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sexta-feira, agosto 02, 2019

LAURA RIDING, VERDET, IÇAMI TIBA, SILVELENA GOMES & CARTA DE AGOSTO


CARTA DE AGOSTO - A chuva lava a minha alma deserdada. Cada pingo uma lembrança, a cachoeira da memória. A precária imaginação irrompe para meu desalento: da minha terra com seus muitos riachos num só caudal - o Una. Nada muda nessas paragens, caem todos por terra, vencidos e conquistados, genuflexos, e eu ao deus dará, percursos e percalços, suando a camisa e às pressas inimigas da perfeição: tudo muito aquém, só cabeça de menino de coração velho, combalido, fora de hora. Digamos, liliputiano sem guarida, falações e menosprezo, como era de se esperar. Nunca poderia ter sido nada além do que sou, não me parecia jamais pudesse ser uma mina de ouro: um extravagante carregado de precoce heterodoxia e dado à vida prosaica. Muito menos poderia me salvar do defeito fatal de avesso às expectativas paternais que me queriam uma proeminente unanimidade, como se pudesse ser diferente. Fui regiamente agraciado com a parte que me cabia de sova na vida, surras memoráveis de quase aniquilado, engolir pílulas amargas, sair rolando pela escadaria, a desconhecer da glória e aplauso, nunca quis a fama imorredoura, melhor o desprezo mesmo, sem embargo, aborrecia muitos. Via de regra, cresci e me criei desapadrinhado: nunca alimentei esperanças de me tornar um ensoberbecido triunfante, aprendia com a vida as lições do fracasso e a orar pelo pão nosso de cada dia. Sabia sucumbente às inanidades da existência. Como um urso aprisionado numa jaula, sempre busquei de livres paragens: pretendia por mais de tantas vezes largar tudo e, taciturno irrequieto, trilhar qualquer caminho e sem saber nem para onde ir, sensações rebeldes no coração ateado por irregulares pensamentos e hábitos. Esse sou eu nessa chuva torrencial. Apesar das sucessivas quedas e imprevidência, nunca invejei os afortunados ou não, comiserava de vê-los tão atarefados com os seus negócios, enquanto eu padecia com a desgraça das crianças sem lar refugiadas nas lamas da miséria. Enquanto saudavam felizes as celebrações de engalanado natal, outros minguavam sem esperança na derrocada da fome. Não, não. Eu me molho na chuva, lavo a alma. Apesar de tudo, ambicionei sim, um mundo melhor para mim e todos. Hoje quase me vejo um velho cínico enojado com esse mundo de hipocrisia humana, coitados, e eu sequer tenho como prover o meu próprio sustento. Nunca seria um grande homem, graças a Deus. Sempre preferi o inexpressível, o inexprimível, o visinvisível: o sorriso inocente da meninada, a calmaria de um rio profundo, a flor desabrochando no jardim, a dança das estrelas ao luar. Por conhecer o amor, desconheci muitas leis e coisas. E se fui poupado dos escândalos, ainda bem, meus olhos cobiçosos sempre seguiram em muitas direções. A mim o prazer da tortura de amar, não mais que um cadáver ambulante solidário com os apenados que desdenham a felicidade material desse mundo. Junto meus trapos e já vou sozinho, passos cambaleantes, entre beijos e abraços antigos que renovam um dia quase perdido pelas dores extirpadas de quase não ter jeito de passar, como quem dança para quem saiba amar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] O céu como um envoltório do mundo e espaço onde brilham os astros, não preocupa muito os camponeses nem os marinheiros. Enquanto o Sol, a Lua, as estrelas e os meteoros suscitam uma literatura abundante, sendo objeto de superstições e observações variadas, a curiosidade popular parece não se estender à abobada celeste. [...] Em 30 de novembro de 1852, foi criada a comissão examinadora dos livros vendidos por ambulantes. O objetivo declarado dessa instituição é pôr fim a quatro séculos de difusão pelo interior, pelos caixeiros-viajantes de livraria, de uma infinidade de livrinhos. Essa literatura popular, também denominada “literatura azul”, é considerada perniciosa: pode ser uma má influencia para os espíritos. Nessa produção, os almanaques, pelo número e pela antiguidade, ocupam uma posição importante. Quase todos acabaram, depois de proibidos pela comissão. [...] Desde sua publicação, em 1494, durante o Carnaval, o Nef des fous, do humanista alemão Sebastian Brant (1458-1521), teve um sucesso retumbante, tanto na Alemanha como no resto da Europa, como atestam plágios e traduções. O autor faz todos os loucos da terra das delícias embarcarem numa estranha nau que ruma para a “Bobagônia”, o reino da loucura. Representantes de todas as classes sociais embarcam na Nau dos insensatos. A cada um dos loucos, personificando um vício humano, é consagrado um capítulo. Brant não podia deixar de falar na loucura de querer conhecer o céu. [...]
Trechos extraídos da obra O céu, mistério, magia e mito (Galimard, 1987), do astrônomo, historiador e matemático Jean-Pierre Verdet. Veja mais aqui, aquiaqui.

