Mostrando postagens com marcador Lia Rodrigues. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lia Rodrigues. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, outubro 16, 2019

CHLOÉ DELAUME, DACIA MARAINI, DENISE STOKLOS, VIRGILIO, VIRGINIA BICUDO, PINDORAMA & LIA RODRIGUES


UMA DE GIMNOSOFISTAS: O Doro estava em estado de graça naquela sexta-feira. Encheu o tampo, correu bicho trocando as pernas e a língua e, lá pras tantas, achou, por bem dos birinaites, de tirar a roupa e sair por aí nu. Pode? O camburão passou e levou-lo pro xilindró. No outro dia, nem sabia onde estava. Foi, aos puxavanques, levado à presença de um delegado poeta que o interrogou: Quer dizer que o senhor é gimnosofista! Hem? Encarcera esse que além de reincidente é burro! Uma semana depois ele reaparece com a cara mais lisa. Onde andava Doro? Fui em cana! Danou-se! Que foi dessa vez? Ah, não foi Papai Noel não, foi por um tal de não sei que lá – na verdade, ele foi trancafiado pela primeira vez numa dessas vésperas de natal, quase matando a garotada de medo e intoxicação. Agora, não. E apertava as catracas do quengo para se lembrar como era mesmo o nome. Doutor Gulu que ouvia o relato dele, gritou: Estava nu? Gimnosofista! Isso mesmo, doutor, o que é que significa? Sábio nu. Eita! Eu já soube de um rei nu, mas sábio, nunca ouvi falar! Ah, na Índia antiga havia uns sábios gimnosofistas. Ah, tá, deu no mesmo, continuo sem entender patavina. Deixa para lá, é muito para um broco como você! E fechou-se em copas. Doro queria por que queria saber que desaforo era esse. Um dia lá, ficou sabendo. Veja como aqui. DUAS: SANTA PELONHA - Afredo Bocoió só vivia falando duma santa. Como é o nome dela? Santa Pelonha. Nunca ouvi falar. Ah, a santa que cura todas as dores, mô fio! Pelonha? Sim, essa mesma. E perguntaram a um e a outro, foram até o vigário, mas havia saído. Explica direito, vai. Aí Afredo debulhou: Foi uma raizeira mãe de santo, catimbozeira afamada das boas, quem me ensinou. Como assim? Se tiver qualquer dor, basta rezar por Santa Pelonha que fica bonzinho da hora. D-u-du-v-i-vi-d-o-do! Duvido! A-rá! Aí que você se engana, mô fio. Faça o teste! E fui ver. Veja mais abaixo e, depois, aqui. LÁ VAI TRES, SAIDEIRA - Apesar de ser dia do Pão e da Alimentação – que para mim é todo dia -, todo mundo tá correndo mesmo atrás é de ganha-pão (não estou falando do filme The Breadwinner, não, mas de sobrevivência mesmo!). E só ouço o povo falar de grafeno, nióbio, borofeno, essas coisas que ninguém sabe o que droga que é. Já vi gente dizer: Como é que se come grafeno, hem? Nióbio é doce ou salgado? O borofeno é bom pra digestão? Quando souberam que uma cientista usava um tecido de grafeno para espantar mosquitos, caíram na real: Isso é lá veneno, meu! Estão pensando em usá-lo como bateria de celular. Oxe, se tem gente que come pilha, deve comer isso também, ora! Ah, deve ser uma droga arretada para os doidões! E o borofeno? Deve ser a mesma merda. Ah. Mas o nióbio deve servir para alguma coisa! Lembra do Enéas? Ah, sim, o Coiso lá tá dando o maior cartaz pra isso também. E se come isso? Sei lá! Estão dizendo que o Brasil é quem tem mais disso aí que o resto do mundo! Ah, então serve para enricar mesmo! Então, tá. Vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Eu fui criada fechada em casa, quando saí foi para ir à escola e foi quando, pela primeira vez, na escola, a criançada começou: negrinha, negrinha. Quando eu estava em casa, eu nunca tinha ouvido. Então eu levei um susto. [...] Eu me interessei muito cedo por esse lado social. Não foi por acaso que procurei psicanálise e sociologia. Veja bem o que fiz: eu fui buscar defesas científicas para o íntimo, o psíquico, para conciliar a pessoa de dentro com a de fora. Fui procurar na sociologia a explicação para questões de status social. E na psicanálise, proteção para a expectativa de rejeição. Essa é a história. [...] Olha, a ideia de meu pai era que as pessoas valem pelo estudo, pelo preparo que têm estudando, isso era meu pai. Então, meu pai pôs todos na escola. [...] Lá na USP eram os grã-finos e eu não era grã-fina. Pensa que eu era boba? [risos] Eu sabia escolher. Eu vi lá, tudo era filho de papai, Almeida Prado e eu não. A Escola de Sociologia é gente operária, é lá que eu vou. É isso. Sabe, a gente tinha esse feeling. […] Eu disse: “Lá não era o meu lugar”. [...] desenvolvi um programa de divulgação de princípios de higiene mental segundo a Psicanálise, através da dramatização de textos que eu compunha, e eram levados ao ar semanalmente. Esses textos foram publicados no livro Nosso Mundo Mental em 1955. [...]. Era a hora da Higiene Mental se apresentar. Eu estava sentada e todos os médicos de pé, todos gritando: “Absurdo! Psicanalistas não médicos!” Foi horrível! Olha que eu quase me suicidei por isso. Você ouvir outras pessoas dizendo: você é charlatã! Ah! Você não fica de pé! Você vai pra casa e quer morrer [...]. Trechos de entrevistas concedidas e da obra Nosso Mundo Mental (IBDC, 1956), da socióloga e psicanalista Virginia Bicudo (1915-2003), que também é autora de estudos como Atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo (Sociologia e Política, 2010), Comunicação não-verbal como expressão de onipotência e onisciência (Revista Brasileira de Psicanálise, 2003) e Incidência da realidade social no trabalho analítico (Revista Brasileira de Psicanálise, 2014), afora entrevistas concedidas aos jornalistas Cláudio João Tognolli, Marcos Maio, Ana Paula Musatti Braga, Anna Verônica Mautner e Luiz Meyer. Ela foi pioneira no estudo das relações sociais e primeira não médica a ser reconhecida como psicanalista.

