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sexta-feira, setembro 02, 2016

NERUDA, ARTAUD, GRINGORE, ANA RUCNER, ILINCA, MARIZA LOURENÇO & LUCIAH



MAIS QUE TUDO O AMOR (Imagem: foto da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.) – Mais que o céu ela me deu o abrigo infinito de sua alma materna, maior que a imensidão de todos os tesouros da Terra no ventre e a me cercar com toda a grandeza de sua terna altivez emoldurada na assimetria de seu corpo de deusa a esbanjar altaneira sua benignidade mais natural a cada entrega, a me premiar como a um mortal predileto escolhido entre os seres humanos. Mais que o dia ela me deu seu sorriso refulgente, a me dá a alegria de toda espécie vivente em festa de cascatas de rios com todos os riachos, lagos e lagoas em confluência, para florescer todos os pomares na fartura dos dotes e em revoada de tudo que leve voa e levita por todos os campos, ares e vales, como se de súdito me fizesse depositário de todo seu reinado. Mais que a noite ela me deu duas luas no plenilúnio luzidio de todas as estrelas brilhando no olhar, para que eu pudesse me fartar com todos os sabores da natureza íntima do seu ser e mais nada escurecesse o espetáculo e maravilha de cada recanto do mundo encarnado em cada detalhe de sua compleição corporal. Mais que a vida ela me deu o amor mais que imenso brotando de todas as brisas com todos os aromas e pétalas de rosas que emanam do seu coração amante para que eu fosse envolvido no mais profundo e eterno sentimento de paz e felicidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui e aqui.

Curtindo o álbum Expression (Croatia Records, 2012), da violoncelista croata Ana Rucner.

PESQUISA: 
Todas as nossas idéias sobre a vida devem ser retomadas numa época em que nada adere mais à vida. E esta penosa cisão é a causa de as coisas se vingarem, e a poesia que não está mais em nós e que não conseguimos mais encontrar nas coisas reaparece de repente, pelo lado mau das coisas; nunca se viram tantos crimes, cuja gratuita estranheza só se explica por nossa impotência para possuir a vida. Se o teatro é feito para permitir que nossos recalques adquiram vida, uma espécie de poesia atroz expressa-se através dos atos estranhos em que as alterações do fato de viver demonstram que a intensidade da vida está intacta e que bastaria dirigi-la melhor.
Trecho extraído da obra O teatro e seu duplo (Martins Fontes, 1993), do poeta, ator, dramaturgo e diretor de teatro francês Antonin Artaud (1896-1948). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
Não se pode viver toda uma vida com uma língua, puxá-la da esquerda para a direita, explorá-la e procurar em seus cabelos e em seu ventre. [...] O uso da língua, assim como o da pele e da roupa sobre o corpo, com suas mangas, seus remendos, suas transpirações e suas manchas de sangue ou suor, revela o escrito. Isto tem um nome: é o estilo.
Trecho extraído da obra Confesso que vivi (Difel, 1978), do poeta chileno e Prêmio Nobel de Literatura de 1971, Pablo Neruda (1904-1973). Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA: LE LABOURER DE VIN BOIT SOUVENT EAU
Quem faz o vinho, muita vez bebe água.
Expressão extraída da obra Notables enseignements, adages et proverbes, do poeta e dramaturgo francês Pierre Gringore (1475-1538), rifão que adverte que quem faz uma coisa para comercio ou para uso de terceiros, muitas vezes dele se priva. Corresponde ao dito popular casa de ferreiro, espeto de pau ou ao provérbio francês os sapateiros são sempre os mais mal calçados.

IMAGEM DO DIA; 
A arte do fotógrafo Daniel Ilinca.

Veja mais sobre Nascente & Beto Guedes, Théophile Gautier, Werner Herzog, Séraphine Louis, Pequeno Cidadão, Educação Ambiental, A mulher que veio do ovo, Psicodrama nas instituições & Egid Quirin Asam aqui.

E mais: Walter Benjamim, Sandie Shaw, Luís da Câmara Cascudo, Têmis, Marie Dorval, José Roberto Torero, Patrícia Melo, Iracema Macedo, Julia Bond & Ísis Nefelibata aqui.

DESTAQUE
de fora pra dentro: na pracinha duas menininhas de mãos dadas namoravam as passarinhas arrulhavam os passarinhos lamentavam a má sorte. inveja mata. gatos cachorros vagabundos proliferam nas ruas dormem sob as marquises tomam banho de sol no centro do coreto e trepam entre as rodas dos carros estacionados. eles são felizes. eu queria ser. o ciclista mandou o motorista à merda o motorista fechou o ciclista no cruzamento entre a rua tal e a avenida principal o ciclista caiu o motorista descarregou seu 'tresoitão' a esmo...
Considerações de uma passante ao acaso, da poeta, advogada e blogueira Mariza Lourenço. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
___nem mesmo as águas de um lago refrescam da minha carne o desejo___olho de fogo a me queimar noite e dia santificando o amor que te reconhece amante nos vales situados por entre as minhas coxas. Eis-me aqui, vestal desnuda a querer-te, das mãos_____as carícias obscenas a contornar os meus seios, e a repartir o meu corpo em fogo e brasa no plenilúnio da lua nua. Eis-me aqui, cativa sua a espojar-te as carnes e banhar-me em tuas águas a bendizer-te o falo, cintilante de todos os matizes guardando em si, a nobreza do teu prazer ah, essa tortura de mais querer-te por dentro de mim açoitando-me com sua língua até que ao gozo meu corpo seja rendido e submissa ao teu desejo____eis- me aqui, sou sua e mesmo presa nessa dor de amor ainda assim, minh'alma beija a sua alma no estertor de mais um gozo___enfim.
Dor de amor, poema/imagens: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