A POESIA DE LAURA RIDING
QUASE – Obscuridade quase expressa / que nunca foi ainda mas sempre / era para ser a próxima e a próxima / caso o lapso do ontem no amanhã / fosse reparado pelo menos até já, - pelo menos até já, até ontem - / caos quase reconquistado / sem que a verdade, dessa vez / decaísse ou progredisse - / o que há de novo? Qual é? / você nunca foi ainda / ou eu que nunca sou até?
TERRA – Não tema tanto pela Terra: / seu nome universal é “Lugarnenhum”. / Se é Terra para você, segredo seu. / Os registros externos param ali, / e você pode descrevê-la como parece, / e como parece, sê-la, / pretensa pausa / em meio à pretensa pressa.
SEM TÍTULO – Não é um muro, não é um poeta. Não é um muro de mentira, não é uma palavra de mentira. É um limite escrito do tempo. Não ultrapasse, ou em minha boca, meus olhos, você vai despencar. Chegue perto, encare e olhe bem através de mim, fale enquanto você vê. Mas, oh, rebanho de vidas totalmente apaixonadas, não ultrapasse agora. Senão em minha boca, em meus olhos, vocês hão de cair, e não ser mais vocês.
Poemas da obra The Poemas of Laura Riding (Persea, 1980), da poeta estadunidense Laura Riding (1901-1991), traduzidos por Rodrigo Garcia Lopes. Veja mais aquiaqui.
  
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Quase toda ilustração nasce ou de uma profunda reflexão dolorosa ou de um sentimento de necessidade da representação. Desenho o que não consigo encontrar, crio o que não foi criado antes para mulheres como eu. O feminismo de modo geral, em certas ocasiões, não consegue abarcar as mulheres negras, gordas e lésbicas. Retratá-las é ir de encontro a toda uma lógica visual de representação. É me ver, dar olhos e assumir as próprias falhas, dores e vontades.
A arte da ilustradora e estudante de Publicidade, Silvelena GomesVeja mais aquiaqui.

A OBRA DE IÇAMI TIBA
A felicidade é saber usufruir muito bem o que se tem, sem ficar sofrendo pelo o que não se tem, é a boa autoestima que permiti viver com esse feliz equilíbrio.
A obra do médico e escritor Içami Tiba (1941-2015) aqui e aqui.


domingo, março 15, 2015

ALAGOINHANDUBA, PAPISA JOANA, GILBERTO FREYRE & DIREITOS DO CONSUMIDOR


 

SE ALAGOINHANDUBA NÃO EXISTISSE, TERIA DE SER INVENTADAFoi preciso um defunto indignado ressuscitar duma hora pra outra, muito do invocado com a desmemória dos seus pósteros queridos. Sim. Para ele o povo dele estava desencaminhado e, pelo jeito, descambavam soltos para a perdição do inferno. Será possível? Foi aí que ele fugiu do purgatório e resolver trazer à memória dos seus, os feitos do seu mais antigo avoengo, destrinchando uma árvore genealógica interminável, que começou com um cheleleu desimportante lá do Duarte Coelho e que, dele, o Adão dos dele, o seu icosavô ao que parece e se estendeu pela maior misturada de mamelucagens e cafusadas, enrolados com acasalamentos profanos e nem tão reprováveis assim, que se confundiam entre pardos e remanescentes caetés, enganchados com diaspóricos zis afrodescendentes, frutos da maior fudelança, que envolvia das putarias, amancebamentos, incestuosidades e outros tantos desconhecidos meios de reprodução. Era uma lista interminável de escanchavós, a exemplo do eneadecavô que fora fugitivo da punição sodomita da Inquisição, no final do século XVI, e dele uma ruma de gente que passava pelo parentesco de longe com franceses do sul, outros de ataques espanhóis do Cabo, mais quem serviu pros holandeses, afora os que foram afilhados de jesuítas e outros perós, isso atravessando gerações sucessivas, reunindo pretensos consanguíneos aos achegados, compadrios de fogueira e outras afinidades. Era uma confusão dos diabos distinguir quem daquele ou doutro, tanto que os sobrenomes justapostos, uns ora realçados, outros esquecidos, dependendo da ocasião e fortuna, e que se perdiam e se reencontravam nos nós dos galhos em novas relações e em cujas descendências uma poeirada braba se sobrepunha às ascendências. Tanto é que se colocasse um sobrenome atrás do outro nunca terminaria, nem os tais fajutos dons Pedros de Alcântaras tinham tantos familiares e arrumadinhos. Vai ter parente assim na casa do raio que o parta, ora! Mas como é um defunto que tá falando, tem que se levar a sério e dá ouvida! Afinal, havia desenvultado para exatamente isso: reenchaminha a gente dele perdida na baboseira dagora. Justamente ele que fora um ufano professor na província querida de Alagoinhanduba, que tinha por deleitoso lazer o de colecionar sobrenome catados da árvore genealógica familiar, descobrindo primos e parentes de não sei quantas gerações e regozijando-se por isso. Passou o tempo e ao se aposentar passou a ter o único fazer remontar e desmontar sua linhagem, uma vez que certo parentesco lhe caía na antipatia e, por isso, fazia questão de apagar os vínculos e substitui-lo imediatamente por outros mais simpáticos. Na véspera de morrer foi acometido por uma fúria emputecida, justamente porque constatou que todos os seus contemporâneos haviam degenerado ao seu juízo, salvando-se alguns poucos netos e bisnetos – e isso porque eram crianças e ainda não se haviam maculados pela safadeza e podiam lavar a sua e a honra de todos os seus precedentes. Foi justamente estes que ele procurou para fazê-los lembrar de seus antepassados, contando-os detalhada e minuciosamente cada ato de coragem e homência meritória de lembrança. Os demais, tudo uns calhordas ingratos e bandoleiros, volúveis babaovos que se bandeavam até pros malquistos, tudo pra sua desonra. Pacientemente ele falava os berros, mas ninguém dava ouvidos. Até a mãe dele que, apesar de morto, ela ainda estava vivinha da silva e, pelo jeito, não ia bater as botas nem tão cedo, coitada. Não reconhecia mais ninguém, falava sozinha e ainda, por cima, quando ele a visita, demora a reconhecê-lo e, quando o faz assim na veneta, passa-lhe uns carões como se ele ainda fosse o menino malouvido tratado aos bregues. Enfim, tanto fez pelos descendentes netos e bisnetos, todos olvidaram. A mãe, coitada, não tinha mais idade para atinar nada, muito menos entendê-lo depois de morto. Foi então que ele arretou-se e vociferou puto da vida: aqui todos são um povo bom contaminado pelas pragas dos metidos a santo nas igrejas e os sabidos que fazem a corriola dos safados nas igrejinhas profanas! Ninguém tem mais salvação! E envultou-se de novo, perdendo-se na desmemória que ele tanto combateu. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

