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segunda-feira, setembro 16, 2024

ESTHER PINEDA, SANU SHARMA, NIVIAQ KORNELIUSSEN & CABOCLINHOS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Paris, mon amour (Sony, 2015), Renascimento (Sony, 2021) e The Courtesan (SY11, 2023), da soprano operística búlgara Sonya Yoncheva.

 

Cantiga de curumim no meio da tarde... – Um dia menino, à sombra benfazeja de um cajueiro frondoso, a vida sorria e eu conversava sozinho coisas que saltavam das sensações. Interrompia minhas pensagens com a alegria de longe de um galo peralta, todo amostrado no terreiro, desde que o dia acontecera: uma felicidade que me contagiava todas manhãs desde sempre. Já era de tarde e o galo lá cocoricava como se fosse domingo de festa. E ficava ali entretido com todo aquele alvoroço, o que me fazia sentir toda a boniteza das paragens. Logo desaparecera, não se sabe pra onde e eu fiquei no ora, ora: Cadê-lo? Ousei levantar pra buscá-lo e uma voz diferente interrompeu minha saída arremedando: - Curumin, que é que há? Ali espantado, um convite: - Chega! Quem era? Do cajueiro ouvi: - Senta, vamos prosear! A tarde está tão linda... Era dele aquela estranheza. Até então ele e todas as árvores só me ouviam; agora era minha vez de escutá-lo. E me agachei atencioso: - Diga lá! Era como se fosse um oráculo e me contou dos segredos mais íntimos das coisas, o que saía e entrava pelos sete buracos da cabeça de gente. Como assim? E me falou da maior profundeza das coisas escondidas: que a Terra é a nossa Mãe, nosso abrigo; e a nossa família, todos ao nosso redor, assim como tudo e todas as coisas. Mais disse para que eu sentisse o cheiro de Sol por todos os lugares inundados pelo perfume das flores e delas o aceno alegre nos galhos: o ar era a vida que nos fazia existir, soprando a raiz de todos os ventos, o prazer das aragens que levavam e traziam o gosto mais maravilhoso de viver. Sopravam o fogo ensinando tudo o que passou e o que virá, como se vingassem nas labaredas das fogueiras e lambiam as estrelas maduradas na noite pela viagem de outro dia, que depois viria, quando menos se esperasse. Inspiravam o rio na metáfora do espelho e mexiam as correntes das águas regando o chão, como sobem as marés – o encontro do rio ao mar era a vida da gente, porque há um lugar e um tempo, pedaços de hestórias de semear e de colher, de fazer e sonhar. Conduziam as nuvens que choravam de alegria lavando a alma grata pela comida, pelo abrigo, pela claridade, pelo trabalho e pela dança dos espíritos invisíveis – os guardiões da herança de todas as estações e o respeito recíproco na benzedura da boa-fé de coração puro. As palavras pareciam soltas e soavam de dentro pro íntimo e era preciso silêncio para senti-las, sim: era o milagre da revelação do Grande Espírito. De repente o galo reapareceu e, pela primeira vez, entendi seu cocoricó: convocava o coro de todas as pedras e alturas, todos os troncos e plantas, todos os morros e estradas, todas as grutas e lonjuras, todos rastejadores e avoantes, o coro da celebração vital. Sim. Cantavam que todos temos uma missão: proteger a Mãe Terra e tudo que nela há! E eu felizardo cantei bebendo da chuva, como se aprendesse devoto das águas a gratidão dos nascidos e com todas as graças do coração a segui-las sempre adiante horizonte afora. Assim sou e estou, até mais ver.

 

Niviaq Korneliussen: Os devaneios são acompanhados de emoções proibidas... Veja mais aqui.

Rita Rudner: Eu nunca entro em pânico quando me perco. Eu apenas mudo para onde quero ir... Veja mais aqui.

Jodi Picoult: O dano era permanente; sempre haveria cicatrizes. Mas mesmo as cicatrizes mais raivosas sumiam com o tempo até que era difícil vê-las escritas na pele, e a única coisa que permanecia era a lembrança de quão doloroso tinha sido... Depois de juntar os pedaços, mesmo que pareça intacto, você nunca mais será o mesmo de antes da queda... Veja mais aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

DESEJO – Quão distante você reside \ dos confins do meu, \ não me preocupo. \ Quando as memórias, de \ dias passados ressurgem; \ com reflexão e reminiscência da \ minha infantilidade casual, \ que seus olhos umedeçam, \ que seus lábios se transformem em um sorriso \ revelado, mas oculto. \ Isso é tudo \ o que eu desejo.

