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segunda-feira, fevereiro 12, 2018

ZÉ DA LUZ. LOU SALOMÉ, KANT, DARWIN, ANTÔNIO MARIA, COSTA-GAVRAS, TOMIE OHTAKE, LEONARDO KOSSOY & DERY NASCIMENTO.

QUASE NADA PRA DIZER – Imagem: arte da artista plástica nipo-brasileira Tomie Ohtake (1913-2015). – UMA: SAUDADES, DERY NASCIMENTO (1968-2018) - A vida tem dessas coisas! A cada três horas um novo capítulo e o paroxismo com toda chatura nos intervalos comerciais, uma alfinetada insistente nos quibas e trololó pra se engalobar (como seria salutar se alguém fritasse nessa hora: Cala boca, trepeça!). A gente nem se dá conta que morre a cada dia, afinal a gente nasce pra morrer mesmo, esse o riscado e é preciso aprender a conjugar o verbo direitinho. Sem essa taboada, a gente vive na corda bamba pra tirar o atraso como se desse sentido pra boiar nas ondas dos dias, larali laralá, dois pra lá & trocentos pra cá, ou vice-versa que é mais certo e é assim que o samba vai ao ritmo do paradoxo, pisadas no calo do dedo do pé, ai, chutes na canela, ui, vai na força de vontade, zis leões rugindo no maluvido e o mundo cheio de nó pelas costas, sempre a insistir, persistir e, se der – ninguém dos vizinhos ou entre os amigos comeu bosta de cigano pra adivinhar o que é que vai dar depois dali e avisar pra gente - perseverar, de repente: ué! Já era. Vai ver perdeu a hora, passou batido. E foi? Se liga, meu. Tô ligado – em quê mesmo, hem? Sei lá, bola pra frente. Às vezes, aliás, sempre aquela astúcia de dar o toque na intenção do arrodeio, mas cadê pernas? Respira, senão desmonta e a queda livre vai dar de pés juntos, aí acabou-se o que era doce. Nem carpideiras pra consolo. Muitas soube de lambaios que viraram tabuleiro de pirolito no meio de uma saraivada de bala por rajadas de metralhadora, oxe, pelo jeito não escapava, qual, taí vivinho da silva, parece mais nem houve nada de tão ileso. Doutra feita, quantos de boa índole, assim, sem mais nem menos, dá um tropicão, teibei, prazo de validade vencido e já registrado num carrancudo atestado de óbito, com missa de sétimo dia acertada. Como é? Isso mesmo! Parece mais que o céu anda levando logo as boas almas pro seu time e deixar só as trepeças ruins pra torrar o mundo e a humanidade. Duvida? Saudades, Dery. DUAS: DA IMPRENSA & DOS NOTICIÁRIOS – Fogo morro acima, água ladeira abaixo, entra ano e sai ano, a eloquência parece mais hipocrisia. A imprensa anuncia a menor inflação da história e tudo sobe, alardeia a retomada “histórica” (sic, parece mais aquela do milagre de 70) da economia superavitária com a indústria e o comercio vendendo tudo e a gente só sacando crise, crise e crise, com um rombo de bilhões de dólares no déficit público. Que droga é nove? Orwell, Huxley? Vamos lá: as forças armadas subindo o morro dos bandidos nas periferias do Brasil, ora, ora, culatra da braba, os principais e maiores estão em Brasília, sobretudo nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. E mais: agora é pra valer, qualquer ilação vira convicção e isso, pra acusação, sem provas nem nada, exige-se justiça e pei buft: condenação certa, o que tem suas vantagens: boato com cachete denorex ganha patamar de sofisma que, pra quem não sabe, dá pra verossimilhança uma certidão da verdade ou xeque mate jurídico. Ou seja: o que é não é e fica sendo, entendeu? Quantas heurísticas, tantas hermenêuticas. Na dúvida, aparecem os felizardos – tem gente que mente que o cu apita! Enquanto isso era uma vez uma reputação! No meio de cobra criada, quem não é sabido, é alesado. Um recado: quem conhecer alguém preso cumprindo pena em qualquer penitenciária, avisa que tem ministro do STF que é só um bom papo e dindim e o alvará de soltura sai na hora. Uma coisa boa, acho, pelo menos acabará com a superlotação prisional, né não? TRÊS: PRA FRENTE QUE ATRÁS VEM GENTE - Pra quem tanto foi, perdeu a viagem e voltou com mala e cuia, cada partida é um ponto de chegada! Dumas coisas aprendi nas quebradas: quem faz a mala também desiste! Quem casa sabe que o amor não é bem assim e o buraco que era por certo ali é mais embaixo. Quando não é uma coisa, é outra; cuspiu pra cima quem não sai do lugar, finda gongado com o cuspe na cara. Afora isso, nem todo domingo é de páscoa, nem toda segunda é ressaca, nem toda terça é carnaval, nem toda quarta é de cinzas, nem toda quinta é de finados, nem toda sexta é santa, nem todo sábado é Zé-pereira. Por isso a gente sente falta dos mortos, eram mais divertidos. Eu queria era saber o que não sei, aó saberia tudo, ou nada. Que coisa! Brincando de ordenar os termos: que a vida tem valia se a gente é quem faz. Moral da história: duvido, graças a Deus. E vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com Frevo & Folia Caeté mais homenagem ao compositor e maestro Dery Nascimento (1968-2018): Suite Palmares 1 e 2, Qualquer coisa que se pareça com algo 68, Quando o pensamento via, Reencontro, Cais dos meus sonhos & Pianarei com Hermeto & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais da homenagem aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Quando se parte de um pensamento já fundamentado, apesar de não mais ter sido desenvolvido, que um outro nos deixou, pode-se esperar ser possível leva-lo, através da reflexão, mais além do que que o perspicaz homem, a quem se deve a primeira centelha dessa luz, o levou. [...]. Trecho extraído da obra Prolegômenos (Abril Cultural, 1980), do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804). Veja mais aqui.

