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quarta-feira, outubro 16, 2019

CHLOÉ DELAUME, DACIA MARAINI, DENISE STOKLOS, VIRGILIO, VIRGINIA BICUDO, PINDORAMA & LIA RODRIGUES


UMA DE GIMNOSOFISTAS: O Doro estava em estado de graça naquela sexta-feira. Encheu o tampo, correu bicho trocando as pernas e a língua e, lá pras tantas, achou, por bem dos birinaites, de tirar a roupa e sair por aí nu. Pode? O camburão passou e levou-lo pro xilindró. No outro dia, nem sabia onde estava. Foi, aos puxavanques, levado à presença de um delegado poeta que o interrogou: Quer dizer que o senhor é gimnosofista! Hem? Encarcera esse que além de reincidente é burro! Uma semana depois ele reaparece com a cara mais lisa. Onde andava Doro? Fui em cana! Danou-se! Que foi dessa vez? Ah, não foi Papai Noel não, foi por um tal de não sei que lá – na verdade, ele foi trancafiado pela primeira vez numa dessas vésperas de natal, quase matando a garotada de medo e intoxicação. Agora, não. E apertava as catracas do quengo para se lembrar como era mesmo o nome. Doutor Gulu que ouvia o relato dele, gritou: Estava nu? Gimnosofista! Isso mesmo, doutor, o que é que significa? Sábio nu. Eita! Eu já soube de um rei nu, mas sábio, nunca ouvi falar! Ah, na Índia antiga havia uns sábios gimnosofistas. Ah, tá, deu no mesmo, continuo sem entender patavina. Deixa para lá, é muito para um broco como você! E fechou-se em copas. Doro queria por que queria saber que desaforo era esse. Um dia lá, ficou sabendo. Veja como aqui. DUAS: SANTA PELONHA - Afredo Bocoió só vivia falando duma santa. Como é o nome dela? Santa Pelonha. Nunca ouvi falar. Ah, a santa que cura todas as dores, mô fio! Pelonha? Sim, essa mesma. E perguntaram a um e a outro, foram até o vigário, mas havia saído. Explica direito, vai. Aí Afredo debulhou: Foi uma raizeira mãe de santo, catimbozeira afamada das boas, quem me ensinou. Como assim? Se tiver qualquer dor, basta rezar por Santa Pelonha que fica bonzinho da hora. D-u-du-v-i-vi-d-o-do! Duvido! A-rá! Aí que você se engana, mô fio. Faça o teste! E fui ver. Veja mais abaixo e, depois, aqui. LÁ VAI TRES, SAIDEIRA - Apesar de ser dia do Pão e da Alimentação – que para mim é todo dia -, todo mundo tá correndo mesmo atrás é de ganha-pão (não estou falando do filme The Breadwinner, não, mas de sobrevivência mesmo!). E só ouço o povo falar de grafeno, nióbio, borofeno, essas coisas que ninguém sabe o que droga que é. Já vi gente dizer: Como é que se come grafeno, hem? Nióbio é doce ou salgado? O borofeno é bom pra digestão? Quando souberam que uma cientista usava um tecido de grafeno para espantar mosquitos, caíram na real: Isso é lá veneno, meu! Estão pensando em usá-lo como bateria de celular. Oxe, se tem gente que come pilha, deve comer isso também, ora! Ah, deve ser uma droga arretada para os doidões! E o borofeno? Deve ser a mesma merda. Ah. Mas o nióbio deve servir para alguma coisa! Lembra do Enéas? Ah, sim, o Coiso lá tá dando o maior cartaz pra isso também. E se come isso? Sei lá! Estão dizendo que o Brasil é quem tem mais disso aí que o resto do mundo! Ah, então serve para enricar mesmo! Então, tá. Vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Eu fui criada fechada em casa, quando saí foi para ir à escola e foi quando, pela primeira vez, na escola, a criançada começou: negrinha, negrinha. Quando eu estava em casa, eu nunca tinha ouvido. Então eu levei um susto. [...] Eu me interessei muito cedo por esse lado social. Não foi por acaso que procurei psicanálise e sociologia. Veja bem o que fiz: eu fui buscar defesas científicas para o íntimo, o psíquico, para conciliar a pessoa de dentro com a de fora. Fui procurar na sociologia a explicação para questões de status social. E na psicanálise, proteção para a expectativa de rejeição. Essa é a história. [...] Olha, a ideia de meu pai era que as pessoas valem pelo estudo, pelo preparo que têm estudando, isso era meu pai. Então, meu pai pôs todos na escola. [...] Lá na USP eram os grã-finos e eu não era grã-fina. Pensa que eu era boba? [risos] Eu sabia escolher. Eu vi lá, tudo era filho de papai, Almeida Prado e eu não. A Escola de Sociologia é gente operária, é lá que eu vou. É isso. Sabe, a gente tinha esse feeling. […] Eu disse: “Lá não era o meu lugar”. [...] desenvolvi um programa de divulgação de princípios de higiene mental segundo a Psicanálise, através da dramatização de textos que eu compunha, e eram levados ao ar semanalmente. Esses textos foram publicados no livro Nosso Mundo Mental em 1955. [...]. Era a hora da Higiene Mental se apresentar. Eu estava sentada e todos os médicos de pé, todos gritando: “Absurdo! Psicanalistas não médicos!” Foi horrível! Olha que eu quase me suicidei por isso. Você ouvir outras pessoas dizendo: você é charlatã! Ah! Você não fica de pé! Você vai pra casa e quer morrer [...]. Trechos de entrevistas concedidas e da obra Nosso Mundo Mental (IBDC, 1956), da socióloga e psicanalista Virginia Bicudo (1915-2003), que também é autora de estudos como Atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo (Sociologia e Política, 2010), Comunicação não-verbal como expressão de onipotência e onisciência (Revista Brasileira de Psicanálise, 2003) e Incidência da realidade social no trabalho analítico (Revista Brasileira de Psicanálise, 2014), afora entrevistas concedidas aos jornalistas Cláudio João Tognolli, Marcos Maio, Ana Paula Musatti Braga, Anna Verônica Mautner e Luiz Meyer. Ela foi pioneira no estudo das relações sociais e primeira não médica a ser reconhecida como psicanalista.

