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quarta-feira, abril 15, 2015

GAYATRI SPIVAK, FREDI WASHINGTON, LEOA DE NEMEIA & LITERÓTICA

 


LITERÓTICA: OS DESEJOS DA LEOA DE NEMEIA... - Lá estava ela à minha espera: a divindade egípcia da guerra com toda sua bravura e nobreza. Com seus passou largos na Babilônia do meu coração, ela deitou-se sensualmente com as mãos postas na planície de Nemeia, a me seduzir estirada sobre a Argólida com sua pelagem castanha. Rugiu devastadora querendo devorar-me com toda sua poderosa sedução magnética. Virou-se de bruços e provocante agitou a espora e o tufo de pelos prestos de sua cauda, ofertando-me as Montanhas Bale de suas ancas dançarinas. Desvirou-se, rosnou e rugiu como a deusa núbia Menhyt, como quem quisesse massacrar-me no sacrifício de Kush. Agitou suas mãos expondo suas garras de Pakhet, aquela que arranha. E mais rugiu vingativa Sekhmet com todo seu calor solar. E expôs seu ventre úmido de Téfnis provocando em mim a serpente Ureu com o convite de sua alcova suntuosa no Peloponeso. Ao sinal de seu chamamento investi minha clava a alcançar-lhe o ventre vulcânico e ela manhosamente rendeu-se em flor pelas savanas e pastagens abertas do seu corpo. Apossou-se do meu sexo como se fosse um apetitoso ungulado e num golpe o empunhou para lambê-lo avidamente e leva-lo até a Garganta de Olduvai para que eu vencesse toda Tanzânia do seu poderio. Com seus hábitos crepusculares e noturnos de perseguição predadora fez-me sua presa, derrubando-me inteiro sobre si para efetivar sua caçada estraçalhadora. E ofertou-me os seios nus para usufruí-los como se fosse eu Rômulo e Reno; e me fez príncipe Valy consumido entre suas coxas suculentas; e sentiu minhas garras leoninas na sua carne para me confessar com todos os seus gozos no Monte Elgon, que era Elsa de Born Free e precisava da liberdade, porque queria ser estrangulada na apoteose de orgasmo como uma leoa leucística. Vencida e gozada doou-me suas garras: um colar em meu pescoço.  Depois debruçou-se sobre meus ombros para que sua face fosse o meu elmo. E o prêmio: a sua pele fez-se manto e tornou-se constelação nas minhas noites infinitas. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Amor é só uma palavra de quatro letras! Porque é isso que é para mim! Não sei o que significa... Quer dizer, amor não funcionou, seja lá o que for, na minha vida. Sozinho eu estou. Também não sou particularmente a fim de amor-próprio. Estou bem preparado para morrer. E todos os objetos do meu amor vão desaparecendo lentamente... Nesta era de capital global triunfante, manter a responsabilidade viva na leitura e no ensino do textual é, à primeira vista, impraticável. É, no entanto, o direito do textual ser tão responsável, responsivo, responsável. O “planeta” é, aqui, como talvez sempre, uma catacrese para inscrever a responsabilidade coletiva como direito. Sua alteridade, experiência determinante, é misteriosa e descontínua — uma experiência do impossível. São essas coletividades que devem ser abertas com a pergunta “Quantos somos nós?” quando a origem cultural é destranscendentalizada em ficção — a tarefa mais difícil na diáspora... Sempre espreitando ao virar da esquina para o futuro que já está conosco, à nossa vontade, em outro lugar... Pensamento da crítica e teórica da literatura indiana, Gayatri Spivak (Gayatri Chakravorty Spivak), autora da obra Death of a Discipline (Columbia University Press, 2003), na qual expressa que: […] Quando parece que vencemos ou perdemos em termos de certezas, devemos, como professores de literatura em sala de aula, lembrar desses avisos — deixar que a literatura nos ensine que não há certezas, que o processo é aberto e que pode ser totalmente salutar que assim seja. [...] As ciências sociais temem o impulso radical nos estudos literários e, ao longo das décadas, nós, das humanidades, banalizamos as ciências sociais em suas camisas de força de expectativas racionais, sem reconhecer que, qualquer que seja o estado das ciências sociais em nossa própria instituição, existem fortes tendências em reconhecer o papel silencioso, mas central, das humanidades no paradigma dos estudos de área. [...] Os Estudos Culturais e os Estudos Étnicos estão em ascensão, e muitos protestos de minorias que testemunhei dizem, na verdade: "Não nos classifiquem racialmente, somos americanos”. [...] Politics of Friendship é, em outras palavras, apenas um livro entre capas. Para o texto real, você deve entrar na sala de aula, colocar-se na escola, como uma prévia da formação de coletividades. Os “alunos” de um único “professor”, lançados no mundo e no tempo, são, incidentalmente, um exemplo do mundo real da continuidade precária de um marxismo “por vir”, alinhado com o ativismo de base contraglobalizante no Sul global hoje, com pouca semelhança com aquelas variedades de esquerdismo “Little Britain” que podem assumir a oposição binária de política de identidade e humanismo, mudando de marcha conforme a ocasião exigir. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Francamente, eu não concordo com a teoria estúpida da supremacia branca e tento esconder o fato de que sou negra por razões econômicas ou quaisquer outras, se eu fizer isso, estarei concordando que ser negra me torna inferior e que engoli toda a propaganda distribuída por nossos cidadãos brancos de mentalidade fascista... Não quero passar porque não suporto falsidades e farsas. Sou tão negra quanto qualquer outro identificado com a raça... Pensamento da atriz, escritora e ativista estadunidense Fredi Washington (Fredericka Carolyn - 1903-1994)

