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domingo, julho 05, 2026

WOLE SOYINKA, CINDY SHEEHAN, MONA AWAD & GORETTI VARELLA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som da performance Live at Minotti (Berklee College of Music, USA-2025), dos Eps Rise (2026) e The Dawn (2024) e do álbum Sixth Week (Apple Music, 2026), da jovem pianista, compositora e prodígio do jazz japonesa, Ai Furusato, que possui trabalhos autorais lançados nas principais plataformas de streaming.


 

Bilaro, insólita fuga dum Zé de si mesmo!... - Zé Bilaro ficou órfão de pai e saiu pelo mundo. Olvidou os rogos maternos: não fizesse mais asneiras, bastavam os desatinos paternos agora enterrados. Mal saíra ele capenga dum grande amor, agora duplamente enlutado cogitava sequestrar a amada no dia do casamento dela. Endoidou mesmo, diziam. Ousou finca-pé na esparrela, depois: a cara mais lisa, lavada. Findou: Mas, mas... Depois de muitos atrapalhos, as errâncias dum malfadado. Foi-se: o olhar perdido na lonjura das léguas estiradas, misturando ideais e infortúnios, o regalo de uma módica sombra e o Sol na moleira. Arre! Alguém chamou por um nome que não o seu. Quem? Deu fé: os bichos falavam abeirados, as árvores tagarelavam longínquas, as pedras cochichavam genringonças, um pandemônio, temia caducar amalucado: Onde é que estou mesmo, hem? Ali o morro que perdeu a ponta, imenso. Vixe! E lá ia pelas trilhas de umburanas e grutas, os cânions e a pareidolia, chapadas e desenhos rupestres, a caverna e o sítio de Alcobaça, a Loca das Cinzas e a Gameleira de Buíque, a pedra do Cachorro e o Portal da Igrejinha, a merafusa de Sabadi tangendo seus fiéis pra caverna de Meu Rei, o Morro do Elefante e a caatinga, a Vila dos Breus e a Serra das Torres, a Jurema Preta e o Povoado de Aterrados, o marmeleiro-do-mato e o enxame de abelhas, o feijão-bravo e o Vale das Tartarugas, os Lapiais e o Véu de Noiva, a catingueira e os visíveis sinais do fogo corredor – o compadre e a comadre brincavam de esconde-esconde -, os encantados das furnas do holoceno, Homo floresiensis, Homo luzonensis - Oxe! -, os caboclos encantados, cobras aninhadas, um cachimbo velho e pequeno, ali tudo podia acontecer. Passou a vista e ouviu lá longe soar o uruá dos Kapinawá - sinal do sagrado Kwarup afastando maus espíritos, ou o rito de passagem da furação de orelha. Respondiam takuaras como se fossem o uirapuru – o coração partido do guerreiro Quaracá, a cantar de saudade pelo amor impossível de Anaí. Tal como ele, melancólico. Há quem surpreendido soubesse do canto o seu amuleto de sorte, o poema sinfônico de Villa-Lobos. Ele nem, nem. E se era Oribici chorava de amor, para outros. A surpresa foi possível com os gritos do gigante Mapinguari, quebrando galhos no interior do matagal – ali seu peludo casco de tartaruga, um olho apenas na testa e a boca no umbigo, pés de mão de pilão. Valha-me! Outros silvos, será da flauta de Pã, ou da de Krishna? Arredou, hesitante. Mal escapara e viu logo atrás do Mapinguari, o Ipupiara: ataque comendo parte dos corpos de desavisados, o demônio d’água, seus braços longos, pés de barbatanas, dentes pontiagudos, o corpo coberto de pelos e focinho com bigode. Ô. Ora, ora. Temeroso, ouviu amiudado cochicho: Pare, não responda, o sopro dele dilata o aço do cano da espingarda e você perderá a vida, quieto; os sobreviventes, aos aleijões e nódoas no corpo. Olhos pros lados, virou-se, girou: a paisagem e mais nada. Ué? Psiu! Salvou-se, achou: ares de Tejucupapo! Era Maíra, a Dona Clara com as heroínas guerreiras depois da Batalha, anônimas Marias. Boa tarde! E achegou-se esbaforida, abanando-se acalorada: Mormaço, hem? Era o meio da tarde, puxou conversa e o paradeiro. Ah, estava mesmo extraviado da