 

O TEATRO DE DENISE STOKLOS

Teatro gera reflexão, produto que não se vende, que não interessa para nenhuma corporação... Teatro sempre trata de temas que são universais, atemporais e que dizem respeito a cada um que esteja sentado na plateia... O artista de teatro se difere de outros: sua função é ser uma espécie de arauto de sua comunidade, que se agrega em uma reunião sagrada, pedindo ao ator que lhe traga uma situação e um ponto de vista de análise crítica...

Pensamento da dramaturga, encenadora e atriz Denise Stoklos. Veja mais aqui & aqui.

 

AS BRUXAS DA REPÚBLICA, DE CHLOÉ DELAUME

[…] Era necessário um país onde a língua fosse uma questão, um desafio e um território. No princípio era a palavra, e o poder pertencia aos gramáticos. A regra da proximidade. Em 1767, Nicolas Beauzée, Gramática Geral: "O gênero masculino é considerado mais nobre que o feminino devido à superioridade do masculino sobre o feminino." Em 1772, Nicolas Beauzée, gramático, foi eleito para a Académie Française. Desde então, o masculino prevaleceu sobre o feminino, oficialmente, por golpe de espada, com a bênção de Bescherelle e os votos de felicidades do Pequeno Roberto. [...] Os desejos das mulheres francesas perfeitamente realizados, o novo começo e seus ensinamentos. liberdade, paridade, irmandade. [...] Cada vez mais, me pego rezando em meu espaço privado para uma entidade pertencente a um culto monoteísta masculino aprovado pelo Estado. [...].

Trechos extraídos da obra Les Sorcières de la République (Points, 2019), da escritora, musicista, cantora, artista e editora francesa Chloé Delaume (Nathalie Dalain), autora de obras como Une femme avec personne dedans (2012), S'écrire mode d'emploi: Vécu mis en fiction, mais jamais inventé (2006) e Le Cri du sablier (2001), expressando-se assim sobre a palavra: A Palavra é poder. Nunca se esqueça disso. A Palavra é poder, talvez até o supremo, e é por isso que o Ogro matou o dicionário.

