
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da cantora e atriz Zezé Motta: Missão & 45 anos na ABL; a pianista e cantora Maira Freitas: Nua & Êta; & muito mais nos mais de 2 milhões de
acessos ao blog & nos 35
Anos de Arte Cidadã. Para
conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.
PENSAMENTO DO DIA – [...] Como o valor de uso, a solidariedade
consciente e deliberada entre os homens é relegada ao domínio privado das
relações de família ou de amizade; nas relações inter-humanas gerais e
notadamente nas econômicas, pelo contrário, a função de uma e de outra
tornou-se implícita, obscurecida pelos únicos fatores que fazem agir o egoísmo do
Homo-oeconomicus, que administra racionalmente um mundo abstrato e puramente
quantitativo de valores de troca. [...].
Trecho extraído da obra Dialética e
Cultura (Paz e Terra, 1991), do filósofo e sociólogo francês Lucien Goldmann (1913-1970). Veja mais
aqui, aqui e aqui.
A CIDADE & O DIREITO À VIDA – [...] a cidade, obra e ato perpétuos, dá lugar a instituições específicas:
municipais. As instituições mais gerais, as que dependem do Estado, da
realidade e da ideologia dominante, têm sua sede na cidade política, militar,
religiosa. Elas aí coexistem com as instituições propriamente urbanas, administrativas,
culturais. [...] O direito à
cidade se manifesta como forma superior dos direitos: direito à liberdade, à individualização
na socialização, ao habitat e ao habitar. O direito à obra (à atividade
participante) e o direito à apropriação (bem distinto à propriedade) estão
implicados no direito à cidade. [...]. Trechos extraídos da obra A natureza e o domínio da natureza (Paz
e Terra, 1969), do filósofo e sociólogo francês Henri Lefebvre (1901-1991), que em outra obra Uma revolução cultural não pode desenrolar-se fora do campo política
(Revista Triunfo – Editorial O Século, 1970), expressou que: [...] Trata-se de problemas urbanos, talvez isso
se deva ao fato de ser na cidade – mais do que na indústria, como força
econômica – que descobriremos, que revelaremos, as condições desta apropriação,
pelo ser humano, da sua própria vida, dos seus próprios desejos, do tempo e do
espaço em seu redor. [...].
A TERCEIRA MARGEM DO RIO - [...] Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a
nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do
rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais.
A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não
havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram,
tomaram juntamente conselho. Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita
cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam
falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de
promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia
doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e
longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas —
passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo
que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de
noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa
mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado
na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s'embora, para jamais,
o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.
No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de
comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso
experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado
delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa
de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa
para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida
no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer,
depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva
e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais
tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não
saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir.
Nossa mãe muito não se demonstrava. [...]. Trecho
extraído do conto A terceira margem do
rio, recolhido da coleção Ficção Completa (Nova Aguilar, 1994), do escritor,
médico e diplomata João Guimarães Rosa (1908-1967). Veja mais aqui e
aqui.
UM POETA - Hás
de testemunhar ruínas / antes de existirem ruínas: / engenheiro de troços e
destroços / empreitaras demolições — / desmoronaste muros. / Profeta — risca
riscaste riscarás / roteiros de pássaros no ar — e riscas / calendários
passados e futuros — riscas / a arquitetura dos escombros / antes durante e
depois deles / os tempos ouvem ouviram e ouvirão / esses passos de pedra / que
pisam pisaram pisarão / rosa, lírio, jasmim e às vezes / ovelhas imoladas. / Maios,
janeiros, setembros e os outros meses / meses azuis e meses pluviais / te
saúdam à beira das falésias à beira-mar à beira-rio / à beira-abismos à beira
séculos: / piloto do naufrágio / governador dos tempos tetrarca dos milênios / arquivista
— tabelião das eras / só os dias, poeta, e as noites, te conhecem / sabem teu
nome / e nenhum outro nome. Poema do poeta, jornalista, tradutor e biógrafo
Gerardo Mello Mourão (1917-2007). Veja mais aqui e aqui.
VLADO 30 ANOS DEPOIS
O
documentário Vlado - 30 Anos Depois
(2005), dirigido pelo cineasta, roteirista e escritor João Batista de Andrade, oriundo do livro homônimo escrito pelo diretor,
conta a história do jornalista Vladimir
Herzog, o Vlado, que foi torturado e assassinado na prisão, em 1975 durante
o regime militar brasileiro, com os depoimentos e memória das pessoas que
conviveram com ele.
&
A arte da pintora, fotógrafa, gravurista e xilogravurista
Vera Chaves Barcellos.
&
&
Ela acolheu meu desterro, a literatura
de Vidiadhar Naipaul, a música
de Keith Jarret, Sueli Costa, Eumir Deodato & Rita Lee, a arte de Ewa Ludwiczak & Luciah Lopez aqui.
&
O amanhã de ontem pra hoje, a literatura de Guimarães Rosa, o cinema de Krzysztof Kieslowski, a arte de Tarsila do
Amaral & a música de Marcus Viana aqui.
APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São
Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.