sexta-feira, setembro 04, 2015

CHAUÍ, ARTAUD, BRUCKNER, INGRES, GUITRY, NOBRE, ANGELI & POLA RIBEIRO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? COÁGULOS, COÁGULOS - Era uma vez. Era uma vez. Era uma vez duas três vezes, mais provável que nenhuma na inexistência do flagra do minuto preciso na minha vida inexata na hora em ponto! Era uma vez. Era uma vez. Era uma vez duas três vezes, mais provável que a justiça num pote encarcerada, mais provável que a remissão da lágrima na face lavada! Mais provável que nenhuma porque foi pingando na veia, escorrendo pela biqueira do peito, pela cumeeira dos sonhos evaporando desejos que findavam sangrando as ruínas do meu tempo! Do meu tempo caótico, do meu tempo patético, do meu tempo dilacerado! Eu escondo em meu peito as ruínas do meu tempo! Esse tempo apoliptico, megalomaníaco, irrespirável, fantástico de horror. Cheio de pantins, frescuras, teréns, loucuras!´Feito uma semente num invólucro das possibilidades improváveis no meio de flâmulas matemáticas de signos secretos e farsantes e alusões absurdas! Sou apenas dois braços de espera no suor redimido porque da morte já arrastei ferros e o mundo é apenas as minhas mãos enterradas no blusão, o sonho estiado e a alegria transferida para alhures. Em meu peito não cabe o pacto da pátria desfeita a terra acumulada e o homem obliterado a sujar as mãos na carne da terra e na paixão dos limites jamais alcançados pela ambição dos sentidos enquanto a lama da boca sugere traduzir amor, a boca de aço sugere traduzir amor engolindo desejos, sugere traduzir amor debulhando prazeres como o se o desejo esganasse miragens e é verdade porque o coração quer dizer verdades ou meias e não sabe o que dizer diante dessa tragédia toda. Em meu peito não cabem jamais as síndromes da China, dos afegãos, dos bancos e das cabeças! Não cabem as claques de merda pros oligopólios em alcatéias transnacionais com seu delirium-tremens do consumo no meio de uma economia falida emergindo sobre o sangue dado como aquele da escravaria açucarocrata que adoçava e adoça a boca dos festeiros enquanto a minha dor desmedida, enquanto a minha dor comungada é repisada e vira graúda criando coágulos por todo o meu corpo! E que me esfolem e me esganem pelos metros profundos dos infernos dessa terra porque mesmo assim ainda continuo a erguer cantos sobre este mundo porque das torneiras citadinas jorram sangue inocente adubados nas terras perdidas por hectares infames que só afugentam quem dela vive e morre de fome no meio de outro sonho perdido na pulsação das turbinas e outra coisa com uma marcha escabrosa de botas que guardam o patrimônio dos ricos com lesões homicidas quando outro é o meio do meio-dia e a indigência e outras são as pastilhas de carbono e o frio asfixiante da febre. Já nada é suportável neste tempo de lama e podridão e nada vale a pena e vale a pena tragar o hálito dos alicates grosseiros e compartilha da fome dos órfãos de El Salvador e da dor das mães da Praça de Mayo e dos flagelados da seca e da exclusão social do Brasil mundializado para furor inadimplente de assalariados e estornados das promessas não cumpridas de todas as políticas de mentira! Avante pra onde? Já não mendigo a vida pelos infortúnios, mazelas, porqueiras nem a devoção cega das crenças mutiladas nem da vil matéria lânguida e escassa espremida no dia-a-dia sarcófago de totens de sempre e tabus de nada! Eu vou com meu corpo cheio de holocaustos e cataclismos e o punhal da vida me avassala e maldigo a terra ficam as sombras vãs que atormentam minha sanidade e os meus desejos remendados na alegria mal-assada com os recheios fugazes que findam na dor, mas se a dor não traz nada, parafraseando Gregório, é porque enfim leva tudo e deixa a mão espalmada ao jugo da palmatória da vida! Eu vou com a chuva que explode lá fora onde a cidade sustenta seus fantasmas que pulam nas praças ruas avenidas e becos e bares e vidas sem no entanto se furtarem a pelo menos aprumarem a vida dos seus fiéis lambe-botas enquanto eu me embriago na chuva coletando os segredos dos rios com sua correnteza mansa escondendo o alvoroço do fundo e tudo encharca o meu país enxaguando essa terra embebida de sangue e suor, enxertada de sangue e suor e se dana como uma pólvora guardada no peito com o mísero crepúsculo que traz a noite e a vida já se foi pela janela e só resta cigarro e bebida e a loucura de se embriagar engolindo a ocasião inteira! Era uma vez.  Era uma vez duas três vezes. mais provável que nenhuma na sóbria ou na lúcida vontade de se perder na metafísica do espaço no meio da prismática reluzência da catarse e na carismática inocência da poesia úmida lavando a estatística do cansaço que só consegue seguir aonde vai dar dali pra diante no ignoto mudo da urdidura do vácuo. Era uma vez. Era uma vez duas três vezes, mais provável que nenhuma e sobre este mundo erguer cantos, sim! Em meu canto há minha maldição, eis o meu suor, a minha maldição: as lajes, a comunhão, o inusitado, o paradoxal, o álcool, o beijo molhado, o adeus, o agasalho, a mão meiga, a dor amedrontada, a culatra, a pulsação, o medo e a agonia. Assim me foi concedido. (Coágulos, coágulos, Luiz Alberto Machado. Primeira Reuniã. Recife: Bagaço, 1992). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem: The source (A fonte – óleo sobre tela, 1820-1855), do pintor e desenhista Romantismo francês Dominique Ingres (1780-1867). Veja mais aqui.


