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segunda-feira, maio 11, 2015

JANET MOCK, MARILYN STRATHERN, FOUCAULT, LEONTIEV, QUINTANA, OSMAN LINS & ABOUL-QACEM ECHEBBI


ADQUIRA JÁ - Para adquirir os livros Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas (R$ 25,00 frete incluso) e O lobisomem zonzo (R$ 25,00 frete incluso), basta enviar os valores da aquisição desejada pela chave pix luizalbertomachado@gmail.com ou por meio de depósito no Banco do Brasil Ag. 3332-4 c/c 9051-4 e envie mail com o comprovante, seu nome e endereço para luizalbertomachado@gmail.com que será entregue em qualquer lugar do Brasil.

LIVROS INFANTÍS BRINCARTE DO NITOLINO – As publicações do Nitolino fazem parte do projeto Brincarte do Nitolino que incluem livros, apresentações teatrais, cursos, recreações educativas, contações de histórias e outras atividades desenvolvidas em escolas, bienais, feiras literárias, instituições e eventos. Veja detalhes aqui.


CORDEL TATARITARITATÁ – O cordel Tataritaritatá integra o projeto de mesmo nome que começou como blog e virou siteblog, transformou-se em folheto de cordel, programa radiofônico, zine, show musical, palestras, oficina, curso e atividades diversas a partir da literatura de cordel e suas articulações com as práticas educacionais e temas transversais com as dimensões jurídicas nas esferas da ética, cidadania, respeito à diferença, inclusão e meio ambiente, tornando-se bandeira da participação no processo de construção de um país melhor para todos. Maiores detalhes aqui.

Confira mais:
 


GOLPE INESCAPÁVEL - O sapo coaxava, o cavalo relinchava, o gato miava e Hermelinaldo nasceu com um par de testículos proeminentes: Esse tem colhões! Era o pai chamando atenção do xodó da mãe. Ele nem engatinhou: se arrastava sobre as gônadas masculinas para lá e para cá. Iê! Aí, um dia, no quintal da casa dos avós, ao se amostrar, atrepou-se no pé de caju frondoso, escorregou e espremeu os cachos. Ui! Doeu. E muito. O cachorro latia, abelha zumbia, o boi mugia e no selim da bicicleta: magoou, espremido. Ó. O burro zurrava, o porco grunhia, o papagaio palrava e no escorrego saiu deslizando e resvalou: arranhões em carne viva. Eita, porra! Ovelhas baliam, passarinhos chilreavam, o grilo cantava e ele não se sentava: encolhonava com as pernas cruzadas feito Buda. Hummmmm... A galinha cacarejava, o peru grugulejava e foi crescendo e até se envaidecia: Tenho colhão, porra! Com o tempo os bagos aumentavam e o pênis encolhia: Cadê meu pau? Sumia-se na pentelheira de virar um pitoco ínfimo: Lasquei-me! Nada, era só esfregá-lo, taí sua punheta. U-hu! Aí começou a sonhar recorrentemente com coisas desconexas: diante de um trio - um egípcio, um hebreu e um hindu, queriam testemunhar com juramentos e promessas esmagando os seus quibas! Tá doido! Acordou alvoroçado e mal cochilava: era ximbra no buraco, bola na caçapa, chute pra gol, via estrelas e desmaiava. Escapava de quina de mesa, de tiro de revólver, bola chutada, joelhada de astuta, tudo acertava seus possuídos. Quando não se acidentava de deixar os seus troços lá pendurados num tronco. Ou pesadelo de uma noite de torção testicular. Será um alerta? Ameaças de golpe de romper o saco? A insegurança, os temores, sensibilidade ao toque, inchaço, que será? Hérnia, epididimite, varicocele, prostatite, orquite, hidrocele, oxe! Ambos atrofiaram de vez, trauma testicular. Como assim? Não adiantava aplicação de compressa gelada. Rancolho! Bota essa boca pra lá! Capado! Sai-te! Desprotegido, teve náuseas, vomitou e, por fim, desmaiou. Teve uma parada cardíaca reflexa. Parece que foi uma ruptura nos cachos. Eita! Foi submetido a uma orquiectomia. Agora, sim! Um criptorquídico na foto 3 por 4! Acordou na maior aflição, todo moído. Estava deveras demolido com dor dilacerante, esfacelado, inutilizado: sujeito castrado, era uma vez testosterona. Via-se lesionado, nem o pitoco servia mais: Que utilidade tem isso? Se já era inútil, agora estava monórquido, quase nem falava mais, só gesticulando e ninguém entendia. Pra ele estava condenado pela Lei de Murphy, escapar o quanto podia e, pra piorar, até ouviu da mulher: “Você não mora mais aqui”. Foi o fim: o que restava, agora descolhonado, serventia nenhuma. Só se via fazendo careta, os olhos apertados, lábios de lua minguante pra baixo, beiço inferior saliente, todo emborcado, andando penço, as mãos cruzadas sobre a púbis, guardando o que nem mais existia, sabe-se lá, cauteloso, precavido: Prevenido vale por 10! E veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Somos todos parte de um coletivo maior que procura criar um mundo mais bonito e justo... Se quisermos iluminar as pessoas ou dar-lhes novos pensamentos e ideias, temos que estar dispostos a fazer o trabalho de educá-las... Devemos ter a audácia de aumentar a frequência de nossas verdades... Como uma ativista que usa a narrativa para combater o estigma, eu sempre fui inflexível que contamos nossas próprias histórias... Eu nasci indignada. Eu nasci sem, sabendo que meu povo não foi contado, não estava incluído, não centrado. Eu lutei através de escolas de baixo recursos, comunidades e projetos habitacionais... Pensamento da escritora, jornalista e ativista estadunidense Janet Mock. Veja mais aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Quando uma medida se torna uma meta, ela deixa de ser uma boa medida... Pensamento da antropóloga e acadêmica britânica Marilyn Strathern, que Partial Connections (Association for Social Anthropology in Oceania, 1991), ela expressou: [...] A certeza em si parece parcial, a informação intermitente. Uma resposta é outra pergunta, uma conexão uma lacuna, uma similaridade uma diferença, e vice-versa [...] Um mundo obcecado com os uns e com as multiplicações e divisões dos uns cria problemas para a conceptualização das relações [...]. Veja mais aqui & aqui.