 

EM LOUVOR À DESOBEDIÊNCIA

[...] O que eu faria sem livros? Tenho uma casa cheia deles, e mesmo assim nunca tenho o suficiente. Gostaria de ter um dia de 36 horas para ler à vontade. Tenho livros de todos os tamanhos: livros de bolso, livros de bolsa, livros de mala, livros de bolso, livros de prateleira, livros de mesa. E sempre carrego um comigo. Nunca se sabe: se encontro um tempinho, se me fazem esperar num escritório, seja nos correios ou no consultório médico, pego meu livro e leio. Quando estou com o nariz na página, não sinto o cansaço da espera. E, como diz Ortega y Gasset, num livro eu "fico preso", a ponto de ser difícil me perder. Saio dos livros com as pupilas dilatadas. Considero isso o maior, o mais certo, o mais profundo prazer da minha vida. [...].

Trecho extraído da obra Chiara di Assisi: Elogio della disobbedienza (‎ Rizzoli, 2013), da premiada escritora italiana Dacia Maraini, autora também dos livros: Il treno dell'ultima notte (2008), Bagheria (1993), The Silent Duchess(1990) e La larga vida de Marianna Ucrìa (1990), que assim se expressa sobre o amor: Sabe, às vezes é o amor dos outros que nos faz apaixonar: só vemos uma pessoa quando ela pede nossos olhos...


SANTA PELONHA
[...] Antes de ser queimada viva, tiraram-lhe lodo todos os dentes com seixos e lhe martirizaram todo o rosto [...] Depois do suplício: os seus dentes principalmente foram ajuntados como santas relíquias, e foram logo dispersos por diferentes igrejas da cristandade. [...] Pode-se dizer que logo depois do seu martírio é que os fieis têm tido recurso a ela em muitas enfermidades, e singularmente nas dores de dentes. [...] Estava senhora santa Pelonha em sua cadeira de ouro sentada, com a mão posta no queixo, passa Nosso Senhor Jesus e perguntou: - O que te doi, Pelonha? – Um dente, senhor! – Pois, Pelonha, do sul ao norte e do nascente ao poente, ficará esta criatura libre, sã e salva de dor de dentes, pontadas, nevralgia, estalicídio e força de sangue. Padre-nosso, ave-maria, oferecido às cincos chagas de Nosso Senhor Jesus. [...].
SANTA PELONHA - Trata-se de santa Apolônia virgem e mártirque também é conhecida por Polonha ou Pelonha – tratando-se de Apolônia de Alexandria que fez parte de um grupo de virgens mártires que padeceram em Alexandria, no Egito, durante um levante contra o cristianismo, antes da perseguição de Décio. De acordo com a lenda, durante sua tortura, teve todos os dentes violentamente arrancados e quebrados – padroeira dos dentistas e dos que sofrem com dores de dentes, conforme recolhido da obra Folklore médico-religioso: Santa Apolonia, abogada de la dentadura (Madrid, 1943), de Castillo de Lucas e personagem da comédia La Celestina, do século XV, de Fernando de Rojas, registrada no Dicionário do folclore brasileiro (Global, 2001), de Luis da Câmara Cascudo, e que possui oração corrente em todo o nordeste brasileiro. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Como abordar, ainda uma vez, as possíveis relações do estar junto? Misturando-se até a diluição? Afirmando limites e singularidades? Quais rituais, sacrifícios e acordos seriam necessários para a constituição de um coletivo, ainda que temporário? Que paisagens criar para Pindorama - nome indígena dado às terras brasileiras antes da chegada dos europeus? Ciclos de morte, transformação, vida.
PINDORAMA – O espetáculo Pindorama (2013), da Lia Rodrigues Companhia de Danças, criação da coreógrafa e artista Lia Rodrigues, que tem seu trabalhado reconhecido no Brasil e no exterior. Em entrevista ela expressou. Infelizmente nunca deixou de ser complicado trabalhar com arte e educação no Brasil. A situação melhorou bastante no início do governo Lula, mas ficou muito difícil no último ano, desde o golpe que colocou no poder um presidente deplorável, o Temer. Temos um ex-prefeito e um ex-governador na cadeia, para você ter ideia do desastre econômico e social que estamos vivendo. A ministra da Cultura disse que não vai mais dar dinheiro para festivais que mostram o nu. No Brasil, essa onda da direita é terrível, atinge todas as áreas, é uma situação seríssima, mas tem muita gente se mobilizando contra isso, o que é muito importante – é preciso estar muito atento e vigilante o tempo inteiro. É um boato que segue, que coloca artistas e pessoas que estão trabalhando há tantos anos em posições muito frágeis, muito difíceis. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A OBRA DE VIRGÍLIO
Há vários lobos dentro de mim, mas todos eles uivam para a mesma lua. Talvez um dia seja bom relembrar este dia.
A obra do poeta e filósofo romano clássico Públio Virgilio Maro (70aC-10aC) aqui, aqui, aqui e aqui.
 