Curtindo a Symphony Nº 6 (EMI GROC), do compositor austríaco Anton Bruckner (1824-1896),c om a New Philharmonia Orchestra & Otto Klemperer & lendo O menestrel de Deus – Vida e obra de Anton Bruckner (Algool, 2009), do jornalista e crítico musical Lauro Machado Coelho.

MITO FUNDADOR – O livro Brasil, mito fundador e sociedade autoritária (Fundação Perseu Abramo, 2000), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí, trata de fé e orgulho, a nação como semióforo, o verdeamarelismo, o centenário, o mito fundador, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] Ao falarmos em mito, nós o tomamos não apenas no sentido etimológico de narração pública de feitos lendários da comunidade (isto é, no sentido grego da palavra mythos), mas também no sentido antropológico, no qual essa narrativa é a solução imaginária para tensões, conflitos e contradições que não encontram caminhos para serem resolvidos no nível da realidade. Se também dizemos mito fundador é porque, à maneira de toda fundatio, esse mito impõe um vínculo interno com o passado como origem, isto é, com um passado que não cessa nunca, que se conserva perenemente presente e, por isso mesmo, não permite o trabalho da diferença temporal e da compreensão do presente enquanto tal. Nesse sentido, falamos em mito também na acepção psicanalítica, ou seja, como impulso à repetição de algo imaginário, que cria um bloqueio à percepção da realidade e impede lidar com ela. Um mito fundador é aquele que não cessa de encontrar novos meios para exprimir-se, novas linguagens, novos valores e idéias, de tal modo que, quanto mais parece ser outra coisa, tanto mais é a repetição de si mesmo. Insistimos na expressão mito fundador porque diferenciamos fundação e formação. Quando os historiadores falam em formação, referem-se não só às determinações econômicas, sociais e políticas que produzem um acontecimento histórico, mas também pensam em transformação e, portanto, na continuidade ou na descontinuidade dos acontecimentos, percebidos como processos temporais. Numa palavra, o registro da formação é a história propriamente dita, aí incluídas suas representações, sejam aquelas que conhecem o processo histórico, sejam as que o ocultam (isto é, as ideologias). Diferentemente da formação, a fundação se refere a um momento passado imaginário, tido como instante originário que se mantém vivo e presente no curso do tempo, isto é, a fundação visa a algo tido como perene (quase eterno) que traveja e sustenta o curso temporal e lhe dá sentido. A fundação pretende situar-se além do tempo, fora da história, num presente que não cessa nunca sob a multiplicidade de formas ou aspectos que pode tomar. Não só isso. A marca peculiar da fundação é a maneira como ela põe a transcendência e a imanência do momento fundador: a fundação aparece como emanando da sociedade (em nosso caso, da nação) e, simultaneamente, como engendrando essa própria sociedade (ou a nação) da qual ela emana. É por isso que estamos nos referindo à fundação como mito. O mito fundador oferece um repertório inicial de representações da realidade e, em cada momento da formação histórica, esses elementos são reorganizados tanto do ponto de vista de sua hierarquia interna (isto é, qual o elemento principal que comanda os outros) como da ampliação de seu sentido (isto é, novos elementos vêm se acrescentar ao significado primitivo). Assim, as ideologias, que necessariamente acompanham o movimento histórico da formação, alimenta-se das representações produzidas pela fundação, atualizando-as para adequá-las à nova quadra histórica. É exatamente por isso que, sob novas roupagens, o mito pode repetir-se indefinidamente. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O ESPELHO – O conto O espelho (Cultrix, 1958), do ator, cineasta e escritor russo radicado na França Sacha Guitry (1885-1957), segue transcrito: Esta aconteceu na China. Um chinês preparava-se para ir ao mercado, que fica a alguns dias de viagem. Está anoitecendo. O chinês despede-se da mulher. — Até à volta, Mel de Crisântemo. Que quer que lhe traga do mercado? — Eu queria um pente. — Um pente? Está bem. Mas eu tenho que comprar tanta coisa, como é que me vou lembrar? — Não precisará mais do que olhar para a lua. Veja: a lua é crescente. Pois bem, o pente que eu quero é exatamente da forma da lua crescente. — Até à volta. E o chinês parte. Chega ao mercado. Faz suas compras. Terminando-as, já bem tarde, lembra-se da promessa, mas não se lembra muito bem do objeto desejado pela mulher. Encontra-se, nesse momento, junto de um mercador e lhe diz: — Pois veja só: prometi levar um presente a minha mulher, mas não me lembro mais o que foi. Ah! sim, espera. Estou-me lembrando agora que ela me disse para olhar a lua. — Olhe, é lua cheia. (A lua, que estava no seu primeiro quarto no dia da partida do chinês, agora era cheia). — Deve ser um objeto redondo. E o chinês compra um espelho, paga-o, faz um pacote e põe-se a caminho para a volta. Ao chegar em casa, diz-lhe a mulher: — Bom dia, meu marido. Trouxe-me o que eu lhe pedi? — Naturalmente. Aqui está. E o chinês dá o pacote à mulher, que apressadamente o abre. Essa mulher nunca tinha visto um espelho. E vendo nele um vulto de mulher, fica indignada: — Meu marido, comprou outra mulher! E Mel de Crisântemo chora todas as lágrimas de seu pequenino coração. Os seus olhos chamam a atenção de sua mãe. — Ah! mamãe, mamãe — grita ela. — Venha ver. Meu marido trouxe para casa outra mulher. A mãe toma o espelho, olha-o e diz à filha: — Fica sossegada: é tão velha e tão feia! Veja mais aqui.