 

DOUTRINAS EXISTENCIALISTAS – […] O esforço para atingir a perfeição lógica elimina o sentido do real: tende sempre a lançar para a sombra e para o esquecimento o sentido do problema e até o próprio problema que suscitou o sistema. A moldura devora o painel; a dialética suprime o mistério [...]. Trecho extraído da obra As doutrinas existencialistas: de Kierkegaard a Sartre (Tavares Martins, 1957), de filósofo francês Régis Jolivet (1891-1966). Veja mais aqui.

 

AS PALAVRAS & AS COISAS – [...] Solapam secretamente a linguagem, porque impedem de nomear isto e aquilo, porque fracionam os nomes comuns ou os emaranham, porque arruínam de antemão a “sintaxe”, e não somente aquela que constrói as frases — aquela, menos manifesta, que autoriza “manter juntos” (ao lado e em frente umas das outras) as palavras e as coisas [...]. Trecho extraído da obra As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas (Martins Fontes, 1999), do filósofo, historiador, filólogo, teórico social e crítico literário francês Michel Foucault (1926-1984). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

DESENVOLVIMENTO DO PSIQUISMO – [...] Podemos dizer que cada indivíduo aprende a ser um homem. O que a natureza lhe dá quando nasce não lhe basta para viver em sociedade. É-lhe ainda preciso adquirir o que foi alcançado no decurso do desenvolvimento histórico da sociedade humana. O indivíduo é colocado diante de uma imensidade de riquezas acumuladas ao longo dos séculos por inumeráveis gerações de homens, os únicos seres, no nosso planeta, que são criadores. As gerações humanas morrem e sucedem-se, mas aquilo que criaram passa às gerações seguintes que multiplicam e aperfeiçoam pelo trabalho e pela luta as riquezas que lhes foram transmitidas e passam o testemunho do desenvolvimento da humanidade. [...] Mas é um ideal acessível o do desenvolvimento no homem de todas as suas aptidões humanas? A força deste preconceito profundamente enraizado nos espíritos, segundo o qual o desenvolvimento espiritual do homem tem a sua origem em si mesmo, é tão grande que ela a por o problema ao contrário: não seria a aquisição dos progressos da ciência a condição da formação das aptidões científicas, mas as aptidões científicas que seriam a condição desta aquisição: não será a apropriação da arte a condição do desenvolvimento do talento artístico, mas o talento artístico que condicionará a apropriação da arte. Citam-se em apoio desta teoria fatos que testemunham da aptidão de uns e da incapacidade total de outros para tal ou tal atividade, sem mesmo se interrogam donde vêm estas aptidões; tem-se geralmente a espontaneidade da sua primeira aparição por prova da sua idoneidade. O verdadeiro problema não está, portanto, na aptidão ou inaptidão das pessoas paras se tornarem senhores das aquisições da cultura humana, fazer delas aquisições da sua personalidade e dar-lhe a sua contribuição. O fundo do problema é que cada homem, cada povo tenha a possibilidade prática de tomar o caminho de um desenvolvimento que nada entrave. Tal é o fim para o qual deve tender agora a humanidade virada para o progresso. [...]. Trechos extraídos da obra O desenvolvimento do psiquismo (Livros Horizonte, 1978), do psicólogo russo Alexis Nikolaevich Leontiev (1903-1979). Veja mais aqui & aqui.

 

