TATARITARITATÁ: VAMOS APRUMAR A CONVERSA - Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
quinta-feira, janeiro 05, 2017
ELBERT HUBBARD, DÉBORA ARANGO, MIRIAM MARIA, SEMEAR & COLHER
segunda-feira, abril 06, 2015
SUELY ROLNIK, ELIZABETH BLACKBURN, BETTE MIDLER, CACILDA BECKER & AFRODITE
O SÁBIO SORRISO
DE SUELY ROLNIK – Pela primeira vez o seu sorriso apaixonante, inadvertidamente tornei-me
sapiossexual na hora! Tinha eu lá meus 20 e poucos anos e, diante daquela bela
mulher recém-chegada da França, onde se exilara por conta da perseguição
sofrida durante a horrenda ditadura militar, inevitavelmente me senti como o
garoto apaixonado pela professora da escola primária. As mesmas sensações. Avidamente,
dela bebi toda sapiência filosófica e psicanalítica, seus escritos, suas
curadorias, suas críticas de arte e cultura, sua atuação no campo da arte
contemporânea criando o Arquivo para uma obra-acontecimento com as proposições
de Lygia Clark e a caixa dos filmes de entrevistas. E, sempre que podia, não
perdia por nada suas exibições no Núcleo de Estudos da Subjetividade. Essa linda
professora havia trabalhado na Clínica Experimental com Guattari – com quem
publicou Micropolítica: Cartografias do desejo -, e que estudou com
Deleuze, Foucault, Clastres e Barthes. Estava atento a tudo que ela fizesse. Quando
ela foi embora para a Espanha, lecionar no Museu de Arte Contemporânea de
Barcelona, bateu-me a inquietação. Aí corria as vistas pelas publicações da
Documenta e da Manifesta, bem como pelo Manifeste Anthropophage /
Anthropophagie Zombie , Archivmanie, Cartografia Sentimental:
Transformações contemporâneas do desejo e das Esferas da insurreição:
notas para uma vida não cafetinada. Lia e prestigiava tudo que tivesse sua
rubrica, imperdível. Mantenho-me atento e aguardo ansioso seu retorno para
folgar de emoção e matar as saudades desta grande mulher presencialmente. Veja
mais abaixo e mais aqui e aqui.
DITOS &
DESDITOS – Eu fiz um pacto comigo mesma há muito tempo: nunca veja nada mais
estúpido do que você. Isso me ajudou muito. Aprecie para sempre o que te faz
único, porque você é realmente um bocejo se for. Se pudesse receber um desejo,
eu brilharia no teu olho como uma joia. Depois de trinta, um corpo tem uma
mente própria. Eu me sinto um milhão esta noite - mas um de cada vez. Pensamento da
cantora, atriz, roteirista e comediante estadunidense Bette Midler. Veja
mais aqui e aqui.
ALGUÉM FALOU: Os genes
carregam a arma e o ambiente puxa o gatilho. O envelhecimento envolve muitas
coisas diferentes, e a capacidade das células de se autorrenovar faz parte do
processo, mas não é tudo. Às vezes, a biologia revela seus princípios
fundamentais por meio do que pode parecer, a princípio, misterioso e bizarro. Eu
apenas promovi ativamente o que sempre esperamos que seja boa ciência. Pensamento da
bióloga australiana Elizabeth Blackburn, Prêmio Nobel em Fisiologia e
Medicina de 2009.
UMA COISA QUE EU DISSE
- A arte se realiza com o leitor (plateia) que a identifica e por sua
experiência - que é única - transcende. O artista indaga; o leitor a
identifica, interage e responde. Assim a arte se torna verdadeiramente arte.
Por consequência, assim mesmo a arte se define e cumpre a sua função. (LAM).
A GEOPOLITICA
DO PROXENITISMO - [...] a mesma singularidade que deu tanta força
aos movimentos contraculturais no Brasil tendeu também a agravar a clonagem
desses movimentos levada a cabo pelo neoliberalismo. O savoir-faire
antropofágico dos brasileiros dá-lhes uma facilidade especial de adaptação aos
novos tempos. As elites e as classes médias do país estão absolutamente
deslumbradas por serem tão contemporâneas, tão atualizadas no cenário
internacional das novas subjetividades pós-identitárias, tão bem equipadas para
viver essa flexibilidade pós-fordista (que, por exemplo, as torna campeãs
internacionais da publicidade e as posiciona em posições elevadas no ranking
mundial das estratégias de mídia). Mas esta é apenas a forma tomada pelo
abandono voluptuoso e alienado ao regime neoliberal na sua versão local
brasileira, tornando os seus habitantes, especialmente os citadinos, em
verdadeiros zumbis antropofágicos. [...] Foram cinco séculos de
experiência antropofágica, e quase um de reflexão sobre ela, desde o momento em
que os modernistas a circunscreveram criticamente e a tornaram consciente.
