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domingo, outubro 23, 2022

ADELA CORTINA, SONIA HERNANDÉZ, TRUDI CANAVAN, JANETE LINS & PINTANDO NA PRAÇA

 

Ao som dos álbuns Desconhecido (Independente, 2011), Ó (YB Music/Natura, 2016) e Folhuda (Circus, 2019), da instrumentista, cantora e compositora Juliana Perdigão.

 

TRÍPTICO DQP: - Mãe caeté, malunguinho sou... – Ah, do quilombo onde nasci as cinzas, estou no esconderijo da Cova da Onça saboreando a Jurema Sagrada: Caboclo índio, índio africano /Caboclo índio da Jurema. Êhô! Nenhum festejo e algo me assalta. Coisas que não entendo, voo por desvendar, tal Sonia Hernandéz: Tudo o que não entendo me move, o que é muito. Leio e escrevo para entender as coisas e assimilá-las. É a minha forma de pensar, o resto é deixar-se arrastar. Assim sou, minha mãe. Não sei se ficou sabendo: a cabeça a prêmio e altas recompensas porque fugitivo do que não sei, escapando das manobras de tropas tão imperiais pelas clareiras primaveris. O que sei é que todos os meus estão sendo caçados e fogem da escravidão. E o que somos, todos caetés e bantos que se valem do Malunguinho, companheiro quimbundo, marinheiro congolês, o líder do Catucá. Foi ele que me deu a Acácia Jurema e, com isso, ganhei dos meus ancestrais a sabedoria com a trindade de Mestre, Exu e Caboclo. Ô Malunguinho, onde estás? Malunguinho, vem pra cá. Para quem vejo peço que me diga lá as novidades, quem somos e que fim levou João Batista da Cabanada, cadê João Pataca dos batuques e o séquito das mulheres. Cadê João Bamba e os cento e tantos outros rebelados: nada, como sempre, esclarecido. Só escuto Trudi Canavan repetidas vezes: Há sempre um pouco de verdade em cada boato, o problema é descobrir qual... A sabedoria e o conhecimento estão em toda parte, mas a estupidez também... Tudo como se antes fosse agora e o grotesco respira sua aporofobia fungando no cangote da nossa desgraça, sou ressurreto Zumbi pelos Palmares dagora...

 


Escritos esparsos no meio da diáspora... – Imagem: arte do gravador, desenhista e pintor Lívio Abramo (1903-1992). - Meu coração Goeldi, minha solidão de Debord: a espetacularização & o cansaço. Entre vozes, Adela Cortina me chama atenção: Devido à crise, percebemos que por falta de ética, o dinheiro foi para muitos lugares e trouxe sofrimento, principalmente para os mais vulneráveis... Nenhum país pode sair da crise se o comportamento imoral de seus cidadãos e políticos continuar a proliferar impunemente... Esta a vez da aporofobia, lembrando Ortega y Gasset: O homem é a sua circunstância. Alguém reitera e não sei quem é: como confiar numa pessoa que não gosta do que os outros escolhem ou gostam como se tivessem seus interesses contrariados. Há quem bata o pé: não há alternativa. E por que não? Ao menos era mais um doido observando outro pretendente à normalidade, ou melhor, normose. Se tudo está invertido, talvez o outro lado do inverso, quem sabe, lá tenham razão, enquanto lacerado sei que tudo passa. Quem ainda ousa isso nesse calor? Até depois de mortos há quem deixe conflitos por resolver. Quando não o desfile daqueles que formam a pútrida legião de descarados, com a obra-prima do mau gosto, afora dar importância desmedida ao dinheiro, ué! Ninguém sabe de Lin Yutang: A vida social só pode existir na base de uma certa dose de mentiras refinadas e de que ninguém diga exatamente o que pensa. Quase me permite uma licença poética, Felizberto Hernández: Não creio que deva escrever apenas sobre o que sei, mas que devo escrever também sobre os outros... E lá vou eu com as diversas maneiras de atrair o desastre e o fracasso, não mais que dois dedos de largura por espaço e me descubro mero diletante como se fosse uma constelação de nada.

 


Pintando na praça... - E ontem mais que um sábado inteiro agora, outra vez felizmente uma manhã ensolarada, propícia para récita da Criação de Vinicius. Tela, pincéis, cavaletes a postos, a mãe caeté renascendo na minha solidão. A primeira saudação foi da lindamiga Sil Neves que me trouxe notícias do maridamigo e do filho maestro-Marwin. E a gente Pintava na Praça com a meninada estudantil esfuziante que alvoroçava a praça diante da exposição no anfiteatro. Foi bom rever Emerson do Barro moldando fisionomias, o parceirirmão Zé Ripe solto nas artesanias, enquanto a anfitriã Nalva sorria com a mão na massa da oficina, ao lado do mestre Celso Madeira de Igarapeba. Alexandre Freitas me peitou pra câmara do seu canal virtual, vamolá. Nem deu pra conversar direito com João Paulo às providências & Mary & Sheila mangando dum e doutro do povo passante. Ana Paula veio de Xexéu para me mostrar a casa da sua infância, boas lembranças aquelas da Rua Nova. Amigos dantanho contava lorotas e pisoteios de idos e acontecidos. O esplendor do casal AG – marimbondamigos do coração – ensolarava de afagos meu coração. E mais de uma vez vi Profeta com a satisfação do dever cumprido. Estamos sempre juntos. (Veja fotos e registros do evento aqui). Até mais ver.

 


[...] É suficiente lembrar que ingressamos no terceiro milênio com novas demandas de formação e de conhecimento requeridas pelas mudanças sociais em curso., sem sequer termos assegurado direito à escolarização fundamental de qualidade para a maioria da população, o que exemplifica tanto a permanência como o agravamento dos níveis de desigualdade social historicamente imperantes entre nós. Essas mudanças, elas próprias causadoras dos perversos níveis de desigualdades, ao atingir toda a realidade social, fazem com que os seus reflexos atinjam os processos de produção do conhecimento científico. [...].

 Trechos extraídos da obra A educação como política pública: polêmicas do nosso tempo (Autores Associados, 2001), da professora Janete Maria Lins de Azevedo. Veja mais Educação & Livroterapia aqui e aqui.

