domingo, maio 07, 2023

MARGE PIERCY, VIRGINIA WOOLF, GAUGUIN, TONI MORRISON, PALAHNIUK, WENDY BROWN & ASCENSO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Tous des Oiseaux (ECM, 2019), Concerto em Atenas (ao vivo – ECM, 2013) e Trojan Women (ECM, 2001), da compositora grega Eleni Karaindrou. Veja mais aqui.

 

KOAN ENTRE NOIT&DIAS – Tem vexame não! Nestes tempos de frangofilia exacerbada, simulacros emulantes e teorias da conspiração, gestos e atitudes vão muito além de crimes e castigos, se quiserem! Quão verídica seja a emoção, coisas que não se dizem nem palavras algumas comportam entre o impreciso e o inadequado, transcendem intenções e linguagens. Ouvi Colette no meio da noite: Não chore, não junte os dedos em súplica, não se revolte: é preciso envelhecer... Era, na verdade, a ressurreta Catxerê que novamente invadia meus sentidos para me dá conta de que definira a minha face antes mesmo de eu nascer. Mostrava-me o quintal do brejo da Água Preta como prova cabal, lá onde eu menino a vi pela primeira vez como irmã entre as Marias de Órion e amigas das da Queiroz Rachel, quase as mesmas das cenas de Abranches, e recém-chegada das nuvens estelares. Dessa vez ela me falou que adorava a moda das crinolinas e as mortes um tanto glamurosas por afogamento ou incêndio – como a que ocorrera com a Frances do Longfellow e as irmãs de Oscar Wilde. Que coisa mais estranha, era. E jurou que um dia ainda usaria aquelas tournures para se sentir pavoneada, ao me explicar que cobra não se enrosca em pavão, o que para ela premiaria os olhos de Argos, a comer venenos para sobreviver imune, enquanto mudava de pele a cada estação. Aí coibiria o tráfico das penas pro carnaval do Sambódromo, afora perseguir os responsáveis impunes dos estupros e a coerção fanática religiosa aos abortos: coisas mais sem cabimento. Um tanto pensativa ruminou quem guardaria a sua dor, se já foi Zenóbia vencida pela fome e decapitada pela rebelião de Palmira. E como nada concluído nem anonimamente publicado, expressou-se Cornel West: Nunca esqueça que a justiça é como o amor se parece em público... Você não pode liderar o povo se não o ama. Você não pode salvar o povo se não servir ao povo... Se nada entendia, logo me alertou que já foi também a Creuza raptada pelo amor no Mysterioso Alado de Melchiades e que fora eu mesmo quem isso fizera a ela. Como? Disso nada sabia, nem pudera. Se as estranhices de sua deposição eram insinuantes, sua nudez era para lá de aprazíveis na minha vitalidade. Outras vidas dela tivera e a mim ternamente debulhou para se achegar ao meu peito tão vulnerável quanto cúmplice. Insinuou meus fracassos e me permitiu sonhar em seu corpo cósmico. Entroutras cenas me fez sentir Angelopoulos diante do Hino à Liberdade: O que pode o poeta fazer diante da morte?... Um dia apenas e a eternidade, era nela apenas o que me restara. Até mais ver.
 
DITOS & DESDITOS:
Imagem: Acervo ArtLAM.
[...] a vida é árdua, os fatos inflexíveis, e que a passagem para essa terra fabulosa onde nossas esperanças mais brilhantes se extinguem e nossas frágeis críticas malogram na escuridão exige, acima de tudo... coragem, lealdade e perseverança [...].
Trecho extraído da obra Rumo ao farol (Globo, 2003), da escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). Veja mais aqui, aqui e aqui.
 
AMADA – [...] Libertar-se era uma coisa, reivindicar a posse desse eu liberto era outra. [...] O amor é ou não é. Amor fino não é amor de jeito nenhum. [...] Ela é uma amiga da minha mente. Ela me pega, cara. Os pedaços que eu sou, ela os junta e os devolve para mim na ordem certa [...] Conversas doces e malucas cheias de meias frases, devaneios e mal-entendidos mais emocionantes do que o entendimento jamais poderia ser. [...] As definições pertencem aos definidores, não aos definidos. [...]. Trechos extraídos da obra Beloved (Vintage, 2004), da escritora estadunidense e ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1993, Toni Morrison, autora da pérola: Se há um livro que você quer ler, mas ainda não foi escrito, então você deve escrevê-lo. Esta obra foi transformada em filme Bem-amada (1998), dirigido por Jonathan Demme, protagonizado, proposto e produzido pela jornalista, atriz, psicóloga e editora estadunidense Oprah Winfrey, que a respeito do projeto expressou: “E toda manhã, depois de meditar, eu chamava os nomes desses escravos, um por um. E dizia: estou fazendo isto por você, para que vocês tenham voz. Vocês nunca tiveram voz, por isso eu lhe estou emprestando a minha. E eu sentia que eles estavam comigo o tempo todo”. A história se passa depois da Guerra Civil Americana (1861-1865) e é inspirada na história de Margaret Garner, que escapou da escravidão em 1856. Conta a história de Sethe e sua filha Denver depois de sua fuga. Sua casa em Cincinnati é assombrada por um fantasma, que eles acreditam ser de uma das filhas de Sethe, morta quando era um bebê. Paul D, um ex-escravo da mesma plantação que Sethe era escrava, chega na casa e passa a viver com as duas mulheres e acabando com as assombrações. Mas uma mulher misteriosa chamada Beloved aparece na porta da casa, iniciando uma série de mudanças na vida dos três e fazendo-os confrontar seus passados. Veja mais aqui, aqui e aqui.
 