Neste contexto, o savoir-faire antropofágico dos brasileiros – especialmente
como foi atualizado nas décadas de 1960-70 – ainda pode ser útil hoje, mas não
para garantir seu acesso aos paraísos imaginários do capital; pelo contrário,
para ajudá-los a problematizar a confusão vergonhosa entre as duas políticas de
subjetividade flexível e a separar o trigo do joio, essencialmente com base no
lugar ou não-lugar que é atribuído ao outro. Este conhecimento ofereceria as
condições para uma participação fértil no debate que se reúne
internacionalmente em torno da problematização de um regime que agora se tornou
hegemônico, e também na invenção de estratégias de êxodo para fora do campo
imaginário cujas origens estão em seu mito mortal. A arte tem uma vocação
especial para realizar tal tarefa, na medida em que, ao trazer as mutações da
sensibilidade para o reino do visível e do dizível, pode desvendar a
cartografia do presente, libertando a vida em seus pontos de interrupção e
liberando seu poder de germinação – uma tarefa totalmente distinta e
irredutível ao ativismo macropolítico. Este último se relaciona com a realidade
do ponto de vista da representação, denunciando os conflitos inerentes à
distribuição de lugares estabelecida na cartografia reinante (conflitos de
classe, raça, gênero etc.) e lutando por uma configuração mais justa. São dois
olhares distintos e complementares sobre a realidade, correspondendo a dois
diferentes potenciais de intervenção, ambos participando a seu modo na formação
de seu destino. No entanto, problematizar a confusão entre as duas políticas de
subjetividade flexível para intervir efetivamente nesse campo e contribuir para
quebrar o feitiço da sedução que sustenta o poder do neoliberalismo no próprio
cerne de sua política do desejo, implica necessariamente tratar a doença que
surgiu da infeliz confluência, no Brasil, dos três fatores históricos que
exerceram um efeito negativo sobre a imaginação criadora: a violência
traumática da ditadura, o proxenetismo do neoliberalismo e a ativação de uma
antropofagia de base. Essa confluência claramente exacerbou o rebaixamento da
capacidade crítica e a identificação servil com o novo regime. [...]. Trechos
extraídos do ensaio A geopolítica do proxenetismo (Transversal, 2006),
da filósofa, escritora, psicanalista e professora Suely Rolnik, autora
do ensaio A memória contagiosa do corpo: O retorno de Lygia Clark ao museu
(Transversal, 2007), no qual ela expressa: [...] A força poética é uma das
vozes na polifonia paradoxal através da qual se delineiam os devires
heterogêneos e imprevisíveis da vida pública. Esses devires se reinventam
continuamente para libertar a vida dos impasses que se acumulam nas zonas
infecciosas onde o presente se torna insuportável. Os artistas têm um ouvido
apurado para os sons inarticulados que nos chegam do indizível, nos pontos onde
a cartografia dominante se desfaz. Sua poesia é a encarnação de tais sons, que
então podem ser ouvidos entre nós. [...]. Veja mais aqui e aqui.