 

O TEATRO DE DENISE STOKLOS

Teatro gera reflexão, produto que não se vende, que não interessa para nenhuma corporação... Teatro sempre trata de temas que são universais, atemporais e que dizem respeito a cada um que esteja sentado na plateia... O artista de teatro se difere de outros: sua função é ser uma espécie de arauto de sua comunidade, que se agrega em uma reunião sagrada, pedindo ao ator que lhe traga uma situação e um ponto de vista de análise crítica...

Pensamento da dramaturga, encenadora e atriz Denise Stoklos. Veja mais aqui & aqui.

 

AS BRUXAS DA REPÚBLICA, DE CHLOÉ DELAUME

[…] Era necessário um país onde a língua fosse uma questão, um desafio e um território. No princípio era a palavra, e o poder pertencia aos gramáticos. A regra da proximidade. Em 1767, Nicolas Beauzée, Gramática Geral: "O gênero masculino é considerado mais nobre que o feminino devido à superioridade do masculino sobre o feminino." Em 1772, Nicolas Beauzée, gramático, foi eleito para a Académie Française. Desde então, o masculino prevaleceu sobre o feminino, oficialmente, por golpe de espada, com a bênção de Bescherelle e os votos de felicidades do Pequeno Roberto. [...] Os desejos das mulheres francesas perfeitamente realizados, o novo começo e seus ensinamentos. liberdade, paridade, irmandade. [...] Cada vez mais, me pego rezando em meu espaço privado para uma entidade pertencente a um culto monoteísta masculino aprovado pelo Estado. [...].

Trechos extraídos da obra Les Sorcières de la République (Points, 2019), da escritora, musicista, cantora, artista e editora francesa Chloé Delaume (Nathalie Dalain), autora de obras como Une femme avec personne dedans (2012), S'écrire mode d'emploi: Vécu mis en fiction, mais jamais inventé (2006) e Le Cri du sablier (2001), expressando-se assim sobre a palavra: A Palavra é poder. Nunca se esqueça disso. A Palavra é poder, talvez até o supremo, e é por isso que o Ogro matou o dicionário.