lucidez. Hum? Acalmou-se com a brisa arranchando-se ao lado dela. E muito ouviu e tomou ciência: ensinou-lhe como o beijo dança contando toda hestória. Entardecia, o Sol cochilava escondendo-se. Ela foi-se apressada e tudo o mais acontecia no trâmite das horas. Anoiteceu com o burlão astucioso Malasartes aos espalhafatos, vinha do Cancioneiro da Vaticana para se encontrar com Cancão de Fogo: Você viu? Não. Inté. E logo seguido pela esperteza e deboche de Camonge, escapando dos bumerangues das armadilhas: Tá ouvindo o Esquenta-mulher? Aguçou as ouças: Não. Rola no oculto, espie direito: o terno da zabumba, cabaçal com o toque de Lampião. Hum? É a Zabé da Loca ensaiando. Logo viu os volteios apaixonados do caçador Papageno com sua amada Papagena, disfarçavam perseguirem no encalço de Sarastro, que raptou a filha da Rainha da Noite. E um cortejo seguia: os apaixonados Tamino e Pamina, o Peer Gynt de Ibsen nos tons de Grieg. Vieram depois Sethos de Terrasson e a Megara de Hafner, caborés e pífanos com as pantomimas das peripécias e artimanhas da farsa do mestre Scapin de Molière, tirando vantagem, como se fosse o filósofo do povo às piruetas inagarráveis, revelando interditos e hipocrisias. E o Fígaro de Beaumarchais completamente desatinado porque perdeu Suzanne e, em vingança, ousou exigir o jus primae noctis de todos os nubentes e dos já casados: Não somos seus servos! E repetia exigente: derecho de pernada, droit de cuissage. Condoeu-se, comiserado: o mesmo com ele. Ali tudo acontecia simultaneamente: o bambu de taboca, Zé Tapera & Teodoro com a roupa nova do rei de Andersen, as proezas de João Grilo, Mainá nas carapebas e Mazzaropi: larga de ser besta! Viu até o duelo da vida com a morte, quando um trio de montanhesas apareceram para roubar suas ideias. Entre elas uma mulher vestida de verde apontava grávida dele. Eu? Uma voz: Seja fiel a si mesmo. Aí deu a volta e aos rodeios passou-se por missionário, fausto comerciante de escravos e vestiu-se de beduíno para ser referenciado como profeta. Enganou a quem? Deu-se diante da Esfinge: pro hospício, imperador de si mesmo. Ah! Invocou socorro quando viu: Deus é o guarda de todos os tolos. E era um velho náufrago em auxílio sinalizando: Descobrisse onde os sonhos têm seu lugar. Hem? Aí foi julgado pelo que não fez, as músicas não cantadas, as obras desfeitas, as lágrimas não derramadas e as perguntas que nunca foram feitas na ameaça de sua alma torrar derretida: Quando foi você mesmo? Sei lá! Procurou confessar e deu de cara com o diabo: Sua vida está perdida, pra sua mãe sua morte nunca deu certo. E correu pra última encruzilhada e lá encontrou a amorante Solveig: Você não tem pecado, está perdido, por onde andou? Hem? E ela: Não direi mais nada... E ninguém sabia dos achaques e temores dele nas copas das árvores, a longuidão dos percalços, o mundo por vencer. Sentiu-se ali banido, acuado, preterido, rejeitado. E agora? Esfregou os olhos, o existir sozinho noutra manhã: o Sol na areia, a ventania libertadora, os túmulos e os cárceres, os pingos de chuva, a brandura das nuvens momentâneas e os vultos andantes. Via-se acontecer alhures ali na hora, sorvia o veneno bento e um pouco de tudo no imperdoável renascer da memória. Eram medonhas lembranças, os anos excedendo as denúncias e revertérios, o avesso de outrora e a descoberta dentro de si da centelha, antes escondida, a preencher seus vazios, num doidivano festejo de realizar-se, cônscio da erradia essência de viver: Estou vivo mesmo ou já morri? Presenciou in loco o Primum Mobile e o Empíreo: era o céu de Dante. Escapava fedendo, por um trisco de nada. Demorou lá mais outro tanto: “Não é um voo para as minhas asas”. Sonhava de olhos abertos no Vale do Catimbau. Até mais ver. 