 


segunda-feira, maio 11, 2020

ORTEGA Y GASSET, MARLENE ALMEIDA, MANOEL VEIGA, MARLYE FERREIRA, YUTO KANAZAWA & JESSICA LANG


SAUDADES DO BRASIL – UMA: MINHA TERRA DESTROÇADA – Meu país é uma bandeira aos farrapos e os mortos gemem na minha alma. Na minha solidão de Cervantes procuro compreender as coisas deste mundo, não pela aparência, além da forma, cor, da minha para a essência silenciosa e íntima de cada coisa. Lá distante ouço o eco de Rubem Fonseca: Tinha muitas ideias na cabeça, e isso me atrapalhava. Os melhores conferencistas são aqueles de uma única ideia. Os melhores professores, os que sabem pouco. O homem é um animal solitário, um animal infeliz, só a morte pode consertar a gente. E me refaço a cada dia no teor da esperança distante. DUAS: AOS PINOTES ESCAPANDO DA HIPERNORMALIZAÇÃO - Eu sou só a vontade interminável de amar porque foi o amor que fez e assim voo a vida. Ainda é anoite quando amanheço e a multidão aflita é a minha voz, todos os sonhos que posso tê-los me levam de braços dados com todos nesse momento de tamanha sofreguidão. Não acredito em quase mais nada, mentiras demais forjadas pela hipernormalização geral. No meio dessa balbúrdia escuto Camilo José Cela: O mal dos que creem serem os donos da verdade é que quando precisam demonstrá-lo não acertam uma. Os erros do Planalto Central doem na minha carne e de todos os meus. TRÊS: QUANDO A MENTIRA É VENDIDA COMO VERDADE LÍQUIDA & CERTA - Desinventei os sonhos depois de ver gente que nem parece, só um ser qualquer preso ao umbigo e que desconhece o meu povo e acha que a verdade é trucidar violentamente o contrário e impor sua raivosa vontade sobre os demais, que coisa mais absurda! Preciso reinventar tudo, minhas esperanças estão sendo reprimidas a contragosto. Sirvo-me da lição de Krishnamurti: A verdade não pode ser trazida para baixo; é o individuo que deve fazer o esforço de ascender até ela. Assim vou, até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Civilização é, antes de mais nada, vontade de convivência. Cultura é o sistema de ideias vivas que cada época possui. Melhor: o sistema de ideias das quais o tempo vive. A cultura é uma necessidade imprescindível de toda uma vida, é uma dimensão constitutiva da existência humana, como as mãos são um atributo do homem. Pensamento do ensaísta, jornalista e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955), principal expoente do perspectivismo e da teoria da razão vital e histórica, que possuía o objetivo filosófico de encontrar o ser fundamental que é radicalmente diferente de qualquer ser contingente ou intramundano, no todo. Veja mais aqui e aqui.

A MÚSICA YUTO KANAZAWA
A música do guitarrista/baixista japonês Yuto Kanazawa, que já lançou o álbum Earthwards (2013) e Utopia (2017), frequentou o Koyo Conservatory Kobe e executa os mais diversos gêneros desde jazz, funk, fusão, gospel e música latina.
&
A MÚSICA DE MARLYE FERREIRA
Pequena ouvi dizer,/ Jamais poderei me esquecer / A vida não é só lazer, a fêmea é que faz acontecer. / Seguindo essa concepção, pra mulher parir é missão. / Pois carrega vida no ventre, nutre o amor no coração. / Pequena ouvi dizer, com o tempo irás conceber / Atente ao presente plantar pra futuramente colher. / Seguindo essa concepção, o Futuro está em suas mãos. / Sendo mãe da humanidade, és a mestra em doação. / Pra sorver a sopa de colher, com sabedoria e distinção. / Percebes que és construção, faça acontecer mulher. / Seguindo essa concepção, a espécie está em evolução, / Representante da liberdade, jamais aceite humilhação
MARLYE FERREIRA – A arte da cantora e escritora Marlye Ferreira ou Marlye Cantora, que já publicou os livros Recordar, trazendo de volta ao coração conta a história de duas mulheres que lutam pela sobrevivência de forma espetacular; Escrito na pedra, um romance intrigante que aborda questões sociais importantes do Brasil, como raça, gênero e a representação social do futebol, de forma crítica e reflexiva; e participa da antologia Alma, do Projeto Identidade. A sua profissão de fé: A mulher guerreira não está na revista no auge da fama, nem em uma vez que aparece na mídia, mas a sua valentia está arraigada no interior de toda gente feminina. De onde vem a força das mulheres valentes? Você pode passar anos ou uma vida inteira com esse lado adormecido, mas a nossa força está sempre aqui dentro de nós e dá o ar de sua graça quando necessário. Há fases que são passadas e não são reconhecidas como tais. Escrevo e canto para salvar essas experiências, para que tenham em atenção o crescimento significativo para todas as mulheres. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Para o artista não dá para dizer o que é centro e o que é margem, somos todos margem, ou somos todos centro, dependendo do ponto de vista. Na margem ou centro, sempre me sinto acolhida ou luto por isto.
MARLENE ALMEIDA - A arte da artista plástica e restauradora Marlene Almeida, que é formada em Filosofia pela UFPB, onde também fez cursos de Desenho, Pintura e Escultura na coordenação de extensão. Ela é uma das fundadoras da Associação Cultural José Marti e integra o Comitê Paraibano Memória, Verdade e Justiça, organização que atua na defesa da memória das pessoas perseguidas pela Ditadura Militar brasileira (1964-1985). Veja mais aqui.
&
A ARTE DE JESSICA LANG
A arte da ilustradora, fotógrafa e designer Jessica Lang. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte do pintor, fotógrafo, professor e ilustrador Manoel Veiga aqui.
A poesia de Ascenso Ferreira (1895-1965) aqui.
Corrupção, ética e sociedade, do advogado e economista Roberto Cavalcanti de Albuquerque aqui.
A música de Geraldo Azevedo aqui e aqui.
A arte da pintora, desenhista, gravadora e escultora Guita Charifker (1936 - 2017) aqui & aqui.
Os buzuntões de Catuama aqui.
Poetas de Pernambuco aqui.
 