GAUGUIN: [...] Queres saber quem sou; minhas obras não são suficientes para ti. Inclusive no momento em que escrevo, só estou revelando o que quero revelar. E que acontece se às vezes me vês assim, nu? Não há problema; é o homem interior o que queres ver. Além disso, eu mesmo não me vejo sempre muito claramente. [...]. Texto escrito pelo pintor do pós-impressionismo francês Paul Gauguin (1848-1903), extraído da obra Gauguin: gênios da arte (Girassol, 2007), de Silvia Muñoz de Imbert e coordenado por Jan-Ramón Triadó Tur. Veja mais aqui.
 
THE LOW ROAD
Imagem: Acervo ArtLAM.
O que eles podem fazer com você?  
O que eles quiserem...  
Eles podem armar para você, prendê-lo,  
podem quebrar seus dedos,  
queimar seu cérebro com eletricidade,  
borrá-lo com drogas até que você  
não consiga andar, não consiga se lembrar.  
eles podem tirar seus filhos,  
cercar seu amante;  
eles podem fazer qualquer coisa que você não pode impedi-los de fazer.  
Como você pode detê-los?  
Sozinho você pode lutar, você pode recusar.  
Você pode se vingar de qualquer maneira,  
mas eles passam por cima de você.
 Mas duas pessoas lutando costas contra costas  
podem cortar uma multidão  
uma fogueira dançante de cobra
pode romper um cordão de isolamento,
cupins podem derrubar uma mansão
Duas pessoas podem manter a sanidade uma da outra
pode dar apoio, convicção,
amor, massagem, esperança, sexo.
Três pessoas são uma delegação
uma célula, uma cunha.
Com quatro você pode jogar
e começar um coletivo.
Com seis você pode alugar uma casa inteira,
comer torta no jantar sem segundos
e fazer sua própria música.
Treze formam um círculo,
cem preenchem um corredor.
Mil têm solidariedade
e boletim próprio;
dez mil comunidades
e seus próprios papéis;
cem mil, uma rede de comunidades;
um milhão de nosso próprio mundo.
Vai um de cada vez.
Começa quando você se preocupa em agir.
Começa quando você faz de novo
depois que eles dizem não.
Começa quando você diz nós
e sabe quem você quer dizer;
e cada dia você significa mais um.
Poema da escritora e ativista social estadunidense Marge Piercy. Veja mais aqui.
 
ESTADOS DE LESÃO - [...] Esse esforço para estabelecer o racismo, o sexismo e a homofobia como moralmente hediondos na lei, também lança a lei em particular e o estado em geral como árbitros neutros de danos, em vez de investidos do poder de ferir. Assim, o esforço para "proibir" a injúria social legitima poderosamente a lei e o Estado como protetores apropriados contra injúrias e lança os indivíduos lesados como necessitando de tal proteção por tais protetores. [...]. Trecho extraído da obra States of Injury: Power and Freedom in Late Modernity (Princeton University Press, 1995), da professora e pesquisadora estadunidense Wendy L. Brown, autora da pérola: Esteja alguém lidando com o estado, a máfia, pais, cafetões, policiais ou maridos, o alto preço da proteção institucionalizada é sempre uma medida de dependência e concordância em cumprir as regras do protetor... Veja mais aqui.
 
DIARIO – [...] É tão difícil esquecer a dor, mas é ainda mais difícil lembrar a doçura. Não temos nenhuma cicatriz para mostrar a felicidade. Aprendemos tão pouco com a paz. [...]. Trecho extraído do Diary (Anchor, 2004) do escritor estadunidense Chuck Palahniuk. Veja mais aqui e aqui.
 