 

Marcel Proust: Os paradoxos de hoje são os preconceitos do amanhã, já que os preconceitos mais desprezíveis e os mais deploráveis tiveram seu momento de novidade quando a moda lhes emprestou sua frágil graça... Somos curados do sofrimento apenas experimentando-o ao máximo... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Edgar Morin: A loucura humana é fonte de ódio, crueldade, barbárie, cegueira... Estamos completamente imersos neste mundo que é o dos nossos sofrimentos, das nossas felicidades e dos nossos amores. Não sentir é evitar o sofrimento, mas também o regozijo. Quanto mais aptos estamos para a felicidade mais aptos estamos para a infelicidade... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ana Botafogo: Muita coisa eu sei, mas muita coisa ainda vai ser surpresa para mim... Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez!... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

NOITE

Imagem: Acervo ArtLAM.

Tua mão pesa, Noite, sobre minha testa. \ Não tenho coração mercurial como as nuvens, \ para ousar. \ Exacerbação de teu arado sutil. \ Mulher como uma ostra, na crescente do mar. \ Vi teu olhar ciumento extinguir a \ fluorescência do mar, dançar no pulso incessante \ das ondas. E eu fiquei ali, exausta, \ submetendo-me como as areias, sangue e salmoura \ correndo até as raízes. Noite, tu choveste \ sombras serrilhadas através de folhas úmidas \ até que, banhada na quente difusão de tuas células salpicadas, \ sensações me atormentaram, sem rosto, silenciosas como ladrões da noite. \ Esconde-me agora, quando crianças da noite assombrarem a terra, \ não devo ouvir nenhuma! Estas células nebulosas ainda \ me desfarão; nua, sem ser convidada, no nascimento silencioso da Noite.

Poema do escritor, dramaturgo e ensaísta nigeriano Wole Soyinka, Prêmio Nobel de Literatura de 1986, que em 1967 foi preso durante a Guerra Civil Nigeriana, pelo governo federal do general Yakubu Gowon e colocado em prisão solitária durante dois anos, por ter se voluntariado como ator mediador não-governamental. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ROUGE – [...] A única jornada que importa no final, Filha de Noelle.” “Retinol?”, sussurro. “A alma. Uma jornada da alma, é claro. [...] Um espelho é apenas um espelho, Belle. Ele só reflete aquilo que desejamos e ansiamos. [...] Havia um espaço ali também, como aquele entre mim e a Mamãe. Como aquele entre mim e todos, dali em diante. Existe um espaço entre mim e tudo o mais desde que você virou fumaça. Existe uma parede de vidro. [....]. Trechos extraídos do livro Rouge (Globo, 2024), da escritora canadense Mona Awad, que noutra obra, Bunny (Globo, 2024), expressou que: […] Nunca deixei realmente de escrever, nunca fiquei sem um outro mundo criado por mim para onde escapar, nunca soube como estar neste mundo sem que a maior parte da minha alma estivesse sonhando com outro e vivendo nele. [...] Os poetas preparam-se para uma pobreza iminente e altamente instruída. [...]. Ela também é autora dos livros 13 Ways of Looking at a Fat Girl (2016), All's Well (2021) e We Love You, Bunny (2025).

 

MÃE SALVADORA – Sou apenas uma mãe normal que tenta salvar vidas e ser o melhor ser humano que possa ser... O nosso país foi assaltado por bandidos assassinos, gangsters que cobiçam fortunas e poder... Quando eu estava crescendo, era 'Comunistas'. Agora é "Terroristas". Então você sempre tem que ter alguém para lutar e ter medo, para que a máquina de guerra possa construir mais bombas, armas e balas e tudo mais... Então, o que realmente me faz é esses chickenhawks, que enviaram nossos filhos para morrer, sem nunca servir em uma guerra. Eles não sabem do que se trata... Precisamos realmente deter as tendências imperialistas de países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha... Cabe a nós, o povo, quebrar leis imorais e resistir. Assim que os líderes de um país vos mentem, não têm autoridade sobre vós. Esses maníacos não têm autoridade sobre nós. E eles podem ser capazes de colocar nossos corpos na prisão, mas eles não podem colocar nosso espírito na prisão... Não podemos permitir que nenhuma guerra pelo imperialismo ou pela ganância seja travada em nossos nomes. É por isso que temos de continuar a lutar... Se ficarmos juntos como um povo, podemos derrubar os criminosos de guerra que estão comandando nosso país agora... Pensamento da ativista estadunidense Cindy Sheehan (Cindy Lee Miller Sheehan).

 


O UNIVERSO LITERÁRIO DE ADÉLIA PRADO - O que a memória ama fica eterno... Fugir da dor é uma perda de tempo... O sofrimento não tem idioma... Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade... Não tenho mais tempo algum, ser feliz me consome... O destino não existe. É de Deus que precisamos, e rápido... Quanto a mim dou graças pelo que agora sei e, mais que perdoo, eu amo... Pensamento da poeta, filósofa, escritora e professora Adélia Prado (Adélia Luzia Prado de Freitas). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE DE GORETTI VARELLA

Arte da artista visual, arte-educadora e arteterapeuta Goretti Varella (Maria Goretti de Souza Ferreira), editora do blog Desenhos no meu quintal. Veja mais aqui.

 

E veja mais Pernambuco aqui.



 


terça-feira, dezembro 12, 2023

SOPHIE KINSELLA, LUCÍA SAORNIL, ANNE CONWAY & BESTA FUBANA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do premiado álbum Erosão (Risco\Fun In The Church, 2021), da baterista, cantora e compositora Mariá Portugal, uma expoente da musica experimental e fundadora do Quartabê – grupo formado por Maria Beraldo, Joana Queiroz e Chicão Montorfano.

