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quinta-feira, junho 28, 2018

PIRANDELLO, MORIN, MARCUSE, BRUNO TOLENTINO, KIESLOWSKI, CALIMÉRIO SOARES & TERESA POESTER


MEU CORAÇÃO CHOVE LÁ FORA – Imagem: arte da professora e artista visual Teresa Poester. - Chove lá fora e meu coração é véspera do estio, uma vez e nada mais. Transido de frio, expôs-se ao fogo e, entre as áureas labaredas do amor, aprendeu o milagre das cinzas ao vento pelos aflogísticos vitais, pra revivescência improvável na finitude, o calor das paixões. Enterrou-se ao chão para aprender, nos giros de si e ao redor de tudo, a roda-viva dos labirintos com todos os caminhos que brotam da semente pra raiz a nascer na terra, fiapo de vida a ascender por galhos e frondoso até ser levado às alturas do tempo aos confins do porvir, quando tudo é nada e apenas sou o que sou entre simulacros e azáfamas. E se ao mormaço a esperança envergo, dou-me à resistência por salvação, diante do solo que sumiu na primeira esquina que não há mais por tantas multiplicadas nos espelhos do dia, a me confundir das memórias dos talhos. E se queimo na insolação, dou-me carne retalhada pelo agreste pedregoso de todas as arranhuras e tocaias, sobrevivente da hora, até saber novamente da chuva lá fora e meu coração estiado na solidão, aprendeu viver aos ventos que vão e voltam entre folhas e flores que caem e sou eu levitando sem direção, até pousar quase longe de onde jamais soubera haver por destino, errâncias e sucumbências de nunca escapar. E levado intruso pelos declives líquidos que dão nas poças esborradas por nesgas e valas até às corredeiras pros leitos chegar à fonte e beber da água cristalina para matar a sede de milênios pelos poros. Depois tomado pelo regato aos caudais e cascatas e mergulhar no mar, o batismo das profundezas abissais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do musicista e compositor erudito Calimério Soares (1941-2011): Lamento & Dança, Momentos nordestinos, Suíte Juvenil & Suíte Antiga & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] precisamos saber que não há sociedade harmoniosa, funcional, em que o individual e o social se ajustem perfeitamente um ao outro, e cujo produto natural seja a felicidade. É preciso saber, o que é ainda pior, que o mal se oculta na ideia de salvação social. [...]. Pensamento extraído da obra Para sair do século XX (Nova Fronteira, 1986) do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, que em outra obra Introdução ao pensamento Complexo (Instituto Piaget, 2008), expressa que: [...] creio profundamente que quando menos um pensamento for mutilador, menos mutilará os humanos. É preciso lembrar os estragos que as visões simplificadoras fizeram, não apenas no mundo intelectual, mas na vida. Muitos dos sofrimentos que milhões de seres suportam resultam dos efeitos do pensamento parcelar e unidimensional. [...]. Veja mais aqui.

CULTURA & SOCIEDADE - [...] cultura é mais do que uma mera ideologia. Em vista dos objetivos que a civilização ocidental declara e da pretensão de realizá-los, definiríamos Cultura como processo de humanização (Humanisierung) caracterizado pelo esforço coletivo para conservar a vida humana, para pacificar a luta pela existência ou mantê-la dentro de limites controláveis, para consolidar uma organização produtiva da sociedade, para desenvolver as capacidades intelectuais dos homens e para diminuir e sublimar a agressão, a violência e a miséria [...]. Trecho extraído da obra Cultura e sociedade (Paz e Terra, 1998), do sociólogo e filosofo alemão pertencente à Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse (1898-1979). Veja mais aqui.

A SENHORA FROLA E O SENHOR PONZA – [...] Compreende-se que uma filha, casando, deixe a casa da mãe para ir viver com o marido. Mesmo que seja numa outra cidade; mas que esta mãe, depois, não podendo suportar a ausência da filha, abandone a sua cidade, a sua casa, e vá procurá-la, e que, na cidade onde tanto ela como a filha são forasteiras, vá morar numa casa à parte, é o que se não compreende muito facilmente; ou, então, deve-se admitir que, entre a sogra e o genro, existe uma incompatibilidade tão grande que torna realmente impossível a convivência, ainda mesmo nestas condições. [...] Não pode ser outra coisa. Do contrário, como explicar todos os cuidados, todas as atenções que ele lhe dispensa, a ela, sua sogra, dada a hipótese de que ele ainda acredite que é, de fato, uma segunda esposa a que possui? Não se sentiria obrigado a ser tão atencioso para com uma mulher que, a ser assim, teria deixado de ser sua sogra, não é verdade? E não é para provar – note-se bem! – que o louco é ele, que a Senhora Frola diz isto tudo; é, de preferência, para se convencer, a si mesma, de que as suas suspeitas são fundadas. [...] e toda vez que ambos se encontram, casualmente, na rua, com a maior cordialidade, continuam andando juntos; ele lhe dá a direita e, se ela se cansa, lhe estende o braço e vão assim, juntos, entre o despeito surdo e o espanto e a consternação do povo, que os estuda, os examina, os observa, e, nada! Ainda não consegue, de modo algum, compreender qual dos dois é o louco, onde está o fantasma, e onde a realidade... [...]. Conto extraído da obra Contos (Relógio D’Água, 2012), do dramaturgo, poeta, romancista siciliano e Prêmio Nobel de Literatura de 1934, Luigi Pirandello (1867 – 1936). Veja mais aqui.