COISA COM COISA - [...] Posso me aventurar a manifestar minha convicção sobre o grande valor destes estudos [...] Como de cada espécie nascem ainda mais indivíduos dos que podem sobreviver, e como, em consequência disso, há uma luta pela vida, que se repete frequentemente, segue-se que todo ser, se varia, por débil que esta possa ser, de algum modo proveitoso para ele sob as complexas e às vezes variáveis condições da vida terá maior probabilidade de sobreviver e de assim ser naturalmente selecionado. Segundo o poderoso princípio da hereditariedade, toda variedade selecionada tenderá a propagar sua nova e modificada forma. [...] Trecho extraído do livro A origem das espécies por meio da seleção natural ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida (Escala, 2009), do naturalista britânico Charles Robert Darwin (1809 — 1882). Veja mais aqui.

DE AMOR E EROTISMO – [...] no amor, são dois mundos estranhos que se encontram, dois contrários; dois mundos entre os quais não existe e nunca poderão existir essas pontes lançadas entre nós, nem aquilo que aparentemente nos está ligando: algo semelhante, familiar e que nos dá a sensação de caminharmos para nós mesmos e em nossos próprios domínios quando dele nos aproximamos. Não é por acaso que, às vezes, o amor e o ódio se assemelham e tendem, por conseguinte, a se alternar na tempestade da paixão. [...]. Também se diz, e não sem razão, que o amor concede sempre a felicidade, mesmo o amor infeliz; isso com a condição de darmos a essa máxima um sentido suficientemente desprovido de sentimentalidade e, por isso, sem levar em conta o parceiro amoroso. Pois, ainda que pareçamos completamente repletos dele, estamos de fato repletos do nosso próprio estado que, como acontece em todos os estados de embriaguez, nos torna incapazes de nos interessarmos objetivamente por qualquer coisa. O objeto amado limita-se, por isso, a ser o desencadeador de nossa agitação. E o faz do mesmo modo que um som ou um perfume, vindos do mundo exterior e lembrando a existência de mundos plenos, podem vaguear num sonho noturno. [...] Um laço aceito para uma vida inteira só é estabelecido ao preço do apagamento de um afeto anterior, do surgimento de uma vontade posterior e destinada a durar, daquilo que se sabe suficientemente rico para conseguir em tais sacrifícios. Porque o que aí se quer vivido até o fim é uma vida que requer a mesma proteção, as mesmas atenções e o mesmo espírito de sacrifício que o filho engendrado pelos corpos. No fundo, isso não é mais nem menos que aquilo que implicitamente se pretende de quem quer que sededique, contra ventos e marés, a um serviço, a uma causa, a que coraria como jamais antes se tivesse se tornado um desertor no exato momento em que foi colocado em perigo [...]. Trechos extraídos da obra Reflexões sobre o amor e O erotismo (Landy, 2005), da escritora russa Lou Andreas-Salomé (1861-1937). Veja mais aqui.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MORTE - [...] A lamentação da perda de um amigo ou de um parente de sangue é a simples lamentação da presença, da falta, em todos os sentidos, material, que o morto começou a fazer aos que ficaram. Tanto isto é uma indiscutivcl verdade, que o tempo vai desabituando-nos a viver sem os nossos mortos mais queridos, substituindo-os por vivos que, ao nosso afeto, assumem grande importância, causando mesmo a nova impressão de que, se não existissem precisariam ser inventados e, se morressem, seria impossível resistir à sua perda. [...] Dissemos que o que se lamenta na morte do outro é a perda de sua presença. No entanto, o que devia ser mais deplorável, o que mais apropriadamente devia ser considerado perda são os dons e as competências que se levam para o túmulo. São as habilidades intransmissíveis, como por exemplo: o pianista que morre e não deixa para o filho o poder dos seus dedos sobre o teclado. O cantor que sai da vida, sem legar a voz a um irmão ou a um amigo [...] No entanto, estas são as coisas que deviam ser mais pranteadas: o poder, a arte, a magia, o atletismo, que cada um leva para o túmulo. [...] Extraído de Pernoite: crônicas(Martins Fontes/Funarte, 1989), do poeta, radialista e compositor pernambucano Antônio Maria (1921-1964). Veja mais aqui.

A TERRA CAIU NO CHÃOVisitando o meu sertão / Que tanta grandeza encerra, / Trouxe um punhado de terra / Com a maior satisfação. / Fiz isso na intenção, / Como fez Pedro Segundo, / De quando eu deixasse o mundo / Levá-lo no meu caixão. / Chegando ao Rio, pensei / Guardá-lo só para mim / E num saquinho de brim / Essa relíquia encerrei! / Com carinho e com cuidado / Numa ripa do telhado / O saquinho pendurei... / Uma doença apanhei / E, vendo bem próxima a morte, / Lembrando as terras do norte, / Do saquinho me lembrei. / Que cruel desilusão! / As traças, sem coração, / Meteram os dentes no saco, / Fizeram um grande buraco / E a terra caiu no chão. Do poeta Zé da Luz (Severino de Andrade Silva, 1904 —1965). Veja mais aqui e aqui.

CLAIR DE FEMME, DE COSTA GRAVRAS
O filme Clair de femme (Um Homem, uma Mulher, uma Noite, 1979), dirigido pelo cineasta grego Costa-Gavras, conta a história de um capitão que perdeu sua esposa vítima de câncer e uma linda mulher que perdeu sua filha em um acidente de carro, que se conhecem por uma noite e se separarão para nunca mais se encontrar. Destaque para a atuação da atriz austríaca Romy Schneider (1938-1982). Veja mais aqui.