ELEGIA & SONETO, QUANDO CHEGAR A HORA – No livro Só (1892), do poeta português António Nobre, encontro inicialmente o poema Quando chegar a hora: Quando Chegar a Hora / Quando eu, feliz! morrer, / ouça, Sr. Abbade, Ouça isto que lhe peço: / Mande-me abrir, alli, uma cova / À vontade, / Olhe: eu mesmo lh'a meço... / O coveiro não poderá fazer sempre tão baixas... O não poderá ir: / Diga ao moço, que tem a pratica das sachas, / Que m'a venha elle abrir. / E o sineiro que, em vez de dobrar a finados, / Que toque a Aleluia! / Não me diga orações, que eu não tenho peccados: / A minha alma um dia! / Será meu confessor o vento, e a luz do raio / A minha Extrema-Unção! / E as carvalhas (chorae o poeta, encommendae-o!) / De padres farão. / Mas as aguias, um dia, em bando como astros, / Virão devagarinho, E hão-de exhumar-me o corpo e leval-o- de rastros, / Em tiras, para o ninho! / E ha-de ser um deboche, um pagode, o demonio, / N'aquelle dia, ai! Aguias! sugae o sangue a vosso filho Antonio, / Sugae! sugae! sugae! Raro tão de comer. / A pobreza consome / As aguias, coitadinhas! / Ao menos, n'esse dia, eu matarei a fome / A essas desgraçadinhas... / De que serve, Sr. Abbade! o nosso pacto: / Não me lembrei, não vi / Que tinha feito com as aguias um contrato, / No dia em que nasci. Também o seu Elegia: Ó virgens que passais, ao sol poente, / Pelas estradas ermas, a cantar: / Eu quero ouvir uma canção ardente / Que me recorde as afeições do lar. / Cantai-me, n´essa voz omnipotente, / O sol que tomba, aureolando o mar, / A fartura da seara reluzente, / O vinho, a graça, a formosura, o luar! / Cantai, cantai as límpidas cantigas! / Das ruínas do meu lar desenterrai / Todas aquelas ilusões antigas / Que eu vi morrer n- um sonho como um ai... / Ó suaves e frescas raparigas, / Adormecei-me n´essa voz... Cantai! Por fim, o seu Soneto: Meus dias de rapaz, de adolescente, / Abrem a boca a bocejar, sombrios: / Deslizam vagarosos, como os Rios, / Sucedem-se uns aos outros, igualmente. / Nunca desperto de manhã, contente. / Pálido sempre com os lábios frios, / Ora, desfiando os meus rosários pios... / Fora melhor dormir, eternamente! / Mas não ter eu aspirações vivazes, / E não ter como têm os mais rapazes, / Olhos boiados em sol, lábio vermelho! / Quero viver, eu sinto-o, mas não posso: / E não sei, sendo assim enquanto moço, / O que serei, então, depois de velho. Veja mais aqui.