O PROTAGONISMO DA MULHER - [...] Esses cuidados derivam da percepção comercial de que, apesar de quererem ler sobre sexo, muitas mulheres ainda se assustam com o explícito, como os órgãos sexuais sendo citados. Curiosamente, a própria vagina é a menos mencionada, mesmo com as narrações sempre sendo da personagem feminina e em primeira pessoa. Como o objetivo é vender, suaviza-se e simplifica-se a linguagem para atender ao maior número de pessoas possível, sempre se preocupando com a ideia do que é vulgar, segundo o senso comum. [...] Nas reuniões de consolidação de vocabulário, que eram formais ou informais, estavam presentes mulheres de diferentes faixas etárias, pois a intenção era que todas se identificassem com o que estava sendo contado. Livros eróticos têm diversas gírias e o jeito de falar de sexo varia de acordo com a idade. Discutia-se se era melhor usar “excitada”, “molhada”, “úmida” ou “molhadinha” em cenas que descreviam a excitação sexual da mulher e “enfiar”, “meter” ou “penetrar” em cenas onde o homem penetrava a mulher. O objetivo era que se chegasse a um denominador comum que fizesse a cena ser entendida por todas as mulheres presentes, que fosse excitante e também que se aproximasse o máximo possível da fala, como se fosse uma conversa entre amigas. [...] É possível fazer as seguintes relações entre a protagonista do conto de fada e a do romance e da literatura erótica de hoje: a princesa passa a ser uma mulher contemporânea, que trabalha e estuda; o padrão de beleza da personagem feminina permanece o mesmo: mulheres magras, brancas e de cabelo liso; as duas não notam sua beleza. O príncipe, personagem masculino, é o CEO de uma empresa, um magnata poderoso; o cavalo branco vira carros luxuosos; o castelo vira um apartamento com decoração impecável nos Estados Unidos; e a princesa, que era salva de situações de perigo, como engasgar com uma maçã e morrer ou cair em um sono profundo, na literatura erótica, é salva de si mesma, é apresentada à sexualidade e a um novo modo de vida. [...]. Trechos extraídos da obra O protagonismo da mulher na literatura erótica contemporânea (UFRJ, 2015), Paula Fernandes Drummond Francklin. Veja mais aqui.

 

AVALOVORA – [...] Presidem este encontro o signo da escuridão − símile de insciência e do caos− e o signo da confluência: germe do cosmos e evocador da ordenação mental. Terra, espaço, Lua, movimento, Sol e tempo preparam a conjugação da simetria e das trevas [...]. Trecho extraído da obra Avalovara (Companhia das Letras, 1995), do escritor e dramaturgo Osman Lins (1924-1978). Veja mais aqui.


 OS POEMAS - Os poemas são pássaros que chegam \ não se sabe de onde e pousam \ no livro que lês.\ Quando fechas o livro, eles alçam voo\ como de um alçapão.\ Eles não têm pouso\ nem porto\ alimentam-se um instante em cada par de mãos\ e partem. \ E olhas, então, essas tuas mãos vazias, \ no maravilhado espanto de saberes\ que o alimento deles já estava em ti.... Poema do poeta, tradutor e jornalista Mário Quintana (1906-1994). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


O CÂNTICO DOS BRAVOS - Sobreviverei apesar das doenças e dos inimigos \ como uma águia no pico mais alto. \ Aproximo-me do sol com desprezo \ e das nuvens, da chuva e de todos os presságios desfavoráveis. \ Ando sonhadoramente pelo mundo dos sentimentos \ enquanto canto. Esta é a natureza dos poetas. Versos do poeta tunisiano Aboul-Qacem Echebbi (1909-1934).

 

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja mais aquiaqui & aqui.

 

segunda-feira, abril 13, 2015

SOPHIE KINSELLA, LUCRECIA MARTEL, BECKETT, LUKÁCS & LACAN

 


A QUEDA DE AÍDA – Ela era a terceira de cinco irmãos duma família de imigrantes sírios. Seu pai falecera quando contava ainda com 5 anos de idade. Por conta disso sua mãe mudou-se para o Rio de Janeiro e lá foi estudar num colégio de freiras espanholas, um internato para meninas órfãs. Ao concluir os estudos foi trabalhar na loja do irmão, enquanto fazia vários cursos, entre eles de datilografia. Sonhava com a personagem de Verdi, tinham o mesmo nome, quase se via na ária etíope, à procura do guerreiro, aquele por quem seria prisioneira, dono do seu coração. Era apenas escrava da princesa sussurrando em suas longas noites pelo escolhido que povoava os seus sonhos, o desconhecido Radamés, capitão de Ísis, que um dia resgataria a sua solidão, revelando-se pela paixão e desígnio divino. Eis que naquela tarde ela passeava com uma amiga, quando foram abordadas por alguns rapazes. Tomaram-lhe os óculos e a bolsa, por isso foi atraída a um prédio para recuperar suas posses. Levada insistentemente pela devolução dos seus pertences, fora puxada para o elevador aos gritos, levada ao topo do edifício, onde foi torturada pelos agressores que a imobilizaram, espancando-a com violência e tentavam estuprá-la. Resistiu até exaustão, jogada do terraço do décimo segundo andar. Seu corpo apresentava escoriações e equimoses provocadas pelos socos e unhadas, arranhões nas coxas, ventre e pescoço, ruptura interna do lábio superior, tentativas de estrangulamento, trauma no queixo, marcas nos braços, antebraços, punhos e dorso das mãos, mordidas no tórax. Naquela tarde de 14 de julho de 1958, em Copacabana, ela contava com 18 anos de idade e a queda revelou seu nome: era a estudante Aída Jacob Curi (1939-1958). Veja mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Os adultos interessantes são sempre os fracassados na escola, os esquisitos, os perdedores, os descontentes, isso não é uma ilusão. É a regra...Pensamento da cineasta argentina Lucrecia Martel. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Minha vida mudou e eu estou mudando com ela... Nunca desista de algo que você realmente quer. Por mais impossíveis que as coisas pareçam, sempre há um jeito. É isso que acontece. Você conta aos seus amigos seus segredos mais pessoais, e eles os usam contra você. Pensamento da escritora britânica Sophie Kinsella. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