 

ENTRE OBSESSÕES, IMPOSTURAS & COMPULSÕES... - Era a cidade feita de palavras ubíquas às diegeses insones. O que mais de assombroso quando se parecia um dia azul, outro nem tanto e a estupefação de nunca se saber como começou. Havia quem decodificasse algaravias ocultas, diziam das conversas de defuntos. O pior era um quase terror: as pessoas perderam a amabilidade e se empurravam umas às outras, e era para me escantear enrolado na trama da Trilogia da Estrada de Wim Wenders. O que de mim quase nada mais restou, apenas fruir dela Marion como se fosse radiante Lou Salomé, uma trapezista nas Asas do Desejo e um verso de Rilke: Uma única coisa é necessária: a solidão... O amor consiste nisso: dois solitários que se encontram, protegem e se cumprimentam... Graças a não sei quem havia a remissão à beira do rio: um elogio à imanência, entre o desvelar dos simulacros e a penitência. E a vida uma girândola com todos os fogos de artifícios atordoantes, para saber de Adélia Prado: Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade... Tudo então nos dividia e a divisão nos complementava – o contrário nos completava. A vida realizou a morte e quase nem se soube quandera manhã ou tarde, tanto faz, até a mesmice surpreendia, porque a sorte era só um aceno; a existência, uma lembrança. Então ali a praça fundiu casulos e conchas praquela rua que vai nem sei pra onde, porque nunca mais circos, só um monte púlpitos itinerantes, tudo muito chato, idolatria e o quão tedioso. Impotente, não havia dinheiro algum, não tinha nada, a doença do vazio – onde o tempo, qual espaço –, palimpsestos dos escarnecidos pecados incontáveis. Foi preciso Ella Baker: Uma das coisas que temos que enfrentar é o processo de espera para mudar o sistema, o quanto temos que fazer para descobrir quem somos, de onde viemos e para onde vamos... Dê luz e as pessoas encontrarão o caminho... Experimentei e tive consciência de matar a fome, mentir, maldizer, descalçar-me e desmascarar-me o quanto podia, sorria e chorava, nada mais. No decurso de um tempo qualquer que nem percebia, aparecia Rodin: Olhe pro jardim... E era Agnieszka Holland: Se você olhar com atenção, o mundo todo é um jardim.... Havia perdido o olhar e o duplo, nem de mim ali só, nenhuma aura fugitiva por interstícios das rachaduras do impermeável: o sonho era um filme e a vida, rendi-me ao afeto, afinal sou e sei como existíamos. Até mais ver.

 

HINO DAS MULHERES LIVRES

Imagem: Acervo ArtLAM.

Aponte para mulheres em todo o mundo \ para os horizontes gravídicos de luz \ devido a aceiros, o pé no chão a cabeça não é azul. \ Afirmar essas promessas dá vida \ Tradição do desafio \ Nós nos modelamos com argila quente \ de um mundo nascido de dor. \ Que o passado caiu num lugar nenhum. \ O que nos interessa aqui? \ Queremos escrever de novo. \ Uma palavra mulher. \ Vá em frente, mulheres do mundo, \ com um ponto elevado para azul. \ Em fogo quebrado, \ Vá em frente, diante dá luz.

Poema da escritora, jornalista e líder anarquista espanhola Lucía Sánchez Saornil (1895-1970). Veja mais aqui e aqui.

 

À PROCURA – [...] Acho que percebi que a vida consiste em subir, descer e se levantar novamente. E não importa se você escorregar. Contanto que você esteja indo mais ou menos para cima. Isso é tudo que você pode esperar. Mais ou menos para cima. [...] O problema é que a depressão não traz sintomas úteis, como manchas e febre, então você não percebe isso a princípio. Você continua dizendo 'estou bem' para as pessoas quando não está bem. Você acha que deveria ficar bem. Você fica dizendo para si mesmo: 'Por que não estou bem? [...] Não será para sempre. Você ficará no escuro o tempo que for necessário e então sairá. [...] A maioria das pessoas subestima os olhos. Eles são infinitos. Você olha alguém diretamente nos olhos e toda a sua alma pode ser sugada em um nanossegundo. Os olhos das outras pessoas são ilimitados e é isso que me assusta. [...] Quanto mais você se envolve com o mundo exterior, mais será capaz de diminuir o volume dessas preocupações. Você verá que eles são infundados. Você verá que o mundo é um lugar muito movimentado e variado e que a maioria das pessoas tem a capacidade de atenção de um mosquito. Eles já esqueceram o que aconteceu. Eles não pensam sobre isso. Haverá mais cinco sensações desde o seu incidente. [...] Já enfrentei idiotas suficientes no meu tempo. Eles nunca percebem que são idiotas. Nem uma vez. Qualquer coisa que você diga. [...] Às vezes, espero estar acumulando um estoque de risadas perdidas e, quando me recuperar, todas elas explodirão em um ataque gigantesco que durará vinte e quatro horas. [...] Mesmo quando você pensa que se perdeu, o amor ainda pode te encontrar. [...]. Trechos extraídos da obra Finding Audrey (Doubleday Childrens, 2015), da escritora britânica Sophie Kinsella. Veja mais aqui.