O LADO FATAL – No livro Lado fatal (Record, 2011) da escritora e tradutora gaúcha Lya Luft, encontrei dois entre os
belíssimos poemas da obra. O primeiro deles o III: Aquele de quem hoje falam e escrevem /
(ou aos poucos vão-se esquecendo) / é muito menos do que este, deitado em meu
coração, / meu amante e meu menino ainda. E também o XIV: Estranha a vida: /
fico tangendo meus dias / como um rebanho de ovelhas desordenadas / nessa
triste e fria cidade de Porto Alegre / onde ele gostava de estar / olhando o
pôr-do-sol e vendo amigos. / "Morrer é tomar um porre de não-desejo"
/ dizia o meu amado, que era um homem desejoso: / desejava a vida, desejava a
morte, desejava / [a justiça, desejava a eternidade e a paz. / Estranha a vida:
/ quando releio uma frase sua, / "viver é modular a morte", / em
sangue e dor preparo a minha ida. / Estranho também esse amor, / com hora
marcada para a mutilação / da morte, o minuto acertado, / e o fim consultando o
relógio / para nos golpear. / Estranho esse amor de agora, / com meu amado
atrás de um espelho baço / onde às vezes penso divisar seu vulto / como num
aquário. / Enrolado em silêncio, / mais que nunca o meu amor comanda a minha
vida. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
AFRODITE: O JULGAMENTO DE PÁRIS – Imagem: Julgamento de Páris – Afrodite acompanhada de Eros, Atena e Hera (1904), do pintor espanhol Enrique Simonet (1866-1927) - Afrodite é a deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade, contando ainda com atributos como a da fertilizada, do prazer e da alegria. Em Roma ela é representada pela deusa Vênus, além de receber outros nomes como Cytherea ou Cypris na atinguidade. O Julgamento de Páris, conforme relatos da Ilíada de Homero e Heróides de Ovídio, é o prelúdio da Guerra de Troia, é um mito que surgiu no sec. VII aC., descrito por Pausânias, indicando o aparecimento inesperado da deusa da discórdia Eris, com uma maçã de ouro do Jardim das Hespérides, desafiando a mais bela. Tal fato gerou um requerimento de Afrodite, Atena e Hera a Zeus para julgar qual delas era a mais merecedora da tal maçã. Zeus, por sua vez, livrando-se de tal empreitada, repassa para o pastor-príncipe mortal de Troia, Páris para fazê-lo. Assim foi, sobre o Monte Ida, ele começou a inspeção quando cada uma usa seus poderes para suborná-lo. Entre as ofertas, Páris aceita o presente de Afrodite: desposar Helena de Esparta, esposa do rei grego Menelau e este, por sua, condecora a deusa com a maçã. Tal fato proporciona a revolta dos gregos e de Hera, dando inicio às expedições que redundam na Guerra de Troia. Veja mais sobre Afrodite & suas servas aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
OS FATOS E O INSETO DE MAGNÓLIA – O premiado livro Magnólia: 100 fatos e um voo de inseto (Bertrand Brasil, 2005 – Prêmio Jabuti
de 2006) da filósofa, escritora, professora universitária e artista plástica
gaúcha Marcia Tiburi, é o primeiro
volume da Trilogia Íntima da autora, do qual destaco o trecho Escuridão: Podemos
empilhar o mundo no chão e tirar-lhe o pó de anos. Ora, não podemos saber se o
pó é de anos, semanas, dias; não é possível interpretar os sinais; o a priori
das conclusões sempre vem cheio de empáfia; por azar sempre existem cartas
remetendo o tempo em letras. E preciso parar para ver. Ou esquecer de vez, mas
é impossível quando não houve lembrança. É das cartas que vem toda a dúvida
sobre conhecer a si mesmo. Eu, porém, não tenho mais nenhuma dúvida, ainda que
existam cartas, e, como estas, tão incógnitas. Veja mais aqui, aqui e aqui.
ODISSEIA CACILDAS! – Em uma tetralogia denominada Odisseia Calcildas, o dramaturgo e ator José Celso Martinez Corrêa homenageia
os trinta anos de carreira de um dos maiores mitos dos palcos brasileiros e
considerada a mãe do teatro moderno brasileiro, a atriz paulista Cacilda Becker (1921-1969), que encenou
cerca de sessenta e oito peças teatrais, três filmes e uma telenovela, afora
participações em teleteatros televisivos. Essa tragicomediaorgya é a primeira
das quatro peças que foi desenvolvida com a bolsa de dramaturgia Oswald de
Andrade da SEC/SP, em 1990, e ganhadora do prêmio Flávio Rangel de melhor peça
teatral e peça do ano pela crítica especializada, durante a temporada que ficou
no Teatro Oficina, além de ganhar os prêmios Shell, Mambembe, Apetesp e da
Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). A homenageada era responsável
por provocar paixões avassaladoras que transitaram entre os seus três
casamentos, o último deles com o saudoso ator Walmor Chagas (1930-2013). Em
2009, a tetralogia Odisseia Calcildas
foi apresentada como um festival no Teatro Oficina Uzyna Uzona, sendo a
personagem interpretada pela atriz Anna Guilhermina (foto acima). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.