DIREITOS DO CONSUMIDOR – Há vinte e cinco anos, exatamente em 1990, foi aprovado no Brasil o Código de Defesa do Consumidor (CDC), com o objetivo de regular as relações de consumo. A sua regulamentação teve por meta equilibrar as relações entre o mercado ofertante de produtos e serviços, e os seus adquirentes – ou seja, regrar para buscar o equilíbrio entre quem detém o poder produtivo e aqueles que necessitam daquilo por ele ofertado. Passou-se, então, a tratar todo público-alvo como consumidor, muito embora o mandamento constitucional tenha validado a condição de cidadão. Ôpa, como é mesmo? Passou-se então a se discutir se essa condição passara a considerar o cidadão-consumidor ou o consumidor-cidadão. Lei por lei é mais uma entre milhares que entram em vigor, mas que não saem do papel. Nesse caso, alguns mecanismos foram criados para garantir sua efetividade, pelo menos. E, como não poderia deixar de ser, tornou-se um diploma legal bastante elogiado e ferramenta indispensável para dar ao lado mais fraco da corda, alguma voz e acesso à Justiça. Entretanto, muito pouco se conhece de lei no Brasil – na verdade, o que tem importado mesmo é como burlá-la quando em nosso desfavor e fazê-la cumprir quando assim precisarmos, questão de conveniência. Isso não erradica a injustiça, muito menos se faz justiça; o que voga mesmo é pender pra onde está o menor prejuízo ou utilizar da cláusula da reserva do possível. Afinal, a gente precisava mesmo era um código de defesa do cidadão. Mas isso abriria outras tantas questões e feridas. Pelo menos, apesar de desaparelhada, morosa e abarrotada de litígios internos e externos, a Justiça, mesmo se arrastando claudicante, segue adiante. Vamos aprumar a conversa e tataritaritatá. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

Imagem: Girl with a mandolin, do pintor italiano Giovanni Battista Tiepolo (1696-1770). Veja mais aqui.

Ouvindo o álbum ao vivo Seu Francisco (Polygram, 1993) do cantor e compositor Oswaldo Montenegro, cantando músicas de Chico Buarque. Veja mais aqui.

CASA GRANDE & SENZALA – O livro Casa Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal (Global, 2003), do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987), aborda temáticas como escravidão, família, usos e costumes, características gerais da colonização portuguesa do Brasil, formação da sociedade agrária, escravocrata e híbrida, o colonizador português, o escravo negro na vida sexual e de família do brasileiro, entre outros assuntos. Da obra destaco: [...] Para a formidável tarefa de colonizar uma extensão como o Brasil, teve Portugal de valer-se no século XVI do resto de homens que lhe deixara a aventura da índia. E não seria com esse sobejo de gente, quase toda miúda9, em grande parte plebeia e, além do mais, moçárabe, isto é, com a consciência de raça ainda mais fraca que nos portugueses fidalgos ou nos do Norte, que se estabeleceria na América um domínio português exclusivamente branco ou rigorosamente europeu. A transigência com o elemento nativo se impunha à política colonial portuguesa: as circunstâncias facilitaram-na. A luxúria dos indivíduos, soltos sem família, no meio da indiada nua, vinha servir a poderosas razões de Estado no sentido de rápido povoamento mestiço da nova terra. E o certo é que sobre a mulher gentia fundou-se e desenvolveu-se através dos séculos XVI e XVII o grosso da sociedade colonial, em um largo e profundo mestiçamento, que a interferência dos padres da Companhia salvou de resolver-se todo em libertinagem para em grande parte regularizar-se em casamento cristão. O ambiente em que começou a vida brasileira foi de quase intoxicação sexual. O europeu saltava em terra escorregando em índia nua; os próprios padres da Companhia precisavam descer com cuidado, senão atolavam o pé em carne. Muitos clérigos, dos outros, deixaram-se contaminar pela devassidão. As mulheres eram as primeiras a se entregarem aos brancos, as mais ardentes indo esfregar-se nas pernas desses que supunham deuses. Davam-se ao europeu por um pente ou um caco de espelho. "Las mujeres andan desnudas y no saben negar a ninguno mas aun ellas mismas acometeny importunan los hombres hallandose com ellos en las redes; porque tienen por honra dormir com los Xianos", escrevia o padre Anchieta;10 e isto de um Brasil já um tanto policiado; e não o dos primeiros tempos, de solta libertinagem, sem batinas de jesuítas para abafarem-lhe a espontaneidade. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui

