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domingo, maio 03, 2026

DAVI KOPENAWA, DARIJA ŽILIĆ, NISHI SINGH, CELINA DE HOLANDA & SEMANA ASCENSO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do álbum Transparente (Fina Flor, 2015), da cantora e compositora Fátima Guedes. Veja mais aqui, aqui & aqui.


 

Galardão do revés exótico... - Naquele instante, ela nostálgica revivia o idílio de seu deleite virginal: o primeiro beijo e ele chegava possessivo de ciúmes, não se cansava de tê-la tão bela aos seus olhos de senhor das horas. Dela, a revista das cartas íntimas trocadas, discórdias, pormenores, adivinhando o que queria a precipitar-se previdente, até das suspeitas injuriosas de ter que pagar na mesma moeda, enquanto os anos a consumia numa devastadora paixão. De repente, o amor restava excomungado, desde quando o marido invadiu o oitão da casa espaventoso, aos gritos, sucedendo o susto, porta abaixo, dele ter acabado de chegar, um endríago desembestado, olhos cinzentos, a face inexpressiva na agonia dos odores de acender e apagar, ao que cegava carrancudo no martírio de ser atingido por relâmpago certeiro e perdia a sombra, o chão sumia, esvaindo-se estouvado e morria em pé, a se dissolver com últimos suspiros, imodesto nas distorções do vulgo, expirava no último fôlego das ventas e sucumbia à glória dos valentões finados, a morte injuriosa no pó que fez-se poeira invisível para nunca mais, a sorte o tratava bem dagora em diante. Ruborizada, franzia o cenho diante daquilo tudo, assustada com a cena perturbadora. Compungida, restava uma vela ao inusitado e a futura lembrança. Nisso o papagaio despencou do poleiro espatifando o porta-retrato do casal. Só faltava essa: o bicho de estimação socorrido era a única coisa viva que restava dos momentos inesquecíveis. Seguia pelas horas longas dos ritos funerários e um deserto nauseabundo vinha de longe, deixando-a desguarnecida supérstite, com a fulminante compreensão: a morte áspera crucificava a ambos pela mesma dose, no que restava de troços e destroços todos, o que durava da alvorada ao pôr do sol, a noite pra espreme-la indefesa. Deixou-se levar por um momento pelas distrações ao poente e purificou-se aos olhos mortais durante o sepultamento. Chegava a noite de lua, as pálpebras cansadas ávidas por repouso, ainda não, a impaciência de viver: o que é ser vivo? A herança e a descoberta pelo avesso e inverso, por toda parte e a todo momento: só o tempo era mensageiro. Até que a fome corroeu a madrugada com a crise passional. Desabou, caiu no sono e sonhou com um sapo tagarela prometendo alvíssaras. Oxe! Despertava e o louro próvido trouxe logo espalhafatosamente um véu de seda branca para cobri-la e grasnava como quem contava hestórias complicadas e intermináveis. Que é que foi? Empinava, demostrando que estava afeiçoado à viúva, meiguice na ponta do bico. Logo ela assustou-se horrorizada com o coaxado dum cururu robusto ao pé da cama. Vôte! Como é que pode? E tudo começou onde menos previa e duma hora qualquer, à revelia do sensatos. Nem se dava conta do que tramavam deliberadamente a tagarela ave e o batráquio, astúcias alcoviteiras dum quase conto de fadas. É macumba! Sapo de fora não chia, mas esse é turrão. - Só me falta um vampiro pra chupar minha carótida! Eita! Quase meia dúzia de noites e dúvidas, muitos luares remavam sentimentos impúberes revividos, vogava a desordem emotivas, regia impetuosas carências e quem acudia não soube, o coração na mão pulou esperançado, esvoaçante, com admoestações, persuasões nas suas obstinadas aspirações, até perceber no anuro os olhos sinceros, a boca torta, e a mais não se atreveu: ele a lambia com as vistas. Ih! Decerto, sobrevivente que era e a abstinência dela, o inverossímil, talvez afortunada heresia e as sombras cuspiam verdades da solidão e se multiplicavam nas zis silhuetas oníricas e espantosas, como uma assombração. Deslumbrou-se mesmo assim com as mais de quinhentas vontades veementes nas dores do desejo lá dela e aos mimos, a rendição, um e outro, nenhum asco nem desdém, a companhia dupla e o beijo estalou, afeto carecido, a frouxidão das primeiras nuvens e chuvadas largas, miúdas danações e trechos vagarosos, olhos suspirados como quem andasse de costas e viesse de frente, ardente ventania, parecia até quase sempre Sol de paraíso, labaredas na fogueira do prazer, o anfíbio na sua caranguejeira e da perereca um rapazola emergira intrépido e viril, e entregou-se sem temor de qualquer risco ao exercício diário de desbragada luxúria, arrependimento ou culpa, porque a pernalta grulha ressuscitara achegada prima inseparável de afogamento cruel pretérito. O resto era com Deus, as núpcias de insólito triunvirato no encanto de incrédula magia. Até mais ver.