OS TEMAS DO TEATRO DA CRUELDADE – Na obra O teatro e o seu duplo (Martins Fontes, 1993), do poeta, ator, dramaturgo e diretor de teatro francês Antonin Artaud (1896-1948), o autor trata dos temas inerentes ao teatro da crueldade no seu primeiro manifesto: [...] Não se trata de arrastar o público com preocupações cósmicas transcendentes. Que haja chaves profundas do pensamento e da ação pelas quais se possa interpretar todo o espetáculo, não é coisa que diga geralmente respeito ao espectador que nem por tal se interessa. Todavia, tais preocupações têm de estar presentes; e, além disso, dizem-nos respeito. O ESPETÁCULO: Não haverá nenhum espetáculo que não contenha um elemento físico e objetivo, sensível a todos. Gritos, gemidos, aparições, surpresas, golpes de teatro de toda a casta, a beleza mágica do vestuário inspirada em certos modelos rituais. Resplendor da iluminação, beleza de sortilégio das vozes, sedução da harmonia, notas raras da música, cores dos objetos, ritmo físico dos movimentos cujo crescendo e decrescendo se conjugará com a pulsação dos movimentos familiares a todos, aparições concretas de objetos novos e surpreendentes, mascaras, manequins de vários metros de tamanho, alterações bruscas da luz, ação física da luz que suscita o calor e o frio, etc. A ENCENAÇÃO – É em torno da encenação, considerada não como um simples grau de refração dum texto sobre o palco, mas como o ponto de partida de toda a criação teatral, que se constituirá a linguagem típica do teatro. E é na utilização e na manipulação desta linguagem que se dissolverá a velha dualidade do autor e do encenador, substituídos por uma espécie de criador único a quem caberá a responsabilidade dupla do espetáculo e da ação. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

JARDIM DAS FOLHAS SAGRADAS - O drama O jardim das folhas sagradas (2011), dirigido pelo cineasta, comunicador e gestor público brasileiro Pola Ribeiro, com roteiro do diretor e Henrique Andrade, conta a história de um bancário negro e bissexual bem sucedido, casado com uma mulher branca e de crença evangélica. Ele vive na Salvador contemporânea e recebe a incumbência de montar um terreiro de candomblé no espaço urbano. Para isto, enfrentará a especulação imobiliária numa cidade de crescimento vertiginoso, preconceito racial e intolerância religiosa. Este homem, embora questione a tradição da própria religião, tem a missão de montar um ambiente sagrado e de respeito à natureza, superando as contradições e conflitos trazidos pela modernidade. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Charge & capa do livro Os broncos também amam (L&PM, 2007), do chargista Angeli.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Some Moments, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa & Verney Filho. E para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Dê livros de presente para as crianças.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, julho 21, 2015

ARIÈS, ARTAUD, HEMINGWAY, MAWACA, MALFITANO, CELINA FERREIRA, SEAN YOUNG, ORLIK, MILES MATHIS & PADRE BIDIÃO!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? CADÊ O PADRE BIDIÃO? (Imagem do artista plástico Rolandy Silvério)– Foi o amigo Marcos Alexandre Martins Palmeira quem, num dia do maior desalinhamento dos planetas e das incidências mais insólitas que possa acometer qualquer cristão, me apresentou ao Padre Bidião. Não fosse ele, eu morreria na maior das mais agudas das ignorâncias, não tomando conhecimento do Evangelho, dos clones e de nada das grandes realizações dessa extraordinária figura religiosa que já contei aqui e tenho muito pra contar. Não só o padre, como foi ele quem me apresentou à Manguaba, o verdadeiro cinema transcendental alagoano, paragem inspiradora que me fez compor o frevo em homenagem às comunidades de Pilar e Marechal Deodoro – a Madalena do Sul, primeira capital da comarca de Alagoas. Também foi por ele que conheci figuras que passaram a personagens vivinhos das minhas contações, como o ocrídio Mamão, o intrépido Afredo Bocoió, o etiquetado Beliar, o culinarista e florista Jaime Lombreta-boca-de-frô, o radialista extraordinário Fernando-Bráulio-cabeça-de-bilau, o Miguel Onço Palmeira, o lobisomem zonzo, a dupla presepeira Tolinho & Bestinha, o defunto do dedo azul, toda trupe do Big Shit Bôbras e lá vai mais teibei! (não bastando ter sido ele que levou o Doro a ser o que virou, destá!). Isso tudo é o resultado de muitos anos de pileques, doideiras, mungangas, fuleragens – deixa eu contar, 10, 20, vinte e dois anos de insanidades e desvarios -, justificados pelos mais diversos apelidos que o rapaz amealhou (de Larry leurel – em homenagem aos Patetas -, doidim, maluquim e por aí vai, de até a família dele me advertir que ele seria uma má companhia para mim), para caracterizá-lo como um sujeito que não bole bem das bolas no quengo, como diz o nosso amigo Junior Au-au. Ah, mas se não fosse ele, eu não teria escrito o Lobisomem Zonzo, o Alvoradinha, nem os frevos da Folia Caeté, nem o sacado o mote de Desnorteio, muito menos conhecido as risíveis figuras dos doutores Deraldo e Gelsinho, o Dr. Sebastião – o homem de punho forte -, o cesarino Dennys, o Didi-papa-cu, o barbeiro Ocride, o profeta Clóvis e outros tantos amalucados dos rincões miguelense e pilarense. Deveras, foi outro sujeito que chegou junto, na horagá e que devo muito e das boas – vixe, tô aumentando o rol dos meus credores na lista infinda da minha Serasa das amizades. Apois é, não fosse a inafastável erudição psicológica inata da Dona Liciene e a intervenção providencial da fisioterapeuta de doido Daniele-Daninha, o cabra estaria desajustando a órbita dos planetas e dando muito trabalho à humanidade. Sujeito bom, cabra dos a favor e dos momentos periclitantes, meritório, indubitavelmente, da minha mais eterna gratidão. (Eita! Agora que me dei conta que ia contar a mais nova do Padre Bidião e findei enrolando! Ah, é que pra mim todo dia é dia do amigo e de cultivar a amizade. Depois eu conto do Padre Bidião, prometo). E vamos aprumar a conversa conferindo mais dele aqui e mais aqui