ENSINAR APRENDENDO – O livro Ensinar aprendendo: novos paradigmas na educação (Integrare, 2006), do médico e escritor Içami Tiba, é composto por onze capítulos nos quais são abordadas questões como um novo caminho para a educação, insatisfações presentes, indisciplina, ensinar aprendendo, professor e orientador, teoria da integração relacional, o beija-flor e o incêndio na floresta, aprender é como comer, etapas do aprender, canjas e feijoadas, engolir a aula, digestão, integração, transformação da aula em sabedoria, os passos da ingenuidade, descoberta, aprendizado, sabedoria, as dificuldades da jornada, anorexia do saber, a curiosidade aliada, professores e mestres: ensinar é um gesto de amor, buscando ser mestre, sábio, anônima transcendência, um banho de hormônios, desenvolvimento humano, transformação do cérebro na puberdade, alunos conforme suas etapas de desenvolvimento, estrogênio e testosterona em ação, conflito de interesses afetivos, força relacional quase instintiva, o segundo parto, cérebro em transformação no adolescente, mania de Deus, mimetismo e embriaguez relacional, estupro mental, decoreba e a indigestão do aprendizado, provas escritas, inteligências múltiplas de Gardner, memorização, escola e família, intolerância, punição, educação a seis mãos, vinte um tipos de alunos, dez tipos de professores, entre outros interessantíssimos assuntos. No livro o autor começa com esse questionamento: Professor, você está satisfeito com a situação da Educação hoje? Caso a resposta seja sim, por favor, divulgue o seu método de trabalho. Do contrário, pode admitir, sem escrúpulos, as suas insatisfações. A maioria quase esmagadora dos professores está desgastada, lutando contra muitas dificuldades para se manter em suas funções. A existência da Educação entrou em crise. Durante muitos séculos, o ensino baseou-se num paradigma: o professor ensinando alunos em sala de aula. Segundo esse critério, o professor é detentor dos conhecimentos e os transmite a um grupo de estudantes, que os recebe como informações, para depois devolverem o que aprenderam por intermédio de provas. Mas o fato de devolverem nas provas, como os professores querem, significa que os alunos aprenderam? Outra vez a maioria esmagadora dos alunos repassa o que recebeu exatamente como recebeu, mais para “agradar” e/ou satisfazer o professor do que para mostrar que aprendeu. Aliás, após as provas, os alunos pouco se lembram do que tanto estudaram. O maior agravante desse tipo de avaliação é que as questões só servem para aprovação, e pouco servem para a prática dos adolescentes. O que cai na prova escolar não é o que a vida do aluno lhe pede, mas, sim, o que o professor exige. Não são consideradas as diferenças existentes entre crianças, adolescentes e adultos em salas de aula. São todos estudantes, e como tais são tratados, sendo-lhes negadas distinções conforme as suas características e etapas de desenvolvimento. E todos os estudantes devem apresentar o mesmo desempenho, sentados nas mesmas carteiras... Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

PAPISA JOANA – Imagem: Lady Godina's Rout;—or—Peeping-Tom spying out Pope-Joan (1796), do caricaturista britânico James Gillray (1757-1815). - Por volta do sex. XI, a Papisa Joana assumiu o Vaticano, em conformidade com documentos do início do séc. XIII, escritos pelo historiador alemão Mariano Escoto (1028-1086), pela Chronica Pontificoram et Imperatorum do padre dominicano Martinus Polonus e do monge beneditino Sigeberto de Gembloux (1030-1113), do religioso Oto Frisinga (1114-1158), do cronista Godofredo de Viterbo (1120-1196), entre outros, bem como a registrada pelo escritor, historiador e frade dominicano Estêvão de Bourbon, ressurgindo no séc. XIX no romance A papisa Joana, do escritor grego Emmanuel Rhoides (1836-1904). Sua história foi transformada no filme épico A Papisa Joana (Die Päpstin, 2009), realizado pelo diretor de cinema alemão Sönke Wortmann, dirigido pelo cineasta, produtor e roteirista alemão Bernd Eichinger (1949-2011), baseado no romance homônimo da escritora estadunidense Donna Woolfolk Cross. Destaque para o papel desempenhado pela atriz alemã Johanna Wokalek como Papisa Joana. Veja mais aqui.