segunda-feira, outubro 15, 2007

HEISENBERG, MONIQUE AUGRAS, PINKER, FAUSTO WOLFF, EDNA MILLAY, CLEÓPATRA, ANGELIKA KIRCHSCHLAGER, EUTERPE, LANFRANCO, NEUROCIÊNCIAS, PSICODRAMA, FECAMEPA: PINDORAMA &SARDINHA


FECAMEPA: DE PINDORAMA À CARTA DE CAMINHA - Dando prosseguimento ao FECAMEPA – Festival de Cagadas Melando o País, aos não sei mais que dias do ano da graça de mil e quinhentos e cipapau primeiro, a farra comendo no centro corria solta na maior farofada em Pindorama, ao som do verso de Virgílio que já havia virado sucesso na voz de Caetano Veloso, “Navegar é preciso, viver não é preciso”, quando lembraram lá pras tantas que já deviam ter informado à sua majetade el rei de Portugal da descoberta da grande ilha, a Ilha de Santa Cruz. Não, não era uma ilha, era a Terra dos Papagaios. Isso. Não, não era, era a terra d´além mar, do pau-brasil! Eita! Não, não era. Peraí, afinal o que era? Arre égua! Fala sério, que droga é nove? Era, depois de todas as nomeações cavoucadas possíveis e sequer imagináveis no quengo deles, enfim, o Monte Pascoal na Terra de Vera Cruz, pronto. Isto porque até o nome Brasil já existia há milênios e até que ele chegue em definitivo, muita água ainda vai heraclitamente rolar e já contei outra, tá? Definida então como Terra de Vera Cruz, Cabral revestido dos poderes de deidade corporificada mais sisuda e autorizada, afiando a lucidez antes que tomasse na tarraqueta, ordenou seu escrivão juramentado, oficial bastante nomeado, Pero Vaz de Caminha, que escrevesse em bom termo e forma apropriada à boa nova ao rei, lavrando a certidão de nascimento da terra descoberta (ou melhor, achada e invadida). Ih! O negócio começou a feder. Tanto é que com cara de poucos amigos e daquela expressão sei não, o tal Caminha fulo mais injuriado que as intrigas do Joaquim com Manuel, ficou matutando o que dizer, quase fundindo a cuca já imaginando os maus bofes do rei cheio das perguntas: - Sim, mas tem o que? Lá ia letargicamente escrevendo – ai, que preguiça boa! -, que a terra chã com grandes arvoredos, grandes em tudo, povoada por ingênuos índios todos uns pardos um tanto avermelhados com seus arcos e setas, nus de corpo e alma, de bons rostos (ui!), bons narizes, bem feitos (ai!), sem nada cobrindo as vergonhas e nem aí (uiuiuiuiui!!!).... - Sim e o que mais? -, já imagivana a peiticada do rei. Havia moças gentis dos cabelos compridos e muito pretos e que, cá pra nós, suas vergonhas são tão altas, tão cerradinhas e tão limpinhas das cabeleiras, cheirosinhas, gostosinhas, que, ave!... ah, são todas tingidas de baixo a cima de uma tintura colorida e certo era tão bem feitas e tão redondas das vergonhas tão graciosas... ah, maior trupé pro juízo do cristão!!!! - Ah, tá, sim, sim. E o que mais? Enfim, majestade, trocando em miúdos dos mais trocados que porventura possa deixar como prova dos nove, a terra “em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo”. Findo com um ponto final mais na marreta que na necessidade. Foi quando Américo Vespúcio meteu o bedelho tentando dar um outro ponto mais reticente na lenga-lenga: “Pelo visto, nessa terra não tem nada que se aproveite”. Ih! Já deu para sentir, né? Foi quizília por anos e décadas, séculos. E como uma cagada nunca vem sozinha, os tolotes redundaram aos pipocos e a torto e a direito. Pois foi. Enquanto arengavam pra saber o que tinha e o que não havia em Pindorama, os lusitanos nem se tocaram que o Brasil já existia antes mesmo de ser descoberto por eles. U-huuuuu!!! Isso mesmo, pois já estava sacramentado em tombo juramentado pelo Papa Eugenio IV que assinara já em 1445, a bula confirmatória das doações feitas ao príncipe D. Henrique pelos reis D. Duarte e D. Afonso V, quanto à jurisdição espiritual das conquistas religiosa e militar em favor da Ordem de Cristo, cuja sede, na época da descoberta do Brasil, já estaria situada na cidade de Thomar. Confusão dos diabos. Eita, porra! Aí, lascou. Perdeu completamente a graça, né não? Nunca que eu imaginasse que uma coisa já fosse dada por nascida antes mesmo de ser conhecida. Ou acho que é como a cornagem ao postulante à peruca de touro, este sendo o último a saber do seu próprio uso, quando toda paróquia nem levava mais a sério de tão comum se tornara. Ou seja, para mim, no frigir dos ovos, era o começo da maior roubada. E a pagação de mico fica mais evidente quando vem a comprovação de que, na vera, a coisa já era nascida mesmo e também conhecida por todos, menos por eles. Fodeu Maria-preá! E o pior que era mesmo! Provam isso Alonso de Hojeda e Vicente Ianez Pinzon, bem como os maíres que já vasculhavam tudo na região. Verdade, os franceses já eram íntimos dos daqui. Eita, pau! E como falei no antes deste, fenícios, vikings, celtas, iberos, gauleses, bretões, anglos, saxões, francos, germanos, neerlandeses e o escambau fizeram, pintaram e bordaram por aqui muito antes dessa besteirice portuguesa virar essa zona toda. Também não deixam por mentira o fato da existência do Tratado de Tordesilhas assinado entre as coroas de Portugal e Espanha em 7 de junho de 1494, partilhando as terras do Novo Mundo recém descoberto, incluindo o Brasil. Pois bem, conversa vai, enrolança vem, para desembananar tudo, ficou certo que os portugas tomariam conta da terra de Pindorama e fim de papo. Mas a confusão não finda por ai. Verdade, a cagada prossegue e vocês sabem quando é que surge, por que e qual a razão do nome Brasil? Não? Nem imaginam, né? Pois é, mais uma balbúrdia que explicará em parte todos coprólitos até agora constatados. Fica pra próxima. Ou melhor, mais embaixo. Enquanto isso, gente, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais FECAMEPA.

