quinta-feira, março 07, 2013

DARCY RIBEIRO, SAFO, SARAMAGO, VALERIA LUISELLI, SELVA ALMADA, PIERRE NORA & LITERÓTICA

 


O QUE SOU DELA & NELA... - Sou seu pescador para fisgá-la com meus tentáculos pelas correntes e presa deslavada trazê-la à tona com olhos de raios faiscantes sob as pálpebras apaixonadas de irresistível pagã, nua sereia tentadora dos seios flutuantes e pecaminosos, a se impor silhueta voluptuosa de escrava extraordinariamente sedutora pro incêndio devastador do meu apetite irrefreável. Sou caçador dos seus movimentos inquietantes a conspirar sua submissão para inflamá-la rastejante e devotada à caçada de seu corpo ondulante de felina indomável, arredia à minha espreita em riste, refém da armadilha e eu sorvo seu fôlego agitado de ninfomaníaca estabanada. Sou seu escultor porque cheiro e tateio as suas linhas e curvas, superfície etérea, recantos insondáveis até que tonta desvairada me faça seu brinquedo favorito, rendida, esfaimada a amolegar meu sexo degenerado com todos tagatés de sua perícia amorante às fricções, bem-me-quer e mal-me-quer, enquanto o conduz para desvendar todos os seus ângulos, rotas e derivas, aos esfregões e suspiros pro reino da sua calcinha negra estufada guardando o nenúfar em brasa. Sou seu sorvete na ponta da língua estirada pelos arredores da glande e a saborear aclives pra cura dos supostos talhos da solidão e pronta para abocanhar faminta a minha vertical ereção com todas as estrelas da sua abóbada palatina, como se fosse o consolo por mais desejado. Sou depois então o seu alazão insone para cavalgar Lady Godiva nua lúbrica indômita, esfregando-se úmida a deslizar o ventre, cavaleira fremente com o sangue quente, a fazer nela todos os dias para que eu chuvisque o cume vulnerável do platô púbico e roce-lhe o clitóris do bico da chaleira ferver abrindo-se em flor para devassá-la funduras vertiginosas, lonjuras por usurpar com todos os festejos ardorosos a derramar a fonte de todas as suas águas e eu às braçadas, dedos vasculhadores, um a um se enfiando em seu ânus e a revirando toda para que seja rechaçada completamente qualquer fuga ou evasão, sou esfregando-me às suas costas arqueadas por seu esfíncter mais que cobiçado, enquanto aos rebolados manhosos dos glúteos ela saracoteia despudorada cheia de molejo e disposta a ser escalpelada, inclinando-se aos solhos revirados para excruciante açoite, até senti-la em convulsão a se sacudir macia como algodão como se me quisesse prato pra comer, cama pra se aninhar, e toda viagem enfiada ao meu bastão até o fim de toda eternidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Os livros que eu escrevo sempre funcionam como mapas, procurando unir pontos de uma constelação não antes vista... Pensamento extraído da obra La historia de mis dientes (‎Sexto Piso, 2013), da escritora mexicana Valeria Luiselli.

 

ALGUÉM FALOU: E o que é a morte senão uma só e mesma coisa, vazia e obscura, pouco importando o braço que a executa?... Pensamento extraído da obra

El viento que arrasa (Mardulce, 2012), da escritora argentina Selva Almada.

 

MEMÓRIA – [...] A memória se enraíza no concreto, no espaço, no gesto, na imagem e no objeto. A história se prende às continuidades temporais, à evolução e às relações entre as coisas. [...]. Trecho extraído da obra Les lieux de mémoire (Gallimard, 1984), do historiador francês Pierre Nora.