Veja mais sobre:
Alguma coisa assim..., a música de Ken Burns, a pintura de Jules Joseph Lefebvre, O cinema de Esmir Filho & poemiudinho aqui.

E mais:
A divina encrenca de Juó Bananére, a Personologia de Murray, O sexo na história de Reay Tannahill, o teatrod e Borná de Xepa, a música de Zeca Baleiro, a pintura de Adélaide Labille-Guiard, Brenda Starr de Dale Messick, Brooke Shields & a poesia de Marcia Lailin aqui.
Gestão Tributária aqui.
Ensino Público no Brasil, Dificuldades de aprendizagem, Teoria e técnica em Arte-Terapia, O capital intelectual, a fotografia de Joe Wehner & a poesia de Chagas Lourenço aqui.
Falange, falanginha, falangeta, a literatura de Lou Andres-Salomé, O voto da mulher na Nova Zelândia & Kate Wilson Sheppard, a música de Arthur Honegger, Dafne & Chloe & a pintura de Louis Hersent, Olivia Wilde, as crônicas de Luiz Eduardo Caminha & o Programa Tataritaritatá aqui.
Fecamepa, a literatura de Georges Bataille, a poesia de Torquato Tasso & Viviane Mosé, a música de Ástor Piazzolla, o cinema de Bernardo Bertolucci, & Dominique Sanda, a arte de Wanda Gág & Mary Louise Brooks aqui.
Crença, a canção, a poesia de Gabrielle D´Annunzio, a literatura de Jack Kerouac, a música de Al Jarreau, A princesa que amava insetos, o desenho de Benício, Kristen Stewart, a pintura de José Antônio da Silva & Edgar Rice Burroughs aqui.
Big Shit Bôbras, a psicanálise de Carl Gustav Jung, a poesia de Giórgos Seféris & Cacaso, a música de Fito Páez, Anne Rice & Dana Delany, a pintura de Alexej von Jawlensky, Antônio Conselheiro & Canudos aqui.
Aventureiros do Una, Maurice Merleau-Ponty, Castro Alves & Eugênia Câmara, a literatura de Carlos Heitor Cony,a música de Sergei Rachmaninoff & Yara Bernette, a pintura de Jules Joseph Lefebvre & a arte deDiane Kruger aqui.
O brinde do amor, Paulo Freire, A música de Vanessa da Mata, Luciah Lopez & Havia mais que desejo na paixão feita do amor aqui.
Sexta postura, a poesia de Manuel Bandeira, a música de Al Di Meola, a escultura de Ambrogio Borghi, a arte de Juli Cady Ryan & Quando amor premia o sábado aqui.
Desencontros de ontem, reencontros amanhã, a música de Gonzaguinha, a poesia de William Blake & Gleidstone Antunes, a pintura de Duarte Vitória & Alô, Congresso Nacional, ouça quem o elegeu aqui.
O que é ser brasileiro, Hannah Arendt, a pintura de Alex Grey, a música de Carol Saboya & Quem faz e não sabe o que fez é o mesmo que melar na entrada e na saída e nem se lembrou de limpar, que meladeiro aqui.
Pra quem nunca foi à luta, está na hora de ir, a música do Duo Graffiti, a escultura de Phillip Piperides, a pintura de Tracey Moffatt & a arte de Tanise Carrali aqui.
A lição de cada amanhecer, a música de Anne Schneider, a lenda da origem do Solimões, a pintura de Alice Soares, a escultura de Lorenzo Quinn, O Lobisomem Zonzo & Edla Fonseca aqui.
O cordão dos a favor & os do contra, a música de Jorge Ben Jor, a arte de Hélio Oiticica, Vampirella & Forrest J. Ackerman, a poesia de Eliane Queiroz Auer & Lia Kosta aqui.
O certo & o errado no reino das ideologias, a poesia de Hélio Pellegrino, a música de Nobuo Uematsu, a pintura de Raoul Dufy, a arte de Mat Collishaw & Danicleci Matias Souza aqui.
Versos à flor da pele na prosa de um poema, o cinema de Jean-Luc Godard, a escultura de Bertel Thorvaldsen, a música de Sharon Corr, a poesia de Elke Lubitz & a arte de Luciah Lopez aqui.
Vivo & a vida com tudo e todos, Helena Antipoff, a música de Dominguinhos, a pintura de Angel Otero, a escultura de Gutzon Borglum, a fotografia de Roman Pyatkovka & Nayana Andrade aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sábado, dezembro 27, 2014

TRUDI GUDA, ROSA LIKSOM, EVELYN LAU, LINDA DARNELL & ADAM ALTER

 