 


Naomi Klein: Democracia não é apenas o direito ao voto, é o direito de viver com dignidade... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Marina Vlady: Frequentemente tentamos analisar o significado das palavras, mas somos facilmente desviados. É preciso admitir que não há nada mais simples do que aceitar as coisas como certas... Nos meus sonhos, eu costumava sentir que estava sendo sugada para um buraco... Veja mais aqui.

Nnedi Okorafor: O silêncio é a melhor resposta para um tolo... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

O ALFABETO DO AMOR

Imagem: Acervo ArtLAM.

Começamos do início todos os dias. De manhã \ tenho que desenhar a tua boca, marcar com migalhas \ o caminho para casa, repetir novamente letra \ por letra. \ Isso diverte-me. Estudo-te como uma analfabeta. \ (A língua dissipa-se prontamente, mostra \ a sua origem florestal). \ Quando à noite repetimos as frases \ de amor, realizamos o ato de casamento que \ não lembramos.

Poema da escritora, crítica literária e tradutora croata Darija Žilić, editora da revista literária Tema. Veja mais aqui.

 

PÉROLA DA IMORTALIDADE - [...] Não se esqueçam das Areias Sagradas... [...] Os grãos que passam pelas mãos ancestrais do Tempo! [...] O planeta depende de você, Cavaleiro dos Anos Antigos! [...] O ouro, a lâmpada, Xerxes, é provavelmente a coisa mais importante da sua vida. [...]. Trechos extraídos da obra The Pearl of Immortality (Author's Channel, 2019), da escritora sul-africana Nishi Singh (Nishi Chandermun), volume 2 da trilogia composta pelos romances The Sands of Time e The Curse of Ice.

 

SONHOS DAS ORIGENS - [...] Os espíritos xapiripë dançam para os xamãs desde os tempos mais remotos e continuam a fazê-lo até hoje. Eles têm aparência humana, mas são tão minúsculos quanto partículas de poeira brilhante. Para vê-los, é preciso inalar o pó da árvore yãkõanahi muitas e muitas vezes. Os xapiripë dançam juntos em grandes espelhos que descem do céu. Eles nunca são cinzentos como os humanos. São sempre magníficos: seus corpos são pintados com urucum e contornados com desenhos pretos, suas cabeças são cobertas com penas brancas de urubu-rei, suas pulseiras de contas são repletas de penas de papagaio, cujubim e arara vermelha, suas cinturas são envoltas em caudas de tucano. Milhares deles vêm dançar juntos, agitando folhas de palmeiras jovens, soltando gritos de alegria e cantando sem parar. Seu caminho parece um fio de aranha brilhando como o luar, e seus enfeites de penas se movem lentamente ao ritmo de seus passos. É uma alegria ver como são belos! Os espíritos são tão numerosos porque são as imagens dos animais da floresta. Tudo na floresta tem uma imagem utupë: aqueles que caminham sobre a terra, aqueles que sobem nas árvores, aqueles que têm asas, aqueles que vivem na água. São essas imagens que os xamãs invocam e trazem à Terra para se tornarem espíritos xapiripë. Essas imagens são o verdadeiro centro, o verdadeiro interior dos seres da floresta. As pessoas comuns não conseguem vê-las, apenas os xamãs. Mas não são imagens dos animais que conhecemos hoje. São as imagens dos pais desses animais, são as imagens de nossos ancestrais. No Tempo Primordial, quando a floresta ainda era jovem, nossos ancestrais eram humanos com nomes de animais e acabaram se tornando presas. São eles que matamos com flechas e comemos hoje. Mas suas imagens não desapareceram e são eles que dançam para nós como espíritos xapiripë. Os brancos extraem suas palavras porque seus pensamentos estão repletos de esquecimento. Nós guardamos as palavras de nossos ancestrais dentro de nós por muito tempo e continuamos a transmiti-las aos nossos filhos. As crianças, que nada sabem sobre os espíritos, ouvem os cânticos dos xamãs e então desejam ver os espíritos por sua vez. É assim que, mesmo sendo muito antigas, as palavras dos xapiripë sempre se renovam. São eles que ampliam nossos pensamentos. São eles que nos fazem ver e conhecer coisas distantes, as coisas dos antigos. É o nosso estudo que nos ensina a sonhar. [...]. Trecho extraído do texto The words of Davi Kopenawa Yanomami (Survival International, 2026), do escritor, ator, xamã e líder yanomami, Davi Kopenawa Yanomami, presidente da Hutukara Associação Yanomami, uma entidade indígena de ajuda mútua e etnodesenvolvimento. Veja mais aqui.

 

A POESIA DE CELINA DE HOLANDA

Neste parque imutável \ até hoje passeiam \ estes homens de escuro \ e estas frágeis mulheres \ Até hoje as flores, os cristais \ e as toalhas \ são sem mácula \ nas salas de esperar \ o amigo, o amado \ ou a chuva passar. Nada \ de apocalipse \ a terrível Besta e poços \ insondáveis. Nada \ a relembrar o abismo \ que somos.