E LHE CANTEI ENTÃO ESTE ACALANTO - Dorme, Minotauro, Mouro / da mais amarga Veneza, / mudo amor na correnteza / do balbucio, homem-touro / tossindo no labirinto / da névoa e da solidão, / cala o instinto e o indistinto / e dorme, descansa, irmão! / Não existes, não existo, / nada existe neste mundo / aquém ou além do fundo / da linguagem. É tudo um misto / de silêncio e de ruído / no coração de quem sofre / preso num malentendido / como um inseto num cofre. / Perdoa-te… Nada ganhas / com dar e redar teus nós / na teia da velha aranha / retendo e perdendo a voz / no pescoço que partiste: / a garganta bipartida / entre a elegia do triste / e o último sopro da vida / não te vai dizer mais nada. / Tudo o que pôde foi dito. / No silêncio, na calada / da noite, escuta o infinito / para além da grade, tua / e dos outros prisioneiros / entre a linguagem e a luta. / Os últimos e os primeiros / tampouco entenderam Aquele / que ia morrer e lhes disse / que este universo era Dele / e o resto tudo crendice. / Nem tudo é só desperdício. / Tudo e nada nesta vida / se confundem, fim e início, / chegada como partida / trocam-se em pura ruína / mas o verme engole a aranha, / believe it or not! A sina / que escolhestes não se ganha / sem um sacrifício imenso, / mas que vale mais que a cena / em que por causa de um lenço / Otelo mata Desdêmona / ou o velho rei Lear, / louco e só, só pelo e osso, / vê e não vê balançar / Cordélia pelo pescoço. / Se o amor não aprende a língua / do ser amado, esse amor / é um louco morrendo à míngua / do que seja, ou do que for… / Deixa-te embalar, amigo, / como eu me deixo cantar / este acalanto e te digo, / te juro que o verbo amar / só Deus conjuga contigo. Poema do poeta Bruno Tolentino (1940-2007). Veja mais aqui.

SETE MULHERES DE DIFERENTES IDADES
O documentário curta-metragem Sete Mulheres de Diferentes Idades (Siedem kobiet w róznym wieku, 1978), do premiadíssimo cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996), traz a cidade de Lodz que possui uma tradicional escola de cinema e foi lá que grandes cineastas estudaram. Como trabalho de conclusão de seu curso nessa instituição, Kieslowski decidiu homenagear a cidade, produzindo Da Cidade de Lodz (1968). Trata-se de um relato sobre as tradições e cultura de Lodz, suas potencialidades e desenvolvimento, a exemplo de uma fábrica têxtil onde todas as funcionárias são mulheres, representando a força feminina do local, algo explicitado na cena onde Kieslowski, após mostrar o esforço das senhoras, corta para homens fazendo nada. Destaca também a influência da música sobre a cultura local, ressaltando como os habitantes ficam ansiosos pelos festivais musicais e apresentações da orquestra local. Cada dia da semana é representado por uma bailarina começando com uma garotinha e terminando com uma velha professora. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Simpósio Internacional de Educação e Comunicação (SIMEDUC) & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da professora e artista visual Teresa Poester.
Veja mais aqui.
&
Versos à flor da pele na prosa de um poema, o cinema de Jean-Luc Godard, a escultura de Bertel Thorvaldsen, a música de Sharon Corr & a arte de Luciah Lopez & Elke Lubitz aqui.
&
Da semente ao fruto, a vida, Dinheiro de Axel Capriles, o teatro de Luigi Pirandello, a música de Yuja Wang & a arte de Andrea Medjesi-Jones aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.


terça-feira, abril 07, 2015

PRIMO LEVI, SAFI FAYE, NANCY MITFORD, GABRIELA MISTRAL & WORDSWORTH


 