quinta-feira, outubro 18, 2018

ORTEGA Y GASSET, NELSON FREIRE, VALÉRIA SOTO, POEMA DA VIDA, COLETIVO 13, CYANE PACHECO & DISCURSO DA PURA RAZÃO


CONVERSA DE ELEITORES – Imagem: arte da artista plástica e ilustradora Valéria Rey Soto - Opa, tudo bem? Hem? Tudo bem? O quê? Como é mesmo seu nome? Ah, Zé Fulano. Muito prazer, sou Zé Beltrano e sou sua salvação. Como? Você é parente do Zé Sicrano? Não. E do Zé Outrano? Também, não. Ah, pois pensei que vocês eram parentes, tão parecidos. Não, não tenho nada com esses seus pariceiros aí, sou Zé Fulano dos Fulanos da Silva. Sim, pois bem, estou aqui para lhe salvar. Como assim? Sou da Igreja da Salvação... Nunca ouvi falar! É uma igreja nova, criada pelo meu pastor que, um dia, quase morrendo afogado num açude cheio de piranhas assassinas, Jesus salvou-lo e determinou que ele salvasse a gente e o mundo todo. Hem? Num brinca. Verdade, o meu pastor é a pessoa mais séria que há no mundo. Tô vendo seus pés... Por ordem de Jesus, o meu pastou me salvou e me deu o poder de Jesus para salvar você também. Vôte! Estou aqui para providenciar o seu batizado. O quê? O seu batizado consiste em você votar nesse candidato aqui nesta eleição. Peraí, mermão, primeiro: sou batizado na igreja do padre Quiba... O padre Quiba também está pedindo votos para este candidato aqui, é um movimento ecumênico em nome deste abençoado de Jesus que governará em nome de Jesus! Eita, peraí, véi, calma aí com o andor, primeiro: que mesmo sendo batizado na igreja do padre Quiba, eu não vou lá desde esse dia e agora estou propenso a me ligar à igreja do Padre Bidião... Ah, isso é o inferno, um vitupério! Jesus mandou-me para salvá-lo! Por isso mesmo eu estou aqui para lhe salvar e é só votar neste candidato que você está praticamente batizado na minha igreja. Nunca vi tão fácil? É obra do senhor Jesus, a salvação da humanidade. Peraí, mostra aí a lata desse teu candidato... É este aqui, pode guardar, está aí com foto e número dele, vamos elegê-lo em nome de Jesus! Você tá doido, tá? Hem? Endoidou, foi? Por quê? Oxe, esse febrento aí é inimigo do povo e matador de gente que só, um coisa que se diz aí de nazis ou facis, coisa assim que nem sei dizer direito, mas sei que pedra ruim que botou pra arrochar nos nordestinos, quer botar pra foder nos gays, quer lascar os pretos nossos irmãos, quer empiorar a vida dos pobres, isso é um repratrás tão miserável que quem for na onda dele vai conhecer o capeta virado na peste! Que é que isso, irmão! Oxe, esse cabra aí é uma granada pronta pra explodir na mão, cheio das metralhadoras e pronto pra mandar pro saco qualquer um que ele ache que tá fazendo careta! Calma, irmão, não é nada isso. Como não? Um dia eu chamei de irmão um da tua laia e ele perguntou se eu era da igreja dele, eu disse que não, e ele disse na minha lata que eu não era irmão dele, que os irmãos dele são só os da igreja e agora, tu com essa cara de marmota, me chama de irmão? Nem lhe conheço e chega todo adiantado, pá daqui, pá dacolá e ainda quer que eu me batize com uma lasqueira dessas? Meu irmão, em nome de Jesus a sua salvação está encaminhada e eu sou o portador para salvá-lo. Olhaqui, véi, eu posso ser analfabeto, mas não sou doido nem burro pra comer capim, meu! Calma, irmão, se você não aceitar a salvação, irá pro inferno queimando pra sempre. Ah, é? Então, vai tomar no toba e vê se acha um prativai gangrenado de asa aí bem ineivado para sentar esse furico aí, meu! Que é que é isso? Vai te lascar, porra! Onde já se viu, ora! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] O homem, cada homem, tem que decidir a cada instante o que vai fazer, o que vai ser no momento seguinte. Essa decisão é intransferível, ninguém pode substituir-me na faina de me decidir, de decidir minha vida. [...].
Trecho extraído das Obras completas – V.12 - Em torno a Galileo (Alianza, 1994), do filósofo e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955), que em outro volume de suas obras, tratando sobre Los problemas nacionales y la juventude – V.1 (Alianza, 1990), considera que [...] Cada qual faz o que é capaz de fazer, mas sua capacidade depende completamente de sua preparação: isto nos obriga a manter desperta a consciência de nossa solidariedade com as forças e até com os vícios do passado [...], como também na obra La pedagogia social como programa político (Alianza, 1990), expressa que: [...] O problema da pedagogia não é educar o homem exterior, o anthropos, e sim o homem interior, o homem que pensa, sente e quer [...] O pensar é um monólogo e o monólogo não é originário, e sim a imitação de um diálogo, um diálogo de uma só dimensão [...] Socializar o homem é fazer do trabalho uma magnífica tarefa humana, pela cultura, onde a cultura abarca tudo, desde cavar a terra até compor versos [...]. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica e ilustradora Valéria Rey Soto.
Veja mais aqui.

POEMA DA VIDA
Art By LAM

COLETIVO 13 
Arte da artista visual Cyane Pacheco.

AGENDA
Peça teatral Discurso da Pura Razão – 26/10, 20h, Teatro Cinema Apolo – Palmares – PE & muito mais na Agenda aqui.
&
Serra do Quati, Capoeiras, Hermilo Borba Filho, Jessie Boucherett, Luiz Berto, Pintando na Praça & Paulo Profeta, Nelson Freire, Maria Bethânia, Felipe Coelho & Ceumar aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do pianista Nelson Freire interpretando Momoprecoce & Bachianas Brasileiras 4, de Heitor Villa-Lobos, Piano Concerto de Schumann & Concerto nº 2 de Chopin & muito mais nos mais de 2 milhões & 700 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.