POSSO TE CONHECER ALGUM DIA ASSIM – Que eu possa te encontrar um dia assim que \ não haja pressa em dizer adeus \ que não haja medo de interrupções \ que todas as emoções sejam derramadas, \ e cada canto e fenda do meu coração seja esvaziado. \ que eu não guarde arrependimentos dentro de mim \ que as memórias não nos assombrem mais tarde. \ Que eu nunca me canse de me expressar \ que eu possa encontrar contentamento em ouvir você \ que não haja restrições de tempo \ e que possamos estar unidos como um único nó \ você, o tempo e eu. \ Que eu possa te agarrar e cair em um sono profundo \ que não haja pressa em acordar \ que não haja medo de perder um momento \ que eu possa derreter em seu abraço, e \ me fundir em sua totalidade  \ assim como a alma se funde com o Ser Supremo \ Que não haja sonhos não realizados como este \ que haja realidades que me satisfaçam. \ Algum dia, que eu possa te encontrar \ assim.

Poemas da escritora, letrista e poeta nepalesa Sanu Sharma.

 

ONTEM À NOITE - [...] Os devaneios são acompanhados de emoções proibidas. [...] Foi uma honra segurar seu coração, mas minhas mãos estão todas ensanguentadas, então é melhor você pegá-lo ou eu vou ter que largar esse seu coração pegajoso. [...] A vida é tão maravilhosa que não vou ficar triste por não poder ter tudo. [...]. Trechos extraídos da obra Last Night in Nuuk (Grove Press, 2019), da escritora groenlandesa Niviaq Korneliussen. Veja mais aqui.

 

RACISMO & RESISTÊNCIA - [...] não basta erradicar o racismo e a desigualdade. por razões de género com reconhecimento nominal e iconográfico, a exposição e exibição grosseira dessas pessoas e mulheres historicamente invisibilizado, sem modificar a estrutura organizacional da sociedade em favor do reconhecimento e inclusão participativa; a diferença deve necessariamente traduzir se transformar em oportunidade, visibilidade, participação, e só isso pode ser alcançado através da descolonização, da despatriarcalização, descapitalização e desracialização das relações sociais. [...]. Trecho extraído da obra Racismo, endorracismo y resistência (Perro y la Rana, 2017), da poeta e socióloga venezuelana Esther Pineda G., que ainda se expressa: Sou negra e afirmo meu direito à existência. Afirmo o meu direito ao entrelaçamento dos meus cabelos encaracolados, à escuridão dos meus lábios, à escuridão implacável dos meus cotovelos, à escuridão visível da ponta dos meus dedos... A violência estética se baseia em 4 premissas: sexismo, gerontofobia, racismo e gordofobia, por isso exigirá sempre das mulheres feminilidade, juventude, branquitude e magreza. A violência estética faz com que as mulheres acreditem que elas e seus corpos são os que estão errados, fazendo-as sentirem-se culpadas, fazendo-as sentir vergonha, dizendo-lhes que só existem corpos válidos e bonitos e que para se aproximarem dessa beleza e valorização social devem modificar seus corpos; caso contrário terão que viver as consequências da desvalorização pessoal e social por não satisfazerem essa expectativa de beleza. Ela também é autora dos livros Roles de género y sexismo en seis discursos sobre la familia nuclear (2011) e Machismo y vindicación. La mujer en el pensamiento sociofilosófico (2017).

 

CABOCLINHOS

[...] a proteção e continuidade das manifestações culturais, cujos protagonistas, mesmo diante da identidade multifacetada, ecoam um grito contido de libertação e emancipação idealizada do seu lamentável equívoco do passado ancestral. [...]. Trecho do prefácio Okê caboclo! Calços, percalços e mais aprendizados em favor da memória cultural, da pianista, percussionista, compositora e etnomusicóloga Alice Lumi Satomi, extraído da obra Caboclinhos: subsídios para a salvaguarda e pesquisa (Appris, 2023), organizada por Sandro Guimarães de Salles, Washington Guedes de Souza, Climério de Oliveira Santos e Lucas Oliveira de Moura Arruda. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

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sábado, abril 22, 2023

GLORIA ROLANDO, ERICA JONG, GEORGE STEINER, SUZANNE COLLINS & ALTINHO

 

(Imagem: Acervo ArtLAM)

Ao som dos álbuns Uma Maneira de Dizer (Independente, 2012), Diários de Vento (Independente, 2016), Boa Noite pra Falar com o Mar (Independente, 2016) e Tempo Sem Tempo (Yb Music, 2019), todos da compositora e multi-instrumentista Joana Queiroz.