Poema Passeio no Parque, da jornalista e poeta Celina de Holanda (Celina de Holanda Cavalcanti de Albuquerque – 1915-1999), autora dos livros O Espelho da Rosa (1970), A Mão Extrema (1976), Sobre Esta Cidade de Rios (1979), Roda D'água (1981), As Viagens (1984), Pantorra, o Engenho (1990) e Viagens Gerais (1995). Juntamente com Jaci Bezerra e Alberto da Cunha Melo, ela criou em 1979 as Edições Pirata. Veja mais aquí.

&

SEMANA ASCENSO FERREIRA

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quarta-feira, julho 11, 2018

TCHÉKOV, GÓNGORA, PÊCHEUX, MCLUHAN, FÁTIMA GUEDES, LOURDES SANCHEZ, HISTÓRIA DA HUMANIDADE & ZÉ CORNINHO


A ZOADA DO PADROEIRO – Imagem: arte da artista visual Lourdes Sanchez - Quando Zé-Corninho resolveu contrair núpcias pela primeira vez na vida, a escolhida foi Maria Fulustreca. Depois de muito escolher, tirar no ímpar ou par, jogar nas cartas, atirar na sorte, decidiu-se pela contemplada: uma reboculosa barraqueira de marca maior. Ele nem aí. Foi providenciar o casório, porém, a cidade estava sem pároco. Teve que esperar. O padre Quiba deu então as caras e assumiu a paróquia com um grande problemão: não tinha padroeiro. Um escândalo. Como é que pode? A chegada do eclesiástico causou uma revolução, convocando todos os fieis depois de duzentas baladas nos sinos da matriz, para eleger aquele que representaria a cidade dentro da hagiologia, tudo como manda o figurino. Todas as outras atividades estavam suspensas, não haveria missa nem batizado, muito menos casamento. Virou uma celeuma. É que o anterior vigário, adepto das ideias do papa João XXIII, preferiu manter a cidade em paz com pastores, espíritas, catimbozeiros e afins. Tanto que ele ia pros cultos todas terças e quintas, botava mesa branca na quarta, batia bombo todas as sextas, afora ser maçom de toda segunda ir pra loja e ligado às escolas de mistério e ocultismo nos finais de semana, realizando, ao mesmo tempo, as missas que contavam com a presença de todos os representantes das outras religiões locais e da região. A cidade de Alagoinhanduba, até então, um exemplo de concórdia, tanto que tinha o menor índice de violência do país, nem morria gente, não havia doente, nem ninguém se queixava disso ou daquilo, todos participavam tanto dos clubes de serviço, como de todas as entidades religiosas. Com a morte do clérigo quando ele estava de férias na Itália, o padre Quiba viera substituí-lo e embroncou com essa promiscuidade, exigindo não só a adoção de um padroeiro, como acabar de vez com esse conluio religioso. Virou um escarcéu. Fiéis convocados e, como não entravam em acordo por um ou outro santo, decidiu-se na marra que seria São Benedito por ser dia 05 de outubro. O padre Quiba recusou-se ser pároco de um representante preto e que já fora preso numa cidade da vizinhança, pois, isso seria um vitupério. Logo Bidião que à época era marido das freiras, ao ver o santo enjeitado, acoloiado com os da sua laia, desenvolveu campanha ruidosa pró São Benedito, tendo o bode Frederiko como cabo-eleitoral. A coisa pegou fogo, até segurarem o sacerdote pela beca, encostaram-no a um canto da parede com ameaças ao calão e ficou tudo dito pelo não dito. Era hora de organizar a festa, a mundiça tomou conta, aos rojões e outros pipocos mais exagerados, coroando tudo com o casamento do Zé-Corninho e Maria Fulustreca. O religioso botou o pé atrás e, sob a mira das iras mais cabeludas, fez discurso destemperado com os mais veementes protestos e, no maior das risadagens e magações, consagrou furiosamente os nubentes a serem infelizes para todo o sempre com um eu te benzo, eu te curo e sai pra lá comboio de pecadores, cruz-credo. Pronto, Alagoinhanduba tinha pela primeira vez um padroeiro e um casamento de verdade que não durou nem três meses, porque a esponsal fugiu com o primeiro que lhe deu a mão numa boleia de caminhão. O padre revoltado sumiu, só retornando cagando-raio e invocando a inquisição para moralizar aquela perdição toda. Mas isso é outra história que passa de ganso pra pato, daí pra marreco e cobra pra cachorro, de gato pra jumento e todos os bichos, inté mais ver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais  aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da cantora e compositora Fátima Guedes: Muito intensa, Grande Tempo, Pra bom entendedor & show ao vivo & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] É a ideologia que fornece as evidências pelas quais “todo mundo sabe” o que é um soldado, um operário, um patrão, uma fábrica, uma greve, etc., evidências que fazem com que uma palavra ou um enunciado “queira dizer o que realmente dizem” e que mascaram, assim, sob a “transparência da linguagem”, aquilo que chamaremos o caráter material do sentido das palavras e dos enunciados[...]. Trecho extraído da obra Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio (EdUnicamp, 1995), do filósofo francês Michel Pêcheux (1938-1983).