VEJA MAIS:
Episódios do Fecamepa aqui  e aqui.
A bicharada da enrolação aqui.
O esporte é espórtula aqui. 
Aprumando a conversa aqui.
A Fúria dos Inocentes aqui.
Kid Malvadeza aqui.  


Morte di Cleopatra, do pintor do Barroco italiano, Giovanni Lanfranco (1582-1647). Veja mais aqui e aqui.

Curtindo o álbum When Night Falls (Sony Records, 1999), da mezzo-soprano austríaca Angelika Kirchschlager.

PENSAMENTO DO DIA – Tudo que digo deve ser entendido não como uma afirmação, mas como uma pergunta. Pensamento do físico e Prêmio Nobel de 1932, Werner Heisenberg, laureado pela criação da mecânica quântica, cujas aplicações levaram à descoberta, entre outras, das formas alotrópicas do hidrogênio.

OBJETIVIDADE X SUBJETIVIDADE – [...] Do ponto de vista do conhecimento, a fissura entre objeto e sujeito não condena o pensador ao círculo vicioso da procura de uma “objetividade” situada fora do sujeito, nem à prisão de uma subjetividade alheia à realidade. Desemboca ao contrário na síntese que permite integrar, superando-a, a clássica oposição entre “subjetividade” e “objetividade”. Trecho extraído da obra O ser da compreensão (Vozes, 1996), da psicóloga francesa Monique Augras.