 

EM LOUVOR À DESOBEDIÊNCIA

[...] O que eu faria sem livros? Tenho uma casa cheia deles, e mesmo assim nunca tenho o suficiente. Gostaria de ter um dia de 36 horas para ler à vontade. Tenho livros de todos os tamanhos: livros de bolso, livros de bolsa, livros de mala, livros de bolso, livros de prateleira, livros de mesa. E sempre carrego um comigo. Nunca se sabe: se encontro um tempinho, se me fazem esperar num escritório, seja nos correios ou no consultório médico, pego meu livro e leio. Quando estou com o nariz na página, não sinto o cansaço da espera. E, como diz Ortega y Gasset, num livro eu "fico preso", a ponto de ser difícil me perder. Saio dos livros com as pupilas dilatadas. Considero isso o maior, o mais certo, o mais profundo prazer da minha vida. [...].

Trecho extraído da obra Chiara di Assisi: Elogio della disobbedienza ( Rizzoli, 2013), da premiada escritora italiana Dacia Maraini, autora também dos livros: Il treno dell'ultima notte (2008), Bagheria (1993), The Silent Duchess(1990) e La larga vida de Marianna Ucrìa (1990), que assim se expressa sobre o amor: Sabe, às vezes é o amor dos outros que nos faz apaixonar: só vemos uma pessoa quando ela pede nossos olhos...


SANTA PELONHA
[...] Antes de ser queimada viva, tiraram-lhe lodo todos os dentes com seixos e lhe martirizaram todo o rosto [...] Depois do suplício: os seus dentes principalmente foram ajuntados como santas relíquias, e foram logo dispersos por diferentes igrejas da cristandade. [...] Pode-se dizer que logo depois do seu martírio é que os fieis têm tido recurso a ela em muitas enfermidades, e singularmente nas dores de dentes. [...] Estava senhora santa Pelonha em sua cadeira de ouro sentada, com a mão posta no queixo, passa Nosso Senhor Jesus e perguntou: - O que te doi, Pelonha? – Um dente, senhor! – Pois, Pelonha, do sul ao norte e do nascente ao poente, ficará esta criatura libre, sã e salva de dor de dentes, pontadas, nevralgia, estalicídio e força de sangue. Padre-nosso, ave-maria, oferecido às cincos chagas de Nosso Senhor Jesus. [...].
SANTA PELONHA - Trata-se de santa Apolônia virgem e mártirque também é conhecida por Polonha ou Pelonha – tratando-se de Apolônia de Alexandria que fez parte de um grupo de virgens mártires que padeceram em Alexandria, no Egito, durante um levante contra o cristianismo, antes da perseguição de Décio. De acordo com a lenda, durante sua tortura, teve todos os dentes violentamente arrancados e quebrados – padroeira dos dentistas e dos que sofrem com dores de dentes, conforme recolhido da obra Folklore médico-religioso: Santa Apolonia, abogada de la dentadura (Madrid, 1943), de Castillo de Lucas e personagem da comédia La Celestina, do século XV, de Fernando de Rojas, registrada no Dicionário do folclore brasileiro (Global, 2001), de Luis da Câmara Cascudo, e que possui oração corrente em todo o nordeste brasileiro. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Como abordar, ainda uma vez, as possíveis relações do estar junto? Misturando-se até a diluição? Afirmando limites e singularidades? Quais rituais, sacrifícios e acordos seriam necessários para a constituição de um coletivo, ainda que temporário? Que paisagens criar para Pindorama - nome indígena dado às terras brasileiras antes da chegada dos europeus? Ciclos de morte, transformação, vida.
PINDORAMA – O espetáculo Pindorama (2013), da Lia Rodrigues Companhia de Danças, criação da coreógrafa e artista Lia Rodrigues, que tem seu trabalhado reconhecido no Brasil e no exterior. Em entrevista ela expressou. Infelizmente nunca deixou de ser complicado trabalhar com arte e educação no Brasil. A situação melhorou bastante no início do governo Lula, mas ficou muito difícil no último ano, desde o golpe que colocou no poder um presidente deplorável, o Temer. Temos um ex-prefeito e um ex-governador na cadeia, para você ter ideia do desastre econômico e social que estamos vivendo. A ministra da Cultura disse que não vai mais dar dinheiro para festivais que mostram o nu. No Brasil, essa onda da direita é terrível, atinge todas as áreas, é uma situação seríssima, mas tem muita gente se mobilizando contra isso, o que é muito importante – é preciso estar muito atento e vigilante o tempo inteiro. É um boato que segue, que coloca artistas e pessoas que estão trabalhando há tantos anos em posições muito frágeis, muito difíceis. Veja mais aquiaqui e aqui.