A HOMOGENEIZAÇÃO DA ATUALIDADE - [...] a homogeneização dos homens e dos objetos vai se tornar o grande objetivo da era de Gutenberg, como fonte de uma riqueza e de um poder que não conheceram nenhuma outra época e nenhuma outra tecnologia. [...]. Trecho extraído da obra A galáxia de Gutenberg: a gênese do homem tipográfico (Galimard, 1967), do educador, filósofo e teórico da comunicação canadense Marshal McLuhan (1911-1980), que em outra de suas obras, Laws of media (The New Science, 1988), expressou que: [...] Não faz qualquer diferença se consideramos como artefatos ou como objetos midiáticos coisas de natureza tangível “hardware” como tigelas e tacos ou garfos e colheres, ou ferramentas e aparelhos e máquinas, ferrovias, naves espaciais, rádios, computadores, e assim por diante; ou coisas de natureza “software” como teorias ou leis da ciência, sistemas filosóficos, remédios ou mesmo doenças na medicina, formas ou estilos na pintura, ou na poesia, ou na dramaturgia, ou na música, e assim por diante. Todos são igualmente artefatos, todos igualmente humanos, todos igualmente suscetíveis à análise, todos igualmente verbais nas estruturas [...] Então, as costumeiras distinções entre artes e ciências, coisas e idéias, entre físico e metafísico são dissolvidas. [...]. Veja mais aqui.

O VINGADORLogo depois de haver surpreendido sua mulher no lugar do delito, encontrava-se Feodor Fedorovich Sgaev na loja de armas de Schmuks & Cia., a escolher o revolver que melhor lhe pudesse servir. Seu rosto expressava ira, dor e decisão irrevogável. [...] Não havia ainda escolhido o revolver e nem sequer assassinara alguém, mas na imaginação já se lhe apresentavam três cadáveres ensanguentados, de crânios triturados, os miolos a flutuarem... [...]. Isto é o que farei – pensou. – Matarei a ele e a mim em seguida, porém ela... deixarei viver. Que morra de arrependimento e do desprezo dos que a cercam! [...] Devo imaginar algo mais prudente e sentimental. Castigá-los-ei com meu desprezo e encetarei escandaloso processo de divórcio. [...] uma vez tomada aquela decisão, Sigaev não mais necessitava de revolver. Em compensação, o empregado cada vez mais inspirado, não cessava de mostrar-lhe os artigos, que tanto elogiava. O marido ofendido envergonhou-se de que, por sua causa, o sujeito estivesse trabalhando em vão, a entusiasmar-se e a perder tempo. – Bem – balbuciou. – Será melhor que eu volte mais tarde ou mande alguém... Conquanto não visse a expressão do rosto do empregado, compreendeu que, para suavizar a violência da situação, não havia outra saída que comprar algo. Porém, o quê? Seus olhos percorreram as paredes da loja, em busca de uma coisa barata, e se detiveram numa rede de cor verde, pendurada junto à porta. -  É isso? Que é isso? – perguntou. – É uma rede para caçar codornas. – Qual é o preço? – Oito rublos, “Monsieur”. Por pode embrulhar. O marido ofendido pagou os oito rublos, passou a mão na rede, para levá-la e cada vez mais ofendido, saiu da loja. Conto do dramaturgo e escritor russo Anton Tchékov (1860-1904), extraído da coleção Maravilhas do conto humorístico (Cultrix, 1969), organizada por Mariano Torres. Veja mais aqui e aqui.

ROSA VÃ - Ontem nasceste, e morres amanhã. / A teu ser tão fugaz quem lhe deu vida? / Para viver tão pouco estás luzida, / e para não ser nada, tão louçã? / Se te enganou a formosura vã, / bem depressa a verás desiludida, / porque em tua beleza está escondida / a ocasião de morte temporã. / Quando te corte uma robusta mão, / que é lei da agricultura permitida, / grosseiro alento acabará tua sorte. / Não saias, rosa, aguarda-te um vilão. / Adia teu nascer para esta vida, / que teu ser antecipas para a morte. Poema

HISTÓRIA DA HUMANIDADE
Como hoje é o Dia Mundial da População, lembrei-me dum filme que assisti trocentos anos atrás: o drama fantasia A história da humanidade (The Story of Mankind, 1957), dirigido pelo produtor estadunidense de cinema e televisão, Irwin Allen (1916-1991), contando a história de um conselho de anciões que estão deliberando se a humanidade deverá sobreviver ou não, com enfrentamento entre um anjo e um demônio debatem sobre a raça humana, com apresentação de uma série de episódios da história da humanidade. No elenco constam os irmãos Marx, Virginia Mayo, Marie Windsor, Hedy Lamarr, entre outros.