 

LITERATURA INFANTIL – Reunindo desde autores clássicos como Esopo, Andersen, os Irmãos Grimm, La Fontaine, Fedro, Swift, Monteiro Lobato, Melville, Dumas, Perrault, bem como autores da atualidade, como Manuel de Barros, Ruth Rocha, Clarice Lispector, Gloria Kirinus, além de lendas do Brasil e das mais diversas culturas do planeta, o blog Brincarte do Nitolino reserva um espaço para as crianças de todas as idades um destaque para a Literatura Infantil. LEMBRETE: Hoje tem reprise do Programa Brincarte do Nitolino, nos horários das 10hs e das 15hs, com apresentação de Ísis Corrêa Naves, no Projeto MCLAM. Para conferir clique aqui ou aqui. E mais aqui & aqui.
Imagem: Maria Magdalena, do artista e cientista italiano Leonardo da Vinci (1452-1519). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Ouvindo Thieves and Poets (Universal, 2003) do guitarrista de jazz britânico John McLaughlin. Veja mais aqui, aqui & aqui.

TOUMAL & A MULHER DE BUSHMAN – Imagem: a cara dele, o charme dela - Uma história contada pelo Padre Bidião no seu Evangelho, resultado de seus estudos por diversos tratados de paleontologia sobre a linhagem do homem e outras escrituras ocultas e inacessíveis, dá conta de que há sete milhões de anos atrás, acordava Toumal (Sahelanthropus Tchadensis) naquela manhã ensolarada quando, ao se espreguiçar atrepado no galho da sua árvore predileta que lhe servia de abrigo, percebeu um movimento suspeito na redondeza. Pensou consigo: - Xvcexyga graffghuliga jiiillhhg (tradução não muito precisa: que droga é nove?). Espreitou, desatrepou do galho que estava pendurado, desceu furtivo e foi investigar na maior curiosidade. Rompendo o mato nos peitos, deu de cara com a esteatopigia da Mulher de Bushman – uma remanescente khoisan do tipo Baartman, a Vênus Hotentote. Uhu! Exultou. No seu dialeto particular, exclamou: - Tutameia! Ele estava pronto para caçar aquele bicho diferente que nunca tinha visto na vida. Tudo era diferente, até dentro dele uma coisa nunca sentida, remexia nas entranhas. Nunca teve tanta vontade de capturar e sacrificar uma vítima como aquela. E foi se aproximando daquela fera que lhe agradara aos olhos e ao íntimo, e balbuciou. Txtwmna puxiganga ayavcxdadja! (traduzindo: - Bicho bom, esse! O melhor já visto nestas bandas de Sahel). E foi logo puxando assunto: - Xigacê gradvag crucrisa? (decodificando: Cê deixa eu pegá bigu na sua popa?). Ela virou-se com um meio riso pra ele e falou: - Crusking ninga ninga (ou seja, nem freudendo!). E zarpou num carreirão. Ele sacou aquela do Informe de Brodie de Borges e saiu pelejando para capturar aquela fujona que logo lhe facilitou a caçada, deixando que ele a pegasse pelo gogó e se atrepasse na sua garupa. – Uhu! -, gritou Toumal todo ancho por dominar o bicho arisco a se vangloriar: - Crulilix crudivix (ou melhor: bicho pegado, bicho domado). E sapecou traquinagem no mons púbis dela de nunca mais desengatar, assim permanecendo por muitos sóis e luas na nica-nica, até que ela pariu gêmeos: Adão e Eva. E assim começou a verdadeira eclosão da humanidade. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O SUICÍDIO – O livro O suicídio (1897), do filósofo francês Émile Durkheim (1858-1917), estuda o tema sob a ótica sociológica, mostrando que num determinado espaço de tempo e em cada sociedade, há um numero definido de pessoas que se matam, apontando como causa desse fenômeno escapa a quem só observa os indivíduos, porque se trata de um assunto exterior aos indivíduos. Na introdução da obra, o autor expressa que: [...] só há suicídio se o ato de que a morte resulta tiver sido realizado pela vítima tendo em vista o resultado? Que só se mata verdadeiramente aquele que quis matar-se e que o suicídio é um homicídio intencional de si próprio? Isto corresponderia a definir o suicídio através de uma característica que, apesar do interesse e da importância que pudesse ter, possuiria pelo menos a desvantagem de não ser facilmente reconhecível, porque é difícil de observar. Como saber que móbil determinou o agente, como saber se, ao tomar a sua resolução, desejava efetivamente a morte, ou tinha outro fim em vista? A intenção é algo demasiado íntimo para poder ser atingida do exterior, a não ser por aproximações grosseiras. Até da observação interior ela se defende. Quantas vezes nos enganamos sobre as verdadeiras razões que nos levam a agir! Quantas vezes explicamos por paixões generosas ou por considerações elevadas atos que nos foram inspirados por simples sentimentos ou por uma rotina cega! [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DE SEGUNDA A UM ANO – O livro De segunda a um ano: novas conferências e escritos (Hucitec, 1985), do compositor, escritor e teórico musical estadunidense John Cage (1912-1992), traduzido por Rogério Duprá e revisto por Augusto de Campos, traz o diário de como melhor o mundo – você só tornará as coisas piores), seminário de música de Emma Lake, seriamente virgula, mosaico, audiência, na terceira pessoa e oito proposições, as vinte e seis proposições sobre Duchamp, Jaspers Johns: estórias e ideias, Miró na terceira pessoa, Nam June Park: um diário, daqui para onde vamos?; o compromisso, ritmo etc., papo nº 1, Rauschenberg, Schoenberg e Henry Cowell, Buckminster Fuller e Marshall Mcluhan, entre outros assuntos. Trata-se do primeiro e único livro escrito pelo autor, na forma de um mosaico de ideias, citações e histórias apresentadas com uma estrutura particular em cada capítulo. Um dos muitos trechos que merecem destaque na obra: Havia uma conferência internacional de filósofos no Havaí, cujo tema era a Realidade. Durante três dias Daisetz Teitaro Suzuki não disse nada. Finalmente, o presidente voltou-se para ele e perguntou: - Dr. Suzuki, o senhor poderia dizer se esta mesa, em torno da qual estamos sentados, é real? Suzuki levantou a cabeça e disse: - Sim. O presidente perguntou em que sentido Suzuki pensava que a mesa era real. Suzuki disse: - Em todos os sentidos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