Imagem: Ruhende, do pintor tcheco Emil Orlik (1870-1932). Veja mais aqui.

Curtindo o dvd Ikebanas Musicais (Teatro Paulo Autran, 2012), do grupo Mawaca.

História social da criança e da família (LTC, 1981), do historiador e filósofo francês Philippe Ariès (1914-1984), aborda sobre os temas do sentimento da infância, as idades da vida, a descoberta da infância, o traje das crianças, história dos jogos e brincadeiras, do despudor à inocência, os sentimentos da infância, a vida escolástica, jovens e velhos escolares da Idade Média, origem das classes escolares, as idades dos alunos, os progressos da disciplina, escola e duração da infância, família, família medieval e moderna, sociabilidade, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho As idades da vida: Um homem do século XVI ou XVI, ficaria espantado com as exigências de identidade civil que nós nos submetemos com naturalidade. Assim que nossas crianças começam a falar, ensinamos- lhes seu nome, o nome de seus pais e sua idade. Ficamos muito orgulhosos quando Paulinho, ao ser perguntado sobre sua idade, responde corretamente que tem dois anos e meio. De fato, sentimos que é importante que Paulinho não erre: que seria dele se esquecesse sua idade? Na savana africana a idade é ainda uma noção bastante obscura, algo não tão importante a ponto de não poder ser esquecido. Mas em nossas civilizações técnicas, como poderíamos esquecer a data exata de nosso nascimento, se a cada viagem temos de escrevê-la na ficha de policia do hotel, se a cada candidatura, a cada requerimento, a cada formulário a ser preenchido, e Deus sabe quantos há e quantos haverá no futuro, é sempre preciso recordá-la. Paulinho dará sua idade na escola e logo se tornará Paulo, a turma X. Quando arranjar seu primeiro emprego, junto com sua carteira de trabalho, receberá um número de inscrição que passará a acompanhar seu nome. Ao mesmo tempo, e até mesmo mais do que Paulo N., ele será um numero, que comecará por seu sexo, seu ano e mês de nascimento. Um dia chegará em que todos os cidadãos terão seu número de registro: esta é a meta dos serviços de identidade. Nossa personalidade civil já se exprime com maior precisão através de nossas coordenadas de nascimento do que através de nosso sobrenome. Este, com o tempo, poderia muito bem não desaparecer, mas ficar reservado à vida particular, enquanto um número de identidade, em que a data de nascimento seria um dos elementos, o substituiria para o uso civil [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O SOL TAMÉM SE LEVANTA – O romance O sol também se levanta (The Sun Also Rises, 1926), do escritor estadunidense Ernest Hemingway (1899-1961), trata sobre um grupo de expatriados sediados em Paris, inspirado no próprio círculo de escritores e artistas frequentado pelo autor, uma geração perdida que vagava pela cidade sem transformar nada, mas cheia de ambição, retratando o cotidiano desses boêmios após o término da Primeira Guerra Mundial. A ação se desenrola com a paixão do protagonista e narrador da história que trabalha como repórter e se apaixona por uma  mulher de personalidade fútil, que trata os homens como simples objetos e envolve-se com vários deles, apesar de ser comprometida. Da obra destaco o trecho do capítulo XVI: No dia seguinte, de manhã, chovia. Um nevoeiro vindo do mar cobria as montanhas. Não se podia ver o seu cimo. O planalto estava sombrio e triste e a forma das arvores e das casas havia mudado. Saí da cidade para observar o tempo. O mau tempo vinha do mar, por cima das montanhas. Na praça as bandeiras molhadas pendiam dos mastros brancos e as bandeirolas de encontro às fachadas das casas pendiam também úmidas. A garoa ininterrupta transformava-se às vezes em chuva pesada, fazendo toda a gente correr a refugiar-se nas arcadas e formando poças de água na praça. As ruas estavam molhadas, escuras, desertas. E, contudo, a festa continuava, sem pausa. Apenas, punha-se ao abrigo. A multidão invadira os lugares cobertos das arenas e todo o mundo fora assistir aos concursos de cantores e dançarinos bascos e navarreses. Em, seguida, os cantores de Val Carlos, com seus trajes característicos, tinham dançado na rua, ao som oco e úmido de tambores. Os chefes dos grupos os precediam, montados em seus grandes cavalos de patas pesadas, com seus trajes molhados, e as gualdrapas dos cavalos também gotejantes da chuva. A multidão se reunira no café e os dançarinos entraram por sua vez, sentaram-se, com as pernas brancas, enfaixadas, sob a mesa. Sacudiam a água de seus gorros de guizos e estendiam as vestes vermelhas sobre as cadeiras para secar. Lá fora chovia a cântaros. Deixei meu grupo no café e voltei ao hotel, para barbear-me antes de jantar. Ia começar, quando bateram à porta do meu quarto [...]. Veja mais aqui e aqui.