NEUROPSICOLOGIA E AS INTERFACES COM AS NEUROCIÊNCIAS – O livro Neuropsicologia e as interfaces com as neurociências, organizado por Eliane Correa Miotto, Mara Cristina Souza de Lucia e Milberto Scaff, reúne diversos autores e estudiosos que abordam questões como aspectos neuropsicológicos das afecções do sistema nervoso central, as base fisiológicas do sistema límbico e lobos frontais, aplicações da ressonância magnética funcional em neurociências, classificação das demências, doença de Alzheimer, taupatias, afasia progressiva primária, epilepsia, acidente vascular cerebral, distúrbios da fala e da linguagem, tratamento das manifestações não motora da doença de Parkinson, avaliação e intervenção neuropsicológica e psicológica em adultos, memória, neuropsicologia no contexto hospitalar, terapia comportamental cognitiva e esclerose múltipla, pseudo-epilepsia, reabilitação neuropsicológica, psicanálise, processamento auditivo, avaliação e intervenção clinica em crianças, transtorno do déficit de atenção, hiperatividade, avaliação do desenvolvimento da competência de leituras em ouvintes e surdos de escolas especiais e comuns, dislexia, novo paradigma de avaliação neuropsicológica na analise dos movimentos oculares e avaliação dos transtornos invasivos do desenvolvimento, avaliação dos problemas de aprendizagem, método ramain-thiers no tratamento do TDAH, bateria Nepsy na avaliação da dislexia do desenvolvimento, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIA: MIOTTO, Eliane; LUCIA, Mara; SCAFF, Milberto (Orgs.). Neuropsicologia e as interfaces com as neurociências. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. Veja mais aqui.

O INSTINTO DA LINGUAGEM – A obra O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem, de Steven Pinker aborda questões acerca do instinto para adquirir arte, tagarelas, mentalês, funcionamento da linguagem, palavras, os sons do silêncio, cabeças falantes, a Torre de Babel, o bebê nasce falando, órgãos da linguagem e genes da gramática, o Big Bang, os craques da língua, o design da mente, entre outros importantes temas. REFERÊNCIA: PINKER, Steve. O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2004. Veja mais aqui e aqui.

EUTERPE - Euterpe, em grego, é aquela que sabe agradar, presidindo a música e a invenção da flauta. Ao seu lado estão papéis de música, oboés e outros instrumentos. Veja mais aqui.

PSICODRAMA: CIÊNCIA E ARTE – No livro Moreno em ato: a construção do psicodrama a partir das práticas, de Anna Maria Antonia Abreu Costa Knobel, aborda temas como percursos existenciais e certo de constituição do eu, o teatro de improviso e drama da existência, demonstração estética da liberdade, os conflitos da atriz, efeitos do método, construção cênica do método psicodramático, a construção da sociometria, o jogo dos afetos, testes de espontaneidade, situação e role-playing, análise dos jogos espontâneos com foto na espontaneidade, nas situações e nos papéis, o psicodrama clínico, o método psicodramático, processo de reorganização psicodramática do paciente, o grupo, as questões do debatedor e as respostas de Moreno, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: KNOBEL, Anna Maria. Moreno em ato: a construção do psicodrama a partir das práticas. São Paulo: Ágora,2004. Veja mais aqui.