A SOLIDÃO DE NANCY... - Era a filha mais velha do barão Redesdale e foi educada particularmente. Uma jovem que era uma promessa brilhante logo deu o ar de sua graça e os pendores literários com a publicação dos escritos: Highland Fling. Logo brilhou com a publicação de Christmas Pudding e, logo em seguida o primeiro amor levou-a ao casamento. Publicou outro livro, o Wigs on the Green e o relacionamento conjugal, por tanto que durou, não resistiu à insatisfação mútua e ao divórcio. A sonhadora em busca do amor logo publicou Pigeon Pie. Contudo, foi com a publicação dos manuscritos que seriam seu primeiro grande sucesso: The Pursuit of Love, mantendo a chama viva da paixão. Estava definitivamente estabelecida a sua reputação de escritora. E foi durante a segunda guerra que se envolveu com o segundo amor, publicando em seguida Love in a Cold Climate. Logo desenvolveu o conceito de língua U e não-U: as palavras identificavam as origens sociais. Era uma piada, mas foi levada a sério por muita gente. Vieram então os livros The Blessing, a biografia de Madame de Pompadour, a biografia Voltaire in Love e Don't Tell AlfredA sua sagacidade afiada e provocativa foi amainando com o fracasso do relacionamento e a saúde deteriorada: a sua marca ficou para sempre. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Se não é possível ser feliz, é preciso se divertir. Há coisas piores que a pobreza, embora eu não consiga lembrar quais são no momento. É engraçado que as pessoas estejam sempre prontas para admitir que não têm talento para desenho ou música, enquanto todos imaginam que são capazes de amar de verdade, o que é um talento como qualquer outro, só que muito mais raro. O que é tão bom e tão inesperado sobre a vida é a maneira como ela melhora conforme avança. Acho que você deveria incutir esse fato em seus filhos porque acho que os jovens têm uma sensação horrível de que a vida está passando por eles e eles precisam fazer alguma coisa - pegar alguma coisa - eles não sabem bem o que, enquanto eles só precisam esperar e tudo vem. A grande vantagem de viver em uma família grande é a lição precoce da injustiça essencial da vida. Às vezes fico entediado com as pessoas, mas nunca com a vida. Pensamento da escritora britânica Nancy Freeman-Mitford (1904-1973). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Eu fiz o meu melhor. Não preciso convencer o público. Realmente não acredito em religiões monoteístas e, portanto, defendo religiões africanas baseadas em espíritos. Talvez eu tenha ousado mostrar o que acontece à noite e sobre o qual as pessoas nunca falam durante o dia. “Cavalgar” não é um problema. Tudo é fruto da imaginação – minha imaginação. Por que todos os filmes devem conter uma mensagem, ser instrutivos ou educativos? Criatividade não é uma atividade analítica. Para mim, os filmes nascem da imaginação. Como minha mãe diz, é o destino. Estava escrito que eu tinha que passar por esse julgamento, mesmo depois de 20 anos no ramo. Havia um mistério em torno do filme. Eu tinha dado direito de autoridade ao produtor francês designado que tinha adquirido – sem nosso conhecimento – os direitos do filme, bem como todo o financiamento que eu tinha obtido da Itália e da Suíça. Tudo desapareceu no ar. Por seis anos; eu tive que lutar sozinha até o fim do processo judicial. De qualquer forma, meu filme foi inteiramente filmado em 1990, quando Mossane tinha 14 anos. O que aconteceria se faltassem algumas cenas, agora que Mossane tem 21? Quero esquecer os últimos seis anos. Mossane está pronto e estou feliz por finalmente ter chegado lá. Eu gosto muito deste filme. Pensamento da cineasta e etnóloga senegalesa Safi Faye (1943-2023).

 

A TRÉGUA – […] Hurbinek era um nada, um filho da morte, um filho de Auschwitz. [...] Hurbinek continuou, enquanto viveu, as suas experiências obstinadas. Nos dias seguintes, todos nós o ouviamos em silêncio, ansiosos por entendê-lo, e havia entre nós falantes de todas as línguas da Europa: mas a palavra de Hurbinek permaneceu secreta. Não, não devia ser uma mensagem, tampouco uma revelação: era talvez o seu nome, se tivesse a sorte de ter um nome; talvez (segundo uma de nossas hipóteses) quisesse dizer “comer” ou “pão”; ou talvez “carne” em boêmio, como sustentava, com bons argumentos, um dos nossos, que conhecia essa língua. Hurbinek, que tinha três anos e que nascera talvez em Auschwitz e que não vira jamais uma árvore; Hurbinek, que combatera como um homem, até o último suspiro, para conquistar a estrada no mundo dos homens, do qual uma força bestial o teria impedido; Hurbinek, o que tinha nome, cujo minúsculo antebraço fora marcado mesmo assim pela tatuagem de Auschwitz; Hurbinek morreu nos primeiros dias de março de 1945, liberto mas não redimido. Nada resta dele: seu testemunho se dá por meio de minhas palavras. [...] Em suas conversas, o verdadeiro, o possível e o fantástico formavam um nó imbricado, variável e inextricável. Falava da prisão e do tribunal como de um teatro, onde ninguém é realmente ninguém, mas cada um representa, demonstra a sua habilidade, entra na pele de outro, interpreta um papel; e o teatro, por sua vez, era um grande símbolo obscuro, um instrumento tenebroso de perdição, a manifestação externa de uma seita subterrânea, malvada e onipresente, que impera para dano de todos, e que bem bater à nossa porta, para nos agarrar, pôr em nós uma máscara, para que sejamos o que não somos e façamos o que não queremos. Essa seita é a Sociedade: o grande inimigo, contra quem o Pôr-do-Sol sempre combatera, e sempre fora vencido, conseguindo, porém, reerguer-se heroicamente todas as vezes. [...] roubaram todas as suas palavras, seus gestos de desapontamento, e assim fizeram com que se tornasse ator à sua revelia. Roubaram-lhe a imagem, a sombra, a alma. Foram eles que o fizeram tramontar, e o batizaram Pôr-do-Sol. [...] o homicídio polposo é quando alguém enfia a faca não no peito, ou na barriga, mas aqui, entre o coração e a axila, na polpa; e é menos grave. [...] o fato de sentir pela primeira vez, debaixo de nossos pés, um pedaço da Alemanha [...] somava ao nosso cansaço um estado de alma complexo, feito de impaciência, de frustração e de tensão. Parecia que tínhamos algo a dizer, coisas enormes a dizer, a cada alemão em particular, e que cada alemão tinha coisas a nos dizer: sentíamos a urgência de tirar conclusões, de perguntar, explicar e analisar, como fazem os jogadores de xadrez no final do jogo [...]. se não sabiam, deviam, deviam sagradamente ouvir, saber de nós, de mim, tudo e depressa: eu sentia o número tatuado no braço queimando como uma chaga. [...] parecia-me estar caminhando entre tropas de devedores insolventes, como se cada qual me devesse alguma coisa e se negasse a pagar. [...] Mas ninguém olhava em nossos olhos, ninguém aceitou o desafio: eram surdos, cegos e mudos, entrincheirados entre as próprias ruinas como num fortim de desejado desconhecimento, fortes, ainda, capazes de ódio e desprezo, prisioneiros ainda do antigo nó de soberba e culpa. [...] mas sabíamos que nas soleiras de nossas casas, para o bem ou para o mal, nos esperava uma provação, e antecipávamos com temor. [...] sinto uma angústia sutil e profunda, a sensação definida de uma ameaça que domina [...]. Tudo agora tornou-se caos: estou só no centro de um nada turvo e cinzento. [...]. Trechos extraídos da obra A treva (Companhia de Bolso; 2010), do químico e escritor italiano Primo Levi (1919-1987). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A TERRA – Na antologia poética da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), destaco o seu belíssimo poema A Terra, na tradução de José Jeronymo Ribera: Indiozinho, se estás cansado / Tu te recostas sobre a Terra, / fazes igual se estás alegre, / vai, filho meu, brinca com ela... / Que de coisas maravilhosas / soa o tambor índio da Terra: / se ouve o fogo que sobe e desce / buscando o céu, e não sossega. / Roda e roda, se ouvem os rios / em cascatas que não se contam. / Se ouve mugir os animais; / comer o machado a selva. / Ouve-se soar teares índios. / Se ouvem trilhos e se ouvem festas. / Aonde o índio está chamando, / o tambor índio lhe contesta, / e tange perto e tange longe, / como o que foge e que regressa... / Tudo toma, tudo carrega / o corpo sagrado da Terra: / o que caminha, o que adormece, / o que se diverte e o que pena; / os vivos e também os mortos / leva o tambor índio da Terra. / Quando eu morrer, não chores, filho: / peito a peito junta-te a ela / e se dominas o teu fôlego / como quem tudo ou nada seja, / tu ouvirás subir seu braço / que me jungia e que me entrega / e a mãe que estava quebrantada / tu a verás tornar inteira. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Imagem: Female nude (for the decoration of Bristol club), do pintor português Almada-Negreiros (1893-1970)