UNA-SE, O RIO É SEU... ASCENSO FERREIRA.
Sentes que a minha vida é um rio caudaloso, \ tomado do delírio das enchentes, \ correndo alucinado para o mar! \ E te assombras, com medo dos abismos, \ onde as águas nos seus loucos paroxismos \ te possam arrastar... \ No entanto, sobre a flor dessas águas tempestuosas, \ leve com as espumas vaporosas, \ hás de sempre boiar... \ Sentindo a sensação deliciosa \ de que as águas arrogantes, tumultuosas, \ estão cantando para te ninar.
Nana, Nanana, poema do poeta Ascenso Ferreira (1895-1965). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 



segunda-feira, maio 01, 2023

CAITLIN MORAN, ALMODÓVAR, AMANDA GORMAN, ZUMTHOR, SHERRY TURKLE, FENOGLIO & & AGRESTINA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do Concerto Elegia (Elegia, Solilóquio e Final) para Flauta e orquestra de cordas (2015), da compositora estadunidense Ellen Taaffe Zwilich. Veja mais aqui e aqui.

 

ENTRELINHAS DO PAIDEUMA – Na travessia do dia nada mais que noitescuridão, nem nada lisonjeiro, por enquanto, acredito: o aversivo não dura a vida inteira, impossível. Uma estrela solitária pisca pra mim na lonjura da galáxia e quase nem vejo. O surpreendente é que ela desce vertiginosamente e, antes de espatifar na queda, levita qual águia bicéfala rondando meus domínios. Depois de volteios e flertes ela aterrissa elegantemente. Aos poucos se transforma na linda e nua Catxerê. Aproxima-se a me dizer que traz revelações poimândricas – ali eu me via atordoado com aquela chegada, parecia mais que era eu Asclépio insone nos confins de tudo. Passou-me um volume e logo abriu para me mostrar a folha de rosto na qual estava impresso no centro o quadrado sator em alto relevo. Mencionou tratar-se de textos do Ayvú rapyta. Fitei-a e voltei para a caligrafia colorida dos escritos ininteligíveis: estava em bustrofédon, salientou receptiva. Diante da minha interrogação a respeito, senti-me numa viagem noética de Stephan Dédalus errante numa Dublin inexistente, como um retrato de Telêmaco apagado da Odisseia, ou imprudente Ícaro a confrontar o labirinto do pai na vez de ir embora e no meio de um diário inquisidor de quem esquecera as lições de Frobenius, em total apostasia para distinguir o responsável pela desgraça humana se não o próprio. Ouvi furioso Hamlet: a racionalidade é covardia. Ela apenas me olhava e eu sabia: os mortos clamavam por justiça no buraco azul de Belize. Era como se ela me interrogasse de quem ainda hoje olha pro céu quando não o umbigo altivo, se estava selado o divórcio com o divino e que todos erramos como quem descura da vida. Não via salvação alguma, sentia-me um mentiroso contingente que singrava o tempo ao lado dela com o blues de Crumb: porque haverá amanhã mesmo no meio da maior celebração da dança da morte pelas redondezas dos paradoxos! Ela parecia me entender e lia minha revolta em meus pensamentos: Ah, seres permeáveis olvidam a alquimia fogáguas, um tanto desolador por tão sombrio. Sim, mas ela sabia de mim: como dois e dois são seis já sou sete vezes noves fora um! Colherei o que semeei, pelo menos. Onde o problema se não em nós mesmos: estragamos tudo, emporcalhamos o planeta, desgraçamos a vida. Eu sei: tudo por fazer. Sim. Estendeu-me as mãos e sorriu, era apenas uma estrela e me entregou a luz possível. Até mais ver.

 

DITOS & DESDITOS

Imagem: Acervo ArtLAM.

O desejo é uma coisa irracional pela qual você sempre tem que pagar um preço alto. Felizmente, a natureza me dotou de uma curiosidade irracional, mesmo para as coisas mais triviais. Isso me salva. A curiosidade é a única coisa que me mantém à tona. Todo o resto flui para mim. Ah! E vocação. Não sei se conseguiria viver sem ela. Há uma grande beleza na deterioração física. Você nem sempre será jovem, digo por experiência própria. Dor e vergonha também são uma prisão.

Pensamento do cineasta Pedro Almodóvar. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

SOZINHOS JUNTOS – […] Esperamos mais da tecnologia e menos uns dos outros. […] As mensagens de texto oferecem a quantidade certa de acesso, a quantidade certa de controle. Ela é uma Cachinhos Dourados moderna: para ela, enviar mensagens de texto coloca as pessoas nem muito perto, nem muito longe, mas na distância certa. O mundo agora está cheio de Cachinhos Dourados modernos, pessoas que se confortam em estar em contato com muitas pessoas que também mantêm afastadas. [...]. Trechos extraídos da obra Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other (Basic Books, 2012), da socióloga, psicóloga e psicanalisya estadunidense Sherry Turkle, autora de obras como The Second Self (1984), Life on the Screen (1995) e Reclaming Conversation (2015). Dela a expressão: Os relacionamentos humanos são ricos, confusos e exigentes. E nós os limpamos com tecnologia. Mensagens de texto, e-mail, postagem, todas essas coisas nos permitem apresentar o eu como queremos ser. Podemos editar, e isso significa que podemos deletar, e isso significa que podemos retocar, o rosto, a voz, a carne, o corpo -- nem pouco, nem muito, apenas certo...