Veja mais:
O milagre do amor na festa do dia e da noite, Oscar Wilde, a música de Richard Strauss & Inga Nielsen, Violante Placido & a arte de Luciah Lopez aqui.
A vida que sou na alma do Recife, a literatura de Osman Lins, a música de Marlos Nobre, a arte de Cícero Dias & André Cunha aqui.
O teatro e a poesia de Bertolt Brecht aqui.
Bacalhau do Batata aqui.
Padre Bidião, o retiro & o séquito das vestais aqui.
Quarta-feira do Trâmite da Solidão aqui.
Mais que nunca é preciso cantar aqui.
Bertolt Brecht, Boris Pasternak, Vanessa da Mata, Bigas Luna, Francesco Hayez, Penélope Cruz & Abigail de Souza aqui.
Clarice Lispector, Luis Buñuel, Björk, Yedda Gaspar Borges, Brunilda, Vicente do Rego Monteiro, Téa Leoni, Doro & Absurdo aqui.
O amor é o reino da surpresa aqui.
O príncipe de Maquiavel aqui.
Personalidade, Psicopatologia & Anexim do Umbigocentrismo, um ditado impopular aqui.
A entrega total do amor aqui.
Psicologia da Personalidade aqui.
Psicanálise aqui.
Boi de fogo aqui.
Poetas do Brasil, Gregório de Matos Guerra, Sheryl Crow, Dalinha Catunda, Yedda Gaspar Borges, Iracema Macedo, Fidélia Cassandra, Jade da Rocha, Psicodiagnóstico, Controle & Silêncio Administrativos aqui.
Eliete Cigarini, Abuso Sexual, Condicionamento Reflexo & Operante aqui.
Poetas do Brasil, Satyricon de Petrônio, Decameron de Boccaccio, Jorge de Lima, Laura Amélia Damous, Sandra Lustosa, Arriete Vilela, Sandra Magalhães Salgado, Celia Lamounier de Araújo & Simone Moura Mendes aqui.
Anna Pavlova, a Psicanálise de Freud & Adoção aqui.
A magia do olhar de quem chega aqui.
A mulher chinesa aqui.
Tarsila do Amaral, Psicopatologia & Transtornos de Consciência, Direito, Consumidor & Internet aqui.
José Saramago, Hannah Arendt, Luís Buñuel, Sérgio Mendes, Catherine Deneuve, Frederico Barbosa, Barbara Sukova, Os Assassinos do Frevo & Gilson Braga aqui.
Skinner, Walter Smetak, Costa-Gavras, Olga Benário, Kazimir Malevich, Irene Pappás, Camila Morgado & Pegada de Carbono aqui.
Marcio Baraldi & Transversalidade na Educação aqui.
Padre Bidião & as duas violências aqui.
A literatura de Rubem Fonseca aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o banguelo vê esmola grande fica mais assanhado que pinto no lixo aqui.
Big Shit Bôbras & o paredão: quem vai tomar no cu aqui.

ONLY YOU, DE LEONARDO KOSSOY
Arte fotográfica que reúne fotografias, vídeos e instalações do fotógrafo Leonardo Kossoy, baseado no livro homônimo (G. Ermakoff Casa, 2015), de Roberto Tejada, Fernando Azevedo & Leonardo Kossoy, contando a história de um homem e uma mulher desempenhando alegorias incidentais da vida a dois.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

terça-feira, setembro 01, 2015

BOAL, CENDRARS, COSTA-GAVRAS, RAVEL, TARSILA, STAGIUM, PSICOLOGIA SOCIAL & PROGRAMA TATARITARITATÁ.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? BOM DIA - Bom dia, vida. Estou pronto pra mais um dia. Pra quem já sucumbiu lambendo as feridas dos trocentos nãos e zis mortes – quem não sucumbiu? -, estou pronto pro desafio de mais um dia. Não para brincar de acerto e erro, nem unidunitê pelas múltiplas escolhas da ocasião, ou chocado e desapontado com as circunstancia ou por me encontrar na condição de perdido por um, perdido por mil. Nada disso. Estou pronto pro maravilhoso inferno da natureza mortal com seu constante golpe de estomatópode. Estou pronto com as portas da alma abertas e cônscio das aprendizagens. E mais tivesse portas cerradas, sinais fechados, tumultos de brechas ou frestas e fissuras remendadas, estalidos de ligas rompidas, bombardeios do inopinado ou o que for, estou pronto e apreendendo no meio disso tudo a lição de Huxley: “os esforços feitos e continuamente repetidos durante os períodos monótonos entre uma crise e outra”. Estou pronto, sem que meu rosto esteja vincado e patético pela tribulação pulsante da árdua luta na evolução silenciosa e imperceptível, e não menos firme e expondo-me ao ridículo pelas construções de castelos de Blênio. Estou pronto por seguir digitígrado pisando certo nas contas da ponte do Ábaco, mesmo que melancólico e solitário que, em última instância, me levam a cambalear entre os sobressaltos do iminente. Estou pronto com a capacidade de flexível adaptação para reverter o desdém e a difamação das emoções oriundas das convenções sociais opressoras e que me forçam a pensar na troca dos dogmas sagrados e na libertação da sociedade das instituições obsoletas. Estou pronto diante dos revezes que insistem grunhir ao meu encalço, como cães de guarda que me fazem cama de gato para tropeçar exausto e completamente extenuado cair em desgraça na furiosa danação que não me deixa escapar dos efeitos da maldição da humanidade. Em situação diametralmente oposta, refaço-me numa sóbria conclusão que dissipa os meus aspirantes tropeços e me fazem seguir com passos persistentes pelas viagens longas, difíceis e confusas que me deixam os olhos abertos a contemplar dos sete mares, encostas e vales, na insistente busca por um lampejo de luz com paciência, resolução, autossacrificio e conscientização do alcance necessário do equilbrio e da integração. Estou pronto pra viagem com o irmão espitritual e as irmãs selvagens na nossa imensa escuridão até a redenção. Estou pronto para exultar no caminho da maturidade que promete a emancipação e comunhão sagrada, abandonando o herói e completamente humano com criatividade, espontaneidade e autenticidade para ter acesso ao conhecimento suprassensível e me postar receptivo aos ritmos e impulsos vibracionais incomuns para iluminação do ser humano. Estou pronto e aprendendo a usar as leis divinas construtivamente. Estou pronto e alcanço a ubiquidade: basta um olhar risonho da criança, e estou pronto pra recomeçar. Bom dia. Veja mais aqui.