 

ICONOGRAFIA DA RUÍNA – Quem ainda se lembra se o coração bate alheio e o tempo, ah o tempo passa veloz afiada lâmina e pouco importa, as ruas e direções servem aos pneus congestionados na pressa do relógio de quem bate no pulso porque tem de ir nem se sabe direito pra onde. E vai acolá, o que tem de desembesto pragoraqui inadiável, líquido e certo, urgente, o resto pra depois de amanhã. Decerto o depois demorará a chegar, não tem de ficar à espera, não há mais muros nem janelas, varandas ou terraços, apenas mausoléus e lavabos suntuosos no quadratismo vertical, com suas vidraças espelhadas sobre as calçadas do vaivém desde ontens e há muito. Dá pra notar: há tempos só troca de roupa, no ademais o mais do mesmo. Só não passou quem está mais mole que um prato de papa ou mais velho que um papa-figo estirado numa cama ou maca hospitalar. Só não passou quem está entrevado que nem borreia engrenada na esquina, ou se acabando pelo fundo feito panela. Isso também não importa, destampa a garrafa, goles e farras. Tudo passa. Seria invencionice a cana em demasia: beira de rio, terreiro de casas, topo de morros e nos cafundós da desgraça difusa Mata adentro e ninguém nem aí, vale o esfolado no estrépito do consumo arrivista, ostentação e desencanto. A quem a pachorra de se dar conta do tanto desolador, ninguém. Ninguém mesmo porque o deliberado racismo fracking entra sem bater portas e com todos os dedos na ferida aberta perfurando profundidade na carne do solo para extrair o xisto ou folhelho pro gás natural em Vaca Muerta, um ecocídio Mapuche que agora desaloja os nossos ameaçados pelo Maranhão, Piauí, Mato Grosso do Sul e Tocantins, por enquanto. O que estridula no bolso é emergencial, recados da hora, decisões iminentes e ninguém quer passar batido, ora! Quem ainda se lembra vai clandestino, exilado voluntário com exercício de inventar alvos móveis ou falsos. O que sei é se não estou em apuros, confesso: no meio do caos e do medo. Pudera, há mais de quinhentos anos à deriva, há mais de um século sucumbindo aos golpes – e por falar em golpe, melhor se precaver: um novinho em folha está no ensaio dia após noite, os que malograram já foram. Ah, quem acenou eu nem vi, quase sou atropelado na faixa de pedestre; semáforos, vá entender. Quem aceitou foi recusado, não sei como, ah não, basta de tantos nãos e coniventes sins, quanto eufemismo à toa. Quem ainda se lembra eu não sei, só não esqueci sangue nas veias. Até mais ver.

 

DITOS & DESDITOS

(Imagem: Acervo ArtLAM)

A história, no sentido humano, é uma rede de linguagem arremessada para trás...

Pensamento do professor e crítico literário francês George Steiner (1929-2020), que no ensaio The Retreat from the Word (Kenyon Review (1961), inserido na obra Language and Silence: Essays 1958-1966 (Macmillan Pub Co, 1967), expressou que: [...] A linguagem só pode lidar significativamente com um segmento especial e restrito da realidade. O resto, e presumivelmente a parte muito maior, é silêncio.[...]. Quando uma língua morre, uma maneira de entender o mundo morre com ela, uma maneira de olhar para o mundo. [...]. Veja mais aqui.

 

TORDO - [...] Certos passos você tem de dar sozinho. [...] A promessa de que a vida pode continuar, não importa quão ruins sejam nossas perdas. Que pode ser bom de novo. [...]. Trechos extraídos da obra Mockingjay (Scholastic Press, 2010), da escritora e roteirista estadunidense Suzanne Collins. Veja mais aqui.

 

DUPLA MORAL RACIAL - O racista se faz, não se nasce... Essas atitudes são aprendidas e muitas delas são transmitidas de geração em geração como durante um longo período, e constituem um código de valor-informação que é transmitido a cada indivíduo no processo de socialização... Expressão do sociólogo, antropólogo e professor espanhol Tomás Calvo Buezas, autor de obras como Los más pobres en el país más rico: clase, raza y etnia en el movimiento campesino chicano (1981), Los racistas son los otros. Gitanos, minorías y Derechos Humanos en los textos escolares (1989) e La escuela ante la inmigración y el racismo. Orientaciones de educación intercultural (2003), entre outras obras.