 

CEGUEIRA - [...] Chegara mesmo ao ponto de pensar que a escuridão em que os cegos viviam não era afinal, senão a simples ausência da luz, que o que chamamos cegueira era algo que se limitava a cobrir a aparência dos seres e das coisas, deixando-os intactos por trás do seu véu negro. Agora, pelo contrário, ei-lo que se encontrava mergulhado numa brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só as cores, mas as próprias coisas e seres, tornando-os, por essa maneira, duplamente invisíveis. [...]. Trecho extraído da obra Ensaio sobre a cegueira (Companhia das Letras, 1995), do escritor, teatrólogo, jornalista e dramaturgo português José Saramago (1922-2010). Veja mais aqui e aqui.

 

POEMAS – HINO A AFRODITE - Afrodite imortal de trono brilhante, \ Filha de Zeus, Feiticeira, eu te imploro, \ Poupe-me, ó rainha, desta agonia e angústia, \ Não esmague meu espírito. II - Sempre que antes você me ouviu - \ À minha voz chamando por você à distância, \ E atendendo, você veio, deixando os \ domínios dourados de seu pai, III - Com a carruagem atrelada aos teus corcéis de asas velozes, Agitando asas \ velozes sobre a escuridão da terra, \ E levando-te através do infinito, deslizando \ Do céu para baixo, IV - Então, logo eles chegaram e tu, deusa abençoada, \ Com sorriso divino, me perguntaste \ Que novo infortúnio me sobreveio agora e por quê, \ Assim eu chamei o. V - Qual era o meu maior desejo em meu coração louco, \ Quem era agora que deveria sentir minhas seduções, \ Quem era a bela que deveria ser persuadida, \ Quem te ofendeu Safo? VI - Pois se agora ela foge, rapidamente ela seguirá \ E se ela rejeita presentes, logo ela os oferecerá \ Sim, se ela não conhece o amor, logo ela o sentirá \ Mesmo relutante. VII - Venha então, eu rogo, conceda-me o fim da tristeza, \ Afaste o cuidado, eu te imploro, ó deusa \ Cumpra para mim o que eu anseio realizar, \ Seja meu aliado. UMA GAROTA – Eu \ Como a doce maçã que fica vermelha no galho mais alto, \ No topo do galho mais alto, - que os depenadores esqueceram, de alguma forma, - \ Não esqueça, não; mas não conseguiu, pois ninguém poderia obtê-lo até agora. II - Como o jacinto silvestre que se encontra nas colinas, \ Que os pés que passam dos pastores para sempre dilaceram e ferem, \ Até que a flor roxa seja pisada no chão. CHARAXOS E LARICHOS - Diga o que quiser sobre Charaxos, \ isso é um sujeito com um navio barrigudo \ sempre em algum porto ou outro. \ O que importa a Zeus ou ao resto de sua gangue? \ Agora você gostaria de me de joelhos, \ gritando para Hera: “Blá, blá, blá, \ traga-o para casa são e salvo e livre de verrugas”, \ ou choramingando: "Wah, wah, wah, obrigado, \ obrigado, por curar minha condição de fígado.” \ Meu Deus, os deuses fazem o que querem. \ Eles chamam furacões com um sussurro \ ou envie um tsunami da mesma forma que enviaria uma carta de amor. \ Se eles têm um capricho, eles fazem alguns capangas \ conserte, como aqueles idiotas da Ilíada. \ Uma nuvem de fumaça, um pouco de névoa, lá vai o herói, \ é feliz para sempre. Quanto a Larichos, \ aquela cama deitada vive para o travesseiro. Se por uma vez \ ele se levantaria, ele poderia fazer algo de si mesmo. \ Então daquele fedorento esgoto da minha vida \ Eu poderia puxar um balde de água de nascente. Poemas extraídos da obra Stung with Love: Poems and Fragments (Penguin, 2009), da célebre poeta grega Safo de Mitilene, da ilha de Lesbos (ilha esta que à época seu nome significava Felação, conforme anotado no grego antigo e por Luciano de Samósata), contemporânea dos poetas Pítaco e Alceus. Veja mais aqui e aqui.