A SOLIDÃO DE LINDA... - Aquela menina libriana de Dallas era a caçula entre quatro irmãos e eram felizes apesar dos pais não serem casado. Cresceu tímida e bastante reservada no meio da agitação doméstica. Era a preferida da mãe que sonhava com seu futuro ignorando a criação dos demais: Mamãe realmente me empurrou, me vendo em uma competição após a outra. Aquela doce e atenciosa menina ainda na infância tornou-se modelo atuando em teatro e cinema, e viveu na pele de Márcia Bromley no Hotel for Women, foi Jane Norton no Day-Time Wife, de Carolyn Sayres no Star Dust, Zina Webb, a The Outsider no Brigham Young, e Lolita Quintero no The Mark of Zorro. Seguia o incentivo da mãe para estrelar em filmes de aventura até se tornar papel principal nas telas e foi Caroline Tridd Hanna no Chad Hanna, Carmen Espinosa no Blood and Sand, Louise Murray no Rise and Shine e Virginia Clemm no The Loves of Edgar Allan Poe. Foi aclamada pela crítica e estava lá como Nancy Johnson no City Without Men, Virgin Mary no The Song of Bernadette, Sylvia Smith & Stevens no It Happened Tomorrow e Dawn Starlight no Buffalo Bill. A vida dividida entre palcos e passarelas, isolando-se dos colegas na adolescência e partiu para um teste em Hollywood, no qual foi rejeitada por ser muito jovem. Preferia o teatro, mas foi no cinema, aos quinze anos que ela estrelou como Olga Kuzminichna Urbenin no Summer Storm, Trudy Wilson no Sweet and Low-Down, Netta Longdon no Hangover Square, Anne Livingstone no The Great John L., Stella no Fallen Angel e Tuptim no Anna and the King of Siam. Foi ainda mais aclamada pela imprensa como nova estrela e se passava como se tivesse já 17 ou 19 anos de idade, quando ainda debutava protagonizando longas de sucesso e foi Edith Rogers no Centennial Summer, Chihuahua no My Darling Clementine, Amber St. Clair no Forever Amber, Algeria Wedge no The Walls of Jericho e Daphne De Carter no Unfaithfully Yours. Ela dizia: Estou aprendendo o que é trabalho realmente árduo. sobre o momento agradável e fácil que as estrelas do cinema devem estar passando em Hollywood, mas os últimos dois meses me ensinaram outra história... E foi Lora Mae Hollingsway no A Letter to Three Wives, Mrs. Aggie Hobson no Slattery's Hurricane, Cecil Carter no Everybody Does It e Edie Johnson no No Way Out. E brilhou nas comédias dramáticas, a ponto de ser apelidada da “estrela mais adorável e emocionante de Hollywood". Charmosa e com sua personalidade juvenil elucubrava: No início, tudo parecia um conto de fadas se tornando realidade. Entrei numa terra fabulosa onde, da noite para o dia, fui uma estrela de cinema. Nas fotos você é construído por todos... Você acredita no que as pessoas ao seu redor dizem... E foi Elena Kenniston no Two Flags West, Denise Turner no The 13th Letter, Dee Shane no The Guy Who Came Back e Evelyn Walsh Warren no The Lady Pays Off. Vieram os musicais e papéis que detestava, diretores aterrorizantes e foi punida acumulando desapontamentos, rejeições e ressentimentos, trabalhando para a Cruz Vermelha e vendendo títulos de guerra. Estava farta dos elogios à sua beleza. Mas seguiu firme e foi Lt. Elizabeth Smythe no Saturday Island, Julie Bannon no Night Without Sleep, Edwina Mansfield no Blackbeard the Pirate e Clare Shepperd, alias Clare Sinclair no Second Chance. E mais foi Lola Baldi no Angels of Darkness, Vida Dove no This Is My Love, Renata Adorni no It Happens in Roma, Amy Clarke no Dakota Incident e Ellen Stryker no Zero Hour! E ressurgiu como pin-up com as pernas de fora em filmes tidos por imorais à época e o sucesso deu-lhe o triunfo: Sou a garota mais sortuda de Hollywood... Mas logo vieram os revezes: Aos trinta e dois anos, consigo ver marcas reveladoras no espelho, mas a devastação do tempo já não me aterroriza. Disseram-me que quando a beleza superficial desaparece, a mulher real surge... Era o alcoolismo e o ganho de peso. Atrasou filmagens porque o seu descobridor havia morrido, adoece e fica de quarentena. Viajou para Itália e, com seu casamento, colocou a carreira num hiato. Depois foi para a televisão e voltou aos palcos entre amores fugazes e flertes, a separação dos pais, as grosserias escandalosas da mãe, extorsões a atormentavam, ameaças de fãs e ela já não era a mesma com endurecimento temperamental, estado de saúde piorando: Eu morava em um esgoto. Agora moro em um pântano. Eu subi no mundo... Queria ser enfermeira e atuando numa creche para mulheres operárias. Manteve-se destemida e banida dos estúdios com a filha adotiva, os casos amorosos, o divórcio malogrado, as terapias e a depressão, o quase suicídio, o tribunal e as fraudes, a ruína e o casamento por interesse financeiro, as insatisfações e os trabalhos de caridade, a adoção de um bebê e a incompatibilidade de gênios, a bebida e sucumbia visivelmente. E ressuscitou como Sadie no Black Spurs depois de um cigarro e o incêndio que a devorou, cinzas enterradas na Pensilvânia. Um tributo à atriz estadunidense Linda Darnell (Monetta Eloyse Darnell - 1923- 1965). Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Para onde foram os sentimentos quando desapareceram? Será que eles deixaram um traço químico em algum lugar de nossas mentes, de modo que, se pudéssemos olhar para dentro de nós mesmos, veríamos, através dos padrões dos neurônios, algumas das coisas importantes que nos aconteceram em nossas vidas? Pensamento da escritora canadense Evelyn Lau. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Cada um de nós é um produto contínuo do mundo dentro de nós, do mundo entre nós e do mundo ao nosso redor – e da sua capacidade oculta de moldar todos os nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos... Pensamento do professor e psicólogo estadunidense Adam Alter, autor da obra Drunk Tank Pink: e outras forças inesperadas que moldam a forma como pensamos, sentimos e nos comportamos (Penguin Press, 2013).