Imagem: Nu (1923), da pintora Tarsila do Amaral (1886-1973). Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Daphnis Et Chloé (Deutsche Grammophom, 1987), do compositor e pianista francês Maurice Ravel (1875-1937), com o regente de orquestra japonês Seiji Ozawa % Boston Symphony Orchestra.

PARTICIPAÇÃO POPULAR NOS CONSELHOS DE SAÚDE – No livro Método histórico-social na psicologia social (Vozes, 2005), organizado por Angelo Antonio Abrantes, Nilma Renildes da Silva e Sueli Terezinha Ferreira Martins, encontro o estudo O materialismo histórico e a pesquisa-ação em psicologia social e saúde, de Sueli Terezinha Ferreira Martins, do qual destaco o trecho: [...] Na perspectiva que estamos trabalhando, faz-se necessário romper com a ilusão do individuo livre e independente, senhor inteiramente de suas ações, vontade e representações, dono único de sua subjetividade e intencionalidade. Tal ilusão sobre o individuo realizada pelos profetas do século XVIII ainda existe no final do século XX com forte presença na sociedade, o que por sua vez encobre e mascara as relações sociais determinando o sujeito. Desse modo, quando falamos em intencionalidade, consciência e ampliação da autonomia do individuo, é importante ter claro que estes aparecem na maioria das vezes em sua forma idealizada, em uma perspectiva liberal que deixa de enfatizar a natureza social do homem. não podemos perder de vista que a contradição fundamental do regime capitalista (produção material socializada e apropriação privada) reflete-se por todas as esferas da sociedade, desenvolvendo relações sociais alienadas e antagônicas. Desta maneira, os produtos sociais, materiais e espirituais tendem a tornarem-se estranhos aos seus próprios produtores. Acreditar, portanto, que o individuo pode exercer suas atividades com liberdade ou independência moral e intelectual é compartilhar com a ilusão dos profetas do século XVIII, é desconsiderar a natureza social do homem [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A PRINCESA MARYA E BLÊNIO - No livro Northern lights: fairy tales of the peoples of the North, de Irina Zheleznova, encontro a narrativa A princesa Marya e Blênio, da qual destaco os trechos: Certa vez, numa terra muito distante, vivia uma princesa tão bela que muitos e muitos príncipes vieram pedir-lhe a mão. Mas seu pai, o car, recusou-os todos, achando que nenhum era bom o bastante para ela. Certo dia, um velho perguntou-lhe se seu filho poderia casar-se com a princesa. Quem é seu filho?, perguntou o czar. Majestade, respondeu o velho, meu filho é um blênio. Mas esse é um peixe que vive no fundo do rio! – o czar exclamou. O que você está dizendo é ridículo [...] Naquele momento, detrás de uma cortina próxima ao czar, ela se manifestou: Pai, por que você não dá uma tarefa ao Blênio? Se ele obtiver êxito, casar-me-ei com ele, mas se ele fracassar, deverá ser morto. É assim que os russos fazem [...] O czar, nesse interim, vira o trenó com os três cavalos, e quando o velho chegou o monarca declarou: Seu filho cumpriu minhas três tarefas, então manterei minha promessa. Traga-o aqui, e a princesa irá casar-se com ele, hoje mesmo, não importando o que o povo diga. O velho correu para casa e contou as novidades ao filho. Bom, pai, disse Blênio, coloque-me num saco e leve-me até o palácio para a festa do casamento. Ao longo do caminho, os cidadãos se reuniram e riram porque a princesa estava se casando com um peixe. [...] Certa manhã, a princesa acordou mais cedo que de costume. Sentou-se sozinha, sentindo-se triste e envergonhada. Todos riem de mim por ter me casado com um peixe, ela falava consigo, e eu estou muito cansada disso. De repente, teve uma ideia. Se eu queimar a pele de peixe do meu marido antes que ele acorde, ele deve permanecer um homem! Ela agarrou o traje de peixe, lançou-o ao fogo e entrou no quarto; contudo, seu marido havia desaparecido. Naquele momento, um pequeno pássaro entrou voando pela janela. Que pena, princesa Marya, disse a ave. Se você tivesse esperado mais três dias, seu marido teria ficado livre de um feitiço maligno. Teria permanecido humano o resto da vida, mas agora você o perdeu. Com essas palavras, a ave saiu voando pela janela [...] Naquele momento, uma das lágrima de Mary cai sobre o rosto de Blênio, que acorda sobressaltado. Está chovendo? Gritou. Saia agora!, a filha do Rei Fogo berrou para a princesa Marya. Blenio viu Marya em pé ao seu lado e imediatamente a reconheceu. Marya! É você! Finalmente você chegou! Saia!, disse a filha do Rei Fogo a Marya, tentando puxá-la para fora do quarto. Deixe que ela fique, exclamou Blenio à segunda esposa. Ela é Marya, minha primeira e verdadeira esposa. [...] Então Blênio reuniu todos os anciãos do reino, ofereceu-lhes uma grande festa e perguntou-lhes: Qual destas é a minha verdadeira esposa? A que arriscou a vida para me encontrar, usando três pares de botas de ferro, três chapéus de ferro e comeu três pães de ferro, ou a que me trocou por um pente, um anel e um lenço? Os anciãos responderam em uníssono: Sua verdadeira esposa é Marya, e é com ela que você deve viver. Blenio concordou e voltando-se para Marya disse: Está na hora de voltarmos para casa [...] Veja mais aqui.