Ouvindo: Concerto for sitar and orchestra (BGO Records, 1990), do compositor e músico indiano Ravi Shankar (1920-2012), arranjos de Ali Arkbar Khan e o autor, conductor André Previn and London Symphony Orchestra.

BOCA DO INFERNO – O romance Boca do Inferno (Companhia das Letras, 1990), da escritora Ana Miranda é desenvolvido no séc. XVII na Bahia colonial, durante o governo tirânico do militar Antonio de Souza de Menezes, alcunhado de Braço de Prata, por usar uma peça deste metal no lugar do braço perdido numa batalha naval contra os invasores holandeses. Entre os perseguidos pela fúria do brutal governador, está o grande poeta brasileiro Gregório de Matos Guerra (1633-1696), envolvido por suas ligações com os Ravasco e por suas sátiras aos poderosos, perdendo seus cargos e tendo que fugir com medo de ser preso ou morto. Ilustra bem a situação esse soneto da lavra desse autor: A cada canto um grande conselheiro, / Que nos quer governar cabana e vinha; / Não sabem governar sua cozinha, / E podem governar o mundo inteiro. / Em cada porta um bem frequente olheiro, / que a vida do vizinho e da vizinha / Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, / Para o levar à praça e ao terreiro. / Muitos mulatos desavergonhados, / Trazidos sob os pés os homens nobres, / Posta nas palmas toda a picardia, / Estupendas usuras nos mercados, / Todos os que não furtam muito pobres: / E eis aqui a cidade da Bahia. Veja mais aqui e aqui.

O CARVALHO DE GUERNICA – Em uma coletânea de poemas selecionados por David Ferry (Dell Publishing, 1960), reunindo poemas do maior poeta romântico inglês, William Wordsworth (1770-1850), destaco o seu poema O carvalho de Guernica: O antigo / carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural / mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa / Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos / respeitar os seus foros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo / é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810. / Carvalho de Guernica! Árvore mais / Sagrada que em Dodona a que escondia / Uma divina voz (a fé o cria) / Dando da aérea fronde altos sinais! / Como podes florir em tempos tais? / Que esperança o Sol te traz, ou que alegria? / São-te trazidas pela maresia, / Ou por leves orvalhos matinais? / Benvindo seja o golpe que em ti caia, / E em terra alongue a tua fronde imensa, / Se nunca mais, à sua sombra densa, / Venham legisladores sentar-se uivantes, / Senhores e camponeses, como dantes, / Guardiães das liberdades da Biscaia. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.