III Congresso de Filosofia da Educação - Escola: problema filosófico & muito mais na Agenda aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual Lourdes Sanchez
Veja mais aqui.
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As muitas outras do Zé-Corninho aqui, aqui e aqui.
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O rato, a cotia e o cachorro, Elogio ao ócio de Bertrand Russel, a coreografia de Doris Uhlich, a arte de Laura Knight, a música de Leila Pinheiro, Luiz Melodia, Marisa Monte & Jards Macalé aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.


terça-feira, outubro 17, 2017

ANNIE BESANT, RAMOS ROSA, ARTHUR MILLER, TORERO, LORI KIPLINGER PANDY & VLAHO BUKOVAC

IARAVI & A LUA – No dia que a apaixonada cunhã Iaravi perdeu o caminho de volta pra sua casa caingang e se desencontrou do seu amado Fiietó, ela errou por terras distantes, até vê-se completamente desamparada, aos prantos. Seguiu erradia por noites e dias com a esperança de reencontrar o caminho de casa e o seu amor perdido. Depois de muito vagar sozinha pela vida, não restava mais a ela, senão, o caminho de todas as cunhãs que padeciam de amor: seguir pro alto da colina, deprecar por Iaci, na crença de que ela pudesse trazer o seu amor de volta, tendo em vista a deusa selenita, com o seu beijo, redimir todas as mulheres apaixonadas, tornando-as iluminadas, desmaterializando-as e transformando-as em estrelas fixadas no firmamento. Assim fez Iaravi, procurando altas elevações para realizar o sonho da felicidade, percorrendo lugares com montanhas, serras e montes, até encontrar a maior delas, para alcançar o reino selênico. Ao chegar ao pico daquela, fitou o céu onde as estrelas pareciam entoar cânticos à beleza da Terra e logo encontrou a lua banhando-se no lago. Pulou do alto e mergulhou nas águas onde se encontrava Iaci que, apiedando-se do seu sofrimento, aproximou-se e perguntou: O que queres, minha linda canigang? Iaci, minha deusa, perdi o caminho de volta e, o pior, me desencontrei do meu amor e sigo errante, perdida e desesperada. Nada mais me resta, a não ser a tua complacência, minha deusa e soberana da noite, me transformando em uma vitória-régia, a estrela das águas, para que eu possa findar meus dias sempre esperando por meu amado. Iaci compadeceu-se daquela índia, beijou suas faces, transofrmando-a numa formosa estrela do céu, imortalizada com o aroma da paixão universal. Teve o cuidado de guardar na bela amante todos os mistérios das águas profundas para que ela pudesse reluzir no encantamento dos belíssimos viveiros fluviais da Terra. Mais que grata, Iaravi transformou-se na Lua refletindo a chamar a atenção das caboclas inspiradas pela paixão do amor e a guiar o caminho dos selenitos. (Recriada a partir da lenda Vitória-régia, de Anísio Melo, extraída da obra Contos e lendas amazônicas - Alfredo Ladislau, 1923), © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do compositor e pianista russo Alexander Scriabin (1871-1915): O poema do êxtase op. 54, Misterium & Poema do fogo; da cantora e compositora Fátima Guedes: Muito intensa, Muito prazer, Flor de ir embora & Cheiro de mato; do compositor e pianista estadunidense Keith Jarret: The Koln Concert, La Scala & My Song; da cantora, compositora, instrumentista e designer sonoro Joana Flor: Sine qua non, O que me resta, Me falta tem, Indivíduo lugar & Do que é efêmero. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Eu procuro e não consigo encontrar, Willy. Hoje eu fiz o último pagamento da casa. Hoje, querido. E não há ninguém nela. Não estamos devendo nada a ninguém. Estamos livres de obrigações. Estamos livres... Estamos livres... livres... [...]. Trecho da obra A morte do caixeiro-viajante (Abril, 1976), do dramaturgo estadunidense Arthur Miller (1915-2005).

EVOLUÇÃO MORAL - Muitas pessoas nutrem bons sentimentos para com qualquer boa causa, mas poucas se esforçam por ajuda-la, e muito poucas arriscarão alguma coisa para apoiá-la. 'Alguém deve fazê-lo, mas por que eu?' é a pergunta sempre repetida pela amabilidade irresoluta. 'Alguém deve fazê-lo, e por que não eu?' é o grito de algum zeloso servo do homem, que se atira, animoso, para a frente a fim de enfrentar algum dever perigoso. Entre essas duas sentenças jazem séculos inteiros de evolução moral. Pensamento da escritora e ativista anglo-indiana Annie Besant (1847-1933). Veja mais aqui.

SONHO & SAUDADE - [...] Tive um sonho esquisito ontem: era uma manhã ensola rada e eu vinha a pé pela avenida Paulista, sentido Consolação-Paraíso. O silêncio era total, nenhum carro passava. Havia apenas papéis picados cobrindo o asfalto e bandeiras brasileiras penduradas nas janelas [...] Acordei com saudades [...] de nhoque feito pela avó, [...] de meu avô, [...] dos shorts de panos estampados feitos pela minha mãe; saudade do barulho de batedeira de minha mãe [...] de ir aos jogos com meu pai, [...] de ver os avós brigando e fazendo as pazes, [...] de briga de empurrão com meus irmãos [...] de ganhar dinheiro do meu avô para comprar figurinha de chapinha [...] Saudade do tempo que já foi. Saudade do que já fui. [...]. Trechos extraídos da obra Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso (Objetiva, 2001), do escritor e jornalista José Roberto Torero. Veja mais aqui.