EXISTENCIALISMO OU MARXISMO? – O livro Existencialismo ou marxismo (LECH, 1979), do filósofo, crítico literário e teórico marxista húngaro Georg Lukács (1885-1971), trata sobre a crise da filosofia burguesa, a fenomenologia e o existencialismo, o impasse da moral existencialista, a teoria leninista do conhecimento e os problemas da filosofia moderna, materialismo e dialética, significação dialética da aproximação na teoria do conhecimento, totalidade e causalidade, o sujeito do conhecimento e ação prática, a atualidade ideológica do materialismo filosófico, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] No domínio da teoria do conhecimento, é a pesquisa da objetividade que predomina; no plano da moral, tenta-se salvar a liberdade e a personalidade; do ponto de vista da filosofia da história, enfim, a necessidade de perspectivas novas se faz sentir no combate contra o niilismo. [...] A filosofia constitui, entretanto, uma manifestação ideológica particular, cuja evolução não é sempre exatamente paralela à das outras manifestações ideológicas, das ciências exatas ou da literatura, por exemplo. Essa particularidade da filosofia reside no fato que tem por objeto as questões últimas da existência e conhecimento; isto é, a concepção do próprio mundo, sob suas formas abstratas e gerais [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Imagem: Nu, do pintor brasileiro Aurélio D'Alincourt (1919-1990). Veja mais aqui.

Ouvindo o álbum Silver Apples of the Moon / The Wild Bull (Nonesuch Records, 1968), do compositor estadunidense de música eletrônica minimalista Morton Subotnick.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA PSICANÁLISE – No livro O seminário – livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (Zahar, 1973), o psicanalista e semanticista francês Jacques Lacan (1901-1981) trata da temática por meio de uma abordagem acerca da excomunhão, o inconsciente e a repetição, o inconsciente freudiano, do sujeito da certeza, da rede dos significantes, Tique e Automaton, do olhar como objeto, a esquize do olho e do olhar, a anamorfose, a linha e a luz, o que é um quadro, a transferência e a pulsão, a presença do analista, análise e verdade ou o fechamento do inconsciente, a sexualidade e o significante, desmontagem da pulsão, a pulsão parcial e seu circuito, do amor à libido, o campo do outro e retorno sobre a transferência, a alienação, do sujeito suposto saber e da díade primeira e do bem, da interpretação a transferência, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

ESPERANDO GODOT – A peça teatral de dois atos Waiting for Godot (Esperando Godot, 1952), foi a primeira peça escrita pelo dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett (1906-1989), que se tornou um dos principais textos do teatro do absurdo envolvendo os personagens Vladimir e Estragon na parte Estrada, árvore, à noite, que esperam um sujeito denominado Godot, e, também, Pozzo e Lucky – o primeiro fica cego e o segundo surdo -, que contracenam nos dois atos da peça, quando um garoto avisa que Godot não vem. Do texto destaco o trecho: (Vladimir e Estragon seguram nas pontas da corda e a puxam. Ela se rompe. Eles quase caem). VLADIMIR Não vale nada. (Silêncio). ESTRAGON Você disse que temos que voltar amanhã? VLADIMIR Sim. ESTRAGON Então podemos trazer um bom pedaço de corda. VLADIMIR Sim. (Silêncio). ESTRAGON Didi? VLADIMIR Sim. ESTRAGON Eu não posso mais continuar assim. VLADIMIR Isso é o que você pensa. ESTRAGON E se nos separássemos? Talvez fosse melhor para nós dois. VLADIMIR Nos enforcaremos amanhã. (Pausa.) A não ser que Godot venha. ESTRAGON E se ele vier? VLADIMIR Então estaremos salvos. (Vladimir tira o seu chapéu -o de Lucky - e espia dentro dele, o apalpa, o chacoalha, bate no topo e o coloca novamente). ESTRAGON Bem, então vamos? Bote as calças. ESTRAGON O quê? VLADIMIR Bote as calças. ESTRAGON Você quer que eu troque as calças? VLADIMIR BOTE as calças. ESTRAGON (percebendo que suas calças estão caídas) Ah, sim. (Estragon ergue as calças). ESTRAGON E então? Vamos? VLADIMIR Sim, vamos. Eles não se movem. (Cortina). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

POESIAS PONTILHADAS: VERSO SIMPLÓRIO & POETA PROSCRITO – A escritora Dorothy Castro edita três ótimos blogs na rede: o Poesias Pontilhadas, Nossos eus sexuais e Amor nãotem idade. Degustando de uma visita realizada a estes espaços da escritora, destaco dois de seus poemas. Verso simplório é o primeiro deles: Quando o silêncio dorme na tapera, / Que encolhidinha e triste ainda espera... / O sertanejo que nunca mais voltou.... / A porta então se fecha sem tramela, / Chora a tristeza porque dentro dela, / Só a saudade entrou e ali ficou! O segundo deles, o Poeta Proscrito: Te enlaço aqui, / no ruivo dos cabelos... / E a minha flor, / se abrindo em tua mão... / E eu toda nua finjo / a mocidade.../ E te inoculo em tuas / veias grossas,/ O meu veneno/ que não mata nada.../ Sou tua musa, / vem amor me usa... / Seja um poeta / proscrito.../ E no infinito/ dessas cavernas.../ Te quero duro,/ muito maduro.../ Entre as minhas / pernas!... Com isso, manifesto meus aplausos à poeta. Veja mais aqui.