A OBRA DE VIRGÍLIO
Há vários lobos dentro de mim, mas todos eles uivam para a mesma lua. Talvez um dia seja bom relembrar este dia.
A obra do poeta e filósofo romano clássico Públio Virgilio Maro (70aC-10aC) aquiaqui, aqui e aqui.
 

segunda-feira, março 13, 2017

GILBERTO MENDONÇA, ORLANDO ALVES, LIA RODRIGUES, BELLE CHERE & DAVID NGO, NÚBIA VÍTOR SOUZA




TODO DIA O PRIMEIRO PASSO - O embalo dos sonhos constrói uma entre tantas metas, a escolha entre muitos objetivos: ser isso ou aquilo, ou. Qual? Este ou aquele, ou aqueloutro? Dúvidas permeiam sempre, mesmo assim, tem de se fazer alguma coisa na vida. Pitacos e simpatias se misturam, opções da muita, conselhos persuasivos, alguns sensatos, diversos nem tão simpáticos, o uso do discernimento. Chega a hora de dar o primeiro passo, senão sempre: a razão de levantar de manhã e ter algo pra fazer na ciência de que no reino do efêmero nada é definitivo, nada mais. É preciso fazer alguma coisa, executar uma tarefa, desenvolver projetos, empreender esforços para alcançar a meta e o sucesso pra ser feliz, ah, felicidade no garimpo das pepitas da recompensa, oh não se revele prêmio quimérico de uma grande ilusão. Agora é realizar: dar o primeiro passo. Esquecer quantos outros passos foram dados ao fracasso ou não levaram a lugar algum, ou às quedas e tropeços, às desistências e constatações de que se não deu certo, por certo, houve algum equívoco ou erros na travessia, algo do desleixe ou do despreparo. Agora não, ou se está pronto ou nada, ir em frente: pra quem vai há sempre o caminho da volta. Vale o desafio e a excitação, dúvidas e trajetos: quem faz pode desfazer ou refazer, ou deixar como está, se aprouver. É só começar, mesmo que não se saiba pra onde, a expectativa da chama entre armadilhas, resistências, obstáculos, árduos despenhadeiros à luz das possibilidades e limitações. É seguir até as fronteiras, sobrepujar precipícios: só sabe o acerto quem provou do errado e, quem sabe amanhã, um seja o outro e vice-versa. Vale a tentativa, ascender ou não é por conta do aprendizado, até mesmo diante da intolerância ao heterodoxo, mesmo quão paradoxal se pareça. Aonde vai, quem sabe, a andança é chegar lá, alhures, o que não significa o fim, pode ser o ponto de partida, a vez do recomeço: não há repouso pras novas satisfações. Ir adiante e além por mais difícil que seja, ao longe. Ao final, resultados e avaliações, depois do intermitente e culminante prazer, o vento apaga as pegadas e, ao invés do alívio da conquista, o vazio. Não era bem isso o que se queria e, à beira do desânimo, o que era o triunfo aos olhos, reduziu-se a nada. Pode ser tudo, ou não. É hora de recomeçar, rever a jornada é o que importa, o valor da caminhada seja pra onde for, não mais o destino que é apenas um passo e a lição: a cada passo a subida na escalada, a cada dia o cume de uma montanha. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo as obras Fantasia (1997), Invariâncias (2003), Disposições Texturais (2003), Inserções I, II, III e IV (2005), Sincrofonia I e II (2004-2005), Pantominas I, II, III e IV (1997-2001), entre outras, do premiado compositor erudito, professor da UFPb e coordenador do Compomus, José Orlando Alves.

Veja mais sobre:
Carl Gustav Jung, Giórgos Seféris, Euclides da Cunha, Mario Vargas Llosa, Fito Páez, Cacaso, Anne Rice,Alexej von Jawlensky, Antônio Conselheiro, Flávio de Barros, Dana Delany & Big Shit Bôbras aqui.