LADY BARBERINA – O livro Lady Barberina (1843), do escritor estadunidense naturalizado britânico Henry James (1843-1916), é uma narrativa sobre o grande amor guiado pelos valores sociais, relatando as complexas experiências de vida e o paralelo entre a cultura norte-americana e a inglesa no século XIX. Da obra destaco o trecho: [...] Seja como for, Lady Barb, durante aquela hora que passou em sua companhia, nada disse sobre os acordos; foi uma hora de pura satisfação. Sentara-se ao piano e tocara com alegria, de maneira muito suave, enquanto ele se inclinava sobre o instrumento muito perto dela, e dizia tudo o que lhe vinha à cabeça. A moça se mostrava muito brilhante e serena, e fitava-o como se gostasse muito dele. Isso era tudo o que esperava dela, pois não condizia com sua forma de beleza revelar uma enfatuação vulgar. Aquela beleza parecia-lhe mais deliciosa que nunca; e havia no seu todo uma doçura que parecia dizer-lhe que, a partir daquele momento, ela lhe pertencia inteiramente. Mais do que nunca, sentiu o valor daquela posse; compreendeu mais do que nunca que a moça era produto de uma vida social muito refinada. Simples e feminina como era, e particularmente não muito dada à conversa, parecia ter no sangue uma parte da história da Inglaterra. Era um résumé de gerações de um povo privilegiado, e de séculos de rica vida campestre. Entre os dois, naturalmente, não houve referências à questão que fora colocada nas mãos do Sr. Hilary, e a última coisa que ocorreu a Jackson Lemon foi ter Lady Barb a ideia de colocar uma fortuna à sua disposição antes do casame3nto. Talvez pareça singular, mas ele não se perguntara se seu dinheiro agia sobre ela, em certo grau, como uma espécie de suborno; isso porque, instintivamente, julgou ociosa tal especulação – ponto que não ser verificado -, e porque estava pronto a admitir que seria agradável, para ela, continuar a viver luxuosamente [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.


THE TALL GUY – O filme The Tall Guy (Atrapalhadas de um conquistador, 1989), dirigido por Mel Smith e escrito por Richard Curtis, conta a história de um ator que está trabalhando noutro país como assistente de comediante e tem a sua grande chance de protagonizar um musical de sucesso. No meio de grandes estrelas, destaque para a atriz inglesa Emma Thompson. Veja mais aqui, aqui & aqui.


IMAGEM DO DIA
Cartoon de Luiz Fernando Veríssimo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


Veja mais sobre:
A educação nossa de cada dia, A ilusão da alma de Eduardo Giannetti, Cibercultura de André Lemos, a música de Francisco Braga & Rosana Lamosa, a pintura de Jean Delville & Lygia Coelho aqui.

E mais:
A literatura de Osman Lins, o teatro de Adolphe Appia, a poesia de Alberto de Oliveira, a arte de Paul Éluard, a música de Paulo César Pinheiro, o cinema de Pedro Almodóvar & Penélope Cruz, a pintura de José Malhoa, A travessia poética de Valéria Pisauro & Programa Tataritaritatá aqui.
Todo dia é dia da educação aqui.
Passando a limpo aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando as mazelas dão um nó, vôte! A bunda de fora parece mais tábua de tiro ao alvo aqui.
La divina increnca de Juó Bananére, O sexo na história de a Reay Tannahill, A personologia de Henry Murray, a pintura de Adélaide Labille-Guiard, a música de Zeca Baleiro & Borná de Xepa, Dale Messick & Brenda Starr, a arte de Brooke Shields & a poesia de Marcia Lailin aqui.
Infância, imagem & literatura, Hipermnestra, A origem das espécies de Charles Darwin, A educação de István Mészarós, O ateneu de Raul Pompeia, a música de Antonio Salieri & Montserrat Caballé, O batizado da vaca de Chico Anysio, o cinema de Pedro Almodóvar, a pintura de Robert Delaunay & a escultura de Pierre Le Gros aqui.
O beijo que se faz poema, a poesia de Hilda Hilst, a escultura de Auguste Rodin, a fotografia de Eisenstaedt, a pintura de Rubens Gerchman, Franz von Stuck & Ricardo Paula aqui.
O palhaço doido, A filosofia do não de Gaston Bachelard, a poesia de Vinicius de Moraes, As reflexões Jacques Necker, a música de Anton Weber & Christiane Oelze, a fotografia de Evelyn Bencicova, a pintura de Nelina Trubach-Moshnikova & a arte de Karin Vermeer aqui.
O pulo do amante, A natureza do espaço de Milton Santos, O poder da identidade de Manuel Castells, a música de Bach & Alina Ibragimova, a poesia de August Stramm, a fotografia de Man Ray, a pintura de Paula Garcia, a arte de RozArt & Rich Snobby aqui.
Tudo acontece no ermo das ruas, A solidariedade de Edgar Morin, a poesia de Emily Dickinson, O desenvolvimento sustentável de Guillermo Foladori, a Música Brasileira do século, o cinema de Ingmar Bergman, a pintura de János Vaszary & a ilustração de Félix Reiners aqui.
Minha alma tupi-guarani, minha sina caeté, A geração dos poetas de Roman Jakobson, Paregma & Paraliponema de Arthur Schopenhauer, a música de Laura Nyro, a poesia de Vicente de Carvalho, a arte de Deborah De Robertis, a fotografia de Erwin Blumenfeld & Liliana Porter aqui.
Sou um pedaço de nada arrodiado de violência por todos os lados, A violência no mundo de Jean Baudrillard, A violência urbana de Régis de Morais, Neurofilosofia & Neurociências, a música de Pedro Jóia, a poesia de Blanca Varela, a pintura de Flávio de Carvalho, Soninha Porto & Poemas à flor da pele aqui.
Corações solitários, Hipócrates, Isaac Newton & Catherine Barton Conduitt, O homem & pós-homem de Fernanda Bruno, a literatura de Carlos Castañeda, a poesia de William Wordsworth, a música de Elena Papandreou, O teatro do Bharata, a arte de Luis Fernando Veríssimo, a entrevista de Claudia Telles, a pintura de Cristina Salgado, o cinema de Júlio Bressane & Josie Antello aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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A croniqueta de antemão aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, abril 13, 2015