 

PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS - [...] Eu digo, vida e figura são atributos distintos de uma substância, e como um mesmo corpo pode ser transmutado em todos os tipos de figuras; e como a figura mais perfeita compreende aquilo que é mais imperfeito; assim um mesmo corpo pode ser transmutado de um grau de vida para outro mais perfeito, que sempre compreende em si o inferior [...] Temos um exemplo de figura em um prisma triangular, que é a primeira figura de todos os prismas triangulares sólidos alinhados à direita, que é a primeira figura de todos os corpos sólidos alinhados à direita, onde em um corpo é conversível; e deste em um cubo, que é uma figura mais perfeita, e contém em si um prisma; de um cubo pode ser transformado em uma figura mais perfeita, que se aproxima mais de um globo, e deste em outra, que está ainda mais próxima; e assim ascende de uma figura, mais imperfeita, a outra mais perfeita, ad infinitum; pois aqui não há limites; nem pode ser dito que este corpo não pode ser transformado em uma figura mais perfeita: Mas o significado é que esse corpo consiste em linhas retas planas; e isso é sempre modificável para uma figura mais perfeita, e ainda assim nunca pode alcançar a perfeição de um globo, embora sempre se aproxime mais dele; o caso é o mesmo em diversos graus de vida, que têm de fato um começo, mas não têm fim; de modo que a criatura é sempre capaz de um grau de vida mais avançado e perfeito, ad infinitum, e ainda assim nunca pode atingir a igualdade com Deus; pois ele ainda é infinitamente mais perfeito do que uma criatura, em sua mais alta elevação ou perfeição, assim como um globo é a mais perfeita de todas as outras figuras, da qual ninguém pode se aproximar. [...]. Trechos extraídos da obra The Principles of the Most Ancient and Modern Philosophy (Cambridge University Press, 1996), da filósofa inglesa Anne Conway (1631-1679), que na obra Tangled Secrets (Usborne Publishing, 2015), expressa que: [...] Ele estava fazendo parecer que eu era forte e corajoso. Ele não percebeu o quão assustado eu estava por dentro. Como minha fita estava na minha bolsa. Como eu o encontrei enfiado na parte de trás da minha cama e ainda precisava dele apenas para passar o dia. Como eu nunca tinha feito nada corajoso em toda a minha vida. Seus olhos nunca deixaram meu rosto. “Se alguém pode entrar naquela sala, Maddie Wilkins – tarde, ou cedo, ou qualquer coisa – é você. [...]. Também noutra de sua obra Forbidden Friends (Usborne, 2013), também expressa que: […] Inclinei-me e, antes que pudesse mudar de ideia, beijei-o bem nos lábios. E então me virei e corri pela porta da frente. “Caramba, Abelha!” ele gritou atrás de mim. Mas quando olhei para trás, ele estava encostado no batente da porta, sorrindo. [...] Nós nos divertimos muito juntos [...] Ela é o tipo de pessoa que faz cara de corajosa mesmo quando tem vontade de chorar [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

A BESTA FUBANA

[...] A desunião dos bichos era a desunião deles, empolgados e ambiciosos. A volúpia do poder enxotara o pássaro-guia e os deixara órfãos de luz e de proteção, entregues à sanha do inimigo [...].

Trecho extraído da obra O romance da Besta Fubana (Bagaço, 2019), do escritor Luiz Berto. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 