DARCY RIBEIRO – O antropólogo, escritor e político mineiro Darcy Ribeiro (1922-1997), atuou na educação e atuou na área indígena. Foi eleito para Academia Brasileira de Letras em 8 de outubro de 1992, para a cadeira 11.  Foi ministro-chefe da Casa Civil do presidente João Goulart, vice-governador do Rio de Janeiro em 1983/87 e foi senador a partir de 1991.


AMERICA LATINA: A PATRIA GRANDE – Na obra America Latina: a pátria grande, Darcy Ribeiro aborda semelhanças e diferenças na America Latina, uniformidade sem unidade, antagonismo essencial, confuão e perplexidade na tipologia política, o cenário e os protagonistas, lideranças elitistas, elites autoritárias, as antielites, vanguardismo revolucionário, perspectivas futuras, a utopa da nação latinoamericana, as armas da conquista, indianidades, os neo-americanos, vicissitudes antiutópicas, perplexidas bolivianas, a façanha europeia, teorias do atraso e do progresso, consciência alienada, eurocentrismos, rebeliões étnicas,uniformidade e singularidade, civilização como avassalamento, configurações histórico-culturais, conflitos interétnicos, desempenhos civilizatórios, desafios cruciais, revoluções culturais e irracionalidade econômica.

FONTE:
RIBEIRO, Darcy. America Latina: a pátria grande. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.



A UNIVERSIDADE NECESSÁRIA – A obra Universidade necessária, Darcy Ribeiro trata da crise universitária, a modernização reflexa e crescimento autônomo, universidade e política, recolonização cultural, modelos clássicos de universidade francesa, inglesa, alemã, norteamericana, soviética, nosso legado, a universidade latinoamericana, valores professados e valores reais, padrões estatísticos, perspectivas de crescimento, características estruturais, mentalidade elitista, constrições funcionais, a nova reforma, tentativas de renovação, dilemas e falácias, desafios cruciais, princípios reitores da nova reforma, a universidade necessária, a universidade da utopia, a estrutura tripatida e integrada, os grandes complexos funcionais, a departamentalização, política universitária, contrapolitização da universidade, o saber acadêmico e a universidade revolucionária.

FONTE:
RIBEIRO, Darcy. Universidade necessária. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.




AOS TRANCOS E BARRANCOS – Na obra Aos trancos e barrancos: como o Brasil deu no que deu, Darcy Ribeiro faz um apanhado histórico do século passado, de 1900 até 1980, denominando cada ano ao devido acontecimento mais representativo. É uma bem humorada abordagem histórica das eras do Brasil no século XX, recheada de fatos, curiosidades, destaques artísticos, ricamente ilustrado.

FONTE:
RIBEIRO, Darcy. Aos trancos e barrancos: como o Brasil deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1985.

Veja mais Darcy Ribeiro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.




Veja mais sobre:
Ah esse olhar no Crônica de amor por ela, Marc Augé, Rubem Braga, Wolfgang Amadeus Mozart, Gabriela Mistral, Mitsuko Uchida, Analy Alvarez, David Nutter, Francisco Ribera Gomez, Kate Holmes, Carmen Verônica & Iolita Domingos Barbosa Campos aqui.

E mais:
Tarsila do Amaral, Hannah Arendt, Edward Grieg, Eleanor Gibson, Lígia Moreno & Rubem Braga aqui.
De antemão & Fecamepa aqui.
A mulher celta aqui.
A mulher suméria aqui.
Prelúdio aqui.
Só a poesia torna a vida suportável aqui.
Escapando & vingando sonhos aqui.
Só desamparo no descompromisso social aqui.
Literatura e história do teatro aqui.
Pequena história da formação social brasileira de Manoel Maurício de Albuquerque aqui.
A linguagem na filosofia de Marilena Chauí aqui.
A poesia de Chico Buarque aqui.
Vigiar e punir de Michel Foucault aqui.
A teoria da norma jurídica de Norberto Bobbio aqui.
Como se faz um processo de Francesco Carnelutti aqui.
As misérias do processo penal de Francesco Carnelutti aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...