TROIS COULEURS: BLANC – O drama Trois Couleurs: Blanc (A igualdade é branca, 1994) é o segundo
filme da Trilogia das Cores do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996), conta a história do emigrante
polaco Karol Karol que vive na França e é casado com uma francesa que quer
separar-se dele pela não consumação do matrimônio. Humilhado, mas ainda
amando-a, o marido acaba por mendigar no metrô parisiense até encontrar um
outro polaco que o leva de volta à terra natal. Ao retornar ele retoma o
trabalho de cabeleireiro até se envolver em diversos fatos que o levam fazer
fortuna na Polônia, tramando uma vingança contra sua ex-esposa. Destaque para o
papel desempenhado pela atriz, cantora, compositora e diretora de cinema
francesa Julie Delpys no filme. Veja
mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.quinta-feira, janeiro 15, 2015
ANA PAULA TAVARES, CAMILLE PAGLIA, ELIZABETH HARROWER, BOURDIEU, REBECCA SCHAEFFER & ISAIAH BERLIN
A ÚLTIMA CENA
DE REBECCA - Desde menina
interessada em moda e artes cênicas, logo tornou modelo fotográfica e da
passarela ainda na infância. Tornou-se uma linda adolescente e foi pra New York
buscar oportunidades e se formou como atriz. O sucesso levou-a ao Japão
estrelando capas de revistas, desfiles, campanhas publicitárias e comerciais na
televisão. Ao regressar focou seu aperfeiçoamento na carreira de atriz,
enquanto servia de garçonete para bancar seus estudos. Não demorou muito e
lá estava ela na novela One life to live, depois os seriados My
Sister Sam e Radio Days, a comédia Scenes from the Class Struggle
in Beverly Hills, atuações em The End of Innocence, Voyage of
Terror: The Achille Lauro Affair e Out of Time. Radiantemente linda, emergiram fãs apaixonados
com insistentes pedidos de casamento, o que a fez parar de responder aos tantos
convites. Uma estrela em ascensão, apaixonada pelas câmeras e passarelas, digna
de louvores. Um dia estava em casa aguardando o envio de um roteiro, quando foi
surpreendida por um tiro no peito, à queima roupa, provocando hemorragia e
parada cardíaca. Era a paixão obsessiva de um fã, réu confesso. Assim se foi a
bela e jovem Rebecca Lucile Schaeffer (1967-1989). Veja mais aqui e
aqui.
DITOS &
DESDITOS - Não podemos ter um mundo onde todos são vítimas. "Eu sou
assim porque meu pai me fez assim. Eu sou assim porque meu marido me fez assim." Sim, somos de
fato formados por traumas que acontecem conosco. Mas então você
deve assumir o comando, você deve assumir, você é responsável.
Carisma é a aura numinosa em torno de uma personalidade narcisista. Ela flui para
fora de uma simplicidade ou unidade de ser e uma compostura e vitalidade
controlada. Há acomodação
graciosa, mas impessoalidade imponente. Carisma é o
brilho produzido pela interação de elementos masculinos e femininos em uma
personalidade talentosa. A mulher
carismática tem uma força e severidade masculinas. O homem
carismático tem uma beleza feminina fascinante. Ambos são
quentes e frios, brilhando com amor próprio pré-sexual. Pensamento da escritora, professora e
acadêmica Ph.D, ensaísta crítica social e de arte estadunidense, Camille
Paglia. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
ALGUÉM FALOU: O que é a vida? (1) História contada por um
idiota cheio de som e fúria, sem significar nada. (2) Definição de dicionário
em biologia (processo químico dentro de entidades orgânicas envolvendo
metabolismo, etc.) (3) Sra. Woolf: “A vida é um halo luminoso, um invólucro
semitransparente que nos envolve desde o início da consciência até o fim”. (4)
Série de dados comportamentais reais e hipotéticos que diferem em certos
aspectos atribuíveis dos dados que definem entidades mortas ou inanimadas. (5)
Aquilo que o Senhor infundiu em Adão. Veja Gênesis 1.4 [sc. 2. 7]. Qual? Cãibra Mental... Só me sinto feliz quando sinto a
solidariedade da maioria das pessoas que respeito e que estão comigo. Este
país é sem dúvida o maior conjunto de seres humanos fundamentalmente
benevolentes alguma vez reunidos, mas a ideia de ficar aqui continua a ser um
pesadelo. Certamente nenhuma política é mais real do que a da vida
académica, nenhum amor mais profundo, nenhum ódio mais ardente, nenhum
princípio mais sagrado. Pensamento do filósofo letão Isaiah Berlin
(1909-1997), que no seu livro The Crooked
Timber of Humanity: Chapters in the History of Ideas (Princeton
University Press, 2013), expressou: […] A liberdade e a igualdade estão entre os principais
objetivos perseguidos pelos seres humanos ao longo de muitos séculos; mas a
liberdade total para os lobos é a morte para os cordeiros, a liberdade total
dos poderosos, dos talentosos, não é compatível com os direitos a uma
existência decente dos fracos e dos menos talentosos [...]. No livro The Proper Study of Mankind (Farrar, Straus and
Giroux, 2000) ele expressou que: […] A noção do todo perfeito, a solução final na qual todas
as coisas boas coexistem, parece-me não apenas inatingível — isso é um truísmo
— mas conceitualmente incoerente. .[...] Alguns entre os grandes bens não podem viver juntos. Essa é uma
verdade conceitual. Estamos
condenados a escolher, e cada escolha pode acarretar uma perda irreparável. [...] Já no livro The Hedgehog and the Fox: An Essay on Tolstoy's View
of History (Princeton University Press, 2013), por fim expressa: […] A ciência não pode
destruir a consciência da liberdade, sem a qual não há moralidade nem arte, mas
pode refutá-la.