ESPELHO CONVEXO – No livro Espelho Convexo (Movimento/INL, 1973), da poeta mineira Celina Ferreira, encontro o poema Espelho e face: Procuro no espelho / a face remota. / Não aquela que é visível. / A que o vidro não comporta. / Retiro-a, sem medo, / descubro-a, ignota. / Não a face que percebo / em mim mesma, superposta. / Mas imagem lúcida, / clara e luminosa, / que cada dia enterrara / sob a face que está morta. Também o poema Espelho: O tempo foi destruído / na fina face do espelho. / O ontem virou agora / o amanhã chegou mais cedo. / (Capto imagens / perdidas. / Brilho em pânico, / presa de um cristal / único.) / O tempo foi redimido, / distância não é segredo. / Mas o mistério profundo / é a pátima do espelho. E o poema homônimo que dá título à obra: Que reino lúcido, / liso e perfeito, / que se aprofunda / na superfície / do meu segredo! / Vejo-me: o duplo / de mim, liberto / no mundo líquido, / água, azulejo. / Move-se o duplo / sou eu que o vejo? / Elfo, no estanho / azul do espelho. / Colo meu rosto / à face esquiva / que me repete, / grave e precisa, / na densa tela / de prata líquida. / Beijo meu beijo / que me hostiliza, / mergulho os olhos / nos olhos duros / que me fustigam. / Além, meu duplo / zomba de mim. / Ri do meu riso / se me duplico / no seu sorriso / cúmplice e afim. / Eros e Anteros, / eu e meu duplo / no mundo, espelho / no mundo, espelho / que não tem fim. Veja mais aqui.

O TEATRO E SEU DUPLO – O livro O teatro e seu duplo (Martins Fontes, 1993), do poeta, ator, dramaturgo e diretor de teatro francês Antonin Artaud (1896-1948), aborda temas como teatro e a cultura, encenação e a metafísica, teatro alquímico, teatro de Bali, oriental e ocidental, obras-primas, o teatro e a crueldade, linguagem, atletismo afetivo, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho Neutro feminino masculino: Quero experimentar um feminino terrível. O grito da revolta pisoteada, da angústia armada em guerra e da reivindicação. É como a queixa de um abismo que se abre: a terra ferida grita, mas vozes se elevam, profundas como o buraco do abismo, e que são o buraco do abismo que grita. Neutro. Feminino. Masculino. Para lançar esse grito eu me esvazio. Não de ar, mas da própria potência do ruído. Ergo à minha frente meu corpo de homem. E, lançando sobre ele o "olho" de uma horrível mensuração, ponto a ponto forço-o a entrar em mim. O ventre, primeiro. É pelo ventre que o silêncio deve começar, à direita, à esquerda, no ponto dos estrangulamentos herniários, onde operam os cirurgiões. Masculino, para fazer sair o grito da força, apoiar-se-ia primeiro no ponto dos estrangulamentos, comandaria a irrupção dos pulmões na respiração e da respiração nos pulmões. Aqui, infelizmente, acontece o contrário e a guerra que quero fazer vem da guerra que fazem contra mim. E em meu Neutro há um massacre! Você compreende, há a imagem inflamada de um massacre que alimenta minha guerra. Minha guerra se alimenta de uma guerra, e cospe sua própria guerra. Neutro. Feminino. Masculino. Existe nesse neutro um recolhimento, a vontade à espreita da guerra, e que fará sair a guerra, com a força de seu abalo. O Neutro às vezes é inexistente. É um Neutro de repouso, de luz, de espaço enfim. Entre duas respirações, o vazio se amplia, mas então ele se amplia como um espaço. Aqui é um vazio asfixiado. O vazio apertado de uma garganta, onde a própria violência do estertor obstruiu a respiração. É no ventre que a respiração desce e cria seu vazio de onde volta a arremessá-lo para o alto dos pulmões. Isso significa: para gritar não preciso da força, preciso apenas da fraqueza, e a vontade partirá da fraqueza, mas viverá, a fim de recarregar a fraqueza com toda a força da reivindicação. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.