TROIS COULEURS: ROUGE – O drama Trois couleurs: Rouge (A fraternidade é vermelha, 1994), é o terceiro filme da Trilogia das Cores do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996), conta a história de uma jovem modelo Valentine que está dirigindo seu carro de volta para casa quando atropela algo em seu caminho. Ao descer do veículo, encontra uma cadela ferida, com o endereço de seu dono na coleira, quando conheceu um juiz aposentado que termina seus dias espionando as conversas telefônicas de seus vizinhos. Por trás deste estranho comportamento, está o enigma de um homem cujo motivo vital é tomar posse da intimidade daquelas pessoas e acompanhar passo a passo o desenrolar de seus destinos. Destaque para o trabalho da atriz franco-suíça Irène Jacob no papel da protagonista. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.



Veja mais sobre:
Dois quentes & um fervendo, a poesia de James Joyce, A música viva de Koellreutter & Carlos Kater, a pintura de Jan Sluijters, a arte de Karel Appel, a música de Brahms & Giorgia Tomassi aqui.

E mais:
Exercício de admiração de Emil Cioran, Abril despedaçado de Ismail Kadaré, o teatro de Meyerhold, a arte de Fridha Khalo, a música de Badi Assad, a pintura de Karel Appel, o cinema de Carla Camurati & Marieta Severo, Carlota Joaquina & Clube Caiubi de Compositores aqui.
Doro na Caixa do Fecamepa aqui.
Constitucionalização do direito penal aqui.
Literatura Infantil, a poesia de Hermann Hesse, o teatro de Constantin Stanislavski, Leviatã de Thomas Hobbes, o cinema de Krzysztof Kieslowski & Juliette Binoche, a música de Tom Jobim & Lee Ritenour, Tiquê: a deusa da fortuna, a arte de Bette Davis, a pintura de Jean-Honoré Fragonard & Alexey Tarasovich Markov aqui.
O lado fatal de Lya Luft, a literatura de Marcia Tiburi, Afrodite & o julgamento de Páris, a música de Diana Kral, o teatro de Cacilda Becker & José Celso Martinez Corrêa, o cinema de Krzysztof Kieslowski & Julie Delpys, a arte de Jeanne Hébuterne, a pintura de Débora Arango & Enrique Simonet aqui.
A salvação bidiônica depois da bronca, o pensamento de István Mészarós, Mal de amores de Ángeles Mastretta, Horror econômico de Viviane Forrester, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a pintura de Auguste Chabaud, a música de Tatjana Vassiljeva, a arte de Lia Chaia & Wesley Duke Lee aqui.
Colocando os pingos nos iiiiis, A teoria da viagem de Michel Onfray, Discurso & argumentação de Débora Massmann, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, Neurofilosofia & Neurociência, a música de Natalia Gutman, a poesia de Viviane Mosé, a fotografia de Cris Bierrenbach, a arte de Mira Schendel, Conversa de bar & filho não reconhece pai & Quando se pensa que está abafando, das duas, uma: ou contraria ou se expõe ao ridículo. Cadê o simancol, meu aqui.
A gente tem é que fazer, nunca esperar que façam por nós, O enigma do artista de Ernest Kris & Otto Kurz, Os catadores de conchas de Rosamunde Pilcher, As viagens de Marco Polo, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, Respeito aos idosos, a música de Silke Avenhaus, a arte de Beth Moyses & Antonio Saura, Os passos desembaraçados nos emaranhados caminhos & Quando os ventos sopram a favor, tudo fica mais fácil aqui.
Que coisa! Quando eu ia, todos já voltavam, a poesia de Sylvia Plath, Estruturas sociais da economia de Pierre Bourdieu, Rede e movimentos sociais de Maria Ceci Misoczky, Gravidez na adolescência de Laura Maria Pedrosa de Almeida, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a música de Coeur de Pirate, a arte de Luciah Lopez, O feitiço do amor & Quando algo der errado, não adianta chilique: cada um aprende mesmo é com suas escolhas aqui.
No reino da competição todo mundo tem de ser super-homem – o ser humano não é nada, As causas da pobreza de Simon Schwatzman, A crise da educação de Hannah Arendt, a literatura de Abraham B. Yehoshua, Aprender e suportar o equivoco de Clemencia Baraldi, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, A primeira paixão de Ximênia, a música de Ernesto Nazareth & Maria Teresa Madeira, a pintura de Arturo Souto & Mikalojus Konstantinas Ciurlionis aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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segunda-feira, abril 06, 2015

SUELY ROLNIK, ELIZABETH BLACKBURN, BETTE MIDLER, CACILDA BECKER & AFRODITE

 