EU VI – No livro Poesia em viagem (Assírio & Alvim, 2005), do escritor suíço Blaise Cendrars (1887-1961), destaco o poema Eu vi, a seguir transcrito: Eu vi / Vi os comboios silenciosos os comboios negros que / vinham do Extremo-Oriente e que passavam como / fantasmas / E o meu olhar, como a lanterna da retaguarda, corre / ainda atrás desses comboios / Em Talga 100 000 feridos agonizavam por falta / de cuidados / Visitei os hospitais de Krasnõiarsk / E em Khi!ok cruzámos com um longo comboio de / soldados loucos / Vi nos lazaretos chagas abertas feridas que / sangravam a jorros. / E os membros amputados dançavam em volta / ou levantavam voo no ar roufenho / O incêndio estava em todos os rostos em todos / os corações / Dedos idiotas tamborilavam em todos os vidros / E sob a pressão do medo os olhares rebentavam / como abcessos / Em todas as estações deitavam fogo aos vagões / E vi / Vi comboios de 60 locomotivas que se escapavam / a todo o vapor perseguidas pelos horizontes / com cio e bandos de corvos que voavam / desesperadamente atrás, / Desaparecer / Na direcção de Porto-Artur. / Em Tchita tivemos alguns dias de descanso / Paragem de cinco dias devido a obstáculos da linha / Passámo-los em casa do Senhor lankéléwitch, que / queria dar-me em casamento a sua filha única. / Depois o comboio tornou a partir. / Agora era eu que me sentara ao piano e tinha dores / de dentes / Revejo quando quero esse interior calmo a loja do pai / e os olhos da filha que vinha à noite para a minha cama / Moussorgsky / E os lieder de Hugo Wolf / E as areias do Gobi / E em Khaïlar uma caravana de camelos brancos / Creio bem que estive bêbedo durante mais de / 500 quilômetros / Mas eu estava ao piano e foi tudo quanto vi / Quando se viaja deviam-se fechar os olhos / Dormir / Gostaria tanto de dormir / Reconheço todos os países de olhos fechados pelo / seu odor / E reconheço todos os comboios pelo barulho que / fazem / Os comboios da Europa são a quatro tempos enquanto / os da Ásia são a cinco ou a sete / Outros seguem em surdina são canções de embalar / E há os que no ruído monótono das rodas me lembram / a prosa pesada de Maeterlinck / Decifrei todos os textos confusos das rodas e reuni / os elementos dispersos duma violenta beleza / Que eu possuo / E me força. / Tsitsika e Kharbine / Não vou mais longe / É a última estação / Desembarquei em Kharbine quando acabavam / de deitar fogo às instalações da Cruz Vermelha. / Ó Paris / Grande lareira ardente com os tições entrecruzados / das tuas ruas e velhas casas que se debruçam / por cima e se aquecem / Como os avós / E eis os anúncios, vermelho, verde, multicolores como / o meu passado em resumo amarelo / Amarela a cor altiva dos romances da França / no estrangeiro. / Nas grandes cidades gosto de me meter nos / autocarros em andamento / Os da linha Saint-Germain-Montmartre levam-me / ao assalto da Butte / Os motores mugem como touros de ouro / As vacas do crepúsculo pastam o Sacré-Coeur / Ó Paris / Estação central cais das vontades cruzamento das / inquietações / Só os droguistas têm ainda um pouco de luz por cima / das portas / A Companhia Internacional das Carruagem-Camas / e dos Grandes Expressos Europeus enviou-me / um prospecto / É a mais bela igreja do mundo / Tenho amigos que me rodeiam como barreiras / Têm medo quando eu parto que nunca mais volte / Todas as mulheres que conheci erguem-se / nos horizontes / Com gestos lastimosos e olhares tristes de semáforos / à chuva / Bela, Inês, Catarina e a mãe ‘do meu filho na Itália / E ainda a mãe do meu amor na América / Há gritos de sirene que me rasgam a alma / Na Manchúria um ventre estremece ainda como num / parto / Gostaria / Gostaria de nunca ter feito as minhas viagens / Esta noite um grande amor atormenta-me / E contra a minha vontade penso na jovem Joana / de França. / Foi numa noite de tristeza que escrevi este poema / em sua honra / Joana / A jovem prostituta / Estou triste estou triste / Irei ao Lapin Agile recordar-me da minha juventude / perdida / E beber copinhos / Depois voltarei sozinho para casa. Veja mais aqui e aqui.