[...]. Veja mais aqui.
O QUE FALAR QUER DIZER – [...] A língua legítima não tem o poder de
garantir sua própria perpetuação no tempo nem o de definir sua extensão no
espaço. Somente esta espécie de criação continuada que se opera em meio às
lutas incessantes entre as diferentes autoridades envolvidas, no seio do campo
de produção especializada, na concorrência pelo monopólio da imposição do modo
de expressão legítima, pode assegurar a permanência da língua legítima e de seu
valor, ou seja, do reconhecimento que lhe é conferido [...]. O que faz o poder das palavras e
das palavras de ordem, poder de manter a ordem ou de a subverter, é a crença na
legitimidade das palavras e daquele que as pronuncia, crença cuja produção não
é da competência das palavras [...] Sustentar que a percepção do mundo social
implica um ato de construção não implica, de modo algum, que se aceite uma
teoria intelectualista do conhecimento: o que é essencial na experiência do
mundo social e no trabalho de construção que ela comporta opera-se, na prática,
aquém do nível da representação explícita e da expressão verbal [...] Trechos extraídos da obra A Economia das
Trocas Linguísticas: O que Falar Quer Dizer (Perspectiva, 2007), do
sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Veja mais aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui e aqui.
A TORRE DE VIGIA
- [...] Mas o mundo, pobre mundo, estava tão
sobrecarregado de inteligência quanto de estupidez, e em certo sentido (sem
isso), eles não eram a mesma coisa? Oh, ele é
inteligente, pensou Clare, mas quem é bom? Quem é bom? Quem é bom?
[...] Você pode admirar a maneira como alguém enfrenta
circunstâncias difíceis, mas não pode admirá-lo por causa delas.
[...]. Trechos extraídos da obra The Watch Tower (Text, 2013), da
escritora australiana Elizabeth
Harrower (1928-2020), que
na obra Down in the City (Text Classics, 2014), expressou que: [...] Por cinco dias a cidade murchou sob um céu duro, sufocando em uma
temperatura que permaneceu fixa em meados dos anos 30. Mesmo à noite não havia
alívio para o calor. Pijamas e
camisolas grudavam pegajosamente na pele úmida. Figuras
seminuas e autocompassivas se levantaram, exasperadas pela insônia, para
tropeçar em quartos escuros em busca de um local mais fresco do que sua cama,
esperando que, acidentalmente, pudessem acordar qualquer dorminhoco nojento que
a casa contivesse. Água fria
corria quente das torneiras, e as estradas se transformavam em alcatrão. [...] A cidade, para ela, significava alguns
quarteirões específicos — os melhores quarteirões — dispostos juntos em um
retângulo organizado, ligados por galerias e lojas de departamento; três ruas em
uma direção, cortadas por quatro em ângulos retos, delimitadas no topo por
jardins, fechadas na parte inferior e em cada extremidade. Três ou quatro
vezes por semana, ela andava pelas ruas desses quarteirões, sentia o cheiro do
café, das flores, do couro rico e caro, dos cosméticos. [...]. A ela é atribuida a frase: Se dois homens
estivessem andando pela rua e um tijolo caísse em um, errando o outro, isso
tornaria o ferido uma pessoa melhor?...