E mais:
Sócrates & a sofística no pensamento grego aqui.
Pirangi, Rabelais, Máximo Gorki, Jocy de Oliveira, Cícero, Ítala Nandi, Patrice Chéreau, Konstantin Razumov, Kerry Fox, Tchello D´Barros & Família Eudemonista aqui.
A justiça & a injustiça aqui.
Violência aqui.
O pensamento de Demócrito de Abdera aqui.
Serviço Público & Nênia de Abril aqui.
O pensamento de Anaxágoras de Clazomena aqui.
Aprumando a conversa na volta da Teibei & lorotas prontas do Brasilsilsilsil aqui.
O pensamento de Empédocles de Agrigento aqui.
O pensamento de Zenão de Eléia aqui.
Do que foi pro que é quase nada, Friedrich Nietzsche, Vaughan Williams, Suzanne Valadon aqui.
Coisas do sentir que não são pra entender, Marco Túlio Cícero, Emil Nolde & Nivian Veloso aqui.
O que é de sonho quando real, Yukio Mishima, Marisa Rezende & David Alfaro Siqueiros aqui.
O beijo dela de sol na minha vida de lua, José Régio, Ceumar & Luciah Lopez aqui.
Gato escaldado pra se enturmar é um pé na frente e outro atrás, Sonya Bach, Mariana Beltrame & Umberto Boccioni aqui.
Odisseia de um curau no Oriente Médio & Alexej von Jawlensky aqui.
Fecamepa aqui.
Um verso desesperado de amor, Raymundo Alves de Souza & Programa Tataritaritatá aqui.
As cinzas de Gramsci, de Pier Paolo Pasolini aqui.
Epigramas de Goethe, Seminário de Lacan, Princípio do Prazer de Freud & Produtos CCE aqui.
Poema em linha reta & outros poemas de Fernando Pessoa aqui.
Tomás de Iriarte, Gerusa Leal & Programa Tataritaritatá aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

O premiado espetáculo Aquilo de que somos feitos (2000), da Lia Rodrigues Companhia de Danças, criação da coreógrafa e artista Lia Rodrigues, com música de Zeca Assumpção.

DESTAQUE: UN PAS DE TROIS, DE GILBERTO MENDONÇA TELES
Houve um reino qualquer e três sereias
Que afinavam seu canto na linguagem:
A virgem, a casada e a que passava seus dias na janela.
E havia a forma de sirene e silêncio, essas metades,
Renda de bilro, milongagem, força oculta e sem governo,
Latejantes nas têmporas do mito.
A primeira voltou à sua estância,
Leu Bandeira, fez versos, desnudou-se.
E, cumprindo o ritual, como sereia,
Foi banhar-se num rio de água doce.
A segunda voltou-se para o mar,
Tomou banho lustral de fevereiro,
Fez cirandas na area e ouviu lendas
Da lira pendurada no coqueiro.
A terceira me deu esta janela
Com desenho de peixe na vidraça.
E está acenando lá fo fundo
Do rio que não passa.
Un pas de trois, poema do livro Coreografia do Mito, extraído da obra Hora aberta: poemas reunidos (Vozes, 2003), do poeta, advogado e professor universitário de Teoria da Literatura e Literatura Brasileira, Gilberto Mendonça Teles. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da modelo e atriz Belle Chere na fotografia de David Ngo.
Veja mais aquiaqui e aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à amiga pedagoga especilista em Psicopedagogia e Funcionária Pública Maria Núbia Vítor de Souza.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.

quarta-feira, maio 06, 2015

TAGORE, FREUD, ARTAUD, COSTA-GAVRAS, VAN GOGH, FÁTIMA GUEDES, TAHAN & LIA RODRIGUES.

Imagem: Semeador com o por do sol (1888), Otterlo, Kröller- Müller Museum, do pintor pós-impressionista neerlandês Vincent van Gogh (1853-1890). Veja mais aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Quero que você me venha de manhã
Plantar a luz do sol
Com sua fonte a minar
E em mim se escorrer
E aguando esta ternura
A gente dê vontade de nascer:
Beijar-lhe o ventre
E ver a vida a rolar
Vai ser demais!
O tempo vai ruir pra nós
Desexistir
Incendiar o corpo
A voz
A sede saciar na foz
Assim
Sedento
A diluir-se em flor
Pelos confins
Em você onde sou eu
Será promessa inteira do querer?
Amor,
Que vai ser de mim
Se um dia essa vontade de viver
Perder o amor de vista
E esquecer
Angústia de não ter raiz?
O ar desvencilhar-se do nariz?
Será de mim,
O que será do meu coração?
Será de mim...
(Fonte, letra & música de Luiz Alberto Machado). Veja mais aquiaqui & aqui.


