terça-feira, julho 11, 2017

BERTRAND RUSSEL, DORIS UHLICH, LAURA KNIGHT, LEILA PINHEIRO, LUIZ MELODIA, MARISA MONTE & JARDS MACALÉ.

O RATO, A COTIA E O CACHORRO – O rato Quejino andava folgado pra cima e pra baixo, depois que chegara de São Paulo carregado de gírias e modas. A cotia Rosmivilda logo deitou simpatia pras bandas do roedor, o que levantou ciumeira no delegado de polícia, o cachorrão Mauzão, que se dava por pretendente arreado de paixão pela prendada roedora. Deu-se então da autoridade policial investir pesado nos intentos, o que restou infrutífero, vez que a bandoleira já estava de braços, pernas e saias agarradas no cotovelo do Queijino, prometendo paixonite aguda aos beijos e afagos em casamento ainda não marcado. Um verdadeiro golpe nas pretenções de Mauzão que passou a se arrastar pelos cantos, todo encolhido e sem vontade pra mais nada na vida. Nem adiantou o tigre juiz de direito, nem o macaco escrivão, muito menos o burro advogado sacolejarem pra levantar os ânimos do coitado, tanto que ele nem se deu conta dos flertes da jeitosa filha da preguiça promotra de justiça. – Esse parece que está perdido mesmo -, disse o juiz. – Enjeitar minha filha, como é que pode? -, reclamou magoada a preguiça promotora. Mas, destá. O tempo passa e no meio do idílio, a cotia descobre que o Quejino estaba enrabichado com a catita Juanita, lá pras bandas do outro lado da cidade. A situação esquentou e o pau comeu: as duas entraram em guerra! E o rato, sabido que só, pés na bunda, pernas pra que te quero. No meio do bafafá apurou-se que a Juanita estava certa e de data marcada pro casório com ele, quando a Rosmivilda bafejou que estava embuchada de filhote dele pra dali poucos dias rebentar. Como é que é? A bomba sacudiu todo lugar e redondeza. Cadê aquele filho duma ratazana? Procuraram por ele, o lugar mais limpo. Foram então ter com o delegado Auzão que levantou as orelhas e partiu com um destacamento pesado à caça do fugitivo. Depois de luas e sóis na pisada, acharam o presepeiro solto na gandaia. Quando ouviu a voz de prisão, o danado quis correr, mas foi pego pelo rabo e arrastado até a presença das querelantes. Acunhado por tabefes e tapas por ambas ofendidas, findou quase morto na prisão. Foi aí que a catita revoltou-se de não querer mais vê-lo nem pintado a ouro, e a cutia teve um troço e abortou. Nessa hora o Auzão socorreu a Rosmivilda pro pronto socorro, enquanto que a jeitosa filha da preguiça mortificada de ciúmes, peiticou com a mãe promotora para mandar soltar o Quejino. E tanto fez que conseguiu até ganhar a simpatia do rato aprisionado. Enquanto o Auzão cobria de cuidados a cotia enferma, logo ela se enamorou da autoridade e firmaram casamento pra dali alguns dias. Por conta disso, a preguiça filha passou a cuidar com atenção redobrada do rato no seu esconderijo e logo misturaram pelos e patas de findarem entrelaçados pelos vínculos do amor. Depois de tantos entreveros, cada um o seu caminho, não se sabendo, ao certo, se foram felizes pra sempre, o que é muito pouco provável, afinal, ninguém sabe, não moram mais pela redondeza pra evitar brigas e dresgraças de rixas antigas, além do  mais muito tempo já passou. Por isso o amor é lindo e paz na Terra os bichos de boa vontade! Entrando pela perna de pinto, saindo pela perna de pato, o que já é outra história porque já é outro fato. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

O ELOGIO AO ÓCIO DE BERTRAND RUSSEL
[...] A moral do trabalho é a moral de escravos, e o mundo moderno não precisa da escravidão. [...] Porque o trabalho é um dever, e um homem não deveria receber salários proporcionalmente ao que produz, mas proporcionalmente à virtude demonstrada em seu esforço. Esta é a moral do Estado escravista, aplicada em circunstâncias totalmente diferentes daqueles na qual surgiu. Não é surpresa que o resultado tenha sido desastroso. [...] O uso sábio do lazer, deve-se conceder, é produto de civilização e educação. Um homem que tenha trabalhado longas horas a vida inteira fica entendiado se se torna subitamente ocioso. Mas sem considerável quantidade de lazer um homem é privado de muitas das melhores coisas. Não há mais nenhuma razão para que a maior parte da população sofra dessa privação; somente um ascetismo tolo, geralmente paroquiano, nos faz continuar a insistir em excessivas quantidades de trabalho agora que não há mais necessidade. [...] Em um mundo em que ninguém seja compelido a trabalhar mais do que quatro horas por dia, todas as pessoas que possuíssem curiosidade científica seriam capazes de satisfazê-la, e todo pintor seria capaz de pintar sem passar por privações, qualquer que seja a qualidade de suas pinturas. Jovens escritores não precisarão procurar a independência econômica indispensável às grandes obras, para as quais, quando a hora finalmente chega, terão perdido o gosto e a capacidade. Homens que, em seu trabalho profissional, tenham se interessado em alguma fase da economia ou governo, serão capazes de desenvolver suas idéias sem a distância acadêmica que faz o trabalho de economistas universitários freqüentemente parecer fora da realidade. Médicos terão tempo para aprender sobre o progresso da medicina, professores não estarão lutando exasperadamente para ensinar por métodos rotineiros coisas que aprenderam na juventude, que podem, no intervalo, terem se revelado falsas. Acima de tudo, haverá felicidade e alegria de viver, ao invés de nervos em frangalhos, fadiga e má digestão. O trabalho exigido será suficiente para tornar o lazer agradável, mas não suficiente para causar exaustão. Uma vez que os homens não ficarão cansados em seu tempo livre, eles não exigirão somente diversões passivas e monótonas. Ao menos um por cento provavelmente devotará o tempo não gasto no trabalho profissional para objetivos de alguma impotância pública e, como não dependerão destes objetivos para viver, sua originalidade não será tolhida, e não haverá necessidade de adaptar-se aos padrões estabelecidos pelos velhos mestres. [...].
Trechos de Elogio ao ócio (1932 – Sextante, 2002), do filósofo, matemático e pensador inglês Bertrand Russel (1872-1970). Veja mais aqui e aqui.

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MAIS DO QUE NUA DE DORIS UHLICH
Projeto Mais do que nua (2012), oficina da premiadíssima dançarina e coreógrafa austríaca Doris Uhlich no ImPuls Tanz, Festival Internacional de Dança de Viena. (Imagem: fotos de Andrea Salzmann/Theresa Rauter). Veja mais aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especial com Leila Pinheiro do Brasil & Reencontro: cantando Gonzaguinha & Ivan Lins; Luiz Melodia ao vivo Convida & Maravilhas Contemporâneas; Marisa Monte Diariamente & grandes sucessos; e Jards Macalé Real Grandeza. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A ARTE DE LAURA KNIGHT
A arte da pintora inglesa Laura Knight (1877-1970).

ÍTALO CALVINO, WILLIAM BLAKE, WORDSWORTH, SUZANA ALBORNOZ, SOLIDARIEDADE & LIBRAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A QUEM INTERESSAR POSSA – Aprendi a ver na escuridão, a luz restava dentro de mim como um minúsculo pavio aceso, mostrando o fim do túnel ...