CINCO POEMAS - I – Meu corpo é um grande mapa muito antigo
\ percorrido de desertos, tatuado de acidentes\ habitado por uma
floresta inteira\ um coração plantado\ dentro de um jardim japonês\
regado por veias finas\ com um lugar vazio para a alma. II – Desossaste-me\
cuidadosamente\ inscrevendo-me\ no teu universo\ como uma ferida\ uma prótese
perfeita\ maldita necessária\ conduziste todas as minhas veias\ para que
desaguassem\ nas tuas\ sem remédio\ meio pulmão respira em ti\ o outro, que me
lembre\ mal existe\ Hoje levantei-me cedo\ pintei de tacula e água fria\ o
corpo aceso\ não bato a manteiga\ não ponho o cinto\ VOU\ para o sul saltar o
cercado. CANTO DE NASCIMENTO
- Aceso está o fogo\ prontas as mãos\ o dia parou a sua lenta
marcha\ de mergulhar na noite.\ As mãos criam na água\ uma
pele nova\ panos brancos\ uma panela a ferver\ mais a faca
de cortar\ Uma dor fina\ a marcar os intervalos de tempo\ vinte
cabaças deleite\ que o vento trabalha manteiga\ a lua pousada na
pedra de afiar\ Uma mulher oferece à noite\ o silêncio aberto
de um grito\ sem som nem gesto \ Capenas o silêncio aberto assim
ao grito\ solto ao intervalo das lágrimas\ As velhas desfiam uma
lenta memória\ que acende a noite de palavras\ depois aquecem as
mãos de semear fogueiras\ Uma mulher arde\ no fogo de uma dor fria\
igual a todas as dores\ maior que todas as dores.\ Esta mulher
arde\ no meio da noite perdida\ colhendo o rio\ enquanto
as crianças dormem\ seus pequenos sonhos de leite. A ANONA - Tem
mil e quarenta e cinco\ Caroços\ Cada um com uma circunferência\
À volta\ Agrupam-se todos\ (arrumadinha)\ No pequeno útero
verde\ Da casca. AMARGOS COMO OS FRUTOS - Amado, por que
voltas\ com a morte nos olhos\ e sem sandálias\ como se um
outro te habitasse\ num tempo\ para além\ do tempo todo\
Amado, onde perdeste tua língua de metal\ a dos sinais e do provérbio\
com o meu nome inscrito\ Onde deixaste a tua voz\ macia de capim
e veludo\ semeada de estrelas\ Amado, meu amado,\ o que
regressou de ti\ é a tua sombra\ dividida ao meio\ é um
antes de ti\ as falas amargas\ como os frutos. Poemas da
poeta e historiadora angolana Ana Paula Ribeiro Tavares.
SACADOUTRAS
UM
SONHO ABATIDO À BALA – O pastor evangélico, ativista político e líder dos
direitos humanos norte-americanos Martin
Luther King Jr (1929-1968) que lutou em defesa dos
direitos sociais para os negros e mulheres, combatendo o preconceito e o
racismo. A sua voz e ação era em defesa da luta pacífica, baseada no amor ao
próximo, como forma de construir um mundo melhor, baseado na igualdade de
direitos sociais e econômicos. Repetia com veemência que “Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um
caudaloso rio”. E que: “Nada no mundo
é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa”. Em
seu discurso, Eu tive um sonho (I have a
Dream), ele vociferou: [...] Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós
enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um
sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia
esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós
celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são
criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia
os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de
escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho que
um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor
da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um
oásis de liberdade e justiça. Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas
crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da
pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um
sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador
que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia
no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos
brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho
um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas
virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão
endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta. Esta
é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós
poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé
nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia
de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos,
lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe
nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as
crianças de Deus poderão cantar com um novo significado [...]. King recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 14 de
outubro de 1964, por sua luta no combate à desigualdade racial através da não
violência. Incluiu a seguir na sua pauta de reivindicação a pobreza e a Guerra
do Vietnã, passando a ser odiado por segregacionistas do sul, culminando com o
assassinato no dia 4 de abril de 1968, em Menphis, no Tennessee. Veja mais aqui e aqui. SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!
Imagem: Acervo ArtLAM . Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...
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Imagem: Acervo ArtLAM . Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...
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AH, EMMA FROST... – Ela chegou supreendentemente avassaladora na ventania da noite para incendiar meu regaço. Uma femme fatale ame...
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A arte da artista visual e arquiteta Rosana Palazyan . PENSAMENTO DO DIA – [...] Nós nos havíamos comprometido com demasiado...
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O CATIVEIRO AMOROSO DA TEIMOSIA DELA - Toda sexta-feira, meio dia em ponto, eu armo meu conto e me faço vigário. Eu domino o cenário,...
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DITOS & DESDITOS - Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber . Pensamento de Paulo ...


























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