quinta-feira, outubro 19, 2017

VINICIUS, MIGUEL ASTURIAS, ORTEGA Y GASSET, CAMILLE CLAUDEL & RICHARD MARTIN

IARA, IARAVI – Um dia Fiietó se apaixonou. E ele com a sua força e firmeza no braço, altivez de porte e agudez de vista, dominava a mataria brava, seguindo a caça e afrontando o inimigo, aremessando o arco de sua flecha certeira cortando as carreiras ou os pulos dos animais, abatendo o voo de carniceiros, estava perdidamente apaixonado. Justo aquele que ao vogar sobre as águas silenciosas do Una, velejava alteroso, braços abertos e, ao passar junto ao barranco do rio, as brisas folionas sacudiam os galhos e derramavam uma chuva de flores sobre seus cabelos negros e todos os peixes, pássaros e demais seres viventes das profundezas e das margens fluviais, saudavam-no nas suas peripécias. Justo ele, estava enamorado. Por conta disso, todas as tardes a sua canoa aparecia no poente, seguindo solitário pelas sombras da noite adentro, pescaria essa que todos interrogavam pela vigência dos fantasmas noturnos saltarem das profundas dos infernos para atomentarem seres viventes que jaziam medrosos escondidos nas suas moradas. Indagavam do intrépido Fiietó se não ouvira os temerosos presságios pelos ventos gemedores com suas dores que matam, ele quase nem ouvia sua mãe aos prantos pela audácia do filho de desafiar os gênios malignos que se aproveitavam da indomável juventude de suas presas nas horas mortas. Contavam pra ele histórias repetidas vezes de quantos não houveram encontrados insones com seus olhos fundos e tristes, cotovelos fincados nos joelhos, pernas pendentes da rede selvagem, aprisionados pela má sorte, pungentemente hipnotizados na escuridão. Até sua mãe lamentava com enternecidas palavras, meu filho, não vejo alegria nos seus olhos, só vagos gestos de quem fora picado no coração, aquele a quem as moças admiravam, os velhos e guerreiros festejavam as astúcias com seus cantos entoando seu nome que um dia gozaria supremo na mansão dos bravos. O que está havendo, meu filho? Estou amando, mãe, quero encontrá-la. Não me diga que é a Iara! Mãe, quero encontrá-la. Não, meu filho, a Iara não, ela envenenou seu coração? Mãe, eu a vi, eu a vi, mãe, boiando em flor, linda como a lua nas noites claras, eu vi, mãe, os cabelos de flores, brilho do Sol, era ela, mãe! Meu filho! As suas faces, mãe, são formosas que ninguém jamais viu! Ela olhou pra mim, mãe, estendeu-me os braços, repartiu as águas e me levou encantado pelas estrelas do céu. Meu filho! Foge, meu filho, foge! Aquela que você viu é a Iara, aquela que canta a agonia e dos seus olhos só a morte espia. Mãe, eu vi, é linda! A mãe chorava a perda de filho tão valoroso. Não vá, meu filho, fuja, fuja enquanto pode, foge da Iara. E ele resoluto, pisou na água e começou a deslizar mansa e tranquilamente, estava decidido, estava verdadeiramente apaixonado. E todos na tribo caeté viram-no passar como quem vai pescar nas trevas. E seguia sozinho no espelho das águas. Logo depois, ouviam-se gritos: Vem ver, gente! Vem ver, corre, gente, vem ver! Todos pararam atônitas à beira do Rio Una, Fiietó fendendo as águas, braços abertos como se fosse voar, quando surgiu ao lado do jovem guerreiro, enlaçando-o a beijá-lo, completamente ensolarada com sua majestade e corpo harmonioso coroado por sua beleza indescritível de tão grandiosa maravilha, cabelos esvoaçantes e a jurar de amor por ele, aquela que cativara o seu coração. A Iara! É ela, a Iara! Todos gritavam estupefatos com a cena, em uníssono: É Iara! É ela mesmo! E todos correram para acompanhar o trajeto do casal que iluminava todos os arredores, escondendo-se para não serem flagrados pela deusa. Dali mais um pouco, Fiietó abraçou-a e beijaram-se ardentemente, provocando faíscas, relâmpagos e trovões vindos dos céus e retumbando por toda redondeza. Beijavam-se e o amor celebrava a festa dos amantes, enquanto os nativos fugiam para mais distante, amedrontados com a cena e tudo que acontecia. Era Iara, na verdade, era Iaravi, a índia caingang que é bela como as frescas manhãs de Sol nas águas do Una, transformada em Iara para demonstrar o seu amor e para ser aquela a quem Fiietó, perdidamente apaixonado, jurava morrer de amor. (Recriação a partir de A Iara (Selva, 1947), de Afonso Arinos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor e compositor Geraldo Azevedo: De outra maneira, A luz do solo, Inclinações musicais, Adoro você & Tanto querer; da pianista e compositora Fernanda Chaves Canaud interpretando Radamés Gnatali & Lua Branca de Chiquinha Gonzaga; do compositor e educador musical Mario Ficarelli: Parasinfonia, O poço e o pêndulo & Tempestade óssea; da cantora Joan Baez: Al star 75th Birthay Celebration Live, Live Concert & Line in the New York. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAO importante é a lembrança dos erros, que nos permite não cometer sempre os mesmos. O verdadeiro tesouro do homem é o tesouro dos seus erros, a larga experiência vital decantada por milénios, gota a gota. do filósofo e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). Veja mais aqui.

SONETO DA MULHER AO SOL
A bordo do Andrea C, a caminho da França
Uma mulher ao sol - eis todo o meu desejo
Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz
A flor dos lábios entreaberta para o beijo
A pele a fulgurar todo o pólen da luz.
Uma linda mulher com os seios em repouso
Nua e quente de sol - eis tudo o que eu preciso
O ventre terso, o pêlo úmido, e um sorriso
À flor dos lábios entreabertos para o gozo.
Uma mulher ao sol sobre quem me debruce
Em quem beba e a quem morda e com quem me lamente
E que ao se submeter se enfureça e soluce
E tente me expelir, e ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixa a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir...
Extraído do livro Para viver um grande amor (Companhia das Letras, 1984),
do poeta, dramaturgo, jornalista, compositor e diplomata brasileiro Vinicius de Moraes (1913-1980). Veja mais aqui, aqui & aqui.

SENHOR PRESIDENTE - [...] A cidade grande, imensamente grande para a sua fadiga, foi ficando pequena para a sua aflição. Noites de espanto, seguidas por dias de perseguição. Acossado pela gente que, não satisfeita em gritar-lhe: “Bobalhãozinho, domingo você vai casar com sua mãe... aquela velhinha... seu pirado... animal, vagabundo!”, batiam nele, arrancavam-lhe a roupa a pedaços. Perseguido pela molecada, refugiava-se nos bairros pobres, mas ali sua sorte era pior; ali, onde todos andavam às portas da miséria, era não só insultado, mas quando o viam correr apavorado atiravam-lhe pedras, ratos mortos e latas vazias. Vindo de um desses bairros, chegou ao Portal do Senhor num dia qualquer, na hora da missa, ferido na testa, a cabeça descoberta, arrastando a rabiola de uma pipa que, arremedando um remendo, haviam-lhe grudado atrás. Assustava-se com as sombras dos muros, os cachorros passando, as folhas que caíam das árvores, o rodar desigual dos carros... Quando chegou ao Portal, quase de noite, os mendigos, virados para a parede, contavam e recontavam seus ganhos do dia. Mulamanca discutia com o Mosquito, a surda-muda esfregava a mão na barriga, para ela inexplicavelmente grande, e a cega se remexia, sonhando-se dependurada em um gancho, coberta por moscas, como carne de açougue. [...] E mais não disse. Arrancado do chão pelo grito, o Bobalhão saltou em cima dele e, sem lhe dar tempo para usar suas armas, enterrou-lhe os dedos nos olhos, despedaçou-lhe o nariz a dentadas e golpeou-lhe as partes com os joelhos, até deixá-lo inerte. Os mendigos fecharam os olhos horrorizados, a coruja passou de novo e o Bobalhão fugiu pelas ruas escuras enlouquecido e tomado por espantoso paroxismo. Uma força cega acabava de tirar a vida do coronel José Parrales Sonriente, vulgo o homem da mulinha. Amanhecia. [...]. Trechos da obra O senhor presidente (Mundaréu, 2016), do escritor, jornalista, diplomata guatemalteco Miguel Angel Asturias (1899-1974), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1967. Veja mais aqui.