SOPHIE KINSELLA, LUCRECIA MARTEL, BECKETT, LUKÁCS & LACAN

 


A QUEDA DE AÍDA – Ela era a terceira de cinco irmãos duma família de imigrantes sírios. Seu pai falecera quando contava ainda com 5 anos de idade. Por conta disso sua mãe mudou-se para o Rio de Janeiro e lá foi estudar num colégio de freiras espanholas, um internato para meninas órfãs. Ao concluir os estudos foi trabalhar na loja do irmão, enquanto fazia vários cursos, entre eles de datilografia. Sonhava com a personagem de Verdi, tinham o mesmo nome, quase se via na ária etíope, à procura do guerreiro, aquele por quem seria prisioneira, dono do seu coração. Era apenas escrava da princesa sussurrando em suas longas noites pelo escolhido que povoava os seus sonhos, o desconhecido Radamés, capitão de Ísis, que um dia resgataria a sua solidão, revelando-se pela paixão e desígnio divino. Eis que naquela tarde ela passeava com uma amiga, quando foram abordadas por alguns rapazes. Tomaram-lhe os óculos e a bolsa, por isso foi atraída a um prédio para recuperar suas posses. Levada insistentemente pela devolução dos seus pertences, fora puxada para o elevador aos gritos, levada ao topo do edifício, onde foi torturada pelos agressores que a imobilizaram, espancando-a com violência e tentavam estuprá-la. Resistiu até exaustão, jogada do terraço do décimo segundo andar. Seu corpo apresentava escoriações e equimoses provocadas pelos socos e unhadas, arranhões nas coxas, ventre e pescoço, ruptura interna do lábio superior, tentativas de estrangulamento, trauma no queixo, marcas nos braços, antebraços, punhos e dorso das mãos, mordidas no tórax. Naquela tarde de 14 de julho de 1958, em Copacabana, ela contava com 18 anos de idade e a queda revelou seu nome: era a estudante Aída Jacob Curi (1939-1958). Veja mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Os adultos interessantes são sempre os fracassados na escola, os esquisitos, os perdedores, os descontentes, isso não é uma ilusão. É a regra...Pensamento da cineasta argentina Lucrecia Martel. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Minha vida mudou e eu estou mudando com ela... Nunca desista de algo que você realmente quer. Por mais impossíveis que as coisas pareçam, sempre há um jeito. É isso que acontece. Você conta aos seus amigos seus segredos mais pessoais, e eles os usam contra você. Pensamento da escritora britânica Sophie Kinsella. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