Ouvindo álbum Muito intensa (1999), da cantora e compositora Fátima Guedes, reunindo suas parcerias com Joyce, Djavan, Nei Lopes, Adriana Calcanhoto e Ivan Lins. Veja mais aqui & aqui.


PROGRAMA BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do Programa Brincarte do Nitolino, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Para conferir online, clique aqui ou aqui.

MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO – O livro Mal-estar na civilização (1930 – Imago, 1996), do médico neurologista e criador da Psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939), trata a respeito de temas como o mundo humano e sua vida mental, a religião é uma ilusão, o princípio do prazer e o princípio da realidade, sentimento oceânico: unidade com o universo, medidas paliativas: derivativos poderosos, satisfações substitutivas e substancias tóxicas; felicidade e infelicidade, a técnica da arte de viver, as influencias do desenvolvimento da civilização, o homem primevo e o trabalho, Eros e Ananke, Homo homini lúpus, conceito de Narcisismo, a libido narcísica e a libido objetal, neuroses traumáticas e psicoses, neuroses de transferência, a civilização e o sentimento de culpa: a inibição da agressividade, o ego e o superego, o desamparo e a dependência do outro, as premências egoístas e altruístas, o superego cultural ou da civilização, a ética e o superego cultural: os homens, os juízos e as ilusões, entre outros assuntos. Da obra destaco os trechos: A vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós, proporciona-nos muitos sofrimentos, decepções e tarefas impossíveis. A fim de suportá-la, não podemos dispensar as medidas paliativas [...] Esforçam-se para obter felicidade; querem ser felizes e assim permanecer. Essa empresa apresenta dois aspectos: uma meta positiva e uma meta negativa. Por um lado, visa a uma ausência de sofrimento e de desprazer; por outro, à experiência de intensos sentimentos de prazer [...] todas as normas do universo são-lhe contrárias. Ficamos inclinados a dizer que a intenção de que o homem seja ‘feliz’ não se acha incluída no plano da ‘Criação’ [...] Considera a realidade como a única inimiga e a fonte de todo sofrimento, co9m a qual é impossível viver, de maneira que, se quisermos ser de algum modo felizes, temos de romper todas as relações com ela. [...] A religião restringe esse jogo de escolha e adaptação, desde que impõe igualmente a todos o seu próprio caminho para aquisição da felicidade e dá proteção contra o sofrimento. Sua técnica consiste em depreciar o valor da vida e deformar o quadro do mundo real de maneira delirante – maneira que pressupõe uma intimidação da inteligência. A esse preço, por fixa-las à força num estado de infantilismo psicológico e por arrastá-las a um delírio de massa, a religião consegue poupar a muitas pessoas uma neurose individual. Dificilmente, porém, algo mais. [...] descreve a soma integral das realizações e regulamentos que distinguem nossas vidas das de nossos antepassados animais, e que servem a dois intuitos, a saber: o de proteger os homens contra a natureza e o de ajustar os seus relacionamentos mútuos [...] Reconhecemos como culturais todas as atividades e recursos úteis aos homens, por lhes tornarem a terra proveitosa, por protegerem-nos contra a violência das forças da natureza, e assim por diante [...] O homem, por assim dizer, tornou-se uma espécie de ‘Deus de prótese’. Quando faz uso de todos os seus órgãos auxiliares, ele é verdadeiramente magnifico; esses órgãos, porém, não cresceram nele e, às vezes, ainda lhe causam muitas dificuldades [...] as frustrações da vida sexual são precisamente aquelas que as pessoas conhecidas como neuróticas não podem tolerar. O neurótico cria, em seus sintomas, satisfações substitutivas para si, e estas ou lhe causam sofrimento em si próprias, ou se lhe tornam fontes de sofrimento pela criação de dificuldades em seus relacionamentos com o meio ambiente a sociedade a que pertence [...] A civilização, porém, exige outros sacrifícios, além da satisfação sexual [...] O homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança [...] Veja mais aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