ARTE DE CAMILLE CLAUDEL
A arte da escultora francesa Camille Claudel (1864-1943). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte do artista plástico australiano Richard Martin.
Veja mais aqui.

sábado, maio 09, 2015

MARY MELLOR, ANAÏS NIN, ASCENSO, REICH & A SANTA FREIRA

 


A SANTA FREIRA - Luisa era Maria e atendi o seu convite ao convento d'Ambrogio, uma instituição de reputação, exclusivamente feminino habitado por freiras franciscanas. Havia ela assumido o lugar da abadessa fundadora Mariagna, que havia sido acusada de envolvimentos espúrios, falsos milagres e rumorosos escândalos, sendo condenada por obscenidade e santidade fingida. Ela recepcionou-me com um longo vestido preto decotado que realçavam seus robustos seios, com saia com dois recortes que destacavam suas coxas abundantes e sensuais, preocupada com a mancha na imagem do Vaticano, adiantando-se por me explicar que se tratavam de atos espirituais, mas que um falso padre alcaguete denunciou equivocadamente por lascivos, corroborado pela princesa duas vezes viuva Katharina, tão pudica quanto fervorosa, a alardear ao inquisidor. Pura invencionice, um jogo de interesses, um estratagema sobrecarregado de blasfêmias inescapáveis, que envolviam clérigas e noviças. Estava ela um tanto nervosa, levou-me à alcova e segredou-me acusações de heresia e outros crimes, o que havia desestabilizado sua administração e deixando-a encurralada com tal situação. Não deixei de vê-la estonteantemente exuberante com o frescor dos seus 27 anos, venerada por todos que sabiam de seus poderes milagrosos, inclusive eu, seu fiel confidente. Líamos o evangelho de Madalena, discutíamos a liberdade e, também, sobre a necessidade de evolução humana: amar jamais fora pecado, os religiosos sectários que, por serem invejosos e infelizes, não aceitavam a felicidade dos que amava. Pouco importava seu passado sombrio, se ela desafiava os códigos morais, apenas era o amor e, por isso, fora acusada de envenenamentos, heresias e outros abusivos crimes dentro do convento. Tudo mentira, mas as consequências foram explosivas e levaram-na à irreversível queda. O conservadorismo vencia, aplacava tudo que fosse vida, como sempre. Tentei protegê-la o quanto pude, não era páreo para poderosos. Fiz o que pude, solidário. E ela desapareceu sobrecarregada pela incompreensão humana, deixou-me lembranças inesquecíveis: sabia eu todos os segredos daquela verdadeira santa viva e herege. Veja mais aquiaqui & aqui.



 

DITOS & DESDITOS - Os sonhos são necessários para a vida... Jogue seus sonhos no espaço como uma pipa, e você não sabe o que isso trará de volta, uma nova vida, um novo amigo, um novo amor, um novo país... A posse do conhecimento não mata o sentido de maravilha e mistério. Há sempre mais mistério... Nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos... Pensamento da escritora francesa Anaïs Nin (1903-1977). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Nunca desperdice uma boa crise... Pensamento da acadêmica e ativista britânica, Mary Mellor, que no seu estudo Feminism & Ecology (New York Univerity Press, 1997), ela expressa que: [...] O ecofeminismo é um movimento que vê uma conexão entre a exploração e degradação do mundo natural e a subordinação e opressão das mulheres. Ele surgiu em meados da década de 1970, junto com o feminismo de segunda onda e o movimento verde. O ecofeminismo reúne elementos dos movimentos feminista e verde, ao mesmo tempo em que oferece um desafio a ambos. Ele tira do movimento verde uma preocupação sobre o impacto das atividades humanas no mundo não humano e do feminismo a visão da humanidade como generificada de maneiras que subordinam, exploram e oprimem as mulheres. [...]. Já no seu livro Debt or Democracy: Public Money for Sustainability and Social Justice (Pluto Press, 2015), ela expressa que: […] Existem dois circuitos monetários nas economias contemporâneas, um circuito de dinheiro público e um circuito de dinheiro comercial. Ambos criam e circulam a moeda pública. A diferença entre eles é que um é baseado em dívida, o outro não. [...] O Estado deixou de ser o principal criador de dinheiro público para se tornar uma "dona de casa" suplicante [...].

 