UMA REVOLUÇÃO COPERNICANA AO CONTRÁRIO – No livro Técnicas latino-americanas de teatro popular: uma revolução copernicana ao contrário (Hucitec, 1979), do dramaturgo e ensaísta Augusto Boal (1931-2009), destaco o Apendice nº 1 – Uma revolução copernicana ao contrário, do qual destaco o trecho: Algo muito importante está sucedendo na América Latina. A ideia bolivariana da Pátria Grande parece depender agora da nossa geração, dos nossos esforços, da nossa solidariedade e disposição para a luta. A ideis da unidade dos nossos povos, sem a participação da Sociedade Anônima Estados Unidos da América do Norte, já se aproxima da realidade. Cuba foi a primeira vitória concreta contra o imperialismo. Foi o primeiro país a conseguir a segunda e definitiva libertação. Por outros caminhso e em distintas velocidades de transito, Peru, Panamá, Argentina, e outros inevitavelmente se levantarão. Algo muito importante está sucedendo na América Latina: os povos descobrem que são o sujeito da história, o motor da sociedade, o centro do nosso universo: não mais satélites. A conscientização dos povos não é um fenômeno exclusivamente político, visto que tem também os seus reflexos em outras esferas da atividade do homem. Assim também a exploração imperialista não é só econômica, mas alcança todas as atividades humanas. A nossa revolução latino-americana faz-se contra a exploração econômica, mas deve igualmente fazer-se contra todas as outras formas de dominação. Para melhor exercer a sua exploração infraestrutural, o imperialismo utiliza as superestruturas morais, estéticas, etc., também redutos da batalha da libertação. [...] Estamos realizando uma revolução copernicana ao contrário. Sempre fomos satélites de arte metropolitana. Agora estamos proclamando que somos o centro do nosso universo artístico. O teatro verdadeiro é o teatro latino-americano. Isto é, este é o nosso teatro, portanto, é o teatro. [...] Veja mais aqui e aqui.

ESTADO DE SÍTIO – O filme Estado de sítio (1972) dirigido pelo cineasta grego Costa-Gavras, com roteiro do diretor baseado no livro de Franco Molinas, e música de Míkis Theororákis, é baseado em fatos reais e conta o sequestro no Uruguai do agente americano Dan Mitrione e do consul brasileiro Aloysio Gomide pelos Tupamaros, em 1970. A trama acontece em Montividéu, quando um funcionário da entidade AID é raptado por um grupo de guerrilha urbana de extrema-esquerda, juntamente com duas outras autoridades, sendo que, entre eles, o funcionário da embaixada norte-americana consegue escapar. Durante o interrogatório, os raptados deixam evidenciar que a missão real deles é instruir policiais de vários países sil-americanos para a prática com métodos de tortura, intimidação e assassinatos sem julgamento, levando a formação de Esquadrões da Morte, acobertados pelas autoridades. Enquanto estão cativos, os sequestradores negociam com o governo a troca dos reféns por prisioneiros políticos, causando uma grave crise institucional e a quase renúncia do presidente do país. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
No dia dos bailarinos a nossa homenagem à companhia Ballet Stagium, fundada em 1971 e dirigida por Marika Gidali e Décio Otero.

Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Tataritaritatá, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação Elis Regina, Chico Buarque, Simone, Adriana Calcanhoto, Ana Carolina, Lenine, Maria Rita, Milton Nascimento & Lô Borges, Fator IV, Elisa Lemos, Banda Oficina 137, Banda Vibrações, Embracanto, Nó na Garganta & Orquestra de Cordas Caetés, Gama Júnior & Jaques Setton, Ricardo Machado, Johann Pachelbel, Zendaya Coleman, Conway Twitty, Bianca Ryan, Barry Gibb, Gloria Stefan, Engelbert Humperdinck, Art Pepper & um especial com Cikó Macedo. E para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


quarta-feira, maio 06, 2015

TAGORE, FREUD, ARTAUD, COSTA-GAVRAS, VAN GOGH, FÁTIMA GUEDES, TAHAN & LIA RODRIGUES.

Imagem: Semeador com o por do sol (1888), Otterlo, Kröller- Müller Museum, do pintor pós-impressionista neerlandês Vincent van Gogh (1853-1890). Veja mais aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Quero que você me venha de manhã
Plantar a luz do sol
Com sua fonte a minar
E em mim se escorrer
E aguando esta ternura
A gente dê vontade de nascer:
Beijar-lhe o ventre
E ver a vida a rolar
Vai ser demais!
O tempo vai ruir pra nós
Desexistir
Incendiar o corpo
A voz
A sede saciar na foz
Assim
Sedento
A diluir-se em flor
Pelos confins
Em você onde sou eu
Será promessa inteira do querer?
Amor,
Que vai ser de mim
Se um dia essa vontade de viver
Perder o amor de vista
E esquecer
Angústia de não ter raiz?
O ar desvencilhar-se do nariz?
Será de mim,
O que será do meu coração?
Será de mim...
(Fonte, letra & música de Luiz Alberto Machado). Veja mais aquiaqui & aqui.


Ouvindo álbum Muito intensa (1999), da cantora e compositora Fátima Guedes, reunindo suas parcerias com Joyce, Djavan, Nei Lopes, Adriana Calcanhoto e Ivan Lins. Veja mais aqui & aqui.


PROGRAMA BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do Programa Brincarte do Nitolino, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Para conferir online, clique aqui ou aqui.

MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO – O livro Mal-estar na civilização (1930 – Imago, 1996), do médico neurologista e criador da Psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939), trata a respeito de temas como o mundo humano e sua vida mental, a religião é uma ilusão, o princípio do prazer e o princípio da realidade, sentimento oceânico: unidade com o universo, medidas paliativas: derivativos poderosos, satisfações substitutivas e substancias tóxicas; felicidade e infelicidade, a técnica da arte de viver, as influencias do desenvolvimento da civilização, o homem primevo e o trabalho, Eros e Ananke, Homo homini lúpus, conceito de Narcisismo, a libido narcísica e a libido objetal, neuroses traumáticas e psicoses, neuroses de transferência, a civilização e o sentimento de culpa: a inibição da agressividade, o ego e o superego, o desamparo e a dependência do outro, as premências egoístas e altruístas, o superego cultural ou da civilização, a ética e o superego cultural: os homens, os juízos e as ilusões, entre outros assuntos. Da obra destaco os trechos: A vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós, proporciona-nos muitos sofrimentos, decepções e tarefas impossíveis. A fim de suportá-la, não podemos dispensar as medidas paliativas [...] Esforçam-se para obter felicidade; querem ser felizes e assim permanecer. Essa empresa apresenta dois aspectos: uma meta positiva e uma meta negativa. Por um lado, visa a uma ausência de sofrimento e de desprazer; por outro, à experiência de intensos sentimentos de prazer [...] todas as normas do universo são-lhe contrárias. Ficamos inclinados a dizer que a intenção de que o homem seja ‘feliz’ não se acha incluída no plano da ‘Criação’ [...] Considera a realidade como a única inimiga e a fonte de todo sofrimento, co9m a qual é impossível viver, de maneira que, se quisermos ser de algum modo felizes, temos de romper todas as relações com ela. [...] A religião restringe esse jogo de escolha e adaptação, desde que impõe igualmente a todos o seu próprio caminho para aquisição da felicidade e dá proteção contra o sofrimento. Sua técnica consiste em depreciar o valor da vida e deformar o quadro do mundo real de maneira delirante – maneira que pressupõe uma intimidação da inteligência. A esse preço, por fixa-las à força num estado de infantilismo psicológico e por arrastá-las a um delírio de massa, a religião consegue poupar a muitas pessoas uma neurose individual. Dificilmente, porém, algo mais. [...] descreve a soma integral das realizações e regulamentos que distinguem nossas vidas das de nossos antepassados animais, e que servem a dois intuitos, a saber: o de proteger os homens contra a natureza e o de ajustar os seus relacionamentos mútuos [...] Reconhecemos como culturais todas as atividades e recursos úteis aos homens, por lhes tornarem a terra proveitosa, por protegerem-nos contra a violência das forças da natureza, e assim por diante [...] O homem, por assim dizer, tornou-se uma espécie de ‘Deus de prótese’. Quando faz uso de todos os seus órgãos auxiliares, ele é verdadeiramente magnifico; esses órgãos, porém, não cresceram nele e, às vezes, ainda lhe causam muitas dificuldades [...] as frustrações da vida sexual são precisamente aquelas que as pessoas conhecidas como neuróticas não podem tolerar. O neurótico cria, em seus sintomas, satisfações substitutivas para si, e estas ou lhe causam sofrimento em si próprias, ou se lhe tornam fontes de sofrimento pela criação de dificuldades em seus relacionamentos com o meio ambiente a sociedade a que pertence [...] A civilização, porém, exige outros sacrifícios, além da satisfação sexual [...] O homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança [...] Veja mais aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

O JARDINEIRO DO AMOR – O livro O jardinheiro do amor (Thesaurus, 1983), do poeta e músico indiano, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Rabindranath Tagore (1861-1941), reúne os poemas originalmente escritor em bengali oriundos de sua máxima elevação espiritual e dulcíssimo sentimento humano, por meio de ritmo melodioso de suas frases e singeleza de suas imagens. Do livro destaco o poema LVII: Colocorás, formosa minha, tua grinalda de flores recém colhidas, em meu pescoço? Porém, antes de fazê-lo, deves saber que a grinalda que eu entrelacei é para muitas; para aquelas que se descobrem somente com olhares rápidos; que moram em terras inexploradas ou vivem nas canções dos poetas. É muito tarde para que me peças o coração em troca do teu. Houve um momento em que minha vida era igual a um botão de flor que trazia todo perfume oculto em seu coração. Agora, transbordou, por todas as bandas da vida. Quem conhecerá o feitiço capaz de concentrá-lo e encerrá-lo outra vez? Meu coração não me pertence; não posso entrega-lo a uma só; a tantas eu já o dei... Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

O HOMEM QUE CALCULAVA – O livro O homem que calculava: aventuras de um singular calculista persa (Record, 1987), do escritor, pedagogo e matemático brasileiro Malba Tahan (1895-1974), conta a história das aventuras e proezas matemáticas do calculista persa Beremiz Samir, na Bagdá do século XIII, explicando de modo extraordinários os diversos problemas da matemática, incluindo lendas e histórias pitorescas. Da obra destaco o trecho inicial: Em nome de Alá, Clemente e Misericordioso! Voltava eu, certa vez, ao passo lento do meu camelo, pela estrada de Bagdá, de uma excursão à famosa cidade de Samarra, nas margens do Tigre, quando avistei, sentado numa pedra, um viajante, modestamente vestido, que parecia repousar das fadigas de alguma viajem. Dispunha-me a dirigir ao desconhecido sala trivial dos caminhantes quando, com grande surpresa, o vi levantar-se e pronunciar vagarosamente: - Um milhão, quatrocentos e vinte e três mil, setecentos e quarenta e cinco! Sentou-se em seguida e quedou em silêncio, a cabeça apoiada nas mãos, como se estivesse absorto em profunda meditação. Parei a pequena distância e pus-me a observá-lo, como faria diante de um monumento histórico dos tempos lendários. Momentos depois o homem levantou-se novamente e, com voz clara e pausada, enunciou outro número igualmente fabuloso: - Dois milhões, trezentos e vinte e um mil, oitocentos e sessenta e seis! E assim, várias vezes, o esquisito viajante pôs-se de pé, disse em voz alta um número de vários milhões, sentando-se em seguida, na pedra tosca do caminho. Sem poder refrear a curiosidade que me espicaçava, aproximei-me do desconhecido e, depois de saudá-lo em nome de Allah (com Ele a oração e a glória), perguntei-lhe a significação daqueles números que só poderiam figurar em gigantescas proporções. - Forasteiro – respondeu o Homem que Calculava -, não censuro a curiosidade que te levou a perturbar a marcha de meus cálculos e a serenidade de meus pensamentos. E já que soubesse ser delicado no falar e no pedir, vou atender ao teu desejo. Para tanto preciso, porém, contar-te a história de minha vida! E narrou o seguinte [...]. Veja mais aqui, aquiaqui.