EXISTENCIALISMO OU MARXISMO? – O livro Existencialismo ou marxismo (LECH, 1979), do filósofo, crítico literário e teórico marxista húngaro Georg Lukács (1885-1971), trata sobre a crise da filosofia burguesa, a fenomenologia e o existencialismo, o impasse da moral existencialista, a teoria leninista do conhecimento e os problemas da filosofia moderna, materialismo e dialética, significação dialética da aproximação na teoria do conhecimento, totalidade e causalidade, o sujeito do conhecimento e ação prática, a atualidade ideológica do materialismo filosófico, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] No domínio da teoria do conhecimento, é a pesquisa da objetividade que predomina; no plano da moral, tenta-se salvar a liberdade e a personalidade; do ponto de vista da filosofia da história, enfim, a necessidade de perspectivas novas se faz sentir no combate contra o niilismo. [...] A filosofia constitui, entretanto, uma manifestação ideológica particular, cuja evolução não é sempre exatamente paralela à das outras manifestações ideológicas, das ciências exatas ou da literatura, por exemplo. Essa particularidade da filosofia reside no fato que tem por objeto as questões últimas da existência e conhecimento; isto é, a concepção do próprio mundo, sob suas formas abstratas e gerais [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Imagem: Nu, do pintor brasileiro Aurélio D'Alincourt (1919-1990). Veja mais aqui.

Ouvindo o álbum Silver Apples of the Moon / The Wild Bull (Nonesuch Records, 1968), do compositor estadunidense de música eletrônica minimalista Morton Subotnick.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA PSICANÁLISE – No livro O seminário – livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (Zahar, 1973), o psicanalista e semanticista francês Jacques Lacan (1901-1981) trata da temática por meio de uma abordagem acerca da excomunhão, o inconsciente e a repetição, o inconsciente freudiano, do sujeito da certeza, da rede dos significantes, Tique e Automaton, do olhar como objeto, a esquize do olho e do olhar, a anamorfose, a linha e a luz, o que é um quadro, a transferência e a pulsão, a presença do analista, análise e verdade ou o fechamento do inconsciente, a sexualidade e o significante, desmontagem da pulsão, a pulsão parcial e seu circuito, do amor à libido, o campo do outro e retorno sobre a transferência, a alienação, do sujeito suposto saber e da díade primeira e do bem, da interpretação a transferência, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

ESPERANDO GODOT – A peça teatral de dois atos Waiting for Godot (Esperando Godot, 1952), foi a primeira peça escrita pelo dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett (1906-1989), que se tornou um dos principais textos do teatro do absurdo envolvendo os personagens Vladimir e Estragon na parte Estrada, árvore, à noite, que esperam um sujeito denominado Godot, e, também, Pozzo e Lucky – o primeiro fica cego e o segundo surdo -, que contracenam nos dois atos da peça, quando um garoto avisa que Godot não vem. Do texto destaco o trecho: (Vladimir e Estragon seguram nas pontas da corda e a puxam. Ela se rompe. Eles quase caem). VLADIMIR Não vale nada. (Silêncio). ESTRAGON Você disse que temos que voltar amanhã? VLADIMIR Sim. ESTRAGON Então podemos trazer um bom pedaço de corda. VLADIMIR Sim. (Silêncio). ESTRAGON Didi? VLADIMIR Sim. ESTRAGON Eu não posso mais continuar assim. VLADIMIR Isso é o que você pensa. ESTRAGON E se nos separássemos? Talvez fosse melhor para nós dois. VLADIMIR Nos enforcaremos amanhã. (Pausa.) A não ser que Godot venha. ESTRAGON E se ele vier? VLADIMIR Então estaremos salvos. (Vladimir tira o seu chapéu -o de Lucky - e espia dentro dele, o apalpa, o chacoalha, bate no topo e o coloca novamente). ESTRAGON Bem, então vamos? Bote as calças. ESTRAGON O quê? VLADIMIR Bote as calças. ESTRAGON Você quer que eu troque as calças? VLADIMIR BOTE as calças. ESTRAGON (percebendo que suas calças estão caídas) Ah, sim. (Estragon ergue as calças). ESTRAGON E então? Vamos? VLADIMIR Sim, vamos. Eles não se movem. (Cortina). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