 

COMO SER UMA MULHER - [...] Precisamos recuperar a palavra 'feminismo'. Precisamos muito da palavra 'feminismo' de volta. Quando as estatísticas dizem que apenas 29% das mulheres americanas se descreveriam como feministas - e apenas 42% das mulheres britânicas - eu costumava pensar: o que vocês acham que é o feminismo, senhoras? Que parte da 'libertação para as mulheres' não é para você? É liberdade de voto? O direito de não ser propriedade do homem com quem você se casou? A campanha pela igualdade salarial? 'Vogue' de Madonna? Jeans? Toda aquela merda boa TE DEU NERVOSO? Ou você estava apenas BÊBADA NO MOMENTO DA PESQUISA? [...] Não consigo entender os argumentos antiaborto centrados na santidade da vida. Como espécie, demonstramos de forma bastante abrangente que não acreditamos na santidade da vida. A aceitação indiferente da guerra, fome, epidemia, dor e pobreza ao longo da vida nos mostra que, não importa o que digamos a nós mesmos, fizemos apenas o mais débil dos esforços para realmente tratar a vida humana como sagrada. [...] Quando uma mulher diz: 'Não tenho nada para vestir!', o que ela realmente quer dizer é: 'Não há nada aqui para quem eu deveria ser hoje. [...]. Trechos extraídos da obra How to Be a Woman (Harper Perennial, 2012), da escritora, jornalista e radialista inglesa Caitlin Moran.

 

IN THIS PLACE

(Imagem: Acervo ArtLAM)

Há um poema neste lugar— \ nos passos nos corredores \ na batida silenciosa dos assentos.\ É aqui, na cortina do dia, \ onde a América escreve uma letra \ você deve sussurrar para dizer.

Há um poema neste lugar—\ na pesada graça, \ a face alinhada deste nobre edifício, \ coleções queimadas e renascidas duas vezes.

Há um poema na Copley Square de Boston \ onde cantos de protesto \ rasgar o ar\ como lençóis de chuva, \ onde o amor de muitos\ engole o ódio de poucos.

Há um poema em Charlottesville \ onde tochas tiki encadeiam um anel de chamas \ apertado em volta do pulso da noite \ onde homens tão brancos que brilham em azul— \ parecem estátuas \ onde os homens amontoam aquela longa queima de cera \ cada vez mais alto \ onde Heather Heyer \ floresce para sempre em um prado de resistência.

Há um poema no grande gigante adormecido \ do Lago Michigan, levantando desafiadoramente \ sua grande cabeça azul para Milwaukee e Chicago— \ um poema iniciado há muito tempo, queimado em solo congelado, \ desfilando para cima e brilhando.

Há um poema na Flórida, no leste do Texas \ onde as ruas incham em um nexo \ de rios, vacas flutuando como bóias manchadas no marrom, \ onde a coragem agora é tão comum \ que Jesus Contreras, de 23 anos, resgata pessoas de enchentes.

Há um poema em Los Angeles \ bocejando como a maré do Pacífico \ onde uma mãe solteira sufoca \ em uma sala de aula sem janelas, ensinando \ estudantes negros e pardos em Watts \ para soletrar seus pensamentos \ para que sua filha possa escrever \ este poema para você.

Há uma letra na Califórnia \ onde milhares de estudantes marcham por blocos, \ sem documentos e sem medo; \ onde minha amiga Rosa encontra o poder de florescer \ em um impasse, seu espírito é o alicerce de sua comunidade. \ Ela sabe que a esperança é como um teimoso \ navio segurando uma doca, \ uma verdade: que você não pode parar um sonhador \ ou derrubar um sonho. Como isso não poderia ser a cidade dela \ sua nação \ nosso país \ nossa América, \ nossa letra americana para escrever— \ um poema do povo, dos pobres, \ o protestante, o muçulmano, o judeu, \ o nativo, o imigrante, \ o preto, o moreno, o cego, o bravo, \ os indocumentados e implacáveis, \ a mulher, o homem, o não-binário, \ o branco, o trans, \ o aliado de todos os itens acima \ e mais? Os tiranos temem o poeta. \ Agora que sabemos disso \ não podemos explodi-lo. \ Nós devemos isso \ para mostrar \ não diminua isso \ Apesar disso \ dói para costurar \ quando o mundo \ saias abaixo dela. \ Ter esperança- \ devemos concedê-lo \ como um pavio no poeta \ para que cresça, iluminada, \ trazendo com ele \ histórias para reescrever— \ a história de uma cidade do Texas esgotada, mas não derrotada \ uma história escrita que não precisa ser repetida \ uma nação composta, mas ainda não concluída.