PORTRAIT OF A LADY – O filme The Portrait of a Lady (Retrato de uma Senhora, 1996), dirigido por Jane Campion, com roteiro de Laura Jones e música de Wojciech Kilar, é uma adaptação do romance homônimo do escritor do realismo norte-americano Henry James (1843-1916), contando a história de uma viúva que herda uma fortuna escapando das tentativas de um pretendente que a persegue, enquanto ela é atraída por um colecionador de arte com que se casa e se descobre mais um objeto na coleção dele. A decepção é a descoberta da trama do marido com a amante para se apossarem da sua fortuna. Destaque para o maravilhoso trabalho da linda e premiada atriz e produtora de cinema australiana Nicole Kidman. Veja mais aqui, aquiaqui.



IMAGEM DO DIA
Nude beauty, desenho de Fady Morris.


Veja mais sobre:
A educação nossa de cada dia, A ilusão da alma de Eduardo Giannetti, Cibercultura de André Lemos, a música de Francisco Braga & Rosana Lamosa, a pintura de Jean Delville & Lygia Coelho aqui.

E mais:
A literatura de Osman Lins, o teatro de Adolphe Appia, a poesia de Alberto de Oliveira, a arte de Paul Éluard, a música de Paulo César Pinheiro, o cinema de Pedro Almodóvar & Penélope Cruz, a pintura de José Malhoa, A travessia poética de Valéria Pisauro & Programa Tataritaritatá aqui.
Todo dia é dia da educação aqui.
Passando a limpo aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando as mazelas dão um nó, vôte! A bunda de fora parece mais tábua de tiro ao alvo aqui.
La divina increnca de Juó Bananére, O sexo na história de a Reay Tannahill, A personologia de Henry Murray, a pintura de Adélaide Labille-Guiard, a música de Zeca Baleiro & Borná de Xepa, Dale Messick & Brenda Starr, a arte de Brooke Shields & a poesia de Marcia Lailin aqui.
Infância, imagem & literatura, Hipermnestra, A origem das espécies de Charles Darwin, A educação de István Mészarós, O ateneu de Raul Pompeia, a música de Antonio Salieri & Montserrat Caballé, O batizado da vaca de Chico Anysio, o cinema de Pedro Almodóvar, a pintura de Robert Delaunay & a escultura de Pierre Le Gros aqui.
O beijo que se faz poema, a poesia de Hilda Hilst, a escultura de Auguste Rodin, a fotografia de Eisenstaedt, a pintura de Rubens Gerchman, Franz von Stuck & Ricardo Paula aqui.
O palhaço doido, A filosofia do não de Gaston Bachelard, a poesia de Vinicius de Moraes, As reflexões Jacques Necker, a música de Anton Weber & Christiane Oelze, a fotografia de Evelyn Bencicova, a pintura de Nelina Trubach-Moshnikova & a arte de Karin Vermeer aqui.
O pulo do amante, A natureza do espaço de Milton Santos, O poder da identidade de Manuel Castells, a música de Bach & Alina Ibragimova, a poesia de August Stramm, a fotografia de Man Ray, a pintura de Paula Garcia, a arte de RozArt & Rich Snobby aqui.
Tudo acontece no ermo das ruas, A solidariedade de Edgar Morin, a poesia de Emily Dickinson, O desenvolvimento sustentável de Guillermo Foladori, a Música Brasileira do século, o cinema de Ingmar Bergman, a pintura de János Vaszary & a ilustração de Félix Reiners aqui.
Minha alma tupi-guarani, minha sina caeté, A geração dos poetas de Roman Jakobson, Paregma & Paraliponema de Arthur Schopenhauer, a música de Laura Nyro, a poesia de Vicente de Carvalho, a arte de Deborah De Robertis, a fotografia de Erwin Blumenfeld & Liliana Porter aqui.
Sou um pedaço de nada arrodiado de violência por todos os lados, A violência no mundo de Jean Baudrillard, A violência urbana de Régis de Morais, Neurofilosofia & Neurociências, a música de Pedro Jóia, a poesia de Blanca Varela, a pintura de Flávio de Carvalho, Soninha Porto & Poemas à flor da pele aqui.
Corações solitários, Hipócrates, Isaac Newton & Catherine Barton Conduitt, O homem & pós-homem de Fernanda Bruno, a literatura de Carlos Castañeda, a poesia de William Wordsworth, a música de Elena Papandreou, O teatro do Bharata, a arte de Luis Fernando Veríssimo, a entrevista de Claudia Telles, a pintura de Cristina Salgado, o cinema de Júlio Bressane & Josie Antello aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
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quarta-feira, agosto 13, 2014

LOIS WEBER, ROLLO MAY, SONIA MANZANO, BIGELOW, ARZNER, SHRIVER & A MULHER NA HISTÓRIA

 