PALAVRA - Eleva-se entre a espuma, verde e cristalina / e a alegria aviva-se em redonda ressonância. / O seu olhar é um sonho porque é um sopro indivisível / que reconhece e inventa a pluralidade delicada. / Ao longe e ao perto o horizonte treme entre os seus cílios. / Ela encanta-se. Adere, coincide com o ser mesmo /da coisa nomeada. O rosto da terra se renova. / Ela aflui em círculos desagregando, construindo. / Um ouvido desperta no ouvido, uma língua na língua. / Sobre si enrola o anel nupcial do universo. / O gérmen amadurece no seu corpo nascente. / Nas palavras que diz pulsa o desejo do mundo. / Move-se aqui e agora entre contornos vivos. / Ignora, esquece, sabe, vive ao nível do universo. / Na sua simplicidade terrestre há um ardor soberano. Poema extraído da obra Volante verde (Moraes, 1986), do poeta, tradutor e desenhista português António Ramos Rosa (1924-2013). Veja mais aqui.

A ARTE DE LORI KIPLINGER PANDY
A arte da escultora estadunidense Lori Kiplinger Pandy.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor croata Vlaho Bukovac (1855-1922).
Veja mais aqui.

quarta-feira, maio 06, 2015

TAGORE, FREUD, ARTAUD, COSTA-GAVRAS, VAN GOGH, FÁTIMA GUEDES, TAHAN & LIA RODRIGUES.

Imagem: Semeador com o por do sol (1888), Otterlo, Kröller- Müller Museum, do pintor pós-impressionista neerlandês Vincent van Gogh (1853-1890). Veja mais aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Quero que você me venha de manhã
Plantar a luz do sol
Com sua fonte a minar
E em mim se escorrer
E aguando esta ternura
A gente dê vontade de nascer:
Beijar-lhe o ventre
E ver a vida a rolar
Vai ser demais!
O tempo vai ruir pra nós
Desexistir
Incendiar o corpo
A voz
A sede saciar na foz
Assim
Sedento
A diluir-se em flor
Pelos confins
Em você onde sou eu
Será promessa inteira do querer?
Amor,
Que vai ser de mim
Se um dia essa vontade de viver
Perder o amor de vista
E esquecer
Angústia de não ter raiz?
O ar desvencilhar-se do nariz?
Será de mim,
O que será do meu coração?
Será de mim...
(Fonte, letra & música de Luiz Alberto Machado). Veja mais aquiaqui & aqui.


Ouvindo álbum Muito intensa (1999), da cantora e compositora Fátima Guedes, reunindo suas parcerias com Joyce, Djavan, Nei Lopes, Adriana Calcanhoto e Ivan Lins. Veja mais aqui & aqui.


PROGRAMA BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do Programa Brincarte do Nitolino, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Para conferir online, clique aqui ou aqui.

MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO – O livro Mal-estar na civilização (1930 – Imago, 1996), do médico neurologista e criador da Psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939), trata a respeito de temas como o mundo humano e sua vida mental, a religião é uma ilusão, o princípio do prazer e o princípio da realidade, sentimento oceânico: unidade com o universo, medidas paliativas: derivativos poderosos, satisfações substitutivas e substancias tóxicas; felicidade e infelicidade, a técnica da arte de viver, as influencias do desenvolvimento da civilização, o homem primevo e o trabalho, Eros e Ananke, Homo homini lúpus, conceito de Narcisismo, a libido narcísica e a libido objetal, neuroses traumáticas e psicoses, neuroses de transferência, a civilização e o sentimento de culpa: a inibição da agressividade, o ego e o superego, o desamparo e a dependência do outro, as premências egoístas e altruístas, o superego cultural ou da civilização, a ética e o superego cultural: os homens, os juízos e as ilusões, entre outros assuntos. Da obra destaco os trechos: A vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós, proporciona-nos muitos sofrimentos, decepções e tarefas impossíveis. A fim de suportá-la, não podemos dispensar as medidas paliativas [...] Esforçam-se para obter felicidade; querem ser felizes e assim permanecer. Essa empresa apresenta dois aspectos: uma meta positiva e uma meta negativa. Por um lado, visa a uma ausência de sofrimento e de desprazer; por outro, à experiência de intensos sentimentos de prazer [...] todas as normas do universo são-lhe contrárias. Ficamos inclinados a dizer que a intenção de que o homem seja ‘feliz’ não se acha incluída no plano da ‘Criação’ [...] Considera a realidade como a única inimiga e a fonte de todo sofrimento, co9m a qual é impossível viver, de maneira que, se quisermos ser de algum modo felizes, temos de romper todas as relações com ela. [...] A religião restringe esse jogo de escolha e adaptação, desde que impõe igualmente a todos o seu próprio caminho para aquisição da felicidade e dá proteção contra o sofrimento. Sua técnica consiste em depreciar o valor da vida e deformar o quadro do mundo real de maneira delirante – maneira que pressupõe uma intimidação da inteligência. A esse preço, por fixa-las à força num estado de infantilismo psicológico e por arrastá-las a um delírio de massa, a religião consegue poupar a muitas pessoas uma neurose individual. Dificilmente, porém, algo mais. [...] descreve a soma integral das realizações e regulamentos que distinguem nossas vidas das de nossos antepassados animais, e que servem a dois intuitos, a saber: o de proteger os homens contra a natureza e o de ajustar os seus relacionamentos mútuos [...] Reconhecemos como culturais todas as atividades e recursos úteis aos homens, por lhes tornarem a terra proveitosa, por protegerem-nos contra a violência das forças da natureza, e assim por diante [...] O homem, por assim dizer, tornou-se uma espécie de ‘Deus de prótese’. Quando faz uso de todos os seus órgãos auxiliares, ele é verdadeiramente magnifico; esses órgãos, porém, não cresceram nele e, às vezes, ainda lhe causam muitas dificuldades [...] as frustrações da vida sexual são precisamente aquelas que as pessoas conhecidas como neuróticas não podem tolerar. O neurótico cria, em seus sintomas, satisfações substitutivas para si, e estas ou lhe causam sofrimento em si próprias, ou se lhe tornam fontes de sofrimento pela criação de dificuldades em seus relacionamentos com o meio ambiente a sociedade a que pertence [...] A civilização, porém, exige outros sacrifícios, além da satisfação sexual [...] O homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança [...] Veja mais aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