Há um poema neste lugar— \ um poema na América \ um poeta em cada americano \ que reescreve esta nação, que conta \ uma história digna de ser contada neste peixinho de uma terra \ para insuflar esperança num palimpsesto do tempo— \ um poeta em cada americano \ quem vê que nosso poema escrito \ não significa o fim do nosso poema.

Há um lugar onde este poema habita— \ é aqui, é agora, na canção amarela do sino da aurora \ onde escrevemos uma letra americana \ estamos apenas começando a contar.

Poema da poeta estadunidense Amanda Gorman.

 

A PERMANÊNCIA DA VOZ – [...] Devido a um preconceito há vários séculos arraigado nas mentalidades e no gosto do Ocidente, só admitimos os produtos da arte e da língua sob forma escrita, abrindo uma única exceção para o teatro [...]. Trecho extraído da obra A Permanência da Voz (O Correio/FGV, outubro 1985), do historiador, linguista e medievalista suíço Paul Zumthor (1915-1995).

 

O PARTIDÁRIO – [...] Foi tremendamente emocionante e comovente marchar escada abaixo naquela suspensão de partidarismo. Johnny sentiu-se como um padre católico à paisana ou um militar à paisana pode sentir: as armas racionalmente escondidas sob o vestido, o sinal estava sempre sobre ele: partidário in aeternum [...] Espancado. Eu amo homens espancados. [...] Então a onda de medo da batalha repensada subiu por sua espinha, longa e lenta. [...]. Trechos extraídos da obra Il Partigiano Johnny (Einaudi, 2014), do escritor italiano Giuseppe Fenoglio (1922-1963). Veja mais aqui.

 

VALUNA: AGRESTINA

(Imagem: Acervo ArtLAM).

Passageiro do tempo noitedia pelo que inexistia e não, outonos a mais e volta ao mundo, as raízes do chão e do céu, pés e cabelos, dos tempos da seca devastadora que jorrava o Bebedouro e os milagres da talha de Santo Antônio...

Homenagem ao Município de Agrestina – Pernambuco. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 


sábado, abril 22, 2023

GLORIA ROLANDO, ERICA JONG, GEORGE STEINER, SUZANNE COLLINS & ALTINHO

 

(Imagem: Acervo ArtLAM)

Ao som dos álbuns Uma Maneira de Dizer (Independente, 2012), Diários de Vento (Independente, 2016), Boa Noite pra Falar com o Mar (Independente, 2016) e Tempo Sem Tempo (Yb Music, 2019), todos da compositora e multi-instrumentista Joana Queiroz.

 

ICONOGRAFIA DA RUÍNA – Quem ainda se lembra se o coração bate alheio e o tempo, ah o tempo passa veloz afiada lâmina e pouco importa, as ruas e direções servem aos pneus congestionados na pressa do relógio de quem bate no pulso porque tem de ir nem se sabe direito pra onde. E vai acolá, o que tem de desembesto pragoraqui inadiável, líquido e certo, urgente, o resto pra depois de amanhã. Decerto o depois demorará a chegar, não tem de ficar à espera, não há mais muros nem janelas, varandas ou terraços, apenas mausoléus e lavabos suntuosos no quadratismo vertical, com suas vidraças espelhadas sobre as calçadas do vaivém desde ontens e há muito. Dá pra notar: há tempos só troca de roupa, no ademais o mais do mesmo. Só não passou quem está mais mole que um prato de papa ou mais velho que um papa-figo estirado numa cama ou maca hospitalar. Só não passou quem está entrevado que nem borreia engrenada na esquina, ou se acabando pelo fundo feito panela. Isso também não importa, destampa a garrafa, goles e farras. Tudo passa. Seria invencionice a cana em demasia: beira de rio, terreiro de casas, topo de morros e nos cafundós da desgraça difusa Mata adentro e ninguém nem aí, vale o esfolado no estrépito do consumo arrivista, ostentação e desencanto. A quem a pachorra de se dar conta do tanto desolador, ninguém. Ninguém mesmo porque o deliberado racismo fracking entra sem bater portas e com todos os dedos na ferida aberta perfurando profundidade na carne do solo para extrair o xisto ou folhelho pro gás natural em Vaca Muerta, um ecocídio Mapuche que agora desaloja os nossos ameaçados pelo Maranhão, Piauí, Mato Grosso do Sul e Tocantins, por enquanto. O que estridula no bolso é emergencial, recados da hora, decisões iminentes e ninguém quer passar batido, ora! Quem ainda se lembra vai clandestino, exilado voluntário com exercício de inventar alvos móveis ou falsos. O que sei é se não estou em apuros, confesso: no meio do caos e do medo. Pudera, há mais de quinhentos anos à deriva, há mais de um século sucumbindo aos golpes – e por falar em golpe, melhor se precaver: um novinho em folha está no ensaio dia após noite, os que malograram já foram. Ah, quem acenou eu nem vi, quase sou atropelado na faixa de pedestre; semáforos, vá entender. Quem aceitou foi recusado, não sei como, ah não, basta de tantos nãos e coniventes sins, quanto eufemismo à toa. Quem ainda se lembra eu não sei, só não esqueci sangue nas veias. Até mais ver.