POESIAS PONTILHADAS: VERSO SIMPLÓRIO & POETA PROSCRITO – A escritora Dorothy Castro edita três ótimos blogs na rede: o Poesias Pontilhadas, Nossos eus sexuais e Amor nãotem idade. Degustando de uma visita realizada a estes espaços da escritora, destaco dois de seus poemas. Verso simplório é o primeiro deles: Quando o silêncio dorme na tapera, / Que encolhidinha e triste ainda espera... / O sertanejo que nunca mais voltou.... / A porta então se fecha sem tramela, / Chora a tristeza porque dentro dela, / Só a saudade entrou e ali ficou! O segundo deles, o Poeta Proscrito: Te enlaço aqui, / no ruivo dos cabelos... / E a minha flor, / se abrindo em tua mão... / E eu toda nua finjo / a mocidade.../ E te inoculo em tuas / veias grossas,/ O meu veneno/ que não mata nada.../ Sou tua musa, / vem amor me usa... / Seja um poeta / proscrito.../ E no infinito/ dessas cavernas.../ Te quero duro,/ muito maduro.../ Entre as minhas / pernas!... Com isso, manifesto meus aplausos à poeta. Veja mais aqui.


PORTRAIT OF A LADY – O filme The Portrait of a Lady (Retrato de uma Senhora, 1996), dirigido por Jane Campion, com roteiro de Laura Jones e música de Wojciech Kilar, é uma adaptação do romance homônimo do escritor do realismo norte-americano Henry James (1843-1916), contando a história de uma viúva que herda uma fortuna escapando das tentativas de um pretendente que a persegue, enquanto ela é atraída por um colecionador de arte com que se casa e se descobre mais um objeto na coleção dele. A decepção é a descoberta da trama do marido com a amante para se apossarem da sua fortuna. Destaque para o maravilhoso trabalho da linda e premiada atriz e produtora de cinema australiana Nicole Kidman. Veja mais aqui, aqui & aqui.



IMAGEM DO DIA
Nude beauty, desenho de Fady Morris.


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O pulo do amante, A natureza do espaço de Milton Santos, O poder da identidade de Manuel Castells, a música de Bach & Alina Ibragimova, a poesia de August Stramm, a fotografia de Man Ray, a pintura de Paula Garcia, a arte de RozArt & Rich Snobby aqui.
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Sou um pedaço de nada arrodiado de violência por todos os lados, A violência no mundo de Jean Baudrillard, A violência urbana de Régis de Morais, Neurofilosofia & Neurociências, a música de Pedro Jóia, a poesia de Blanca Varela, a pintura de Flávio de Carvalho, Soninha Porto & Poemas à flor da pele aqui.
Corações solitários, Hipócrates, Isaac Newton & Catherine Barton Conduitt, O homem & pós-homem de Fernanda Bruno, a literatura de Carlos Castañeda, a poesia de William Wordsworth, a música de Elena Papandreou, O teatro do Bharata, a arte de Luis Fernando Veríssimo, a entrevista de Claudia Telles, a pintura de Cristina Salgado, o cinema de Júlio Bressane & Josie Antello aqui.
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quarta-feira, outubro 08, 2008

BAUDELAIRE, HENRY JAMES, MENOTTI DEL PICCHIA, BLANCHOT, KUBIN, TATIANA COBBETT & LITERÓTICA

 
A arte do escritor e ilustrador checo Alfred Kubin (1877-1959).

LITERÓTICA: O REINO DA SURPRESA – O beijo, primeiro degrau. Antes disso, à porta do cinema apareceu a menina azul e o filme que ela não viu. Um sábado cheio de pernas: primeiro encontro, conversa de almoço. Isso e aquilo. As palavras escapulindo, o mundo girando. Ela era só o olhar e um silêncio. Eu, um tagarela, depondo tudo, debulhando segredos. Ela permeável. O que eu disse? Sei lá, fiquei nu. Dali uma semana, era o primeiro beijo e o dia se iluminou. Era o reino da surpresa. E vingava a emoção. Nunca havia saboreado prazer tão imenso, intenso, inteiro, carregado. Tudo inteiramente maior na franzinice dela. Surpresa aos montes: o beijo, o toque, a pele, a entrega total. Tudo integralmente entregue, inteiramente possuído. Nunca houvera. Foi tudo como a minha fome de séculos se apossasse dos seus pés miúdos, engolisse suas pernas, mastigasse suas coxas, deglutisse seu ventre de carne saborosa e me empazinasse com seus seios de caldo mágico e dorso de cordilheiras deliciosas e ruminasse seu corpo de precipícios milenares e me apoderasse de sua alma nua de serva submissa que se deixava escrava completa ao meu bel prazer. E usei antropofagicamente do expediente de tê-la, retê-la, recolhê-la, recomê-la sucessivas vezes até ginofagicamente assentá-la, liquidá-la, enfincá-la e entronizá-la lânguida posse exaurida nos desejos do meu coração atordoado. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - A imaginação disseca o todo da criação de acordo com leis que têm a sua origem no mais fundo das profundezas da alma, e depois junta e organiza os pedaços, criando um novo mundo a partir deles. Pensamento do escritor, tradutor, crítico de arte e poeta francês, Charles Baudelaire (1821 - 1867). Veja mais aqui e aqui.