quinta-feira, fevereiro 27, 2020

GOLDONI, SOPHIE SCHOLL, RABINOVITCH, TALLULLAH BANKEHEAD, MILENA MORAES, TEREZA LIMA & PERNAMBUCO


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA: A FOLIA DO CARNAVAL TRAZ DUAS BOMBRAS PRO BRASIL - A primeira bomba é a de que o Coisonário & sua coisada trupe, convocaram seu batalhão de coisominions no carnaval, para protestarem no próximo dia 15 de março, contra o Congresso Nacional e o STF. Como a estupidez, a desinformação e a indiferença de grande parte da população e da maioria das autoridades constituídas estão no pico do sensômetro beirando o descabível, faz-se necessário observar que tal ato conflita com o previsto no inciso II do art. 85 CF/88, que dispõe: São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: [...] II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; [...]. Como tem muita gente levando nas coxas e deixando essas coisas pra lá, uma sacadinha só: para qualquer simples entendedor isto significa: golpe! Ou não? Nesse caso, mais um, né? Huummmm... A segunda: são as notícias calamitosas de supostos casos do coronavírus no Brasil, sobretudo em São Paulo e em Pernambuco. Eita! Em tempos sombrios como os atuais, não seria nunca demais recorrer a quem entendia do riscado, como o caso da Marie Curie (1867-1934): “A vida não é fácil para nenhum de nós. Temos que ter persistência e, acima de tudo, confiança em nós mesmos. Cada pessoa deve trabalhar para o seu aperfeiçoamento e, ao mesmo tempo, participar da responsabilidade coletiva por toda a humanidade”. É isso aí. DUAS: EM TEMPOS SOMBRIOS, ONDE O AMOR? – De 2015 para cá a coisa começou mesmo a desandar dum jeito desarrumado. A bronca tem ficado séria demais: lapadas de golpes, umas atrás das outras, tem deixado tudo muito imprevisível. Mesmo com tudo isso, das duas, uma: ou os corações apaixonados estão roendo a maior dor de cotovelo de não verem mais nada; ou estão amando com urgência demais que não conseguem sacar a situação desesperadora que estamos atravessando. Da minha parte, vou de Adélia Prado: “Estou no começo do meu desespero, e só vejo dois caminhos: ou viro doida, ou santa”. Acho que já endoidei o suficiente na vida, nunca tive vocação para santo. Estou, portanto, num mato sem cachorro. Como não vejo solução para o meu caso, melhor levar o assunto para o coração e destacar outro recado dela: “Amor pra mim é ser capaz de permitir que aquele que eu amo exista como tal, como ele mesmo. Isso é o mais pleno amor. Dar a liberdade dele existir ao meu lado do jeito que ele é”. Assim, sim. TRÊS: RAZÃO X EMOÇÃO - Nunca é demais levantar a bola dos equívocos que a gente costuma secularmente meter o bedelho. O mundo ocidental – leia-se: esse mesmo que a gente vive, ora! -, não encontra conciliação entre o que deve prevalecer: a razão ou a emoção. A segunda ganha de feio, razão pela qual a gente flagra todo dia muita pisada na bosta no noticiário, parecendo mais que a gente gosta mesmo de fazer muita merda. A primeira, por sua vez, uma frieza que sai da academia com despreparados de nariz empinado, só para contaminar a indiferença daqueles que se acham os sabidos intelectuais acima da mundiça. Coisa de ficar puxando prum lado ou pro outro, no desgraçado maniqueísmo dos sectários. Melhor, acho eu, a da sábia Mayana Zatz: “Um olho na razão, outro no coração”. Aí, sim, ora, ora, vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] PLÁCIDA – Se voltarmos a levar comédias dell’arte, estaremos bem arranjados. O mundo está farto de ver sempre as mesmas coisas e de ouvir sempre as mesmas palavras; o público já sabe de antemão o que Arlequim vai dizer, antes mesmo que abra a boca. Por mim, senhor Horácio, digo francamente que em poucas peças antigas ainda trabalharei; estou encantada com o novo estilo. [...] PLÁCIDA – Meu caro poeta, o senhor é um louco. (Sai) [...]. Trechos da Cena 2 do 1º Ato da peça teatral O teatro cômico (Companhia Teatro de Almada, 2011), do dramaturgo veneziano Carlo Goldoni (1707-1793), escrita em 1743 para a grande atriz florentina, Anna Boccherini, La donna di Garbo, sua primeira comédia regular totalmente escrita, entregando aos atores o texto completo, da primeira à última palavra. Trata-se da primeira das dezesseis comédias, a peça representa uma inovação na produção do autor, na qual discute o estado atual da comédia, corrompido e muitas vezes vulgar, e apresenta seu projeto para colocar em nova honra as boas práticas da tradição, enquanto mostra cenas e personagens fiéis à vida real. É uma comédia metateatral que enfatiza o status da peça como encenada. Os personagens são atores que, para interpretar uma comédia, colocam máscaras e nomes da tradicional Commedia dell'Arte, revelando as problemáticas do tempo em que a peça foi escrita: a precariedade da vida dos atores, a crise do melodrama, o desemprego, a fome que atormenta a classe dos artistas, mostrando a solidariedade que une os trabalhadores do teatro e que dá sentido à aventura humana e teatral. O espaço cênico exibe o trabalho que cada ator deverá levar a cabo – ou seja, trata-se aqui do teatro dentro do teatro, de uma viagem entre o imaginário e a realidade, na forma de uma alegoria que desvenda os processos do teatro para aproximá-lo do seu público. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