 LA REBELIÓN DE LAS MASAS – Este livro foi um presente do meu amigo espanhol radicado em Pernambuco, José Duran y Duran. Trata-se da obra La rebelión de las masas (A rebelião das massas – Espasa-Calpe, 1964), do filósofo e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955), autor da célebre frase: "Debaixo de toda vida contemporânea se encontra latente uma injustiça”. O livro trata de temas como o fato das aglomerações, a ascensão do nível histórico, a altura dos tempos, o crescimento da vida, um dado estatístico, começa a dissecação do homem-massa, vida nobre e vida vulgar ou esforço e inércia, porque as massas intervêm em tudo e porque só intervêm violentamente, primitivismo e técnica, primitivismo e história, a época do “mocinho satisfeito”, a barbárie do “especialismo”, o maior perigo: o Estado, quem manda no mundo: desemboca-se na verdadeira questão, quanto ao pacifismo, dinâmica do tempo, as vitrinas mandam, juventude, masculino e feminino, entre outros importantes assuntos. Da obra destaco o trecho: Há um fato que, para bem ou para mal, é o mais importante na vida pública européia da hora presente. Este fato é o advento das massas ao pleno poderio social. Como as massas, por definição, não devem nem podem dirigir sua própria existência, e menos reger a sociedade, quer dizer-se que a Europa sofre agora a mais grave crise que a povos, nações, culturas, cabe padecer. Esta crise sobreveio mais de uma vez na história. Sua fisionomia e suas conseqüências são conhecidas. Também se conhece seu nome. Chama-se a rebelião das massas. Para a inteligência do formidável fato convém que se evite dar, desde já, às palavras “rebelião”, “massas”, “poderio social”, etc. um significado exclusivo ou primariamente político. A vida pública não é só política, mas, ao mesmo tempo e ainda antes, intelectual, moral, econômica, religiosa; compreende todos os usos coletivos e inclui o modo de vestir e o modo de gozar. Talvez a melhor maneira de aproximar-se a este fenômeno histórico consista em referir-nos a uma experiência visual, sublinhando uma feição de nossa época que é visível com os olhos da cara.  Simplicíssima de enunciar, ainda que não de analisar, eu a denomino o fato da aglomeração, do “cheio”. As cidades estão cheias de gente. As casas cheias de inquilinos. Os hotéis cheios de hóspedes. Os trens, cheios de viajantes. Os cafés, cheios de consumidores. Os passeios, cheios de transeuntes. As salas dos médicos famosos, cheias de enfermos. Os espetáculos, desde que não sejam muito extemporâneos, cheios de espectadores. As praias, cheias de banhistas. O que antes não era problema, começa a sê-lo quase de contínuo: encontrar lugar. Nada mais. Há fato mais simples, mais notório, mais constante, na vida atual? Vamos agora puncionar o corpo trivial desta observação, e nos surpreenderá ver como dele brota um repuxo inesperado, onde a branca luz do dia, deste dia, do presente, se decompõe em todo o seu rico cromatismo interior. Que é o que vemos e ao vê-lo nos surpreende tanto? Vemos a multidão, como tal, possuidora dos locais e utensílios criados pela civilização. Apenas refletimos um pouco, nos surpreendemos de nossa surpresa. Mas quê, não é o ideal? O teatro tem suas localidades para que se ocupem; portanto, para que a sala esteja cheia. E do mesmo modo os assentos o vagão ferroviário e seus quartos o hotel. Sim; não há dúvida. Mas o fato é que antes nenhum destes estabelecimentos e veículos costumavam estar cheios, e agora transbordam, fica fora gente afanosa de usufruí-los. Embora o fato seja lógico, natural, não se pode desconhecer que antes não acontecia e agora sim; portanto, que houve uma mudança, uma inovação, a qual justifica, pelo menos no primeiro momento, nossa surpresa. Surpreender-se, estranhar, é começar a entender. E o esporte e o luxo específico do intelectual. Por isso sua atitude gremial consiste em olhar o mundo com os olhos dilatados pela estranheza. Tudo no mundo é estranho e é maravilhoso para umas pupilas bem abertas. Isso, maravilhar-se, é a delícia vedada ao futebolista e que, ao contrário, leva o intelectual pelo mundo em perpétua embriaguez de visionário. Seu atributo são os olhos em pasmo. [...] A aglomeração, ou cheio, antes não era freqüente. Por que o é agora? Os componentes dessas multidões não surgiram do nada. Aproximadamente, o mesmo número de pessoas existia há quinze anos. Depois da guerra pareceria natural que esse número fosse menor. Aqui topamos, entretanto, com a primeira nota importante. Os indivíduos que integram estas multidões preexistiam, mas não como multidão. Repartidos pelo mundo em pequenos grupos, ou solitários, levavam uma vida, pelo visto, divergente, dissociada, distante. Cada qual – indivíduo ou pequeno grupo – ocupava o lugar, talvez o seu, no campo, na aldeia, na vila, no bairro da grande cidade. Agora, de repente, aparecem sob a espécie de aglomeração, e nossos olhos vêm por toda a parte multidões. Por toda a parte? Não, não; precisamente nos lugares melhores, criação realmente refinada da cultura humana, reservados antes a grupos menores, em definitiva, a minorias. A multidão, de repente, tornou-se visível, e instalou-se nos lugares preferentes da sociedade. Antes, se existia, passava inadvertida, ocupava o fundo do cenário social; agora adiantou-se até às gambiarras, ela é o personagem principal. Já não há protagonistas: só há coro. O conceito de multidão é quantitativo e visual. Traduzamo-lo, sem alterá-lo, à terminologia sociológica. Então achamos a idéia de massa social. A sociedade é sempre uma unidade dinâmica de dois fatores: minorias e massas. As minorias são indivíduos ou grupos de indivíduos especialmente qualificados. A massa é o conjunto de pessoas não especialmente qualificadas. Não se entenda, pois, por massas só nem principalmente “as massas operárias”. Massa é “o homem médio”. Deste modo se converte o que era meramente quantidade – a multidão – numa determinação qualitativa: é a qualidade comum, é o mostrengo social, é o homem enquanto não se diferencia de outros homens, mas que repete em si um tipo genérico. Que ganhamos com esta conversão da quantidade para a qualidade? Muito simples: por meio desta compreendemos a gênese daquela. E evidente, até acaciano, que a formação normal de uma multidão implica a coincidência de desejos, idéias, de modo de ser nos indivíduos que a integram. Dir-se-á que é o que acontece com todo grupo social, por seleto que pretenda ser. Com efeito; mas há uma diferença essencial. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Imagem: Orgasmo, do designer gráfico e ilustrador Renato Alarcão.

Ouvindo o poema sinfônico Le Poeme De L'Extase, Op. 54 (1905-1908, Deutsche Grammophon), do compositor e pianista russo Alexander Scriabin (1872-1915), com a Boston Symphony Orchestra sob a regência de do maestro Claudio Abbado. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

EU VOLTAREI AO SOL DA PRIMAVERA – O livro Eu voltarei ao sol da primavera (Fundação Hermilo Borba Filho/SE-PE/Depto. Cultura, 1985), do do poeta modernista Ascenso Ferreira (1895-1956), organizado por Jessiva Sabino de Oliveira, reúne sonetos e outros poemas do autor, entre os quais destaco Banquete de Beijos (I): Dos beijos ao banquete apaixonado / em sonhos o amor levou-me um dia. / Ah! Foi tão doce o gozo que eu fruia! / Ah! Foi tão doce e tão alcandorado, / que me julguei, por certo, transportado / nas asas do prazer e da alegria / às sublimes regiões onde apoesia / edificou seu fúlgido reinado. / Na taça do prazer e da ternura, / taça dos lábios cheios de doçura / de uma donzela, o símbolo do pejo / eu fruia do amor e da paixão / o néctar, que suaviza o coração / - Supremo néctar que oferece o beijo. (II): Tudo era puro, santo e sublimado, / em tudo se notava essa magia / tão suave, que ao meu ver só existia / no céu deista tão glorificado. / Muitos convivas via do meu lado / no meio da puraza desta orgia / também sorvendo o néctar que eu sorvia, / - Néctar do amor, nos beijos encarnado. / Sim, foi tão doce, tão divina e pura / deste meu sonho a mágica ventura / que de outra igual jamais eu tive ensejo. / Sim; foi tão doce a minha sensação, / que eu inda guardo a sã recordação / desse banquete mágico de beijos. Também o seu Estrelas é meritório de destaque: Em mil constelações, estrelas luminosas / espagerm-se no céu a brilhar, a brilhar... / Reflete-se em meu dorso o portentoso mar, / que na praia desfaz-se em ondas espumosas. / Sentindo o perpassar das brisas rumorosas / e as estrelas fitado, eu começo a exclamar: / “Quem m´as dera a prender! Quem m´as dera pegar! / Ao menos conseguir uma entre as mais formosas! / Ouvindo-me falar, diria alguém assim: / “P´ra que queres pegar uma estrela formosa? Não vês que elas de nós estão léguas sem fim?” / Mas eu responderia: “Eu quisera prendê-las / somente p´ra adornar a fronte luminosa / de uma Estrela terra, estrela entre as estrelas”. Veja mais  aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

O ORGASMO DE ESPERANTINA – Numa cidade da região Norte do Piauí, no Baixo Parnaíba, distante 180 quilômetros da capital, denominada Esperantina, que desde 1943 deixou de ser Boa Esperança, há uma comemoração para lá de ótima. A população esperantinense, segundo IBGE 2010, de 37.765 habitantes, comemora no dia de hoje o seu Dia do Orgasmo, depois que uma lei municipal decretou: Fome Zero, Orgasmo Dez”. Imagino como será a comemoração! U-hu! O Piauí já é quente, dá pra sentir o calor na bacorinha. O projeto do vereador proposto no início dos anos 2000, virou polêmica na cidade, ganhando as páginas dos principais jornais do Brasil. Instado pela imprensa nacional, o vereador informou que o propósito de tal comemoração é levar a educação sexual a todos os recantos da cidade. Como o poeta Manuel Bandeira queria ir pra Pasárgada, eu que sou um poeta menor tão ínfimo bem miúdo, quero é ir pra Esperantina! Veja mais aqui.