LOIS, LUTA & GÊNIALIDADE... - A prodigiosa pianista Florence vivia rodeada pelas irmãs Bessie e Ethel, aos cuidados dos devotados cristãos de origem alemã, Tillie e o estofador George. Era aquela que se destinava a atuar como ativista evangelizadora para o grupo do seu Exército da Salvação. Cantava e pregava, cumpria para si a sua missão. Logo a geminiana Lois se sobressaiu da simplicidade pobretã, viajando como soprano e pianista, até que, em pleno palco, o pedal quebrou e um pavor de aparecer em público acelerou sua aposentadoria, uma parte de si se esvaíra. A motivação religiosa levou-a ao teatro: a missionária com o desejo de converter semelhantes. A superficialidade de pequenos papéis nas comédias curtas a desestimulavam e aborreciam. Chegou, então, a vez de se tornar heroína de melodrama, performances numa trupe, até casar-se e virar dona de casa, ocupando-se, entre outras coisas, em escrever roteiros e cenários para cinema, e participar como cantora em clipes musicais. Com o fim da temporada teatral, ela meteu-se com curtas e pequenas produções, dirigindo e editando, estrelando a sua empreitada que daria na controvertida e polêmica nudez do Hypocrites. No meio de toda celeuma, morre a sua filha ainda criança. Um escândalo: A verdade faz a política se olhar no espelho... E a censura inclemente: O ‘povo' sempre foi reacionário em suas ideias... Se apenas 'o povo' fosse consultado, ainda estaríamos na fase patriarcal... O seu gênio criativo levou-a a fundar seu próprio estúdio, envolvida com um casamento que se desgastava, os conflitos de geração e a reverberação no ar na figura de uma Nova Mulher, afora atuar na arrecadação de fundos para construção de hospitais durante a primeira guerra. E tomou pé: Um real diretor deve ser absoluto. E atuou, dirigiu, montou, fez figurinos e cenários, roteirizou e sacudiu a criatividade a todo vapor, produções às centenas. A visionária se agigantou: Eu cresci em uma indústria onde todos estavam tão ocupados aprendendo seu ramo particular do novo mercado que ninguém tinha tempo para perceber se uma mulher estava conseguindo conquistar espaço... e veio à tona a discussão da contracepção e do aborto em Where are my children? E a primeira adaptação do Macaco de Rice Burroughs, a luta da família pobre de The Blot e produções tantas, enfim, levaram-na a uma estrela na Calçada da Fama do Boulevard e a constatação: o verdadeiro artista está e sempre esteve à frente do seu tempo... A ousadia no braço gravemente quebrado, o colapso nervoso, o divórcio, a unidade dissolvida e a perda da autonomia com: um grupo estranho de homens que nunca trabalharam sob meu comando e que sofreram ressentimento e orgulho ferido por terem sido colocados sob a direção de uma mulher. As polêmicas e a desaceleração, as úlceras gástricas, o novo amor e o devastador casamento, a separação, a ruína, a solidão, a doença de Crohn e White Heat. As suas cinzas se dissolveram no ar... Veja mais abaixo, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Se a sua mensagem artística for verdadeira, o mundo cresce para ele... Todos e tudo têm um enredo. Espero e rezo pelo reconhecimento do cinema como arte... Muitas vezes sou criticada por tentar produzir e escrever peças que estão acima das cabeças do público, mas me ressinto disso como um insulto ao público em geral, que, acredito, também é capaz de interpretar belos pensamentos e compreender completamente as imagens em movimento, que conduzem os desejos de coisas melhores. Eu sabia, embora nunca tivesse pretendido que isso fosse visto dessa forma, que os instintos mais básicos inerentes ao homem levariam muitos a ver essa imagem. Centenas de milhares de pessoas viram Hipócritas, mas aqueles que seguiram com maus pensamentos para a satisfação de uma curiosidade luxuriosa que dominava suas mentes, encontraram um holofote subitamente voltado para sua própria consciência. Eu sei, eu vi. Ouvi a risada grosseira quando a Verdade Nua e Nua apareceu pela primeira vez na tela; mas então vi aqueles mesmos homens e mulheres estremecerem quando a verdade virou o seu espelho para eles, revelando ao mundo o pretendente, o leproso, o libertino. E, castigados, eles foram embora… Hipócritas não é um tapa em nenhuma igreja ou credo – é um tapa nos hipócritas, e sua eficácia é demonstrada pelo clamor… Pensamento da cineasta, roteirista e atriz estadunidense Lois Weber (1879-1939). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Nunca me considerei estranha ou diferente de alguma forma... Eu apenas tinha um jeito, um jeito que era meu e somente meu. Um jeito que talvez fosse um pouco peculiar, mas gostei disso. Gostei do fato de as outras pessoas não serem estranhas da mesma forma... Senti que ser estranho me convinha... Minha estranheza tinha algo, pensei. Um estilo. Um estilo que me pertenceu. Aí virou um hábito e não pensei mais no meu estilo estranho, era assim que eu era e pronto. Pensamento da cineasta, atriz, roteirista, professora, profudora e artista belga Chantal Akerman (1950-2015). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM MAIS FALOU - A jornada das mulheres, não importa o local – política, negócios, cinema – é uma longa jornada. Aqueles de nós que trabalham com artes sabem que representação não é endosso. Se assim fosse, nenhum artista seria capaz de pintar práticas desumanas, nenhum autor poderia escrever sobre elas e nenhum cineasta poderia mergulhar nos assuntos espinhosos do nosso tempo. Algo se torna pessoal quando se desvia da norma. Pensamento da premiada cineasta estadunidense Kathryn Bigelow. Veja mais aqui.