IMAGEM DO DIA
A premiadíssima soprano estadunidense Catherine Malfitano (1997) interpretando a dança dos sete véus da ópera Salomé, Op. 54, de Richard Strauss, baseada na obra de Oscar Wilde, com a Orchestra of the Covent Garden Opera London, regie Luc Bondy.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiNa programação: Hermeto Pascoal, Charlotte Gainsbourg, Egberto Gismonti, Chico Buarque, All Jarreau, Milton Nascimento, Pink Floyd, Djavan, Sonia Mello, Elisete Retter, Franco do Valle, Rosana Simpson, João Pinheiro, Lilian Pimentel, César Weber, Ricardo Machado, Marisa Serrano, Beto Saroldi, Jarbas Barros, Santanna O Cantador, Mazinho, Zé Ripe&Paulo Profeta, Wilfried Berck, Cat Stevens, Romeo Santos, Henry Mancini & Lola Albright, Kim Carnes, Chris Cornell, Raphael Veronese, Martina McBride, Sandi Patty, Kim Waters, & muito mais. Veja mais aqui

Veja mais sobre:
Se não vai de um jeito, vai de outro, A marcha da insensatez de Barbara Tuchman, Eduque com carinho de Lidia Natalia Dobrianskyj Weber, a música de Kyung-Wha Chung, a pintura de Joan Miró & Eugène Leroy, a arte de Anna Dart & Eugene J. Martin,.a poesia de Bárbara Lia, a fotografia de Faisal Iskandar, Revista Poética Brasileira & Mhário Lincoln aqui.

E mais:
O übermensch de Nietzsche, Processo civilizador de Norbert Elias, O caminho dos sonhos de Marie-Louise von Franz, Simon Bolívar, sonetos de Lope de Vega, a música de Saint-Saëns & Denise Duval, Salomé de Oscar Wilde, o cinema de Carlos Saura, a arte de Sarah Bernhardt, a pintura de Ernst Hochschartner & Janet Agnes Cumbrae Stewart aqui.
Eu etiqueta de Carlos Drummond de Andrade, Formação da Literatura Brasileira de Antônio Cândido, a música de Adolphe-Charles Adam, a pintura de Antonio Bedotti Organofone, a arte de Benedito Pontes & a poesia de Ana Mello aqui.
Robimagaiver & pipoco da porra aqui.
Dr. Ciuça Gorda & os cavaleiros do pós-calipso do nó cego, As aporias de Zenão de Eleia, os sonetos de Francesco Petrarca, O teatro situação de Jean-Paul Sartre, Viridiana de Luis Buñuel & Silvia Pinal, a escultura de Denise Barros, a música de Carlos Santana, a pintura de Max Liebermann & Georgy Kurasov aqui.
Sou mato, sou mata, sou Mata Atlântica, A hora dos ruminantes de José J. Veiga, Técnicas de teatro popular de Augusto Boal, a música de Peter Scartabello, a arte de Patricia Galvão – Pagu & Pristine Cartera, a pintura de Georges Rouault & Tom Fedro aqui.
O desenlace da paquera entre Melzinha & Brothão, Aracelli, meu amor de José Louzeiro, Violência doméstica & sexual de Lucidalva Mª do Nascimento, a música de Geraldo Azevedo & Neila Tavares, Violência contra a mulher, a arte de Yukari Terakado, Nina Kuriloff & Geneviève Salamone, Marcha das Vadias, Todo homem que maltrata uma mulher não merece jamais qualquer perdão aqui.
Sujeito, indivíduo, quem?, Principios fundamentais de Filosofia, Folhas da relva de Walt Whitman, Ecce homo de Friedrich Nietzsche, Bailarina de Claudio Adrian Natoli, a música de Emmanuelle Haïm, a arte de Emerson Pingarilho & Kate Wiloch, Sally Trace, a pintura de Lasar Segall & Carolyn Anderson aqui.
Se não deu e fedeu, só na outra, meu!, A literatura fantástica de Tzvetan Todorov, 47 contos de Juan Carlos Onetti, a poesia de Carlos Drummond de Andrade, a música de Yann Tiersen, a fotografia de JR, a pintura de Asha Carolyn Young, a xilogravura de Marcelo Soares, a arte de Luiz Paulo Baravelli, Kenny Cole & Tom Wesselmann aqui.
O sisifismo da semana, Tempo & expressão literária de Raúl H. Castagnino, Quingunbo & a poesia norte-americana, a pintura de Mary Addison Hackett & Alain Bonnefoit., a música de Paulinho da Costa & Meghan Lindsay, a arte de Steve Hester & Robert Rauschenberg, a arte urbana de Nina Moraes & Trampo aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Blue blanket – oil on wood, do artista plástico Miles Mathis.
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Paz na Terra:
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...