 

COMPARTIMENTO NÚMERO 6 – [...] Você não consegue ver além do bico, não importa o quanto tente. Mas lembre-se, mesmo nos momentos mais sombrios, de que sempre há vida por trás do céu morto. [...] Tudo está em movimento – neve, água, ar, árvores, nuvens, vento, cidades, aldeias, pessoas, pensamentos. [...] Naquela época eu ainda não entendia que só vale a pena matar quem tem medo da morte. Caso contrário, matar é um favor a um amigo. [...]. Trechos extraídos da obra Hytti nro 6 (Graywolf Press, 2011), da premiada escritora, fotógrafa e artista plástica finlandesa, Rosa Liksom, que na sua obra Perhe (HS Kulttuur, 2000), expressa que: [...] Achei que um homem normal não poderia viver com uma esposa assim, que de qualquer maneira está sendo vigiada por um motorista de linha. Afinal, a esposa deveria ser gordurosa e feia, como um marido estrangeiro que faz um rack de teto ruim. Essas esposas ficam bem em casa e limpas. [...].

 

DEVE HAVER SILÊNCIO TAMBÉM - Deve haver silêncio também. \ O velho sozinho \ tecendo provérbios esquecidos\ no crepúsculo\ Sobre os silenciosos não há mal\ Sempre haverá aqueles\ que cuida dos feridos\ O velho em seu jardim de ervas\ sozinho com sua sombra\ familiarizado com a morte\ seu livro de silêncio\ reflete a luta\ de lobos e ovelhas\ tamanho real. Poema da antropóloga e poeta surinamesa Trudi Guda (Gertrude Marie Guda).


 OUTRAS SACADAS & HUMOR


FREUD E O SISTEMA PENAL
– Vamos aprumar a conversa! Nesse tempo de falência das instituições penais, como também de extrema violência, roubalheira e indelicadeza, quase não sabemos mais quem é o amigo e quem o algoz. Abordando sobre transgressão e punição no seu livro Totem e tabu, Freud traz a seguinte reflexão: “[...] Existe, entre os povos primitivos, o temor de que a violação de um tabu seja seguida de uma punição, em geral alguma doença grave ou a morte. A punição ameaça cair sobre quem quer que tenha sido responsável pela violação do tabu. [...] Somente quando a violação de um tabu não é automaticamente vingada na pessoa do transgressor é que surge entre os selvagens um sentimento coletivo de que todos eles estão ameaçados pelo ultraje; e em seguida, apressam-se em efetuar eles próprios a punição omitida. Não há dificuldade em explicar o mecanismo desta solidariedade. O que está em questão é o medo do exemplo infeccioso, da tentação a imitar, ou seja, do caráter contagioso do tabu. Se uma só pessoa consegue gratificar o desejo reprimido, o mesmo desejo está fadado a ser despertado em todos os outros membros da comunidade. A fim de sofrear a tentação o transgressor invejado tem de ser despojado dos frutos de seu empreendimento e o castigo, não raramente, proporcionará àqueles que o executam uma oportunidade de cometer o mesmo ultraje, sob a aparência de um ato de expiação. Na verdade, este é um dos fundamentos do sistema penal humano e baseia-se, sem dúvida corretamente, na pressuposição de que os impulsos proibidos encontram-se presentes tanto no criminoso como na comunidade que se vinga. Nisto, a psicanálise apenas confirma o costumeiro pronunciamento dos piedosos: todos nós não passamos de miseráveis pecadores”. (Sigmund Freud, Totem e tabu). Veja mais aqui.


A LENDA DE BORGES – Inserido no seu livro Elogio da sombra/perfis, o escritor argentino Jorge Luis Borges traz o conto Lenda, narrando um encontro inusitado: “Abel e Caim encontraram-se depois da morte de Abel. Caminhavam pelo deserto e reconheceram-se de longe, porque os dois eram muito altos. Os irmãos sentarem-se na terra, acenderam um fogo e comeram. Guardavam silêncio, à maneira da pessoa cansada quando declina o dia. No céu assomava alguma estrela, que ainda não havia recebido seu nome. À luz das chamas, Caim percebeu na fronte de Abel a marca da pedra e deixou cair o pão que levava à boca e pediu que lhe fosse perdoado seu crime. Abel respondeu: - Tu me mataste ou eu te matei? Já não me lembro; aqui estamos juntos como antes. – Agora sei que em verdade me perdoaste – disse Caim – porque esquecer é perdoar. Eu procurarei também esquecer. Abel falou devagar: - Assim é. Enquanto durar o remorso, dura a culpa”. (JorgeLuis Borges, Lenda, in: Elogio da sombra/perfis). Veja mais aqui.