 

CINEMAQuando fui trabalhar em um estúdio, peguei meu orgulho e fiz uma bolinha linda com ele e joguei pela janela. Minha filosofia é que para ser diretor você não pode estar sujeito a ninguém, nem mesmo ao chefe do estúdio. Ameacei desistir cada vez que não conseguia o que queria, mas ninguém nunca me deixou ir embora. Gostaria que a indústria cinematográfica estivesse mais consciente do que está fazendo para influenciar as pessoas para o bem e para o mal. Não há dúvida de que somos afetados pelo nosso meio ambiente. Eu era avessa a qualquer comentário sobre ser uma diretora… porque queria me destacar como diretora e não permitir que as pessoas fizessem concessões ao fato de ser uma mulher. Pensamento da cineasta estadunidense Dorothy Arzner (1897-1979). Veja mais aqui e aqui.

 

CORAGEM DE CRIAR - [...] A intimidade requer coragem porque o risco é inevitável. Não podemos saber desde o início como o relacionamento nos afetará. Como uma mistura química, se um de nós mudar, ambos mudaremos. Cresceremos em autoatualização ou isso nos destruirá? A única coisa de que podemos ter certeza é que, se nos deixarmos envolver plenamente no relacionamento, para o bem ou para o mal, não sairemos ilesos. [...] A relação entre compromisso e dúvida não é de forma alguma antagônica. O compromisso é mais saudável quando não ocorre sem dúvida, mas apesar da dúvida. [...] A liberdade humana envolve a nossa capacidade de fazer uma pausa entre o estímulo e a resposta e, nessa pausa, escolher a resposta na qual desejamos exercer o nosso peso. A capacidade de nos criarmos, com base nesta liberdade, é inseparável da consciência ou autoconsciência. [...] Lembre-se de quantas vezes na história da humanidade o santo e o rebelde foram a mesma pessoa. [...] As pessoas criativas, a meu ver, distinguem-se pelo fato de poderem conviver com a ansiedade, embora possa ser pago um preço elevado em termos de insegurança, sensibilidade e indefesa pela dádiva da “loucura divina”, para tomar emprestada a termo usado pelos gregos clássicos. Eles não fogem do não-ser, mas, ao encontrá-lo e lutar com ele, forçam-no a produzir o ser. Eles batem no silêncio para ouvir uma música de resposta; eles perseguem a falta de sentido até que possam forçá-la a ter significado. [...]. Trechos extraídos da obra The Courage to Create (W W Norton & Co Inc, 1994), do psicólogo existencialista estadunidense Rollo May (19º9-1994), que também expressa: Para estar aberto à criatividade, é preciso ter capacidade para o uso construtivo da solidão. É preciso superar o medo de ficar sozinho... Todo ser humano deve ter um ponto em que se posiciona contra a cultura, onde diz: este sou eu e o maldito mundo pode ir para o inferno. Veja mais aqui e aqui.

 

PRECISAMOS CONVERSAR – [...] Só se pode submeter à angústia pessoas que tenham consciência. Só se pode punir pessoas que tenham esperanças frustrantes ou apegos severos; que se preocupam com o que você pensa deles. Na verdade, você só pode punir pessoas que já são um pouco boas. [...] Na época pensei que não poderia mais ficar horrorizado ou magoado. Suponho que seja um conceito comum, que você já tenha sido tão prejudicado que o próprio dano, em sua totalidade, o deixa seguro. [...] Você pode chamar isso de inocência ou de credulidade, mas Celia cometeu o erro mais comum dos de bom coração: presumiu que todos os outros eram iguais a ela. [...] É muito menos importante para mim ser querido hoje em dia do que ser compreendido. [...] As crianças vivem no mesmo mundo que nós. Enganar-nos pensando que podemos protegê-los disso não é apenas ingênuo, é uma vaidade. [...] Num país que não discrimina entre fama e infâmia, esta última apresenta-se como claramente mais alcançável. [...] Embora certamente evitar apegos por medo da perda seja evitar a vida. [...]. Trechos extraídos da obra We Need to Talk About Kevin (Serpent's Tail, 2010), da jornalista e escritora estadunidense Lionel Shriver (Margaret Ann Shriver), que ainda expressa: O segredo é que não existe segredo. A educação não é um processo constante de acumulação, mas uma competição entre aprendizagem e busca, como tentar freneticamente obter um pedaço mais rápido do que consegue escapar por uma abertura estreita – ou o quê.

 

DOIS POEMAS - ESCREVO - Eu escrevo aos poucos poesia é a gota que perfura meu crânio escrevo como posso e quando eu puder reunindo palavras que eu consegui salvar da voz que me ataca \ A voz que me ataca devora com os dentes minha glote de vidro minha língua bifurcada de pássaro e minha maçã \ Eva ainda cheirando ao paraíso escrevo subiu na minha cabeça para ver melhor para o homem que incendeia o horizonte com um cravo mergulhado em gasolina \ escrevo mantendo o equilíbrio em uma perna deitado na capa de um piano de cauda enquanto um gato lambe as chaves silenciosas do meu corpo \ escrevo como posso e quando eu puder sentado de joelhos balançando em meus braços uma pedra que suga do meu peito o fluxo lunar da nostalgia escrevo à meia luz tangos antigos de ontem um gato de porcelana simplesmente quebrou na tigela dormente das minhas mãos PELO SIMPLES ATRITO DAS PALAVRAS - Pelo simples atrito das palavras você atinge o êxtase. \ Nesta, minha primeira relação com o texto, \ Eu literalmente chafurdo na língua. \ Abro os lábios para dizer “essa boca é minha”, mas não sei se sou eu quem está falando por esta boca. \ Não importa que ninguém se lembre de mim neste último dia tão semelhante ao próximo. \ Algo que não é a rosa de outros dias flui entre as coxas, sangra para sempre entre os lábios a rosa que não volta. Poemas da escritora equatoriana Sonia Manzano, autora dos livros El nudo y el trino (1972), Casi siempre las tardes (1974), La gota en el cráneo (1976), La semana que no tiene jueves (1978), El ave que todo lo atropella (1980), Caja musical con bailarina incluida (1984), Carcoma con forma de paloma (1986), Álbum de reinas (1991), Último regreso a Edén (2005) e Espalda mordida por el humo (2014).