O JARDINEIRO DO AMOR – O livro O jardinheiro do amor (Thesaurus, 1983), do poeta e músico indiano, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Rabindranath Tagore (1861-1941), reúne os poemas originalmente escritor em bengali oriundos de sua máxima elevação espiritual e dulcíssimo sentimento humano, por meio de ritmo melodioso de suas frases e singeleza de suas imagens. Do livro destaco o poema LVII: Colocorás, formosa minha, tua grinalda de flores recém colhidas, em meu pescoço? Porém, antes de fazê-lo, deves saber que a grinalda que eu entrelacei é para muitas; para aquelas que se descobrem somente com olhares rápidos; que moram em terras inexploradas ou vivem nas canções dos poetas. É muito tarde para que me peças o coração em troca do teu. Houve um momento em que minha vida era igual a um botão de flor que trazia todo perfume oculto em seu coração. Agora, transbordou, por todas as bandas da vida. Quem conhecerá o feitiço capaz de concentrá-lo e encerrá-lo outra vez? Meu coração não me pertence; não posso entrega-lo a uma só; a tantas eu já o dei... Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

O HOMEM QUE CALCULAVA – O livro O homem que calculava: aventuras de um singular calculista persa (Record, 1987), do escritor, pedagogo e matemático brasileiro Malba Tahan (1895-1974), conta a história das aventuras e proezas matemáticas do calculista persa Beremiz Samir, na Bagdá do século XIII, explicando de modo extraordinários os diversos problemas da matemática, incluindo lendas e histórias pitorescas. Da obra destaco o trecho inicial: Em nome de Alá, Clemente e Misericordioso! Voltava eu, certa vez, ao passo lento do meu camelo, pela estrada de Bagdá, de uma excursão à famosa cidade de Samarra, nas margens do Tigre, quando avistei, sentado numa pedra, um viajante, modestamente vestido, que parecia repousar das fadigas de alguma viajem. Dispunha-me a dirigir ao desconhecido sala trivial dos caminhantes quando, com grande surpresa, o vi levantar-se e pronunciar vagarosamente: - Um milhão, quatrocentos e vinte e três mil, setecentos e quarenta e cinco! Sentou-se em seguida e quedou em silêncio, a cabeça apoiada nas mãos, como se estivesse absorto em profunda meditação. Parei a pequena distância e pus-me a observá-lo, como faria diante de um monumento histórico dos tempos lendários. Momentos depois o homem levantou-se novamente e, com voz clara e pausada, enunciou outro número igualmente fabuloso: - Dois milhões, trezentos e vinte e um mil, oitocentos e sessenta e seis! E assim, várias vezes, o esquisito viajante pôs-se de pé, disse em voz alta um número de vários milhões, sentando-se em seguida, na pedra tosca do caminho. Sem poder refrear a curiosidade que me espicaçava, aproximei-me do desconhecido e, depois de saudá-lo em nome de Allah (com Ele a oração e a glória), perguntei-lhe a significação daqueles números que só poderiam figurar em gigantescas proporções. - Forasteiro – respondeu o Homem que Calculava -, não censuro a curiosidade que te levou a perturbar a marcha de meus cálculos e a serenidade de meus pensamentos. E já que soubesse ser delicado no falar e no pedir, vou atender ao teu desejo. Para tanto preciso, porém, contar-te a história de minha vida! E narrou o seguinte [...]. Veja mais aqui, aquiaqui.