A FUNÇÃO DO ORGASMO – O livro A função do orgasmo: problemas econômico-sexuais da energia biológica (Brasiliense, 1975), do médico, psicanalista e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957), trata da descoberta do orgônio, a biologia e a sexologia antes de Freud, Peer Gynt, lacunas na psicologia e na teoria do sexo, o prazer e o instinto, sexualidade genital e não genital, fundação do seminário de técnica psicanalítica de Viena, dificuldades psiquiátricas e psicanalíticas na compreensão da enfermidade psíquica, o desenvolvimento da teoria do orgasmo, suplemente a ideia freudiana da neurose de angustica, potência orgástica, a extase sexual: fonte de energia das neuroses, análise do caráter, dificuldades e contradições, a economia sexual da angústica neurótica, a couraça do caráter e a estratificação dinâmica dos mecanismos de defesa, destruição, agressão, sadismo, o caráter genital e o caráter neurótico, o principio de auto-regulagem, revolução biológica abortada, a higiene mental e o problema da cultura, origem social da repressão, o irracionalismo fascista, a irrupção no campo biológico, a solução do problema do masoquismo, o funcionamento de uma bexiga viva, a antítese funcional de sexualidade e angustia, energia biopsiquica, a fórmula do orgasmo, a tensão, a carga, descarga, relaxação, prazer (expansão) e angustia (contração), antítese principal da vida vegetativa, o reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de análise do caráter, a atitude muscular e a expressão corporal, a tensão abdominal, o reflexo do orgasmo, o estabelecimento da respiração natural, a mobilização da pélvis morta, enfermidades psicossomáticas típicas e resultados da simpaticotonia crônica, psicanalise e biogênese, a função bioelétrica do prazer e da angustia, solução teórica do conflito entre mecanismo e vitalismo, a energia biológica é energia do orgônio atmosférico (cósmico). Da obra destaco o seguinte trecho: [...] Até 1923, ano em que nasceu a teoria do orgasmo, apenas as potências ejaculativa e eretiva eram conhecidas da sexologia e dos psicanalistas. Sem a inclusão dos componentes funcionais, econômicos e experimentais, o conceito de potência sexual não teria existido. Potência eretiva e ejaculativa eram apenas pré-condições indispensáveis da potência orgástica. Potência orgástica é a capacidade de abandonar-se, livre de quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica; a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo. 
Nem um único neurótico é orgasticamente 'potente, e as estruturas de caráter da esmagadora maioria dos homens e mulheres são neuróticas. No ato sexual livre de angústia, de desprazer e de fantasias, a intensidade de prazer no orgasmo depende da quantidade de tensão sexual concentrada nos genitais. Quanto maior e mais abrupta é a "queda" da excitação, tanto mais intenso é o prazer. A seguinte descrição do ato sexual orgasticamente satisfatório refere-se apenas ao desenvolvimento de algumas fases e modos de comportamento típicos e naturalmente determinados. Não levei em conta o prelúdio biológico, determinado pelas necessidades individuais, e que não apresenta um caráter universal. Além do mais devemos observar que os processos bioelétricos da função orgástica não foram explorados e, portanto, esta descrição é incompleta. Fase de controle voluntário da excitação 1. A ereção não é dolorosa como no caso do priapismo, espasmo da região pélvica ou do duto espermático6. É agradável. O pênis não está superexcitado, como após um período prolongado de abstinência ou em casos de ejaculação prematura. O genital feminino torna-se hiperêmico e úmido de forma específica, pela profusa secreção das glândulas genitais; isto é, no caso de funcionamento genital não perturbado, a secreção tem propriedades químicas e físicas que faltam quando a função genital está perturbada. Uma característica importante da potência orgástica masculina é o desejo de penetrar. Podem ocorrer ereções sem esse desejo, como em certos caracteres narcisistas eretivamente potentes, e na satiríase. 2. O homem e a mulher mostram-se ternos um para com o outro; não há impulsos contraditórios. São os seguintes os desvios patológicos desse comportamento: agressividade proveniente de impulsos sádicos, como em alguns neuróticos compulsivos eretivamente potentes, e inatividade do caráter passivo-feminino. A ternura também está ausente no "coito onanista" com um objeto não amado. Normalmente a atividade da mulher não difere de modo algum da do homem. A passividade da mulher, embora comum, é patológica e resulta habitualmente de fantasias masoquistas de violação. 3. A excitação agradável, que permaneceu mais ou menos no mesmo nível durante a atividade do anteprazer, aumenta subitamente em ambos, no homem e na mulher, com a penetração do pênis na vagina. O sentimento do homem de "estar sendo absorvido" é o corresponde do sentimento da mulher de "estar absorvendo" o pênis. 4. Aumenta o desejo do homem de penetrar mais profundamente, mas não assume a forma sádica de "querer transpassar" a mulher, como ocorre no caso dos caracteres neuróticos compulsivos. Pela fricção mútua, gradual, rítmica, espontânea e sem esforço, a excitação vai-se concentrando na superfície e na glande do pênis, e nas partes posteriores da membrana mucosa da vagina. A sensação característica que precede e acompanha a descarga do sêmen está ainda totalmente ausente (não nos casos de ejaculação prematura). O corpo ainda está menos excitado que o genital. A consciência está inteiramente dirigida para a assimilação das sensações ondulantes de gozo. O ego participa ativamente, na medida em que tenta explorar todas as possíveis fontes de prazer e atingir o mais alto grau de tensão antes do momento do orgasmo. Intenções conscientes obviamente não têm lugar aqui.  
Tudo acontece espontaneamente com base nas experiências de anteprazer individualmente diferentes, por uma mudança de posição, pela natureza da fricção, pelo ritmo, etc. Segundo a maior parte dos homens e mulheres potentes, quanto mais lentas e delicadas são as fricções, e mais estreitamente sincronizadas, mais intensas são as sensações de prazer. Isso pressupõe um alto grau da afinidade entre o homem e a mulher. Um correspondente patológico disso é o desejo de fazer fricções violentas, especialmente pronunciado nos caracteres sádicos compulsivos que sofrem de anestesia do pênis e da incapacidade de descarregar o sêmen. Outro exemplo é a pressa nervosa dos que sofrem de ejaculações prematuras. Os homens e mulheres orgasticamente potentes nunca riem ou falam durante o ato sexual exceto, possivelmente, para trocar palavras de carinho. Falar e rir indicam sérias perturbações da capacidade de entregar-se; entregar-se pressupõe completa concentração na ondulante sensação de prazer. Os homens que sentem o entregar-se como "feminino" são sempre orgasticamente perturbados. 5. Nesta fase, a interrupção da fricção é em si mesma agradável por causa das sensações especiais de prazer que acompanham essa pausa, e não exigem esforço psíquico. Dessa forma, prolonga-se o ato. A excitação diminui um pouco durante a pausa. Não desaparece inteiramente, entretanto, como nos casos patológicos. A interrupção do ato sexual pela retração do pênis não é desagradável na medida em que ocorra após uma pausa tranqüila. Ao continuar a fricção, a excitação aumenta firmemente além do nível anteriormente atingido. Toma gradualmente, mais e mais, posse do corpo inteiro, enquanto o próprio genital mantém um nível mais ou menos constante de excitação. Finalmente, como resultado de um novo aumento habitualmente repentino de excitação genital, inicia-se a fase de contração muscular involuntária. Fase de contrações musculares involuntárias 6. Nesta fase, o controle voluntário do desenvolvimento da excitação não é mais possível. Apresenta os seguintes traços característicos: a) O aumento da excitação não pode mais ser controlado; antes, a excitação domina a personalidade total e causa uma aceleração do pulso e uma exalação profunda. b) A excitação física torna-se cada vez mais concentrada no genital; ocorre uma suave sensação que se pode descrever melhor como um eflúvio de excitação do genital para outras partes do corpo. c) Em primeiro lugar, essa excitação causa contrações involuntárias de toda a musculatura das regiões genital e pélvica. Essas contrações se experimentam sob a forma de ondas: a elevação da onda coincide com a total penetração do pênis, enquanto a descida da onda coincide com a retração do pênis. Mas logo que a retração ultrapassa um certo limite, ocorrem imediatamente contrações espasmódicas, que aceleram a ejaculação. Na mulher é a musculatura lisa da vagina que se contrai. d) Neste estágio, a interrupção do ato é totalmente desagradável, tanto para o homem como para a mulher. Havendo interrupção, as contrações musculares que levam ao orgasmo na mulher e à ejaculação no homem são espasmódicas em vez de rítmicas. As sensações causadas são sumamente desagradáveis e, 'ocasionalmente, sentem-se dores nas regiões pélvica e sacra. Além do mais, como resultado do espasmo, a ejaculação ocorre mais cedo que no caso do ritmo imperturbado. A prolongação voluntária da primeira fase do ato sexual (1 a 5) não é dolorosa quando levada até um certo ponto, e tem um efeito intensificador do prazer. 
Por outro lado, a interrupção ou mudança voluntária do seguimento da excitação na segunda fase é dolorosa por causa da natureza involuntária dessa fase. 7. Por meio de nova intensificação e do aumento de freqüência das contrações musculares involuntárias, a excitação sobe rápida e intensamente em direção ao clímax (III a C no diagrama); isso coincide, normalmente, com as primeiras contrações musculares ejaculatórias no homem. 8. Neste ponto, a consciência se torna mais ou menos nublada; seguindo-se a uma pequena pausa no "auge" do clímax, as fricções aumentam espontaneamente e o desejo de penetrar "completamente" se torna mais intenso com cada contração muscular ejaculatória. As contrações musculares na mulher seguem o mesmo curso que seguem no homem; há apenas uma diferença psíquica, isto é, a mulher sã quer "receber completamente" durante, e logo após, o clímax. 9. A excitação orgástica toma conta do corpo inteiro e produz fortes convulsões da musculatura do corpo todo. Auto-observações de pessoas sãs de ambos os sexos, e também a análise de certas perturbações do orgasmo, provam que o que chamamos alívio da tensão e experimentamos como uma descarga motora (curva descendente do orgasmo) é, essencialmente, o resultado da reversão da excitação do genital ao corpo. Essa reversão é experimentada como uma súbita redução da tensão. Por isso, o clímax representa o ponto decisivo no seguimento da excitação; isto é, antes do clímax, a direção da excitação é para o genital; após o clímax, a excitação reflui do genital. Essa completa volta da excitação do genital para o corpo é que constitui a satisfação. Isso significa duas coisas: refluir da excitação para o corpo inteiro, e relaxação do aparelho genital. 10. Antes de ser alcançado o ponto neutro, a excitação desaparece em curva suave e é imediatamente substituída por uma agradável relaxação física e psíquica. Habitualmente há também grande vontade de dormir. As relações sensuais se abrandam, mas permanece em relação ao companheiro uma atitude "saciada" e terna, a que se junta o sentimento de gratidão. Ao contrário, a pessoa orgasticamente impotente experimenta um esgotamento plúmbeo, desgosto, repulsa, aborrecimento ou indiferença e, ocasionalmente, aversão ao companheiro. Nos casos de satiríase e ninfomania, a excitação sexual não desaparece. A insônia é uma das características essenciais da falta de satisfação. Não se pode, entretanto, concluir automaticamente que uma pessoa experimentou a satisfação quando cai no sono imediatamente após o ato sexual. Se reexaminarmos as duas fases do ato sexual, veremos que a primeira fase é essencialmente caracterizada pela experiência sensorial de prazer, enquanto a segunda fase é caracterizada pela experiência motora de prazer. [...] (Imagens: Orgasmic Soul nº 2, by Michael G Quain/Foto: La petit mort, by Santillo). Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