O SÁBIO SORRISO DE SUELY ROLNIK – Pela primeira vez o seu sorriso apaixonante, inadvertidamente tornei-me sapiossexual na hora! Tinha eu lá meus 20 e poucos anos e, diante daquela bela mulher recém-chegada da França, onde se exilara por conta da perseguição sofrida durante a horrenda ditadura militar, inevitavelmente me senti como o garoto apaixonado pela professora da escola primária. As mesmas sensações. Avidamente, dela bebi toda sapiência filosófica e psicanalítica, seus escritos, suas curadorias, suas críticas de arte e cultura, sua atuação no campo da arte contemporânea criando o Arquivo para uma obra-acontecimento com as proposições de Lygia Clark e a caixa dos filmes de entrevistas. E, sempre que podia, não perdia por nada suas exibições no Núcleo de Estudos da Subjetividade. Essa linda professora havia trabalhado na Clínica Experimental com Guattari – com quem publicou Micropolítica: Cartografias do desejo -, e que estudou com Deleuze, Foucault, Clastres e Barthes. Estava atento a tudo que ela fizesse. Quando ela foi embora para a Espanha, lecionar no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, bateu-me a inquietação. Aí corria as vistas pelas publicações da Documenta e da Manifesta, bem como pelo Manifeste Anthropophage / Anthropophagie Zombie , Archivmanie, Cartografia Sentimental: Transformações contemporâneas do desejo e das Esferas da insurreição: notas para uma vida não cafetinada. Lia e prestigiava tudo que tivesse sua rubrica, imperdível. Mantenho-me atento e aguardo ansioso seu retorno para folgar de emoção e matar as saudades desta grande mulher presencialmente. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS – Eu fiz um pacto comigo mesma há muito tempo: nunca veja nada mais estúpido do que você. Isso me ajudou muito. Aprecie para sempre o que te faz único, porque você é realmente um bocejo se for. Se pudesse receber um desejo, eu brilharia no teu olho como uma joia. Depois de trinta, um corpo tem uma mente própria. Eu me sinto um milhão esta noite - mas um de cada vez. Pensamento da cantora, atriz, roteirista e comediante estadunidense Bette Midler. Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Os genes carregam a arma e o ambiente puxa o gatilho. O envelhecimento envolve muitas coisas diferentes, e a capacidade das células de se autorrenovar faz parte do processo, mas não é tudo. Às vezes, a biologia revela seus princípios fundamentais por meio do que pode parecer, a princípio, misterioso e bizarro. Eu apenas promovi ativamente o que sempre esperamos que seja boa ciência. Pensamento da bióloga australiana Elizabeth Blackburn, Prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina de 2009.

 

UMA COISA QUE EU DISSE - A arte se realiza com o leitor (plateia) que a identifica e por sua experiência - que é única - transcende. O artista indaga; o leitor a identifica, interage e responde. Assim a arte se torna verdadeiramente arte. Por consequência, assim mesmo a arte se define e cumpre a sua função. (LAM).

 

A GEOPOLITICA DO PROXENITISMO - [...] a mesma singularidade que deu tanta força aos movimentos contraculturais no Brasil tendeu também a agravar a clonagem desses movimentos levada a cabo pelo neoliberalismo. O savoir-faire antropofágico dos brasileiros dá-lhes uma facilidade especial de adaptação aos novos tempos. As elites e as classes médias do país estão absolutamente deslumbradas por serem tão contemporâneas, tão atualizadas no cenário internacional das novas subjetividades pós-identitárias, tão bem equipadas para viver essa flexibilidade pós-fordista (que, por exemplo, as torna campeãs internacionais da publicidade e as posiciona em posições elevadas no ranking mundial das estratégias de mídia). Mas esta é apenas a forma tomada pelo abandono voluptuoso e alienado ao regime neoliberal na sua versão local brasileira, tornando os seus habitantes, especialmente os citadinos, em verdadeiros zumbis antropofágicos. [...] Foram cinco séculos de experiência antropofágica, e quase um de reflexão sobre ela, desde o momento em que os modernistas a circunscreveram criticamente e a tornaram consciente. Neste contexto, o savoir-faire antropofágico dos brasileiros – especialmente como foi atualizado nas décadas de 1960-70 – ainda pode ser útil hoje, mas não para garantir seu acesso aos paraísos imaginários do capital; pelo contrário, para ajudá-los a problematizar a confusão vergonhosa entre as duas políticas de subjetividade flexível e a separar o trigo do joio, essencialmente com base no lugar ou não-lugar que é atribuído ao outro. Este conhecimento ofereceria as condições para uma participação fértil no debate que se reúne internacionalmente em torno da problematização de um regime que agora se tornou hegemônico, e também na invenção de estratégias de êxodo para fora do campo imaginário cujas origens estão em seu mito mortal. A arte tem uma vocação especial para realizar tal tarefa, na medida em que, ao trazer as mutações da sensibilidade para o reino do visível e do dizível, pode desvendar a cartografia do presente, libertando a vida em seus pontos de interrupção e liberando seu poder de germinação – uma tarefa totalmente distinta e irredutível ao ativismo macropolítico. Este último se relaciona com a realidade do ponto de vista da representação, denunciando os conflitos inerentes à distribuição de lugares estabelecida na cartografia reinante (conflitos de classe, raça, gênero etc.) e lutando por uma configuração mais justa. São dois olhares distintos e complementares sobre a realidade, correspondendo a dois diferentes potenciais de intervenção, ambos participando a seu modo na formação de seu destino. No entanto, problematizar a confusão entre as duas políticas de subjetividade flexível para intervir efetivamente nesse campo e contribuir para quebrar o feitiço da sedução que sustenta o poder do neoliberalismo no próprio cerne de sua política do desejo, implica necessariamente tratar a doença que surgiu da infeliz confluência, no Brasil, dos três fatores históricos que exerceram um efeito negativo sobre a imaginação criadora: a violência traumática da ditadura, o proxenetismo do neoliberalismo e a ativação de uma antropofagia de base. Essa confluência claramente exacerbou o rebaixamento da capacidade crítica e a identificação servil com o novo regime. [...]. Trechos extraídos do ensaio A geopolítica do proxenetismo (Transversal, 2006), da filósofa, escritora, psicanalista e professora Suely Rolnik, autora do ensaio A memória contagiosa do corpo: O retorno de Lygia Clark ao museu (Transversal, 2007), no qual ela expressa: [...] A força poética é uma das vozes na polifonia paradoxal através da qual se delineiam os devires heterogêneos e imprevisíveis da vida pública. Esses devires se reinventam continuamente para libertar a vida dos impasses que se acumulam nas zonas infecciosas onde o presente se torna insuportável. Os artistas têm um ouvido apurado para os sons inarticulados que nos chegam do indizível, nos pontos onde a cartografia dominante se desfaz. Sua poesia é a encarnação de tais sons, que então podem ser ouvidos entre nós. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