RESISTIR É PRECISO - Não nos calaremos, somos a sua consciência pesada; a Rosa Branca não os deixará em paz! O que escrevemos e falamos é o que muitas pessoas pensam, mas não têm coragem de dizer. Como podemos esperar que a justiça prevaleça, quando dificilmente alguém se dispõe a se entregar por uma causa justa? Levante-se pelo que você acredita, mesmo que isso signifique levantar-se sozinho. O que importa a minha morte se, através do nosso exemplo, milhares de pessoas acordarão e começarão a agir. Palavras da pacifista alemã Sophie Scholl (1921-1943), a jovem que enfrentou Hitler, como membro do movimento de resistência antinazista, Rosa Branca, que se opôs ativamente ao Terceiro Reich durante a Segunda Guerra Mundial. Ela foi presa pela Gestapo, em 18 de fevereiro de 19043, enquanto distribuía panfletos na Universidade de Munique e na Baviera com trechos apocalípticos da Bíblia, condenada por traição e executada na guilhotina, tornando-se mártir e heroína alemã da causa, juntamente com seu irmão, Hans Scholl, e um colega universitário, Christoph Probst, 24 horas depois de condenados. Esse fato foi tema do filme A Rosa Branca (Die Weiße Rose - 1982), de Michael Verhoeven, baseado na história dos estudantes alemães que protestaram contra o regime nazista. Em seguida, a atriz Lena Stolze, que interpretou Sophie Scholl, reprisou seu papel em The Last Five Days (1982) e, logo após, no Sofphie Scholl: The Final Days (2005). Outro filme também retrata a cena vivida, a exemplo do premiado Shophie Scholl – Diez letzten Tage (Uma mulher contra Hitler, 2005), dirigido por Marc Rothermundo e Fred Breinersdorfer, estrelado por Julia Jentsch.

A ARTE TEATRAL DE TALLULLAH BANKEHEAD
Se eu pudesse voltar à juventude, cometeria todos aqueles erros de novo. Só que mais cedo. Eu sou séria sobre o amor. Estou bem séria sobre isso agora... Não tive um caso por seis meses. Seis meses! É bem longo... Se há alguma coisa comigo agora, não é o estado de espírito de Hollywood ou Hollywood... O assunto comigo é, quero um homem!... Seis meses é muito, muito tempo. Eu quero um homem! Ninguém pode ser exatamente como eu. Algumas vezes eu mesmo tenho problemas sendo assim. São as boas garotas que escrevem diários; as más nunca têm tempo. Já não se fazem espelhos como antigamente.
TALLULLAH BANKEHEAD - A arte da atriz estadunidense Tallullah Bankehead (1902-1968), conhecida por sua atuação no teatro em comédias e dramas, personalidade vibrante, sagacidade devastadora e voz rouca, tornando-se um ícone de personalidade e atuação tempestuosa e atraente, com uma voz única e maneirismos que costumavam beirar a imitação e a paródia. Teve marcante participação em causas como os movimentos por direitos civis, abrigos para crianças abandonados e às famílias vítimas da Guerra Civil Espanhola e na Segunda Guerra Mundial. Atuou também no cinema, no rádio e na televisão. Teve uma vida sexual desinibida, lutando contra o alcoolismo e o vicio em drogas. Veja mais aqui.
&
A ATRIZ MILENA MORAES
Se o que você faz não é relevante de fato, não tem por que fazer. Eu comecei a fazer teatro em 1994, mas foi a partir de 2001 que considero o primeiro trabalho profissional com ‘Uma Mulher Só’, solo que tratava de uma personagem que sofre violência doméstica e é presa em casa. Gosto de trabalhar com espaços não convencionais, esse deslocamento é potente. O teatro não precisa acontecer no teatro. E também acho importante manter o intercâmbio com autores latinos vivos por que afinal, somos todos latinos, e dessa maneira conseguimos manter o diálogo aberto. Quem faz humor faz qualquer coisa. Em todos os meus trabalhos vai ter uma pitada de humor. Na vida é assim, tem humor em tudo. Para que o drama tenha densidade também é necessário que existam momentos de leveza e ironia. Como vou saber o que é triste se não sei o que é ser alegre?
MILENA MORAES - A arte da atriz Milena Moraes, fundadora da companhia teatral Cia La Vaca, participando por festivais e tendo integrado o Teatro de Quinta. Ela já representa em Mi Muñequita (2008), Kassandra (2012), UZ (2014) e Odiseo.com (2014). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo e pedagogo ucraniano Ben Magid Rabinovitch (1884-1964), autor da monografia instrutiva, How To Learn Photography, que permaneceu impressa durante sua vida. Veja mais aqui & aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
Ana Lins & a Revolução Pernambucana de 1817 aqui.
A poesia do poeta, jornalista, professor e memorialista Mauro Mota (1911-1984) aqui, aqui & aqui.
A crônica do jornalista e escritor Ronildo Maia Leite (1930-2009) aqui e aqui.
A Cronologia pernambucana, do jornalista, historiador, pesquisador, lexicógrafo e compositor Nelson Barbalho (1918-1993) aqui, aqui & aqui.
A pintura de Marisa Lacerda aqui
A cigana Rejane Soares Cavalcanti aqui
A cana: dos coronéis aos mamoeiros aqui, aqui & aqui.
O município de Primavera aqui & aqui
O blog da professora e ativista cultural Tereza Lima aqui.
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