ORGAZMO – A comédia Orgazmo (1997), escrito e dirigido por Trey Park e produzido por Matt Stone que mais tarde vão criar a série animada South Park, conta a história de um missionário mórmon que encontra hostilidade para realizar seu trabalho religioso, até encontrar um diretor pornô desprezível, finda contratado para estrelar no papel principal de um super-herói pornográfico. Nessa hora entra em choque o milionário salário e a sua fé religiosa, enquanto se vê famoso com sucesso surpreendente. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Imagem: Orgasmo y Una Mujer Que Disfruta, do artista plástico argentino Pablo Garat.


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Todo homem que maltrata a mulher não merece jamais qualquer perdão, Aracelli de José Louzeiro. Violência doméstica e sexual de Lucidalva do Nascimento, a música de Geraldo Azevedo & Neila Tavares, Violência contra a Mulher, Gershwin & Geneviève Salamone, a arte de Yukari Terakado & Nina Kuriloff, Marcha das Vadias & O desenlace da paquera entre Melzinha & Brothão aqui.
Brincarte do Nitolino, As regras humanas de Peter Sloterdijk, Viagem da noite de Louis-Ferdinand Céline, Aprendizagem do ator de Antonio Januzelli – Janô, a arte de Barbara Parkins & Sharon Tate, a dança de Isadora Duncan, a pintura de Georges Rouault & a música de Ivete Sangalo aqui.
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