A VISÃO & O INVISÍVEL – [...] o que se revela não se entrega à visão, mas também não se refugia na simples invisibilidade [...]. Inversão finita da dispersão, movimento não dialético, onde a contrariedade é estranha à oposição, à conciliação e onde o outro nunca é igual ao mesmo. [...]. Trechos extraídos da obra Conversa infinita: a palavra plural (Escuta, 2001), do escritor, ensaísta, romancista e crítico literário Maurice Blanchot (1907-2003). Veja mais aqui.

A VOLTA DO PARAFUSO – [...] Olhava para todos os lados à procura de uma luz, de alguma pista que indicasse o que devia fazer. Por fim atirou-se em meus braços e gritou, com todas as forças, o nome que provava que eu estivera certa desde o começo: — Onde está Peter Quint? Vá-se embora, demônio! — Acalme-se, meu amor. Você agora não é mais dele. Ficaremos juntos, você e eu. Ele voltará para a eternidade, confie em mim! — disse eu. O menino debatia-se, mas apertei-o firme contra o peito, a cabeça afundada em meu colo. Tentava assim minimizar, a todo custo, a queda que estava sofrendo. Enlacei-o com todo o amor que podia lhe dar, mas, ao final de um minuto, percebi o que de fato havia ocorrido: em meio à atmosfera calma que agora se instalara na sala de estar, eu segurava um coraçãozinho finalmente livre, é certo, mas que parara de bater. [...]. Trecho da obra A volta do parafuso (Ridel, 2006), do escritor estadunidense Henry James (1843-1916). Veja mais aqui.

O VOO – Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti. / Não indagues se nossas estradas, tempo e vento, / desabam no abismo. / Que sabes tu do fim? / Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o / de estrelas. / Conserva a ilusão de que teu vôo te leva sempre / para o mais alto. / No deslumbramento da ascensão / se pressentires que amanhã estarás mudo / esgota, como um pássaro, as canções que tens / na garganta. / Canta. Canta para conservar a ilusão de festa e / de vitória. / Talvez as canções adormeçam as feras / que esperam devorar o pássaro. / Desde que nasceste não és mais que um vôo no tempo. / Rumo do céu? / Que importa a rota. / Voa e canta enquanto resistirem as asas. Poema do poeta, jornalista, advogado e pintor brasileiro Menotti Del Picchia (1892-1988). Veja mais aqui e aqui.

A arte do escritor e ilustrador checo Alfred Kubin (1877-1959).


MUSA DA SEMANA: TATIANA COBBETT – ela é cantora, compositora e bailarina.

É formada pela Escola de Danças Clássicas do Teatro Municipal do RJ e trabalhou 12 anos na companhia paulista Balé Stagium, percorrendo o Brasil, América Central, América Latina e alguns países da Europa.

Ela é autora e atuou como intérprete do musical "Mulheres de Hollanda" com direção de Naum Alves de Sousa.

Atuou como diretora e concepção dos espetáculos Alma Flamenca, Grito das Flores, Esta Terra Portugal, Festival Três Bandeiras, Partituras da Itália nas Vozes do Rio e dos Shows de Badi Assad, Carlinhos Antunes, Tutti Baê, Janet Machnaz e Joel Brito entre outros.
Desde 2000, desenvolve parceria com o músico/cantor/compositor gaúcho - Marcoliva - um trabalho de composições próprias registradas no cd Parceiros. Ela também publicou o livro de poemas e letras, intitulado - Básicas Composições. E está desenvolvendo o projeto Bendita Companhia, com o músico Marcoliva.
Ela aniversaria no próximo dia 13 de outubro. Daqui meus parabéns, Tatiana.


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