ESCRITOS DE UM LOUCO – O livro Escritos de um louco (1945), do poeta, ator, dramaturgo e diretor de teatro francês Antonin Artaud (1896-1948), reúne narrativas de viagem iniciadas em 1936 pelo autor, englobando cartas e escritos diversos, entre os quais destaco Van Gogh: o Suicidado Pela Sociedade: Pode-se falar da boa saúde mental de van Gogh, que em toda sua vida apenas assou uma das mãos e, fora disso, limitou-se a cortar a orelha esquerda numa ocasião. Num mundo no qual diariamente comem vagina assada com molho verde ou sexo de recém-nascido flagelado e triturado, assim que sai do sexo materno. E isso não é uma imagem, mas sim um fato abundante e cotidianamente repetido e praticado no mundo todo. E assim é que a vida atual, por mais delirante que possa parecer esta afirmação, mantém sua velha atmosfera de depravação, anarquia, desordem, delírio, perturbação, loucura crônica, inércia burguesa, anomalia psíquica (pois não é o homem, mas sim o mundo que se tornou anormal), proposital desonestidade e notória hipocrisia, absoluto desprezo por tudo que tem uma linhagem e reivindicação de uma ordem inteiramente baseada no cumprimento de uma primitiva injustiça; em suma, de crime organizado. Isso vai mal porque a consciência enferma mostra o máximo interesse, nesse momento, em não recuperar-se da sua enfermidade. [...] Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.

AMEM – O filme Amen (2002), do cineasta grego Costa-Gavras, é baseado na peça teatral The Deputy, a Christian Tragedy (1963), de Rolf Hochhuth, contando a história de um oficial SS que desenvolve o processo para erradicar a tifo e descobre que o mesmo é usado para extermínio de judeus, razão pela qual tenta avisar ao Papa Pio XII sobre as câmaras de gás, não recebendo nenhuma manifestação do Vaticano. Traz uma analise acerca das ligações entre o Vaticano a Alemanha nazista, causando polêmicas, inclusive, pelo pôster do filme criado pelo fotógrafo italiano Oliviero Toscani. E como sempre fui apreciador da obra deste grande cineasta, desde Z, Estado de Sítio e outros grandes filmes, verdadeiros documentários denunciantes das mais diversas mazelas humanas, registrando até que ponto vai a capacidade humana de fabricar o descaso, a desfaçatez e a crueldade. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.


IMAGEM DO DIA
Espetáculo Aquilo de que fomos feitos (2000), da Cia de Dança Lia Rodrigues (RJ) – Premio de Melhor Coreografia e Melhor Trilha Sonora (Rio Dança, 2000) e Prêmio Herald Angel (Fringe Festival – Edimburg, 2002). Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
O sisifismo da semana, Tempo e antitempo na ficção de Luiz Toledo Machado, Quingumbo & a poesia norte-americana, Tempo & literatura de Raúl H. Castagnino, Händel & Meghan Lindsay, a música de Paulinho da Costa, a pintura de Mary Addison Hackett & Steve Hester, Alain Bonnefoit & Robert Rauschenberg, a arte de Nina Moraes & Trampo aqui.

E mais:
Brincar para aprender aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Canto a mim mesmo de Walt Whitman aqui.
Brincarte do Nitolino, A forma fêmea de Walt Whitman, O rapto de Perséfone & Gian Lorenzo Bernini, a música de Richard Strauss & Diana Damrau, Evolução do Teatro de Francis Fergusson, o cinema de Reinaud Victor & Sandrine Bonnaire, a pintura de Alessandro Bronzino & a charge de Charb aqui.
A desgraça de um é a risada de outro, a música de Gonzaguinha, a pintura de Rosie Scribblah & Milton Dacosta, a arte de Jean-Michel Basquiat & Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas aqui.
Dos gostos e desgostos da vida, a pintura de Claude Monet, a escultura de Ewald Mataré, a fotografia de Chris Maher, a arte de Marlina Vera & Quanto mais a gente vive, mais se enrola nas voltas do tempo aqui.
A República no reino do Fecamepa: lições de ontem e de hoje pro que não é, A República de Platão & Cícero, O príncipe de Nicolau Maquiavel, O espírito das leis de Montesquieu, O contrato social de Jean-Jacques Rousseau, História da consciência de classe de Georg Lukács, Escitos & ensaios de Norbert Elias, Ética pós-moderna de Zygmunt Bauman & Revolução burguesa no Brasil de F aqui.
Abram alas pra revolta passar que os invísiveis apareceram, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva, a pintura de Amadeo de Souza-Cardoso & a fotografia de Debora Klempous aqui.
As escolhas entre erros e acertos, a música de Laura Canabrava, a escultura de Armand Pierre Fernandez, a pintura de Alexandra Nechita & a arte de Raceanu Adrian aqui.
Das vésperas & crástinos na festa do amor, o cinema de Peter Greenaway & Helen Mirren, a pintura de Dalu Zhao, a arte de Luciah Lopez, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia aqui.
O melhor do dia do homem é saber que todo dia é dia da mulher, a xilogravura de Gilvan Samico & a arte de Francisco Milani aqui.
O mundo todo cabe em um ato de paz, a pintura de René Magritte, a arte de Paul Vilinski, a música de Cláudio Nucci & a escultura de Ricardo Brennand aqui.
Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...