O PAI, A MÃE E OS FILHOS – A importância da família no desenvolvimento da criança é inegável, exigindo uma preparação adequada dos pais para tal tarefa. O psiquiatra Içami Tiba faz uma análise de como se comportam pais e mães na atenção com a criança: “[...] Numa refeição em casa, se o filho não quer comer “que não coma”, pensa o pai. A mãe logo se dispõe a encher o estômago dele de qualquer jeito: “Quer que eu prepare aquele sanduíche que você adora?”. Quando o filho apanha de um colega, o pai se irrita e briga com ele, quando não chega a agredi-lo, para que aprenda a se defender na rua. A mãe também fica furiosa e quer dar uns tapas... mas em quem agrediu seu filho. Pais perdem os filhos em shoppings, praias, festas juninas. Mães não desgrudam os olhos de seus pimpolhos. Enfim, na família, o pai tem dois filhos, enquanto que a mãe tem três: o filho temporão é o marido!” (Içami Tiba, Quem ama, educa!). Veja mais aqui.


DA COMPULSÃO DO CONSUMO: ONIOMANIA & SHOPAHOLIC – Já nesse tempo de desenfreada compulsão de devorar as vitrines do consumo, à luz da Neuroeconomia, Eduardo Gianetti traz o seguinte esclarecimento: “No embate de forças subjacente às nossas escolhas, o sistema límbico e o córtex frontal são os principais vetores: os impulsos e desejos oriundos do primeiro gozam da prerrogativa de iniciar os lances da peleja, mas têm de abrir caminho e negociar a passagem pelo crivo modulador do segundo; só assim serão capazes de empolgar o sistema motor e acionar os músculos relevantes [...] Na prática, o córtex funciona como uma espécie de filtro ou gerente-contador, adepto do cálculo de custos e da prudência. É ele o vigia severo que, quando o primata límbico diz num repente – “Eu quero”!, responde – “Não!”; ou ao menos, dependendo do caso e da pessoa, é claro, balança a cabeça e propõe – “Calma lá, agora não!”. (Eduardo Giannetti, Ilusão da alma: biografia de uma ideia fixa). Veja mais aqui e aqui.

DUAS DICAS EM UMA: SAÚDE EM PRIMEIRO LUGAR


ALQUIMIA DA SAÚDE – A primeira dica é de James Elder que defende a alquimia dos quatro elementos nos cuidados com o corpo: “Fogo – Metabolismo e digestão: equilibrar o metabolismo para conseguir harmonia. Trabalhar bastante física e mentalmente para tornar o fogo elétrico do sistema nervoso mais sadio pelo uso. Ar – Respiração: deixar as janelas abertas sempre que possível. Inalar profundamente e exalar plenamente. Exercício intensivo é essencial para respiração e circulação eficientes. Terra – Dieta e exercício: procurar manter o peso correto. Fazer exercícios para fortalecer os órgãos, desenvolver os músculos e manter o tônus. Manter dieta equilibrada. Água – Líquidos: beber bastante líquido, principalmente água. Oito copos de água por dia é o ideal”. (James Elder, Alquimia da saúde).

SAÚDE UMBIGOCENTRISTA – Já o escritor e jornalista Xico Sá traz uma dieta mais acessível e eficiente da apolínea moda atualíssima para umbigocentristas glamourosas: “1. Francês por francês, sai Proust e entra toda a linha Lancôme. 2. Em vez de queimar pestanas e orgulhar-se de românticas olheiras, o milagre elíptico do Botox. 3. No lugar da cinemateca, sessões de bronzeamento artificial. 4. Os cortes epistemológicos serão substituídos pelo efeito de uma boa lipoaspiração. 5. Frequentar exposições de arte somente em pavilhões gigantes, como o da Bienal, que permitam queimar pneuzinhos ao longo da contemplação. 6. Em vez de amor platônicos, trepadas homéricas, como na receita do poeta da saudável marginalia. 7. Homem ou se pega pelo estômago, como na prenda culinária mais antiga, ou  pelos dotes da academia de ginástica. Desconfie sempre da sexualidade de um macho que se deixa prender pelo intelecto. Trata-se , para dizer o mínimo, de um tremendo pervertido. Ou você acha que Simone de Beauvoir vale mais do que uma cachorra do funk? 8. De humano demasiadamente humano, aceitarei apenas aquela pequena cota de celulite da qual uma gazela, mesmo de passarela, não consegue se livrar. 9. As almas se entendem, os corpos não. 10. Nada de ficar aí parada, absorta e nebulosa, olhando as interrogações de fumaça do velho e cancerígeno king-size existencial. Em vez da engorda no pasto inútil da metafísica, faça pelo menos meia hora de ginástica passiva”. (Xico Sá, Decálogo para queimar gorduras e neurônios). Vamos aprumar a conversa e tataritaritatá! Veja mais aqui e aqui.


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