O JARDINEIRO DO AMOR – O livro O jardinheiro do amor (Thesaurus, 1983), do poeta e músico indiano, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Rabindranath Tagore (1861-1941), reúne os poemas originalmente escritor em bengali oriundos de sua máxima elevação espiritual e dulcíssimo sentimento humano, por meio de ritmo melodioso de suas frases e singeleza de suas imagens. Do livro destaco o poema LVII: Colocorás, formosa minha, tua grinalda de flores recém colhidas, em meu pescoço? Porém, antes de fazê-lo, deves saber que a grinalda que eu entrelacei é para muitas; para aquelas que se descobrem somente com olhares rápidos; que moram em terras inexploradas ou vivem nas canções dos poetas. É muito tarde para que me peças o coração em troca do teu. Houve um momento em que minha vida era igual a um botão de flor que trazia todo perfume oculto em seu coração. Agora, transbordou, por todas as bandas da vida. Quem conhecerá o feitiço capaz de concentrá-lo e encerrá-lo outra vez? Meu coração não me pertence; não posso entrega-lo a uma só; a tantas eu já o dei... Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

O HOMEM QUE CALCULAVA – O livro O homem que calculava: aventuras de um singular calculista persa (Record, 1987), do escritor, pedagogo e matemático brasileiro Malba Tahan (1895-1974), conta a história das aventuras e proezas matemáticas do calculista persa Beremiz Samir, na Bagdá do século XIII, explicando de modo extraordinários os diversos problemas da matemática, incluindo lendas e histórias pitorescas. Da obra destaco o trecho inicial: Em nome de Alá, Clemente e Misericordioso! Voltava eu, certa vez, ao passo lento do meu camelo, pela estrada de Bagdá, de uma excursão à famosa cidade de Samarra, nas margens do Tigre, quando avistei, sentado numa pedra, um viajante, modestamente vestido, que parecia repousar das fadigas de alguma viajem. Dispunha-me a dirigir ao desconhecido sala trivial dos caminhantes quando, com grande surpresa, o vi levantar-se e pronunciar vagarosamente: - Um milhão, quatrocentos e vinte e três mil, setecentos e quarenta e cinco! Sentou-se em seguida e quedou em silêncio, a cabeça apoiada nas mãos, como se estivesse absorto em profunda meditação. Parei a pequena distância e pus-me a observá-lo, como faria diante de um monumento histórico dos tempos lendários. Momentos depois o homem levantou-se novamente e, com voz clara e pausada, enunciou outro número igualmente fabuloso: - Dois milhões, trezentos e vinte e um mil, oitocentos e sessenta e seis! E assim, várias vezes, o esquisito viajante pôs-se de pé, disse em voz alta um número de vários milhões, sentando-se em seguida, na pedra tosca do caminho. Sem poder refrear a curiosidade que me espicaçava, aproximei-me do desconhecido e, depois de saudá-lo em nome de Allah (com Ele a oração e a glória), perguntei-lhe a significação daqueles números que só poderiam figurar em gigantescas proporções. - Forasteiro – respondeu o Homem que Calculava -, não censuro a curiosidade que te levou a perturbar a marcha de meus cálculos e a serenidade de meus pensamentos. E já que soubesse ser delicado no falar e no pedir, vou atender ao teu desejo. Para tanto preciso, porém, contar-te a história de minha vida! E narrou o seguinte [...]. Veja mais aqui, aquiaqui.

ESCRITOS DE UM LOUCO – O livro Escritos de um louco (1945), do poeta, ator, dramaturgo e diretor de teatro francês Antonin Artaud (1896-1948), reúne narrativas de viagem iniciadas em 1936 pelo autor, englobando cartas e escritos diversos, entre os quais destaco Van Gogh: o Suicidado Pela Sociedade: Pode-se falar da boa saúde mental de van Gogh, que em toda sua vida apenas assou uma das mãos e, fora disso, limitou-se a cortar a orelha esquerda numa ocasião. Num mundo no qual diariamente comem vagina assada com molho verde ou sexo de recém-nascido flagelado e triturado, assim que sai do sexo materno. E isso não é uma imagem, mas sim um fato abundante e cotidianamente repetido e praticado no mundo todo. E assim é que a vida atual, por mais delirante que possa parecer esta afirmação, mantém sua velha atmosfera de depravação, anarquia, desordem, delírio, perturbação, loucura crônica, inércia burguesa, anomalia psíquica (pois não é o homem, mas sim o mundo que se tornou anormal), proposital desonestidade e notória hipocrisia, absoluto desprezo por tudo que tem uma linhagem e reivindicação de uma ordem inteiramente baseada no cumprimento de uma primitiva injustiça; em suma, de crime organizado. Isso vai mal porque a consciência enferma mostra o máximo interesse, nesse momento, em não recuperar-se da sua enfermidade. [...] Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.