O LADO FATAL – No livro Lado fatal (Record, 2011) da escritora e tradutora gaúcha Lya Luft, encontrei dois entre os belíssimos poemas da obra. O primeiro deles o III: Aquele de quem hoje falam e escrevem / (ou aos poucos vão-se esquecendo) / é muito menos do que este, deitado em meu coração, / meu amante e meu menino ainda. E também o XIV: Estranha a vida: / fico tangendo meus dias / como um rebanho de ovelhas desordenadas / nessa triste e fria cidade de Porto Alegre / onde ele gostava de estar / olhando o pôr-do-sol e vendo amigos. / "Morrer é tomar um porre de não-desejo" / dizia o meu amado, que era um homem desejoso: / desejava a vida, desejava a morte, desejava / [a justiça, desejava a eternidade e a paz. / Estranha a vida: / quando releio uma frase sua, / "viver é modular a morte", / em sangue e dor preparo a minha ida. / Estranho também esse amor, / com hora marcada para a mutilação / da morte, o minuto acertado, / e o fim consultando o relógio / para nos golpear. / Estranho esse amor de agora, / com meu amado atrás de um espelho baço / onde às vezes penso divisar seu vulto / como num aquário. / Enrolado em silêncio, / mais que nunca o meu amor comanda a minha vida. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui.

Imagem sem título da artista visual colombiana Débora Arango (1907-2005). Veja mais aqui, aquiaqui.

Ouvindo o álbum Glad Rag Dol (Verve, 2012) da cantora e pianista canadense de jazz Diana Krall. Veja mais aqui, aqui & aqui.

AFRODITE: O JULGAMENTO DE PÁRIS – Imagem: Julgamento de Páris – Afrodite acompanhada de Eros, Atena e Hera (1904), do pintor espanhol Enrique Simonet (1866-1927) - Afrodite é a deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade, contando ainda com atributos como a da fertilizada, do prazer e da alegria. Em Roma ela é representada pela deusa Vênus, além de receber outros nomes como Cytherea ou Cypris na atinguidade. O Julgamento de Páris, conforme relatos da Ilíada de Homero e Heróides de Ovídio, é o prelúdio da Guerra de Troia, é um mito que surgiu no sec. VII aC., descrito por Pausânias, indicando o aparecimento inesperado da deusa da discórdia Eris, com uma maçã de ouro do Jardim das Hespérides, desafiando a mais bela. Tal fato gerou um requerimento de Afrodite, Atena e Hera a Zeus para julgar qual delas era a mais merecedora da tal maçã. Zeus, por sua vez, livrando-se de tal empreitada, repassa para o pastor-príncipe mortal de Troia, Páris para fazê-lo. Assim foi, sobre o Monte Ida, ele começou a inspeção quando cada uma usa seus poderes para suborná-lo. Entre as ofertas, Páris aceita o presente de Afrodite: desposar Helena de Esparta, esposa do rei grego Menelau e este, por sua, condecora a deusa com a maçã. Tal fato proporciona a revolta dos gregos e de Hera, dando inicio às expedições que redundam na Guerra de Troia. Veja mais sobre Afrodite & suas servas aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui.


OS FATOS E O INSETO DE MAGNÓLIA – O premiado livro Magnólia: 100 fatos e um voo de inseto (Bertrand Brasil, 2005 – Prêmio Jabuti de 2006) da filósofa, escritora, professora universitária e artista plástica gaúcha Marcia Tiburi, é o primeiro volume da Trilogia Íntima da autora, do qual destaco o trecho Escuridão: Podemos empilhar o mundo no chão e tirar-lhe o pó de anos. Ora, não podemos saber se o pó é de anos, semanas, dias; não é possível interpretar os sinais; o a priori das conclusões sempre vem cheio de empáfia; por azar sempre existem cartas remetendo o tempo em letras. E preciso parar para ver. Ou esquecer de vez, mas é impossível quando não houve lembrança. É das cartas que vem toda a dúvida sobre conhecer a si mesmo. Eu, porém, não tenho mais nenhuma dúvida, ainda que existam cartas, e, como estas, tão incógnitas. Veja mais aqui, aquiaqui.