 

A MULHER NA HISTÓRIA – Ao longo dos últimos dez anos – na verdade, tudo começou quando publiquei o meu poema Crônica de amor por ela, em 1996 -, que venho desenvolvendo uma pesquisa acerca do papel da mulher na história da humanidade. No primeiro momento desses estudos, desenvolvi uma revisão da literatura a partir da construção histórica das relações de gênero, procurando os fundamentos para análise da opressão da mulher, definindo conceitualmente gênero, tratando acerca da desigualdade e da violência de gênero. A partir disso passei a analisar a questão dos direitos da mulher, suas lutas e conquistas ao longo dos tempos, a partir do seu papel na Antiguidade, passando pela Renascença ao Marxismo, tratando acerca da violência contra a mulher, incluindo a violência doméstica no Brasil, considerando o controle social e o Estado na sociedade de classe e no capitalismo. Num segundo momento procurei tratar acerca do papel da mulher no mercado de trabalho, efetuando uma abordagem histórica até o século XX, incluindo as perspectivas para o século XXI.
Justificou-se a realização desse estudo, tendo em vista a violência contra a mulher ser um tema atual que vem ao longo dos tempos se desenrolando e que envolve a sociedade como todo, independente do nível econômico e tendo sua ocorrência em todos os países do planeta, seja entre ricos ou pobres. Justifica-se mais em razão da adoção da igualdade e da dignidade humana nas previsões constitucionais vigentes, não se podendo mais admitir qualquer forma de agressão e de impunidade nas questões de violência contra mulher.
Objetivou efetuar uma análise acerca das causas, consequências e das formas de combate e de atuação do Estado e das políticas públicas no enfrentamento do problema da violência contra a mulher, analisando historicamente a trajetória da mulher diante da violência, observando a questão de gênero, o patriarcalismo e a luta feminista, identificando os fatores que contribuem para a violência contra a mulher e observando a definição das políticas públicas nesses casos.
Por metodologia o estudo foi desenvolvido com base na pesquisa de natureza descritiva, documental e bibliográfica, baseada na edição do corpo legislativo originário de leis e jurisprudências, bem como de livros, revistas, publicações especializadas impressas e online, no sentido de compreender toda dimensão da temática proposta.
Para tanto, tornou-se necessário discorrer ao longo do estudo realizado sobre a construção histórica das relações de gênero, considerando os fundamentos para análise da opressão da mulher, uma revisão da literatura acerca dos direitos da mulher com lutas e conquistas, até aferir as políticas públicas efetivadas à luz do amparo legal de combate à violência contra a mulher.
Observou-se, com isso, que a mulher é vítima de um sistema patriarcal, pautado na sua desvalorização e respondendo ao estado mandonista do universo masculino, em detrimento dos direitos da mulher. O enfrentamento da redoma patriarcal e a condução machista levam às insistentes lutas pelo reconhecimento dos direitos da mulher, a igualdade de gênero, o respeito pelo principio da dignidade humana e ao exercício da cidadania.
O Brasil, neste sentido, deu um passo importante quando da promulgação da Constituição Federal de 1988, instituindo o Estado Democrático de Direito, espaço para desenvolvimento de afirmação da mulher, respeitando-se seus direitos e condições igualitárias na sociedade. Nem mesmo as previsões constitucionais foram suficientes para coibir a violência contra a mulher, havendo necessidade da edição de uma série de instrumentos legais regulamentando as referidas previsões, a exemplo da criação das Delegacias de Defesa da Mulher, a criação do Conselho Nacional, bem como a promoção de medidas, ações e programas, como o Programa Nacional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e Sexual, as Normas Técnicas do Ministério da Saúde, o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM), culminando com a edição da Lei Maria da Penha que visa coibir a prática nefasta da violência contra a mulher. E em conformidade com os autores pesquisados, apesar desses programas, ações, planos e aparato legal, ainda assim, não conseguiu prevenir, coibir ou erradicar a violência contra a mulher.
É evidente que os problemas focados neste trabalho, hoje estão intimamente ligados à educação e à cultura brasileira, havendo necessidade de informação, difusão e ampliação a respeito dessas medidas tomadas, para que toda população brasileira tome conhecimento de sua existência. O Brasil ainda se mantém em cima de sociedade patriarcal e machista, com problemas diversos de todas as ordens possíveis, desde econômicos, sociais, culturais, políticos, ambientais e educacionais, que fazem com que o desrespeito e a infrigência contra a dignidade humana e a cidadania do brasileiro, sejam constantemente assolados na requerência de posturas e comportamentos efetivos por parte das autoridades e da sociedade em geral, visando coibir e erradicar por completo a violência contra a mulher. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
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