 

DITOS & DESDITOS

(Imagem: Acervo ArtLAM)

A história, no sentido humano, é uma rede de linguagem arremessada para trás...

Pensamento do professor e crítico literário francês George Steiner (1929-2020), que no ensaio The Retreat from the Word (Kenyon Review (1961), inserido na obra Language and Silence: Essays 1958-1966 (Macmillan Pub Co, 1967), expressou que: [...] A linguagem só pode lidar significativamente com um segmento especial e restrito da realidade. O resto, e presumivelmente a parte muito maior, é silêncio.[...]. Quando uma língua morre, uma maneira de entender o mundo morre com ela, uma maneira de olhar para o mundo. [...]. Veja mais aqui.

 

TORDO - [...] Certos passos você tem de dar sozinho. [...] A promessa de que a vida pode continuar, não importa quão ruins sejam nossas perdas. Que pode ser bom de novo. [...]. Trechos extraídos da obra Mockingjay (Scholastic Press, 2010), da escritora e roteirista estadunidense Suzanne Collins. Veja mais aqui.

 

DUPLA MORAL RACIAL - O racista se faz, não se nasce... Essas atitudes são aprendidas e muitas delas são transmitidas de geração em geração como durante um longo período, e constituem um código de valor-informação que é transmitido a cada indivíduo no processo de socialização... Expressão do sociólogo, antropólogo e professor espanhol Tomás Calvo Buezas, autor de obras como Los más pobres en el país más rico: clase, raza y etnia en el movimiento campesino chicano (1981), Los racistas son los otros. Gitanos, minorías y Derechos Humanos en los textos escolares (1989) e La escuela ante la inmigración y el racismo. Orientaciones de educación intercultural (2003), entre outras obras.

 

UM POEMA & DUAS FRASES

E o problema é que, se você não arriscar nada, arriscará ainda mais...

(Imagem: Acervo ArtLAM)

Eu estava cansada de ser mulher, \ cansada da dor, \ do detalhe irrelevante do sexo, \ minha própria concavidade \ faminta inutilmente \ e mais vazia sempre que estava cheia, \ e finalmente preenchida \ por seu próprio vazio, \ buscando o jardim da solidão \ em vez dos homens. \ A cama branca \ no jardim verde - \ eu ansiava \ por dormir sozinha \ do jeito que alguns anseiam \ por um amante. \ Mesmo quando você chegou, \ tentei espancá-lo \ com minha tristeza, \ minhas seduções cínicas \ e meu truque de \ transformar um escravo \ em mestre. \ E tudo porque \ você fez \ meus dedos doerem \ e meus olhos se cruzam \ numa paixão \ que não sabia o próprio nome. \ Urso, fera, amante \ do livro do meu corpo, \ você folheou minhas páginas \ e descobriu \ o que havia \ para ser escrito \ do outro lado. \ E agora \ estou em branco \ para você, \ uma tabula rasa \ pronta para ser impressa \ com letras \ em um idioma desconhecido \ pela grande imprensa \ do nosso amor.

Frase & poema Beast, Book, Body, da escritora e educadora estadunidense Erica Jong, que ainda expressa: Todo mundo tem um talento. O que é raro é a coragem de seguir o talento para o lugar escuro onde ele leva. Veja mais aqui e aqui.

 