terça-feira, outubro 16, 2018

ADÉLIA PRADO, LOBO DE MESQUITA, CLEMENT TSANG & MOSTRA DE CINEMA ALAGOANO


AS CRIANÇAS BRINCAM - Imagem: arte do artista visual honconguês Clement Tsang - O dia azul e a manhã ensolarada na tarde viva, as crianças brincam alegres e são festas na algazarra do meu coração enternecido que perdeu o folguedo sem jamais deixar as trelas de menino nas voltas da vida. Minha alma travessa com as crianças folgazãs não se esconde e eu estou sempre só e sei o meu país em chamas com a morte nos noticiários diuturnos que não falam outra coisa senão das tragédias forjadas na crise de nada espremendo os temerosos, enquanto aviões singram os céus por múltiplas rotas e os automóveis engolem transeuntes no trânsito congestionado com as bolsas de valores e suas voláteis sinalizações que encobrem os sinos silenciosos das bombas que explodem desvalidos invisíveis que nem sabem delas na sala de estar e são enterrados vivos pela iminência do desastre à espreita na cozinha de todos os famintos e se dizimam tanto quanto os querem mortos, não há escapatória. As crianças brincam e eu quase me esvaio sozinho nas cinzas do dia seguinte agora em pleno meio dia, e a terra treme sem saber que os amantes se amam e os corpos nus é um escândalo praqueles que desamam ou não sabem amar, porque a mulher nua é uma ofensa e as crianças nuas estão sujeitas a todo tipo de perversidade porque os suicidas abriram os olhos para odiarem a loucura deles e enlouquecendo os outros e todos, enquanto mentem em nome de um deus que é só ódio e excludência e os enriquecem posudos endinheirados e licitam a matança, o suborno, a dilapidação, o horror e a violência, a mandar pelo poder em suas bênçãos. As crianças brincam e eu sou a cidade que desaba com os golpes que saem dos gabinetes para soterrar os a favor e os do contra, não há como distinguir o algoz escondido por trás do riso de quem se diz amigo sob o voo da tanajura, os abraços e a cama de gato, a farra dos gaiatos, a conta corrente e a bancarrota na esquina, o reincidente desapontamento que ninguém nota e sequer se mostra de tão comum e banalizado como a maquiagem das mulheres, a sisudez dos homens, o final de semana na praia, o carnaval e todos os feriados, depois se pensa no que fazer ou que deva ser feito, por enquanto é arrancar o montante máximo de numerário para ter as vestes de grife e o bem-estar burguês, para se destacar entre os demais com seu grupinho de escolhidos, ah que se dane quem mais e que as crianças brinquem mas não perturbem a sua paz nem os seus afazeres porque precisam fazer o que podem ou devem para que sejam ricos e a nação rica e o planeta dos ricos, apenas. Em mim as crianças brincam alegres e são festas na algazarra do meu coração enternecido que perdeu o folguedo sem jamais deixar as trelas de menino nas voltas da vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel
o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro, levanta
a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus,
me deixa desesperar.
Ela responde passando
a língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé
e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela.
Sedução, poema da escritora, professora e filósofa Adélia Prado. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista visual honconguês Clement Tsang. 
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AGENDA
Mostra de Cinema Alagoano & muito mais na Agenda aqui.
&
Os milagres do Padre Bidião, Oscar Wilde, Primo Levi, Louis Althuser, Sérgio Augusto de Andrade, Fernanda Montengro, A Fome & Neuza Paranhos, Apollonia Saintclair, Marlos Nobre, Leila Pinheiro, Francis Hime & Clara Redig aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do maestro, professor e compositor erudito José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (1746-1805): Noturno nº 1 Antífona, Missal em Mi bemol, Te Deum & Beata Mater – Antífona Magnificat & muito mais nos mais de 2 milhões & 700 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.


GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...