A MENINA – [...] Ela era bela, prendada e virgem, como se esperava numa época em que a pílula anticoncepcional ainda não fora adicionada ao menu da burguesia. Ele também fazia o que dele se esperava, ou seja, nada. Era um playboy rico e ignorante que havia abandonado a universidade e vivia em bordeis e boates; um homem de direita como o seu pai, e que no futuro viria a ser uma autoridade menor da ditadura militar que assolaria o Brasil. [...] De Eduarda se esperava que seguisse os pais da mãe, e de Roberval, os do pai. Tanto o pai dela quando o dele faziam gosto, pois o casamento dos filhos lhes era conveniente. Amor? Dihamos que ela o atraía, pois era bonita e bem feita de corpo. Mas o que um rapaz de 28 anos, com dinheiro no bolso, acostumado com artistas argentinas e prostitutas polonesas, uma amante fixa – moda da época – e garçonière, poderia achar de interessante numa virgem inexperiente? Ela, por sua vez, já despachara vários pretendentes, mas como o príncipe encantado com o qual sonhara não aparecia, deixou-se cortejar pelo rapaz baiano. Se não era bonito – um nariz excepcionalmente grande e tão peludo que só não tinha cabelos nas unhas – era másculo e divertido. Casaram-se com pompa e circunstancia na Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, e foram passar a lua-de-mel em Punta del Este. Para Eduarda a primeira experiência sexual foi dolorida, triste, e nada excitante. Para Roberval, acostumado à expertise das profissionais, uma obrigação a ser cumprida. Dessa falta de amor, dessa egoística manipulação a dois, resultaria Lisa, nove meses mais tarde. Menos de uma semana depois, Eduarda encontrou o marido conversando com uma mulher num dos jardins do hotel. Tratava-se da amante do playbloy, que seguira o casal e se hospedara no mesmo hotel.  Na mesma noite em que Lisa foi concebida, com a desculpa de ir ao cassino, Roberval meteu-se na cama da amante onde ficou quase até o amanhecer. Dividiria as próximas duas semanas entre as duas camas. Eduarda só viria a saber disso mais de um ano depois [...]. Apesar das objeções de ambas as famílias, Eduarda tomou a única atitude corajosa e independente da sua vida: desquitou-se do marido e foi morar com a filha num apartamento em Copacabana. Arranjou um emprego de secretária e um auxílio mensal do pai, pois do ex-marido não queria nada. Quase trinta anos mais tarde, Lisa, de lindos, tristes olhos castanhos (como a mãe, casaria com um jovem que tinha uma amante à época do casamento; como a mãe, teria uma filha; e como a mãe, se desquitaria em seguida) diria a um namorado. – Não tenho inclinação nem jeito para ser feliz. [...]. Como Eduarda não aparecera, uma das freiras arranjou-lhe, à última hora, calcinhas brancas de uma menina um pouco maior, de modo que o elástico não prendia bem em volta da cintura. Mas Lisa estava muito feliz – sua mãe deveria estar escondida em algum lugar da plateria – para se preocupar com isso. Quando, finalmente, dançava contente na ponta dos pés com as outras libélulas, suas calcinhas caíram. Na pressa de levantá-las, acabou tropeçando e se viu no chão. As outras meninas continuaram dançando. Segurando as calcinhas com as mãos e tentando acompanhar as outros, provocou o riso da plateia. Fosse menos triste, fosse mais amada, fosse a filha querida que ansiava ser, não teria se importado com as gargalhadas. Afinal, nós adultos sabemos, não riam dela, mas da cômica situação que dera alguma graça à chatíssima apresentação. [...] Pararam num restaurante para almoçar, onde Eduarda encontrou alguns amigos do Iate que a convidaram para a mesa deles. – Lisinha, por que você não vai tomar um sorvete enquanto a mamãe conversa com os amigos dela? Lisa foi, daquele seu jeitinho sério e decidido. Sabia que só podia confiar nela. Fora traída pelo pai e pela mãe ao mesmo tempo. Seu coraçãozinho se encheu de medo e o medo se transformou em rancor. Sim, agora ela estava preparada para o mundo. Preparada para duvidar. Preparada para fazer sofrer a quem quer que ousasse amá-la. Trechos extraídos da obra Melhores contos (Global, 2007), do jornalista e escritor Fausto Wolff (1940-2008). Veja mais aqui.

NÃO ME LAMENTEIS – Não, não me lamenteis porque a luz deste dia / já próximo do fim não anda mais no céu. / Nem porque a beleza ao passar me fugia / pelos campos, no bosque enquanto o ano correu. / Não, não me lamenteis porque é imigrante a lua / porque vão-se as marés no oceano sem fim, / porque o humano desejo após chegar recua, / porque não mais olhais com o mesmo amor para mim. / Sempre soube senhora o amor – não me admira / é florada que a brisa arrasa num momento / não mais que o vagalhão que sobrer a praia atira / destroços do naufrágio apanhados do vento. / Não, não me lamenteis porque só tarde sabe / o nosso coração do que na mente cabe. Poema da poeta lírica e dramaturda estadunidense Edna St. Vincent Millay (1892-1950).



Veja mais:
Os índios caetés, Plauto, Montserrat Figueiras, Teatro Francês, Miklos Mihalovits, Acmeísmo, Paulo & Virgínia, Luis Mandoki, Jennifer Lopez, G Linsenmayer & Débora Novaes de Castro aqui.  
Arthur Schopenhauer, José Cândido de Carvalho, Victor Brecheret, Johann Nikolaus Forkel & Bestiário Alagoano de Iremar Marinho aqui.  
Big Shit Bôbras, Mike Featherstone, Machado de Assis, Bocage, Pablo Picasso, Milton Nascimento, Visconde Taunay, Alessandra Maestrini, Julia Broad & Maria Martha aqui.  


CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja aqui e aqui.

CANTARAU TATARITARITATÁ
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.
 

 

GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...