DIÁLOGO COM A MINHA AVÓ - [...] Esta é uma história de muitas mulheres negras que lavaram, passaram a ferro e foram as bases das nossas famílias. É por isso que mostrei suas mãos. Por respeito pelas mãos que trabalharam tanto para construir uma família [...] Há algo que não posso evitar dizer. Eles queriam distorcer muitas vezes a imagem da minha avó... Desde a época colonial, eles inventaram os padrões de uma indústria que não nos representa. Mas, infelizmente, muitas pessoas em Cuba e outros países também reproduzem e vendem essas irresponsáveis versões coloniais. Por que essa imagem falsa e degradante da mulher negra? Por quê? Por quê? Por quê? [...]. Trechos extraídos de Diálogo com a minha avó (2015), da premiada cineasta e roteirista cubana Gloria Rolando, que também se expressou sobre o filme Reshipment (2014): Quando falamos sobre a diáspora africana, às vezes as pessoas não sabem muito sobre o que aconteceu na história do Caribe - e Cuba é uma ilha caribenha que compartilhou muitos destinos com outros países do Caribe. Mesmo que falemos espanhol e outros falem francês ou inglês, temos muitas coisas em comum. Então eu acho que a expectativa, o interesse e a reação que eu vejo é porque as pessoas querem saber o que aconteceu com o resto dos negros do continente... Através dos meus filmes, eles conseguem ter um pedaço desse conhecimento. Não consigo abarcar, em um documentário de uma hora, toda a complexidade da história dos países caribenhos e de nossa história como pessoas negras. Mas pelo menos o público pode obter alguns elementos que lhes permitem continuar estudando ou fazendo mais pesquisas, especialmente a geração jovem...

 

VALUNA: ALTINHO

(Imagem: Acervo ArtLAM).

Enquanto Jorge cantava correnteza abaixo...

De mim o que jamais passou, a mesma coisa e não, processos dos devires. E tantos que ela já era a Cabeleira de Altinho, da Chata e Mentirosas, Maracajá, Molambo...

Valuna: homenagem ao Município de Altinho – Pernambuco. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


sábado, abril 15, 2023

DANAH ZOHAR, BERGMAN, CRESSIDA COWELL, ROBERT WALSER & SÃO BENTO DO UNA

 

 (Imagem: Setígono – Acervo ArtLAM) - Ao som do show Gabriela Machado Quinteto (Sesc Instrumental, 2022), da premiada flautista e compositora Gabriela Machado, acompanhada pelo quinteto formado pelos músicos Emiliano Castro (violão de 7 cordas), Matheus Kleber (acordeon), Camila Silva (cavaquinho) e Douglas Alonso (bateria), contando com participações especiais de Celso Benedito (trompa) e Débora Gurgel (piano). Ela é integrante do grupo Câmaranóva (Câmara Brasileira) e o Coletivo de Mulheres no Choro (SP), afora participar de diversos grupos instrumentais.

 

SETÍGONOS ÀS LAPADAS – PRIMEIRO: Um título se faz verso \ recomeço com que roupa \ às festrelasas baladas \ luzoutradas deparecéus \ se ao léu lá oitão meço \ não peço já pra qualquer uma \ nas brumas do meu coração. (Taí, heptassílabos de sete pés, feito redondilhas xucras, quando na verdade eu queria poetar coisa mais fora do comum e sem rimar. Não deu. Ao meter as catanas versiculares na maior pelejada, lá estava eu me sentindo como numa Sonata de Outono – só que diferente: como se rascunhasse a Carta ao meu pai e ele lá do outro lado da mesa lendo meus pensamentos quais arroubos mais insolentes. Peguei o fio da meada no meio do movimento browniano: lá ia eu viajando na ideia do floco de neve de Koch, ôpa, pelo perímetro fractal (oba!) pra quânticos cânticos. Deu nada: poeta d’água doce sabe nem se amostrar. É isso aí, vamos lá). SEGUNDO: Semanazada já sextou \ nexoteando ensimesma \ no viés de lesma faz pé \ não é qualquer badameco \ fugou caneco oh baião \ cadê chão? Volta por cima \ pro clima do alto astral. (Versoutros setessilábicos com barrunfo de heptada, mais parece pé-quebrado de quem não sabe nada. Pois é, estava empolgado e parti pra segunda lapada! Deveria ter ficado na primeira, fui gostando da loa. Mas como alegria de pobre dura pouco, lá longe logo previ algo lá não muito bem-vindo e na minha direção. Parecia gente, mas não era; coisa, talvez. Que porra é 9? Chegou bem pertinho, o bafo duma voz esquisita e deu pra entender apenas: ChaosGPT. Ficou na mesma, nunca vi mais gordo, logo: que boba 90 é isso? Nem queiram saber. Não deu tempo nem de me ajeitar direito, partiu pra cima de mim como quem queria agarrar minha goela. Vôte! Não sou besta não, dei um passo pra trás e o troço lá tinha certa dificuldade em se mover e me alcançar. Ôxe! Dei um drible de corpo, fui de lá pra cá, deixei-lo zonzo e zarpei com mais de mil! Xô pra lá, coisa ruim! O carreirão foi tão grande que nunca mais vi, nem quero ver. Mas, sei bem do que se trata, humanidade em risco... Simbora). TERCEIRO: Como se um heptágono \ amanhecesse heptaédrico \ ventroutonal s’enrubesce \ poética quermesse quente \ trovejandagora lá se \ tascômicarnavalesca \ desse pentágono dentro. (Pronto, está meio desmantelado, porém deu pro gasto! Fechei a conta da terceira leva, na marra pra balanço! Sim, claro. Nem conto, espia só. Foi por causa dum susto de torar a taboca! De repente, assim do lado e do nada: Victor de Aveyron! Danou-se! Deu-me duas Brassica oleracea! Nunca tinha visto: isso come? (só depois soube tratar-se dum tipo de couve-flor, uma rósea arroxeada, outra creme esverdeada –Deus faz arte fractal, certeza! Por isso ou vejo em toda parte ou me perseguem, só sendo. Mas dele o olhar de total desapontamento com o ser humano, pudera. Como não restasse nada do Itard e da Madame Guérin, nenhuma boa lembrança. Vi-o perdido e com ele o meu país se dissolve há sete anos com a queima de livros e atentado às escolas forjados sete dias por semana pelo fundamentalismo cristão estúpido, imitação barata das neuras do Norte que a tevê explicita o dia inteiro na programação propagada nas redes sociais. Barbárie em demasia até para ele. Quanto mais pra mim, hem? E eu duas vezes sete horas me desdobro nas dialetheias e sobrevivo afora, até mais ver.