 

UM POEMA & DUAS FRASES

E o problema é que, se você não arriscar nada, arriscará ainda mais...

(Imagem: Acervo ArtLAM)

Eu estava cansada de ser mulher, \ cansada da dor, \ do detalhe irrelevante do sexo, \ minha própria concavidade \ faminta inutilmente \ e mais vazia sempre que estava cheia, \ e finalmente preenchida \ por seu próprio vazio, \ buscando o jardim da solidão \ em vez dos homens. \ A cama branca \ no jardim verde - \ eu ansiava \ por dormir sozinha \ do jeito que alguns anseiam \ por um amante. \ Mesmo quando você chegou, \ tentei espancá-lo \ com minha tristeza, \ minhas seduções cínicas \ e meu truque de \ transformar um escravo \ em mestre. \ E tudo porque \ você fez \ meus dedos doerem \ e meus olhos se cruzam \ numa paixão \ que não sabia o próprio nome. \ Urso, fera, amante \ do livro do meu corpo, \ você folheou minhas páginas \ e descobriu \ o que havia \ para ser escrito \ do outro lado. \ E agora \ estou em branco \ para você, \ uma tabula rasa \ pronta para ser impressa \ com letras \ em um idioma desconhecido \ pela grande imprensa \ do nosso amor.

Frase & poema Beast, Book, Body, da escritora e educadora estadunidense Erica Jong, que ainda expressa: Todo mundo tem um talento. O que é raro é a coragem de seguir o talento para o lugar escuro onde ele leva. Veja mais aqui e aqui.

 

DIÁLOGO COM A MINHA AVÓ - [...] Esta é uma história de muitas mulheres negras que lavaram, passaram a ferro e foram as bases das nossas famílias. É por isso que mostrei suas mãos. Por respeito pelas mãos que trabalharam tanto para construir uma família [...] Há algo que não posso evitar dizer. Eles queriam distorcer muitas vezes a imagem da minha avó... Desde a época colonial, eles inventaram os padrões de uma indústria que não nos representa. Mas, infelizmente, muitas pessoas em Cuba e outros países também reproduzem e vendem essas irresponsáveis versões coloniais. Por que essa imagem falsa e degradante da mulher negra? Por quê? Por quê? Por quê? [...]. Trechos extraídos de Diálogo com a minha avó (2015), da premiada cineasta e roteirista cubana Gloria Rolando, que também se expressou sobre o filme Reshipment (2014): Quando falamos sobre a diáspora africana, às vezes as pessoas não sabem muito sobre o que aconteceu na história do Caribe - e Cuba é uma ilha caribenha que compartilhou muitos destinos com outros países do Caribe. Mesmo que falemos espanhol e outros falem francês ou inglês, temos muitas coisas em comum. Então eu acho que a expectativa, o interesse e a reação que eu vejo é porque as pessoas querem saber o que aconteceu com o resto dos negros do continente... Através dos meus filmes, eles conseguem ter um pedaço desse conhecimento. Não consigo abarcar, em um documentário de uma hora, toda a complexidade da história dos países caribenhos e de nossa história como pessoas negras. Mas pelo menos o público pode obter alguns elementos que lhes permitem continuar estudando ou fazendo mais pesquisas, especialmente a geração jovem...

 

VALUNA: ALTINHO

(Imagem: Acervo ArtLAM).

Enquanto Jorge cantava correnteza abaixo...

De mim o que jamais passou, a mesma coisa e não, processos dos devires. E tantos que ela já era a Cabeleira de Altinho, da Chata e Mentirosas, Maracajá, Molambo...

Valuna: homenagem ao Município de Altinho – Pernambuco. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


sábado, novembro 16, 2013

STELLA DÍAZ VARÍN, FANON, SÁNDOR MÁRAI, MIGNOLO, DESCOLA & LITERÓTICA.


A FEBRE DO DESEJO - Em tua carne febril de manhãs amorosas a libertação do poema pelo canto que ensaio presente em meu querer despudorado que se multiplica e nos multiplicamos na minha canção visitante civil e indômita na tua agasalhadora sedução que me faz canção no teu ouvido e a minha volúpia danada não cabe entre teus seios de setembro ensolarado porque a primavera é viva demais no meu inquieto sexo que quer lambuzar com meus poemas atiçadores a tua pele corpo e alma azul inventando a vida para provar de todo o pomar que é a tua inteira carne como a noite e renascida como o dia até tê-la desalinhada e crua, ai meu deus do céu, com teu césio 137 na velocidade 5 dançando nua no meu créu. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aquiaqui.

