apear nem tão cedo porque estava suspensa no meu sexo e mais se ajeitava procurando melhor penetração e virando meu tapete mágico, meu trenó. E adorava o estupro porque eu enterrava minha clava com bola e tudo pro gol que ela deslizava acolhedora, perversa, condenada e pronta pro meu fuzilamento, com o sexo em brasa, o coração agitado, a boca entreaberta, um sorriso de sol. Uma princesa que virou serva e saiu do faz-de-conta e arreou nua no meu sexo enquanto eu o mocinho, à força, gemendo poemas na sua carne, esfregando minha loucura na sua queixa que mais quer e querendo mais se gaba, tira e bota para que eu recolha sua oferenda divina, a sua oferta dadivosa, batendo o punho malvado, esmurrando a parede, sonsa e aboletada sobre a pia enquanto eu vou retalhando sua carne em postas, a comida fatiada no meu paladar e sem escapar da minha captura que ela mais puxa e preme, e sacoleja numa dança em câmara lenta, o lombo, saliências, o dia de seus anos... meus dedos e ela lambendo, chupando, Cupido entre as penas e os seus seios na minha mão e ela descalça arregalando os olhos como quem quer mais com seus pés suspensos para ser melhor penetrada, devorando o tempo na loucura efêmera e gritando: Sou sua. Sou sua! Sou suaaaa! Ah, princesa serva. Era aniversário dela. E eu com um buquê de flores nos beijos, com todo carinho do universo nos braços, toda uma guerra de gozos para explodir sua alma. Foi quando ela deitou os olhos sobre o meu braço, deliciada e desfalecida de amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aquiaqui.

 


DITOS & DESDITOS - Tenho certeza de que nossos cérebros estão trabalhando inconscientemente. Quando você tem um pensamento criativo, são partes do cérebro conversando entre si sem que você perceba. Tenho muita confiança nas minhas realizações. Estou sempre tentando provar que não sou a criança inútil que dizem que sou. Não queria passar minha vida contribuindo para o desenvolvimento de mais armamentos atômicos. Pensamento do neurocientista estadunidense Paul Greengard (1925-2019).

 

ALGUÉM FALOU: Diante da possibilidade de morrer quando meu apêndice estourou, eles me operaram bem na hora, mas me deram três paradas cardíacas. Por fim acreditaram que eu estava morto e até separaram a capela de Gayoso. Eu estava no outro mundo, fascinado, em repouso total e desfrutando de um estado de luz e paz que nunca havia sentido. Eu sabia que era a morte e reagi. Desde então, tenho visto a morte como uma parceira de vida. Pensamento do escritor e dramaturgo mexicano Hugo Argüelles (1932-2003).

 

DA VIDA - A vida é um viajante que deixa a sua capa arrastar atrás de si, para que lhe apague o sinal dos passos. Reinventei o passado para ver a beleza do futuro. A literatura é um assunto sério para um país, pois é afinal de contas o seu rosto. Pensamento do escritor francês Louis Aragon (1897-1982). Veja mais aqui e aqui.

 

BALADA CATALANA - Arrebatada paixão ardia /na alma do jovem; /exceção dela nada existia /no mundo para ele. / - Aquilo que se enquadre em teus caprichos / disse à amada - o farei. / Se as jóias de minha mãe / me pedires, te as darei! / E ela, infame como bela, / disse com horrendo prazer: / - Suas jóias? É muito pouco! / Eu quero é o coração! / Em fogo impuro ele ardendo / até sua mãe correu /e, de imediato, o peito abrindo, /o coração lhe arrancou. / Com tanta pressa volvia / que tropeçando na via, / tombou no solo a rodar. / E brotou uma voz suave / do coração materno / ao ingrato perguntando: / - Filho, não te hás machucado? Poema do poeta espanhol Víctor Balaguer (1824-1901).

 


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