AMEM – O filme Amen (2002), do cineasta grego Costa-Gavras, é baseado na peça teatral The Deputy, a Christian Tragedy (1963), de Rolf Hochhuth, contando a história de um oficial SS que desenvolve o processo para erradicar a tifo e descobre que o mesmo é usado para extermínio de judeus, razão pela qual tenta avisar ao Papa Pio XII sobre as câmaras de gás, não recebendo nenhuma manifestação do Vaticano. Traz uma analise acerca das ligações entre o Vaticano a Alemanha nazista, causando polêmicas, inclusive, pelo pôster do filme criado pelo fotógrafo italiano Oliviero Toscani. E como sempre fui apreciador da obra deste grande cineasta, desde Z, Estado de Sítio e outros grandes filmes, verdadeiros documentários denunciantes das mais diversas mazelas humanas, registrando até que ponto vai a capacidade humana de fabricar o descaso, a desfaçatez e a crueldade. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.


IMAGEM DO DIA
Espetáculo Aquilo de que fomos feitos (2000), da Cia de Dança Lia Rodrigues (RJ) – Premio de Melhor Coreografia e Melhor Trilha Sonora (Rio Dança, 2000) e Prêmio Herald Angel (Fringe Festival – Edimburg, 2002). Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
O sisifismo da semana, Tempo e antitempo na ficção de Luiz Toledo Machado, Quingumbo & a poesia norte-americana, Tempo & literatura de Raúl H. Castagnino, Händel & Meghan Lindsay, a música de Paulinho da Costa, a pintura de Mary Addison Hackett & Steve Hester, Alain Bonnefoit & Robert Rauschenberg, a arte de Nina Moraes & Trampo aqui.

E mais:
Brincar para aprender aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Canto a mim mesmo de Walt Whitman aqui.
Brincarte do Nitolino, A forma fêmea de Walt Whitman, O rapto de Perséfone & Gian Lorenzo Bernini, a música de Richard Strauss & Diana Damrau, Evolução do Teatro de Francis Fergusson, o cinema de Reinaud Victor & Sandrine Bonnaire, a pintura de Alessandro Bronzino & a charge de Charb aqui.
A desgraça de um é a risada de outro, a música de Gonzaguinha, a pintura de Rosie Scribblah & Milton Dacosta, a arte de Jean-Michel Basquiat & Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas aqui.
Dos gostos e desgostos da vida, a pintura de Claude Monet, a escultura de Ewald Mataré, a fotografia de Chris Maher, a arte de Marlina Vera & Quanto mais a gente vive, mais se enrola nas voltas do tempo aqui.
A República no reino do Fecamepa: lições de ontem e de hoje pro que não é, A República de Platão & Cícero, O príncipe de Nicolau Maquiavel, O espírito das leis de Montesquieu, O contrato social de Jean-Jacques Rousseau, História da consciência de classe de Georg Lukács, Escitos & ensaios de Norbert Elias, Ética pós-moderna de Zygmunt Bauman & Revolução burguesa no Brasil de F aqui.
Abram alas pra revolta passar que os invísiveis apareceram, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva, a pintura de Amadeo de Souza-Cardoso & a fotografia de Debora Klempous aqui.
As escolhas entre erros e acertos, a música de Laura Canabrava, a escultura de Armand Pierre Fernandez, a pintura de Alexandra Nechita & a arte de Raceanu Adrian aqui.
Das vésperas & crástinos na festa do amor, o cinema de Peter Greenaway & Helen Mirren, a pintura de Dalu Zhao, a arte de Luciah Lopez, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia aqui.
O melhor do dia do homem é saber que todo dia é dia da mulher, a xilogravura de Gilvan Samico & a arte de Francisco Milani aqui.
O mundo todo cabe em um ato de paz, a pintura de René Magritte, a arte de Paul Vilinski, a música de Cláudio Nucci & a escultura de Ricardo Brennand aqui.
Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
Veja mais aquiaqui, aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


PARTICIPE DA PROMOÇÃO BRINCARTE DO NITOLINO
Veja detalhes aqui.

SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...