 


DITOS & DESDITOS - O mundo foi mapeado como o conhecemos hoje no século 16. Esse mapa se universalizou, impondo a idéia de que o mundo é dividido em quatro continentes. Como você pode "ver" em qualquer mapa esses quatro continentes? Não há nada nas massas de terra e água que os divida dessa forma. A divisão é um legado da cosmologia cristã. Os cristãos eram a única comunidade que dividia o mundo em três. Pensamento do semiólogo e professor argentino Walter Mignolo, integrante do grupo modernidade/colonialidade.

 

ALGUÉM FALOU: Temos a ilusão de que todo o mundo vê as mesmas coisas... A cultura em que fomos criados faz com que vejamos as coisas diferentes... Pensamento do antropólogo francês Philippe Descola, que na obra Beyond Nature and Culture (University of Chicago Press, 2013), expressa que: […] A meu ver, a missão da antropologia é tentar, juntamente com outras ciências, mas utilizando os seus próprios métodos, tornar inteligível a forma como os organismos de um determinado tipo encontram um lugar no mundo, adquirem uma representação estável dele e contribuem para a sua evolução. transformação forjando com ele e entre si vínculos constantes ou ocasionais e de uma diversidade notável, mas não infinita. Antes de construir uma nova carta para o futuro em gestação, precisamos primeiro mapear essas ligações, compreender a sua natureza mais claramente, estabelecer os seus modos de compatibilidade e incompatibilidade, e examinar como eles tomam forma nas suas maneiras claramente distintas de estar no mundo. [...].

 

PELE NEGRA, MÁSCARA BRANCA[...] é de bom tom preceder uma obra de psicologia por uma tomada de posição metodológica. Fugiremos à regra. Deixaremos os métodos para os botânicos e os matemáticos. Existe um ponto em que os métodos se dissolvem [...] Por que escrever esta obra? Ninguém a solicitou. E muito menos aqueles a quem ela se destina. E então? Então, calmamente, respondo que há imbecis demais neste mundo. E já que o digo, vou tentar prová-lo. Em direção a um novo humanismo... À compreensão dos homens... Nossos irmãos de cor... Creio em ti, Homem... O preconceito de raça... Compreender e amar... De todos os lados, sou assediado por dezenas e centenas de páginas que tentam impor-se a mim. Entretanto, uma só linha seria suficiente. Uma única resposta a dar e o problema do negro seria destituído de sua importância  [...] O negro é um homem negro; isto quer dizer que, devido a uma série de aberrações afetivas, ele se estabeleceu no seio de um universo de onde será preciso retirá-lo. O problema é muito importante. Pretendemos, nada mais nada menos, liberar o homem de cor de si próprio. Avançaremos lentamente, pois existem dois campos: o branco e o negro [...]. Trechos extraídos da obra Piel negra, máscaras blancas (Akal, 2009), do psiquiatra, filósofo e ensaísta francês da Martinica, Frantz Fanon (1925-1961). Veja mais aqui e aqui.

 

AS VELAS ARDEM ATÉ O FIM - [...] Não, o segredo é que não há recompensa e temos que suportar nosso caráter e nossa natureza da melhor maneira possível, porque nenhuma quantidade de experiência ou discernimento irá corrigir nossas deficiências, nossa auto-estima ou nossa cupidez. Temos que aprender que nossos desejos não encontram nenhum eco real no mundo. Temos que aceitar que as pessoas que amamos não nos amam, ou não nos amam da maneira que esperamos. Temos que aceitar a traição e a deslealdade e, o mais difícil de tudo, que alguém seja melhor do que nós em caráter ou inteligência. [...] Ela disse que nunca quis ter segredos de mim nem de si mesma, por isso queria anotar tudo o que de outra forma seria difícil de falar. Como disse, mais tarde compreendi que quem foge para uma honestidade assim teme alguma coisa, teme que a sua vida se encha de algo que não pode mais ser partilhado, um segredo genuíno, indescritível, inexprimível. [...] Você também acredita que o que dá sentido às nossas vidas é a paixão que de repente nos invade coração, alma e corpo, e arde em nós para sempre, não importa o que mais aconteça em nossas vidas? E que se já experimentámos tanto, então talvez não tenhamos vivido em vão? A paixão é tão profunda e terrível e magnífica e desumana? Trata-se de fato de desejar qualquer pessoa ou de desejar o próprio desejo? Essa é a questão. Ou talvez se trate realmente de desejar uma pessoa específica, um outro único e misterioso, de uma vez por sempre, não importa se essa pessoa é boa ou má, e a intensidade dos nossos sentimentos não tem qualquer relação com as qualidades ou o comportamento desse indivíduo? [...] O tempo é um purgatório que limpou toda a fúria das minhas memórias. [...]. Trechos extraídos da obra Embers (Vintage, 2002), do escritor e jornalista húngaro Sándor Márai (1900-1989). Veja mais aqui e aqui.