ESCRITOS DE UM LOUCO – O livro Escritos de um louco (1945), do poeta, ator, dramaturgo e diretor de teatro francês Antonin Artaud (1896-1948), reúne narrativas de viagem iniciadas em 1936 pelo autor, englobando cartas e escritos diversos, entre os quais destaco Van Gogh: o Suicidado Pela Sociedade: Pode-se falar da boa saúde mental de van Gogh, que em toda sua vida apenas assou uma das mãos e, fora disso, limitou-se a cortar a orelha esquerda numa ocasião. Num mundo no qual diariamente comem vagina assada com molho verde ou sexo de recém-nascido flagelado e triturado, assim que sai do sexo materno. E isso não é uma imagem, mas sim um fato abundante e cotidianamente repetido e praticado no mundo todo. E assim é que a vida atual, por mais delirante que possa parecer esta afirmação, mantém sua velha atmosfera de depravação, anarquia, desordem, delírio, perturbação, loucura crônica, inércia burguesa, anomalia psíquica (pois não é o homem, mas sim o mundo que se tornou anormal), proposital desonestidade e notória hipocrisia, absoluto desprezo por tudo que tem uma linhagem e reivindicação de uma ordem inteiramente baseada no cumprimento de uma primitiva injustiça; em suma, de crime organizado. Isso vai mal porque a consciência enferma mostra o máximo interesse, nesse momento, em não recuperar-se da sua enfermidade. [...] Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.

AMEM – O filme Amen (2002), do cineasta grego Costa-Gavras, é baseado na peça teatral The Deputy, a Christian Tragedy (1963), de Rolf Hochhuth, contando a história de um oficial SS que desenvolve o processo para erradicar a tifo e descobre que o mesmo é usado para extermínio de judeus, razão pela qual tenta avisar ao Papa Pio XII sobre as câmaras de gás, não recebendo nenhuma manifestação do Vaticano. Traz uma analise acerca das ligações entre o Vaticano a Alemanha nazista, causando polêmicas, inclusive, pelo pôster do filme criado pelo fotógrafo italiano Oliviero Toscani. E como sempre fui apreciador da obra deste grande cineasta, desde Z, Estado de Sítio e outros grandes filmes, verdadeiros documentários denunciantes das mais diversas mazelas humanas, registrando até que ponto vai a capacidade humana de fabricar o descaso, a desfaçatez e a crueldade. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.


IMAGEM DO DIA
Espetáculo Aquilo de que fomos feitos (2000), da Cia de Dança Lia Rodrigues (RJ) – Premio de Melhor Coreografia e Melhor Trilha Sonora (Rio Dança, 2000) e Prêmio Herald Angel (Fringe Festival – Edimburg, 2002). Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
O sisifismo da semana, Tempo e antitempo na ficção de Luiz Toledo Machado, Quingumbo & a poesia norte-americana, Tempo & literatura de Raúl H. Castagnino, Händel & Meghan Lindsay, a música de Paulinho da Costa, a pintura de Mary Addison Hackett & Steve Hester, Alain Bonnefoit & Robert Rauschenberg, a arte de Nina Moraes & Trampo aqui.

E mais:
Brincar para aprender aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Canto a mim mesmo de Walt Whitman aqui.
Brincarte do Nitolino, A forma fêmea de Walt Whitman, O rapto de Perséfone & Gian Lorenzo Bernini, a música de Richard Strauss & Diana Damrau, Evolução do Teatro de Francis Fergusson, o cinema de Reinaud Victor & Sandrine Bonnaire, a pintura de Alessandro Bronzino & a charge de Charb aqui.
A desgraça de um é a risada de outro, a música de Gonzaguinha, a pintura de Rosie Scribblah & Milton Dacosta, a arte de Jean-Michel Basquiat & Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas aqui.
Dos gostos e desgostos da vida, a pintura de Claude Monet, a escultura de Ewald Mataré, a fotografia de Chris Maher, a arte de Marlina Vera & Quanto mais a gente vive, mais se enrola nas voltas do tempo aqui.
A República no reino do Fecamepa: lições de ontem e de hoje pro que não é, A República de Platão & Cícero, O príncipe de Nicolau Maquiavel, O espírito das leis de Montesquieu, O contrato social de Jean-Jacques Rousseau, História da consciência de classe de Georg Lukács, Escitos & ensaios de Norbert Elias, Ética pós-moderna de Zygmunt Bauman & Revolução burguesa no Brasil de F aqui.
Abram alas pra revolta passar que os invísiveis apareceram, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva, a pintura de Amadeo de Souza-Cardoso & a fotografia de Debora Klempous aqui.
As escolhas entre erros e acertos, a música de Laura Canabrava, a escultura de Armand Pierre Fernandez, a pintura de Alexandra Nechita & a arte de Raceanu Adrian aqui.
Das vésperas & crástinos na festa do amor, o cinema de Peter Greenaway & Helen Mirren, a pintura de Dalu Zhao, a arte de Luciah Lopez, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia aqui.
O melhor do dia do homem é saber que todo dia é dia da mulher, a xilogravura de Gilvan Samico & a arte de Francisco Milani aqui.
O mundo todo cabe em um ato de paz, a pintura de René Magritte, a arte de Paul Vilinski, a música de Cláudio Nucci & a escultura de Ricardo Brennand aqui.
Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
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História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...