 

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL

[...] O QS (Quociente Espiritual) permite que seres humanos sejam criativos, mudem as regras, alterem situações. Permite-nos trabalhar com limites, participar do “jogo infinito”. O QS nos dá capacidade de escolher. Presenteia-nos com um senso moral, uma capacidade de amenizar normas rígidas com compreensão e compaixão, bem como com a capacidade de saber quando a compaixão e a compreensão chegaram a seus limites. Usamos o QS para lutar com questões acerca do bem e do mal, e imaginar possibilidades irrealizadas – sonhar, aspirar, superar situações difíceis. [...].

Trecho extraído da obra Inteligência espiritual: aprenda a desenvolver a inteligência que faz a diferença (Viva Livros, 2012), da física e filósofa estadunidense Danah Zohar, que acrescenta: Podemos considerar a dor, o sofrimento ou as dificuldades como ameaçadoras ou incapacitantes, mas também como desafios e mesmo como oportunidades... (Imagem Acervo ArtLAM). Veja mais aqui.

 

DITOS & DESDITOS - Todos nós cometemos erros. Todo mundo precisa de segundas chances, e até mesmo de terceiras, quartas e quintas... Estamos todos arrebatando momentos preciosos das mandíbulas pacíficas do tempo. Às vezes é apenas um amigo verdadeiro que sabe o que queremos dizer quando tentamos falar... Pensamento da escritora inglesa Cressida Cowell. Veja mais aqui e aqui.

 

HÖSTSONATEN – [...] É claro que às vezes sinto um vazio. Mas uma pessoa não se deve enterrar viva... A gente pode se consolar consigo mesma. Não pode contar eternamente com os outros e pensar que eles estarão sempre ao nosso lado quando a gente está triste. Não, antes pelo contrário. Na maioria das vezes, a gente precisa chorar em silêncio, pra que ninguém ouça. [...]. Trecho extraído do filme Sonata de outono (1978), do cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007), estrelado pelas atrizes Ingrid Bergman e Liv Ullmann, contando sobre o reencontro de uma mãe célebre pianista e suas duas filhas após anos de separação. A mãe tem uma surpresa ao encontrar a filha mais nova deficiente física e mental, aos cuidados da mais velha. Esse reencontro trará à tona diversas mágoas do passado. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

UM POEMA

Quão pequena é a vida aqui e quão grande é o nada. \ O céu, cansado de luz, deu tudo à neve. \ As duas árvores inclinam suas cabeças uma para a outra. \ Nuvens atravessam o silêncio do mundo em uma dança circular.

Poema do escritor suíço Robert Walser (1878-1956), que também assim se expressa: Cada pessoa sensível carrega em si velhas cidades cercadas por antigas muralhas... Às pessoas saudáveis faço o seguinte apelo: não teimem em ler apenas esses livros saudáveis, travem um conhecimento mais estreito, também, com a literatura dita doentia, que vos transmitirá, decerto, uma cultura edificante. As pessoas saudáveis deveriam sempre expor-se um pouco ao perigo. Senão, com mil raios, para que serve ser saudável? Simplesmente para, num determinado dia, morrer de boa saúde? (Imagem Acervo ArtLAM). Veja mais aqui.

 

UNA-SE... O RIO É SEU...

... Eu vou. Por quê? Porque vou, porque sim, porque não, caramanchão, feliz das trepadeiras pelos oitões, a brisa nas varandas, água de coco, sombra e água, a lembrar dos sítios do Serrote do Gado Brabo. Sou o que vai e volta, eterno retorno como os pardais estão voltando...

Valuna: São Bento do Una – Pernambuco. (Imagem: Acervo ArtLAM). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 



GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...