 

BREVE HISTÓRIA DA MINHA VIDA - Comando soldados. \ E lhes hei dito acerca do perigo\ de esconder as armas\ baixo às olheiras.\ Eles não estão de acordo.\ E como estão todo o tempo discutindo\ sempre trazem perdida a batalha.\ Já não se pode se valer de ninguém.\ Eu não posso estar em tudo;\ para isso pago \ cada gota de sangue\ que se derrama no inferno.\ No inverno, devo me dedicar\ a oxidar um ou outro sepulcro.\ E na primavera, construo diques\ destinados aos naufrágios. \ Assim é, enfim…\ As quatro estações do ano\ não me contemplam, senão trabalhando\ Enfio agulhas\ para que as viúvas jovens\ fechem os olhos de seus maridos,\ e desperdiço minutos, vislumbrando\ à entrada de uma flor de lavanda\ de uma simples abelha,\ para separá-la em duas\e vê-la mover-se: a cabeça em direção ao sul\ e o abdômen em direção à cordilheira.\ Assim é\ como o dia de Páscoa da Ressurreição\ me encontra fatigada\ e sem o sorriso habitual\ que nos faz tão humanos\ ao dizer da gente. Poema da poeta chilena Stella Díaz Varín, também conhecida como la Colorina ou la víbora.

 

PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – O programa Domingo Romântico que vai ao ar todos os domingos, a partir das 10hs (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na edição deste 24 de novembro, muitas comemorações: de mais de 300 mil do blog Tataritaritatá e de mais 4 mil membros no grupo do programa no Facebook, com muitas atrações, confira: Heitor Villa-Lobos, João Guimarães Rosa, Flora Purim & Airto Moreira, Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco, Tears for fears, Jane Duboc, Milton Nascimento, Yes, Ivan Lins, Orquestra Tabajara, Elis Regina, Belchior, Leo Gandelman & Leila Pinheiro, Erasmo Carlos & Chico Buarque, Mart´nália & Djavan, Roberto Frejat, The Corrs, Vinicius Cantuária, Tunai, Altay Veloso, Kleiton & Kledir, Eduardo Dusek, Adriana Calcanhoto & Maria Bethania, Tavito, Braulio Tavares, Gi Machado, Mariza Serrano, Lelo Praxedes, Trovadores Urbanos, Fernanda Rivitti, Teco Seade, Tania Alves, Luis Miguel, Cantor Pitanga, Gerard Joling, Paulynho Duarte  & muito mais!!!!! Participe, comente, curta online & abrilhante a nossa festa neste 24 de novembro, na programação da Cidade FM 87,9, a partir das 10hs. Não deixe de participar para concorrer a diversos prêmios. Veja mais aqui.

DOMINGO ROMÂNTICO, POEMA DE ANDREA BORGES

Primavera invade nossas querências
Raiando um lindo Sol de Verão
Os sentimentos latentes de Amor e Paixão
Grandiosos saberes e vertentes de poesias
Rasgam nossos lares e corações
Amanhecer de um Domingo de essência musical
Maravilhosa programação da Rádio Cidade de Campos Gerais
Aos nossos ouvidos vem brindar

Diariamente esperamos o primeiro dia de a semana chegar
Olhos atentos nos preparando para sonhar
Meimei Corrêa com sua voz doce
Impressiona com sua sabedoria e delicadeza
Não nos furtamos a comentar cada momento de emoção
Grandes nomes nacionais e internacionais
Ouvimos e curtimos num mesmo cantar

Rasgando nossos devaneios
Os mais íntimos sentimentos afloraram do coração
Maravilhoso e dinâmico
Ardente e ameno
Nada é esquecido em sua condução
Trazendo recordações
Intensas e memoráveis
Cativantes e deliciosas
O Programa Domingo Romântico nos prova que vale a pena amar!

SERVIÇO:
O que? Programa Domingo Romântico
Quando? Neste domingo, 24 de novembro, a partir das 10hs.
Onde? Cidade FM 
Apresentação Meimei Corrêa.

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