ODISSEIA CACILDAS! – Em uma tetralogia denominada Odisseia Calcildas, o dramaturgo e ator José Celso Martinez Corrêa homenageia os trinta anos de carreira de um dos maiores mitos dos palcos brasileiros e considerada a mãe do teatro moderno brasileiro, a atriz paulista Cacilda Becker (1921-1969), que encenou cerca de sessenta e oito peças teatrais, três filmes e uma telenovela, afora participações em teleteatros televisivos. Essa tragicomediaorgya é a primeira das quatro peças que foi desenvolvida com a bolsa de dramaturgia Oswald de Andrade da SEC/SP, em 1990, e ganhadora do prêmio Flávio Rangel de melhor peça teatral e peça do ano pela crítica especializada, durante a temporada que ficou no Teatro Oficina, além de ganhar os prêmios Shell, Mambembe, Apetesp e da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). A homenageada era responsável por provocar paixões avassaladoras que transitaram entre os seus três casamentos, o último deles com o saudoso ator Walmor Chagas (1930-2013). Em 2009, a tetralogia Odisseia Calcildas foi apresentada como um festival no Teatro Oficina Uzyna Uzona, sendo a personagem interpretada pela atriz Anna Guilhermina (foto acima). Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

TROIS COULEURS: BLANC – O drama Trois Couleurs: Blanc (A igualdade é branca, 1994) é o segundo filme da Trilogia das Cores do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996), conta a história do emigrante polaco Karol Karol que vive na França e é casado com uma francesa que quer separar-se dele pela não consumação do matrimônio. Humilhado, mas ainda amando-a, o marido acaba por mendigar no metrô parisiense até encontrar um outro polaco que o leva de volta à terra natal. Ao retornar ele retoma o trabalho de cabeleireiro até se envolver em diversos fatos que o levam fazer fortuna na Polônia, tramando uma vingança contra sua ex-esposa. Destaque para o papel desempenhado pela atriz, cantora, compositora e diretora de cinema francesa Julie Delpys no filme. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.



HOMENAGEM DO DIA
JEANNE HÉBUTERNE
Todo dia é dia da pintora francesa Jeanne Hébuterne (1898-1920), a eterna musa do artista plástico e escultor italiano Amedeo Modigliani (1884-1920). Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.


Veja mais sobre:
O Brasil na festa do Fecamepa, a música de Marlos Nobre, a literatura de Anna Bolecka, a arte de Adriana Varejão & Sophia Monte Alegre aqui.

E mais:
Numa roda de choro, Chorinho brejeiro de Dalton Trevisan, Almanaque do choro de André Diniz da Silva, a música d’O Charme do Choro, a pintura de Marina Bonifatti & Sérgio Marques da Silva Júnior aqui.
O jacaré & a princesa, Catxerê, a mulher estrela, a Metafísica de Immanuel Kant, Lolita de Vladimir Nabokov, a música de Bach & Yehudi Menuhin, o teatro de Thomas Stearns Eliot, o cinema de Éric Rohmer, a arte de Mae West. a pintura de Paul Sieffert, Domingo com Poesia & Natanael Lima Júnior aqui.
Aurora nascente de Jacob Boehme, a Teoria Quântica de Max Planck, o teatro de William Shakespeare, a música de Pixinguinha, o cinema de Michael Moore, a pintura de Marcel René Herrfeldt, a arte de Brigitte Bardot & a Biopoesia de Silvia Mota aqui.
Educação & direito ambiental porque todo dia é dia da terra aqui.
Eu & ela naquela noite todas as noites aqui.
O evangelho de José Saramago aqui.
Günther Jakobs & o direito penal do inimigo e do cidadão aqui.
Educação Infantil, a psicologia de Abraham Maslow, a música de Sergei Rachmaninoff, a poesia de Nauro Machado, a pintura de Edgar Leeteg, A pesca das mulheres, a arte de Luz del Fuego & Lucélia Santos aqui.
O teatro de William Shakespeare, a literatura de Émile Zola & Hans Christian Andersen, Casanova de Fellini, a música de Emmylou Harris, a escultura de Harriet Hosmer, a Rainha Zenóbia, a pintura de Max Ernst & Contos de Magreb aqui.
Até onde o amor levar, Sidarta Gautama, o teatro de Constantin Stanislavski, a música de Maria Rita, a escultura de Carlos Baez Barrueto, a pintura de Clare Rose, Luciah Lopez & a poesia de Ieda Estergilda de Abreu aqui.
Da vida, meio a meio, O suicídio de Karl Marx, a poesia de Mário Quintana, a música de Girolamo Frescobaldi & Jody Pou, A estrutura do todo de Andras Angyal, a fotografia de Mário Cravo Neto, a pintura de Mario Zanini & Arna Baartz aqui.
O poema nasce na solidão, a poesia de Adélia Prado, a psicanálise de Carl Gustav Jung, a psicologia educacional de David Ausubel, a arte de Salvador Dali & Cristiana Reali, a música de Cynthia Makris, a pintura de Catherine Abel & Luciah Lopez aqui.
Andejo da noite e do dia, O caminho interior de Graf Dürckheim, A cultura da educação de Jerome Bruner, a poesia de Giuseppe Ungaretti, a música Ricardo Tacuchian, a fotografia de Ana Carolina Fernandes, a coreografia de Célia Gouvêa, a pintura de Tess Gubrin & Kerry Lee aqui.
Nunca fui e quando inventei de ir não era pra ter ido, A pedagogia do sonho de Paulo Freire, O narratário de Vitor Manuel de Aguiar e Silva, a literatura de Tessa Bridal, a música de Quinteto Violado & Dominguinhos, a escultura de Pedro Figueiredo, a arte de Marcela Tiboni & a pintura de Victoria Selbach aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...